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domingo, 4 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 11): Iraque e África do Sul morrem abraçados na Arena Corinthians

Texto e fotos: Fernando Martinez


O jogo de fundo da terceira rodada da primeira fase do futebol olímpico na Arena Corinthians, o sexto realizado na casa alvinegra na Rio-2016, acabou sendo de longe o mais legal e mais emocionante de todos realizados ali, com certeza uma dos cinco melhores partidas que eu vi in loco nesse árido ano de 2016.

Confesso que até entendo grande parte das pessoas que pensavam que um encontro entre as seleções do Iraque e da África do Sul pouco teria de interessante. Esse sentimento aumentou nas duas rodadas iniciais, já que ambas não marcaram nenhum gol e, obviamente, não venceram nenhuma peleja. Felizmente todos se enganaram.

O time do Oriente Médio era um dos que mais esperava colocar na Lista muito por causa da minha memória afetiva da Copa do Mundo de 1986, a única que os conterrâneos de Saddam Hussain disputaram na história. O selecionado foi derrotado por México, Paraguai e Bélgica e terminou na última colocação do Grupo B. Já em Olimpíadas a história é bem diferente, e essa foi a quinta participação até hoje em todos os tempos. A melhor colocação foi um honroso quarto lugar em 2004.


Iraque e África do Sul definindo sua sorte no gramado da Arena Corinthians

Agora, confesso a minha decepção particular por ver mais uma vez a África do Sul com tanto time legal do continente africano que poderia ter vindo pra cá. O pior foi que o onze da terra de Nelson Mandela venceram a disputa direta da vaga vencendo Senegal (!) nos pênaltis. Uma pena... Bom, em tempo, essa foi a terceira vez que vi os sul-africanos in loco.

O público oficial foi de 37.742 pagantes, mas sem sombra de dúvida pelo menos metade do estádio estava vazio. A maior parte dos presentes se mandou para ver o jogo do Brasil contra a Dinamarca pela televisão. Perderam a peleja mais animada do torneio de futebol masculino da Olimpíada 2016.

A partida começou com Iraque e Brasil empatados com dois pontos na segunda colocação da chave. A lanterninha África do Sul surpreendeu a todos e pouco depois dos cinco minutos já abriu o placar com Motupoa aproveitando bola que sobrou dentro da área. O gol classificava momentaneamente os Bafana Bafana.

Os iraquianos não se abateram e deixaram tudo igual aos 14, com um belo gol de cabeça de Luaibi Saad. Esse gol agora colocava a seleção asiática entre as oito melhores da competição, já que em Salvador o duelo entre Brasil e Dinamarca estava empatado.

É, só que a esperança iraquiana durou cerca de dez minutos, pois com o gol de Gabigol, agora era o Brasil que se garantia na segunda fase. As duas seleções que se enfrentavam na casa corintiana precisavam vencer para se garantirem nas quartas eliminando a Dinamarca.

O gol tupiniquim transformou a peleja na Arena em algo dramático, aquele tipo de jogo que gostamos muito de ver, ainda mais quando não torcemos para nenhuma das duas equipes. O panorama ficou bem definido com o Iraque, melhor time, apostando tudo com seu rápido setor ofensivo, e a África do Sul tentando melhor sorte nos contra-ataques.

Claro, o nível técnico das duas seleções não era nenhuma Brastemp, mas que foi genial assistir, ah, isso foi. Os sul-africanos tiveram ótima chance de passarem de novo à frente aos 18 minutos em bola que tirou tinta da trave direita de Mohameed. Depois, só deu Iraque com várias finalizações, duas bolas na trave aos 36 e 39 minutos e um milagre particular de Khune aos 41 que impediu a virada.


Luaibi Saad marcando de cabeça o gol de empate para o Iraque


Tímido ataque da África do Sul pela esquerda


Já no tempo final, mais uma chance iraquiana pelo alto

Com a vitória parcial do Brasil por 2x0 no intervalo, o segundo tempo virou terra de ninguém. O técnico Abdulghani Alghazali colocou o Iraque todo pra frente, sem nenhuma preocupação com a defesa. Vimos quase 50 minutos de um toma lá, dá cá absolutamente eletrizante. Um prêmio para todos que permaneceram na Arena mesmo com menos de dez graus de temperatura.

Aos nove, a terceira bola na trave da África do Sul em cabeçada iraquiana. Aos 13, cabeçada de Abdulraheem que saiu pela esquerda. No minuto seguinte, milagre do goleiro Kuhne em tiro à queima-roupa. Aos 19, contra-ataque da África do Sul que levou muito perigo à meta de Mohammed.

