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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 2): Equador vence a Austrália no Olímpico

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada de abertura do Grupo B da Copa do Mundo sub-17, as seleções de Equador e Austrália foram ao gramado do Estádio Olímpico Pedro Ludovico buscando chegar à liderança da chave junto com a Nigéria (os africanos venceram a Hungria na preliminar por 4x2). Apesar dos dois já estarem na Lista (o Equador desde 2000, a Austrália desde 2014), a expectativa era grande já que é o tipo de confronto que somente mentes avançadas conseguem imaginar.

Os australianos se classificaram pela 13ª vez para um mundial, a maior parte deles - dez das onze Copas até então - ainda quando eram filiados à OFC, a Confederação da Oceania. A partir de 2006, ano da mudança para a AFC, a Confederação Asiática, eles participaram somente de três dos sete torneios realizados. Na disputa do torneio sub-16 asiático eles eliminaram de forma direta a Indonésia num triunfo por 3x2.

Já a presença dos equatorianos, a quinta na história dos mundiais, foi garantida na base do sofrimento. O time chegou na rodada final do sul-americano disputado no Peru precisando "apenas" vencer a Argentina, virtual campeã, por três gols de diferença. O detalhe é que, mesmo perdendo por três gols, os portenhos ficariam com o título. Coincidentemente ou não, o resultado do confronto foi de 4x1 a favor do Equador. Por ter um gol a mais de saldo, eles eliminaram os donos da casa. (Bom, eu acho que Peru x Indonésia seria bem mais genial, mas tudo bem)



As imagens oficiais das seleções sub-17 de Equador e Austrália



Dois detalhes do Estádio Olímpico de Goiânia: primeiro a parte coberta com as cabines de imprensa e depois a arquibancada oposta

Boa parte dos presentes na primeira peleja do dia foi embora no duelo "principal", deixando a cancha com cerca de 300 presentes. Quem ficou viu uma partida boa, muito por conta da ótima atuação do Equador na primeira parte da peleja. Antes dos dez minutos, os sul-americanos já venciam por 2x0. O primeiro tento saiu aos quatro dos pés de Pluas. O camisa 14 aproveitou rebote e chutou forte. A bola desviou em Powell e morreu no canto direito. Aos nove, Pedro Vite avançou pela esquerda e cruzou. No meio do caminho Mlinaric tentou tirar e colocou dentro das próprias redes, marcando contra.

O 2x0 não diminuiu o ímpeto e várias vezes durante a etapa inicial os avantes da terra de Aguinaga - o Álex, craque dos anos 90/2000 e não o Pedrinho, bon vivant carioca dos anos 70 e amigo pessoal de Carlos Imperial - chegaram dentro da área dos Socceroos. Da minha parte, estava apanhando da câmera fotográfica que levei, cortesia da simpatia do amigo Luciano Claudino, e usava pela primeira vez. A iluminação do Olímpico é ótima, porém eu ainda não tinha encontrado as configurações certas.


Jordan Courtney-Perkins (4) cortando cruzamento equatoriano sob o olhar atento de Anton Mlinaric (15), Trent Ostler (14) e Ryan Teague (6)



Adam Pavlesic, goleiro australiano, imóvel depois de sofrer o primeiro gol da noite em Goiânia e a comemoração equatoriana



Pedro Vite (19) chutando da esquerda para Anton Mlinaric, zagueiro da Austrália, marcar contra. Mesmo não sendo seu gol, o atleta sul-americano comemorou como se tivesse sido seu


Roberto Cabezas (6) e a marcação de Luis Lawrie-Lattanzio (20)


Agora a vez de Johan Mina (10) criar momento perigoso dentro da área, para desespero de Luis Lawrie-Lattanzio (20)

Diferente da preliminar, eu mudei de lado nos 45 minutos finais para alternar o ângulo das imagens. Não dei tanta sorte na escolha... acontece. A superioridade equatoriana continuou evidente, só que os jogadores colocaram um belo salto alto. O que teve de bom momento desperdiçado por puro preciosismo foi absurdo. Os australianos aos poucos foram encontrando forças e também passaram a criar suas oportunidades.

