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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Sem sustos, Palmeiras chega na semi do Paulista sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Em meio a uma semana cheia de ansiedade por conta da aproximação da Copa do Mundo sub-17, me despedi da cidade de São Paulo com outro jogo noturno no Estádio Paulo Machado de Carvalho. Pelas quartas de final do Campeonato Paulista sub-20 da primeira divisão, o Palmeiras recebeu o Botafogo de Ribeirão Preto praticamente cumprindo tabela rumo à semifinal na agradável noite de quarta-feira. Apesar de estar provavelmente no fim dos seus dias como o conhecemos, o Pacaembu vem recebendo um número genial de jogos.


Sociedade Esportiva Palmeiras (sub-20) - São Paulo/SP


Botafogo Futebol Clube (sub-20) - Ribeirão Preto/SP


Capitães dos times e quarteto de arbitragem

Tudo bem que o futebol sempre pode nos surpreender, mas depois de tomar 3x0 em casa no duelo de ida, a classificação botafoguense seria atingida praticamente na base do milagre. O atual bi campeão estadual, também envolvido com as fases decisivas do Brasileiro da categoria, certamente não deixaria escapar a chance de estar entre as quatro melhores do torneio, ainda mais atuando nos seus domínios.

O público no Pacaembu foi baixo e os presentes viram uma partida bem meia boca, com poucos lances dignos de registro. Desde os primeiros movimentos ficamos com a clara impressão que o marcador dificilmente sairia do zero. O Palmeiras só administrou sua enorme vantagem e o Botafogo até tentou assustar, só que sem nenhuma qualidade ofensiva fica difícil marcar. O cotejo se desenrolou nesse cenário árido de emoções.


Atletas de Palmeiras e Botafogo dentro da área visitante


O 3x0 a favor do alviverde no interior deixou o jogo com poucas emoções


Vítor Ricardo (7) em ataque palmeirense pela direita


Patrick de Paula (5) sendo marcado por Jonata Felipe (8)

No tempo inicial os locais chegaram perto da área adversária algumas vezes, sem que isso se transformasse em gols. Os visitantes pouco fizeram e o 0x0 foi o resultado perfeito para 45 minutos bem abaixo da crítica. Cansei de ficar no gramado esperando um bom momento chegar e no intervalo subi até a cadeira laranja e dali vi a etapa final com o quarteto composto por palmeirenses de respeito: Milton, Renato, Luiz e Bruno.

A peleja melhorou um pouco no tempo final. Vamos deixar claro: um pouco. Não foi da água para o vinho, longe disso, porém a expectativa de 0x0 foi frustrada - ufa! - com o tento palmeirense aos 19 minutos. Guilherme Vieira recebeu na entrada da área e chutou no canto do arqueiro da Pantera. O Botafogo se entregou de vez e poderia ter sofrido outros tentos caso os avantes paulistanos estivessem mais inspirados.


Escanteio botafoguense na etapa final



Dois lances do tempo final de Palmeiras x Botafogo. A Pantera não foi capaz de quebrar o enorme favoritismo paulistano

No final, o Palmeiras 1-0 Botafogo foi suficiente para colocar o clube da Zona Oeste na semifinal da competição. Agora o verde pega o São Paulo na rota do tri campeonato estadual da categoria, algo inédito desde a reorganização das divisões de base em 1980. Não será fácil, mas é fato que a chance de alcançarem essa marca é boa.

Essa foi a despedida da capital bandeirante antes de embarcar numa viagem mágica e misteriosa na rota da Copa do Mundo sub-17. A poucos dias dos 15 anos do Jogos Perdidos, sem dúvida será o momento mais importante do blog em todos os tempos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmeiras 1x0 Botafogo

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão; Árbitro: Rodrigo Santos; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Vítor Ricardo (Pal); Edson Silva, Tocantins, Luiz (Bot); Cartão vermelho: Fernando Braghin 38 do 1º; Gol: Guilherme Vieira 19 do 2º.
Palmeiras: Magrão; Ramon (Natan), Pedro (Helder), Diguinho e Esteves (Nogueira); Patrick de Paula, Vítor Ricardo (Danilo), Gabriel Menino e Alan; Barbosa (Gabriel Silva) e Cleiton (Guilherme Vieira). Técnico: Wesley Carvalho.
Botafogo: Gustavo; Gabriel Teixeira, Tocantins, Henrique e Caio de Luna (Dener); Edson Silva, Felipe Andrade (Caetano), Jonata Felipe (Luiz) e Wesley (Rayan); Felipe Ferreira e Lucas Henrique (Rondinely). Técnico: Fernando Braghin.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O surreal encontro entre Audax e Tadjquistão (!) no Rochdale

