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terça-feira, 5 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 12): Grande virada da Argentina contra Camarões

Texto e fotos: Fernando Martinez


A implacável e enorme cobertura do Jogos Perdidos na primeira fase da Copa do Mundo sub-17 se encerrou na noite de quinta-feira no belíssimo Estádio Kléber Andrade em Cariacica. Fechando a segunda rodada do Grupo E, um confronto que faz parte da minha memória afetiva há quase 30 anos, mais precisamente desde o Mundial da Itália em 1990: Camarões x Argentina.

O triunfo camaronês na abertura daquela Copa contra a então atual campeã do mundo ficou na cabeça de todo mundo que acompanhava o futebol na época, eu incluído. Minha relação com o genial selecionado africano vinha desde 1982, quando foram eliminados invictos na Espanha apenas nos critérios de desempate. Como não consegui vê-los em ação no Brasil em 2014 pois atuaram somente em jogos longe demais de casa, finalmente pude inclui-los na minha Lista com cinco anos de atraso.

Apesar de ser figurinha carimbada na Copa do Mundo e ter conquistado a medalha de ouro na Olimpíada de 2000, os Leões Indomáveis não são habitués nos mundiais de base. Disputaram apenas seis vezes o sub-20 e apenas duas (!) vezes o sub-17. A única participação no juvenil tinha sido em 2003. Empataram seus três compromissos e não passaram de fase. Só que deixaram para a posteridade um dos maiores jogos da história de todos os torneios da FIFA.

Na última rodada da fase inicial eles pegaram Portugal precisando vencer. Tomaram quatro tentos no primeiro tempo, sofreram outro na segunda etapa e o placar apontava um 5x0 desfavorável faltando 20 minutos para o apito final. Acabaram reagindo de forma épica com gols aos 25, 29, 31, 43 e 49 minutos, chegaram ao 5x5 e ficaram a um gol de roubar a vaga dos portugueses. Imagino que sejam poucos os registros de uma reação desse naipe pelo mundo.

O selecionado da África Central veio ao Brasil por causa do título da edição 2019 da CAN realizada na Tanzânia. Depois de todas as competições realizadas de 2013 até agora que assisti de perto, passo a contar com oito seleções do continente na coleção: África do Sul, Nigéria, Argélia, Mali, Guiné, Angola, Senegal e Camarões. De lambuja tem o Zimbabwe no feminino durante os Jogos Olímpicos de 2016. Um bom número.

O adversário dos Leões era nada mais que a nossa vizinha Argentina. Se no sub-20 os hermanos são os maiores campeões do mundo com seis conquistas, no sub-17 nunca chegaram na decisão em treze participações. As melhores performances são os terceiros lugares em 1991, 1995 e 2003. O selecionado azul e branco conquistou sua vaga com o título do sul-americano do Peru (na primeira fase, foram responsáveis pela eliminação do Brasil), o quarto em todos os tempos.


Visão do alto da belíssima arquibancada do Kléber Andrade antes do duelo entre argentinos e camaroneses. Impossível não fazer referência ao jogo que abriu a Copa de 1990



Camarões e Argentina posados fechando a saga do Jogos Perdidos na primeira fase da Copa do Mundo sub-17. Das 24 seleções, fotografei 23. Perdi a Itália por conta da péssima organização em Brasília... faz parte

O Grupo E começou com o empate entre argentinos e espanhóis sem a abertura de contagem e a surpreendente vitória do Tadjiquistão em cima dos camaroneses. Vencer agora era essencial, ainda mais após a goleada ibérica contra os asiáticos por 5x1 na preliminar. O público aumentou bem e os presentes acabaram assistindo uma peleja animada, principalmente nos 45 minutos finais.

Os argentinos mostraram o cartão de visitas aos dois minutos quase abrindo o placar. Zaballos entrou na área, chegou na linha de fundo e cruzou para trás. Sforza chegou batendo firme e a pelota saiu por cima. Camarões respondeu com classe e aos dez ficou em vantagem. Berel Hamed cobrou escanteio da direita e o zagueiro Francois Bere subiu no terceiro andar, colocando a bola no canto esquerdo de Rocco Rios Novo.

