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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Mirassol derrota o Oeste entra no G4 do Grupo B da Série C

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de quarta-feira pintou um jogo perdido bom e velho de guerra na Arena Barueri, na minha primeira cobertura fora da capital desde 27 de fevereiro. Retornei ao Campeonato Brasileiro da Série C após quase quatro anos com um encontro que não era possível até o ano passado: Oeste x Mirassol. Um rebaixado da Série B contra o atual campeão da Série D.

Durante um bom tempo o torneio mais legal do país era a terceirona nacional. Acompanhei com afinco de 1996 até 2008, colocando na Lista um total de 37 times. Em 2009, o certame foi reorganizado com a criação da Série D. A partir de então ficou complicado acompanhar in loco, principalmente pelo ocaso dos clubes da Grande São Paulo. Os únicos da região que disputaram foram Santo André em 2011/2012, Grêmio Barueri em 2013, São Caetano em 2014 e a Portuguesa em 2015/2016. Não à toa minha última vez na Série C tinha sido em julho de 2017, vitória do Ypiranga de Erechim contra o São Bento em Sorocaba.



Dei uma vacilada e nem tirei a foto do Oeste posado, mas aqui estão as imagens oficiais do Mirassol e dos capitães com o quarteto de arbitragem

O rubro-negro vizinho da capital disputa pela segunda vez a competição, a primeira como uma agremiação barueriense. Quando jogou em 2012 (e sagrou-se campeão), ainda tinha como sede a cidade de Itápolis. Após oito temporadas na B, foram rebaixados com a lanterna em 2020. Já o Leão da Alta Araraquarense chega com o status de ser o atual detentor do título da quarta divisão e o melhor time do interior no Paulistão por dois anos seguidos. É a terceira vez que participam da terceirona e nas outras duas, 1995 e 2008, não foram bem.

Vindo de uma ótima campanha na A2, que não foi premiada com o acesso em uma fatídica disputa de pênaltis, o Oeste começou a Série C sendo derrotado pelo Figueirense e empatando com o Novorizontino, ambos fora de casa. O escrete verde e amarelo foi derrotado pelo Ypiranga com o mando de campo e venceu o Botafogo em Ribeirão Preto. Numa chave em que metade das equipes é de São Paulo, qualquer vacilo pode custar caro.

Sob uma temperatura maravilhosa que oscilou entre 16 e 18 graus a peleja na Arena não foi boa. No minuto inicial o Mirassol assustou Rodolfo em ataque de Giovani e depois disso só deu Oeste, atuando com a bizarra camisa azul com detalhes amarelos e vermelhos, em homenagem às cores de Barueri. O problema foi que pintou uma pressão meio bleh, sem muita efetividade e com nenhuma chance real de gol. Léo Artur chegou a anotar o seu aos 23, porém estava impedido. Nada além.






Lances do primeiro tempo de Oeste x Mirassol. Jogo bem movimentado, mas com poucas chances de gol

Na etapa final mudei de lado junto com os avantes locais e a ação ficou do lado oposto. O Mirassol retornou ao gramado bem mais inspirado e teve dez minutos de blitz total. Macena, que entrou no intervalo, foi o principal nome desse período. Com poucos segundos ele finalizou bem e a bola passou raspando. Aos oito ele marcou e o tento foi anulado. Aos 10 não teve jeito. Ele completou cruzamento de Giovani da esquerda, bateu no canto e fez. Rodolfo tocou e não conseguiu impedir o gol visitante.

O rubro-negro buscou o empate no mesmo esquema do primeiro tempo, uma pressão meio sem graça e com pouca objetividade. Matheus Aurélio, arqueiro do Mirassol, fez apenas uma boa defesa em conclusão de fora da área que ele espalmou pela linha de fundo. Aos 23 chegaram a empatar, só que de novo o árbitro anulou por posição irregular. O Leão foi quem criou outros momentos, nada primoroso, o suficiente para se garantirem com a vantagem.