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nos quase 15 anos de Jogos Perdidos já vimos muita coisa diferente. Vários confrontos insólitos, amistosos surreais e duelos que ninguém imaginava que aconteceriam. Na última terça-feira tive o enorme prazer de acompanhar uma partida que será lembrada para sempre, bem do jeitinho que achamos genial. No gramado do Estádio José Liberatti, em Osasco, o time sub-20 do Audax enfrentou nada menos do que a equipe sub-17 do Tadjiquistão (!).

Apesar dos meus mais de 3 mil jogos no currículo, poucas vezes vi algo tão alternativo na vida. Cheguei a cobrir um São Bento x Cuba em 2012 e acho que somente esse empata no quesito "alternatividade" com o Audax x Tadjiquistão. São aqueles momentos que o futebol se transforma em algo ainda mais especial. Ver uma seleção de um país que faz fronteira com China, Uzbequistão, Afeganistão e Quirquistão zanzando numa noite fria de terça-feira na Grande São Paulo é algo que nem pensamentos 100% surreais poderiam imaginar.

Fiquei sabendo da peleja menos de uma semana antes e, mesmo prestes a ver a seleção asiática na Copa do Mundo sub-17, não tinha como deixar de ir ao Rochdale presenciar esse momento repleto de surrealidade. Junto comigo, claro, um sem número de amigos, todos emocionados até o último fio de cabelo com a raríssima chance de colocar na Lista uma figurinha bem difícil de conseguir. Como a maior parte dos presentes não vai acompanhar o mundial in loco, ninguém queria desperdiçar a oportunidade.

O selecionado asiático se classificou para a Copa após ser vice-campeão do torneio sub-16 da AFC, a confederação asiática. A disputa direta da vaga foi com a Coreia do Norte - seleção que apareceu aqui durante o mundial do Chile em 2015 - e a vitória saiu nos pênaltis. Depois, chegaram ao honroso vice-campeonato perdendo a decisão contra o Japão. Será a segunda vez que participarão da Copa. Na primeira, na Coreia do Sul em 2007, ganharam dos Estados Unidos e foram derrotados por Bélgica e Tunísia na primeira fase. Mesmo assim foram às oitavas e então foram eliminados nos pênaltis pelo Peru.

Chegamos em 2019 e, às vésperas do certame organizado pela FIFA (que infelizmente não terá sede em São Paulo), o Tadjiquistão passou por Osasco somente para esse amistoso internacional contra o sub-20 do clube osasquense. Se a presença de público foi diminuta e levou cerca de 60 torcedores à cancha, nas redes sociais e na internet foi bem diferente. O jogo foi transmitido pelo Facebook, teve presença do pessoal do globoesporte.com e a simples menção no perfil oficial do JP no Twitter dobrou o número de seguidores.


Grêmio Osasco Audax Esporte Clube (sub-20) - Osasco/SP


Seleção do Tadjiquistão (sub-17)


Capitães dos times e quarteto de arbitragem


Banco de reservas do Tadjiquistão com atletas e comissão técnica passando frio em Osasco

Chegamos no Rochdale e logo vimos que as duas equipes estavam no aquecimento e que o quarteto de arbitragem também estava no gramado. Tudo ok para o cotejo. Conversamos com integrantes da diretoria da agremiação local, da delegação visitante e também da imprensa presente. Descobrimos ali que Musashi Mizushima, ex-atleta do São Paulo que serviu de inspiração para o desenho "Super Campeões", faz parte da comissão técnica do Tadjiquistão. Também fui humildemente entrevistado pelo pessoal super gente boa do GE. Poucas vezes vimos uma matéria ser feita de forma tão cuidadosa como fizeram.

No horário marcado, exatamente às oito da noite, finalmente a bola começou a rolar. O Audax começou mostrando serviço e criou boas chances de gol, todas defendidas pelo goleiro Shohrukh. O camisa 1 era o nome da peleja até que, aos 27 minutos, tomou um frangaço e viu o clube paulista inaugurar o marcador. Zainidin Rahimov, seu técnico, resolveu substituir o atleta em virtude do erro e o pobre rapaz saiu de campo chorando. Os visitantes sofreram o segundo gol e, por ser uma equipe sub-20 contra uma sub-17, chegamos a achar que poderia pintar uma goleada.

