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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

JP in Rio (4 de 4): Na Gávea, o último capítulo da turnê carioca

Texto e fotos: Fernando Martinez


Diferente de outras vezes que fui ao Rio de Janeiro, a turnê 2026 teve a programação futebolística montada em cima da pinta, sem times pequenos na pauta. Dei sorte por ter jogo do Vasco da Gama em São Januário e, na terça-feira, mais um golpe de sorte que contou com a preciosa ajuda de um amigo. Fechei a viagem com minha estreia no Estádio José Bastos Padilha, o famoso Estádio da Gávea, com um Flamengo x Atlético/GO válido pelo Campeonato Brasileiro sub-17.

O grande lance é que o campo rubro-negro não recebe jogos com portões abertos ao público. Pouco antes de ir ao estado vizinho, entrei em contato com o amigo Sandro, atualmente trabalhando no sub-20 do Flamengo, e, através dele, tive a presença confirmada na peleja com a autorização de um dos coordenadores da base. Já tinha passado duas vezes pela região, mas nunca tinha entrado nas dependências do clube.

Antes de ir para a Gávea, fui andar pela zona sul carioca. A ressaca estava pesada, porém isso não atrapalhou o passeio pelas ruas e pela praia de Copacabana, além da visita ao Forte que leva o nome do bairro. Ali tivemos a primeira ação armada do tenentismo contra a República Velha em 1922, a Revolta dos 18 do Forte. Legal ver toda a orla e o mar no mesmo ângulo. É o tipo de passeio que faz a cabeça de um futuro historiador como o que vos escreve.


Não é toda hora que a gente tem chance de ter uma vista assim, não é mesmo? Então vale colocar essa imagem aqui abrindo o post



Sede do Flamengo na Gávea e escudo antigo do clube em um dos muros do local

Não demorou para chegar à Gávea saindo de Copacabana. O que mais assustava era o céu escuro e a promessa de muita chuva. Levou um tempo para poder passar pelo portão de entrada e logo estava ao lado do estádio e da sua monumental arquibancada. Fui lá para o alto me proteger da água que começou a cair. Eu sabia que a construção era alta, só não tinha ideia de que era MUITO alta mesmo. Provavelmente é a maior em que estive, mais até do que o falecido tobogã do Pacaembu. Chegar lá em cima foi pauleira.

Inaugurado em 1938, o Estádio José Bastos Padilha foi casa do Flamengo até a construção do Maracanã. Depois, foi utilizado em poucas oportunidades. Lá aconteceu o mítico Fla-Flu da Lagoa, a decisão do Campeonato Carioca de 1941. No jogo, os jogadores do Tricolor chutavam de propósito bolas na direção da Lagoa Rodrigo de Freitas, que, na época, ficava a pouco mais de 200 metros do campo. O 2 a 2 deu o título ao time das Laranjeiras. O Fla usou poucas vezes o local depois de 1950 e, após alguns jogos entre 1990 e 1991, atuou pela última vez ali em 27 de abril de 1997, contra o Americano de Campos. Atualmente, é utilizado apenas pela base de forma esporádica e sem torcida.


Visão da arquibancada do Estádio José Bastos Padilha, talvez a mais alta que já vi até hoje



Times perfilados e a foto dos capitães com o quarteto de arbitragem

O duelo de terça-feira reuniu dois times com o astral mais diferente possível. Invicto há oito rodadas, o Fla ocupava a oitava posição, com 19 pontos, após 12 rodadas realizadas, e lutava por uma vaga entre os oito melhores. Já o Dragão era o lanterna, com doze jogos, doze derrotas e saldo negativo de 24 gols. Não à toa, o favoritismo era total para os donos da casa.

Os 90 minutos foram com aquele famoso “ataque contra defesa”. Só que, apesar da pressão, o Flamengo levou um tempo para acertar o toque final. Somente aos 30 minutos abriu o placar com João Vítor completando bom passe de Jordan Michael. Foi o próprio Jordan que ampliou na sequência, em belo chute de fora da área. O norte-americano que jogou no Palmeiras em 2025 fez seu sexto gol no torneio.