Giovani (9) cruzando da esquerda no gol de Macena e a bola dentro das redes de Rodolfo




O Oeste buscou o empate no restante da etapa final só que errou demais e teve apenas um grande momento

Quando os 90 minutos regulamentares terminaram, o rubro-negro contabilizou novo tropeço, agora no seu estádio: Oeste 0-1 Mirassol. Foi a terceira apresentação do clube de Barueri sem vencer e sem anotarem um golzinho sequer. Apesar disso, Paraná e Ituano conseguem estar abaixo na tábua de classificação pois tem saldo pior. De qualquer forma, o sinal amarelo já está aceso. O Leão agora está na terceira posição com seis pontos ganhos, atrás apenas de Novorizontino e Criciúma. Não duvidem de um novo acesso!

Como a agenda futebolística está incerta, não sei qual será a próxima cobertura. Se tudo der certo, no fim de semana teremos alguns jogos na pauta livre. Resta saber se a CBF vai me autorizar.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Oeste 0x1 Mirassol

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Ilbert Estevam da Silva/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Tite, Douglas, Kauã Jesus, Léo Artur; Gol: Macena 10 do 2º.
Oeste: Rodolfo; Luís Ricardo, Júnior Alves, Douglas e Salomão; Alison (Jeffinho), Tite (Léo Ceará), Marcinho (Bruno Miguel) e Kauã Jesus (Davi); De Paula (Kaio) e Léo Artur. Técnico: Roberto Cavalo.
Mirassol: Matheus Aurélio; Jeferson, Renan Diniz, Renan Dutra e Foguinho; Daniel, Mateus Anderson (Macena), Bruno Xavier (Lucas Silva), Neto Moura e Rafael Silva (Octávio); Giovani (Samuel Santos). Técnico: Eduardo Baptista.
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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Corinthians ataca durante 90 minutos, mas é derrotado pelo Furacão no sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


Pelo menos até o final do mês de julho a agenda futebolística vai ser bem mirrada. No sábado acompanhei meu segundo e último jogo da semana no Estádio Alfredo Schurig, mesmo palco da cobertura de quinta-feira no nacional de aspirantes. Corinthians e Athletico/PR se enfrentaram pela sexta rodada da fase inicial do Campeonato Brasileiro sub-17. Um duelo complicado do mosqueteiro, então sexto colocado do Grupo B, contra o líder.

O alvinegro vinha de vitória, porém a campanha não tem sido uma coisa assim tão brilhante. Na real a atual geração juvenil corintiana não é nenhuma maravilha e pelo menos dentro de campo os resultados parecem que não serão tão bons. Apesar das dificuldades, ainda há a chance de classificação para as quartas de final do nacional. Já o time paranaense, atual vice-campeão, tem plenas condições de ir longe.


Visão geral do Parque São Jorge antes do jogo do último sábado



O elenco corintiano posado para a foto oficial e os capitães com o quarteto de arbitragem

Falei aqui na matéria da partida do sub-23 contra o Santos que o credenciamento de imprensa no Parque São Jorge está sendo feito no portão mais longe para quem está a pé. Entendi o recado, andei cerca de dez minutos e notei que não tinha ninguém credenciando por ali. Resultado: fui obrigado a dar a volta no estádio, de novo, e me credenciar no lugar de sempre. Viva a (des)organização. O padrão é: se tem como dificultar ao invés de facilitar, vamos fazer.

Estava um sol belíssimo e o céu azul foi a tônica da tarde. Tudo debaixo de um frio enorme, o clima perfeito de fim do outono. Nessa temperatura super agradável, o Corinthians atacou durante 90 minutos, além dos acréscimos. Os atletas da casa ocuparam o setor defensivo visitante e criaram um sem-número de oportunidades. O único problema, e infelizmente o mais importante, foi o nível das finalizações. Os atletas simplesmente não conseguiram marcar.

Felipe Augusto criou o primeiro bom momento paulista aos sete minutos quando acertou a trave em precisa cabeçada. Na sequência Pedrinho foi derrubado na área e o árbitro não deu pênalti. Aos 16, Mycael fez grande defesa em tiro de Felipe Augusto. O atleta corintiano foi o maior nome da etapa inicial e foi responsável por outras duas investidas, ambas defendidas pelo arqueiro visitante.