Só que aos poucos o Tadjiquistão foi entrando no clima e diminuíram a contagem numa jogada individual de Islam Zoirov e no último lance deixaram tudo igual numa boa cobrança de pênalti de Sharifbek Rakhmatov. Como a alternatividade estava em alta, até a luz acabou no intervalo, levando cerca de dez minutos para voltar. Deu tempo de fazer aquela marota disputa de penais no breu com os amigos enquanto os refletores não acenderam.


Detalhe do pouco surreal amistoso entre o time sub-20 do Audax e o sub-17 do Tadjiquistão


Defensor do Tadjiqustão trocando passes no campo de defesa


Joe (10) levantando a bola na área visitante


Gui Angelo (3), tocando a pelota sob a marcação de Islom Zairov (10)


Islom Zairov (10) correndo livre no campo de defesa do Audax prestes a fazer o primeiro da sua seleção


Sharifbek Rahmatov deixando tudo igual de pênalti no fim do primeiro tempo

Na segunda etapa rolou a grande história da noite. Mukhriddin, o goleiro que tinha entrado após as falhas de Shohrukh, se machucou e o substituído retornou ao gramado (em amistoso pode acontecer isso). Logo após o Audax teve um pênalti marcado a seu favor. A cobrança foi no canto esquerdo, e o ex-vilão se transformou em heroi ao defender de forma brilhante.

A peleja teve lances ríspidos durante o tempo final e alguns integrantes da comissão técnica do Tadjiquistão chegaram a pedir ao técnico local orientar seus atletas a pegarem leve, afinal, o grande motivo da viagem, a Copa do Mundo sub-17, estava prestes a começar. O treinador do Audax atendeu com simpatia as solicitações, mas não passou nada aos seus comandados.


O goleiro Mukhriddin Khasanov fazendo bela defesa em chute de longe


Finalização perigosa do Audax de Erick Rosales (16)


De heroi a vilão: o goleiro Shohrukh Qirghizboev se redimiu das falhas do tempo inicial e voltou a campo para pegar um pênalti


Umedzhon Kholikov (17) em lance pela esquerda


Zetão (22) tocando na bola com a marcação de Umedzhon Kholikov (17)


Mehrobjon Azimov (12) em ofensiva do Tadjiquistão pela esquerda

No fim, o placar ficou em Audax 2-2 Tadjiquistão, um bom resultado do onze osasquense contra um adversário internacional e um ótimo teste do selecionado asiático às vésperas do mundial. Eles farão parte do Grupo E junto com Camarões, Argentina e Espanha. Estaremos orgulhosamente presentes no duelo contra os europeus no penúltimo dia da viagem que começará em breve.

Depois dessa noite épica peguei o caminho da capital para nova noite de plantão no trabalho. Antes de seguir com destino à Copa, fiz a despedida momentânea da capital bandeirante no dia seguinte com outro joguinho da base no Pacaembu. Aliás, o que está tendo de partida no velho Paulo Machado de Carvalho não é brincadeira... sorte nossa.

Até lá!

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Ficha Técnica: Audax 2x2 Tadjiquistão

Competição: Amistoso Internacional; Local: Estádio José Liberatti (Osasco); Árbitro: Pietro Dimitrof Stefanelli; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Brasília (Aud), Amadoni Kamolov, Emomali Ahmadkhon, Rustam Soirov (Tad); Gols: Joe 27, Ramires 29, Islom Zairov 38 e Sharifbek Rahmatov (pênalti) 45 do 1º.
Audax: Mário Sérgio (Zetão) (João Gabriel); Lucas Felix (Erick Rosales), Gui Angelo (Gustavo Victor), Matheus Lins (Brasília) (Gabriel Anjos) e Gabriel Poti (Lucas Carvalho); Ifeanyi Valentine (Cleyson), Dudu (Wictinho), Marco (Henrique Estevão) e Joe (Cadu); Ramires (Tche Tche) e Müller (Mascarenhas). Técnico: Jean Rodrigues.
Tadjiquistão: Shohrukh Qirghizboev (Mukhriddin Khasanov) (Samandar Karimov) (Shohrukh Qirghizboev); Shahrom Nazarov (Azizbek Hasanov), Isroil Kholov, Jonibek Sharipov (Mehrobjon Azimov), Muhammadrasul Litfullaev (Parviz Khodzhiev) e Shohrukh Sangov (Emomali Ahmadkhon); Amadoni Kamolov (Ozodbek Panzhiev), Shuhrat Elmurodov (Rustam Soirov), Nidoyor Zabirov (Umedzhon Kholikov) e Sharifbek Rahmatov; Islom Zairov (Sunatullo Ismoilov). Técnico: Zainidin Rahimov.
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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Coelho vence o Oeste e segue na luta pelo acesso