Conforme o apito final chegava, o Equador pensou apenas em segurar a vantagem. Essa atitude chamou de vez o onze oceânico para seu campo. Pouco depois dos 40 minutos, Teague quase diminuiu em lance que o goleiro Joan Lopez fez milagre. Já aos 44 não teve jeito e Noah Botic fez o dele. Pena que o tento tenha saído tarde demais. Mesmo assim nos acréscimos eles tiveram uma derradeira chance e por pouco não chegaram ao empate.


John Mercado (17) disputando bola pelo alto com Birkan Kirdar (8)


Boa chegada equatoriana dentro da área da Austrália com John Mercado


Patrickson Delgado (15) em novo bom momento do Equador pela direita. Izaack Powell (5) acompanhou de longe


Zaga sul-americana neutralizando a pressão da Austrália nos minutos finais da peleja


Resultado final da partida que fechou o primeiro dia do JP na Copa do Mundo sub-17

O resultado final de Equador 2-1 Austrália acabou sendo justo pelo que os sul-americanos mostraram nos primeiros 45 minutos. Pensando no andamento do campeonato, ficou claro que eles não poderiam vacilar tanto novamente. Ao término da rodada inicial do Grupo B da Copa do Mundo sub-17, Nigéria e Equador somavam três pontos, enquanto Hungria e Austrália estavam zerados. Todos ainda com plenas possibilidades de classificação.


Debaixo da parte coberta há um gigantesco mural com fotos que contam um pouco da história do Pedro Ludovico

Essa foi a única rodada que acompanhei no belíssimo Estádio Olímpico de Goiânia. Fiquei um bom tempo curtindo a minha despedida do local antes de percorrer os dois quarteirões de volta ao hotel. Como os amigos estavam cansados e capotaram cedo, recorri a uma lanchonete próxima numa refeição nababesca por preço baixo, algo que sempre rola quando estamos longe da caríssima São Paulo.

A rodada do sábado não foi a única na bela capital do estado do Centro-Oeste. No quente domingo foi a vez de acompanhar o Grupo C do mundial na tímida e sensacional Serrinha, a casa do Goiás EC e um dos campos mais interessantes que já visitei.

Até lá!

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Ficha Técnica: Equador 2x1 Austrália

Local: Estádio Olímpico Pedro Ludovico (Goiânia/GO); Árbitro: Andreas Ekberg (Sue); Público: 337 pagantes; Cartão amarelo: Piero Hincapie; Gols: Erick Pluas 4 e Anton Mlinaric (contra) 9 do 1º, Noah Botic 45 do 2º.
Equador: Joan Lopez; Jordan Moran, Piero Hincapie, Hanssel Delgado e Roberto Cabezas; Marco Aangulo, Erick Pluas, John Mercado (Patrickson Delgado) e Pedro Vite (Jeremy Farfan); Johan Mina (Silvano Estacio) e Adrian Mejia. Técnico: Jose Rodriguez.
Australia: Adam Pavlesic; Jordan Courtney-Perkins, Izaack Powell, Trent Ostler e Anton Mlinaric; Ryan Teague, Birkan Kirdar (Cameron Peupion) e Caleb Watts (Idrus Abdulahi); Tristan Hammond, Noah Botic e Luis Lawrie-Lattanzio (Yaya Dukuly). Técnico: Trevor Morgan.
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terça-feira, 6 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 6): Tudo igual entre Alemanha e Austrália

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a segunda rodada do Grupo F no torneio feminino de futebol da Olimpíada vi um grande jogo, com certeza um dos melhores do Rio-2016. Alemanha e Austrália foram a campo na Arena Corinthians para 90 minutos eletrizantes, deixando os mais de 36 mil torcedores que pagaram ingresso extasiados.