Aos 26, Cano foi derrubado por Ngolna dentro da área. Pênalti. O árbitro da Sérvia foi conferir o replay no VAR e voltou atrás. Sem medo de errar, cerca de 90% dos presentes estavam torcendo a favor dos Leões. Quando o lance foi anulado, a comemoração foi como a de um gol. A partir daí, um futebol travado de ambos os lados e o intervalo chegou com a vitória parcial dos africanos.


O goleiro camaronês Manfred Ekoi vendo a bola tirar tinta da trave em chute argentino de Juan Sforza (8)


Bruno Amione (3) e a firma marcação de Steve Mvoue (10)



Francois Bere subindo no terceiro andar para cabecear a abrir o placar a favor de Camarões. Depois a comemoração do autor do gol junto com Nassourou Hamed (14)


Bruno Amione (3) e Leonel Wamba (9) em lance pelo alto


Chute de Arnold Eba (7) que levou perigo à meta sul-americana

Os 45 minutos que finalizaram a cobertura do JP (por enquanto) na Copa do Mundo sub-17 foram ótimos. O técnico Pablo Aimar, ele mesmo, deve ter arrepiado a molecada e os hermanos retornaram ao gramado ligados no 220. Zeballos levou perigo aos cinco em tiro que bateu do lado de fora da rede. Aos 13, tudo igual em Cariacica. Em escanteio pela direita, Godoy desviou, Krilanovich completou no segundo pau e o chute saiu mascado. Flores mostrou oportunismo e, aproveitando a sobra, cabeceou firme fazendo 1x1 no Kléber Andrade.

Cinco minutos depois, a virada. Zeballos foi lançado na esquerda livre de marcação. O goleiro Mbiandjeu parecia que conseguiria interceptar o passe, porém a saída dele da meta foi péssima e o avante argentino conseguiu dominar. Ele entrou na área e tocou até Krilanovich. O camisa 18 quase devolveu a lambança, mas conseguiu o domínio e marcou o tento sul-americano.

Aliás, Jacques Mbiandjeu estava doidão na etapa final e nem bem tinha falhado no gol argentino e voltou a sair errado do gol duas vezes logo na sequência. Por sorte, as oportunidades não deram em nada. Aos 31, Camarões por pouco não deixa tudo igual novamente quando Eba completou cruzamento rasteiro de Ngatchou e mandou na trave. A bola caprichosamente quicou em cima da linha e Novo, o atleta que não é um bom partido, fez a defesa.

A leve pressão camaronesa deixou espaços no campo defensivo e num contra-ataque perfeito aos 43 a Argentina fechou a fatura. Palácios tocou até Cano na esquerda e o camisa 6 cruzou por baixo. Godoy surgiu entre os defensores e marcou o terceiro gol portenho. Nos acréscimos, o mesmo Godoy perdeu um daqueles gols que até eu faria quando chutou no travessão com a meta totalmente vazia.


Exequiel Zeballos (11) atacando pela esquerda com a marcação de Patrice Ngolna (18)


Alexis Flores, encoberto pelo atleta camaronês na foto, subiu mais alto do que seu adversário e cabeceou firme, deixando tudo igual aos 13 do tempo final



Exequiel Zeballos se aproveitou de lamentável falha do goleiro Jacques Mbiandjeu, robou a bola e tocou para Juan Pablo Krilanovich virar o marcador a favor da Argentina


Matias Palacios (10) protegendo a bola de Seidou Ismaila (19)


Juan Pablo Krilanovich, caído no gramado, perdendo o domínio para Severin Ze Essono (13)


Detalhe do terceiro gol da Argentina, marcado por Matias Godoy no fim do jogo


Ricky Ngatchou (3) cortando lançamento no campo de defesa sul-americano


Placar final da última partida com cobertura do JP na Copa do Mundo sub-17 em sua primeira fase

No final, o marcador ficou em Camarões 1-3 Argentina. O time comandado por Pablo Aimar terminou a segunda rodada com quatro pontos, assim como a Espanha. O Tadjiquistão somava três e os africanos zero. Na rodada final, se europeus e sul-americanos vencessem, e isso era o esperado, ambos estariam garantidos nas oitavas. Chance grande de tadjiques e camaroneses ficarem pelo caminho.