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de sábado, em meio a várias alternativas, fui pela quarta vez na Arena Barueri na atual temporada do Campeonato Brasileiro da Série B. Pela 30ª rodada, a 11ª do segundo turno, o Oeste, seguindo na sua campanha de altos e baixos, recebeu o genial América Mineiro tentando voltar a vencer depois de três jogos. Depois de chegar à lanterna e passar as 16 primeiras rodadas do torneio na zona de rebaixamento, o escrete belorizontino se recuperou heroicamente e está lutando pelo acesso.

Não foi difícil escolher essa peleja. No dia anterior fui dar uma olhadinha na minha lista e me assustei com a informação que não via o Coelho in loco desde julho de 2004 (!): derrota por 3x2 contra o Santo André num jogaço realizado no ABC em tempos que o JP nem existia. Apesar de estar sempre atuando na capital bandeirante, há mais de quinze anos estava sem ver uma apresentação do elenco principal do onze mineiro. Uma vergonha.

A presença americana nas páginas do blog se resumia a um único post antes do sábado. O aposentado Orlando cobriu a estreia de Grêmio Barueri em competições nacionais em 16 de julho de 2006 justamente contra os mineiros no Canindé (derrota pela contagem mínima). No fim daquele ano, o falecido GRB conquistou o acesso para a Série B e dali fez história. Em Copinhas, oito coberturas entre 2006 e 2018. Já estava na hora de voltar a ver o Coelho em campo.




Assim como no jogo contra o Paraná, captei as imagens oficiais na carona do pessoal que estava no gramado. É de longe, mas vale igual

Pena que esse retorno tenha sido numa partida um tanto quanto meia-bomba. Junto com o trio Renato, Pucci e Milton, vi 90 minutos que ganharam uma tímida nota cinco pela força de vontade dos atletas. Na primeira meia hora nada aconteceu e somente nos quinze minutos finais vimos lances de perigo, a maioria a favor do Oeste. Roberto aos 30 e Elvis aos 35 levaram perigo à meta de Airton sem que a mesma fosse vazada.

Aos 42, Mazinho ficou livre cara-a-cara com o arqueiro visitante porém chutou em cima dele. Aos 44 foi a vez do América assustar em cabeçada de Leandro Silva e boa defesa de Luis Carlos. Aos 48, Salomão criou o maior momento rubro-negro na tarde quando chutou de longe e a bola bateu na trave. No intervalo, fui às tribunas fazer companhia aos amigos pois o vento na parte alta da cancha estava fazendo a curva e não estava afim de pegar uma gripe.


Visão geral da Arena Barueri em reforma, a primeira desde a inauguração em 2007



O América/MG tentou vários cruzamentos no primeiro tempo mas nenhum deu resultado

Na etapa final, o América voltou melhor, mas nada que possamos dizer "nossa, que atuação magnífica". Flávio foi o dono da primeira chance aos três e o Oeste respondeu na sequência com Mazinho. Por quase trinta minutos nada aconteceu e, como sempre, o ponto alto foi o bate-papo com a rapaziada. Já sentíamos o cheiro forte de 0x0 quando, aos 30, Flávio abriu o marcador a favor dos visitantes. Ele aproveitou rebote de Luis Carlos em finalização dele mesmo e deixou o Coelho em vantagem.


Matheusinho (10) preparando chute de longe


Lance de perigo dentro da área do Coelho nos minutos finais


Placar final da peleja na Arena Barueri. O Oeste precisa acordar logo caso não queira parar na Série C em 2020

Os locais buscaram o empate e até tiveram uma boa oportunidade com Elvis aos 37, só que a igualdade não saiu. No fim, o placar de Oeste 0x1 América/MG marcou o quarto jogo paulista sem triunfo e a permanência com 35 pontos ocupando a incômoda 15ª posição. Os mineiros chegaram aos 47 e empataram com o Coritiba, quarto colocado, ficando atrás apenas pelos critérios de desempate. Faltando oito rodadas, não tem como ninguém vacilar mais.

