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sexta-feira, 10 de junho de 2016

JP na Argentina 11 (3/9): Fénix x San Telmo no Barracas Central

Texto e fotos: Fernando Martinez


O cronograma de futebol da minha segunda Magical Mystery Tour por Buenos Aires pediu passagem mais uma vez na segunda-feira, 11 de abril. A manhã foi bastante atribulada e no cardápio do almoço teve o imperdível Duplo Quarteirão, ou Doble Cuarto de Libra con Queso, sensacional sanduba que lamentavelmente só não existe no nosso país. Bom que para chegar no McDonald's do outro lado da rua nem precisei andar muito, já que precisava só ultrapassar as 117 faixas de pedestres na Avenida 9 de Julio.

Terminei a soberba refeição e retornei ao hotel. Dali, peguei um dos glamourosos táxis da capital portenha com destino ao bairro de Parque Patricios. Antes de ir pro meu terceiro jogo na capital do país vizinho, passei pelo maravilhoso e gigantesco Estadio Tomás Adolfo Ducó, casa do Huracán. Tentei comprar meu ingresso para a peleja do Globo no dia seguinte, mas o local estava completamente deserto. Contarei essa história daqui a dois posts.

Ao lado da cancha existe uma das várias linhas dos "trenes" suburbanos da cidade. Bastava ultrapassar a linha férrea e então chegaria ao meu destino. Como o local está em obras, tive que dar uma volta de dois quilômetros a pé, passando ao lado da tradicionalíssima Estação Buenos Aires, e então encontrei o acanhado Estadio Claudio Chiqui Tapia, casa do Barracas Central. Detalhe: não era uma apresentação do time da casa, e sim o duelo entre o Club Atlético Fénix e o genial Club Atlético San Telmo, em compromisso do Campeonato de Primera B, a terceirona nacional. Jogo Perdido com JP maiúsculo.


Fachada do Estadio Claudio Chiqui Tapia, casa do Barracas Central e usado pelo Fênix em 2016


Escudo do genial Club Atletico Barracas Central que fica na entrada da praça de esportes



Detalhes da arquibancada oposta e das cabines de imprensa

Fundado em 1948 no bairro de Colegiales, o Fénix é relativamente novo e não tem tantas glórias no seu currículo. Até hoje eles conquistaram três canecos da Primera D (2000, 2004/05 e 2011/12) e sempre perambularam entre a C e a D. Desde 2013 jogam a Primera B Metropolitana, só que sem participações de destaque. Vale dizer que os militares "pegaram emprestado" o estádio deles na época da ditadura, fazendo com que ficassem sem campo pra atuar. Nesse ano, usam a aconchegante casa do Barracas Central.

Diferente do seu adversário, o centenário escrete Candombero é bem mais tradicional. Fundado em 1904, a equipe existiu até 1933 e foi fechada por problemas financeiros. Refundada em 1942, fez parte da Primera C e desde então passeia entre essa e a Primera B. Em 1975 conquistaram o acesso e alcançaram a primeira divisão, porém em 1976 foram mal e terminaram o certame na última posição, indo parar outra vez na Primera B. Na história, eles tem os títulos da Primera C de 1949, 1956, 1961 e 2015.



De longe, as imagens dos times posando para a imprensa argentina

Na edição 2016 da Primera B, outro dos campeonatos de transição da AFA, o Fénix vinha fazendo grande campanha e passou sete das nove rodadas realizadas na liderança. A agremiação perdeu o primeiro lugar depois da derrota em casa contra o Deportivo Español. Atuando contra o San Telmo, que ainda não havia vencido longe dos seus domínios, parecia o cenário perfeito para a retomada da ponta da tabela.

Genial foi que, por motivos óbvios, os bilheteiros descobriram que eu não era dali no momento em que comprei o ingresso. Quando disse que conhecia o Fénix, ficaram super orgulhosos, assim como em todos os outros locais que visitei. É fato que a admiração dos argentinos pelo futebol tupiniquim é bem grande. A hinchada mandante apareceu em número razoável, mas quem apareceu bem mesmo foi a torcida visitante. A rapaziada ficou atrás do gol da entrada e não parou de cantar por um momento sequer.


