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terça-feira, 10 de março de 2020

JP no Centro-Oeste (parte 3 de 3): O retorno ao Bezerrão

Texto e fotos: Fernando Martinez


No final de 2019 o Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, foi o principal palco da Copa do Mundo sub-17. A cancha recebeu 18 partidas, incluídas aí as duas semifinais, decisão de terceiro lugar e a decisão épica decisão entre Brasil e México. Menos de quatro meses depois retornei ao local num cenário completamente diferente. Na pauta, o duelo entre Paranoá e Taguatinga pela 9ª rodada do Campeonato Brasiliense da Primeira Divisão.

Eu fui seis vezes no campo do Gama durante o Mundial. Peguei o Brasil na primeira fase e também na final, talvez no maior e mais importante momento que tive nesses 37 anos de futebol. Naquele 17 de novembro, figuras como Ronaldo, Cafu e Gianni Infantino também estavam presentes, todos bem próximos do que vos escreve. No domingo passado, nenhum figurão, nenhuma personalidade, poucos jornalistas e o estádio quase vazio. Um cenário completamente diferente e com mais cara de Jogos Perdidos.

Junto com a dupla Raul e Caio, cheguei na bela praça esportiva bem cedo e a diferença da região comparando com a época do mundial era enorme. Estacionamos o carro literalmente no portão principal e em cerca de dois minutos eu já estava no gramado. Como o Data Fernando informou naquelas matérias, vale lembrar que o local foi inaugurado em 1977 e reinaugurado após grande reforma em 2008 no polêmico amistoso entre Brasil e Portugal que teve triunfo tupiniquim por 6x2. Hoje a capacidade é de 20.310 pessoas, mas apenas 46 testemunhas pagaram ingresso no domingo.


Placa comemorativa da reinauguração do Bezerrão em novembro de 2008 com o polêmico Brasil 6x2 Portugal


A bela parte coberta do Bezerão ainda com boa parte da decoração da Copa do Mundo sub-17

Agora vamos ser justos, não tinha como esperar muito público, já que o lanterna do campeonato era o mandante. O Paranoá Esporte Clube, atual campeão da segundona do DF, ocupava a lanterna antes da nona rodada. Uma campanha horrorosa com apenas um empate, sete derrotas e um saldo negativo de 19 gols. Fundados em 2000, irão completar 20 anos no próximo mês de abril provavelmente com novo rebaixamento na sacola.

Não era exagero nenhum em dizer que o genial Taguatinga EC era favorito contra o PEC. Com 12 pontos, ocupavam a quarta colocação e ainda lutam por uma vaga na semi final do Candangão. O alviazul foi um dos times que mais acompanhei nos tempos da minha formação em futebol nacional, isso na segunda metade dos anos 80 e começo dos 90. Eu tinha certeza que não tinha a menor chance de vê-los em campo um dia.

Bom, antes de entrar nesse assunto específico, vale contar um pouco da história do clube: O Taguatinga surgiu em julho de 1975 depois que o Pioneira FC, o campeão do DF de 1974, mudou seu nome e também suas cores. Estrearam com a nova denominação no Torneio Imprensa, realizado no começo de 1976 e acabaram conquistando o caneco. No brasiliense, foram vice em 1978 e campeões pela primeira vez em 1981. Nos anos seguintes, quatro vices e quatro títulos: 1989 e o tri de 1991/1992/1993.

No decorrer dos anos 90 as más administrações deixaram o TEC atolado em dívidas. A péssima campanha em 1999, que culminou com um novo rebaixamento, junto com a saída do homem forte fez com que o departamento de futebol fosse desativado. A área social também não sobreviveu. Nunca mais foi levantada a hipótese de retorno do Taguatinga aos gramados... Isso até 2015...

Aí entra na história aquele que foi responsável pela volta do TEC. Fundado em 1994, o Comercial do Núcleo Bandeirante teve esse nome até 2000, quando passou a ser conhecido apenas como Bandeirante, e foi figurinha carimbada no estadual até 2014. Em 2015, eles fizeram as malas e se mudaram para qual cidade-satélite? Olha aí como as histórias se cruzam: Taguatinga. O novo nome passou a ser Clube Atlético Taguatinga.

