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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Fútbol Argentino, volume VIII: CA Independiente

Buenas!

Aproveitando o início desse ano novo, quero reiterar os votos de felicidades para todos os amigos e aproveitar para retomar essa série que estava parada aqui nos JOGOS PERDIDOS. Fruto de minhas andanças pela bela Argentina trago mais alguns registros do fantástico futebol desse país.

No último capítulo da série eu falei do Arsenal de Sarandi, pois eu estava voltando para Buenos Aires de uma viagem à Quilmes. Nesse caminho depois de Sarandi, o trem chega a Avellaneda, cidades dos grandes Independiente e Racing. Esses dois clubes são praticamente vizinhos, coisa de dois quarteirões entre um e outro, mas hoje vou falar do C.A. Independiente e a visita que eu fiz ao Estádio Libertadores de América.


Fachada do Estádio Libertadores de América. Foto: Emerson Ortunho.

Como muitos estádios argentinos, o Libertadores de América, inaugurado em 1928, numa partida contra o Peñarol do Uruguai (2x2), era suntuoso e belíssimo e foi o primeiro do país feito completamente em concreto. Nessa época já existiam dois estádios no Brasil que possuiam arquibancadas de concreto, o das Laranjeiras (1919) e o de São Januário (1927).


Fachada da sede do clube que fica ao lado do estádio. Foto: Emerson Ortunho.

Quem é bom observador viu que eu escrevi "era" ao me referir ao estádio. Pois é, esta jóia foi parcialmente demolida, sendo preservado apenas alguns setores de arquibancada. No lugar está sendo construído o "nuevo" Libertadores da América, com características muito mais modernas.


Vista das arquibancadas laterais. Foto: Emerson Ortunho.


Vista parcial do gramado e das arquibancadas ao fundo. Foto: Emerson Ortunho.

O estádio que também era conhecido como "Doble Visera" foi palco de várias conquistas do Independiente e tinha a capacidade para 52.823 pessoas. Essa capacidade não deve aumentar com a remodelação, pois o investimento visa mais conforto ao público, como cobertura em toda área de arquibancada.


Um dos setores do estádio que foi demolido. Foto: Emerson Ortunho.


Fundo da arquibancada que dava para o clube. Foto: Emerson Ortunho.




Vista do gol de entrada através dos vários arames e alambrados. Foto: Emerson Ortunho.

O projeto do novo estádio não foge muito das linhas arquitetônicas do velho, o que mostra uma preocupação em preservar a identidade com a torcida. Mas diante da modernidade que por vezes apaga a história, fica esse meu registro do "vecchio" e histórico Libertadores de América.

No próximo capítulo, vou falar do vizinho e grande rival do Indepiendente, o Racing de Avellaneda.

Abrazos!

Emerson

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Fútbol Argentino, volume VII: Arsenal

Aupa!

Durante minhas andanças pela Argentina, eu sempre aproveitei para conhecer vários clubes de Buenos Aires e da grande Buenos Aires, porém lá acontece uma coisa muito interessante: você sai para visitar alguns clubes e acaba visitando um monte que você encontra pelo caminho sem ter planejado. Portanto a "cancha" de hoje está nesse esquema.

Saí de Buenos Aires para ir até Quilmes para comprar ingressos para assistir Quilmes x Colo-Colo pela Libertadores. Acabei escolhendo ir de trem e quando estava vendo por quais estações eu passaria para chegar na terra da cerveja, pude notar que na minha rota estavam Avellaneda e Sarandi. E o que é pior para qualquer integrante do JP: da linha do trem você avista, em Avellaneda, os estádios do Independiente e do Racing, e em Sarandi o do Arsenal.

Para quem sai de Buenos Aires, Sarandi fica depois de Avellaneda, mas como eu fiz a visita na volta de Quilmes, vou manter a ordem cronológica e então vou mostrar o Estádio Julio Humberto Grandona, do fantástico Arsenal Fútbol Club.