Jogador do San Telmo tentando se desvencilhar da forte marcação do Fênix


Ataque visitante no começo da peleja

Mesmo caído, atleta do onze local tentando manter o domínio da bola


Boa chegada do San Telmo pela esquerda do seu ataque

Os torcedores candomberos mostraram um fôlego incansável, ainda mais com a ótima atuação da sua equipe. A boa campanha do Fénix não foi ao gramado e eles sofreram com o rápido ataque visitante, principalmente o camisa 7 Nahuel Oviedo, ex-Huracán, Ele abriu o placar logo aos três minutos e deixou o cenário favorável ao San Telmo. Os donos da casa tentaram o gol de empate porém o arqueiro Anchoverri foi seguro debaixo da meta.

Antes do intervalo chegar o árbitro errou feio e deixou de marcar um pênalti a favor do San Telmo. O lance acabou nem fazendo falta pois aos dez da segunda etapa o escrete azul e celeste ampliou sua vantagem, de novo com Nahuel Oviedo. O gol foi um duro golpe contra o Fénix e apesar de tentarem fazer aquele maroto abafa, nada dava certo. O tempo foi passando e a boa vitória visitante se consolidou quando o árbitro Lucas di Bastiano apitou pela última vez.


Disputa de bola pelo alto com direito a poses plásticas no gramado da cancha do Barracas


Visão geral de Fênix x San Telmo sob a agradável temperatura de outono em Buenos Aires


Chute de longe do onze local buscando melhor sorte no marcador

No fim, aplausos aos vencedores e também para os vencidos, numa demonstração de espírito esportivo que não estamos tão acostumados a ver. O placar final de Fénix 0-2 San Telmo impediu que o clube de Colegiales chegasse novamente à liderança da competição. O líder é o "rival" de bairro, o próprio Colegiales. Já os candomberos subiram da décima para a sexta posição, agora com 15 pontos ganhos. Da minha parte, seis times e três canchas novas em três dias de viagem.

Voltei de táxi para o centro de Buenos Aires com a ideia fixa de curtir o ambiente noturno eletrizante novamente. Na terça-feira retomei a agenda e fiz a minha primeira (e única) rodada dupla em toda a viagem. Na pauta, o jogo mais perdido da minha vida (recorde que durou seis dias) e clima de Libertadores dos anos 70 no ar. Foi sensacional.

Até lá!

© 2019

sexta-feira, 3 de junho de 2016

JP na Argentina 9 (1/9): El Cartero versus Gallo pela Primera B

Texto e fotos: Fernando Martinez


Todo mundo que acompanha futebol de verdade, aquele longe do foco da "mídia especializada", sabe que o Brasil não é o país do futebol... fato. Difícil saber quem pode ter essa honra, mas entre todos os candidatos a esse troféu com certeza a Argentina é postulante forte ao primeiro posto. No último mês de abril, sete anos após minha primeira visita a Buenos Aires, peguei meu passaporte e armei minha segunda viagem ao nosso vizinho.

Tudo bem, confesso que o motivo principal da minha ida dessa vez nem foi o futebol em si, porém isso não vem ao caso num blog que fala somente sobre futebol. O que importa é que mesmo com a agenda apertada consegui armar um cronograma monstro e bati cartão num total de nove pelejas, além de um em Montevidéu, na primeira incursão do JP em terras uruguaias em todos os tempos. Seriam muito mais partidas, só que um tornado mudou todos os planos (isso será contado em detalhes em breve).

Saí de São Paulo na tarde do dia 8 de abril com 32 graus na moleira e o tempo extremamente seco. Cheguei na capital argentina no meio da noite com uma temperatura de 12 graus e chuva fina, um presente divino. Desembarquei sem problemas e peguei um dos baratos táxis da capital federal. Não demorou para chegar no meu QG, localizado em frente ao Obelisco, coração da cidade.

Mesmo bastante cansado eu resolvi dar uma volta pelo centro para matar minha saudade dali. Olha, o lugar parece estar mais legal hoje do que estava em 2009. Por ser uma sexta-feira, os restaurantes estavam cheios, assim como livrarias, sebos, lojas de discos e os vários teatros que ficam na Avenida Corrientes, mesmo madrugada dentro. Respirei esse ar sensacional por algumas horas e então voltei ao hotel para minha primeira noite fora de casa.