Como você viu aqui no JP, a Alemanha goleou o Zimbábue na rodada de estreia, enquanto as australianas foram derrotadas pelo Canadá. Por conta de todo o histórico, as europeias eram favoritas, mesmo sabendo que não seria nada fácil essa tarefa. Esse foi o segundo encontro entre as duas na história olímpica. O primeiro, realizado durante os Jogos de Sydney, teve vitória germânica por 3x0.


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians

Desde os primeiros movimentos já dava para ver que esse jogo seria muito diferente do que a preliminar. O selecionado verde e amarelo abriu o placar aos seis minutos num lance aonde a bola foi roubada no meio de campo, Foord avançou pelo campo de defesa e tocou para Samantha Kerr na esquerda. Ela chutou de primeira e fez o primeiro gol australiano na Olimpíada.

A Alemanha quase empata aos oito em cabeçada que tirou tinta da trave. Aos 11, Williams fez grande defesa em chute de longe. Quatro minutos depois, foi a vez da Austrália chutar e quase ampliar. A maior chance alemã aconteceu aos 35 com a camisa 11 Anja Mittag. Ela driblou duas defensoras e mandou colocado, mas Williams tocou com a ponta dos dedos pela linha de fundo.

O ritmo do jogo era absolutamente sensacional e aos 39 a Austrália quase fez o segundo num tiro que passou raspando a trave direita de Schult. No lance seguinte, nova defesa incrível de Williams em chute de longe de Melanie Behringer. Os mais de 36 mil torcedores comemoravam e apludiam os lances dos dois lados, todos entusiasmados por conta do belo jogo.

Depois de tantas oportunidades, as meninas da terra dos coalas finalmente fizeram o segundo aos 45 minutos. Lisa de Vanna fez uma jogada maravilhosa pela esquerda, com direito a caneta na zagueira, e cruzou por baixo. Caitlin Foord tocou de leve para ampliar a vantagem. Na saída, a Alemanha diminuiu com um golaço de Sara Daebritz por cobertura, no último lance do tempo inicial.


Ataque alemão e disputa de bola pelo alto dentro da área australiana


Cruzamento dentro da área da Austrália


Leonie Maier, camisa 4, em lance pela esquerda


Mais uma investida alemã pela esquerda

No tempo final a seleção "alvi-negra" se viu obrigada a buscar o empate de forma mais incisiva e isso fez com que a Austrália levasse enorme perigo nos contra-ataques. No primeiro deles, acontecido aos 16 minutos, Foord teve a oportunidade do terceiro em lance cara-a-cara com Schult, que fez grande defesa. A mesma Foord teve outra chance parecida dois minutos depois, mas a bola saiu por cima.

As alemãs não conseguiam segurar o rápido ataque adversário e aos 25 Michelle Heyman acertou um tirambaço que obrigou Schult a mandar para escanteio. Aos 30 aconteceu a primeira grande chance europeia no tempo final em tiro de longe e ótima intervenção de Williams. Três minutos depois a arqueira da Alemanha fez besteira e mandou a bola nos pés de Samantha Keer. Só que a camisa 15 jogou fora mesmo com o gol aberto.

Após ter jogado fora o terceiro gol por várias vezes, a Austrália foi castigada aos 42 minutos com o empate. Behringer levantou a pelota na área e a capitã Saskia Bartusiak apareceu no segundo pau para tocar de barriga e deixar tudo igual. Um lance de enorme azar da arqueira Williams.


Elise Kellond-Knight batendo escanteio pela esquerda


Boa saída da goleira Schult em cruzamento na área


Lance de ataque a favor da Alemanha


Placar final do belíssimo jogo realizado na Arena Corinthians, um dos melhores do Rio-2016

E foi com o placar de Alemanha 2-2 Austrália que a árbitra neo-zelandesa Anna-Marie Keighley apitou pela última vez na Arena Corinthians. Um resultado heroico conquistado pelas medalhistas de bronze em 2000, 2004 e 2008, que foram para quatro pontos ganhos em dois jogos. A seleção verde e amarela ficou apenas com um. No final da primeira fase, as duas conquistaram vaga nas quartas-de-final.

