Procure no nosso arquivo

Mostrando postagens com marcador Seleção Equador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seleção Equador. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 2): Equador vence a Austrália no Olímpico

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada de abertura do Grupo B da Copa do Mundo sub-17, as seleções de Equador e Austrália foram ao gramado do Estádio Olímpico Pedro Ludovico buscando chegar à liderança da chave junto com a Nigéria (os africanos venceram a Hungria na preliminar por 4x2). Apesar dos dois já estarem na Lista (o Equador desde 2000, a Austrália desde 2014), a expectativa era grande já que é o tipo de confronto que somente mentes avançadas conseguem imaginar.

Os australianos se classificaram pela 13ª vez para um mundial, a maior parte deles - dez das onze Copas até então - ainda quando eram filiados à OFC, a Confederação da Oceania. A partir de 2006, ano da mudança para a AFC, a Confederação Asiática, eles participaram somente de três dos sete torneios realizados. Na disputa do torneio sub-16 asiático eles eliminaram de forma direta a Indonésia num triunfo por 3x2.

Já a presença dos equatorianos, a quinta na história dos mundiais, foi garantida na base do sofrimento. O time chegou na rodada final do sul-americano disputado no Peru precisando "apenas" vencer a Argentina, virtual campeã, por três gols de diferença. O detalhe é que, mesmo perdendo por três gols, os portenhos ficariam com o título. Coincidentemente ou não, o resultado do confronto foi de 4x1 a favor do Equador. Por ter um gol a mais de saldo, eles eliminaram os donos da casa. (Bom, eu acho que Peru x Indonésia seria bem mais genial, mas tudo bem)



As imagens oficiais das seleções sub-17 de Equador e Austrália



Dois detalhes do Estádio Olímpico de Goiânia: primeiro a parte coberta com as cabines de imprensa e depois a arquibancada oposta

Boa parte dos presentes na primeira peleja do dia foi embora no duelo "principal", deixando a cancha com cerca de 300 presentes. Quem ficou viu uma partida boa, muito por conta da ótima atuação do Equador na primeira parte da peleja. Antes dos dez minutos, os sul-americanos já venciam por 2x0. O primeiro tento saiu aos quatro dos pés de Pluas. O camisa 14 aproveitou rebote e chutou forte. A bola desviou em Powell e morreu no canto direito. Aos nove, Pedro Vite avançou pela esquerda e cruzou. No meio do caminho Mlinaric tentou tirar e colocou dentro das próprias redes, marcando contra.

O 2x0 não diminuiu o ímpeto e várias vezes durante a etapa inicial os avantes da terra de Aguinaga - o Álex, craque dos anos 90/2000 e não o Pedrinho, bon vivant carioca dos anos 70 e amigo pessoal de Carlos Imperial - chegaram dentro da área dos Socceroos. Da minha parte, estava apanhando da câmera fotográfica que levei, cortesia da simpatia do amigo Luciano Claudino, e usava pela primeira vez. A iluminação do Olímpico é ótima, porém eu ainda não tinha encontrado as configurações certas.


Jordan Courtney-Perkins (4) cortando cruzamento equatoriano sob o olhar atento de Anton Mlinaric (15), Trent Ostler (14) e Ryan Teague (6)



Adam Pavlesic, goleiro australiano, imóvel depois de sofrer o primeiro gol da noite em Goiânia e a comemoração equatoriana



Pedro Vite (19) chutando da esquerda para Anton Mlinaric, zagueiro da Austrália, marcar contra. Mesmo não sendo seu gol, o atleta sul-americano comemorou como se tivesse sido seu


Roberto Cabezas (6) e a marcação de Luis Lawrie-Lattanzio (20)


Agora a vez de Johan Mina (10) criar momento perigoso dentro da área, para desespero de Luis Lawrie-Lattanzio (20)

Diferente da preliminar, eu mudei de lado nos 45 minutos finais para alternar o ângulo das imagens. Não dei tanta sorte na escolha... acontece. A superioridade equatoriana continuou evidente, só que os jogadores colocaram um belo salto alto. O que teve de bom momento desperdiçado por puro preciosismo foi absurdo. Os australianos aos poucos foram encontrando forças e também passaram a criar suas oportunidades.