O CAT disputou e ganhou a segundona de 2015 e a primeira em 2016 e 2017, quando foi rebaixado. Em junho de 2018 eles anunciaram que fariam uma fusão com o inativo, voilà, Taguatinga Esporte Clube. Durante o processo eles desapareceram e o glorioso TEC pôde finalmente voltar ao cenário futebolístico do Distrito Federal. Ganharam a segunda divisão do mesmo ano e retornaram à primeira em 2019, vinte anos após o desaparecimento.

O grande problema para o Taguatinga é que com o seu sumiço o Brasiliense ocupou com louvor o espaço vago ganhando nove títulos e cinco vices. A tarefa de reconquistar a torcida será árdua, e eu espero sinceramente que tenha final feliz. A média de público em casa nos quatro jogos realizados no Serejão é de apenas 127 pagantes. O fato de não ter ganho nenhuma vez como mandante - suas três vitórias foram longe de casa - certamente não ajudou muito.

Na rodada anterior, a Águia empatou sem gols contra o ex-lanterna Ceilandense. Jogando contra o novo último colocado, não queriam vacilar. Antes do apito inicial consegui conversar com alguns dirigentes e ver que, apesar das dificuldades comuns a 95% dos times "pequenos" do país, todos estão confiantes com o futuro do escrete azul e branco. Também aproveitei a deixa e comprei uma maravilhosa camisa retrô que lembra a utilizada no começo dos anos 90. É o tipo de oportunidade que não dá pra perder.


Paranoá Esporte Clube - Paranoá/DF


Taguatinga Esporte Clube - Taguatinga/DF


Capitães dos times junto com o quarteto de arbitragem composto pelo árbitro Maguielson Lima Barbosa, os assistentes Josieliton Silva dos Santos e David Sousa Santana e o quarto árbitro Rafael Tosta da Silva

Fiz as imagens oficiais de ambas agremiações, do quarteto de arbitragem e de uma cerimônia em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Depois fui acompanhar o ataque visitante. Se no Mundial tinha cordinha limitando os fotógrafos, espaços definidos e não podíamos nem mudar de lugar, dessa vez foi de boa e ninguém veio me atrapalhar. Fiquei sentado de boa no chão, longe do forte sol na linha lateral. Fiz bem, pois durante boa parte do primeiro tempo só teve ação nessa parte do campo.

Não demorou para o Taguatinga abrir o placar. Aos 11 minutos, Denilson invadiu a área pela esquerda e foi derrubado pelo zagueiro. Lucas Victor bateu e a bola tocou na trave antes de entrar. O time chegou perto do segundo gol por algumas vezes e isso aconteceu finalmente aos 29. Regino cobrou falta da direita, o goleiro Cesinha caçou uma borboleta monstra e Dogão cabeceou para o gol vazio.


Ismar Reis (8) no campo de defesa do Paranoá


O Taguatinga começou bem e durante a primeira meia hora o Paranoá não conseguiu passar do meio-campo


Lucas Victor abrindo o placar a favor do TEC em cobrança de pênalti


O 1x0 não sossegou o time visitante, que continuou ocupando o campo de defesa local



Detalhe do segundo gol do Taguatinga, marcado por Dogão de cabeça após falha do goleiro do Paranoá e a comemoração do atleta da Águia

A peleja seguiu com o Taguatinga segurando a vantagem na boa e foi com o resultado parcial de 0x2 que o intervalo chegou. Fui conhecer os corredores do Bezerrão que eram exclusivos das seleções e do pessoal da FIFA na época da Copa do Mundo sub-17 e pude ver que realmente é um belo estádio. Voltei ao gramado e novamente acompanhei os avantes visitantes ... só que dessa vez não foi uma boa.

O Taguatinga voltou ao gramado mostrando uma preguiça monstro. O Paranoá melhorou demais e passou a ameaçar a vantagem adversária em vários momentos. Aos 4 minutos Diogo fez sua primeira boa defesa em cobrança de falta de Kaká. Na sequência Gabriel perdeu gol feito a favor dos locais.

Na base do bumba-meu-boi o onze mandante foi chegando, chegando, chegando e, de tanto insistir, diminuiu aos 22 minutos com vacilo da zaga e boa conclusão de Guilherme. O Taguatinga acordou e chegou a fazer o terceiro aos 27, de novo com Dogão, mas o gol foi anulado por impedimento. O Paranoá se lançou com tudo nos minutos finais e Guilherme, o melhor do setor ofensivo, quase deixou tudo igual aos 36. Douglas Rato desarmou na hora H.