Depois do apito final fiquei um bom tempo na minha cadeira, no gol da direita do Kléber Andrade, olhando as pessoas indo embora, vendo as arquibancadas se esvaziando e pensando em tudo que passei nos seis dias da turnê. Já tinha feito viagens geniais dentro e fora do país em diversos campeonatos, grandes e pequenos. Agora, sem sombra de dúvida, essa foi a mais sensacional futebolisticamente falando.

Ter a chance de visitar todas as sedes, todos os estádios e ver as 24 seleções participantes da Copa do Mundo sub-17 foi algo único. Certeza de que não foram muitas pessoas que fizeram algo parecido até hoje. Por sorte consegui, junto com a dupla Bruno/Caio, os fiéis escudeiros em Goiânia, Brasília e Vitória, armar um esquema perfeito tanto na logística, quanto da parte esportiva. Pensando da parte jornalística, ninguém fez o que fizemos. Sem falsa modéstia, foi antológico. Ah, vale lembrar que não encerrei a cobertura no mundial pois tenho lugar garantido na decisão do terceiro lugar e na grande decisão. Certeza que será tão antológico quanto.


Seus dias, três sedes, quatro estádios e 24 seleções. O saldo da Copa do Mundo sub-17 foi sensacional e inesquecível. Já deixou saudade

Deixei o estádio com a dupla de amigos e, como tinha a noite de folga, fomos comemorar o fim da turnê com direito um jantar de respeito. Perambulamos por boa parte de Vitória e encontramos um local com uma fogazza ótima e uma pizza melhor ainda. Após a refeição, uma noite muito bem dormida e a volta para a capital bandeirante na sexta-feira cedo com a sensação de dever cumprido.

Enquanto o dia 17 de novembro não chega, a programação voltou ao normal temporariamente. No sábado teve decisão de finalista na Copa Paulista.

Até lá!

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Ficha Técnica: Camarões 1x3 Argentina

Local: Estádio Kléber Andrade (Cariacica/ES); Árbitro: Srdjan Jovanovic (Ser); Público: 3.521 pagantes; Cartões amarelos: Francois Bere, Fabrice Mezama, Gael Dibongue, Bruno Amione; Gols: Francois Bere 10 do 1º, Alexis Flores 13, Juan Pablo Krilanovich 18 e Matias Godoy 43 do 2º.
Camarões: Manfred Ekoi (Jacques Mbiandjeu); Francois Bere (Severin Ze Essono), Gael Dibongue, Fabrice Mezama e Patrice Ngolna; Arnold Eba, Nassourou Hamed e Seidou Ismaila (Samuel Nongoh); Ricky Ngatchou, Leonel Wamba e Steve Mvoue. Técnico: Thomas Libiih.
Argentina: Rocco Rios Novo; Alexis Flores, Bruno Amione, Kevin Lomonaco e Lautaro Cano; David Ayala (Cristian Medina), Juan Sforza (Ignacio Fernandez) e Matias Palacios; Exequiel Zeballos, Santiago Simon (Matias Godoy) e Juan Pablo Krilanovich. Técnico: Pablo Aimar.
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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Costa Rica fica em terceiro no Torneio Internacional Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na manhã do último domingo o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino chegou ao fim numa rodada dupla que acabou sendo um programa de índio monstro, principalmente por tudo o que aconteceu no jogo de fundo. Antes do perrengue, as seleções da Costa Rica e da Argentina decidiram o terceiro lugar. O palco, claro, foi o Estádio Paulo Machado de Carvalho, provavelmente respirando os seus últimos dias como um campo municipal.

A Costa Rica foi derrotada pelo Chile na quinta-feira mesmo merecendo ter melhor sorte e, na minha humilde opinião, eram favoritas ao triunfo contra a esforçada e limitada Argentina. Os 5x0 sofridos pelas hermanas contra o Brasil ficaram até barato por conta do domínio enorme do selecionado tupiniquim. Com um Pacaembu ainda recebendo um público tímido, logo quando a peleja começou ficou claro que colocar as centro-americanas como favoritas não era nenhum absurdo.

Melhor postadas em campo, as costarriquenhas abriram a contagem aos 27 minutos com um gol de Priscila Chinchilla. As argentinas até chegaram a equilibrar as ações após o tento adversário, porém o intervalo chegou com o 1x0 contrário no marcador. Como desgraça pouca é bobagem, nem bem o segundo tempo tinha começado e o segundo tento saiu, novamente dos pés da jovem camisa 14.