O escrete mosqueteiro continuou atacando. Aos 29 Wesley acertou a trave em cruzamento de Pedrinho e no rebote um zagueiro salvou em cima da linha belo arremate de Felipe Augusto. O Athletico foi atacar pela primeira vez aos 40 pelo lado esquerdo. Marcos Vinícius recebeu de Lucca Prior e foi derrubado dentro da área. Emersonn - assim mesmo com dois "enes" - bateu no canto esquerdo e inaugurou a contagem.





Durante o primeiro tempo, praticamente só o Corinthians atacou. O Athletico chegou perto da área local poucas vezes



Quando o Furacão chegou, saiu na frente. Marcos Vinícius foi derrubado dentro da área e Emersonn cobrou o pênalti com precisão

Na segunda etapa os alvinegros permaneceram atacando direto e os atleticanos se defenderam com precisão. O número de lances reais diminuiu. Difícil até se lembrar de uma investida realmente perigosa dos avantes locais. O Furacão ficou na boa vendo o relógio correr. Nos minutos finais rolou aquele abafa velho de guerra sem nenhuma defesa relevante de Mycael. Como desgraça pouca é bobagem, nos acréscimos o Athletico fechou a fatura em bela jogada individual de Felipe Chiqueti e chute fatal no canto.





Os paulistas diminuíram o ritmo no tempo final e criaram poucas chances de perigo


A animada comemoração atleticana pelo segundo gol no apagar das luzes na Fazendinha

O resultado de Corinthians 0-2 Athletico/PR não foi o que os paulistas esperavam. Nem tem como falar que foi injusto pois o que vale é bola na rede. Criar um monte de chances e não as aproveitar não adianta muita coisa. O Furacão criou duas e fez. O rubro-negro manteve a liderança, agora somando 15 pontos. O Timão caiu para o sétimo lugar com oito. Faltando três rodadas, o alvinegro precisa melhorar bastante caso queira estar entre os oito da próxima fase.

Voltei ao QG tremendo de frio e esperando uma noite tranquila. Não foi muito por conta de cachorro do vizinho hipster chorando a noite toda e uma festa de grandes proporções na rua do lado. Com a pandemia ainda pegando fogo, tem gente que não entende o que estamos vivendo. O futebol deve voltar no meio da semana com um torneio que não acompanhamos com frequência faz tempo.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 0x2 Athletico/PR

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: João Vitor Gobi/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Caio Moraes, Léo Maná, Juan Torres; Cartão vermelho: Gregory Plachta (TG-A) 49 do 2º; Gols: Emersonn (pênalti) 41 do 2º, Felipe Chiqueti 48 do 2º.
Corinthians: Kauê Vinícius; Léo Maná, Vinícius Cressi, Thomas Argentino e Vítor Meer (Adryan); Thomas Rafael (Pedro Afonso), Caio Moraes (Murilo Puliero), Guilherme Biro e Pedrinho (Alysson Paulistinha); Felipe Augusto (Kayke) e Wesley (Léo Agostinho). Técnico: Gustavo Almeida.
Athletico/PR: Mycael; João Vítor, Dourado, Carlos Eduardo e Arthur Zanella (Kevyson); Murilo, Marcos Vinicius (Felipe Chiqueti) e Lucca Prior (Juan Torres); Diego Caito, Athyrson (Islan) e Emersonn. Técnico: Fernando Seabra.
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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Boa estreia corintiana no Brasileiro de Aspirantes

Texto e fotos: Fernando Martinez


Poucos se tocaram (se bobear nem a CBF), mas na quinta-feira teve início a quinta edição do Campeonato Brasileiro de Aspirantes. Em uma tarde fria, com garoa e bastante nublada, fui ao Estádio Alfredo Schurig apreciar de perto aquele clássico maroto entre Corinthians e Santos. Terceira vez que ambos se encontram na história do torneio e nas duas anteriores o Timão venceu também jogando na capital.