Cozinhando o galo, o Taguatinga conseguiu armar um bom contra-ataque aos 43 que acabou com as esperanças locais. Everton foi lançado em profundidade e tocou no canto de Cesinha. O arqueiro ainda tocou na pelota de leve, sem força suficiente para evitar o tento que fechou o marcador no Bezerrão. O escrete local mostrou bastante força de vontade... pena que não foi suficiente.


A única bandeira da FIFA ainda tremulando no estádio que sediou a final da última Copa do Mundo sub-17



Dois lances de disputa de bola no campo de defesa do onze local


O Taguatinga levou perigo basicamente nos contra-ataques no tempo final


O Paranoá, se não foi brilhante, mostrou muita força de vontade durante a segunda etapa


O terceiro gol do clube visitante foi marcado por Everton nesse chute. O tento decretou a queda do Paranoá para a segunda divisão

O resultado de Paranoá 1-3 Taguatinga rebaixou matematicamente a Cobra Sucuri para a segundona do Distrito Federal um ano depois de conquistarem o acesso. Já o TEC agora tem 15 pontos ganhos, quatro atrás do Formosa, quarto colocado. Como disse no começo do post, essa foi a quarta vitória e a quarta fora de casa. Não será fácil, porém as chances de classificação entre os quatro melhores da fase inicial ainda existem.

Feliz com os três jogos, dois estádios novos e quatro times a mais na Lista, saí da casa do Gama junto com os amigos e fui fazer uma visita ao Raul, o maior anfitrião do DF, em seu belo apartamento. Dali seguimos até uma lanchonete absolutamente sensacional no plano piloto - eles fazem um sanduba com chimichurri absolutamente espetacular - antes de voltar ao hotel. Daí foi só ter uma boa noite de sono antes de cruzar os ares do Centro-Oeste e do Sudeste com destino à capital bandeirante.


Bonita visão do quarto do hotel em que me hospedei na capital federal. Sabe-se lá quando terei outra vista assim

Tivemos um Especial do Mês em janeiro, um em fevereiro e um em março. Se tudo der certo irão rolar especiais em abril, maio e junho. Isso se não formos obrigados a entrar em quarentena e isso também se o futebol não parar. Confesso que estou preocupado com o futuro. Enquanto isso, voltaremos aos campos na semana com o início do Brasileiro sub-17, além de outro clube novo na Lista.

Até lá!

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Ficha Técnica: Paranoá 1-3 Taguatinga

Local: Estádio Valmir Campelo Bezerra (Gama/DF); Árbitro: Maguielson Lima Barbosa; Público: 46 pagantes; Renda: R$ 920,00; Cartões amarelos: Gabriel Neves, Lucas Victor, Luan; Gols: Lucas Victor (pênalti) 11 e Dogão 29 do 1º, Guilherme 22 e Everton 42 do 2º.
Paranoá: Nilton César; Vitinho, Fabinho, Dedé e Kaká; Hélio, Dogão (Brendon), Ismar Reis (Guilherme) e Ivan; Gardiel e Vinicius (Gabriel Neves). Técnico: Alcivandro Silva.
Taguatinga: Diogo; Douglas Rato, Dougão, Daniel Felipe e Denilson; Luan, Regino, Lucas Santos (Raphael Augusto) e Marquinhos (Junior Alves); Lucas Victor e Léo Veloso (Everton). Técnico: Jezimar Marques.
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JP no Centro-Oeste (parte 2 de 3): Ceilandense (quase) rebaixado no Candangão

Texto e fotos: Fernando Martinez


A pequena turnê de dois dias pelo Centro-Oeste teve continuidade no domingo, Dia Internacional da Mulher. Na agenda, uma rodada dupla simplesmente sensacional pelo Campeonato Brasiliense da primeira divisão. Iniciei os trabalhos com estilo fazendo minha estreia no Estádio Maria de Lourdes Abadia, o famoso Abadião. Pela 9ª rodada do certame estadual, a Ceilandense, o time 711 a entrar na minha Lista, recebeu o genial Sobradinho.

