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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Flamengo x São Paulo: A preliminar que valeu taça

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na quarta-feira começou um torneio bem legal, de tiro curto, com times femininos sub-20. Não consegui cobrir a rodada de estreia por conta de problemas de saúde que ficaram me atazanando por quase uma semana, mas no sábado deu tudo certo. E, contrariando o padrão, a final do Torneio Internacional Estrelas foi a preliminar da rodada dupla. Iniciando os trabalhos, São Paulo e Flamengo ficaram frente à frente no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte para definir quem ficaria com a taça.

As meninas do Tricolor derrotaram o Real Madrid por 3 a 1 na semi, enquanto as rubro-negras fizeram 1 a 0 contra a seleção do Paraguai. Essa peleja reuniu os dois finalistas do Brasileiro da categoria. O Fla venceu os dois jogos disputados em maio e ficou com o título. Aliás, o clube carioca é também o atual campeão da Copinha e vem forte para a edição de 2026. O duelo pode muito bem ter sido uma prévia do que podemos ter no mês de dezembro, também no Canindé.




As fotos oficiais antes da decisão no Canindé

Ainda me recuperando de dias de UBS, UPAs e afins, fui ao estádio rubro-verde com um baita calor e boa expectativa para a peleja. Fui ao gramado logo e encontrei um dos maiores experts do futebol feminino, Edson de Lima, e passei a partida conversando com o amigo. Fiz as fotos oficiais sem crise e decidi acompanhar o ataque são-paulino. Um erro.

O Flamengo foi superior ao São Paulo durante a maior parte da etapa inicial. A primeira chance aconteceu logo aos 45 segundos, com a zaga se antecipando e impedindo a finalização de Ana Papel. Aos 14, a mesma Ana Papel cobrou escanteio, Maria Fernanda desviou e a bola bateu em Julia Pereira antes de encobrir a goleira Rayssa. A arqueira fez milagre aos 26 em grande chute de Carol Zacha, porém, aos 35, não impediu o segundo gol após bom tiro de Campos. O Tricolor só assustou aos 40 e marcou com Vivia, diminuindo a vantagem carioca.

No segundo tempo, o Fla quase ampliou com Campos aos seis minutos. Depois, o calor pegou forte e o jogo caiu de produção. O melhor momento local foi aos 27 minutos. Em um daqueles famosos "bate-rebate" na área, Gi Cabral salvou o gol de Vivia em cima da linha usando o braço. Pênalti claro não marcado. As são-paulinas sentiram o golpe e, aos 34, sofreram o terceiro em penalidade máxima bem cobrada por Isabela Nunes.






O São Paulo tentou emplacar uma pressão, mas o Flamengo foi mais decisivo



Detalhe do primeiro gol tricolor, recolocando o time na disputa pela taça



Aqui o principal lance são-paulino no tempo final. Todo mundo pediu pênalti


O Flamengo conseguiu se defender bem e segurou sua vantagem



No fim, o Fla anotou o terceiro e ficou com o titulo

O escrete paulista até teve outra boa oportunidade aos 43, nada que estragasse a festa flamenguista. No fim, 3 a 1 a favor do onze visitante e a conquista do título do Torneio Internacional Estrelas. Mais um troféu para a vitoriosa base do clube da Gávea, certamente o maior favorito na Copinha Feminina, que terá início no fim de novembro.



São Paulo e Flamengo recebendo a premiação pelo vice e pelo título do Torneio Internacional Estrelas

Vimos a festa das campeãs e a premiação das duas equipes no já escuro Canindé. Boa parte dos presentes foi embora após o término da cerimônia... eu não. Era a hora do duelo mais esperado da rodada, algo que certamente não irá mais rolar no gramado do Canindé.

Até lá!