Interessante pichação feita em frente a sede do clube (esses tipos de pichações são muito comuns próximas as sedes dos clubes). Foto: Emerson Ortunho.


Fachada da entrada do estádio do Arsenal, à esquerda fica a sede social. Foto: Emerson Ortunho.

O Estádio "Del Viaducto", como é conhecido por lá, tem esse apelido por causa de um grande viaduto da linha ferrea que passa ao lado do estádio. Inclusive esse viaduto está desenhado no escudo da equipe e apelida também a equipe, que é conhecida como "El Viaducto" e "El Arse".


Viaduto que originou o apelido da equipe e do estádio, e que inclusive ornamenta o escudo do Arsenal. Foto: Emerson Ortunho.


Estádio do Arsenal de Sarandi visto de dentro do trem em movimento. Foto: Emerson Ortunho.

O estádio apesar de acanhado, com capacidade para 16.300 pessoas, é extremamente bem cuidado, e a pessoa que me recebeu no clube foi absurdamente simpática. Vale sem sombra de dúvida uma visita, pois além de tudo o local é razoavelmente tranqüilo, ficando numa zona bem residencial.


Vista do gol ao fundo do estádio. Foto: Emerson Ortunho.


Vista da arquibancada lateral do estádio "Del Viaducto". Foto: Emerson Ortunho.


Vista da arquibancada que fica atrás do gol de entrada. Foto: Emerson Ortunho.

Na volta ainda passei por Avellaneda e visitei os grandes locais, mas isso fica para a próxima matéria da série Fútbol Argentino.

Saludo!

Emerson

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Fútbol Argentino, volume VI: San Lorenzo/Deportivo Laferrere

Aupa!

Vamos com mais um volume dessa série Fútbol Argentino, que anda devagar, mas anda. Hoje o destaque é um time grande, mas que eu considero simpaticíssimo, o San Lorenzo de Almagro. O clube tem sua sede social no bairro de Almagro, mas construiu seu estádio, o Pedro Bidegain, em outro bairro, o Nuevo Gasometro, que acabou se tornando o nome popular do estádio.

Ir do Centro de Buenos Aires até lá não é tão complicado, mas como eu estava em Flores, onde eu fui visitar o Sacachispas e o Deportivo Espanhol, os caminhos tiveram que ser outros. Bom, o bairro Nuevo Gasometro não é o que poderíamos chamar de lugar tranqüilo, aliás, na verdade, está bem longe disso.


Fachada da entrada principal do estádio do San Lorenzo. Foto: Emerson Ortunho.

Chegando na portaria do estádio fui obviamente tentar entrar no para fotografar. O porteiro foi logo dizendo que era muito difícil entrar lá. Obviamente eu perguntei qual era o impedimento e o que eu deveria fazer para entrar. Sem muitos rodeios o cara disse que eu tinha que pagar a factura.

Aos desavisados pode parecer que eu teria que pagar um boleto bancário para entrar no estádio. Porém, na Argentina, factura é um tipo de pão adocicado muito comum nas padarias e nos cafés, ou seja, o porteiro queria uma boa e velha caixinha. Aí eu simplesmente dizia não entender exatamente o que ele queira e que não tinha dinheiro, estava viajando de ônibus, etc. Por fim ele se encheu e resolveu me levar para visitar o estádio.

Logo na estrada tem o estádio das divisões de base. A arquibancada é pequena, deve caber umas 2.000 pessoas, mas muito bem arrumada e aconchegante. Para divisões inferiores é ótimo, e o gramado também é de exelente qualidade. Para se ter uma idéia, esse estádio é muito melhor que o do Deportivo Riestra, que fica ali vizinho.


Estádio das divisões de base do San Lorenzo. Fotos: Emerson Ortunho.

