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terça-feira, 14 de junho de 2016

JP na Argentina 13 (5/9): Noite de Libertadores dos anos 70 no Huracán

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na terça-feira, 12 de abril, sai da quinta divisão argentina para a Taça Libertadores da América em apenas uma hora e meia. Depois do genial Yupanqui x Juventud Unida pela Primera D aproveitei a deixa e segui da Estación San Justo com destino à Estación Buenos Aires, que fica pertinho do magistral Estádio Tomás Adolfo Ducó. Na base da raça fui tentar um ingresso de última hora para o confronto entre Huracán e Peñarol, válido pela penúltima rodada do Grupo 4 da principal competição de clubes no continente.

Já tinha tentado adquirir uma entrada para essa peleja no dia anterior e também antes de começar a jornada futebolística. Em ambas as oportunidades o local estava completamente vazio e não havia venda antecipada. Fiquei encucado e sabia que teria problemas na hora, mas como viajar para fora do país é sempre na base do tudo pelo social, vesti a camisa do "o não eu já tenho" e depois de desembarcar na estupenda estação de madeira fui a pé até a casa do Globo, na minha humilde opinião - e na do Emerson, expert em futebol argentino, também - a cancha mais bonita da Argentina.



O tamanho do Tomás Adolfo Ducó impressiona. Poucos estádios que visitei são tão imponentes quando ele. No destaque o nome "Huracán" na fachada principal

Andei cerca de um quilômetro e meio e logo estava na gigantesca Avenida Amancio Alcorta. O surreal é que, mesmo faltando cerca de 20 minutos para o apito inicial não havia absolutamente ninguém na rua. Ninguém MESMO. Nem cambista, nem torcedor, nem policial, nem vendedor ambulante. Para piorar, nenhuma bilheteria estava aberta. Ali pensei que meu sonho de ver um jogo do Huracán na sua majestosa casa estava indo por água abaixo. Foi quando prestei atenção e vi duas figuras que estavam perto de um carro estacionado próximo ao portão principal. Duas figuras que preenchiam todos os requisitos para serem cambistas.

Por sorte eles eram cambistas mesmo e como já estavam indo embora me venderam uma entrada por 1/3 do valor original. Uma grande sorte, certo? Mais ou menos. Quando cheguei no portão de entrada, descobri que era um ingresso para a torcida visitante. Não que não goste do Peñarol, mas a ideia de ver um jogo em Buenos Aires no meio dos visitantes não me apetecia muito. Sem muita escolha, nem cogitei ir embora. Na catraca um dos porteiros me alertou que parte dos torcedores carboneros "estavam roubando todo mundo" e que, por ser brasileiro, iria me ajudar. O simpático funcionário me colocou numa arquibancada lateral, longe dos uniformizados que estavam tocando o terror, junto com mais meia dúzia de escolhidos.

A primeira impressão que tive quando entrei no local foi espetacular. As arquibancadas são bem altas, bastante íngremes e a visão lá de cima é incrível. Poucas vezes nos meus anos de estrada fiquei tão impressionado num estádio de futebol. O magnífico local foi inaugurado com capacidade para 12 mil pessoas em 1924 e era todo de madeira. O primeiro nome era Estadio Jorge Newbery. Em 1941 o clube começou a construir arquibancadas de cimento e a capacidade foi ampliada. Seis anos depois, aconteceu a primeira peleja da nova fase - vitória do Huracán em cima do Boca por 4x3 - para absurdos 80 mil espectadores. Já em 1949, a reinauguração oficial, por coincidência num jogo contra o Peñarol. Em 1967 o nome foi alterado para o atual. Hoje a capacidade é de pouco mais de 48 mil pagantes.

No momento em que finalmente encontrei um lugar para ficar pude perceber que o funcionário me fez um enorme favor e por isso serei eternamente grato a ele. O setor central reservado aos visitantes estava um pandemônio só. Todos os uruguaios alucinados, cantando, dançando e arrepiando todos ao redor. Poucos estavam prestando atenção no jogo. Como eu estava de boca aberta e afinzão de acompanhar a peleja, fiquei no melhor lugar possível para assistir todas as emoções sem nenhuma interferência.

