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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 3 de 13): Croácia segura os donos da casa no Estadio Nacional


Depois da vitória nigeriana contra os Estados Unidos na primeira partida válida pelo Grupo A da Copa do Mundo Sub-17, chegou a hora da animada torcida local ver a volta do Chile à competição depois de 18 anos de ausência. Na minha segunda abertura de uma competição da FIFA na história, vi a "La Roja" enfrentar a genial seleção da Croácia. Detalhe: nenhuma das duas era inédita, já que coloquei ambas na Lista durante o Mundial de 2014.

Por se tratar do início oficial do certame, rolou uma mini-cerimônia de abertura entre as duas partidas da chave. Não foi nada parecido com o que vi na Copa do Mundo de 2014 - por coincidência num jogo da seleção do país sede contra os croatas - mas valeu mesmo assim. O evento teve a apresentação de uma orquestra de jovens e também de alguns artistas locais, e durou cerca de quinze minutos.




Três momentos da cerimônia de abertura da Copa do Mundo Sub-17 do Chile. Fotos: Fernando Martinez.

Ainda estava meio aéreo por conta de todo o clima, e aos poucos o setor da arquibancada em que me encontrava no Estadio Nacional foi ficando cada vez mais cheio. O público total anunciado foi de 20.637 pagantes, a avassaladora maioria, claro, de empolgadíssimos chilenos. Até a presidente Michelle Bachelet apareceu por lá (por sinal, muito aplaudida pelos presentes).

Perto das oito da noite, com o sol ainda se pondo e espetacularmente refletindo na neve dos Andes, Chile e Croácia entraram em campo para suas estreias no Mundial. Essa é a terceira vez que cada um dos times participam da competição. Os sul-americanos conquistaram o terceiro lugar em 1993 e foram eliminados na fase inicial em 1997. Já os croatas caíram na primeira fase em 2001 e 2013.

Antes do apito inicial tive a honra de ouvir o hino chileno cantado a plenos pulmões pelos presentes, num dos momentos mais geniais da minha viagem. Animados e empolgados ao extremo, quando o jogo finalmente começou a torcida aplaudia e vibrava até em cobrança de lateral. Nem o gol - sem querer, é verdade - da Croácia, marcado aos oito minutos por Nikola Moro, desanimou o povo.

Os meninos chilenos retribuíram os gritos vindos das históricas arquibancadas com muita força de vontade e superação. A equipe armou ataques perigosos e aos 33 minutos saiu o gol de empate num chute cruzado de Yerko Levia. O tempo inicial terminou com esse marcador.


Sol se pondo em Santiago iluminando os Andes. Visão absolutamente sensacional. Foto: Fernando Martinez.


Josip Brekalo, camisa 7 da Croácia, atacando pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Início da jogada que originou o gol croata. Foto: Fernando Martinez.


Marcelo Allende levantando a pelota na área do time europeu. Foto: Fernando Martinez.


O Estadio Nacional do Chile recebeu mais de 20 mil pessoas para a abertura oficial da Copa do Mundo Sub-17. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo saí do meu lugar para perambular um pouco pela parte interna do Estadio Nacional. Fui debaixo das arquibancadas, aonde há uma espécie de salão nobre. Na parte de baixo ficou o povão, e na parte de cima os VIPs da FIFA. Algumas "hamburguesas" depois, voltei para meu assento.

No tempo final a partida continuou com um nível técnico razoável. O Chile teve mais chances, mas a Croácia conseguiu se segurar bem no campo de defesa. O onze europeu só assustou em alguns lances nos minutos finais, testando o coração do público pagante. No fim, a peleja ficou mesmo em Chile 1-1 Croácia. Ao término da rodada inicial, a Nigéria era a líder por conta do triunfo contra os Estados Unidos.


Jogador da Croácia impedindo a bola de sair pela linha lateral. Foto: Fernando Martinez.


Chute de longe para o Chile no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral de um Estadio Nacional já vazio após o apito final. Foto: Fernando Martinez.

