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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pelo segundo ano seguido, São Bernardo na semi do Paulista sub-20

Olá, pessoal!

Depois de sair do Nacional no sábado à tarde, tinha mais de duas horas para chegar no destino do seu segundo jogo do dia. Na sessão noturna da rodada, uma peleja absolutamente imperdível: São Bernardo x Assisense pelo jogo de volta das quartas-de-final do Campeonato Paulista sub-20 da 2ª divisão. Mais uma vez o palco do jogo do Bernô foi o Baetão, em São Bernardo do Campo.

Chegamos na Estação Água Branca e logo após o trem com destino à Estação Luz chegou. Ai começou um dos maiores perrengues que passei nos últimos tempos. Quem é de São Paulo e anda de trem sabe que o caminho entre as duas estações (mesmo com a Estação Barra Funda entre elas) é rápido de ser concluído. Mas graças à um problema na via, os costumeiros 10 minutos se transformaram em quase 50 (!). Acontecer isso com o tempo escasso é algo bastante desagradável.

Somente quase às 18 horas finalmente paramos na Estação da Luz. Com o jogo marcado para às 7 da noite, e faltando ainda a maior parte do caminho para chegar ao ABC paulista, desistimos (eu e o David) de seguir para o jogo noturno. Fomos então até a Estação Tamanduateí pelas linhas amarela e verde do metrô, sem pressa alguma. Com o relógio marcando 18:17, descemos no nosso ponto final.

Mas na hora de passar pela catraca para tomar o rumo de casa, resolvi por desencargo ver se o trem que iria para Santo André (aonde sempre desço para pegar o trólebus até São Bernardo do Campo) passaria logo. Se ele passasse até às 18:20 eu iria testar a sorte e iria para a peleja, mesmo com a certeza de chegar no Baetão com ela já iniciada.

Para minha sorte, o trem apareceu às 18:19, e então decidi seguir mesmo assim para o jogo. Cheguei na estação de Santo André e faltando quinze minutos para às 7 da noite peguei o ônibus para SBC. Desci no ponto mais próximo ao Baetão exatamente às 18:56, horário em que não seria possível mesmo as fotos posadas. Só que no caminho, que fiz sem pressa alguma, lembrei de várias partidas que tinham começado com atraso por ali, sempre alternando falta de médico, policiamento, ambulância e desfibrilador.

Quando estava perto do estádio comecei a tentar ouvir o famoso barulho de apito, um indicador claro que a partida já estava rolando. Mas o silêncio era total, e quando entrei no Baetão, isso às 19:10, percebi que o jogo ainda não tinha começado, pois faltava um desfibrilador. Sem perder tempo, fiz as fotos das equipes, para descobrir que no mesmo momento em que eu entrei no campo, o aparelho apareceu e o jogo poderia ser iniciado. Olha, parece que aguardaram a minha presença para que a partida tivesse andamento. Depois dos momentos de angústia dentro do trem, foi genial conseguir chegar a tempo das fotos e de ver o jogo na sua totalidade. Mais uma historinha para ser contada através dos tempos.


EC São Bernardo (sub-20) - São Bernardo do Campo/SP. Foto: Fernando Martinez.


CA Assisense (sub-20) - Assis/SP. Foto: Fernando Martinez.


O trio de arbitragem da partida: A assistente número 1 Maria Andréia da Silva, o árbitro Júlio César Meirelles e o assistente número 2 Daniel Lopes Neto. Foto: Fernando Martinez.

Estava duplamente feliz quando o jogo começou. Primeiro por ter conseguido o milagre de chegar a tempo de ver a peleja, e segundo por ter a chance de ter pela terceira vez ao vivo o Clube Atlético Assisense, time que dificilmente dá as caras aqui por perto, já que quase nunca se classifica para algo além da primeira fase das competições que disputa.

Eu tinha visto a equipe apenas duas vezes ao vivo. Uma em 2004 na cidade de Campinas, e outra em 2005, jogando contra o extinto Força em Caieiras. A maioria do pessoal presente no Baetão não tinha visto a equipe em campo. E ainda mais genial foi ver o time jogando de verde-limão, algo absolutamente inexplicável.