O duelo foi válido pela penúltima rodada do Grupo 4 da Taça Libertadores da América. O líder isolado e com 100% de aproveitamento era o Atlético Nacional. O Huracán tinha seis, o Sporting Cristal quatro e o onze uruguaio estava na lanterna com apenas um. O escrete oriental precisava vencer para ainda manter vivo o sonho da vaga nas oitavas. Um empate já eliminaria a outrora potente agremiação. Um triunfo do Globo garantiria a equipe entre as 16 melhores do continente.


Visão geral do magnífico Estádio Tomás Adolfo Ducó para um jogo de Libertadores


Não é toda hora que temos a chance de ver Libertadores na Argentina, ainda mais com o Peñarol em campo


A animadíssima torcida do Globo


Detalhe da parte nobre da casa do Huracán. O que as arquibancadas são íngremes não é brincadeira


A espetacular torre que fica acima das sociais da casa do Globo

Mais de 25 mil pessoas acompanharam um jogo bem movimentado. O tempo inicial foi agitado e o onze local quase abriu o marcador antes dos 20 minutos numa finalização pra fora de Mauro Bogado. Aos 22, Nández foi expulso e complicou ainda mais a missão uruguaia. Apesar de ter um a menos, o camisa 10 Diego Forlán, ele mesmo, arriscou alguns chutes, levando perigo à meta defendida por Marcos Díaz. Na base do olho no peixe, olho no gato, enquanto a bola rolava eu prestava atenção nos belíssimos detalhes da cancha. Faltam palavras para descrever como a cancha é espetacular.

Já no segundo tempo... ah, o segundo tempo. Os 45 minutos finais em Parque Patricios foram espetaculares. Desde 1996 vi um monte de jogo da Libertadores, mas nunca algo com tanta cara de anos 70. O Huracán voltou ao gramado buscando consolidar sua vaga, só que o camisa 1 do Peñarol Gastón Guruceaga se transformou no grande personagem da noite. Primeiro ele teve uma atuação debaixo das traves simplesmente fabulosa. O arqueiro desfilou uma série de defesas para todos os gostos: à queima-roupa, em tiros de longe e aos 25 ele defendeu três chutes seguidos, para o desespero dos hinchas argentinos.


Agora destaque para a rapaziada sempre gente fina, elegante e sincera torcendo pro onze uruguaio. Só maluco


Bola alçada dentro da área visitante


O Huracán tentou, mas não conseguiu furar o bloqueio uruguaio


Aquela treta marota após o apito final, pois sem ela a Libertadores não é a Libertadores

O duelo foi seguindo nesse cenário e nos acréscimos a coisa complicou de vez e vimos quatro minutos simplesmente sensacionais. O Huracán abriu o marcador aos 46 minutos, só que Ramón Ábila estava em posição de impedimento e o tento foi anulado. Na sequência, os atletas locais perderam o foco e o Peñarol se aproveitou. Num rápido contra-ataque o goleiro Marcos Díaz fez milagre e mandou a bola pela linha de fundo. Na cobrança, todo mundo foi para a área, inclusive o goleiro. E foi o próprio Guruceaga que completou de cabeça o cruzamento e fez o gol uruguaio. Só que o árbitro equatoriano anotou falta no goleiro local e anulou, fazendo com que a peleja terminasse com o placar de Huracán 0-0 Peñarol. O empate eliminou o clube preto e amarelo.

O clima já estava pesado e essa foi a deixa pro bicho pegar de vez. Os atletas dos dois times foram pra cima do quarteto de arbitragem e a pressão em cima do atrapalhado profissional foi enorme. A treta dentro de campo foi o ponto de partida para treta em tudo que é canto. Além da confusão no relvado, teve briga entre as duas torcidas, da polícia com os visitantes, da polícia com os locais e um clima de guerra surreal. Eu estava seguro lá no alto e vi de camarote as várias confusões, que estavam acontecendo de forma simultânea. Comprovando que os uniformizados carboneros realmente não eram amadores, vi de longe que eles desceram o porrete na tropa de choque da PFA. Isso definitivamente não é pouca coisa.

Levou cerca de meia hora para a poeira baixar e as coisas voltarem ao normal. Nesse meio tempo descobri que a torcida visitante - comigo incluído, claro - teria que esperar a boa vontade dos policiais para poder sair da cancha... aquela famosa questão de segurança. Enquanto esperava, desligaram os refletores e ficamos num breu sem conseguir enxergar praticamente nada. Depois disso, ainda foi quase uma hora até sermos liberados. Só que a noite ainda não tinha terminado.

