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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 9 de 13): Equador tenta, mas Mali vence na boa e vira líder


Fechando a segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo sub-17 do Chile, o Estadio Bicentenario Fiscal de Talca recebeu o duelo entre Equador e a sensacional seleção do Mali, um time que será um trunfo na Lista certamente por muito tempo. Apesar de nunca terem disputado uma Copa do Mundo, os malianos - que gentílico genial - disputaram o mundial pela quarta vez, assim como os sul-americanos. A melhor participação dos africanos até então tinha sido a presença nas quartas em 1997 e 2001. Já dos sul-americanos também as quartas em 1995, quando foram sede.

Na rodada inicial, Mali empatou com a Bélgica e o Equador ganhou de Honduras. Mesmo com a chance de ter três classificados da chave, seria bom a molecada do sétimo maior país da África vencer pensando em não se complicar no quesito classificação. O bom é que, depois do sol na cara na preliminar entre belgas e hondurenhos, o frio chegou forte e o calor inesperado deu lugar a uma temperatura maravilhosa. Por ter sido realizado à noite, consegui ver que a iluminação da casa do Rangers de Talca é muito boa. Melhor do que a maioria dos estádios que temos por aqui.


Equador e Mali perfilados antes dos respectivos Hinos Nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Todo esse terreno fica atrás da arquibancada descoberta do estádio de Rangers. Cabe mais gente ali do que dentro da cancha em si. Foto: Fernando Martinez.

Boa parte dos 4.721 pagantes estava torcendo, óbvio, a favor do Equador. Essa rapaziada não curtiu muito quando Mali abriu o marcador aos nove minutos. Sidiki Maiga recebeu passe na esquerda e tentou devolver, mas no meio do caminho Jean Pena, camisa 20 do Equador, se adiantou e tentou afastar. A bola bateu em Diakite e foi parar nos pés do camisa 11 Boubacar Traore, que só teve o trabalho de colocar no fundo da rede dentro da pequena área.

O Equador sentiu o gol e não atacou durante um bom tempo. Mali se aproveitou e criou vários bons momentos, principalmente com Sidiki Maiga e Traore, para ampliar a vantagem. Um dos destaques do selecionado foi o camisa 3 Chato. Sim, sem segundo nome, apenas Chato, igual a Cher, Seal ou o grande McLovin. Seria genial ver o malinês ser contratado por um clube tupiniquim e os locutores de plantão o citando a todo momento.


Mali começou o jogo com tudo, criando bons momentos desde os primeiros minutos. Foto: Fernando Martinez.


A tarde indo embora e a noite chegando na cidade de Talca. Foto: Fernando Martinez.

Os companheiros do Chato estavam mandando bem e aos 29 minutos tiveram outro ótimo momento. Maiga deu bom passe para Koita e o camisa 20 chutou de primeira, mandando a pelota na trave direita de Jose Cevallos. Teria sido uma pintura de gol. O setor defensivo sul-americano seguiu tomando sufoco e por sorte não viu a derrota parcial do intervalo ser por uma diferença maior de gols.


Chato, o genial camisa 3 do Mali que não deve ser muito popular entre os atletas. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto com vantagem para Washington Corozo, 7 do Equador. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo a esquadra do Equador tentou emplacar aquela pressão monstra e a primeira chance real foi em dobro. Num escanteio pela esquerda, um dos atacantes cabeceou e a zaga salvou. No rebote, Washington Corozo chutou à queima-roupa e Mamadou Sangare salvou de novo em cima da linha. Mesmo mais ligados, os "locais" sofreram o segundo tento num enorme vacilo. A bola foi lançada pelo capitão Abdoul Dante sem perigo pro ataque e Byron Castillo tentou cortar de cabeça. Só que o corte foi desastroso e a pelota parou nos pés de Aly Malle, que driblou o goleiro e aumentou a vantagem.


O sistema defensivo do Mali trabalhou bem, aqui neutralizando investida sul-americana. Foto: Fernando Martinez.


O Equador até que tentou, mas a zaga africana mostrou serviço no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

Aos 24, num lançamento em profundidade que chegou em Anderson Naula, Samuel Diarra, goleiro do Mali, cometeu pênalti. O camisa 17 Pervis Estupian bateu no canto direito e diminuiu. Buscando uma nova igualdade, o escrete amarelo buscou aplicar aquela famosa blitz. Pena que a expulsão de Quintero aos 36 minutos complicou a missão. Com um a menos, a rapaziada sul-americana não teve forças para evitar a derrota.


Detalhe do segundo gol de Mali. Aly Malle tocando pro fundo da rede depois de ter passado pelo goleiro Jose Cevallos e sob o olhar de Byron Castillo. Foto: Fernando Martinez.


Sory Keita atacando pela direita e o camisa 10 Yeison Guerrero na marcação. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Equador 1-2 Mali colocou o onze africano na liderança do Grupo D com quatro pontos junto da Bélgica, enquanto os sul-americanos ficaram com três. No final da primeira fase, os três conquistaram uma vaga nas oitavas-de-final. O selecionado da terra de Aguinaga derrotou a Rússia e parou nas quartas ao perder do México, igualando sua melhor performance. Mali passou bem pelas três fases seguintes e chegou na decisão, sendo derrotado pela Nigéria e se tornando vice-campeão.

Após curtir a rodada dupla deixei o Estadio Fiscal de Talca sem ter a menor ideia de como voltaria ao hotel. Pensei que, assim como foi em Concepción, teria um monte de táxis disponíveis na saída do local... ledo engano. Com não tinha nenhum, tive que seguir sem rumo, sem lenço e sem documento pelas ruas tentando encontrar alguma forma de sair logo dali. O diminuto público tinha deixado a cancha antes do apito final e poucos ainda estavam na região, deixando um clima de fim de mundo.

Andei mais de dois quilômetros por ruas quase escuras vendo os carros passarem, porém táxi que era bom, nada. Sem ser injusto, até encontrei alguns, mas lá tem um lance muito doido: alguns possantes não levam apenas um passageiro e sim todos que couberem, numa espécie de lotação. O negócio é tão bizarro que cheguei a ver um com seis pessoas dentro (!). Depois de quase 45 minutos cheguei na bonita Plaza La Victoria e finalmente consegui um veículo decente.

Tive tempo para uma nova noite de James Bond no cassino do hotel antes de ir pra cama. No dia seguinte, uma quinta-feira, coloquei o pé na estrada de novo e voltei a Santiago, pois o cronograma mostrava um cotejo da Copa Chile que pra mim era imperdível. O grande problema seria conseguir um ingresso...

Até lá!

Fernando

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