Essa rodada marcou o fim da primeira parte do meu cronograma no Rio-2016. No dia seguinte fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro (de um total de três) e fiquei ali durante três dias acompanhando meus primeiros eventos olímpicos propriamente ditos. Teve muita coisa boa na jogada.

Até lá!

domingo, 28 de agosto de 2016

JP na Olimpíada (parte 1): A estreia olímpica na Arena Corinthians

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando eu tinha apenas dois dias de vida a Olimpíada de Montreal começou. Claro, não lembro nada do que rolou no Canadá, mas consigo lembrar de algumas coisas de Moscou-80, principalmente o choro do ursinho Misha na cerimônia de encerramento. Desde então, a cada ano bissexto que chega paro durante duas semanas para acompanhar tudo que acontece nos Jogos Olímpicos.

Sempre tive vontade de acompanhar uma Olimpíada de perto, porém confesso que não me imaginava numa, ainda mais sendo realizada no nosso país. Por conta da maré de sorte que tivemos no final da primeira década do século, tive a abençoada chance de ver as duas maiores competições esportivas do planeta pertinho de casa na sequência... um privilégio absoluto! Isso sem contar os Jogos Panamericanos e a Copa das Confederações. Olha, para quem gosta, foi um período dourado.

Comprei parte dos ingressos ainda no primeiro semestre do ano passado, a maioria deles para o torneio masculino e feminino de futebol. Tudo bem, já sabia que que o ambiente não seria o mesmo que vivi durante o Mundial de 2014, só que é fato que eu não poderia ficar de fora. Adquiri entradas para todas as pelejas em São Paulo e a primeira das várias jornadas programadas aconteceu na tarde do dia 3 de agosto.

A Arena Corinthians foi palco da primeira rodada do Grupo F do torneio feminino da Olimpíada. Em campo, as seleções do Canadá e da Austrália, ambas disputando a competição pela terceira vez, buscavam iniciar as suas campanhas com o pé direito.

Contando as cinco edições anteriores dos Jogos, as norte-americanas ocupavam a oitava posição na classificação geral com 14 pontos ganhos. A melhor campanha aconteceu em Londres-12, quando a seleção ficou com a medalha de bronze após vencer a França. A Austrália estava na 12ª posição com cinco pontos e uma única vitória, um 1x0 contra a Grécia em 2004. Dava para crer que uma classificação já seria um resultado e tanto para as meninas da terra do coala.


Canadá e Austrália entrando em campo para a estreia na Olimpíada 2016

Chegar na Arena foi tranquilo, já que o público para a rodada dupla de estreia foi o menor na casa corintiana durante a competição. Sim, o menor, mas isso não quer dizer que tenha sido ruim, já que 20.521 pagantes na tarde de um dia útil assistindo futebol feminino é algo que merece todos os aplausos. A torcida não teve nenhum problema para acessar as dependências da cancha. O destaque ficou por conta do enorme quórum de amigos e conhecidos presente na rodada, com certeza um recorde.

Todos já ocupavam seus lugares marcados quando a árbitra francesa Stephanie Frappart iniciou os trabalhos olímpicos na capital bandeirante. 19 segundos depois Janine Beckie marcou o gol mais rápido da história do certame. A mito Christine Sinclair roubou a bola pela direita e cruzou para a camisa 16 inaugurar o marcador.

A Austrália não se assustou com o gol relâmpago e agiu como se nada tivesse acontecido. As meninas colocaram pressão e encurralaram o Canadá no campo de defesa. As canadenses passaram sufoco e a partida ficou ainda mais sofrida aos 19 minutos com a expulsão da defensora "canuck" Shelina Zadorsky.