Foi chegar na avenida e notei que os simpáticos homens da lei tinham feito um imenso corredor polonês para escoltar a saída de quem estava no setor visitante. Todos mal-encarados com seus escudos e seus cassetetes fazendo uma pressão psicológica poucas vezes vista pelo que vos escreve. Segui na via crucis por cerca de quinze minutos e no final da avenida fui liberado. O problema então passou a ser encontrar um táxi para retornar ao centro. Achei alguns que queriam cobrar um valor absurdo e levei mais meia hora para achar um motorista legal o suficiente para deixar o taxímetro rodar sem pilantragem.

Mais de dez horas depois de sair para a rodada dupla cheguei no meu hotel muito cansado. Não foi fácil, mas valeu muito a pena. O saldo da terça-feira foi de dois jogos, nenhum gol, dois times novos na Lista e muita história para contar. Na quarta não parei e voltei à ativa com mais Libertadores, agora num clássico portenho que nunca imaginei que teria a chance de ver ao vivo.

Até lá!

© 2019

domingo, 1 de agosto de 2010

Peñarol terceiro colocado da Supercopa Eurofarma!

Ufa!

Depois de dez jogos em cinco dias, em maratonas que me fizeram ficar diariamente quatro horas em vagões do metrô e da CPTM e rodadas duplas (e uma quádrupla) que me deixaram com um cansaço incrível, no último sábado acompanhei meu último jogo na Supercopa Eurofarma de Futebol Júnior na Arena Barueri. Foi mais um jogo "internacional" no torneio, com Sevilla e Peñarol decidindo quem seria o terceiro colocado na classificação final.

Ao chegar na Arena depois de uma caminhada de 20 minutos debaixo de sol forte encontrei o amigo Rodrigo Colucci e também vi que a TV responsável pela transmissão do torneio não passaria esse jogo ao vivo, dando à partida um inevitável ar de jogo-fantasma. Achei genial, pois esses que são os mais legais de se acompanhar. E para variar um pouco, seguem as fotos oficiais dos times e do trio de arbitragem:


Sevilla FC (sub-19) - Sevilla/Espanha. Foto: Fernando Martinez.


CA Peñarol (sub-19) - Montevidéu/Uruguai. Foto: Fernando Martinez.


Para a disputa do terceiro lugar da competição, tivemos a presença do árbitro Alessandro Darcie e os auxiliares David Botelho Barbosa e Francisco Reginaldo Moreira. Junto com os três na foto os capitães de Peñarol e Sevilla. Foto: Fernando Martinez.

Geralmente as decisões de terceiro lugar nos torneios em geral são marcadas por serem jogos abertos, sem muita preocupação com marcação e tudo mais. E essa não foi diferente, pois os dois times apostaram num futebol ofensivo. O Peñarol começou melhor, criando boas chances para abrir o marcador nos primeiros 10 minutos.


Chance do Peñarol pelo alto em lance do começo da partida. Foto: Fernando Martinez.


Com a construção da quarte parte da arquibancada da Arena fazendo parte da paisagem, o onze uruguaio tentava começar mais um bom ataque. Foto: Fernando Martinez.

Mas o bom time do Sevilla equilibrou as ações e aos 18 minutos foi recompensado com a marcação do seu gol. Num chutaço da direita, a bola bateu na trave e no rebote o camisa 14 Oscar Jimenez completou para fazer o primeiro dos espanhóis. Atrás do placar, o onze uruguaio chegava forte pela esquerda, mas não conseguiu deixar de novo tudo igual antes do primeiro tempo acabar.


Chute de longe para os "carboneros", mas que foi parar longe do gol. Foto: Fernando Martinez.


Camisa 10 do Peñarol se desvencilhando da marcação do Sevilla. Foto: Fernando Martinez.

O intervalo chegou com a vantagem mínima para a equipe européia. Para desfrutar pela última vez no torneio a mordomia nas cabines de imprensa vi o jogo lá do alto no tempo final. O Peñarol voltou mais preciso e deixou finalmente tudo igual aos 15 minutos, com cobrança de pênalti perfeita do jogador Alejandro González. A equipe "carbonera" teve ainda chances claras para virar o marcador.