Conforme o apito final chegava, o Equador pensou apenas em segurar a vantagem. Essa atitude chamou de vez o onze oceânico para seu campo. Pouco depois dos 40 minutos, Teague quase diminuiu em lance que o goleiro Joan Lopez fez milagre. Já aos 44 não teve jeito e Noah Botic fez o dele. Pena que o tento tenha saído tarde demais. Mesmo assim nos acréscimos eles tiveram uma derradeira chance e por pouco não chegaram ao empate.


John Mercado (17) disputando bola pelo alto com Birkan Kirdar (8)


Boa chegada equatoriana dentro da área da Austrália com John Mercado


Patrickson Delgado (15) em novo bom momento do Equador pela direita. Izaack Powell (5) acompanhou de longe


Zaga sul-americana neutralizando a pressão da Austrália nos minutos finais da peleja


Resultado final da partida que fechou o primeiro dia do JP na Copa do Mundo sub-17

O resultado final de Equador 2-1 Austrália acabou sendo justo pelo que os sul-americanos mostraram nos primeiros 45 minutos. Pensando no andamento do campeonato, ficou claro que eles não poderiam vacilar tanto novamente. Ao término da rodada inicial do Grupo B da Copa do Mundo sub-17, Nigéria e Equador somavam três pontos, enquanto Hungria e Austrália estavam zerados. Todos ainda com plenas possibilidades de classificação.


Debaixo da parte coberta há um gigantesco mural com fotos que contam um pouco da história do Pedro Ludovico

Essa foi a única rodada que acompanhei no belíssimo Estádio Olímpico de Goiânia. Fiquei um bom tempo curtindo a minha despedida do local antes de percorrer os dois quarteirões de volta ao hotel. Como os amigos estavam cansados e capotaram cedo, recorri a uma lanchonete próxima numa refeição nababesca por preço baixo, algo que sempre rola quando estamos longe da caríssima São Paulo.

A rodada do sábado não foi a única na bela capital do estado do Centro-Oeste. No quente domingo foi a vez de acompanhar o Grupo C do mundial na tímida e sensacional Serrinha, a casa do Goiás EC e um dos campos mais interessantes que já visitei.

Até lá!

_________________________

Ficha Técnica: Equador 2x1 Austrália

Local: Estádio Olímpico Pedro Ludovico (Goiânia/GO); Árbitro: Andreas Ekberg (Sue); Público: 337 pagantes; Cartão amarelo: Piero Hincapie; Gols: Erick Pluas 4 e Anton Mlinaric (contra) 9 do 1º, Noah Botic 45 do 2º.
Equador: Joan Lopez; Jordan Moran, Piero Hincapie, Hanssel Delgado e Roberto Cabezas; Marco Aangulo, Erick Pluas, John Mercado (Patrickson Delgado) e Pedro Vite (Jeremy Farfan); Johan Mina (Silvano Estacio) e Adrian Mejia. Técnico: Jose Rodriguez.
Australia: Adam Pavlesic; Jordan Courtney-Perkins, Izaack Powell, Trent Ostler e Anton Mlinaric; Ryan Teague, Birkan Kirdar (Cameron Peupion) e Caleb Watts (Idrus Abdulahi); Tristan Hammond, Noah Botic e Luis Lawrie-Lattanzio (Yaya Dukuly). Técnico: Trevor Morgan.
_____________

terça-feira, 18 de junho de 2019

Estreia da Celeste na Copa América com goleada no Mineirão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Continuei com a marcante cobertura da Copa América no Jogos Perdidos na noite do domingo com a realização de um velho sonho. Desde moleque tinha vontade de ver a seleção bicampeã olímpica de 1924 e 1928 e a bicampeã mundial de 1930 e 1950 em campo. Contando com uma boa dose de sorte e uma organização peculiar, fui ao Mineirão assistir o duelo entre Uruguai e Equador na primeira rodada do Grupo C do certame.

De todas as filiadas da Conmebol, sem dúvida a Celeste Olímpica era a maior pedra no meu sapato. Alguns exemplos: em novembro de 2007 ela jogou no Morumbi e todo mundo conseguiu ingresso, menos eu. Em 2013 disputaram a fase inicial da Copa das Confederações no Nordeste e eu não tinha cacife para viajar até lá. Em 2014 cheguei a colocar no carrinho o ingresso da apresentação deles contra a Inglaterra na Arena Corinthians durante a Copa do Mundo e não consegui finalizar a compra.