Tarde agradável para a minha experiência olímpica em todos os tempos


Zaga do Canadá tentando mandar a bola para longe da área


Catlin Ford, camisa 9 da Austrália, sob marcação da camisa canadense Diana Matheson

Com uma a mais a pressão foi enorme, tanto que ao final dos 45 minutos iniciais a seleção australiana tinha finalizado 11 vezes ao gol contra apenas duas finalizações canadenses... porém gol que é bom, nada. Méritos para a inoperância inofensiva e para o bom trabalho da goleira Stephanie Labbé.

No tempo final a Austrália voltou no mesmo esquema e teve boa chance com Gorry aos cinco minutos, mas a arqueira fez uma defesa segura e impediu o empate. No frigir dos ovos, estar com uma atleta a mais em campo não estava fazendo mais diferença para o time verde e amarelo.

Aos poucos o Canadá foi finalmente se encontrando em campo e passou a acreditar que mesmo com dez poderia ampliar. Aos 26 minutos Van Egmond cometeu pênalti depois de tocar com a mão na pelota dentro da área. A cobrança ficou a cargo de Beckie. Só que ela bateu mal e Williams defendeu.

E justamente quando a Austrália tentava emplacar nova pressão o Canadá ampliou. Steph Catley vacilou e tocou errado. A bola então sobrou para Kyah Simon, que lançou em profundidade e encontrou a artilheira Sinclair livre no comando do ataque. Ela driblou com estilo a goleira e chutou quase do meio de campo para fazer seu 163º gol com a camisa da seleção canadense. A jogadora de 32 anos é a segunda maior artilheira de uma seleção nacional em todos os tempos, atrás apenas de Abby Wambach, dos Estados Unidos.


Cruzamento dentro da área canadense no tempo final


Boa jogada de Sinclair pela direita


Bola levantada na área australiana na direção de quem? Sinclair, claro


O enorme quórum de amigos presentes na estreia olímpica na capital bandeirante

Se não sentiram o primeiro gol, com certeza as australianas sentiram o segundo e não tiveram mais forças para conseguirem melhor sorte na peleja. O placar final de Canadá 2-0 Austrália acabou sendo justo a favor da seleção que foi mais objetiva e que conseguiu superar o fato de jogar mais de 70 minutos em desvantagem numérica.

Finalizada a primeira sessão, agora era hora de conferir o jogo de fundo, um duelo simplesmente surreal em que a presença do JP se fazia obrigatória.

Até lá!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

JP na Copa (parte 7): Grande jogo com duas viradas e vitória holandesa no Sul

Fala, pessoal!

Depois de acompanhar Bélgica x Argélia em BH, voei para a cidade de Campinas para poder descansar um pouco na residência da família Claudino. A estadia na cidade das andorinhas aconteceu pois na quarta-feira cedo partiríamos de Viracopos com destino à Porto Alegre, local do meu quinto jogo na Copa do Mundo: o sensacional Austrália x Holanda.

Na companhia da Van e do Luiz, peguei o voo da Azul sem atrasos - algo bastante inesperado - e pouco antes das 10 da manhã já estávamos no Salgado Filho numa fria manhã de junho na capital do Rio Grande do Sul. Depois de quatro jogos com calor, finalmente havia chegado o momento de curtir um joguinho em baixa temperatura.


Bandeira da Copa do Mundo tremulando com o vento frio em Porto Alegre. Foto: Fernando Martinez.

Como esse era o pré-jogo mais complicado de todas as partidas que planejei assistir, não podia perder nenhum segundo. Logo fomos nos informar sobre quais eram os ônibus que realizavam o trajeto entre o aeroporto e o Beira Rio. Pena que ali o nível de desinformação estava alto, pois além dos funcionários garantirem que não havia nenhum transporte especial para a Copa, nos mandaram pegar um ônibus de linha fora do Salgado Filho.