O JP fez boas coberturas no Distrito Federal, principalmente pela segunda divisão. Mas eu mesmo tinha visto apenas um jogo do Candangão na sua história, isso quando a atual FFDF ainda se chamava Federação Brasiliense de Futebol. Foi em 2012, um duelo entre Brasiliense e Sobradinho no Serejão. Por ser um dos times mais legais do Distrito Federal, fiquei muito feliz por ter a chance de ver o Leão da Serra em campo novamente. Vale registrar também que a Ceilandense já contava com uma cobertura do blog. Foi em 2007, em tempos que disputava a segundona, quando visitou o Brazlândia.

Fundado em 1975, o Sobradinho Esporte Clube teve sua melhor fase na história no biênio 1985/1986, quando conquistou o bi estadual. Na esteira da boa performance, garantiram o direito de participar do Brasileirão de 1986. No alto dos meus dez anos e já acompanhando futebol pelas páginas da Placar, o nome e o fato de terem jogado no Pacaembu contra o Corinthians (um surreal 0x0) me chamaram bastante a atenção. Passaram então a ser um dos preferidos da casa (embora lá eu sempre tenha gostado mesmo do Brasília).

O adversário do Sobradinho foi a Sociedade Esportiva Ceilandense, clube que imaginava que nunca veria ao vivo. Fundada em 1977, eles passaram a jogar profissionalmente em 1994 e nunca tiveram grande destaque na primeirona, tendo como melhor campanha o quarto lugar em 1998 e 2010. Hoje rubro-negros, nasceram vermelho, azul e branco e então mudaram suas cores há pouco mais de dez anos por conta de uma parceria com o Atlético/GO. A parceria não durou muito e apesar disso não retornaram às origens,.

Levantei cedo no domingo e tomei um café da manhã simplesmente espetacular, pensando em ficar garantido sem fome até a hora do almoço. Junto com o trio Raul, Caio e Ana, parti para a cidade satélite de Ceilândia. O destino era a simpática cancha e que é casa das duas equipes locais. O local já teve capacidade de 15 mil pessoas - inclusive esse é o recorde de público do campo numa vitória do Ceilândia EC em cima do Goiás por 2x1 em julho de 1983 - e hoje recebe apenas um terço disso.


Detalhe da entrada do vestiário do time local e da arbitragem no Abadião


Gloriosa numerada do Abadião, o único setor coberto do estádio. Bem pequeno, mas já ajuda

Quando chegamos no Abadião, nada fazia crer que haveria um jogo de futebol ali. Apenas três ou quatro carros estavam no estacionamento e a presença de público foi bem pequena: apenas 28 testemunhas. Vale destacar o valor alto do ingresso, nada menos do que 40 bagarotes... cá entre nós, um absurdo. Não tem caboclo que saia de casa num domingo de manhã para uma apresentação do penúltimo colocado e virtual rebaixado para a segundona.

A Ceilandense iniciou o Candangão com seis derrotas seguidas e nos dois últimos compromissos empatou sem gols com seu maior rival, o Ceilândia EC, e também com o Taguatinga. Contra o Sobradinho, o sétimo colocado com dez pontos, será que tinha como sonhar mais alto? Hmmmm, não. Antes de falar da partida, registro a facilidade em que fui credenciado e pude ficar no gramado fazendo as fotos de perto sem nenhum problema. Situação bem diferente do que a que aconteceu sábado em Anápolis.


Sociedade Esportiva Ceilandense - Ceilândia/DF


Sobradinho Esporte Clube - Sobradinho/DF


O árbitro Emanoel da Silva Ramos, os assistentes Kleber Alves Ribeiro e Eric Ramos Pinheiro, o quarto árbitro Pedro Carlos Telles e os capitães dos times

Sofri com o calor durante todo o primeiro tempo, período em que acompanhei o ataque visitante espremido numa sombra na entrada do vestiário da arbitragem. O Sobradinho não teve uma atuação primorosa, pelo contrário, só que foi mais objetivo do que o esforçado, porém limitado, escrete mandante. O Leão da Serra fez algumas investidas importantes e inaugurou o marcador aos 19 minutos. Danilo recebeu cruzamento da direita e chutou duas vezes, colocando no canto de Johnathan.