Depositei minha última esperança na Copa América deste ano. Se por ventura eles não jogassem perto de casa, eu fatalmente ficaria mais um bom tempo sem colocá-los na Lista. Quando pintou o sorteio a Lei de Murphy atuou e, como não poderia ser diferente, obviamente eles jogaram em todo lugar menos em São Paulo. fazendo parte da minha trinca de objetivos junto com a dupla Venezuela e Catar, então fui obrigado a planejar uma missão fora do estado.

A minha sorte foi encontrar uma passagem aérea com preço em conta e que a procura por ingressos, tirando os compromissos do Brasil e a grande decisão, não tiveram grande procura. Saí de Porto Alegre – estive no Venezuela 0x0 Peru na tarde de sábado - na manhã do domingo no mesmo voo do amigo Raul, o maior anfitrião do Distrito Federal, e fizemos uma escala em Congonhas antes de chegar em BH. Detalhe: eu não sabia onde ficaria na capital mineira. A estadia programada por semanas deu errado e fui obrigado a contar com uma preciosa ajuda entre os dois voos. Enquanto eu estava no ar, uma alma boa reservou um lugar ao lado do hotel em que o amigo candango se hospedaria.

Saímos de Confins com destino ao centro da cidade e meia hora depois eu estava no meu nababesco quarto de seis estrelas que lembrou o Waldorf-Astoria em Nova Iorque com tempo suficiente de descansar um pouco e bater aquela soneca marota antes da sessão noturna. Devidamente descansado, fui de táxi com o alvinegro Raul e chegamos rapidinho no Mineirão. Tudo estava tranquilo e com um movimento bem diferente do que vi ali nas minhas visitas em 2013 e 2014.


A bela fachada do Mineirão recebendo um público legal para Uruguai x Equador


A grandiosa visão do Mineirão. Não visitava o estádio desde a Copa do Mundo

Estive no principal palco futebolístico de Minas Gerais cinco vezes na saudosa Copa das Confederações e na inesquecível Copa do Mundo. Em 2013 foram dois: o magnífico Taiti 1x6 Nigéria e o triunfo do México contra o Japão por 2x1. No Mundial, três: os 3x0 da Colômbia em cima da Grécia, a vitória da Bélgica contra a Argélia por 2x1 e o empate sem gols entre Costa Rica e Inglaterra. Que saudade!

No primeiro duelo citado acima foram 20 mil pagantes, nos quatro restantes, cerca de 50 mil em cada um. No domingo somente 13 mil pessoas deixaram no mínimo 120 reais cada no bolso da Conmebol. Um valor insano pensando que, infelizmente, a Copa América não tem um apelo tão grande na maior parte dos torcedores. Aliás, essa foi uma bola fora (apenas uma delas) da entidade sul-americana na organização da edição 2019 da competição.

 

Não é sempre que temos a chance de ver Cavani e Suárez ao vivo, né? Nada mais justo do que mostrá-los por aqui



Tudo bem, é de lado... mas aqui estão as duas seleções posadas para as fotos oficiais

Como estava tudo tranquilo, não tivemos problemas e logo estávamos nas dependências do belo estádio. Lá dentro encontramos o atibaiense Mário e como o que mais tinha era um monte de lugar vazio, fomos ficar próximos do gramado. Demorou tanto tempo para colocar o Uruguai na Lista que eu precisava vê-los de perto. Se a Celeste era inédita, o Equador era um velho conhecido. Desde que os vi pela em 2000 (a derrota de 3x2 contra o Brasil pelas Eliminatórias), assisti mais quatro confrontos, dois na Copa de 2014 e um pela Copa do Mundo sub-17 de 2015 no Chile.

O retrospecto sempre foi favorável aos uruguaios: treze vitórias em 17 partidas, três derrotas e um empate. Apesar do amplo domínio, nos últimos sete encontros, total equilíbrio com três triunfos para cada lado. No domingo o que se viu foi uma atuação avassaladora dos comandados de Óscar Tabárez. O Equador foi atropelado e deu sorte de não sair de campo com uma goleada ainda maior nas costas. Os primeiros 45 minutos do Uruguai foram sensacionais.

O marcador foi inaugurado aos cinco minutos com um golaço de Lodeiro. Ele recebeu na entrada da área, dominou com classe, tirou de Quintero e mandou no canto de Domínguez. Aos nove Nández ampliou, porém o gol foi anulado por impedimento. A Celeste permaneceu atacando e aos 23 teve a missão facilitada quando Quintero foi expulso. Cavani quase fez o segundo aos 26, Lodeiro atacou com perigo aos 27 e Cavani de novo assustou aos 31 em chute de letra. O atacante do PSG insistiu tanto que marcou o seu aos 32 num belíssimo voleio.