Ficha Técnica: São Paulo 1-3 Flamengo

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Ricardo Bittencourt Ohashi; Público e Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Vi Barreto, Nicoli e Yasmim Cardozo; Cartão vermelho: Mari Martins; Gols: Julia Pereira (contra) 14, Campos 35 e Vivia 40 do 1º, Isabela Nunes (pênalti) 36 do 2º.
São Paulo: Rayssa; Forner (Mari Martins) Julia Pereira, Sarah Aysha (Tay) e Carol Zacha; Laura Laredo (Nicole), Fran, Vi Barreto (Iseppe) e Julia Vaini; Vívia e Icyla. Técnica: Cinthia Soares.
Flamengo: Dome Palacios; Gi Cabral, Laura Cardoso, Cecília e Isabela Nunes; Nicoli, Dudinha e Maria Fernanda (Yasmim Cardozo); Ana Papel (Bia Brandão), Leane e Campos (Alice). Técnico: Leonardo Santos

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

JP in Rio (4 de 4): Na Gávea, o último capítulo da turnê carioca

Texto e fotos: Fernando Martinez


Diferente de outras vezes que fui ao Rio de Janeiro, a turnê 2026 teve a programação futebolística montada em cima da pinta, sem times pequenos na pauta. Dei sorte por ter jogo do Vasco da Gama em São Januário e, na terça-feira, mais um golpe de sorte que contou com a preciosa ajuda de um amigo. Fechei a viagem com minha estreia no Estádio José Bastos Padilha, o famoso Estádio da Gávea, com um Flamengo x Atlético/GO válido pelo Campeonato Brasileiro sub-17.

O grande lance é que o campo rubro-negro não recebe jogos com portões abertos ao público. Pouco antes de ir ao estado vizinho, entrei em contato com o amigo Sandro, atualmente trabalhando no sub-20 do Flamengo, e, através dele, tive a presença confirmada na peleja com a autorização de um dos coordenadores da base. Já tinha passado duas vezes pela região, mas nunca tinha entrado nas dependências do clube.

Antes de ir para a Gávea, fui andar pela zona sul carioca. A ressaca estava pesada, porém isso não atrapalhou o passeio pelas ruas e pela praia de Copacabana, além da visita ao Forte que leva o nome do bairro. Ali tivemos a primeira ação armada do tenentismo contra a República Velha em 1922, a Revolta dos 18 do Forte. Legal ver toda a orla e o mar no mesmo ângulo. É o tipo de passeio que faz a cabeça de um futuro historiador como o que vos escreve.


Não é toda hora que a gente tem chance de ter uma vista assim, não é mesmo? Então vale colocar essa imagem aqui abrindo o post



Sede do Flamengo na Gávea e escudo antigo do clube em um dos muros do local

Não demorou para chegar à Gávea saindo de Copacabana. O que mais assustava era o céu escuro e a promessa de muita chuva. Levou um tempo para poder passar pelo portão de entrada e logo estava ao lado do estádio e da sua monumental arquibancada. Fui lá para o alto me proteger da água que começou a cair. Eu sabia que a construção era alta, só não tinha ideia de que era MUITO alta mesmo. Provavelmente é a maior em que estive, mais até do que o falecido tobogã do Pacaembu. Chegar lá em cima foi pauleira.

Inaugurado em 1938, o Estádio José Bastos Padilha foi casa do Flamengo até a construção do Maracanã. Depois, foi utilizado em poucas oportunidades. Lá aconteceu o mítico Fla-Flu da Lagoa, a decisão do Campeonato Carioca de 1941. No jogo, os jogadores do Tricolor chutavam de propósito bolas na direção da Lagoa Rodrigo de Freitas, que, na época, ficava a pouco mais de 200 metros do campo. O 2 a 2 deu o título ao time das Laranjeiras. O Fla usou poucas vezes o local depois de 1950 e, após alguns jogos entre 1990 e 1991, atuou pela última vez ali em 27 de abril de 1997, contra o Americano de Campos. Atualmente, é utilizado apenas pela base de forma esporádica e sem torcida.


Visão da arquibancada do Estádio José Bastos Padilha, talvez a mais alta que já vi até hoje



Times perfilados e a foto dos capitães com o quarteto de arbitragem

O duelo de terça-feira reuniu dois times com o astral mais diferente possível. Invicto há oito rodadas, o Fla ocupava a oitava posição, com 19 pontos, após 12 rodadas realizadas, e lutava por uma vaga entre os oito melhores. Já o Dragão era o lanterna, com doze jogos, doze derrotas e saldo negativo de 24 gols. Não à toa, o favoritismo era total para os donos da casa.