A Ceilandense acordou após o tento sofrido, conseguiu equilibrar as ações e, pasmem, criou três bons momentos consecutivos aos 25, 29 e 30 minutos. O primeiro com Anderson, o segundo em falta de André Júnior que contou com boa defesa de Uoston e depois com Welton finalizando da entrada da área. O grande problema é que quando um time está numa fase ruim, tudo dá errado. Na sequência desses lances, exatamente aos 31 minutos, o Sobradinho marcou o segundo. A bola foi levantada da direita, Danilo escorou no segundo pau para Erthal que, na linha da pequena área, chutou firme e ampliou a vantagem.


Bola levantada na área da Ceilandense. Detalhe: de longe não dá para ver direito os números do Sobradinho pois eles são vazados na camisa. Terror para qualquer narrador/comentarista


Bola na rede local no primeiro gol do Sobradinho no Abadião


O time visitante não fez assim um primeiro tempo brilhante, mas abriu uma boa vantagem sem forçar muito


Escanteio a favor dos donos da casa pela direita e bola viajando dentro da área do Sobradinho


Momento em que a bola chegada no segundo pau antes de ser escorada para o meio da área no segundo tento visitante


Gustavo (2) e Michael Douglas (6) - não confundir com o astro de Atração Fatal e Instinto Selvagem - disputando bola pelo alto

Eu fui um heroi por ficar fazendo malabarismo tentando me proteger do forte sol do cerrado até o intervalo chegar. Desisti da honorável missão e fui até a pequena parte coberta do Abadião. Na etapa final o Sobradinho jogou com o "esquema preguiça" debaixo do braço e mostrou uma indolência que deu nos nervos. A Ceilandense se aproveitou, foi superior e criou uma série de boas chegadas querendo diminuir o prejuízo. O grande problema foi o poderio ofensivo praticamente inexistente.

Nas oito rodadas disputadas eles tinham marcado apenas um gol. Isso mesmo, um mísero gol em 720 minutos, isso sem contar os acréscimos. O autor da façanha foi Anderson, aos 43 do primeiro tempo do confronto contra o Real em 19 de fevereiro, Na primeira metade da segunda etapa os locais chegaram com perigo cinco vezes dentro da área adversária e infelizmente para a torcida presente o histórico péssimo de confirmou e o gol não passou de um sonho distante.

Esse rol de oportunidades desperdiçadas desanimou a rapaziada no gramado e na arquibancada e o Sobradinho voltou a dominar as ações após o 25º minuto. Matheus Alves perdeu dois gols feitos e João Vítor desperdiçou outro. Foi apenas no apagar das luzes que o placar foi alterado. Decorridos 44 minutos, Gabriel Vítor descolou um contra-ataque maroto, avançou por todo setor defensivo pela direita, entrou na área e bateu na saída de Johnathan.


Times alinhados para o reinício da peleja no tempo final


Atleta visitante ganhando lance pelo alto


No começo do segundo tempo a Ceilandense foi capaz de criar bons momentos, assustando a zaga adversária


João Vítor (21) em boa investida pela direita 


Aquela disputa de bola plástica no gramado do Abadião


De longe, a bola estufando a rede do escrete local no terceiro gol do Sobradinho em Ceilândia

O resultado final de Ceilandense 0-3 Sobradinho colocou os visitantes na sexta posição com 13 pontos ganhos, seis atrás do quarto colocado Formosa. A classificação para a semi é difícil, muito na base do milagre. Já o onze de Ceilândia precisa de outro milagre divino pensando na permanência na primeira divisão. Não é errado dizer que se não caíram na matemática, na prática já estão na segundona em 2021. Duvido que consigam se livrar.

Deixamos o Abadião sem pressa e fomos almoçar antes da jornada vespertina. A previsão era de 23 graus, mas os termômetros marcavam 34, um absurdo de calor. Tudo bem, afinal eu estava lá para ver dois times novos no meu retorno ao Bezerrão menos de quatro meses depois de cobrir a histórica e inesquecível final da Copa do Mundo sub-17.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ceilandense 0-3 Sobradinho