O Uruguai seguiu atacando e Nández teve bom lance aos 34. O outro grande nome do ataque, Luis Suárez, apareceu aos 43 e fez o terceiro. Lodeiro cruzou, Cáceres desviou de cabeça e o avante do Barcelona anotou. Antes do intervalo, a peleja já estava resolvida. Nas arquibancadas, muita festa e um clima delicioso. Os equatorianos presentes, mesmo tristes pelo resultado, estavam levando tudo de boa. Os uruguaios achavam graça e riam à toa.


O Equador tentou emplacar uma pressão no começo da partida, só que foi por pouco tempo


Nández marcou pela primeira vez na noite, mas o tento foi anulado por impedimento


Mais uma chance perigosa a favor da Celeste, agora pelo alto


Mais uma participação do VAR na Copa América

Na etapa final o panorama pouco mudou e os maiores campeões do torneio com seus 15 títulos permaneceram atacando com afinco. Cavani, o mais agudo dos atletas de frente, fez outro gol e novamente a arbitragem anulou. Suárez criou boa oportunidade aos 24 e Domínguez afastou. Aos 34, Mina deu uma forcinha ao adversário e marcou contra após cruzamento de Pereiro. O companheiro de Messi na Espanha jogou fora a chance do quinto aos 39 minutos.

O placar final de Uruguai 4-0 Equador foi pouco pelo domínio que a Celeste teve durante os 90 minutos. Desde 1959 eles não derrotavam os tricolores por essa margem de gols na Copa. A estreia deixou uma ótima impressão e temos como dizer com propriedade que estão entre os maiores favoritos ao título. Da minha parte, finalmente posso dizer que as dez seleções que fazem parte da Conmebol estão na minha Lista. Demorou, mas consegui!


No segundo tempo o Uruguai diminuiu o ritmo mas continuou em cima da zaga equatoriana


Ataque dos bicampeões mundiais pela direita


Mesmo com o 4x0 o Uruguai não parou de atacar. A vitória era para ter sido por maior margem de gols

Ficamos zanzando pelas arquibancadas e demoramos para sair do Mineirão. Procedimento padrão em campeonatos internacionais de grande porte. Na parte de fora andamos bastante até encontrarmos um táxi e, junto com o Raul, retornamos ao centro de Belo Horizonte. Fizemos uma janta de luxo num fast-food que encontramos aberto perto do hotel e depois cada um se recolheu aos seus aposentos. Foi uma noite super bem dormida antes de uma segunda-feira que novamente teve correria.

Antes de retornar à capital paulista, dei uma bela passeada no centro de BH, algo que não fazia há anos. Foi muito bom ficar ali, sem preocupação, sem pressa, só apreciando o momento. Foi o término da minha pequena turnê de dois dias longe de casa, a primeira em três anos. Pode ter sido pouca coisa, só que o significado foi enorme. Fui até Confins e de lá voei até São Paulo. Na pauta, tinha nova sessão noturna fechando a enorme cobertura do JP na rodada inicial da Copa América.

Até lá!

_________________________

Ficha Técnica: Uruguai 4x0 Equador

Competição: Copa América; Local: Mineirão (Belo Horizonte); Árbitro: Anderson Daronco (Bra); Público: 13.611 pagantes; Renda: R$ 1.534.535,00; Cartões amarelos: Nicolás Lodeiro, José Giménez (Uru); Cartão vermelho: José Quinteros 23 do 1º; Gols: Nicolás Lodeiro 6, Edinson Cavani 33 e Luis Suárez 44 do 1º, Arturo Mina (contra) 33 do 2º.
Uruguai: Fernando Muslera; Martín Cáceres, José Giménez, Diego Godín e Diego Laxalt; Nahitan Nández (Gastón Pereiro), Rodrigo Bentancur, Matías Vecino (Fede Valverde) e Nicolás Lodeiro (Lucas Torreira); Luis Suárez e Edinson Cavani. Técnico: Óscar Tabárez.
Equador: Alex Domínguez; José Quinteros, Arturo Mina, Gabriel Achilier e Beder Caicedo; Jefferson Orejuela, Jefferson Intriago, Antônio Valencia e Ángel Mena (Pedro Velasco); Enner Valência e Ayrton Preciado (Romário Ibarra). Técnico: Hernán Darío Goméz.
_____________