A goleira costarriquenha Noelia Bermudez rasgando tudo para afastar a pelota da área


Milagros Menéndez (11) cabeceando em chegada argentina pelo alto

A massa que chegava ao velho estádio torcia em sua totalidade para a Costa Rica, só que Sole James, atleta santista e melhor jogadora da seleção portenha, devolveu a esperança de um melhor resultado diminuindo a contagem aos 12 minutos. O 2x1 deixou o cotejo um pouco mais equilibrado e bastante animado. Teve chance dos dois lados e ambas mereciam pelo menos outro golzinho para animar a manhã.

Na base do abafa as portenhas se mandaram ao setor ofensivo nos minutos finais buscando a todo custo o empate que levaria a decisão para a marca da cal. O problema é que o setor defensivo ficou completamente desguarnecido, e com isso a Costa Rica tinha o contra-ataque todo à sua disposição. Foi aos 51 minutos que as centro-americanas deram o golpe de misericórdia com o tento de Daphne Herrera.


Bola no campo de defesa argentino em lance do segundo tempo


Zagueira portenha fazendo o corte em chegada da Costa Rica



Costa Rica e Argentina, respectivamente terceira e quarta colocadas do Torneio Internacional, posando com as suas medalhas após a partida

O placar de Costa Rica 3-1 Argentina deu o terceiro lugar do mini-certame para a seleção da América Central, enquanto as nossas vizinhas ficaram na lanterna. Resultado justo pelo que as duas apresentaram nas duas partidas. É, só que a rodada dupla que se mostrava promissora se transformou num enorme programa de índio em questão de minutos, mas conto o motivo no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Costa Rica 3-1 Argentina

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Rejane Caetano da Silva (Bra); Público: 15.047 pagantes; Renda: R$ 174.073,00; Gols: Priscila Chinchilla 27 do 1º e 4 do 2º, Sole James 11 e Melissa Herrera 51 do 2º.
Costa Rica: Noelia Bermúdez; Gabriela Guillén, Carol Sánchez, Stephannie Blanco (Fabíola Sánchez) e Lixy Rodríguez; Daphne Herrera, Mariana Benavides, Raquel Rodríguez e Priscila Chinchilla; Shirley Cruz e Sofía Varela (Maria Paula Salas). Técnica: Amelia Valverde.
Argentina: Solana Pereyra; Gabriela Chávez, Agustina Barroso, Adriana Sachs e Eliana Stábile; Vanesa Santana (Lorena Benítez), Miriam Mayorga (Milagros Díaz), Mariana Larroquette (Milagros Menéndez) e Yamila Rodríguez; Yael Oviedo (Dalila Ippolito) (Micaela Cabrera) e Soledad Jaimes. Técnico: Carlos Borrello.
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Massacre na estreia de Pia Sundhage como técnica do Brasil

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nem bem a preliminar tinha acabado - vitória chilena em cima da Costa Rica - e o jogo de fundo que fechou a rodada de abertura do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino pediu passagem. No histórico gramado do Estádio Paulo Machado de Carvalho, a seleção do Brasil enfrentou a seleção da Argentina em busca da vaga na final da competição. Além disso, a peleja marcou a esperadíssima estreia de Pia Sundhage no banco de reservas tupiniquim.

Depois que Vadão, o comandante das meninas brasileiras na Copa do Mundo, ganhou o bilhete azul a expectativa era que a CBF contratasse alguém melhor preparado para o cargo. A escolha foi a melhor possível pois a sueca é o grande nome da atualidade. Bi-campeã olímpica em 2008 e 2012 - ano em que foi eleita como a melhor técnica do ano pela FIFA - e vice mundial em 2010 com os Estados Unidos, ela também foi medalha de prata no Rio em 2016 com seu país natal.

A presença dela é importantíssima, só que não há como ser encarada como "salvadora da pátria". A treinadora vai precisar que a CBF e as federações estaduais também façam sua parte e tratem o futebol feminino com respeito. Isso sem falar da imprensa, né? Que saiam das redes sociais e comecem a acompanhar de verdade a categoria, algo que hoje não existe. Pode ser pouco, mas o JP vai continuar cobrindo a categoria como fazemos desde 2004.