Ainda na primeira etapa, chegada uruguaia pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Cobrança de pênalti que originou o gol de empate "carbonero". Foto: Fernando Martinez.

A partir dos 30 minutos porém os dois times cansaram, pois a maratona de cinco jogos em seis dias com certeza pesou. O Sevilla ainda chegou perto do segundo gol por duas vezes após os 40 minutos, mas a partida terminou mesmo empatada. O terceiro lugar agora seria decidido na cobrança de pênaltis.


Jogadores olhando para o alto em bola do Peñarol. Foto: Fernando Martinez.

Mas o Sevilla não teve sorte nas suas cobranças, e acertou somente a primeira com o jogador Alberto Perez. Os jogadores Abraham Arcos e Joaquin Ruiz chutaram na trave e o goleiro uruguaio defendeu o chute de Manuel Torres. O Peñarol perdeu apenas a primeira cobrança Mauricio Castro. As demais foram convertidas, com os atletas Alejandro Gonzalez (que já tinha marcado no tempo normal), Washington Vazquez e a decisiva com Miguel de León. Final de jogo: Sevilla 1 (1) - 1 (3) Peñarol.


Um dos dois pênaltis do Sevilla que foi parar na trave. Foto: Fernando Martinez.


Cobrança de Miguel de León que deixou o Peñarol com a terceira colocação da Supercopa. Foto: Fernando Martinez.

Com justiça o time uruguaio conquistou o terceiro lugar na Supercopa Eurofarma de Futebol Júnior, enquanto o Sevilla foi o quarto colocado. Mas as duas equipes merecem os parabéns pelo bom futebol mostrado no torneio: Jogando futebol na bola, sem apelar para pancadaria.


Atletas do time uruguaio fazendo a festa e recebendo as medalhas pela conquista do terceiro lugar na Supercopa Eurofarma 2010. Fotos: Fernando Martinez.

Fui pesquisar se algum desses times internacionais noticiou a presença na competição nos seus respectivos sites oficiais, e descobri que somente o Peñarol noticiou com destaque a participação na Supercopa. O mais legal é que na notícia sobre o torneio eu apareço... de costas, mas está valendo.


Detalhe da página oficial do Peñarol noticiando a bela campanha do time com a minha humilde presença. Reprodução do site: http://www.capeñarol.org

Após o jogo ainda ficamos nos bastidores muito tempo, conversando com membros das comissões técnicas e já torcendo para que o torneio volte a acontecer no ano de 2011, pois faltam campeonatos assim por aqui. Quem sabe isso não acabe animando as empresas e federações a criarem competições geniais desse jeito a partir de agora?

Ah, vale lembrar que o Santos sagrou-se campeão da Supercopa no domingo ao vencer o Flamengo também nos pênaltis depois de um placar de 2x2 no tempo normal. Mas nesse dia eu já estava com a cabeça novamente voltada para a nossa querida Segundona, na hora da definição da primeira fase.

Até lá!

Fernando

sábado, 31 de julho de 2010

Santos na final da Supercopa após vitória maiúscula contra o Peñarol

Fala pessoal!

Mesmo com sono e muito cansado pela rodada quádrupla de quinta-feira, acabei resolvendo ir conferir de perto as semifinais da Supercopa Eurofarma na sexta-feira passada. O primeiro jogo do dia, aonde o Flamengo destruiu o Sevilla e garantiu a sua vaga na grande final, foi relatado pelo Emerson, cabendo a mim relatar o que aconteceu no jogo Santos x Peñarol.

O Emerson acabou indo embora após o primeiro jogo do dia, e nesse jogo do Peixe contra o genial time uruguaio, tive a companhia dos amigos Rodrigo Colucci e Raul Burgo. E antes de qualquer coisa, seguem as fotos exclusivas dos times e trio de arbitragem:


Santos FC (sub-19) - Santos/SP. Foto: Fernando Martinez.


CA Peñarol (sub-19) - Montevidéu/Uruguai. Foto: Fernando Martinez.


Capitães de Peñarol e Santos e o árbitro Luiz Flávio de Oliveira com os auxiliares Celso Barbosa de Oliveira e Maria Núbia Ferreira Leite. Foto: Fernando Martinez.

Para mim, o onze praiano era o favorito absoluto para esse jogo, pois o futebol mostrado na primeira fase foi acima da média da competição. Mas também esperava que os uruguaios mostrassem sua garra habitual, e isso poderia ser um fator de complicação para as pretensões santistas.