Visão absolutamente sensacional da janela do quarto aonde me hospedei no centro de Buenos Aires. A primeira parte da viagem teve essa vista

A ideia era fazer uma rodada dupla no sábado, mas no fim acabou rolando de assistir "apenas" uma partida só. "Apenas" com as aspas pois é claro que não dá para reclamar de ter feito a reestreia portenha com o confronto entre o sensacional Club Comunicaciones e o genial Club Deportivo Morón na cancha do primeiro, o Estadio Alfredo Ramos. A peleja foi válida pela 10ª rodada do Campeonato de Primera B, a terceira divisão nacional.

As cinco divisões do Argentino realizadas nesse primeiro semestre são bastante peculiares. Todos estão sendo chamados de "campeonatos de transição", pois terminarão agora em junho. Isso porquê a AFA irá realinhar seu calendário com o calendário europeu a partir de agosto. Os vinte times participantes jogam entre si em turno e o campeão subirá para a Primera B Nacional.


Escudos de Comunicaciones e do Deportivo Morón, adversários na primeira partida na edição 2016 da série "JP na Argentina"

A casa do Comu fica na Zona Norte da cidade, a dez quilômetros de distância do Obelisco. Chegar ali de transporte público é a maior moleza, já que a Estaçao Francisco Beiró, que faz parte da Linha Urquiza dos "Ferrocarriles" locais, fica a menos de mil metros dali. Como eu estava um pouco atrasado, fui de táxi e gastei cerca de 100 pesos, ou 25 reais, para chegar lá.

O time do bairro de Agronomía foi fundado em 1931 por empregados dos correios como Club Atlético Correos y Telégrafos. Em 1953 o nome foi alterado para Club Comunicaciones. No mesmo ano, a agremiação recebeu do presidente Perón um enorme terreno de 16 hectares para a utilização como um clube social.

O número de instalações esportivas ali é enorme. O local tem, além do estádio, vários campos de treino, ginásio, restaurante, quadras de tênis, campo de rugby e até uma faculdade. Juro que não imaginava que a infra-estrutura tão imponente assim. O lugar é tão imenso que demorei alguns minutos para encontrar o portão de entrada. Na acanhada bilheteria comprei meu ingresso para a "platea" no calor de 200 pesos - equivalente a pouco menos de 50 reais, salgado para nossos padrões - e logo fui para o meu lugar.

Na internet há a informação que a capacidade do Alfredo Ramos é de 3.500 pessoas, porém aparentemente não é bem assim. O estádio tem arquibancada apenas em uma das laterais e mesmo que apertassem bem, não caberia esse número de pessoas nem em sonho. Tanto é assim que as dependências estavam cheias de "hinchas" dos dois clubes e o público oficial foi de 300 pagantes. Isso não muda o fato que o local é muito aconchegante e ótimo bom para se ver um jogo de futebol.



Fachada e entrada do Estadio Alfredo Ramos, casa do Club Comunicaciones


Parte central da "platea" da casa dos Carteiros


Cabine principal de imprensa


O escudo do Comunicaciones está representado em vários lugares da praça de esportes, aqui na entrada de um dos banheiros

Falando do encontro futebolístico da tarde em si, esse é um confronto bastante comum nas divisões de acesso do Argentino desde os anos 70. Nessa temporada o Deportivo Morón, equipe fundada em 1947, vinha fazendo uma campanha um pouco melhor do que o Comunicaciones. O Gallo até então era o oitavo colocado enquanto os Carteiros estavam em antepenúltimo, tendo vencido apenas na primeira rodada e amargando em jejum de dois meses sem triunfos.

Para a alegria da animada hinchada do Comu, os donos da casa fizeram uma grande apresentação e não deram muitas chances para o Deportivo. Logo aos 14 minutos, o camisa 9 Nicolás Ibañez se aproveitou de um erro do goleiro Alvarez e abriu o marcador.

