Texto e fotos: Fernando Martinez
Já vi muito time diferente na vida, mas alguns teimam em ser pedras no sapato. Outros aparecem tão raramente que as chances de vê-los se mostram únicas ou só surgem novamente décadas depois. No sábado tirei uma pedrinha que me incomodava havia precisamente 26 anos: o glorioso Uberlândia Esporte Clube. Pelas oitavas de final do Campeonato Brasileiro da Série D, o alviverde visitou a Portuguesa no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte para definir qual dos dois ficaria com a vaga nas quartas.
O clube mineiro veio duas vezes à cidade de São Paulo no ano 2000, durante a disputa da Copa João Havelange. Naquele ano, jogou contra Nacional e Juventus, mas ambos os confrontos foram realizados aos sábados. Na época eu trabalhava nesse dia sem nenhuma chance de tirar folga. Perdi essas oportunidades e nunca mais tive outra chance de ver o UEC em ação. Eles chegaram a jogar contra o Extrema em 2007, só que também não tive brecha no trabalho. Foi uma longa espera que chegou ao fim no último sábado. O Verdão mineiro passa a ocupar o número 887 da minha Lista.
As equipes da Portuguesa e do Uberlândia antes da decisão no Canindé
O árbitro Wágner do Nascimento Magalhães (RJ), os assistentes Carlos Henrique de Souza (RJ) e Carlos Henrique de Souza (RJ), o quarto árbitro Carlos Henrique Cardoso de Souza (SP) e os capitães dos times
A presença maciça das duas torcidas
No duelo de ida, realizado na semana anterior no Triângulo Mineiro, o Uberlândia fez 2 a 0 e deu um grande passo rumo à classificação. A Portuguesa precisaria devolver o placar e levar a decisão aos pênaltis ou então vencer por três gols de diferença. A torcida estava confiante, porém sabia que a missão não seria nada fácil, já que o elenco lusitano está longe do ideal. Cortesia da SAF e do seu trabalho abaixo do esperado, algo sabido por todos que acompanham o que acontece nas alamedas do Canindé.
Quase cinco mil pessoas foram ao estádio rubro-verde, com destaque para a grande presença de torcedores mineiros, e viram uma peleja tensa desde seus primeiros movimentos. A Portuguesa deixou bastante a desejar e demonstrou muito nervosismo. O Uberlândia jogou com tranquilidade e criou boas oportunidades se aproveitando dos buracos no sistema defensivo local. A melhor chance de gol aconteceu na reta final do primeiro tempo, em bola na trave de Guilherme Nogueira. O 0 a 0 persistiu até o intervalo.
Detalhes do primeiro tempo de Portuguesa x Uberlândia
Aqui a melhor chance de gol local na etapa inicial
Na segunda etapa vi a peleja do alto e, de lá, acompanhei a Portuguesa tentar fazer uma blitz em busca dos gols que precisava. Só que teve apenas uma chance real, em chute de fora da área que passou perto da trave direita. Já o Verdão foi bem nos contra-ataques e levou muito perigo para a meta de Bertinato. Foram pelo menos três grandes oportunidades, mas a meta local não foi vazada. A Lusa acabou saindo na frente em pênalti incontestável e cobrança precisa de Toró. Nos mais de 20 minutos restantes, a pressão foi enorme. O problema foi que o último toque era ruim. Parece que poderiam ficar jogando até agora que o segundo gol não sairia.
A Portuguesa emplacou uma pressão que não foi assim tão forte no segundo tempo
Toró, de pênalti, reacendeu as esperanças lusitanas na Série D... mas não deu
No final, eliminação lusitana mesmo com o triunfo pela contagem mínima. A verdade é que a SAF, de novo, montou um time apenas razoável e o sonho do acesso ficou somente na imaginação. Pior é pensar que, se tivesse se classificado, a Portuguesa teria duas chances de subir para a Série C já que serão seis os promovidos. Paciência. Em 2027 terá nova oportunidade. O problema é a soberba da SAF e a série de decisões equivocadas em vários assuntos. Será que desta vez vão aprender? A ver.
Nem bem o árbitro tinha encerrado a partida e eu já estava na Marginal Tietê esperando o ônibus para me levar ao segundo destino do sábado. Teve sessão noturna pelo sub-20.
Até lá!
Ficha Técnica: Portuguesa 1-0 Uberlândia
Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Wágner do Nascimento Magalhães/RJ; Público: 4.878 pagantes; Renda: R$ 92.810,00; Cartões amarelos: Lucas Hipólito, João Diogo e Marcos Calazans; Cartão vermelho: Alcindo Neto (PF-Ube) 49 do 2º; Gol: Toró (pênalti) 31 do 2º.
Portuguesa: Bertinato; João Vitor, Botteghin e Eduardo Biazus; Lucas Hipólito, Guilherme Portuga, Thiaguinho (Dênis) e Toró; João Diogo (Gustavo Henrique), Igor Torres (Cauari) e Guilherme Santos (Tontini). Técnico: Ademir Fesan.
Uberlândia: Guilherme Nogueira; Samuel Alves, Rayan, Max Miller e Nathan; Diego Fumaça, Matheus Calazans e Tomás Bastos (Rafinha); Evanderson, Kayke (Da Silva) e Jhonatan Lima (Léo Reis). Técnico: Danilo.




















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