Mesmo com a iluminação precária que temos nos gols da Arena Barueri - o estádio é ótimo, mas a iluminação deixa muito a desejar - fui acompanhar o ataque alvinegro na etapa inicial. E de acordo com as minhas previsões, o Peñarol dificultou demais o jogo para o time brasileiro nos primeiros 45 minutos.


Ataque santista contra o Peñarol. Foto: Fernando Martinez.


Jogadores aguardando escanteio do Peixe na esquerda. Foto: Fernando Martinez.

A equipe da Vila Belmiro não conseguiu acertar um ataque sequer, sendo sempre neutralizada pela boa postura da defesa uruguaia. A partida ficou concentrada no meio-de-campo, o que deixou o jogo um pouco sonolento. Só me salvei graças ao meu mp3, com uma famosa trilha sonora recheada de clássicos do rock. O intervalo chegou com o zero no marcador, e o Santos ainda tinha perdido um atleta expulso nos minutos finais.


Atleta do Santos encarando marcação uruguaia. Foto: Fernando Martinez.


Visão do jogo embolado no meio de campo. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo decidi ir para as tribunas, e logo no primeiro minuto da segunda etapa o Santos acordou e marcou o primeiro gol da partida. O jogador Hélton entrou na área e acertou um tirambaço cruzado no canto esquerdo do goleiro Fleitas. O gol foi o cartão de visitas do Peixe no tempo final.


Chance do Peñarol na segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

Mesmo com um jogador a menos, a equipe local mostrava ótimo futebol, e o Peñarol não conseguiu entrar na área adversária. O jogo foi seguindo com o Santos dominando, mas com a vantagem mínima ainda estampada no marcador. Aos 37 minutos porém, o jogador Tiago Alves fez belíssima jogada individual e marcou o segundo. Ele pegou a bola no campo de defesa, e driblou quatro jogadores adversários antes de entrar na área e tocar na saída do goleiro. Golaço!


Jogador uruguaio tomando cartão vermelho após jogada ríspida. Foto: Fernando Martinez.

Dois minutos depois o Santos matou de vez as chances uruguaias com mais uma saída rápida para o ataque. O mesmo Tiago Alves recebeu passe perfeito do camisa 18 Felipe e de novo tocou sem chances para o goleiro Fleitas. O Peixe vencia com autoridade e com três golaços.

Final de partida: Santos 3-0 Peñarol. Vitória maiúscula dos meninos do Peixe que garantiram a vaga na final contra o Flamengo. Os jogadores mostraram mais uma vez um toque de bola fantástico, animando a torcida com mais essa leva promissora de craques. O Peñarol foi valente enquanto pode, e não perdeu a cabeça, se garantindo para disputar o terceiro lugar do torneio contra o Sevilla.

Após o apito final, ainda fiquei por ali um pouco até pegar o rumo da Estação Jardim Belval para seguir para casa. Mas antes disso a fome apertou, e eu e os dois amigos presentes degustamos uma deliciosa pizza ali mesmo, no meio da avenida. Fome saciada, segui por duas horas nos transportes públicos da Grande São Paulo até chegar em casa mais uma vez com a sensação de dever cumprido.

E no sábado teve a minha despedida da Supercopa, com a fantástica decisão-fantasma do terceiro lugar do torneio.

Abraços!

Fernando

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Peñarol (quase) nas semifinais da Supercopa Eurofarma

Fala pessoal!

Depois de acompanhar as duas primeiras rodadas do Grupo B da Supercopa Eurofarma de Futebol Júnior, a quinta-feira me reservou a chance de ver os quatro times do Grupo A, e além disso também a chance de colocar um time fantástico na minha Lista. Caí da cama já preparado para uma maratona futebolística na Arena Barueri, e junto com o seu Natal fui ver o primeiro jogo, entre Peñarol e o Futebol Clube do Porto.

Chegamos em cima da pinta, e corri rapidinho até o gramado da Arena para não perder a foto das equipes. O mais legal é que em todos os jogos dessa rodada as fotos são totalmente exclusivas do JOGOS PERDIDOS:


FC do Porto (sub-19) - Porto/Portugal. Foto: Fernando Martinez.