Os 90 minutos foram com aquele famoso “ataque contra defesa”. Só que, apesar da pressão, o Flamengo levou um tempo para acertar o toque final. Somente aos 30 minutos abriu o placar com João Vítor completando bom passe de Jordan Michael. Foi o próprio Jordan que ampliou na sequência, em belo chute de fora da área. O norte-americano que jogou no Palmeiras em 2025 fez seu sexto gol no torneio.



Por falta de uma, aqui duas imagens do Estádio da Gávea tiradas do alto da arquibancada


O belíssimo Hipódromo da Gávea, o mais emblemático do país e palco do Grande Prêmio Brasil, fica ao lado do estádio

Na etapa final, o escrete rubro-negro desembestou e, num intervalo de cinco minutos, marcou quatro vezes. Pedro Henrique fez aproveitando rebote e repetiu a dose logo em seguida. João Vítor chutou da entrada da área e fez 5 a 0, e Heitor Vitória finalizou da pequena área, chegando aos 6 a 0. Se tivesse mantido esse ritmo, chegaríamos aos dois dígitos. Só que sossegaram o facho e marcaram somente outro gol, aos 24, com cabeçada certeira de Daniel Silva.

O 7 a 0 ficou barato para os goianos, que seguem na lanterna com 0% de aproveitamento e saldo de -31 gols. O Fla se manteve na oitava posição, com 22 pontos, dois à frente do São Paulo. O líder é o Palmeiras, com 31, seguido por Fluminense e Athletico, com 27, e Corinthians, com 26. Agora faltam seis rodadas para o final da primeira fase.



O Flamengo começou bem, mas demorou para engrenar


João Vítor abrindo a goleada na Gávea



No segundo tempo, o início flamenguista foi avassalador


Aqui a comemoração de um dos gols da etapa final






O Atlético/GO praticamente não viu a cor da bola durante a peleja


Placar final da goleada rubro-negra no Brasileiro sub-17

Antes de pegar o caminho de volta, fiquei um tempinho andando pelo clube, com direito a tomar um dos melhores sucos da minha vida. A Gávea fica a menos de um quilômetro do metrô, então foi rapidinho retornar. No caminho pelo chique Leblon, a gente ainda passa pela sede do Paissandu Atlético Clube, campeão carioca de 1912 e participante do primeiro certame local em 1906.

Com a peleja do Flamengo sub-17, fechei quatro jogos com os quatro grandes do Rio de Janeiro: dois com seus times principais, um com o feminino e outro com a base. Não teve time novo na turnê 2026 pela Cidade Maravilhosa, porém fiz a tetralogia dos grandes, com direito a dois estádios a mais na Lista. Ficou muito melhor do que o esperado. Além disso, não vi o sol dar as caras durante toda a minha estadia e não fez calor. Podia ser sempre assim.

Na quarta-feira, voltei à programação normal com a primeira cobertura do Jogos Perdidos no esvaziado e sem graça Paulistão Feminino.

Até lá!

Ficha Técnica: Flamengo 7-0 Atlético/GO

Local: Estádio José Bastos Padilha (Rio de Janeiro); Árbitro: Felipe da Silva Paludo/RJ; Público e Renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Heitor Vitória, Laurean e Lucas Lima; Cartão vermelho: Keyrryson 43 do 1º; Gols: João Vitor 30 e Jordan Michael 32 do 1º, Pedro Henrique 3, 5, João Vitor 6, Heitor Vitória 8 e Daniel Carvalho 24 do 2º.
Flamengo: Gabriel Werneck; Bernardo Nunes, Arthur Andrades, Daniel Carvalho e Rafael Barreto (Richard Lucas); Pedro Henrique (Thauan Thiago), Davi Carrijo, Ykaro Santos (Heitor Vitória) e Jordan Michael (Walace Inácio); João Vitor (Antony Avelar) e Luiz Guilherme (Amilca Santos). Técnico: Daniel Franklin.
Atlético/GO: Pedro Gontijo (Ruan); Kauan Vitor (Enzo), Brunno, Lucas Lima e Laurean (Antônio); Guilherme Henrique, Rafael Gomes (Luiz Felipe) e Carlos Henrique; Matheus Kawan (Jadiélson), Renan Paulino (Pedro Henrique) e Keyrryson. Técnico: Hugo Lima.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Novo nome, estádio vazio e vitória rubro-negra sobre o líder Palmeiras

Texto e fotos: Fernando Martinez


Em mais de um mês de Copa do Mundo, só fui capaz de sair do casulo uma vez para ver um jogo de futebol in loco. Na manhã da última terça-feira fiz isso pela segunda vez, aproveitando o fato de somente à tarde ter peleja do Mundial agendada. Em uma daquelas sessões de futebol bem perdidas, o Palmeiras recebeu o Flamengo em seu campo, em duelo válido pelo Campeonato Brasileiro sub-17.