As duas seleções perfiladas antes do apito inicial



De novo na base da carona, Brasil e Argentina posados

Direto da numerada descoberta - o credenciamento foi uma bagunça e não conseguimos ficar no gramado, como disse na matéria da preliminar - acompanhei uma partida em que o Brasil foi amplamente superior. As argentinas, embora animadas com a campanha heroica da Copa do Mundo, não foram páreo para as donas da casa, que atuaram sem Marta e Cristiane, uma dupla que sempre fará falta em qualquer time do mundo.

As locais criaram quatro bons momentos antes de Ludmilla abrir o marcador aos 17 minutos. A vantagem não diminuiu o ímpeto local e a veterana Formiga, no alto dos seus 41 anos, ampliou aos 41. Vale lembrar que ela se tornou a recordista de participações em Copas do Mundo na França. De 1995 a 2019, sete edições seguidas, ela esteve em todas, isso sem contar a presença em todas as edições dos Jogos Olímpicos até hoje. Um monstro.

Aos 35, Debinha fez o terceiro para delírio dos mais de 13 mil presentes no Pacaembu. Bia quase faz o quarto aos 41 e no intervalo a vantagem parcial de 3x0 praticamente já definiu a sorte do cotejo, restando saber de quanto seria o triunfo verde e amarelo. Vale lembrar que, se no masculino a rivalidade com a Argentina é enorme, no feminino isso não acontece. Em quinze duelos realizados até então, o Brasil tinha vencido doze, empatado um e perdido apenas dois. A diferença entre as meninas dos países vizinhos é enorme.

Na etapa final as locais voltaram mais de boa e a pressão não foi tão grande. Jogando na boa, o placar voltou a ser alterado aos 13 minutos em gol de cabeça da zagueira Erika escorando escanteio da direita. Várias alterações foram feitas e a partida caiu bastante de produção. Enquanto a bola rolava no relvado, o clima na arquibancada era sensacional. Defendo a tese que público do futebol feminino é diferente e a mistura com a torcida "tradicional" não seria nada saudável. Nada melhor do que ver famílias inteiras, crianças e meninas que se espelham nas atletas tupiniquins ocupando o estádio. No campo, ainda deu tempo de pintar o quinto tento local numa cabeçada contra de Juncos aos 37 minutos.


Bola perigosamente zanzando dentro da área argentina


No feminino, a rivalidade dos dois países é quase nula, bem diferente do masculino


Atletas locais na comemoração de um dos gols no primeiro tempo


Brasil atacando pela direita já na segunda etapa


Lance do quarto gol, marcado de cabeça pela zagueira Érika


Visão geral da velha cancha com um bom público na quinta à noite. Mais um capítulo da série "vá ao estádio antes que ele acabe"... pena que o fim está próximo

O resultado final de Brasil 5-0 Argentina colocou a seleção tupiniquim na decisão do Torneio Internacional contra o Chile. Já as portenhas disputarão o terceiro lugar contra a Costa Rica. Agora, é fato que a estreia de Pia Sundhage foi promissora. Se deixarem a simpática sueca trabalhar, podemos ter resultados mais dignos.

Antes de marcar presença na grande decisão na manhã/tarde de domingo, a agenda futebolística reservou a estreia do Nacional na segunda fase da Copa Paulista na tarde de sábado. Pena que, assim como vem acontecendo em toda a temporada, a apresentação tenha sido sofrível.

Até lá!

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Ficha Técnica: Brasil 5-0 Argentina

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Edina Alves Batista (Bra); Público: 11.962 pagantes; Renda: R$ 132.402,00; Cartão amarelo: Chávez (Arg); Gols: Ludmila 18, Formiga 34 e Debinha 35 do 1º, Érika 14 e Juncos (contra) 37 do 2º.
Brasil: Bárbara; Letícia Santos, Kethellen, Érika e Tamires; Luana, Formiga (Aline Milene), Debinha (Millene) e Andressa Alves (Chu); Ludmila (Geisy) e Bia Zaneratto (Raquel). Técnica: Pia Sundhage
Argentina: Correa; Chávez (Gómez), Barroso, Sachs e Stabile; Santana, Mayorga, Benítez (Sole Jaimes) e Larroquete (Cabrera); Rodríguez e Oviedo (Juncos). Técnico: Carlos Borrello.
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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Argentina perde Messi, mas fica com o terceiro lugar da Copa América

Texto e fotos: Fernando Martinez


No final de semana a Copa América 2019 chegou ao seu final e eu me despedi do torneio na gloriosa decisão do terceiro lugar. A Arena Corinthians recebeu a reedição das últimas duas decisões, em 2015 e 2016, com o encontro entre Argentina e Chile. Por mais que a maioria ache que esse jogo não tem sentido, eu particularmente acho genial. Vi o Brasil x Holanda da Copa do Mundo de 2014 e agora ganho outro na coleção.