Falando do estádio principal, ele me pareceu um dos melhores da Argentina. No entanto, percebe-se que a arquitetura, apesar de moderna, não colocou a beleza como foco da construção. O estádio é usual. Ele é grande, bem distribuido, mas acho que ninguém se preocupou se iria ficar bonito, ou feio. No fim, acabou ficando até bonito, ou no mínimo diferente, pois ele fica longe das formas cilíndricas, ou semi-cilíndricas dos estádios mais antigos.


Vista da arquibancada coberta do estádio. Foto: Emerson Ortunho.


Vista lateral da arquibancada coberta. Foto: Emerson Ortunho.

Tudo por lá, além de parecer novo, parece também ser muito bem cuidado, estava tudo limpo e arrumado, áté me surpreendeu o cuidado com o estádio. Agora, notem nas fotos os arames farpados usados para impedir que os barra-bravas não subam nos alambrados. Isso é muito comum na Argentina.


Vista da arquibanca que fica atrás de um dos gols. Foto: Emerson Ortunho.


Arquibancada lateral do estádio, oposta as cobertas. Foto: Emerson Ortunho.

Posso garantir que vale a visita, e poder entrar no campo foi sensacional. No fim das contas, o porteiro até que mereceu a caixinha, mas acabamos batendo um longo papo sobre futebol e ficou tudo por isso mesmo.

Pensaram que o dia acabou, que nada, o duro foi sair dali. Bom, o dia já estava caminhando para o seu crepúsculo e o único ponto de ônibus do pedaço era em frente a uma favela. Sem alternativa, lá fui eu. Como eu não sabia exatamente que ônibus tomar, fiquei ali esperando um que me levasse a alguma estação de trem.

Depois de 30 minutos por ali e já percebendo que estava sendo sondado pela turma de um buteco, comecei achar que era hora de sair dali. Sem muita alternativa resolvi entrar no primeiro ônibus que passasse, e assim o fiz. Detalhe que ali os ônibus não paravam no ponto, somente diminuiam a velocidade para você entrar. Um tanto aliviado, lá estava eu, num ônibus qualquer, com o destino: Laferrere.

Fiquei até tranquilo quando vi no meu guia que em Laferrere tinha estação de trem. Mas minha tranquilidade acabou quando eu olhei pela janela e vi passar o clube Deportivo Laferrere. Não tive dúvida, saltei do ônibus e fui conhecer o local.


Fachada do clube Deportivo Laferrere. Foto: Emerson Ortunho.


Treino das categorias de base no campo do clube. Foto: Emerson Ortunho.

O Deportivo Laferrere disputa atualmente a Primera C (quarta divisão) e manda seus jogos no estádio que fica no centro da cidade homônima, o campo do clube é usado somente para treinamentos. Curiosidade matada, o négócio era continuar meu caminho rumo a uma estação de trem. Enfim, voltei para a estrada e peguei o ônibus mais perdido da minha vida. Sabe aqueles com frente de caminhão Mercedez 1113, e se não bastasse, completamente lotado e com o assoalho todo estourado. Consegui apoiar um pé no chão e o outro ficava em cima de um buraco, por onde eu via o asfalto passar embaixo.

Nessa hora aconteceu o papo mais surreal de toda minha vida. Do nada, um cabeludo que já estava dentro do ônibus, bateu na minhas costas, dizendo que eu tinha que levar o filho dele para jogar no Brasil. Bom, como ele sabia que eu era brasileiro se eu não estava falando com ninguém dentro do ônibus? E como ele sabia que eu tinha algum relacionamento com futebol? Só o fato de eu estar perto do Laferrere já bastou para isso? Sei lá... Só sei que ele e me abraçava e dizia que o filho dele era goleiro do Deportivo Paraguaio, e que eu não iria sair de lá sem ver o filho dele treinar.

Foi difícil, mas só consegui me livrar do cara com a feliz ajuda de um boliviano, que disse que eu era seu amigo e que eu não tinha nada a ver com futebol. Contudo, cheguei no centro de Laferrere já escurecendo e ainda consegui comprar umas camisas da equipe antes de correr para a estação de trem para voltar são e salvo para Buenos Aires.