© 2021

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 9 de 13): Equador tenta, mas Mali vence na boa e vira líder


Fechando a segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo sub-17 do Chile, o Estadio Bicentenario Fiscal de Talca recebeu o duelo entre Equador e a sensacional seleção do Mali, um time que será um trunfo na Lista certamente por muito tempo. Apesar de nunca terem disputado uma Copa do Mundo, os malianos - que gentílico genial - disputaram o mundial pela quarta vez, assim como os sul-americanos. A melhor participação dos africanos até então tinha sido a presença nas quartas em 1997 e 2001. Já dos sul-americanos também as quartas em 1995, quando foram sede.

Na rodada inicial, Mali empatou com a Bélgica e o Equador ganhou de Honduras. Mesmo com a chance de ter três classificados da chave, seria bom a molecada do sétimo maior país da África vencer pensando em não se complicar no quesito classificação. O bom é que, depois do sol na cara na preliminar entre belgas e hondurenhos, o frio chegou forte e o calor inesperado deu lugar a uma temperatura maravilhosa. Por ter sido realizado à noite, consegui ver que a iluminação da casa do Rangers de Talca é muito boa. Melhor do que a maioria dos estádios que temos por aqui.


Equador e Mali perfilados antes dos respectivos Hinos Nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Todo esse terreno fica atrás da arquibancada descoberta do estádio de Rangers. Cabe mais gente ali do que dentro da cancha em si. Foto: Fernando Martinez.

Boa parte dos 4.721 pagantes estava torcendo, óbvio, a favor do Equador. Essa rapaziada não curtiu muito quando Mali abriu o marcador aos nove minutos. Sidiki Maiga recebeu passe na esquerda e tentou devolver, mas no meio do caminho Jean Pena, camisa 20 do Equador, se adiantou e tentou afastar. A bola bateu em Diakite e foi parar nos pés do camisa 11 Boubacar Traore, que só teve o trabalho de colocar no fundo da rede dentro da pequena área.

O Equador sentiu o gol e não atacou durante um bom tempo. Mali se aproveitou e criou vários bons momentos, principalmente com Sidiki Maiga e Traore, para ampliar a vantagem. Um dos destaques do selecionado foi o camisa 3 Chato. Sim, sem segundo nome, apenas Chato, igual a Cher, Seal ou o grande McLovin. Seria genial ver o malinês ser contratado por um clube tupiniquim e os locutores de plantão o citando a todo momento.


Mali começou o jogo com tudo, criando bons momentos desde os primeiros minutos. Foto: Fernando Martinez.


A tarde indo embora e a noite chegando na cidade de Talca. Foto: Fernando Martinez.

Os companheiros do Chato estavam mandando bem e aos 29 minutos tiveram outro ótimo momento. Maiga deu bom passe para Koita e o camisa 20 chutou de primeira, mandando a pelota na trave direita de Jose Cevallos. Teria sido uma pintura de gol. O setor defensivo sul-americano seguiu tomando sufoco e por sorte não viu a derrota parcial do intervalo ser por uma diferença maior de gols.


Chato, o genial camisa 3 do Mali que não deve ser muito popular entre os atletas. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto com vantagem para Washington Corozo, 7 do Equador. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo a esquadra do Equador tentou emplacar aquela pressão monstra e a primeira chance real foi em dobro. Num escanteio pela esquerda, um dos atacantes cabeceou e a zaga salvou. No rebote, Washington Corozo chutou à queima-roupa e Mamadou Sangare salvou de novo em cima da linha. Mesmo mais ligados, os "locais" sofreram o segundo tento num enorme vacilo. A bola foi lançada pelo capitão Abdoul Dante sem perigo pro ataque e Byron Castillo tentou cortar de cabeça. Só que o corte foi desastroso e a pelota parou nos pés de Aly Malle, que driblou o goleiro e aumentou a vantagem.


O sistema defensivo do Mali trabalhou bem, aqui neutralizando investida sul-americana. Foto: Fernando Martinez.