A noite poderia ter terminado com o apito final, mas eu levei mais um bom tempo dentro das dependências do estádio. Ao zanzar pelas arquibancadas em busca de um ingresso físico - distribuído exclusivamente pelo COL - para minha coleção notei que todos os seguranças e voluntários da FIFA já tinham deixado seus postos. Cheguei de mansinho na tribuna de honra, nas cabines de imprensa e, incrivelmente, no "VIP Lounge" da entidade.

O tal do VIP Lounge nada mais era do que a parte superior do salão nobre que havia visto no intervalo. Como quem não quer nada entrei no local sem ser incomodado e tive à minha disposição uma mesa farta com muita comida e filas de geladeiras com refrigerantes da Coca-Cola à vontade. Não titubeei e aproveitei para fazer uma boquinha esperta às custas de Joseph Blatter e seus amiguinhos.



A entrada do VIP Lounge da FIFA e a mesa repleta de quitutes que me deixaram mais do que satisfeito. Fotos: Fernando Martinez.

Meia hora depois, devidamente satisfeito com tanta comida e bebida, peguei o caminho de volta para o meu primeiro QG em Santiago. Foi super fácil e rápido voltar para o hotel, algo comum na minha estadia por lá. Dormi um sono sensacional depois da genial rodada tripla que fiz já pensando na rodada dupla do domingo. Teve duas pelejas de chilenos das divisões de acesso na pauta.

Até lá!

Fernando

domingo, 3 de agosto de 2014

JP na Copa (parte 8): Croácia faz chover (gols) na Amazônia

Salve amigos!

Depois de cinco agradáveis dias em Cuiabá, com direito a um bate-e-volta em Brasília, voei para Manaus, no meio da Floresta Amazônica, para acompanhar o duelo entre Camarões e Croácia, dois adversários do time da CBF no Grupo A da primeira fase da Copa do Mundo de 2014.

Com quase dois milhões de habitantes, Manaus é a sétima maior cidade de nosso país e única sede de nossa maior região em extensão, a Norte. Famosa por sua importância em tempos passados, no ciclo da borracha, e em tempos mais recentes por sua decadente zona franca, a cidade cresceu às margens do Rio Negro, que também é sua principal “estrada”: do Porto de Manaus partem embarcações para diversas cidades da região, como Parintins, famosa pelo festival dos Bois.


Visão panorâmica de Manaus, com destaque para o Rio Negro e o porto em primeiro plano, e a ponte que liga a capital a Iranduba (na primeira incursão do JP na cidade, a travessia era feita por balsas). Foto: Estevan Azevedo.

Uma das maiores preocupações que me afligiam antes de chegar era o famoso calor local. Felizmente, depois do surpreendentemente agradável clima de Cuiabá, fui brindado pelo “inverno” amazônico. Desde que eu não ficasse embaixo do sol, a coisa estava bem suportável. Curiosidade local: os horários de visitação dos centros culturais se estendem até às 21 horas. Motivo: ninguém, em sã consciência, sai de casa durante o dia em Manaus, para passear.


Detalhes da belíssima fachada da Arena Amazônia. Foto: Estevan Azevedo.

Meu pré jogo foi o mais tenso dessa Copa. Meu voo saía de Cuiabá, faria uma escala em Porto Velho e chegaria em Manaus às 15h, sendo que o jogo estava marcado para às 18h. Isso sempre nos horários locais. Muitos voos dessa viagem poderiam atrasar e quase nenhum atrasou. Esse atrasou. Meia hora. O suficiente para o caos se avizinhar em minha mente.

Cheguei em Manaus duas horas e meia antes do jogo. Teria que atravessar a cidade para deixar minhas coisas no hotel e atravessar novamente para voltar ao estádio. Teria sido bem mais tranquilo não fosse a brilhante estratégia da organização local, que fechou duas das três vias de acesso ao centro, razão pela qual cheguei ao hotel somente uma hora e meia antes da partida. Joguei minhas coisas pelo chão do quarto, troquei de roupa rapidamente e corri pra aproveitar um táxi que alguns mexicanos estavam esperando.



