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sábado, 13 de janeiro de 2018

Portuguesa afasta a zebra e elimina o São Paulo/AP nos penais

Texto e fotos: Fernando Martinez


Terminada a primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, sobraram 64 equipes em busca do caneco. Tinha a ideia de assistir o máximo de jogos possível do mata-mata, só que infelizmente a tabela feita pela FPF foi terrível para quem curte uma rodada dupla ou tripla. Em meio a várias opções legais, resolvi ir ao Estádio Osvaldo Teixeira Duarte pro insólito, inédito e histórico duelo entre Portuguesa e São Paulo do Amapá.

O time paulistano manteve os 100% de aproveitamento no Grupo 32 após vencer América Mineiro, Teixeira de Freitas e Remo, algo que não acontecia desde a vencedora campanha de 2002. Além disso, quebrou o jejum de três anos sem triunfos na Copinha. Pode parecer pouco, mas pelos lados do Canindé isso significa muita coisa.

Do outro lado estava o conto de fadas dessa edição do torneio. O tricolor amapaense terminou na vice-liderança do Grupo 31 e deu ao estado uma situação inédita na história da competição. Nunca os sete clubes que representaram o estado conquistaram uma classificação, isso somando catorze participações. Escrevi aqui na matéria do triunfo contra o Nacional que não seria absurdo pensar em vaga e no fim isso se confirmou.


Associação Portuguesa de Desportos (sub-20) - São Paulo/SP


São Paulo Futebol Clube (sub-20) - Macapá/AP


Capitães dos times e quarteto de arbitragem

Até que o público foi razoável por conta do dia e horário (quatro da tarde de uma sexta-feira) e quem foi viu muita movimentação por parte do onze local. Grande parte dos presentes achava que a missão lusitana seria fácil, só que na hora em que a pelota rolou não foi bem assim.

Não que a Portuguesa não tenha criado chances, até porque ela criou bastante, o problema real foi o último toque. Aos 14 minutos Davi teve ótima oportunidade pra abrir o marcador num lance onde a bola bateu na trave. Os visitantes se seguravam bem na defesa e aos 30 quase marcaram em rápido contra-ataque.

Aos 33, outra finalização no travessão do São Paulo. No minuto seguinte, grande defesa de Rai e, no rebote, Matheus França chutou e fez o primeiro gol. Sem maiores emoções nos minutos restantes do tempo inicial, ele foi encerrado com o 1x0 paulista. Por causa do sol me mandei do gramado e fui até as cabines de imprensa ver do alto os últimos 45 minutos.


Rai praticando boa defesa num dos primeiros ataques da Portuguesa na partida


Lance no campo de ataque lusitano


Apesar de ter criado várias chances no tempo inicial, a Portuguesa só fez um gol


O camisa 2 do São Paulo sofrendo com a marcação rubro-verde

Ao lado do amigo Ricardo Espina vi o onze rubro-verde retornar a campo perdendo um caminhão de gols. Nos primeiros quinze minutos, o arqueiro amapaense já tinha feito duas defesas sensacionais. A partida seguiu com amplo domínio local, porém o 1x0 ainda era o placar. Isso não deixava a Lusa ficar totalmente tranquila.

O São Paulo jogava por uma oportunidade. Ela apareceu aos 37 minutos, quando o árbitro marcou pênalti. Ronald bateu, Matheus quase defendeu e a pelota foi pro fundo da rede paulistana. O gol de empate foi um banho de água fria dentro e fora do gramado. Meio atordoada com o golpe, a Portuguesa fez uma pressão na base do bumba-meu-boi nos minutos derradeiros, sem resultado prático.


Visão geral do Canindé antes do início do segundo tempo


Gol de empate do tricolor amapaense em pênalti cobrado por Ronald


Na base do bumba-meu-boi a Lusa ainda tentou fazer o segundo gol, só que a peleja foi pros pênaltis

Quando a peleja chegou ao final, o 1x1 estampado no marcador deixou a torcida incrédula e com medo do que estava prestes a acompanhar na "loteria dos pênaltis". Brunetti iniciou a disputa fazendo o primeiro da Lusa. Luís Fernando cobrou e Matheus defendeu. João Lucas e Arthur fizeram. O rubro-verde Maurício mandou na trave e Richard fez. Com três pênaltis batidos pra cada um, 2x2 no marcador.

Mateus Tavares fez o terceiro da Lusa e Dennys chutou na trave. Ficou nos pés de Matheus França a oportunidade de colocar a Portuguesa na terceira fase da Copinha depois de oito anos. Ele cobrou seu pênalti com muito sangue frio e classificou os donos da casa.