Por falta de uma, aqui duas imagens do Estádio da Gávea tiradas do alto da arquibancada


O belíssimo Hipódromo da Gávea, o mais emblemático do país e palco do Grande Prêmio Brasil, fica ao lado do estádio

Na etapa final, o escrete rubro-negro desembestou e, num intervalo de cinco minutos, marcou quatro vezes. Pedro Henrique fez aproveitando rebote e repetiu a dose logo em seguida. João Vítor chutou da entrada da área e fez 5 a 0, e Heitor Vitória finalizou da pequena área, chegando aos 6 a 0. Se tivesse mantido esse ritmo, chegaríamos aos dois dígitos. Só que sossegaram o facho e marcaram somente outro gol, aos 24, com cabeçada certeira de Daniel Silva.

O 7 a 0 ficou barato para os goianos, que seguem na lanterna com 0% de aproveitamento e saldo de -31 gols. O Fla se manteve na oitava posição, com 22 pontos, dois à frente do São Paulo. O líder é o Palmeiras, com 31, seguido por Fluminense e Athletico, com 27, e Corinthians, com 26. Agora faltam seis rodadas para o final da primeira fase.



O Flamengo começou bem, mas demorou para engrenar


João Vítor abrindo a goleada na Gávea



No segundo tempo, o início flamenguista foi avassalador


Aqui a comemoração de um dos gols da etapa final






O Atlético/GO praticamente não viu a cor da bola durante a peleja


Placar final da goleada rubro-negra no Brasileiro sub-17

Antes de pegar o caminho de volta, fiquei um tempinho andando pelo clube, com direito a tomar um dos melhores sucos da minha vida. A Gávea fica a menos de um quilômetro do metrô, então foi rapidinho retornar. No caminho pelo chique Leblon, a gente ainda passa pela sede do Paissandu Atlético Clube, campeão carioca de 1912 e participante do primeiro certame local em 1906.

Com a peleja do Flamengo sub-17, fechei quatro jogos com os quatro grandes do Rio de Janeiro: dois com seus times principais, um com o feminino e outro com a base. Não teve time novo na turnê 2026 pela Cidade Maravilhosa, porém fiz a tetralogia dos grandes, com direito a dois estádios a mais na Lista. Ficou muito melhor do que o esperado. Além disso, não vi o sol dar as caras durante toda a minha estadia e não fez calor. Podia ser sempre assim.

Na quarta-feira, voltei à programação normal com a primeira cobertura do Jogos Perdidos no esvaziado e sem graça Paulistão Feminino.

Até lá!

Ficha Técnica: Flamengo 7-0 Atlético/GO

Local: Estádio José Bastos Padilha (Rio de Janeiro); Árbitro: Felipe da Silva Paludo/RJ; Público e Renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Heitor Vitória, Laurean e Lucas Lima; Cartão vermelho: Keyrryson 43 do 1º; Gols: João Vitor 30 e Jordan Michael 32 do 1º, Pedro Henrique 3, 5, João Vitor 6, Heitor Vitória 8 e Daniel Carvalho 24 do 2º.
Flamengo: Gabriel Werneck; Bernardo Nunes, Arthur Andrades, Daniel Carvalho e Rafael Barreto (Richard Lucas); Pedro Henrique (Thauan Thiago), Davi Carrijo, Ykaro Santos (Heitor Vitória) e Jordan Michael (Walace Inácio); João Vitor (Antony Avelar) e Luiz Guilherme (Amilca Santos). Técnico: Daniel Franklin.
Atlético/GO: Pedro Gontijo (Ruan); Kauan Vitor (Enzo), Brunno, Lucas Lima e Laurean (Antônio); Guilherme Henrique, Rafael Gomes (Luiz Felipe) e Carlos Henrique; Matheus Kawan (Jadiélson), Renan Paulino (Pedro Henrique) e Keyrryson. Técnico: Hugo Lima.

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