Placa informativa do trem expresso na Estação da Luz

Os vermelhos são velhos fregueses dos portenhos. Levando em conta apenas confrontos na Copa América a diferença é brutal: de 1916 a 2016 foram 27 partidas com 19 vitórias argentinas e oito empates. Isso mesmo, em 100 anos de disputas os vermelhos nunca saíram de campo com uma vitória. Contando a história geral, foram apenas seis triunfos chilenos em 82 (!) pelejas. Não à toa o bicampeonato conquistado em cima dos velhos rivais teve um sabor tão especial.

Falando especificamente sobre a edição 2019 da Copa América, os adversários de sábado não fizeram uma campanha tão inesquecível. O Chile iniciou sua trajetória com duas vitórias nos dois primeiros compromissos - 4x0 contra o Japão e 2x1 em cima do Equador - e um revés contra o Uruguai fechando a fase inicial. Nas quartas eliminaram a Colômbia nos pênaltis após 0x0 no tempo normal e tomaram um sonoro 3x0 do Peru na semi.

A Argentina estreou com derrota para a Colômbia, apenas empatou com o Paraguai e derrotou o Catar por 2x0. Nas quartas venceu a Venezuela e na semifinal levaram a pior contra o Brasil no Mineirão. A presença do gênio Lionel Messi não adiantou e o jejum de títulos dos bicampeões mundiais completou 26 anos. Nova chance de quebrarem a marca só ano que vem na Copa América que será disputada em casa e simultaneamente na terra de Carlos Valderrama.

Falando do camisa 10, esta foi a terceira vez que ele se apresentou na capital bandeirante, todas na cancha mosqueteira. As duas anteriores foram pela Copa do Mundo de 2014: 1x0 contra a Suíça nas oitavas e empate sem gols com a Holanda na semi. Eu estive no duelo contra os suíços e na ocasião disse que o craque do século XXI nunca mais apareceria no JP. Mal sabia que cinco anos depois eu teria esse privilégio de novo.


Torcida chegando na fria Arena Corinthians para saber quem seria o terceiro colocado da Copa América 2019


Telão da casa corintiana na decisão de terceiro lugar


Lionel Messi no telão da Arena Corinthians. Uma cena não tão comum de acontecer


Seleções perfiladas para a execução dos hinos nacionais

Cerca de 44 mil pessoas estavam presentes na Arena e apesar disso chegar no estádio foi super de boa. O céu azul de um dia muito frio ajudou a compor o clima. Meu lugar era do lado direito da TV e tive o prazer de ter do meu lado o amigo-abelha Renato. Foi bom, pois ficou menos complicado acompanhar os 90 minutos com tanto maluco sem noção ao nosso redor. Jogo grande de seleções é sempre assim.

A bola começou a rolar no horário e não demorou para a Argentina tomar conta da peleja. O Chile estava dormindo e quando viu, já estava tomando 2x0 na moleira. Aos 11 Messi cobrou falta rapidamente e deixou Agüero cara-a-cara com Arias. O atacante driblou o goleiro e abriu o marcador sem problemas. Messi quase amplia aos 19 em tiro que desviou e Arias defendeu. Dois minutos depois Lo Celso lançou Dybala em profundidade. O atleta dominou com classe e tocou por cima.