Arena Amazônia. Foto: Estevan Azevedo.

Quarenta e cinco minutos depois de um trânsito infernal, finalmente avistamos a imponente e bela Arena Amazônia trinta minutos antes do jogo. Agora, era só torcer pra que não houvesse grandes filas. E elas felizmente não existiram. Consegui entrar no estádio faltando quinze minutos para a peleja, minha primeira válida pela segunda rodada da primeira fase.


Devidamente acomodado e pronto para acompanhar o espetáculo. Foto: Estevan Azevedo.

Os Leões Indomáveis vinham de uma derrota para os mexicanos, pelo placar mínimo, de forma muito controvertida devido à anulação de dois gols dos latinos. Os croatas haviam feito uma excelente partida de estreia contra o time da casa, cujo placar não refletiu o que se viu em campo. Para os croatas, a Copa começava ali. Para os africanos, ali terminaria.


Escanteio para Camarões logo aos 3 minutos e Pranjic salva cabeçada de Aboubakar, mas o árbitro havia marcado falta de ataque. Foto: Estevan Azevedo.

As primeiras subidas ao ataque foram camaronesas, mas foram os croatas que marcaram primeiro. Logo aos 10 minutos, Srna cruzou da direita para Mandzukic, a bola sobrou para Perisic, que viu Olic livre na entrada da pequena área, e os europeus abriram o marcador.


Árbitro Pedro Proença acalmando os ânimos dos camisas 17, Mbia e Mandzukic. Foto: Estevan Azevedo.

O gol foi um banho de água fria para os camaroneses que, até então, estavam bem na partida. Os croatas assumiram as rédeas da partida e cinco minutos depois estiveram bem perto de ampliar: Pranjic cobrou escanteio da esquerda, e Olic finalizou. O goleiro Itandje milagrosamente salvou com os pés, no reflexo.


Croatas retornam a seu campo após o gol de Olic. Foto: Estevan Azevedo.

O jogo seguiu sem grandes chances de gol, mas a desvantagem camaronesa aumentou aos 40 minutos, quando Song deu um soco nas costas de Mandzukic fora da disputa de bola, e recebeu cartão vermelho do árbitro português Pedro Proença.


Lance da primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.

A segunda etapa começou com um banho de água fria sobre a seleção africana, logo aos três minutos. O goleiro Itandje fez a reposição de bola nos pés de Perisic, que dominou ainda no meio do campo mas encarou uma avenida livre pelo lado direito da defesa africana e ampliou o marcador, sem chances para o inconsolável arqueiro.


Visão panorâmica da Arena Amazônia, por ocasião da partida. Foto: Estevan Azevedo.

Aos seis minutos, Mandzukic poderia ter feito o terceiro gol do time, ao receber um lançamento que o deixou de frente para o goleiro camaronês, mas acabou tentando colocar a bola à esquerda de Itandje, e ela foi para fora. Camarões respondeu em seguida, com Nonkeou, que entrou na segunda etapa, recebendo um cruzamento da esquerda e batendo de primeira por cima do gol de Pletikosa.


Belo visual da peleja, com uniformes super coloridos. Foto: Estevan Azevedo.


Croatas marcaram presença entre os 39.982 torcedores presentes. Foto: Estevan Azevedo.

Mas a verdade é que, com o segundo gol, Camarões perdeu o rumo em campo. Aos 15 minutos, Ekotto saiu jogando mal e tocou para Rakitic. Na sequência, Modric tabelou com o brasileiro naturalizado, Sammir, e conseguiu um escanteio. No minuto seguinte, o capitão N’Koulou cortou um cruzamento de Pranjic. O próprio Pranjic cobrou e Mandzukic subiu sozinho entre os zagueiros e, de cabeça, fez o terceiro gol croata.