Nos minutos seguintes, vendo a vaga ir pro saco, pintou aquele desespero maroto e o Iraque criou um sem número de oportunidades, uma a uma desperdiçadas pelos atacantes, mostrando que o último toque era o maior problema dos asiáticos. Ao final dos 90 minutos, a seleção chutou 29 vezes ao gol e apenas nove deles tiveram a direção da meta.


Ali Adnan, camisa 6 asiático, se mandando para o ataque


Investida iraquiana e firme marcação de Mvala


Humam Tareq perdendo grande oportunidade pela esquerda. O cabeludo foi responsável por cerca de quatro ou cinco grandes chances jogadas no lixo


No tudo ou nada, quase a África do Sul fez o segundo no final

Antes do apito final por muito pouco os Bafana Bafana não marcaram o segundo com Abbubaker Mobara, gol que valeria a vaga. No fim, o África do Sul 1-1 Iraque fez com que as duas seleções morressem abraçadas e eliminadas do torneio de futebol olímpico ainda na primeira fase. Após o apito final, atletas dos dois times foram ao desespero no gramado corintiano. Nas arquibancadas, palmas para os jogadores por conta da belíssima exibição.



Jogadores das duas seleções lamentando a desclassificação no gramado da casa corintiana


O placar final da belíssima peleja que eliminou sul-africanos e iraquianos do torneio de futebol da Rio-2016

No final das contas a rodada dupla foi bastante proveitosa com quatro gols e o time de número 639 entrando na minha Lista. Voltei ao estádio alvinegro dois dias depois para outra partida, agora do torneio feminino e com direito a repeteco da disputa de bronze de Londres-2012.

Até lá!

sábado, 12 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 6 de 13): Na bela Concepción, Ticos derrotam os Bafana Bafana


Minha estadia na República do Chile foi dividida em três partes. Após três dias e cinco jogos em Santiago, na chuvosa manhã da segunda-feira, 19 de outubro, peguei minhas malas e me mandei para o sul do belíssimo país, encerrando a Parte 1 da turnê. Meu destino era a cidade de Concepción, a segunda região metropolitana mais populosa e o maior centro industrial da terra presidida por Michelle Bachelet.

Acordei bem cedo e após um ótimo café da manhã, apreciei a linda vista dos Andes pela última vez, deixei o hotel - uma agradabilíssima surpresa no coração da capital - e fui rapidinho de metrô até a rodoviária. Como meu ônibus sairia às oito horas, me programei para chegar ali faltando vinte minutos para o horário marcado. Na teoria, tudo certo. Na prática...

Quem já pegou ônibus em alguma rodoviária da capital paulista sabe que não temos como comprar uma passagem do Tietê no Jabaquara, ou comprar um bilhete da Barra Funda e embarcar no Tietê, certo? Certo, só que na capital chilena não é bem assim. Comprei a passagem para Concepción num terminal enquanto o busão saía de outro, localizado a três (grandes) quarteirões de distância. Infelizmente confiei na informação incorreta passada pela moça do guichê e não me atentei aos detalhes.

O resultado desse vacilo foi que, faltando cerca de dez minutos para as oito horas, fui obrigado a percorrer - com ênfase no "correr" - quase um quilômetro debaixo de chuva carregando minha mala e uma pesadíssima mochila. Contrariando as expectativas, tive uma grande performance e, honrando as grandes apresentações de Jesse Owens e Carl Lewis, exatamente às 7:59 estava postado na frente do coletivo.

Sem conseguir falar direito e com o fôlego em falta fui buscar meu lugar e somente depois de um bom tempo a respiração voltou ao normal. Somente aí pude me aconchegar com propriedade para passar as próximas seis horas e meia seguintes ali dentro. Dentro MESMO, pois durante toda a viagem não houve nenhuma parada. Isso mesmo, o ônibus seguiu sem escalas, algo que eu nunca vi por essas bandas. Após dormir, ouvir música, mudar de poltrona umas três vezes, comer muita bobagem e apreciar as belas paisagens da primavera do Chile, cheguei na comuna fundada por Pedro de Valdivia.


Durante seis horas e meia, essa foi minha visão do ônibus que me levou até o sul do Chile. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do Terminal Rodoviario Callao, em Concepción. Foto: Fernando Martinez.


Dizer que o estádio fica em frente à rodoviária pode ser um exagero em muitos casos, não nesse aqui. Dez metros separam as duas construções. Foto: Fernando Martinez.