Por volta das dez e vinte da manhã nos encontrávamos num ponto ao lado da Estação Aeroporto da Trensurb, aguardando pacientemente a chegada do coletivo, mais conhecido como "T5". Quinze minutos depois ele chegou e a cobradora informou que o trajeto dali até o estádio não levava mais do que quarenta minutos em condições normais. É, mas não estávamos num dia nessas condições.

Tudo isso caiu por terra quando chegamos no centro da cidade. O busão lotou, o trânsito parou e o desespero tomou conta de todos que estavam ali com o objetivo de chegar relativamente próximos da casa colorada. Para piorar, o coletivo estava com um horroroso adesivo colado em todos os vidros e não tínhamos como ver o lado de fora. Ficamos literalmente enclausurados ali.

A tensão era enorme, e para piorar o astral ficamos sabendo que tinha sim um transporte do aeroporto até o estádio e que os funcionários de lá simplesmente deixaram de nos fornecer essa informação, provavelmente por pura incompetência. Troféu joinha para todos eles.

A passo de tartaruga fomos seguindo nas apinhadas ruas porto-alegrenses. O relógio era implacável e a cada minuto que passava ficava mais forte a certeza que perderíamos boa parte do jogo. Somente depois do meio-dia o ônibus conseguiu andar um pouco mais e para alívio geral, nos deixou a cerca de um quilômetro do Beira Rio às 12:27.


Fachada do belíssimo Beira Rio, palco de Austrália x Holanda. Foto: Fernando Martinez.

Agora era conosco, e faltando exatamente 33 minutos antes do pontapé inicial saímos correndo para tentar diminuir o prejuízo. O temor era que as gigantescas filas vistas no dia anterior em Belo Horizonte também estivessem presentes em Porto Alegre. Por milagre, deu tudo certo e entramos na casa colorada em menos de dois minutos. Num sprint final, fomos aos nossos respectivos lugares e nem bem nos sentamos nas confortáveis cadeiras os times foram ao gramado. Ufa!


Times perfilados para os hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.

Na base do milagre chegamos a tempo, e só aí o pensamento futebolístico passou a ser prioridade. Austrália e Holanda se encontraram para a partida em situações opostas. Os Socceroos haviam sido derrotados na estreia - 3x1 para o Chile em jogo com presença do JP - e a Holanda havia massacrado a campeã mundial Espanha por sonoros 5x1. Por motivos óbvios, todo mundo esperava mais uma grande vitória da Laranja Mecânica.


Detalhe da grande presença de holandeses em Porto Alegre. Foto: Fernando Martinez.


Cabines de imprensa do Beira Rio. Foto: Fernando Martinez.

Vale lembrar que esse foi o primeiro jogo da Copa do Mundo em que vi duas seleções novas para a minha Lista... e que seleções! A Austrália é legal por si só, mas a meta era mesmo ver um joguinho do selecionado laranja, um sonho de criança, claro, por conta do que os europeus fizeram nos anos 70.


Davidson, camisa 3 da Austrália, atacando pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.

Depois de tanta luta para chegar a tempo, fui recompensado com um dos melhores jogos do Mundial, entrando no pódio do certame. A Austrália fez uma partida incrível e igualou as ações com seu adversário na base da superação. A Holanda foi anulada e suou sangue para conquistar os três pontos.


A zaga holandesa trabalhou muito durante todo o tempo. Foto: Fernando Martinez.


Grande chance australiana. Foto: Fernando Martinez.

Os holandeses, assustados com o ímpeto australiano, abriram o placar com o gol de Robben aos 20 minutos. Na saída de bola um dos gols mais sensacionais da Copa do Mundo saiu dos pés de Cahill. Ele acertou um chutaço sem pulo de esquerda, estufando as redes de Cillessen e levando o público de 42.877 pagantes ao delírio.


Placar eletrônico informando o segundo gol de Cahill na Copa, um dos mais belos do Mundial 2014. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro tempo terminou em 1x1, e aos 9 do tempo final a torcida foi à loucura com a virada da Austrália no gol de pênalti de Jedinak. Esse gol acordou os holandeses e quatro minutos depois Van Persie deixou tudo igual novamente.