O Equador até que tentou, mas a zaga africana mostrou serviço no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

Aos 24, num lançamento em profundidade que chegou em Anderson Naula, Samuel Diarra, goleiro do Mali, cometeu pênalti. O camisa 17 Pervis Estupian bateu no canto direito e diminuiu. Buscando uma nova igualdade, o escrete amarelo buscou aplicar aquela famosa blitz. Pena que a expulsão de Quintero aos 36 minutos complicou a missão. Com um a menos, a rapaziada sul-americana não teve forças para evitar a derrota.


Detalhe do segundo gol de Mali. Aly Malle tocando pro fundo da rede depois de ter passado pelo goleiro Jose Cevallos e sob o olhar de Byron Castillo. Foto: Fernando Martinez.


Sory Keita atacando pela direita e o camisa 10 Yeison Guerrero na marcação. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Equador 1-2 Mali colocou o onze africano na liderança do Grupo D com quatro pontos junto da Bélgica, enquanto os sul-americanos ficaram com três. No final da primeira fase, os três conquistaram uma vaga nas oitavas-de-final. O selecionado da terra de Aguinaga derrotou a Rússia e parou nas quartas ao perder do México, igualando sua melhor performance. Mali passou bem pelas três fases seguintes e chegou na decisão, sendo derrotado pela Nigéria e se tornando vice-campeão.

Após curtir a rodada dupla deixei o Estadio Fiscal de Talca sem ter a menor ideia de como voltaria ao hotel. Pensei que, assim como foi em Concepción, teria um monte de táxis disponíveis na saída do local... ledo engano. Com não tinha nenhum, tive que seguir sem rumo, sem lenço e sem documento pelas ruas tentando encontrar alguma forma de sair logo dali. O diminuto público tinha deixado a cancha antes do apito final e poucos ainda estavam na região, deixando um clima de fim de mundo.

Andei mais de dois quilômetros por ruas quase escuras vendo os carros passarem, porém táxi que era bom, nada. Sem ser injusto, até encontrei alguns, mas lá tem um lance muito doido: alguns possantes não levam apenas um passageiro e sim todos que couberem, numa espécie de lotação. O negócio é tão bizarro que cheguei a ver um com seis pessoas dentro (!). Depois de quase 45 minutos cheguei na bonita Plaza La Victoria e finalmente consegui um veículo decente.

Tive tempo para uma nova noite de James Bond no cassino do hotel antes de ir pra cama. No dia seguinte, uma quinta-feira, coloquei o pé na estrada de novo e voltei a Santiago, pois o cronograma mostrava um cotejo da Copa Chile que pra mim era imperdível. O grande problema seria conseguir um ingresso...

Até lá!

Fernando

© 2019

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Equador e Colômbia maltratam a bola e ficam no zero na Vila


Depois de acompanhar o empate entre Bolívia e Uruguai, as seleções de Equador e Colômbia foram a campo no Estádio Urbano Caldeira para fechar a segunda rodada do Grupo B do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-20. O sol tinha sumido e a temperatura estava mais amena, ou seja, o cenário perfeito para um jogo bom.

Esperava ansiosamente ver como seria a estreia colombiana, seleção que foi bem nas três últimas edições do torneio: vice em 2010, terceiro lugar em 2012 e 2014. Além disso, o time ocupa a segunda colocação na tábua geral de jogos da história, atrás apenas da seleção brasileira.



Seleções sub-20 do Equador e da Colômbia. Fotos: Fernando Martinez.


As capitãs das duas seleções com a árbitra Regildênia Moura, as assistentes Neuza Back e Nadine Bastos e a quarta árbitra peruana Silvia Reyes. Foto: Fernando Martinez.

Só que dentro de campo, nossa senhora, a coisa foi feia demais. A partida foi simplesmente um horror, com as duas seleções castigando a pelota durante intermináveis 90 minutos. A única animação na Vila Belmiro era a torcida colombiana com um barulhento "cowbell" que fazia eco em todo o estádio.

Após um primeiro tempo monstruoso, o Equador teve a única chance da partida aos seis minutos do tempo final. Angie Paola avançou pela esquerda, deu um chapéu sensacional numa defensora e chutou para a grande defesa de Angie Carolina. Foi a única vez que se viu lucidez dentro das quatro linhas durante o jogo.


Laura Montoya saindo para o ataque. Destaque para a belíssima camisa da Colômbia. Foto: Fernando Martinez.


Disputa ríspida de bola no campo de defesa do Equador. Foto: Fernando Martinez.


Rentería mandando a pelota na área do Equador. Foto: Fernando Martinez.