Ataque croata na segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Arena Amazônia praticamente lotada. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 25 minutos Mbia arriscou da intermediária, com muito perigo ao gol defendido por Pletikosa, mas a bola passou alguns centímetros acima do travessão. A resposta croata veio em três minutos: no primeiro lance de Kovacic, que substituiu Sammir, um cruzamento para Eduardo, da entrada da área, bater ao gol. Itandje deu rebote nos pés do artilheiro Mandzukic que, sem perdão, balançou as redes. 4 a 0 para a Croácia.


Bola na área croata, mas sem perigo ao gol de Pletikosa. Foto: Estevan Azevedo.

Moukandjo, aos 41, perdeu uma boa chance de fazer o gol de honra, e a Croácia ainda teve duas chances de ampliar, com Rebic e depois com Rakitic, que desperdiçou uma oportunidade inacreditável. Os eletrizantes minutos finais ainda reservaram uma bola na trave na cabeçada de Eyong, que recebeu cruzamento do bom lateral cabeludo, Ekotto.


Falta para Camarões no final da partida. Foto: Estevan Azevedo.

Fim de jogo, Camarões 0x4 Croácia. Com esse resultado, os africanos foram eliminados, e os europeus ganharam bastante moral para enfrentar o México na decisão da vaga. Mesmo apesar do empate contra o time da CBF, me parecia que os mexicanos sucumbiriam ao poder ofensivo croata, o que acabou não acontecendo.


Detalhe da iluminação da Arena. Foto: Estevan Azevedo.

Após o jogo, o retorno para casa foi tranquilo. Aproveitei pra fazer um lanche nas imediações do estádio, e acabei desistindo de me amparar nas desencontradas informações prestadas pelos voluntários, e acabei voltando para o Hotel de moto táxi.


Inusitada comemoração croata em um boteco local e a presença de alguns comportados manifestantes na saída do estádio. Fotos: Estevan Azevedo.

Depois de um banho, caminhei até a Praça São Sebastião, onde rolou a confraternização dos locais com os estrangeiros, e muita comemoração croata em frente o tradicional Bar do Armando, tudo bem iluminado pelas luzes do imponente Teatro Amazonas.

Foram três noites na cidade, onde fiz muitos amigos: o chileno Jorge, músico da Orquestra do Teatro Amazonas; o ex-jogador de basquete Ben, camaronês que reside em Bordeaux; e um enorme grupo de Trinidad & Tobago, incluindo Brian London, cantor muito famoso nas ilhas caribenhas, e Richard Parisiene, músico e dançarino de um grupo de calipso, entre tantos outros com quem conversei, americanos, croatas, camaroneses, colombianos, hondurenhos, italianos e, porque não, brasileiros.


Teatro Amazonas, cartão postal da cidade. Foto: Estevan Azevedo.

De Manaus, parti para um fim de semana inesquecível, saindo de Manaus para Porto Alegre, parando em Belo Horizonte para mais uma partida, e terminando o domingo em Fortaleza, depois de cruzar o país de norte a sul por duas vezes em 48 horas. Mas isso é assunto para as próximas matérias.

Até breve!

Estevan Azevedo

quinta-feira, 3 de julho de 2014

JP na Copa (parte 1): Vivendo a história na abertura do Mundial

Fala, pessoal!

Terça-feira, 30 de outubro de 2007. Naquela quente noite de primavera fui até a Arena Barueri ver o encontro do Grêmio local contra o Ipatinga pela Série B do Brasileiro daquele ano. Mas o principal assunto daquela jornada não teve nada a ver com o que rolava dentro das quatro linhas. Horas antes, a FIFA havia confirmado que o Brasil seria sede da Copa do Mundo de 2014.

Com certeza todos que gostam de futebol, nem que só um pouquinho, ficaram animados com a possibilidade de sentir de perto o clima de um Mundial. Óbvio que comigo não foi diferente pois é justamente uma Copa - a de 1982 - a responsável pelas minhas primeiras lembranças futebolísticas e também pelo primeiro sentimento real de tristeza da minha vida (cortesia do famoso Brasil 2x3 Itália).