De pênalti, a Austrália virou o placar aos 9 do segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


Bola esticada no ataque holandês. Foto: Fernando Martinez.


Grande investida holandesa. Foto: Fernando Martinez.

Daí até o final qualquer uma das seleções poderia ter feito o terceiro. Para a tristeza da maioria dos torcedores presentes no Beira Rio, quem marcou foi Depay aos 23 minutos, marcando a segunda virada da fria tarde de Porto Alegre.


Alex Wilkinson levantando a bola para o setor defensivo dos Socceroos. Foto: Fernando Martinez.


Boa cobrança de falta para a Austrália. Foto: Fernando Martinez.

O placar final da eletrizante partida ficou em Austrália 2-3 Holanda e que somado ao genial Espanha 0-2 Chile realizado horas depois no Maracanã, classificou o selecionado europeu e eliminou o time da Oceania. Holanda e Chile fizeram a decisão do primeiro lugar do Grupo B no dia 23 de junho na Arena Corinthians, jogo que também teve cobertura do JP.


Visão geral do belíssimo Beira Rio, o segundo estádio mais bonito que visitei na Copa (o primeiro foi o de Brasília). Foto: Fernando Martinez.

Após o apito final o relógio marcava pouco mais de três da tarde e nosso voo de volta para São Paulo estava marcado nada mais, nada menos para seis da manhã do dia seguinte. Agora teríamos que enfrentar 15 horas sem nada pra fazer na capital do Rio Grande do Sul.

Por sorte existe um shopping perto do Beira Rio e passamos boa parte do tempo ensebando no estabelecimento. Por volta das 21 horas pegamos o coletivo até o aeroporto, ainda sem saber como passaríamos a madrugada. Menos mal que descobrimos que a Fun Zone montada por lá tinha um grande espaço para descanso com algumas almofadas confortáveis e muitos estrangeiros. Dormimos gloriosamente no chão local até chegar a hora de voltar para casa.

Moído de tanto cansaço cheguei no meu QG ao meio-dia da quinta-feira. A segunda parte das viagens da Copa havia terminado e agora teria 24 horas para um razoável descanso antes de iniciar a terceira e penúltima parte, realizada inteiramente na região Sul.

Até lá!

Fernando

sexta-feira, 4 de julho de 2014

JP na Copa (parte 2): El Humedal Rojo!

Salve amigos!

É com imenso prazer que compartilho com os amigos do JP minha primeira experiência em um jogo de Copa do Mundo. Depois de um voo que já começou animado na sala de embarque de Viracopos, instalei-me num acanhado mas tolerável hotelzinho do centro de Cuiabá e parti para a majestosa Arena Pantanal, um dos “elefantes brancos” dessa Copa. O jogo? Chile e Austrália, fechando a rodada inicial do Grupo B.


Confraternização em Viracopos. Foto: Estevan Azevedo.


Registrando minha estreia em frente à Arena Pantanal. Foto: Transeunte.

Infelizmente, as impressões não foram as melhores. Os arredores do estádio parecem ter sido totalmente esquecidos durante a preparação, com uma infra-estrutura que deixa a desejar.

Já na chegada, uma inexplicável fila se enroscava ao longo da calçada, enquanto centenas daqueles direcionadores de fila pareciam estar preparados somente para o próximo jogo. Faltando menos de uma hora pra começar a partida, tive a nítida impressão de que os torcedores estavam sendo entrevistados antes de entrar na Arena.

Alguém percebeu que, nessas condições, o jogo começaria com um público ridículo, e as porteiras se abriram. Talvez isso explique a entrada de fogos de artifício que foram explodidos no final da partida, para desespero de Blatter e suas ovelhas.


Chegada dos torcedores. Foto: Estevan Azevedo.



Imagens da desorganização: direcionadores vazios e filas pela calçada. Fotos: Estevan Azevedo.