Confusão dentro da área da Colômbia no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Rara chegada colombiana no setor ofensivo. Foto: Fernando Martinez.

O resultado final, claro, não tinha como ser diferente: Equador 0-0 Colômbia. Esse foi o pior jogo que assisti em 2015 e com certeza um dos cinco piores da minha vida. O mais bizarro é que geralmente estou acostumado a ver boas partidas no futebol feminino, mas nesse caso as duas seleções poderiam estar jogando até agora que ainda estaria 0x0.

Com dois jogos vistos e apenas dois gols na bagagem, saímos da Vila para fazer todo o percurso de volta para a capital. Perdemos de vista o Renato "Macaulay Culkin" Rocha no caminho, e no ônibus de volta encontramos um escocês bebaço (!) torcedor do Celtic e que está no país para dar aulas de inglês em Guarulhos, algo mais aleatório impossível. O bizarro papo com ele já entrou para a lista de momentos mais surreais que vivi em todos esses anos de indústria vital.

Cheguei em casa tarde e nem consegui descansar direito, já que no dia seguinte vivi um momento "Déjà Vu" com mais um bate-volta para a Estância Balneária de Santos, em outra rodada dupla do Sul-Americano Feminino sub-20.

Até lá!

Fernando

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

JP na Copa (parte 9): Virada sul-americana na fria noite de Curitiba

Opa,

A terceira parte do meu roteiro montado para ver de perto a Copa do Mundo começou no dia 20 de junho, uma sexta-feira. Nesse dia vi meu único jogo na Arena da Baixada, o duelo americano entre Honduras e Equador, valendo pela segunda rodada do Grupo E.

Diferente do que aconteceu na fase 2, dessa vez o espaço entre as viagens estava mais tranquilo e não passei nenhum tipo de perrengue. Saí de Campinas junto com a sempre presente Van por volta do meio-dia e cheguei em Curitiba na boa, ainda com tempo de encontrar uma grande amiga no aeroporto local.

Pegamos um ônibus no Afonso Pena na companhia de simpáticos hondurenhos e chegamos no Shopping Estação para encontrarmos o trio Luiz, Victor e Renato, esse vestindo a fantasia de "Homem Honduras" ou "Gene Simmons da Alegria". Fizemos um almoço sensacional num restaurante local e fomos então deixar nossos pertences no apartamento de uma prima ali perto.


Ponto de ônibus decorado com motivos da Copa do Mundo. Foto: Fernando Martinez.

Após um rápido pit-stop, pegamos um coletivo e percorremos apenas quatro pontos até chegar nas redondezas da casa do Atlético/PR. A localização do estádio foi sem dúvida foi um dos pontos altos da sede da Arena da Baixada. De todas as sedes que visitei, essa foi a mais fácil de se acessar com um ônibus comum, algo raro no Mundial.


Fachada da Arena da Baixada em Honduras x Equador. Foto: Fernando Martinez.

Andamos três ou quatro quarteirões e voilà... Estávamos na grande praça que fica na frente da belíssima Arena. Já havia visitado o local uma vez num genial Atlético 0x4 Independiente Medellín pela Libertadores 2005 e o que já era legal ficou ainda melhor. Um toque peculiar dali é ver prédios e casas residenciais dividindo espaço com a enorme construção no mesmo quarteirão.


Telão do estádio mostrando o próprio estádio. Foto: Fernando Martinez.

As filas eram pequenos, entramos no estádio sem percalços e logo fomos para nossos lugares. Essa foi a primeira partida que acompanhei na Copa sem um time novo para incluir na Lista. Já tinha visto o Equador algumas vezes - uma delas no domingo anterior contra a Suíça em Brasília - e vi Honduras durante os Jogos Panamericanos de 2007, num confronto centro-americano contra a Costa Rica. Mesmo que faltasse algum motivo para me animar com o jogo (algo praticamente impossível em se tratando de Copa), isso teria sido dissipado completamente quando cheguei no meu lugar marcado.


Times perfilados para os hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.

Após ver tantos jogos longe do campo, finalmente estava numa cadeira próxima ao gramado. Vi toda a partida atrás do "gol da esquerda", exatamente na 11ª fileira. Um lugar muito, mas muito próximo da cancha. Já estou mais do que acostumado a ver pelejas de dentro do campo, mas ter a chance de ver pela primeira vez tão de perto um jogo de Copa foi absolutamente emocionante.