Fachada do belo Estadio Municipal de Collao. Foto: Fernando Martinez.

A rodoviária Penquista fica afastada do centro da cidade, mas é absurdamente perto do Estadio Municipal de Concepción Alcaldesa Ester Roa Rebolledo, também conhecido como Estadio Municipal de Collao, pois apenas uma rua separa os dois locais (para quem conhece, é mais perto do que a distância entre a rodoviária de Poços de Caldas e o Ronaldo Junqueira, por exemplo). Como estava de mala e cuia, não tive como ficar ali direto, então fui obrigado a fazer um bate-volta até o hotel para deixar meus pertences, só depois disso retornando em definitivo ao ponto de partida.

A correria foi plenamente justificada, já que estava lá para ver a rodada inicial do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Abrindo os trabalhos da chave, duas seleções que já faziam parte da minha Lista há algum tempo: África do Sul x Costa Rica. Vi o onze africano em 2012 num amistoso contra o Brasil no Morumbi e os Ticos duas vezes, uma no Pan de 2007 jogando contra Honduras e outra no 0x0 contra a Inglaterra pela Copa do Mundo do ano passado. Ou seja, nada de novo no front.

O ruim foi pensar que eu poderia ter visto um Costa do Marfim x Canadá no lugar desse jogo, mas infelizmente essas duas seleções foram eliminadas do Mundial pelos dois adversários da partida inaugural. Aliás, vale dizer que a presença sul-africana na competição é histórica, pois é a primeira vez que a equipe se classificou para a Copa do Mundo sub-17, enquanto os costarriquenhos chegaram à sua nona participação em todos os tempos.

Já tinha visto fotos do local, porém o Ester Roa ao vivo é muito mais bonito. O estádio foi inaugurado em 1962 e é a casa do Deportes Concepción e do Universidad de Concepción. A cancha passou por reformas visando a disputa da Copa America 2015 e também do Mundial, tendo atualmente a capacidade de 30.448 espectadores. Foi ali que o Brasil foi eliminado pelo Paraguai na competição continental desse ano.

O mais legal de tudo nessa minha estreia na capital do rock chileno foi a sempre agradável presença do senhor frio, na única vez que realmente vi uma peleja com baixa temperatura em toda a turnê. O termômetro marcava 12 graus - com sensação térmica ainda menor por causa do vento - quando encontrei meu lugar na colorida arquibancada. Fiz uma rápida boquinha com guloseimas locais e não demorou para as duas seleções irem no gramado.


Times perfilados para a execução dos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Roberto Cordoba se preparando para cobrar falta a favor da Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.




Três momentos do primeiro tempo de África do Sul x Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.

Sem time novo e sem saber nada sobre as seleções, confesso que não sabia o que esperar dessa peleja. Por sorte a partida foi boa e teve a Costa Rica atuando melhor, para a felicidade dos animados torcedores da América Central que estavam reunidos próximos a mim. Os Ticos abriram o placar logo aos sete minutos, quando Kevin Mases completou um preciso passe da direita. A África do Sul tentou embalar para chegar ao empate, só que a afobação dos seus atletas mostrou que essa seria uma tarefa bem complicada.

Jogando na boa, a Costa Rica tomou o primeiro susto apenas no começo do tempo final, em boa cobrança de falta de Dlala que obrigou o goleiro-capitão Alejandro Barrientos a fazer boa defesa. Minutos depois aconteceu a maior chance do empate nos pés do camisa 17 Khanyisa Mayo. Pena que o jogador mandou mal e conseguiu chutar uma bola cruzada da direita quase fora do estádio, mesmo com o arqueiro da Costa Rica batido no lance.


Mbatha, camisa 8 da seleção africana, atacando pela esquerda no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do belo estádio de Concepción, sede do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.


Khanysa Mayo, camisa 17, tentando o gol de cabeça. Foto: Fernando Martinez.

No lance seguinte, o castigo. Em chute do camisa 14 Roberto Córdoba, a bola pegou no ombro do zagueiro Katlego Mohamme, porém o árbitro da Malásia se enganou e acabou marcando penalidade máxima. Andy Reyes foi para a cobrança e aumentou a vantagem dos centro-americanos. No restante do tempo final, os Bafana Bafana fizeram uma pressão meio sem graça em busca do gol de honra. Aos 45, Mayo, aquele mesmo, diminuiu o prejuízo numa cabeçada meio sem querer.