São 16 os participantes do nacional sub-23 e a fórmula é a mesma do ano passado. Dois grupos com oito times, confrontos de chave contra chave e os quatro melhores de cada uma se garantindo na segunda fase. Aí teremos dois grupos de quatro equipes e os dois primeiros estarão na semi. No ano passado a decisão foi sui generis: Ceará x Vila Nova/GO com título do alvinegro.

Criado em 2017 pela CBF, o certame de Aspirantes até hoje teve um total de 32 participantes. Em 2021 apenas o Cuiabá é estreante. O Corinthians disputa pela terceira vez enquanto o Peixe é um dos três clubes que jogaram todas as edições junto com Coritiba e Grêmio. Além da conquista do Ceará em 2020, Internacional, em 2017/2019, e o São Paulo, em 2018, foram os outros campeões. Detalhe: nenhum dos dois disputou a competição nos últimos anos.

Estava uma temperatura perfeito e o único senão foi que agora resolveram mudar a entrada de imprensa no Parque São Jorge. A entrada agora é no “portão do Tamboré”, quase na Marginal Tietê. Bom para quem está de carro, péssimo para que chega a pé como eu. Algo natural pensando que nunca ajudam, só dificultam. Enfim, consegui me credenciar ainda no lugar antigo na base do argumento e logo estava na parte coberta.



O time posado do Corinthians com todo mundo junto e os capitães com o quarteto de arbitragem

O maior destaque da tarde provavelmente estava no banco de reservas corintiano. Tivemos a estreia do glorioso Danilo Gabriel de Andrade, ou "Zidanilo" para os mais íntimos. Um dos maiores colecionadores de títulos no futebol brasileiro no Século 21 se aposentou há pouco e agora é o técnico do time sub-23 do mosqueteiro. Uma boa aposta da diretoria corintiana com um dos maiores ídolos dos anos 2010. Se vai dar resultado, temos que esperar. Mas sem dúvida é uma boa aposta.

Posso dizer que a impressão foi bastante positiva. O Corinthians foi bem e, apesar de alguns passes errados e certa afobação nas conclusões, conseguiu um resultado positivo muito importante. O triunfo começou a ser construído aos 20 minutos em chegada pela direita. A pelota foi cruzada, a zaga não afastou e dois corintianos não conseguiram finalizar. Por sorte a bola foi espirrada e sobrou livre para Reifit, no meio da área, tocar na saída de Diógenes e abrir o marcador.


O agora técnico Danilo fez sua estreia no banco de reservas do sub-23 corintiano






O primeiro tempo foi pouco movimentado e teve o Corinthians um pouco mais perigoso

O Santos pouco fez na busca pelo empate e, tirando duas chances no final com Rwan aos 42 e Fernando aos 44, nada aconteceu. O Timão não chegou próximo do campo ofensivo adversário e a etapa inicial se encerrou com o 1x0. No segundo tempo o Peixe melhorou e fez a zaga paulistana trabalhar. Os dianteiros santistas mostraram serviço e empataram a peleja aos quinze. Fernando - dono de um belo nome - cruzou da esquerda e Matheus Moraes cabeceou no canto de Filipe.

Com o 1x1 e precisando atacar se quisesse voltar a ter vantagem, o Corinthians se encontrou e dominou as ações até o fim. O goleiro Diógenes fez pelo menos duas ótimas defesas, além de momentos bons com Rafael Bilu aos 21 e 26 minutos. Aos 32 saiu o segundo tento paulistano. Du Queiroz avançou pela direita e cruzou. A bola foi tocada para trás no primeiro pau e Warian, vindo na corrida, completou de cabeça no canto esquerdo. O terceiro quase saiu por duas vezes, porém no fim, o placar se manteve no Corinthians 2-1 Santos.






O Santos voltou melhor no tempo final e deixou tudo igual, mas o Corinthians teve forças para fazer o segundo e ganhar na estreia

A vitória do escrete mosqueteiro os deixou na vice-liderança posição do Grupo A após a rodada inicial. O ponteiro é o Ceará por causa do 3x0 aplicado no Bragabull. No Grupo B, três líderes: Avaí, Fortaleza e CRB. A próxima jornada será dia 17. O Timão visita o RBB enquanto os santistas recebem o Ceará. A primeira fase do Brasileiro de Aspirantes termina em 5 de agosto.