Saludo!

Emerson

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Fútbol Argentino, volume V: Deportivo Riestra

Buenas!

Estava olhando os arquivos do JOGOS PERDIDOS e me assustei quando vi que fazia quase um ano que eu não escrevia um post dessa série. Bom, como ainda tenho muito material colhido nas minhas viagens pela nossa vizinha Argentina, vamos com mais um clube visitado por lá.

No dia dessa visita eu já tinha passado pela Villa Soldati, sede do Sacachispas e Flores, sede do extinto Deportivo Espanhol, em histórias que já foram contadas no Volume IV e no Distintivos, respectivamente. Saindo de Flores, peguei um ônibus e fui para Nueva Pompeya, bairro muito pobre e meio tenebroso, onde ficam os estádios do San Lorenzo e do Deportivo Riestra, equipe que mostrarei hoje. O incrível é que menos de um quarteirão separa os dois estádios. Sendo os estádios mais vizinhos que eu já vi até hoje.


Estádio Guillermo R. Laza do Deportivo Riestra. Foto: Emerson Ortunho.

O Club Social, Cultural y Deportivo Riestra, foi fundado em 22/02/1931 e disputa atualmente a Primeira D, quinta e última divisão argentina. Seu apelido é "Blanquinegro" e sua torcida muito pequena, mas suficiente para lotar o Guillermo Laza que tem capacidade para 3.000 pessoas.


Vista do gramado, dos vestiários e de um dos bancos de reservas do Estádio. Foto: Emerson Ortunho.


Vista da lateral oposta aos vestiários, notem que não tem arquibancada. Foto: Emerson Ortunho.

Mesmo acanhado, este estádio é utilizado também pelo fantástico Yupanqui, equipe que disputa a mesma divisão e que não tem estádio próprio.


Inusitadamente a arquibancada principal fica atrás de um dos gols, porém é onde os argentinos mais gostam de ficar. Foto: Emerson Ortunho.


Portão que dá acesso ao gramado. Foto: Emerson Ortunho.

Depois de conhecer o Guillermo Laza eu fui visitar o Nuevo Gasometro, do San Lorenzo, e ainda o dia me rendeu uma visita não programada ao Deportivo Laferrere, mas isso fica para os próximos volumes da série Fútbol Argentino.

Saludo!

Emerson

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Fútbol Argentino, volume IV: Sacachispas

Buenas!

Pessoal, como prometido, vou prosseguir com mais um relato de minhas aventuras nas terras portenhas. Depois de um dia prazeroso e tranqüilo na Villa Devoto e Caseros, resolvi voltar ao sul de Buenos Aires. Já havia estado no extremo sul, quando no primeiro dia de viagem visitei a Villa Lugano, para conhecer o Yupanqui e CA Lugano.

Dessa vez a meta era visitar três bairros próximos um do outro e conhecer mais quatro clubes. Precisamente a aventura se passou pela Villa Soldati, sede do Sacachispas; Flores, sede do extinto Deportivo Espanhol e Nueva Pompeya sedes do estádio do San Lorenzo e do Deportivo Riestra. E numa situação meio inusitada e não planejada, ainda acabei indo parar na cidade de Laferrere e conhecendo o Deportivo Laferrere. Bom, como esse dia acabou sendo um tanto quanto cheio, vou ter que contar a história em partes.

Saindo do hotel, estranhei bastante o espanto do porteiro, quando eu disse que iria para a Villa Soldati. Como eu acho os argentinos um tanto quanto assustados e eu já havia me surpreendido positivamente com a temida Villa Lugano, segui destemido.

Esse nome Soldati é de difícil pronúncia, seria mais ou menos [solidat]. Lingüística à parte, vamos com a aventura: no centro de Buenos Aires peguei um coletivo que me levaria direto ao bairro em questão. Depois de quase uma hora no ônibus, comecei a perceber uma desertificação assustadora nas ruas e eu não via a hora do motorista anunciar meu desembarque.