No fim, o placar final ficou em África do Sul 1-2 Costa Rica. Ao final da primeira fase, os sul-africanos foram eliminados com um empate e duas derrotas, enquanto os Ticos terminaram na vice-liderança da chave. Na segunda fase a equipe surpreendeu e eliminou a forte seleção francesa, encerrando a bela campanha apenas nas quartas-de-final, sendo derrotada pela Bélgica pela contagem mínima.


Andy Reyes marcando o segundo gol centro-americano em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.


Visão do ataque da África do Sul no final do jogo. Foto: Fernando Martinez.


De tanto insistir, Mayo conseguiu marcar o gol de honra no último minuto. Meio sem querer, é verdade, mas vale mesmo assim. Foto: Fernando Martinez.


Placar final da partida que abriu os trabalhos do Grupo E do Mundial sub-17. Foto: Fernando Martinez.

Com os primeiros 90 minutos encerrados, as atenções se voltaram para o jogo de fundo. De todos os oito que eu vi durante o Mundial, esse era o mais esperado, primeiro por ter a chance de "matar" dois times e, claro, por serem duas seleções simplesmente sensacionais. Sem dúvida esse foi um dos pontos altos da minha viagem.

Até lá!

Fernando

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A difícil missão de assistir um jogo do Brasil no estádio

Opa, 

Depois de sair de Guarulhos, segui via ônibus-metrô-ônibus até o bairro do Morumbi, local da segunda parada no dia de aniversário de 190 anos da independência do país. Mas essa presepada de "vou comemorar a data da minha querida terra vendo um jogo da seleção do Brasil" não é algo que combine comigo, e fui mesmo ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo somente para colocar na minha Lista a seleção da África do Sul, meu 543º time em todos os tempos. 

Antes de falar da peleja em si, vale registar que se fosse depender do ingresso para saber o adversário da seleção canarinho eu ficaria numa dúvida cruel. O mesmo mostra os escudos da CBF e da "South African Cricketers Association", e não da "South African Football Association". Isso mesmo, o responsável pela confecção do layout do ingresso escolheu o escudinho da seleção de críquete (!) da África do Sul e não da seleção de futebol. Um erro primário e grosseiro, feito provavelmente por algum figura que não sabe sequer fazer uma pesquisa decente pelo Google. 


Ingresso do amistoso entre a seleção de futebol do Brasil e a seleção de críquete da África do Sul no Morumbi. Reprodução: Fernando Martinez. 


Escudinhos das seleções de futebol e da seleção de críquete do país africano. Nota 0 para o figura que pesquisou o escudo errado na internet. Reprodução: Pesquisa na internet.

Bom, a seleção sul-africana (de futebol) veio pela primeira vez ao país e esse foi somente o segundo time da minha Lista vindo do continente (o primeiro foi o Raja Casablanca do Marrocos, no Mundial da FIFA de 2000), então não tinha como perder a peleja. Depois de perder o Uruguai em 2007 e a Romênia em 2010 por não conseguir um mísero ingresso, dessa vez a minha presença era questão de honra. 

Chegamos então ao Morumbi e nos assustamos com uma inexplicável fila que dava a volta no estádio e achamos que estávamos ferrados. Menos mal (para nós) que aquela era a fila para a retirada de ingressos dos torcedores que compraram suas entradas pela internet. Em qualquer país que seja pelo menos um pouquinho sério, uma situação dessas seria caso de polícia. Infelizmente ainda somos obrigados a ver pessoas sem capacidade nenhuma (vide o figura que errou o escudo no ingresso) administrando grandes eventos. A fila era tão grande que teve gente entrando no jogo somente nos 15 minutos do segundo tempo (!). 


Um fotógrafo que deve ter conseguido burlar o antiquado esquema local e conseguiu entrar de bermuda em campo para captar as imagens da peleja e a presença de Chabangu no amistoso. Pena que o pessoal que curte a bebida não paga royalties para a equipe da zona oeste carioca. Fotos: Fernando Martinez. 

Aguardamos um tempo fora do Morumbi e então entramos para buscarmos nossos lugares nos respectivos setores. Fiquei sozinho na arquibancada vermelha, e logo percebi que os espectadores seriam compostos por 98% de "torcedores" sem a menor noção de como agir num estádio de futebol, o famoso "torcedor de ocasião". Essa massa está acostumada a ver jogos pela TV e quando se aventura a ir num campo de verdade me faz sentir uma vergonha alheia extrema, algo que já havia sentido nos cinco jogos do Brasil que assisti pelas Eliminatórias em 2000/2001 e 2004, além do amistoso de despedida do Romário em 2005 contra a Guatemala. 