Local: Estádio Maria de Lourdes Abadia (Ceilândia/DF); Árbitro: Emanoel da Silva Ramos; Público: 28 pagantes; Renda: R$ 560,00; Cartões amarelos: Índio, Luiz Felipe, Matheus, Felipe; Gols: Danilo 19 e Luiz Felipe 31 do 1º, Gabriel Vitor 44 do 2º.
Ceilandense: Johnathan; Fernando Elias, Índio, Marcos e Michael Douglas (Luca); Bruno Figueiredo (Elizio), Lucas Morais, Tonton e Henrique; Anderson (Patrick) e André. Técnico: Edson Nogueira.
Sobradinho: Uoston; Gustavo (Gelder), Luiz Felipe, Felipe e Matheus; Carlão (Gabriel Vitor), Caio, Douglas e Matheus; Danilo e Jefferson (João Vítor). Técnico: Luís dos Reis.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

JP no Distrito Federal: A entrada triunfal do Sobradinho na Lista

Fala, pessoal!

Depois de duas semanas um tanto quanto paradas em São Paulo, sábado passado retomei meu atual projeto e viajei pela primeira vez para Brasília, a capital do nosso Brasil varonil. Cheguei no Distrito Federal no final da tarde de sábado e logo estava com os amigos que tem me acompanhado nas últimas viagens para curtir o sábado à noite com aquele bate-papo que sempre faz um bem danado.

Já no domingo resolvi desbravar o desconhecido para fazer minha estreia futebolística na região Centro-Oeste num jogo válido pelo Campeonato Brasiliense da primeira divisão. Com as coordenadas da jornada fornecidas pelo Raul (do ótimo blog Campo de Terra), fui para a cidade-satélite de Taguatinga, pois ali rolaria uma peleja entre o Brasiliense e o genial Sobradinho, meu 539º time novo na Lista no meu 1973º jogo em todos os tempos. O palco foi a casa do Jacaré, o Estádio Elmo Serejo Farias, também conhecido como Serejão.


Entrada sem identificação alguma do Estádio Serejão, também conhecido como Boca do Jacaré. Foto: Fernando Martinez.

O meu QG por essas bandas é no fim do mundo (pra variar), então o caminho até a Boca do Jacaré teve que ser iniciado com uma "breve" viagem de táxi (esperei mais de uma hora o veículo chegar no hotel) até a Rodoviária do Plano Piloto. Dali segui com o confortável metrô de Brasília até a Estação -, que fica a cinco minutos a pé do estádio. Como estava na pegada de ver o jogo da arquibancada mesmo, comprei o ingresso entrei nas dependências da casa do Brasiliense sem problemas.

Mas sou obrigado a confessar que o que me fez mesmo sair do hotel e ir longe foi a chance de acompanhar um jogo do Sobradinho Esporte Clube, bi-campeão brasiliense em 1985/86. Essas duas conquistas coincidiram com o período que comecei a acompanhar melhor o futebol de fora de São Paulo graças à saudosa revista Placar. Aliás, esse primeiro título credenciou o Leão a jogar o Campeonato Brasileiro de 1986, o último com fórmulas surreais e que contou com a participação de times "perdidos". O alvinegro inclusive chegou à segunda fase e, entre outros jogos importantes, arrancou um empate em 0x0 contra o Corinthians jogando no Pacaembu.

Já devidamente instalado nas cadeiras do Serejão, acompanhei a entrada em campo das duas agremiações. O Sobradinho entrou todo de branco e logo foi cumprimentar a sua torcida, que compareceu em bom número. Em seguida foi a vez do Brasiliense subir ao gramado também todo de branco. Bom, com os dois times vestindo a mesma cor, foi definido que o Sobradinho teria que mudar o uniforme. A equipe voltou aos vestiários e logo voltou com calções e meias pretas e camisa listrada. Muito mais legal ver a equipe assim.


Os dois times vestidos de branco saudando seus torcedores. Óbvio que não teríamos jogo dessa forma. Fotos: Fernando Martinez.


O Sobradinho indo saudar (novamente) sua torcida, agora já vestindo o seu uniforme 2. Foto: Fernando Martinez.

O Campeonato Brasiliense está no seu segundo turno. No primeiro, o Luziânia foi o vencedor e consequentemente garantiu vaga na final do certame. Os outros times agora buscam a conquista dessa fase atual para ainda terem chance de se tornarem campeões metropolitanos em 2012. Nesse segundo turno (também chamado de Taça Mané Garrincha), o Brasiliense somava três pontos em duas pelejas, enquanto o Sobradinho conseguiu duas vitórias. Os dois estão no Grupo A.