Finalmente essa hora chegou e desci numa avenida quase fantasma. O cenário era o seguinte: avenida larga, nenhum carro passando, carros desmanchados por todo o canto, nenhum estabelecimento aberto e ninguém para se perguntar. Sabe aquele clima meio Bronx de filme estadunidense... era exatamente isso.


Pichação, ou "pintadas" como dizem por lá, num muro da Villa Soldati. Foto: Emerson Ortunho.

Saí andando para um lado por intuição e só depois de uns dez minutos encontrei alguém para perguntar. Felizmente eu estava no caminho certo e pertinho do Sacachispas. Bem próximo do estádio entrei numa rua cheia de grupos de mendigos, que estavam deitados pelo chão e em volta de fogueiras, eram pelo menos quatro grupos. Não pareciam hostis, mas pensei em recuar, dar a volta no quarteirão, sei lá... tentar outro caminho. Pensei um pouco e percebi que não havia saída, a volta no quarteirão poderia ser ainda pior. Segui em frente e só fui abordado por um que me pediu um cigarro, disse que não fumava e mesmo assim ele agradeceu... finalmente cheguei ileso ao Estádio Beto Larrosa, do Sacachispas Fútbol Club.


Entrada principal do estádio Beto Larrosa. Foto: Emerson Ortunho.

Dado o relato acima, nem preciso dizer que o Sacachispas é um clube modesto. Fundado em 17/10/1948, os Lilás disputam a Primeira C (quarta divisão), alternando boas e más campanhas nos últimos anos.


Portão dos fundos do estádio, notem a rua de terra batida. Foto: Emerson Ortunho.

Não havia uma alma viva em volta do estádio e estava tudo fechado. Quando eu já estava pensando em ir embora, apreceu uma garota, muito "hermosa" por sinal. Para minha surpresa ela se dirigiu para a porta principal e tirou uma chave para abrir o estádio. Corri para solicitar minha entrada e descobri que ela era a filha do "canchero", assim sendo ela chamou seu pai e eu adentrei a "la cancha".


Arquibancada localizada atrás de um dos gols. Foto: Emerson Ortunho.


Banco de reservas e cabine de imprensa. Foto: Emerson Ortunho.


Arquibancada principal do estádio. Foto: Emerson Ortunho.


Vista do gol dos fundos do estádio. Foto: Emerson Ortunho.

Depois de uma conversa básica sobre futebol brasileiro e argentino com o "canchero", ainda conheci a pequena sede social do clube e obtive informações de como chegar ao meu próximo destino: o Estádio Nueva Espanha, do Deportivo Espanhol, que fica no bairro Flores. Para minha surpresa, da porta do estádio do Sacachispas dá pra se avistar o estádio do Deportivo, porém não era tão perto assim, e foi outra aventura, mas essa história fica para o Volume V, ok?

Abrazos!

Emerson

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Fútbol Argentino, volume III: General Lamadrid & Estudiantes

Buenas!

Pessoal, como teremos umas duas semanas praticamente sem joguinhos, estou resgatando essa série que ficou paralizada durante quase o ano todo, devido ao grande número de jogos que nós cobrimos. Bom, só para relembrar, essa série de posts visa relatar minha última visita a Argentina, entre janeiro e fevereiro de 2005. Como nesse período existiam poucos jogos para assistir, acabei por visitar uma série de clubes na cidade de Buenos Aires e arredores.

Hoje vamos com mais dois, sendo que o primeiro é o fantástico Club Atlético General Lamadrid, fundado em 11/05/1950, que disputa a Primeira C, equivalente a quarta divisão argentina. O clube fica no bairro da Villa Devoto, extremo oeste de Buenos Aires. Apesar de ficar bastante afastado do centro, é possível chegar lá com apenas um ônibus.