CA Peñarol (sub-19) - Montevidéu/Uruguai. Foto: Fernando Martinez.


Capitães de Porto e Peñarol posando com o árbitro Thiago Duarte Peixoto, os auxiliares Luiz Quirino da Costa e Michel Ferreira da Silva e o quarto árbitro Willian Rocha Padilha. Foto: Fernando Martinez.

Depois de incluir o Sevilla, não poderia perder a chance de ver o Porto no quintal de casa, ainda mais numa partida que já decidiu um título mundial, o famoso "jogo da neve" aonde o time português se sagrou Campeão Mundial em 1987. Foi a segunda equipe da terra de Camões que incluí na Lista, já que tinha o Marítimo desde o longínquo ano de 1998 na minha história futebolística.

O Peñarol também não fica atrás em questão histórica, e só tinha visto a equipe uruguaia duas vezes, uma contra o São Paulo em 1999 e a outra contra o São Caetano em 2001. Com a decadência da equipe, ficou muito difícil acompanhar jogos dessa lendária equipe. Resumo da ópera: não faltavam ingredientes para acompanhar in loco essa peleja.

E falando da situação das equipes na Supercopa Eurofarma, o Porto já estava virtualmente eliminado, e somente com a volta do rei Dom Sebastião, morto da Batalha de Alcácer-Quibir, o time pudesse garantir de forma milagrosa essa vaga. Para o Peñarol a tarefa era mais simples, e uma vitória deixaria o time com um pé na fase semifinal.


Cruzamento de jogador do Peñarol pela direita do seu ataque. Foto: Fernando Martinez.


Falta para a equipe uruguaia que acabou batendo na barreira. Foto: Fernando Martinez.

Para esse jogo consegui descobrir uma sombrinha fantástica atrás do gol defendido pelo arqueiro do Porto Elói. Só assim para suportar o chatíssimo calor que fazia por lá. Acompanhei um primeiro tempo equilibrado, aonde o Porto fez uma partida digna contra um adversário visivelmente mais forte. O Peñarol tentava fazer logo seu gol, mas estava afobado demais nas conclusões.


Tentativa de longe para a equipe sul-americana. Foto: Fernando Martinez.

O tempo inicial seguiu com essa toada, e aproveitei um convite do pessoal local para conhecer as instalações de imprensa que ficam do lado oposto às atuais cabines de TV. O local é muito bem arrumado, com uma seção VIP belíssima e 24 cabines muito confortáveis. Dali acabei vendo o primeiro gol da partida, justamente do onze lusitano. Numa cobrança de pênalti aos 35 minutos, o camisa 7 Fábio aproveitou o rebote do goleiro Pablo e deixou o Porto na frente.


Momento em que o arqueiro Pablo fazia a defesa do pênalti cobrado por Fábio, mas no rebote o gol acabou acontecendo. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo acabei voltando para o campo, já que o único lugar que dava para ficar na boa com o sol de meio-dia era na sombra atrás do gol "da esquerda". E para mostrar que a Lei de Murphy funciona mesmo, os demais gols do jogo saíram do lado oposto e bem longe de mim, pois o Peñarol voltou disposto a virar o marcador.


Jogador português fazendo uma acrobacia na Arena Barueri. Foto: Fernando Martinez.


Chegada do Porto pela esquerda com a marcação cerrada de zagueiro do Peñarol. Foto: Fernando Martinez.

Logo aos 5 minutos o onze uruguaio deixou tudo igual com um golaço do jogador Alejandro, que entrou na área, driblou o zagueiro e chutou no canto esquerdo do goleiro. A equipe sul-americana continuou insistindo e depois de perder vários gols, conseguiu a esperada virada aos 29 minutos numa cobrança de pênalti do camisa 10 Miguel Agustín.


Mesmo de longe, esse é o gol que decretou a viada uruguaia, em pênalti cobrado por Miguel Augustín. Foto: Fernando Martinez.

Dois minutos após esse gol, o Peñarol marcou o terceiro com mais um gol de Miguel Augustín. Daí foi só aguardar o apito final para festejar a classificação. Final de jogo: Porto 1-3 Peñarol. O time uruguaio já era dono de uma das vagas para a segunda fase, e o jogo seguinte definiria o outro time que iria jogar a semifinal vindo do Grupo A. E um clássico brasileiro estava na pauta do dia.

Até lá!

Fernando