O jogo continuou melhor para os locais e muito disputado. Entre um lance e outro parava o olhar e assimilava tudo que acontecia ao meu redor. Apesar de estar em outro país e inserido numa cultura diferente, os mesmos personagens que existem aqui, existem lá. A diferença fica por conta das torcidas. Eles não param um minuto sequer, bem diferente do que acontece aqui no Brasil, aonde salvo raras exceções, a presença de público é diminuta.

Outro lance genial é que a linha do trem fica logo atrás do gol dos fundos do Alfredo Ramos e por várias vezes o trem passou por lá durante a partida. No último minuto do tempo inicial o Morón teve um atleta expulso e os atletas foram para os vestiários com o marcador indicando a vantagem mínima do time mandante.


Esse foi um dos maiores lances de perigo a favor do onze local no primeiro tempo. A bola foi cruzada na pequena área mas não apareceu ninguém para completar


Atacante local fazendo o corte após escanteio a favor do Morón pela direita


Visão geral do Alfredo Ramos e sua bucólica paisagem

No segundo tempo o futebol melhorou e o Deportivo voltou disposto a deixar tudo igual. Na primeira chance de perigo a favor dos visitantes quase saiu o empate. Rossi perdeu gol feito em forte cabeçada que teve defesa incrível de Giovini. Minutos depois um dos defensores do Comunicaciones salvou uma bola em cima da linha depois de chute pela direita.

Como quem não quer nada, os Carteiros foram se soltando aos poucos e aos 23 minutos conseguiram ampliar a vantagem com um belo gol de Barrionuevo. Apesar de terem tentado pelo menos diminuir o prejuízo, o Morón não foi capaz de anotar o gol de honra. Melhor para os comandados de Jorge Vivaldo, que fazia apenas sua segunda partida no comando do Comu.


Chute de fora da área para o Comunicaciones


O Deportivo tentou pelo menos anotar o gol de honra, aqui em lance pela lateral, mas não teve sucesso


Disputa de bola no meio-campo


Bola levantada na área dos donos da casa no fim do jogo


Outra investida do insistente ataque do Deportivo Morón no tempo final

O placar final de Comunicaciones 2-0 Deportivo Morón quebrou o jejum do onze preto e amarelo e melhorou um pouco a situação do clube na tábua de classificação. Posso dizer que dei sorte para a equipe, pois desde então o time não perdeu mais. Hoje, faltando duas rodadas para o final da Primera B, a equipe ocupa a sexta colocação e mesmo sem chances de acesso, a campanha merece ser louvada. O Morón ainda tem chances, mesmo remotas, de subir para a Primera B Nacional.

Como sempre faço em viagens, permaneci nas dependências do estádio até o último momento possível fazendo fotos e mais fotos para os meus arquivos. De acordo com meu cronograma, o futebol continuaria na pauta com outro jogo logo, agora pela principal divisão do Argentino. Só que não sabia de um pequeno detalhe: não existem ingressos à venda para essa divisão na data da peleja. Ou seja, fui até o Monumental de Nuñez para colocar o Sarmiento na Lista e perdi a viagem. Até tive a oportunidade de comprar um ingresso com um cambista que parecia o Gardelón, pena que pagar 200 reais por isso me pareceu uma alternativa um tanto quanto absurda.

Voltei para o hotel e armei aquele esquema na base dos embalos de sábado à noite com louvor. Muita andança pelo centro, paradas nas livrarias e sebos e fim do passeio numa pizzaria ótima na Corrientes. A viagem estava apenas começando...

Até a próxima!

domingo, 19 de abril de 2009

JP na Argentina 8 (5/5): Fechando a viagem no Defensores de Belgrano

Olá!

Fechando os posts da minha "Magical Mystery Tour" por Buenos Aires semana passada, hoje posto aqui a minha despedida dos gramados na capital portenha. E dessa vez tive a chance de ver mais um jogo da Primeira B Metropolitana, pois uma rodada completa do campeonato rolou na terça-feira, 14 de abril. E com várias opções, a mais fácil de se chegar foi num local que fica pertinho do Monumental de Nuñez, casa do River Plate.