Entrada da sede social do C.A. General Lamadrid. Foto: Emerson Ortunho.

O bairro é bem tranqüilo, posso dizer que seria de classe média baixa, com ruas e avenidas arborizadas e bem limpas. O mais curioso é que bem ao lado do Estádio do General Lamadrid fica situada uma das maiores penitenciárias da Capital Federal.


Parte interna do Estádio Enrique Sexto. Foto: Emerson Ortunho.

Um fato curioso sobre a penitenciária é que os presos assistem os jogos da equipe pelas janelas das celas, inclusive chegando a exibir os "trapos" nos dias de jogos (trapos são aquelas faixas que os torcedores argentinos costumam pendurar nos alambrados). Com isso o General Lamadrid ganhou o apelido de "carcelero".


Parte da arquibancada, notem no lado esquerdo o inicio da penitenciária. Foto: Emerson Ortunho.

Esse setor da arquibancada estava em ampliação e eu comprei um adesivo no valor de 2 pesos, para ajudar na construção da arquibancada. Essa contribuição, apesar de modesta, para mim foi fantástica e histórica, pois eu sempre vou saber que ajudei na ampliação daquele estádio.


Cabine de imprensa e banco de reservas. Foto: Emerson Ortunho.

Na secretaria do clube, eu ainda comprei uma belíssima camisa para minha coleção e fui agraciado com uma linda flâmula, sulvenir comum na argentina, mas que atualmente é raro nos clubes do Brasil.


Vista dos fundos do estádio. Foto: Emerson Ortunho.

Saindo do Lamadrid, ainda na Villa Devoto, fui visitar o outro clube profissional do bairro, o Club Atlético Estudiantes de Buenos Aires, fundado em 15/08/1889, que disputa a Primeira B (terceira divisão). Aos desavisados lembro para não confundir com o Estudiantes de La Prata, equipe da primeira divisão.


Fachada do Club Atlético Estudiantes. Foto: Emerson Ortunho.

O Estudiantes seria... digamos, o clube rico do bairro. Tem uma sede muito bem arrumada, com academia, piscinas e tudo que um clube tem direito. Lá, eu fui recebido pelo simpático vice-presidente e pelo técnico da equipe profissional.


Sala da presidência com alguns troféus do clube. Foto: Emerson Ortunho.

O vice-presidente ficou desolado quando eu disse que queria comprar uma camisa e ele não tinha nenhuma disponível. Então, para não deixar passar minha inesperada visita em branco, também me presenteou com uma belíssima flâmula (sem querer fui obrigado a começar nesse dia uma coleção de flâmulas).

Ainda faltava conhecer o estádio da equipe, que curiosamente fica na cidade vizinha, chamada Caseros. A recepcionista me orientou qual ônibus tomar e lá fui eu para matar mais um estádio. Desci do ônibus na porta do estádio e me deparei com uma grande muvuca. Achei até que pudesse estar acontecendo algum jogo, mas na verdade é que as dependências do estádio estavam sendo usadas para um recadastramento de aposentados e pensionistas.


Fachada do estádio Ciudad de Caseros. Foto: Emerson Ortunho.

Para entrar no estádio foi uma complicação, pois o horário de chegada dos recadastrandos já havia terminado e a fila fora transbordada para dentro do estádio e os portões fechados para ninguém mais entrar. Quando eu fui pedir para entrar, os policiais começaram a achar que eu havia chegado atrasado e estava inventando uma história para entrar na fila. Foi difícil para eu conseguir chamar a pessoa que o vice-presidente havia me orientado a procurar, mas no fim consegui.


Vista da arquibancada principal do estádio. Foto: Emerson Ortunho.


Vista das sociais, cabines de imprensa e bancos de reservas. Foto: Emerson Ortunho.


Vista de uma das entradas do estádio. Foto: Emerson Ortunho.