Se tudo permitir, volto à Fazendinha na tarde de sábado com outra cobertura na pauta, desta vez pelo Brasileiro sub-17. Sem campeonatos da FPF até agosto, temos que assistir tudo que pintar da CBF.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 2x1 Santos

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: Fabiano Monteiro dos Santos/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Luan, Du Queiroz, Warian; Gols: Reifit 20 do 1º, Matheus Moraes 15 e Warian 32 do 2º.
Corinthians: Filipe; Igor Formiga, Igor Morais (Léo Paraíso), Felipe Torres e Luan; Du Queiroz, Gabriel (Emerson), Warian e Rafael Bilu; Matheus Matias (Matheus Melo) e Reifit. Técnico: Danilo.
Santos: Diógenes; Sandro, Gustavo Moreira, João Cubas e Jhonnathan; Felipe de Carvalho, Victor Braga e Lucas Henrique (Matheus Moraes); Alexandre Tam (Victor Yen), Rwan (Antônio Mikael) e Fernando (Wellington). Técnico: Edinho.
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quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nacional 0, Reynaldo 1: Linense na Série A2 2022

Texto e fotos: Fernando Martinez


Reynaldo Moura Machado dos Santos. Esse é o nome que atletas, comissão técnica e dirigentes do Nacional irão sonhar pelo menos até 2022. O Estádio Nicolau Alayon viu uma atuação monstruosa do arqueiro do Linense e o sonho do acesso se transformou em um verdadeiro pesadelo. Para piorar, o Elefante fez um gol na única chance que teve, venceu seu adversário pela primeira vez na história na capital e estará na Série A2 na próxima temporada.

Nem Nacional, nem Linense fizeram campanhas brilhantes na primeira fase do Campeonato Paulista da Série A3. Nas quartas desbancaram favoritos, respectivamente Noroeste e São José, e chegaram na semi querendo voltar ao segundo escalão do futebol do estado após dois anos de ausência (ambos caíram juntos em 2019). O duelo de ida terminou com um empate sem gols e por ter melhor campanha o escrete paulistano atuava por um novo empate.




Depois de muito tempo - e só por ser um jogo decisivo - os times posaram para as fotos oficiais na Comendador Souza. Na real não adianta ter fotógrafo se o mesmo não capta as imagens da equipe, né? Não consigo entender

Embora a torcida estivesse apenas do lado de fora, o clima na Comendador Souza era elétrico. Rádios do interior, fotógrafos, aspones de plantão e vários dirigentes aguardando o apito inicial com ansiedade. A confiança era enorme. O Nacional foi às redes em 16 dos 18 compromissos no torneio, é dono do segundo melhor ataque das três divisões do estadual, 33 gols, e tinha o artilheiro da A3, Éder Paulista e seus 13 tentos, em campo. Apesar desses números superlativos, a única estatística que importou no fim foi o absurdo recorde de vitórias seguidas do Linense longe da sua casa.

Mesmo com a vantagem do empate, o Nacional atacou o tempo todo. Eu fiz questão de anotar os “highlights” no caderninho e ao término dos 90 minutos foram treze (!) as oportunidades locais dignas de registro e uma (!) do onze visitante. Tudo começou com o tiro de Mendes pelo alto aos dez minutos. Aos 21, Reynaldo começou a operar milagres desviando finalização de fora da área pela linha de fundo. Dois minutos depois, em rara investida do Elefante, Messias escorregou e a bola foi alçada. Henrique subiu no terceiro andar e cabeceou firme, abrindo o placar. Aí começou o desespero.

No 28º minuto Mendes perdeu um gol que eu faria. Ele teve a chance de deixar tudo igual na pequena área, porém bateu fraco e Reynaldo defendeu bem. Antes do intervalo, outros dois momentos perigosos aos 41 e 46 minutos. Eu estava na cabine ao lado de uma rádio de Lins, e no intervalo os profissionais estavam preocupados com a pressão paulistana. O genial é que escutei a narração com direito a patrocinadores geniais, de frango assado e serviço de solda, de guincho e videolocadora (!). Me senti em 1989.