Troca de passes no setor direito do ataque argentino


Agora os hermanos atacando pela esquerda


Durante a Copa do Mundo de 2014 mencionei aqui que seria a única vez que o camisa 10 da Argentina apareceria no JP. Estava enganado. Olha aí Lionel Messi de novo nas nossas páginas


Erick Pulgar (13) no campo de defesa chileno


A triste confusão que terminou com Messi expulso de campo

Os vermelhos perderam a cabeça e foram responsáveis por jogadas ríspidas, como quando Medel se enroscou com Messi aos 36 minutos e o árbitro lamentavelmente expulsou os dois. Apenas o chileno merecia o cartão e com isso o paraguaio Mario Díaz de Vivar estragou a festa do pessoal que tinha ido ao estádio somente ver o camisa 10 argentino. Teve gente que chegou a ir embora, um exagero a meu ver. Foi apenas o segundo cartão vermelho que Messi tomou na sua longa história pela seleção. Ele foi expulso na estreia no selecionado nacional, um 1x2 sofrido contra a Hungria em 16 de agosto de 2005.

O sol se foi, a noite chegou e na etapa final o frio se intensificou. O que não mudou foi a postura da Argentina, ainda com o domínio das ações. Acontece que o Chile teve um pênalti a seu favor aos 13 e Vidal converteu. Os vermelhos equilibraram as ações por 15 minutos... e só. Depois dos 30 os argentinos retomaram as rédeas da partida. Agüero foi o avante mais perigoso e dos seus pés saíram as duas melhores oportunidades de gol até o apito final.


Vidal marcando de pênalti aos 14 do segundo tempo


Boa cobrança de falta a favor da Argentina


O Chile tentou chegar ao empate, mas não foi capaz de superar a zaga da Argentina


Visão geral da Arena Corinthians em seu último jogo na Copa América

No fim, o Argentina 2-1 Chile manteve a freguesia e deu o terceiro lugar da Copa América 2019 aos nossos vizinhos. Foi uma campanha abaixo da média, mas o bronze foi garantido. Os chilenos foram mal e encerraram a participação com quatro (!) jogos sem vitória. O fato é que nem eram para ter passado da Colômbia, seleção que mostrou um futebol melhor. Enfim, após terem ficado de fora da Copa do Mundo do ano passado, os vermelhos precisam melhorar se quiserem estar no Catar em 2022.



Com a decisão de terceiro lugar, São Paulo encerrou sua participação na competição de seleções mais antiga do mundo. Foram seis jogos, os seis com a minha presença. Podem achar o que for, mas pelo menos para mim a Copa América vai deixar saudade

Com essa cobertura o JP encerra o glorioso e histórico ciclo de grandes competições realizadas no país desde o Panamericano de 2007. Você viu aqui a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Na Copa América foram nove coberturas e todas as doze seleções apareceram em matérias nas nossas páginas. Isso não é pouco. Foi um período sensacional que qualquer um que ame esportes viveu no Brasil. Nunca mais viveremos uma época similar, então nos resta lembrar de tudo que vivemos e dos momentos únicos que fomos capazes de registrar aqui no blog. O orgulho que sinto por tudo que fizemos é enorme.

Durante a semana voltaremos à programação normal com um joguinho do Campeonato Brasileiro sub-20.

Até lá!

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Ficha Técnica: Argentina 2x1 Chile

Competição: Copa América; Local: Arena Corinthians (São Paulo); Árbitro: Mario Diaz de Vivar (Par); Público: 44.269 presentes (41.573 pagantes/2.696 não pagantes); Renda: R$ 7.180.385,00; Cartões amarelos: Germán Pezzella, Leandro Paredes, Juan Foyth, Nicolás Tagliafico (Arg), Jean Beausejour, Arturo Vidal, Erick Pulgar (Chi); Gols: Sergio Aguero 12 e Paulo Dybala 22 do 1º, Arturo Vidal (pênalti) 14 do 2º.
Argentina: Franco Armani; Juan Foyth, Germán Pezzella, Nicolás Otamendi e Nicolás Tagliafico; Rodrigo de Paul, Leandro Paredes e Giovani Lo Celso (Ramiro Funes Mori); Lionel Messi, Paulo Dybala (Ángel Di María) e Sergio Aguero (Matías Suárez). Técnico: Lionel Scaloni.
Chile: Gabriel Arias; Gary Medel, Gonzalo Jara (Guillermo Maripán) e Paulo Diaz; Erick Pulgar, Mauricio Isla, Charles Aranguiz (Nicolás Castillo), Arturo Vidal e Jean Beausejour; Eduardo Vargas e Alexis Sanchez (Junior Fernandes). Técnico: Reinaldo Rueda.
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