Uma iniciativa legal da CBF ao homenagear familiares de atletas que foram campeões do mundo em 1958. Além deles, Moacir e Oberdan, jogadores históricos de Flamengo e Palmeiras, também receberam uma bela homenagem. Ao lado, a orquestra regida por João Carlos Martins tocando o Hino Nacional Brasileiro. Fotos: Fernando Martinez. 

No melhor esquema "tudo pelo social", resolvi ficar na minha. Escolhi um lugar até então tranquilo, tirei a máquina fotográfica da mochila, abri um pacote de bolacha que serviu de almoço, coloquei um fone para ouvir o começo da transmissão da peleja pelo rádio e desencanei de tudo que estava acontecendo ao meu redor. 


Visão do Morumbi com mais de 50 mil pagantes para Brasil x África do Sul. Foto: Fernando Martinez. 

Não demorou muito para que as duas seleções entrassem em campo para disputar esse amistoso internacional. Gostei quando vi que o Brasil jogaria de azul, pois nunca tinha visto a seleção nacional jogando com a sua camisa mais bonita. Além disso, muito legal ver ao vivo um jogo com a presença do maior artilheiro dos "Bafana Bafana" Benni McCarthy ("o jogador tem seios", disse o comentarista PVC na melhor definição sobre o atleta), figuraça do mundo do futebol. 



Formações titulares das seleções posando no Morumbi. Tudo bem, estava longe, mas vale registrar as imagens no JP. Fotos: Fernando Martinez. 

Hinos executados de forma brilhante por uma orquestra regida pelo maestro João Carlos Martins e logo os times já estavam alinhados para o começo da peleja. E nem bem o jogo começou, os torcedores de ocasião já resolveram aprontar. Foi só o atacante Leandro Damião errar um lance na lateral que o Morumbi passou a escutar sonoras vaias direcionadas ao jogador do Inter. Pior, elas vieram com um coro de "Luís Fabiano, Luís Fabiano". 


Neymar atacando pela esquerda. Foto: Fernando Martinez. 

Não vou entrar no mérito da convocação de jogador A ou B, até porquê a linha editorial do JP é outra, mas é chato demais acompanhar um jogo com um monte de xarope vaiando e gargalhando logo em seguida. Vaias com motivo real e em virtude de uma consciência coletiva do ato ou de uma ideia específica em si tudo bem, mas vaia simplesmente pelo fato de "ser engraçado" não dá. 


Ataque brasileiro pelo alto. Foto: Fernando Martinez. 

E para servir como cereja do bolo de tanta barbaridade que vi nas arquibancadas, o Brasil fez uma partida simplesmente assombrosa e não jogou absolutamente nada. A África do Sul, atual 74ª colocada no ranking da FIFA e que venceu apenas um jogo nesse ano de 2012, jogou pro gasto e mesmo assim criou boas chances para abrir o marcador. O selecionado da CBF também criou, mas o jogo chegou no intervalo sem a abertura do placar. 


Chegada do escrete canarinho no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez. 

No segundo tempo o panorama não foi nada diferente, e foi fraco demais o futebol apresentado no gramado do Morumbi, estádio aonde eu não via um jogo desde abril de 2008 (período em que acompanhei sete shows). De bom mesmo, só a vinda dos amigos ao setor em que me encontrava e o gol do atacante Hulk, num isolado lance de felicidade do time durante toda a peleja. 


Zaga sul-africana se preparando para jogar a bola pra longe da sua área. Foto: Fernando Martinez. 

No final, o marcador ficou mesmo em Brasil 1-0 África do Sul e os jogadores saíram de campo sob uma das maiores vaias que já vi num estádio de futebol. Com esse panorama, dificilmente seremos campeões da Copa 2014. E apesar das várias reclamações que fiz durante esse post (foi mais forte do que eu, me desculpem) saí feliz do Morumbi, pois tinha colocado uma seleção legal e bastante difícil de se ver na minha Lista. 


Placar final do jogo no Morumbi e o 543º time incluído na minha Lista em todos os tempos. Foto: Fernando Martinez. 

Saímos dali para enfrentar a dura tarefa de voltar para casa sem tanto aperto. Eu e o Nílton demos sorte novamente, pois pegamos um ônibus com lugares para se sentar e um metrô sem quase ninguém no vagão. Perfeito! Mas o feriadão prolongado estava apenas começando, e o sábado me reservou uma rodada dupla no ABC paulista. 

Até lá! 

Fernando