Na etapa inicial o Linense pouco fez e só deu Nacional. O problema foi que o goleiro Reynaldo teve uma atuação magnífica e fez três ou quatro defesas antológicas


A comemoração pelo gol de cabeça de Henrique, no único ataque de perigo do onze visitante

Os cinco primeiros minutos da etapa final foram insanos. Foram nada menos do que quatro chegadas e nenhuma foi convertida. Antes do ponteiro do relógio chegar aos 60 segundos teve cruzamento da direita e a pelota pingando dentro da pequena área sem ninguém completar. Reynaldo aos dois, três e cinco minutos mostrou serviço em três investidas consecutivas. Depois o nervosismo pintou forte e o que se viu durante muito tempo foram apenas escanteios e faltas sem nenhuma direção.

Os ataques voltaram a ser perigosos faltando cerca de 20 minutos. Reynaldo pegou chute forte aos 27, um tiro passou tirando tinta da trave aos 40, Éder Paulista cabeceou aos 41 e Reynaldo fez novo milagre aos 43. Nos acréscimos, todos os atletas nacionalistas foram para a área adversária, incluindo o goleiro Rafael. Só que eles poderiam estar lá até agora que provavelmente o empate não teria saído. Primeiro pela estrela do camisa 1 visitante e depois pela falta de pontaria. A última oportunidade foi em cabeçada aos 49 que saiu por cima da meta.







A segunda etapa teve um Nacional com a bola nos pés durante todo o tempo, mas boa parte das investidas foi superficial. Quando acionado, Reynaldo de novo foi bem e impediu o esperado empate paulistano

Quando o árbitro Adriano de Assis Miranda trilou seu apito pela última vez no Nicolau Alayon, o placar de Nacional 0-1 Linense se confirmou e então a festa do Elefante começou e o sonho paulistano virou pesadelo. O Clube Atlético Linense venceu seu sétimo (!) compromisso seguido fora do Gilbertão e estará na Série A2 em 2022. É complicado ver um time que atacou apenas uma vez durante quase 100 minutos ganhar um acesso, mas como o que vale é bola na rede, foi merecido.



O marcador do Nicolau Alayon mostrando o inédito triunfo do Linense que deu o acesso ao Elefante. No gramado, a tristeza nacionalista e a merecida comemoração de Reynaldo

O quarto lugar do Nacional foi além do que poderíamos esperar. A equipe teve uma performance bastante irregular durante toda a primeira fase e os dois jogos soberbos que fez contra o Noroeste deixaram a impressão de que o acesso seria garantido com o pé nas costas. Não foi. Ter o melhor ataque e o artilheiro do certame foram dois fatores positivos, porém na hora H falharam. Agora resta participar da Copa Paulista já sabendo que ano que vem novamente terão missão complicada na terceirona. Falei aqui em alguma matéria que quando mais esperamos algo do Nacional, menos ele faz. É cruel, mas é a verdade.

Saí da Comendador Souza com aquele peso nas costas antes de pegar o caminho até o QG da Zona Oeste. Foram três coberturas no fim de semana, algo que eu descostumei total nessa época de pandemia. Como só tem peleja de novo na quinta, temos tempo de sobra para dar aquela descansada marota.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 0x1 Linense

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Adriano de Assis Miranda; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Wallace, Mendes, Ayrton, Glauco, Henrique, Palmares, Samuel; Gols: Henrique 23 do 1º.
Nacional: Rafael; Messias (Guilherme Nascimento), Everton, Gustavo França e César; Reinaldo (Emerson Mi), Guilherme Lobo, Brener (Vinícius) e Mendes; Éder Paulista e Wallace (Paolo). Técnico: Ricardo Silva.
Linense: Reynaldo; Douglas, Mauro, Glauco e Samuel; Lobão (Lucas Newiton), Cal Rodrigues (Bruno Moura) e Palmares; Mário (Thiago Humberto), Henrique e Ayrton (Léo Gaúcho). Técnico: Edison Só.
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