Dennys chutou na trave a quarta cobrança do São Paulo


Mateus Tavares cobrou seu pênalti com perfeição e colocou a Portuguesa entre as 32 melhores equipes da Copinha

O placar final de Portuguesa 1 (4) - 1 (2) São Paulo/AP se não foi de encher os olhos do torcedor lusitano, pelo menos garantiu a presença na terceira fase, aonde irão fazer um repeteco da fase inicial versus o América Mineiro. Do outro lado a tristeza da derrota mas a certeza que viveram um momento único na capital paulista.


Atletas do São Paulo do Amapá agradecendo a belíssima campanha do time na Copa São Paulo. Parabéns, molecada!

Num país aonde apenas poucos clubes tem cobertura decente da "mídia especializada" e temos centenas e mais centenas de agremiações passando perrengue e sendo motivo de chacota, o que o São Paulo do Amapá fez merece ser louvado durante muito tempo. Deixo os parabéns a todos os envolvidos na campanha tricolor e que isso sirva como inspiração pro futebol local. Fora que além de tudo isso, é legal demais ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

Até a próxima!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

São Paulo do Amapá faz história contra o Nacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


A rodada de quarta-feira da Copa São Paulo de Futebol Júnior marcou o primeiro time novo na atual temporada. Pelo Grupo 31 do certame, fui ao Estádio Nicolau Alayon para conferir de perto o inédito e genial confronto entre o Nacional e o São Paulo do Amapá, time 667 da Lista e que disputa sua primeira Copinha.

Duas vezes campeão da competição (1972 e 1988), o onze ferroviário sempre entra na disputa com a esperança de voltar aos melhores dias e relembrar as grandes campanhas. Pena que em 2018 isso não deverá acontecer mais uma vez. O futebol apresentado foi de baixa qualidade e presenciamos a primeira grande zebra da Copinha.

Antes, vale dizer que o tricolor amapaense foi fundado em 1988 e nunca chegou a ser campeão estadual. Na verdade o time teve vários problemas ao longo da história e só se firmou mesmo nos últimos anos. O clube vem credenciado com o vice-campeonato da Copa Amapá de Futebol sub-20 (o campeão foi o Santos).


Nacional Atlético Clube (sub-20) - São Paulo/SP


São Paulo Futebol Clube (sub-20) - Macapá/AP


Quarteto de arbitragem e capitães dos times

Falando no Amapá, o São Paulo é a oitava agremiação do estado a participar da Copa em todos os tempos. Os outros sete clubes disputaram um total de 43 jogos e somente em quatro vezes saíram de campo vitoriosos. Antes da rodada inicial, era o estado que menos vitórias tinha no torneio. É... era.

Mesmo com a Comendador Souza recebendo um bom público, os donos da casa não conseguiram mostrar serviço e irritaram boa parte dos presentes com passes errados, muita morosidade e chutes a gol completamente sem sentido. Inferiores tecnicamente, os garotos amapaenses compensaram essa deficiência com muita dedicação tática.

Não consigo me lembrar de nenhuma jogada realmente decente do Nacional nos 90 minutos a não ser uma cabeçada no meio do primeiro tempo e um chute mais efetivo no começo do segundo. Se dependesse dos atletas nacionalinos, estaria até agora no Alayon sem ver um gol.

Jogando na boa e ciente do seu papel, o São Paulo foi levando a peleja em banho-maria, se defendendo de forma tranquila e apostando a sorte em alguns contra-ataques. Num deles, aos 24 minutos, o camisa 16 Dennys arriscou um chute da entrada da área. A bola desviou na zaga e foi morrer no fundo das redes. Detalhe, o atleta havia acabado de entrar.


Goleiro amapaense fazendo defesa segura em ataque local


Chegada do Nacional pela esquerda e o zagueiro alado do São Paulo


O time paulista correu atrás do empate, mas não conseguiu ser objetivo em nenhum momento


Disputa de bola no meio de campo


Placar final com a antológica estreia do São Paulo do Amapá na Copa São Paulo


Atletas e comissão técnica do tricolor agradecendo pela histórica vitória

A comemoração do gol foi digna de final de Copa do Mundo, e sem sofrer sustos até o apito final, o tricolor conquistou um resultado histórico. O placar de Nacional 0-1 São Paulo/AP marcou a quinta vitória amapaense na história da Copinha - a primeira numa estreia - e colocou o sonho da vaga na segunda fase na cabeça da molecada. Quem pode dizer que isso é impossível?

Nessas horas confirmo que os "especialistas" que vivem falando sobre o inchaço da Copinha estão muito errados. 128 times é muito? Sim, com certeza, mas num país tão grande como o nosso, isso ainda é pouco. Nada mais justo e democrático do que dar a chance da vida para centenas e centenas de jogadores.

Só que a rodada ainda não tinha terminado, e o jogo de fundo reuniu outro antigo campeão do certame com um daqueles vários clubes com o sonho de surpreender.

Até lá!