Como era fácil de imaginar, muita coisa aconteceu nos 2.416 dias que separaram a data de escolha até o dia da abertura do certame. Vivemos dia após dia uma imensa novela cheia de detalhes bizarros e surreais, a grande maioria permeada por um sem número de incertezas e falsas promessas, tudo com uma completa falta de bom senso.

Enquanto o COL sofria para deixar tudo minimamente arrumado, começamos a nos armar para poder ver de pertinho algum jogo. A casa ficou parcialmente pronta para a Copa das Confederações de 2013. O JP acompanhou de perto metade daquela competição, e a esperança era que pudéssemos também fazer algo bem legal para o Mundial.


Fachada da Arena Corinthians vista da plataforma da Estação Corinthians-Itaquera. Foto: Fernando Martinez.

Foi difícil, e em determinados momentos imaginei que não veria mais do que dois joguinhos, nenhum deles aqui em São Paulo. Menos mal que aos poucos tudo foi se ajeitando e ao decorrer dos meses fui conseguindo um jogo aqui, outra peleja ali. No total, consegui adquirir dez ingressos, a maior parte deles na categoria 4, o setor mais barato. Mais difícil foi montar todo o quebra-cabeça aéreo.

No final de maio finalmente todo o cronograma foi finalizado para minha Copa começar no sábado, dia 14 de junho. O que eu não imaginava era que, num momento mais do que abençoado, o amigo Luiz Fôlego conseguisse um pequeno milagre numa das filas virtuais do site da FIFA. Em questão de cinco minutos na madrugada do dia primeiro, ele conseguiu mais três bilhetes para o pacote, um deles para a abertura do Mundial.


Mensagem de boas-vindas na Arena. Foto: Fernando Martinez.

Torci de verdade para a seleção brasileira até 1998 e depois simplesmente o Brasil não me empolgou mais. Independente disso, ter a chance de ver o primeiro jogo da Copa do Mundo no seu país justamente com jogo do time cinco vezes campeão do mundo é como acertar na loteria. Fora que ainda teria a chance de ver a cerimônia de abertura de pertinho, momento que sempre fiz questão de acompanhar pela TV desde 1986.

Quando o dia 12 chegou a ansiedade era imensa. Além de tudo que já citei, estava prestes a ver meu primeiro jogo na Arena Corinthians e colocaria na Lista a seleção da Croácia, uma das preferidas da casa. Fui para a nova casa corintiana com o Expresso da Copa, trem que levou a torcida sem escalas da Estação Luz até Itaquera.


Não é toda hora que pegamos um trem na Luz com Gilberto Gil ao lado. Foi o momento surreal do dia. Ao lado, torcedores se dirigindo ao estádio. Fotos: Fernando Martinez.

Já manjava o caminho, pois fui várias vezes em jogos da base alvinegra no falecido CT que ficava aonde hoje está o colossal estádio. Por conta de algumas interdições, o caminho da plataforma até a porta da Arena levou cerca de 15 minutos. Esse acabou sendo o local com mais fácil acesso de todas as sedes que visitei, mas isso é assunto para os posts seguintes.

Sem filas, logo estava nas dependências da Arena. Após 2.366 jogos dos mais diversos campeonatos e nos mais diversos estádios pelo país, finalmente veria um jogo de Copa do Mundo. Foi difícil segurar a emoção até chegar no meu lugar marcado, um ponto que funcionou bastante nessa Copa.

Vale registrar que sempre disse que entre os vários projetos para a construção do estádio, achei o projeto vencedor de longe o mais feio e a parte externa do local mais parecia um shopping. Não mudei por completo a minha opinião, mas vendo tudo de perto posso dizer que ficou muito bonito. Melhor ainda ficou a parte interna. Prefiro estádios redondos, mas é inegável que a Arena Corinthians é simplesmente colossal.