Boa saída para o ataque do Brasiliense no começo do jogo. Foto: Fernando Martinez.

Apesar da relativa melhora da situação do Jacaré em relação ao primeiro turno, poucos torcedores pagaram ingresso para apoiar o Brasiliense. Esse pessoal viu a peleja começar com muito estudo e com as ações concentradas no meio-campo. Só que na primeira chance de gol o primeiro zero saiu do placar. E quem marcou foi o Jacaré através de Luiz Carlos. Ele completou bom passe após grande jogada pela direita do ataque.


Ataque do Sobradinho pelo alto. Foto: Fernando Martinez.


Chute de longe do camisa 10 do onze visitante. Foto: Fernando Martinez.

Mas quem pensava que isso animaria os atletas do time de Luiz Estevão se enganou redondamente. Logo o Sobradinho passou a incomodar bastante em bolas alçadas na área, deixando a torcida impaciente. Fiquei ao lado de um pessoal que torcia para o extinto Taguatinga (tetra-campeão do DF nos anos 90) e todos, sem exceção, reclamaram muito das limitações do atual time do Brasiliense.


Bola alçada dentro da área do Leão. Foto: Fernando Martinez.

O time da casa não acertava o pé e o time visitante pecava no último toque. Resultado: o jogo foi para o intervalo apenas com a vantagem mínima para o onze amarelo. E esse intervalo foi de fundamental importância para que eu fizesse o que sempre faço em lugares que visito pela primeira vez. Uma criteriosa análise geral da qualidade e da diversidade das guloseimas vendidas para o público.

Posso dizer que o Serejão já faz parte do Top 10 de melhores locais (ou piores, depende do ponto de vista) para se alimentar num jogo de futebol. Além de água, refrigerante e suco para matar a sede, a fome pode ser saciada com mini-pizza, pipoca, batata frita, cocada, bombons de chocolate e salgadinhos de bacon. Degustei metade dos itens e eles ganharam fácil o Selo JP de qualidade. Só não acho que uma nutricionista iria gostar tanto do cardápio como eu, mas tá valendo.


Camisa 7 do Sobradinho começando mais um bom ataque no avassalador começo de segundo tempo do time. Foto: Fernando Martinez.


Duelo ataque contra defesa no campo de ataque do alvinegro. Foto: Fernando Martinez.

Com um copo de Coca-Cola numa das mãos e um saquinho de batata frita na outra, voltei às cadeiras para acompanhar o segundo tempo. Diferente da etapa inicial, o Sobradinho voltou dos vestiários a milhão, empatando a peleja logo no primeiro minuto com um gol de Edicarlos, que se aproveitou da indecisão do goleiro local após um cruzamento da direita, e dominando por completo o jogo até os 20 minutos.


O Brasiliense até tentou passar de novo na frente do placar, mas insistiu muito em bolas aéreas sem sucesso. Foto: Fernando Martinez.

O Brasiliense não se encontrava no gramado, e escapou de sofrer a virada em mais de uma oportunidade. Somente depois da metade do tempo final que os donos da casa foram colocaram a cabeça no lugar e passaram a equilibrar as ações. Após o trigésimo minuto, o Sobradinho resolveu recuar e viu o Jacaré tomar contra do jogo.


Último ataque do onze local, comandado pelo atacante Acosta. Foto: Fernando Martinez.

Só que foi uma pressão não tão efetiva assim, já que os jogadores locais insistiam em bolas cruzadas sem direção dentro da área. Quando resolviam ir pelo meio, a zaga do alvi-negro mostrava serviço. O tempo foi passando e a rigor, não tivemos mais nenhuma grande emoção. Final de jogo: Brasiliense 1-1 Sobradinho. Esse empate deixou os dois times líderes das suas chaves no segundo turno após três rodadas realizadas.


Placar final da peleja no Serejão. Foto: Fernando Martinez.

Após o jogo voltei exatamente pelo mesmo caminho ao meu QG na capital federal. E para completar meu dia de alimentação saudável, ainda mandei brasa em dois deliciosos pastéis na Rodoviária do Plano Piloto. Fazia tempo que não comia um pastel tão bom. Dali segui de táxi para o meu QG me preparar para a semana, bastante corrida, mas muito divertida.

Até a próxima!

Fernando