Equipes fazendo aquela velha "correte pra frente" antes do apito inicial. Foto: Fernando Martinez.

Vale registrar também que talvez esse tenha sido o jogo mais gelado de toda a competição. Os termômetros de Curitiba marcavam 12 graus na hora do apito inicial, e o fato da peleja ter começado à noite deixou o ambiente num clima perfeito.

Para melhorar todo o astral eletrizante, vimos um jogo muito bom e cheio de alternativas. Nas infindáveis listas de "melhores jogos da Copa" ninguém citou essa peleja. Uma injustiça, pois achei que valeria fácil um lugar no Top 10 da Copa do Brasil. Confesso que não estava esperando uma peleja tão legal e felizmente me enganei redondamente.


Disputa de bola na lateral. Foto: Fernando Martinez.

Após perder na estreia para a França, a seleção hondurenha fez uma apresentação muito mais segura e deu muito trabalho aos favoritos equatorianos. A primeira chance clara foi sul-americana nos pés de Enner Valencia, mas o gol não saiu.


Ataque equatoriano pelo alto. Foto: Fernando Martinez.

Aos 31 minutos o camisa 13 Costly acabou abrindo o marcador para Honduras. A zaga falhou e ele avançou pelo campo de defesa com estilo, chutando forte da entrada da área e marcando o primeiro gol hondurenho após cinco partidas em branco nos Mundiais (um jogo em 1982, três em 2010 e um em 2014).



Costly armando o chute e depois comemorando seu gol com um show de levitação no gramado da Arena da Baixada. Foto: Fernando Martinez.

Só que a festa durou pouco, pois três minutos depois o Equador empatou com Valencia. Antes do intervalo chegar, por pouco os hondurenhos não fizeram o segundo. Ao final dos frenéticos 45 minutos iniciais, o belo placar eletrônico da Arena da Baixada apontava 1x1.


Grande chance do time azul no tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral da Arena da Baixada na fria noite de Curitiba. Foto: Fernando Martinez.

O clima de eletricidade total no estádio não diminuiu nem mesmo durante o intervalo. Quando o segundo tempo começou, as seleções mantiveram o ritmo e continuaram proporcionando um belo espetáculo para os pouco mais de 39 mil torcedores presentes, a maioria equatorianos.


Atletas do Equador combinando jogada ensaiada no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Beckeles, o camisa 21 de Honduras, chegando firme no adversário. Foto: Fernando Martinez.

O toma lá, dá cá continuou com oportunidades para os dois lados e o segundo gol era questão de tempo, só não sabíamos a favor de quem. Aos 20, quem acabou marcando foi novamente o Equador, novamente com o camisa 13 Enner Valencia. Ele completou de cabeça um cruzamento da esquerda e virou o placar.


Comemoração equatoriana pela virada na Arena. Foto: Fernando Martinez.


Marcador hondurenho observando atleta sul-americano dominar a pelota com estilo. Foto: Fernando Martinez.

Los Catrachos continuaram jogando bem até o último lance, mas não foram capazes de terem melhor sorte. No fim, o placar de Honduras 1-2 Equador praticamente eliminou o time azul da Copa. Restava aos equatorianos marcarem mais pontos do que a Suíça na rodada final. Como isso não aconteceu, os representantes americanos da chave acabaram sendo eliminados na fase inicial.

Como de praxe em todos os jogos que acompanhei, levei muito tempo para sair do estádio pois queria aproveitar cada segundo possível do clima da Copa. Fui encontrando aos poucos os amigos que estavam cada um num canto do estádio e notei, mesmo de longe, o avançando estado alcoólico do "Gene Simmons da Alegria" do outro lado da Arena. Entre nossa saída dali e a chegada no ponto de ônibus vivi momentos absolutamente surreais (e geniais) na presença do amigo "borracho".


Destaque do pós-jogo de Honduras x Equador, o "Gene Simmons da Alegria" Renato Rocha enfileirou momentos surreais, como roubar uma caixa de som da torcida equatoriana. Foto: Fernando Martinez.

Depois de cerca de uma hora da mais extrema surrealidade, me retirei de cena para dormir um pouco. Um pouco mesmo, já que nossa saída de Curitiba estava programada para as seis da matina. O destino agora seria passar rapidinho em São Paulo e voltar para Porto Alegre para dois dias de sossego na única vez em que curti um hotelzinho durante o Mundial.

Até lá!

Fernando