De novo desci na estação Congreso de Tucumán e de lá segui de táxi para o Estadio Juan Pasquale, casa do genial Defensores de Belgrano, que iria jogar contra o não menos fantástico Deportivo Merlo. O jogo valeu pela 35ªrodada do campeonato. Chegar no estádio é fácil demais, pois a região tem avenidas largas e no horário em que fui nenhum trânsito pesado. E cheguei cedo, e a movimentação já era intensa nas belas alamedas em volta da "cancha" do Defensores.


Escudo do Defensores na entrada do Estadio Juan Pasquale. Foto: Fernando Martinez.


Fachada do estádio, que fica no bairro de Nuñez. Foto: Fernando Martinez.

E então lá fui eu comprar meu ingresso na "platéia" do Defensores. E uma coisa que percebi pelas minhas andanças na Argentina é que os ingressos não são dos mais baratos não. Para ficar na parte nobre do Estadio Juan Pasquale se desembolsam 55 pesos, o equivalente a 40 reais. Um pouco caro para um jogo na terceira divisão, mas é algo que vale muito a pena.


Times perfilados antes do início da partida. Foto: Fernando Martinez.

Já dentro do estádio percebi que o mesmo é um verdadeiro alçapão. O estádio tem as suas paredes fazendo "divisa" com estabelecimentos comerciais, e ele lotado deve ser complicado para a os times visitantes. O Victor já tinha mostrado isso aqui num post em 2006, num jogo entre Defensores e Atlanta, e dessa vez eu não veria tanta muvuca nos visitantes, pois o Deportivo Merlo levou poucos torcedores para o jogo.


Jogadores do Deportivo Merlo tentando furar o bloqueio do Defensores. Foto: Fernando Martinez.

Falando do jogo, o Defensores está no meio da tábua de classificação enquanto o Deportivo Merlo tenta chegar nas posições próximas do topo da tabela, e para isso a vitória fora de casa seria um ótimo negócio. E com os times já dentro do gramado, pudemos ver o jogo finalmente começar depois de mais de quinze minutos do horário programado.


Detalhe dos prédios que ficam perto do estádio do Defensores. Tudo classe A. Foto: Fernando Martinez.

Do alto da platéia do Defensores, e com um frio enorme, vi um jogo truncado demais, sem que as emoções fossem fartas. O time da casa tentou chegar ao gol do Deportivo Merlo, mas a boa defesa do time visitante neutralizava todas as tentativas. Mas no contra-ataque o Merlo não aproveitou o enorme espaço que a defesa do Defensores deixava.


Ataque do Deportivo Merlo que levou relativo perigo ao gol dos anfitriões. Foto: Fernando Martinez.

Acho que esse foi o tempo mais fraco que vi nos meus cinco jogos em Buenos Aires. Quase nenhuma emoção foi vista, e a luta mesmo foi para me proteger do frio que fazia a curva nas cadeiras do estádio. E o legal é que dessas cadeiras a gente consegue ver o topo do Monumental de Nuñez, mostrando que os estádios são pertos mesmo.


Zaga do time visitante tentando achar uma brecha para armar um ataque. Foto: Fernando Martinez.


Troca de bola no meio-de-campo no começo da segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

Bom, e sem quase nenhuma emoção, o jogo foi para seu intervalo sem a abertura do marcador. E então eu fui tentar buscar um pancho ou uma hamburguesa na lanchonete em volta do estádio. Mas a fila era muita, então tive que que me contentar com uma bolacha mesmo e uma deliciosa 7up, que para minha sorte é vendida na Argentina. Pena que o refrigerante não exista mais em terras tupiniquins...

 

Detalhe dos desencanados policiais de Buenos Aires: fumando durante o jogo e trocando idéia normalmente com o pessoal da platéia. Fotos: Fernando Martinez.


Chance preciosa do Defensores no primeiro minuto da segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

Após encher o bucho de forma bem natural, voltei para a "cancha" do Defensores para acompanhar o segundo tempo da partida. E o jogo melhorou bastante, com o Deportivo Merlo tentando marcar o gol que deixaria o time mais próximo aos líderes. Mas os dois verdadeiros lances de perigo foram em ataque dos donos da casa, e que terminaram em claros pênaltis. Mas o árbitro, que estava mais preocupado em aparecer, não marcou nada, deixando a "hinchada" do Defensores injuriada.