Enquanto o amigo-abelha Renato Rocha se mandou da Arena numa carona no ônibus do Outubro Rosa da Prefeitura local (!), eu e a dupla restante fomos fazer aquela boquinha marota numa casa de esfihas pertinho da Arena. A esfiha ali é absolutamente sensacional. Sem pressa, enchemos o bucho antes de pegar os trilhos da CPTM com destino à capital.

A próxima cobertura do JP vai ser antológica com um amistoso internacional já preparando o clima da Copa do Mundo sub-17 que começa no dia 26. Vamos comemorar os 15 anos de blog da melhor maneira possível.

Até lá!

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Ficha Técnica: Oeste 0-1 América/MG

Competição: Campeonato Brasileiro Série B; Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Pathrice Corrêa Maia (RJ); Público: 1.118 pagantes; Renda: R$ 17.900,00; Cartões amarelos: Lídio, Betinho, Bruno Gonçalves, Thiaguinho (Oes); Lucas Kal, Felipe Azevedo (Ame); Gol: Flávio 30 do 2º.
Oeste: Luis Carlos; W. Bonilha, Lídio, Caetano e Salomão; Thiaguinho, Betinho e Elvis; Roberto (Gabriel Vasconcelos), Mazinho (Bruno Gonçalves) e Fábio (Cesinha). Técnico: Renan Freitas.
América/MG: Airton; Leandro Silva, Ricardo Silva, Lucas Kal e João Paulo (Sávio); Flávio, Juninho e Willian Maranhão; Diego Ferreira (Felipe Azevedo), Matheusinho (Geovane) e Júnior Viçosa. Técnico: Felipe Conceição.
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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Internacional campeão do Brasileiro Feminino sub-18

Texto e fotos: Fernando Martinez


Cheguei aos 3000 jogos no dia 6 de outubro e então resolvi dar uma sossegada. Foram mais de dez dias de descanso até que, na tarde de quinta-feira, iniciei a saga rumo aos 4000 com nova final no currículo. Foi a minha estreia no Campeonato Brasileiro Feminino sub-18 justamente na grande decisão. São Paulo e Internacional de Porto Alegre duelaram no Estádio Paulo Machado de Carvalho em busca do caneco.

Essa foi a primeira edição do certame, outra atitude louvável da CBF no meio de várias coisas erradas que sempre fazem. Um total de 24 times começou a disputa no mês de julho divididos em seis grupos com quatro clubes cada em sedes fixas espalhadas pelo país. Foram quase quatro meses de disputa e, três fases após, são-paulinas e coloradas se garantiram na fase final.


Pacaembu pronto para a decisão do primeiro Campeonato Brasileiro Feminino sub-18 da história


Detalhe do troféu destinado ao campeão do certame

As paulistas fizeram uma campanha absurdamente boa e chegaram invictas no duelo de ida, mas foram derrotadas pela contagem mínima jogando em Porto Alegre. Por conta disso, se quisessem ser campeãs teriam que vencer por dois gols de diferença. Triunfo por um gol levaria a decisão para os pênaltis. As gurias coloradas jogavam por um empate.

Um número bem legal de pessoas compareceu ao velho Pacaembu. Dentro de campo também, pois o que tinha de gente da CBF ali não era moleza. Pelo menos eles não atrapalharam tanto e consegui captar as fotos das equipes sem nenhum problema. A única coisa chata na minha humilde opinião é a super população nessas imagens. O Inter ainda foi de boa, mas o São Paulo teve titulares, reservas, comissão técnica, diretores, amigos e mais alguns personagens não identificados. Saudade quando apenas os titulares apareciam.


São Paulo Futebol Clube (feminino sub-18) - São Paulo/SP


Sport Club Internacional (feminino sub-18) - Porto Alegre/RS


As capitãs dos times junto com o quarteto de arbitragem paulista composto pela árbitra Adeli Mara Monteiro, as assistentes Leandra Aires Cossette e Amanda Pinto Matias e a quarta árbitra Fernanda Ignacio de Souza

Como estava um calor fortíssimo e o sol atuava de forma implacável, no primeiro tempo fui até a numerada descoberta e acompanhei a peleja na companhia da dupla Renato Rocha e Caio Buchala, a dupla são-paulina que esperava ver in loco uma conquista do seu time. Pena que eles não curtiram o que rolou no relvado. As donas da casa não foram tão bem e, apesar de terem atacado bastante, poucas chances foram realmente efetivas.