A partida teve portões fechados e também serviu para a CBF fazer testes do impedimento semiautomático, que estará pelos campos do país no Brasileirão em breve. Vai ser um prato cheio para as inúmeras mesas-redondas seguirem falando sobre os mesmos assuntos por horas e horas a fio. Só que o fato mais importante foi a estreia do novo nome do estádio: Nubank Parque, embora ainda fosse possível ver a antiga denominação em alguns pontos. Da minha parte, vou certamente me referir ao local pelo nome antigo por algum tempo.




As fotos oficiais de Palmeiras, Flamengo e do quarteto de arbitragem com os capitães

Um Palmeiras x Flamengo poderia levar qualquer um a acreditar que seria um jogo com ambos ocupando as primeiras posições. Ledo engano. O Alviverde era o líder isolado, com 18 pontos, mas o Rubro-Negro ocupava a insólita 18ª posição entre os 20 participantes, com apenas seis, à frente apenas de Vitória e Atlético/GO. Só que, dentro de campo, as campanhas não fizeram tanta diferença.

Antes mesmo do primeiro minuto, o Flamengo abriu a contagem com um bizarro gol contra de Juan Ramos, que fez um péssimo recuo para o goleiro e mandou a bola para o fundo das redes. O escrete local sentiu o golpe e, apesar de criar bons momentos, não foi capaz de empatar. Para piorar, o Fla fez o segundo com Daniel Silva ainda na etapa inicial.

No segundo tempo, o Palmeiras se lançou ao ataque para diminuir o prejuízo, mas não teve sucesso nas investidas. O Flamengo encontrou o contra-ataque todo a seu favor, porém não ampliou por azar. Com um jogador a menos desde os 13 minutos, o Alviverde anotou o gol de honra nos acréscimos, com boa jogada de Caio Matheus pela direita, e ficou nisso.












Lances do Palmeiras x Flamengo válido pelo Brasileiro sub-17 no Nubank Parque, ex-Allianz Parque

O 2 a 1 colocou o Fla na 15ª posição, agora com nove pontos. O Palmeiras, que manteve os 18, sofreu sua segunda derrota em oito jogos e perdeu a liderança para o Fluminense, que chegou aos 19 pontos. Corinthians, Cruzeiro e Fortaleza aparecem na sequência, todos com 16.

Sem ninguém no estádio, saí rapidinho com destino ao QG da Zona Oeste, pois tinha semifinal da Copa do Mundo para curtir. Pena que uma Copa do Mundo tão legal esteja chegando ao fim com seleções bem sem graça. Mesmo assim, isso não tira o brilho do melhor Mundial que já vi na minha vida.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Palmeiras 1-2 Flamengo/RJ

Local: Nubank Parque (São Paulo); Árbitro: Gabriel Henrique Meira Bispo/SP; Público e Renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Niakson, Lucas Silva, Daniel Silva, Ricardo Pietro (Fla) e Jordan Michel; Cartão vermelho: Niakson 13 do 2º; Gols: Juan Ramos (contra) 1 e Daniel Silva 40 do 1º, Caio Matheus 48 do 2º.
Palmeiras: Audo; Samuel, João Conti, Isaac Leocádio (Lucas Silva) e Juan Ramos; Niakson, Isaac Nicolas (Maurício), Ruan Yago (Caio Matheus) e Thauan (Paulo Matheus); Kaíque Gabriel (Matheus Cordeiro) e Ícaro (Diego). Técnico: Artur Itiro
Flamengo: Gabriel Werneck; Bernardo Nunes, Paulo César, Daniel Silva (Arthur Andrades) e Rafael Barreto; Ykaro Silva (Kauã Carlos), Isaac Gomes (Walace Ínácio), Rafael Tenório e João Vítor Couto; Luiz Guilherme (Pedro Henrique) e Thomas Robson (Jordan Michel). Técnico: Daniel Franklin.