Ataque do Bernô pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.

Mas a situação do Assisense não era das mais agradáveis, já que perdeu o em casa o jogo de ida por 2x0, e somente uma vitória por três gols de diferença daria a vaga na semi-final ao time do interior paulista. O Bernô, calejado pela quase eliminação contra o Palestra, prometia concentração total durante os 90 minutos para evitar uma surpresa.


Cobrança de falta para os donos da casa que encontrou a trave do Assisense. Foto: Fernando Martinez.

Mas quem começou melhor foi o time local, que levou bastante perigo ao gol do Assisense em investidas pelas laterais. Com poucos minutos, desisti de ficar dentro de campo, pois o frio era intenso. Para quem tinha sofrido com gripe a semana toda e também tinha passado a tarde debaixo de uma temperatura de 34 graus, encarar 18 graus e uma ventania forte não era algo muito saudável.


Escanteio para o Bernô, com a zaga do time visitante afastando o perigo. Foto: Fernando Martinez.

Saindo do campo fui me encontrar com os amigos presentes no Baetão. Além do Thiago, do Pedro e do Bolívia representando a torcida alvinegra, os amigos Rodrigo Colucci, Raul, Nílton (os dois vindos de Suzano) também estavam lá. O Mílton também aproveitou a dispensa mais cedo no trabalho e foi ver o jogão.

Enquanto conversava com o pessoal, vi o São Bernardo ampliar sua vantagem no confronto aos 25 minutos, com um golaço de Carlão. A bola foi alçada pela direita e ele matou com classe e chutou forte no canto esquerdo. O 1x0 deixava o Bernô com uma mão e meia na semi-final. A equipe visitante até tentou chegar à igualdade, mas não teve sucesso.


Cabeçada que levou perigo ao gol defendido pelo arqueiro do Assisense no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

Nesse intervalo começamos a escutar aquele famoso barulho forte de trovões. A torcida era que a chuva chegasse apenas após o final da partida. O segundo tempo começou com a peleja bastante equilibrada, sem que nenhum dos times dominasse as ações. O tempo passava e a classificação do São Bernardo estava cada vez mais perto.


Boa chance do time visitante, já com o dilúvio no Baetão. Foto: Fernando Martinez.

Só que por volta dos 15 minutos o que temíamos aconteceu. Um verdadeiro temporal caiu sobre o Baetão, e fez com que todo mundo corresse para a parte coberta do estádio. Enquanto atravessávamos o estádio numa corrida desenfreada, o Assisense conseguiu chegar à igualdade no placar. O gol veio aos 20 minutos, após cruzamento da esquerda e complemento de Cassinho.


Início de ataque do time verde-limão. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto muitos se apertavam na pequena parte coberta do Baetão, eu fui me proteger numa das cabines de imprensa do local. Tive a companhia de alguns amigos e dali vimos as equipes sofrerem com o encharcado campo. Mas quem sofreu mais foram os goleiros, que por muito pouco não tomaram gols graças ao campo molhado.


Grande chance criada na tentativa do segundo gol do onze assisense. Foto: Fernando Martinez.

O mundo caía, e a esperança agora não era mais pela classificação do Bernô, e sim para que a chuva acabasse antes de termos que ir embora. Como num passe de mágica, no exato momento do apito final, a chuva cessou. Final de jogo: São Bernardo 1-1 Assisense. O Bernô conseguiu sua classificação e iguala a ótima campanha de 2010 no sub-20 se qualificando para a semi-final. O adversário agora será o Grêmio Mauaense, em dois jogos que serão históricos.

Com frio, mas felizes pelo fato que a chuva tinha passado, voltamos para o terminal de São Bernardo do Campo e dali seguimos para pegar o trem em Santo André. Como não poderia deixar de ser, a conversa foi baseada em futebol e em outros assuntos educativos. Cheguei em casa bem cansado depois da epopéia, mas com a cabeça já no jogo do domingo cedo.

Até lá!

Fernando

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