Ataque do Deportivo Merlo no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


O atacante Cipriani tentou, mas seu chute não foi forte o suficiente. Foto: Fernando Martinez.

Conforme o tempo ia passando, já dava pra sentir que a partida não teria gols. Mas acho que foi uma das únicas vezes que não liguei para isso, pois matar dois times desse naipe é algo que não conseguimos toda hora.

Final de jogo: Defensores 0-0 Deportivo Merlo. Os donos da casa agora ficam em 10ºlugar da tabela, longe dos líderes e longe dos últimos colocados. Para o Deportivo Merlo, o empate deixou a equipe em 6ºlugar, a 12 pontos do Sportivo Italiano, o líder da Primeira B Metropolitana.

Após o jogo lá fui eu pegar um dos baratos táxis de Buenos Aires para voltar à Estação Congreso de Tucumán. E da tarde da terça até o final da minha viagem, conheci muitos lugares diferentes da capital portenha e voltei para casa com aquele gostinho de quero mais, já programando minha viagem de volta para a Argentina. Bem que os brasileiros poderiam copiar algumas das boas coisas de lá né? Mas a falta de educação que assola esse país não deixa que a gente acredite que isso possa acontecer.

E pensando nos jogos que fui e em tudo que vi por lá, agora tenho mais certeza ainda de algo que sempre disse: o Brasil NÃO é o país do futebol.

Abraços e até a próxima

Fernando

segunda-feira, 13 de abril de 2009

JP na Argentina 4 (1/5): Atlanta x Flandria numa tarde de sábado em Buenos Aires

¡Fala pessoal!

Nesse último final-de-semana, os posts sao um pouquinho mais especiais do que os que costumeiramente faço por aqui. É que tive a grande chance de aportar na cidade de Buenos Aires na última sexta-feira para uma semana de sossego e paz em terras portenhas. Depois de algum tempo e com as dicas preciosas de alguns membros do JP, vim para a Argentina em busca de conhecer algo bem diferente do que vejo no Brasil.

Saí sexta à tarde de Sao Paulo e cheguei em BA no começo da noite. E como estou num hotel no coraçao do centro da capital argentina, já fui dar minhas pernadas por aí. Olha, e vi que realmente a diferença do centro daqui com o centro de Sao Paulo é algo de abismal. Mas falarei sobre isso em breve. Só sei que a viagem também tem como seus pontos altos algumas partidas dos vários campeonatos argentinos que acontecem. E no sábado já parti para uma rodada dupla genial, com quatro times novos na Lista.

A primeira pedida do dia foi seguir pela linha B do Subte de Buenos Aires (o nosso metrô). E descendo da Estaçao Dorrego (é, o nome é sugestivo) andei por alguns metros para meu primeiro jogo em terras portnhas, meu primeiro jogo internacional e de lambuja o jogo mais longe que jà vi na vida. A partida valia pelo Campeonato Argentino da Primeira B, como se fosse a terceira divisao, e reuniu os times do CA Atlanta e do Flandria.


Fachada do Estádio do Atlanta, num bairro parecidíssimo com a Mooca paulistana. Foto: Fernando Martinez.

E muito, mas muito diferente do que estamos acostumados no Brasil, cheguei e logo vi que o público compareceria em peso pelo estádio. Dito e feito, pois o público total da partida foi de cinco mil pessoas, todas cantando sem parar e sem repetir nenhum canto durante os minutos. Uma das coisas que mais me impressionaram por là foi a presença maciça de mulheres e crianças, muitas ainda de colo.

Esse é um tipo de imagem que acredito que nunca verei no Brasil, pois mesmo com o estádio lotado, os "hinchas" do Atlanta em nenhum momento desrespeitam alguma mulher ou alguma criança presente. Outra coisa bem diferente é que nao vi nenhum xingamento direcionado para atletas do time visitante, o Flandria. Nao sei se foi um fato isolado, mas o pessoal nem deu bola para os jogadores adversários, e só se preocupavam mesmo em torcer pelo time azul e amarelo.


Detalhe da torcida do Atlanta, torcendo o tempo todo pelo time. E na outra foto vemos os jogadores reservas do Atlanta se protegendo do forte sol com suas próprias camisas estendidas no banco. Fotos: Fernando Martinez.