Os dois primeiros bons momentos locais foram aos oito e treze minutos, respectivamente com Rafaela e Yaya. No primeiro, a camisa 17 chutou de longe e, contando com desvio no meio do caminho, obrigou Mayara a fazer ótima intervenção com a ponta dos dedos. Depois a meia finalizou de longe e a pelota passou perto. O Inter se defendia bem, porém aos 36 minutos a zaga derrubou Cris dentro da área. A defensora paulistana Lauren telegrafou a cobrança do pênalti e Mayara defendeu muito bem.

Na base do desgraça pouca é bobagem, na última oportunidade de perigo da etapa inicial, a primeira realmente relevante a favor das gurias coloradas, o gol visitante saiu. A bola foi alçada na área tricolor, a goleira vacilou e Belinha aproveitou o vacilo coletivo, ampliando a vantagem gaúcha em busca do caneco. Agora o São Paulo tinha 45 minutos para virar o marcador pensando pelo menos em levar a decisão aos pênaltis.


Atleta colorada sofrendo com dupla marcação são-paulina


Lauren teve a chance de abrir o placar a favor do onze paulista mas Mayara fez grande defesa e pegou o pênalti com estilo



Detalhe do lance que originou o gol do Inter - num enorme vacilo da arqueira local - e a comemoração das gurias coloradas

Resolvi ficar acompanhando de perto as avantes paulistas no segundo tempo. Por motivos óbvios, as garotas são-paulinas buscaram com maior afinco o gol, só que numa pressão meio sem graça e um tanto quanto insossa, já que a efetividade não foi das maiores. Aos oito, Yaya recebeu de Cris e tentou, sem sucesso. As coloradas assustaram em alguns contra-ataques realizados dos 10 aos 20 minutos, também sem sucesso.

Uma coisa que irritou até quem não estava torcendo para o São Paulo foi o número de vezes que atletas do Inter caíram no chão. Era só o time do Morumbi chegar perto da área visitante que alguma das meninas se esparramava no gramado. Sério, foi irritante ver o anti-jogo sendo praticado dessa forma. Aos 39, no bom e velho bumba meu boi, saiu o empate dos pés de Milena. A mesma Milena quase virou o placar aos 43 em belo lance individual.


Ataque são-paulino pela direita no começo do tempo final





O ataque paulista tentou buscar um resultado melhor de todas as formas: pela direita, pela esquerda, pelo meio e pelo alto... mas para a tristeza da sua torcida, fez apenas um gol, deixando escapar a chance de uma conquista importante

Quando o árbitro apitou o final da partida, o resultado de São Paulo 1-1 Internacional deu o primeiro caneco do Brasileiro Feminino sub-18 para as gurias gaúchas com uma bela campanha de oito vitórias, quatro empates e apenas uma derrota (1x2 contra o Santos na segunda fase). Certeza do trabalho bem feito que pode dar frutos no futuro. Mesmo com a derrota, o tricolor merece os parabéns por conta do ótimo trabalho realizado.


Com o 1x1, o Inter sagrou-se campeão brasileiro feminino sub-18



Toda a alegria das gurias coloradas depois do recebimento do troféu de campeão e das medalhas de ouro

Fiquei um bom tempo no gramado da velha cancha captando imagens da entrega de medalhas às vice-campeãs e do troféu de campeão ao escrete alvirrubro. Em duas semanas acompanhei in loco o São Paulo perder dois canecos. Desse jeito não vão me deixar acompanhar a final do Paulista Feminino no mês de novembro...

Até a próxima!

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Ficha Técnica: São Paulo 1x1 Internacional

Competição: Campeonato Brasileiro Feminino Sub-18; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Adeli Mara Monteiro (SP); Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Lauren (SP), Isabela (Int); Gols: Isabela 44 do 1º, Milena 40 do 2º.
São Paulo: Marcelle; Moura (Tay), Lauren, Maiara e Clara; Cris, Rafaela, Yaya e Larissa Santos (Milena); Giovaninha e Emily (Gica). Técnico: Thiago Viana.
Internacional: Mayara; Bruna (Nalon), Mariana, Isadora (Camila) e Tai; Isabela, Susan (Duda Flores), Julia (Gabi Batista) e Malu; Jhenifer e Queila (Maju). Técnico: Camila Orlando.
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