Claramente da para perceber que se trata de um ótimo estádio, que pode tranqüilamente abrigar jogos da primeira divisão. Já a "ciudad" de Caseros que pertence ao partido de 3 de Febrero, é um pouco mais pobre que a Villa Devoto, mas ainda assim tranqüila. Vale ressaltar que é em 3 de Febrero que fica o famigerado Fuerte Apache, antiga vila militar ocupada por sem-tetos, onde nasceu o craque Carlitos Tevez.

A volta foi feita de ônibus e trem, para chegar mais rápido ao centro. Afinal, minha saga continuaria no dia seguinte... aguardem o Volume IV.

Saludos y re-gracias a todos por la buena onda!

Emerson

terça-feira, 15 de março de 2005

Fútbol Argentino, volume II: Lugano/Yupanqui/Huracán

Buenas!

Já fazia tempo que eu tava devendo a continuação da série sobre minha viagem à Argentina. Vou seguir aquela linha meio guia informativo, que a turma gostou bastante. No primeiro dia de peregrinação, o bairro escolhido foi a Villa Lugano, por ser um dos locais mais distantes do centro, aonde eu estava hospedado. Lá, eu fui rever o Lugano e conhecer o Yupanqui.

Peguei meus guias e saí à luta. Quando eu fui para esse bairro, há uns dez anos atrás, eu fui de trem, então decidi fazer o mesmo caminho, porém eu não lembrava mais qual trem tomar. Fui então perguntar a um policial. Bom, o cara simplesmente se desesperou quando eu disse que queria ir para a Villa Lugano. Uma mulher que estava perto, na hora entrou na conversa e também disse para eu desistir de ir para Lugano. Eles diziam que era muito perigoso e eu não deveria ir, não querendo sequer ensinar o caminho.

Com muita insistência, a guarda disse que me indicaria o caminho, contanto que eu desistisse de ir de trem e fosse de ônibus. Concordei com ele e peguei o número do busão.

Após aproximadamente uma hora de viagem, cheguei na Villa Lugano. Lugar tranqüilo, gente humilde, casas simples. Confesso que não vi nada que justificasse o desespero do guarda e da mulher. Logo comecei a sacar que o pessoal lá está meio assustado com a crescente criminalidade. O Orlando me contou que em uma de suas viagens à Argentina, um taxista fez ele desistir de ir a um jogo do Nueva Chicago, tamanho o terrorismo que o cara fez. Essa gente não conhece o Rio de Janeiro...

Vamos ao que interessa: primeiramente fui à sede do Lugano que fica exatamente ao lado da Estação de trem Villa Lugano. Não tirei foto da fachada porque não tinha nenhuma identificação do clube. Fui muito bem recebido e visitei toda a sede social, junto com um diretor e o técnico da equipe.


CA Lugano - Villa Lugano - Buenos Aires - Argentina. Fonte: www.limites.zip.net

O Club Atlético Lugano foi fundado em 18/11/1915 e disputa hoje a Primeira D do torneio metropolitano, correspondente a quinta divisão argentina. O departamento de futebol é mantido pelo Boca Juniors e todos os jogadores e comissão técnica pertecem as categorias de base do Boca. São utilizados principalmente os jogadores que já estouraram a idade de juniores.

Após conhecer a sede, fui visitar o estádio do Lugano, que fica um pouquinho mais distante, mas bem fácil chegar. É só pegar o trem e andar acho que três estações, até a Estação Tapiales. Da estação você já vê o estádio. Para chegar até a porta do estádio o caminho é fantástico, você tem que cruzar as linhas de trem passando entre alguns vagões abandonados. As ruas que cercam o estádio são todas de terra, num cenário altamente bucólico.


Fachada do Estádio Lugano. Foto: Emerson Ortunho.

Olha que genial os cavalos pastando e a arquibancada:


Arquibancada oposta do Estádio Lugano. Foto: Emerson Ortunho.

Agora veja a arquibancada principal do Estádio, nunca vi no Brasil um estádio tão tosqueira, mas como a gente gosta é disso mesmo, eu estava me deleitando.