O belíssimo palco do jogo também tinha muita poeira sobre as cadeiras, e pias de mármore nos banheiros. Faltou água em algumas torneiras, e já antes do espetáculo começar, as condições de higiene me deram certa saudade do Pacaembu de uns Corinthians x “Ituanos” da vida, perdidos lá nos anos 80.

 

Detalhes da precariedade dos banheiros. Fotos: Estevan Azevedo.

Em relação à partida, foi muito mais emocionante do que eu esperava, desde os hinos, cantados a plenos pulmões tanto pelos cerca de 20 mil chilenos quanto pelos cerca de 10 mil australianos que fizeram a festa com os brasileiros que completaram o excelente público de pouco mais de 40 mil espectadores.


Visão panorâmica do estádio durante a partida. Foto: Estevan Azevedo.


Visão de meu assento. A imagem não faz jus à realidade, um a vez que parece que estamos muito mais distantes do que de fato estamos. Foto: Estevan Azevedo.

O Chile começou avassalador, abrindo 2 a 0 com Alexis Sanchez, “the man of the match” e Valdivia, que fez um gol de craque. O jogo, que parecia se encaminhar para uma goleada acachapante, aos poucos foi se equilibrando, para alegria dos torcedores dos “socceroos”.

Os latinos foram deixando eles gostarem cada vez mais do jogo, e permitiram que Cahill descontasse, de cabeça. Teve de tudo na comemoração, inclusive os banhos de cerveja que pensei que só acontecessem entre torcedores de terceiro mundo. Bem, considerando o “mundo futebol”, não deixo de ter certa razão.



Chilenos comemorando o segundo gol e subindo ao ataque para tentar o terceiro. Fotos: Estevan Azevedo.


Zagueiro usando a cabeça para salvar a Austrália. Foto: Estevan Azevedo.

Na segunda etapa, o Chile não se encontrava em campo, e dava espaços para Bresciano fazer o que queria. O empate saiu, mas foi anulado pela questionável arbitragem africana (de onde eu estava, não deu pra ver se houve erro nesse lance mas, de forma geral, achei uma arbitragem um tanto insegura; inclusive, houve a cobrança de uma lateral em que o jogador australiano estava com os dois pés dentro do campo!).


Ataque australiano na segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Arqueiro australiano se preparando para repor a bola em jogo. Foto: Estevan Azevedo.

Nos acréscimos, Beausejour deu números finais à partida, que não traduzem o que se viu em campo, embora a justiça da vitória não se questione. Em verdade, o time amarelo é limitadíssimo, e cometeu erros infantis durante toda a partida.


Fogos estouraram no final da partida, alguns rojões poucos metros acima dos jogadores. Foto: Estevan Azevedo.

Após o apito final, com o placar de Chile 3-1 Austrália, pelo menos um torcedor do país sul-americano invadiu o campo para comemorar com os jogadores. Pra mim, o Chile já era candidato para acompanhar a Holanda na segunda fase, mas esperava um pouco mais. Passado o nervosismo da estreia, o time enfrentou e venceu com propriedade a até então temida Fúria no Maracanã, tendo a honra de eliminar os atuais campeões.


Momento final de minha estreia em Copas. Foto: Estevan Azevedo.

Na saída do estádio, muita festa com os alegres “Hermanos”, que seguiu dentro do ônibus durante todo o trajeto até a Praça Popular, no centro da cidade, onde australianos, chilenos e brasileiros se confraternizaram até o dia clarear, regados por muita cerveja e claro, um pouco de Pisco, bebida chilena destilada de uva.


Festa chilena na saída do estádio, com sua bela iluminação em verde e amarelo. Foto: Estevan Azevedo.

Para mim, uma das festas mais inesquecíveis que o futebol poderia me proporcionar.

CHI-CHI-CHI, LE-LE-LE, VIVA CHILE!!

Até a próxima!

Estevan