Lá encontrei o Luiz e o seu Natal, amigos que curtiam comigo essa experiência única. O clima já era alucinante e eletrizante, numa situação até então inédita nos meus 31 anos de futebol. Parecia que estava vivendo um sonho, e muito menos parecia que estávamos prestes a ver uma abertura de Copa com toda a pompa que esse jogo possui.


Visão geral da Cerimônia de Abertura da Copa do Mundo 2014. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe da festa e também do trio Cláudia Milk, Voldemort e Jennifer Lopez. Fotos: Fernando Martinez.

Não demorou para que a Cerimônia de Abertura começasse. Ver a cerimônia bem na nossa frente foi absolutamente sensacional, e não tive a mesma impressão das pessoas que viram o evento pela televisão. Se para quem estava em casa a festa foi murcha, pra mim foi genial. Estava aplaudindo até papel picado que caía na arquibancada.


Um bom número de torcedores croatas marou presença nas arquibancadas. Foto: Fernando Martinez.

A cerimônia durou pouco mais de meia hora, e logo todo o palco já tinha sido desmontado para as duas seleções fazerem seu aquecimento. A apreensão foi se intensificando e a tensão pela estreia brasileira era quase palpável na atmosfera da Arena Corinthians.

Pouco antes das 17 horas finalmente as seleções entraram em campo para os hinos nacionais. Já estou acostumado a ouvir o Hino Nacional Brasileiro em todos os campos de futebol, mas não tem comparação ouvi-lo numa Copa do Mundo. Quem me conhece sabe que nem sou de ligar tanto assim para isso, mas foi impossível não cantar o hino junto com os mais de 60 mil torcedores.


Times antes do apito inicial. A Copa estava prestes a começar. Foto: Fernando Martinez.

Após essa avalanche de sentimentos, o árbitro japonês finalmente trilou seu apito, iniciando de forma oficial a Copa do Mundo do Brasil 2014. Todos aqui assistiram e sabem bem o que rolou durante os 90 minutos desse Brasil x Croácia. O jogo foi nervoso, disputado e muito polêmico.


Zaga brasileira sofreu pressão croata. Foto: Fernando Martinez.


Ataque do Brasil com o capitão Tiago Silva. Foto: Fernando Martinez.


Início de ataque local. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro gol da Copa foi brasileiro, mas a favor da Croácia. Atrás no placar, o time verde e amarelo suou a camisa para virar o marcador e conquistar o primeiro triunfo no Mundial. O destaque positivo foi, pra variar, o camisa 10 Neymar, com dois gols. O negativo, o japonês Nishimura, que marcou uma penalidade máxima mais do que contestada. No estádio, ficou a impressão que tinha sido pênalti mesmo.


Neymar preparado para bater o pênalti e virar o marcador. Foto: Fernando Martinez.


Bela visão noturna da Arena Corinthians na abertura do Mundial. Foto: Fernando Martinez.


Ataque da Croácia no fim da peleja. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o primeiro jogo da Copa terminou em Brasil 3-1 Croácia. Não foi uma bela apresentação do time local, mas pelo menos fez o time começar com o pé direito. Mal sabiam todos que o jogo seguinte contra o México seria ainda mais dramático. Contra Camarões, uma molezinha antes do jogo mais dramático ainda contra o Chile nas oitavas.

Totalmente emocionado, ainda fiquei um bom tempo no estádio antes de pegar meu caminho de volta pra casa. Como aconteceu em todos os jogos que vi ao vivo nessa Copa, não queria ir embora do estádio. Demorei muito pra conseguir dormir à noite, pois a adrenalina estava em nível máximo.


O enorme painel de led agradecendo a presença dos mais de 60 mil torcedores na Arena. Foto: Fernando Martinez.

No dia seguinte, o amigo Estevan Mazzuia iniciou seu cronograma pessoal com um ótimo jogo em Cuiabá. Eu iniciei pra valer minha maratona pessoal no sábado, com um belo jogo em Belo Horizonte.

Até lá!

Fernando