Arquibancada principal do Estádio Lugano. Foto: Emerson Ortunho.

Fiz questão de fotograr essas cadeiras de madeira, que acho que são usadas pelos convidados especiais durante a partida (he he!).


"Cadeiras" do Estádio Lugano. Foto: Emerson Ortunho.

Dando seqüência a aventura, voltei de trem à Villa Lugano para visitar a sede do Club Social y Deportivo Yupanqui. Fundado em 12/10/1935, o clube não possui estádio próprio e manda seus jogos no estádio do Deportivo Riestra (vocês verão fotos desse estádio quando eu falar dessa equipe). No sítio da AFA aparece um endereço de estádio, mas é hoje um estacionamento. O Yupanqui luta na justiça para recuperar o terreno.


CS y D Yupanqui - Villa Lugano - Buenos Aires - Argentina. Fonte: www.limites.zip.net

O nome da equipe é de origem inca e a pronúncia correta é [Djupanqui]. O Yupanqui disputa a mesma divisão do Lugano, porém é um dos clubes mais conhecidos da Argentina. Tudo por causa de sua torcida organizada, que é formada por nada menos que cinco pessoas. Esses torcedores vão a todos os jogos do clube dentro de um Fitito, que é o apelido do FIAT 600, um carro que é antecessor do FIAT 147, porém menor e menos potente.

Esses torcedores e a equipe ficaram conhecidos nacionalmente porque eles protagonizaram uma bem humorada propaganda da Coca-Cola, que caiu no gosto do povo. Já faz um tempo que a propaganda saiu do ar, mas ninguém na Argentina esquece.

Segue uma foto da fachada da sede social, onde também fui muito bem recebido, conseguindo inclusive uma linda camisa:


Fachada do CS y D Yupanqui - Villa Lugano - Buenos Aires - Argentina. Foto: Emerson Ortunho.

Resolvi então voltar de trem para espantar de vez a uruca colocada pelo guarda e pela mulher. Não é nenhum metrô, e é até meio podrera, mas foi tudo tranqüilo. E ainda tive o prazer de relembrar da fantástica estação Buenos Aires e rever, na minha opinião, o mais bonito estádio da Argentina, o do Club Atlético Huracán. Olhem que genial essa estação, é feita em madeira:


Fachada da estação de trem Buenos Aires. Foto: Emerson Ortunho.

O Club Atlético Huracán, de Buenos Aires, foi fundado em 01/11/1908 e disputa hoje a Divisão B Nacional, correspondente a segunda divisão. Não confundir com o Huracán do partido de Tres Arroyos, que está hoje na primeira divisão. O Huracán é um time muito tradicional e segundo apurei por lá, sua torcida é maior que a do Velez, por exemplo. Não tive como checar essa informação, mas das seis pessoas que trabalhavam na recepção do hotel em que eu estava hospedado, duas torciam para o Huracán, duas para o Boca, uma para o River e uma para o San Lorenzo. E levando em conta também o tamanho do estádio, dá pra acreditar na informação.


CA Huracán - Parque Patricios - Buenos Aires - Argentina. Fonte: Site Oficial do Clube - www.clubahuracan.com.ar

O estádio do Huracán fica pertinho da estação e é simplismente magnífico:


Estádio Tomás Adolfo Ducó (Palácio), do Club Atlético Huracán. Foto: Emerson Ortunho.

Segue outra foto do estádio:


Fachada do Estádio Tomás Adolfo Ducó. Foto: Emerson Ortunho.

Bom gente, esse foi meu primeiro dia de passeio. Para alguns uma loucura sem fundamento, para outros um dia inesquecível. Eu confesso que retornei ao hotel muito feliz. Ver paisagens diferentes; gente diferente; cultura diferente; futebol diferente, foi genial.

Abraços e aguardem o volume III da série, com o segundo dia de visitas.

Emerson