Bom, e isso náo parava nem debaixo do sol escaldante que fazia em Buenos Aires na tarde do sábado. E tudo isso num jogo de terceira divisao hein? Nunca veremos isso no Brasil nao...

E após todas as emoçoes iniciais, o jogo finalmente começou. Por estar jogando em casa, e numa posiçao no alto da tabela, o Atlanta era franco favorito contra um Flandria que estava na penúltima colocaçao da Primeira B, e sem ter ganho nenhum jogo fora de casa. E o time dos "Los Bohemios" começou o jogo em cima dos visitantes, sem dar nenhum espaço ao time amarelo e preto.


Jogada do Atlanta pela esquerda do seu ataque. Foto: Fernando Martinez.


Mais uma vez o Atlanta tentando criar boa jogada pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.

E tamanha pressao logo deu resultado, pois aos 22 minutos, o Atlanta abriu o marcador numa cabeçada meio sem jeito do jogador Leandro Guzmán. E o time quase chegou ao segundo gol, mas as duas oportunidades foram desperdiçadas. Mas na primeira chance de gol do Flandria, o time chegou ao empate. Num cruzamento pela direita, o jogador Lucas Mazzulli acertou uma boa cabeçada à direita do goleiro do time da casa. Tudo igual no placar.


Jogadores do Atlanta comemorando o primeiro gol da equipe. Foto: Fernando Martinez.


Mesmo com um fantasma no canto da foto, aqui a zaga do Flandria afasta o perigo. Foto: Fernando Martinez.

Pelo restante da primeira etapa, os dois times criaram chances de mais gols, mas o jogo foi para seu intervalo com a igualdade no marcador. Nesse intervalo fui conferir qual seriam as pedidas gastronômicas das "canchas" argentinas. Olha, e eles vendem um hamburguer de primeiríssima linha. Tudo bem que se eu fosse contar o número de micróbios no sanduíche ficaria espantado. Mas como o que nao mata engorda, encarei dois desses ótimos hamburgueres.


Visao da arquibancada oposta, que atualmente nao está aberta ao público. Foto: Fernando Martinez.


Jogadores esperando a bola chegar dentro da área. Foto: Fernando Martinez.

Já restabelecido, voltei para o alambrado, que mais parece uma grade de prisao, para o segundo tempo. E a segunda etapa foi mais cadenciada, talvez pelo grande calor no estádio. Os times nao criaram tantas chances, e mesmo com o Atlanta nao jogando bem, a torcida continuou seu rosário de cançoes animando todo mundo na arquibancada.


Visao das numeradas do estádio do Atlanta. Foto: Fernando Martinez.

E o jogo ia seguindo empatado até os 40 minutos, e aí o Flandria surpreendeu e virou o marcador. Num cruzamento da direita, a bola sobrou para Jorge Chiquilito que matou com classe e chutou sem chance para o arqueiro do Atlanta. O mais legal è que apareci na TV argentina tirando a foto desse gol. É, aqui passam jogos da terceira divisao ao vivo e existem mesas-redondas sobre esses campeonatos de acesso. Quando teremos isso no Brasil? Acho que nunca...


Cruzamento que originou o gol da virada do Flandria no jogo. Foto: Fernando Martinez.

Depois de tomar a virada, o Atlanta tentou o gol de empate, mas já era tarde. Final de jogo: Atlanta 1-2 Flandria. O time dos "Bohemios" agora fica na sétima colocaçao, enquanto o Flandria pula uma colocaçao e fica na antepenúltima posiçao. O mais legal foi ver a torcida aplaudindo o time, mesmo perdendo de virada para um time muito pior colocado. Outra coisa que dificilmente verei no Brasil um dia.


Saindo do estádio passamos pela Rua Muñecas e atravessamos os trilhos do trem que cortam o bairro. ¡Genial! Fotos: Fernando Martinez.

Após o jogo fui tentar ver se tinha alguma camisa à venda no clube, mas infelizmente nao consegui. E foi entao a vez de voltar calmamente pelas ruas do bairro para retomar o caminho para o "Subte" em busca do segundo jogo do dia, um velho sonho dos meus tempos de criança.

¡Gracias!

Fernando