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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Brasil x Bolívia: a abertura da Copa América no JP

Texto e fotos: Fernando Martinez


Esportivamente falando não teve melhor década para se viver no Brasil como a atual. Nunca se viu um número de eventos tão significativos em sequência. Contando com uma boa dose de organização e muita sorte, consegui marcar presença em todos os grandes eventos: Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada (isso sem contar o Pan na década anterior). Fechando esse inesquecível ciclo, chegou a vez de acompanhar pela primeira vez uma Copa América de perto.

Óbvio que eu não poderia perder a oportunidade. Felizmente consegui ajeitar um pouco a vida no tempo exato para comprar os ingressos e fazer minha primeira viagem interestadual em três anos tirando a zica com estilo (nos próximos posts falarei a respeito). No total consegui bilhetes para todas as pelejas de São Paulo e também duas fora do estado. A primeira delas foi a sensacional abertura entre Brasil e Bolívia no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi.

Tem muita gente que acha a mais antiga competição entre seleções do mundo sem graça, eu não. Como ela é sempre realizada no meio da temporada, sempre significou que a cada dois anos o período de férias na escola tinha o torneio como pano de fundo. Começando pelo massacre chileno em 1987, passando pelos títulos de 1989 e 1997, os vices de 1991 e 1995 e a eliminação traumática contra a Argentina em 1993, minhas memórias afetivas se confundem com vários desses momentos.

Antigamente a organização da Conmebol era bem pior do que hoje, tanto que em 1987 a entidade resolveu arrumar a casa e fixou que a Copa seria realizada bienalmente com a sede sendo definida num rodízio entre todos os filiados, a começar pela Argentina. A periodicidade mudou para três e depois quatro anos, mas a ordem seguiu até 2007. Em 2011 a Argentina voltou a ser sede e, seguindo na ordem, teríamos Brasil e Chile recebendo o certame respectivamente em 2015 e 2019. No fim, os dois acabaram trocando os lugares, e com isso recebemos a Copa América 30 anos após a última vez.

Essa é a quinta vez que organizamos o campeonato. Nas quatro anteriores fomos campeões: 1919, 1922, 1949 e 1989. Nesta última, no alto dos meus 13 anos, fiquei chateado por São Paulo não ter recebido nenhum jogo e só vi a conquista canarinho pela televisão. A CBF abusou da política e escolheu Rio, Salvador, Recife e Goiânia como sedes. Várias pelejas, principalmente as realizadas na Fonte Nova, tiveram públicos absurdamente baixos.

Contando as partidas no país em 1975, 1979 e 1983, anos em que a competição não teve sede fixa, apenas oito cidades tiveram a honra de ver o antigo Campeonato Sul-Americano de perto: São Paulo, Belo Horizonte, Santos (!) e Uberlândia, além das quatro já citadas no parágrafo anterior. Agora Porto Alegre também entrará na lista. Somente Rio e São Paulo usaram mais de um estádio: Maracanã e São Januário na primeira e Pacaembu e Morumbi na segunda, sendo que a Arena Corinthians também fará parte desse seleto grupo.

Entre 2000 e 2017 assisti doze compromissos do time principal verde e amarelo entre amistosos, Eliminatórias e Copa do Mundo. Incluído um confronto contra os próprios bolivianos em 5 de setembro de 2004, também no Morumbi. Claro que preferia ver a abertura com uma seleção diferente como adversária.mas não posso reclamar. No meu histórico pessoal do escrete cinco vezes campeão do mundo, dez triunfos, um empate e apenas uma derrota (o 0x3 sofrido contra a Holanda na decisão do terceiro lugar de 2014).

Para o que foi meu 13º jogo não cheguei cedo por conta do trabalho. Bem diferente da Copa do Mundo e da Olimpíada, a (des)organização foi total ao redor da cancha. Foram montadas verdadeiras barricadas para impedir a chegada de aventureiros sem ingresso. O que complicou foi a revista a passo de tartaruga dos policiais e graças a isso a muvuca criada foi enorme. Além do aperto, confirmei que a maior parte dos presentes eram aquelas figuras carimbadas que só aparecem em apresentações do onze tupiniquim.

Levei quase uma hora para andar uma distância de nem 100 metros porém quando ultrapassei a barreira a confusão ainda estava longe de terminar. Foi difícil achar meu portão, entrar numa das 412 filas que davam a volta no estádio e depois uma eternidade para chegar no meu lugar. Uma coisa é certa: as reformas nesse século deixaram o Morumbi bem mais acessível, só que nem assim ele deixou de ser um inferno em espetáculos com boa presença de público.

Quase duas horas após a via crucis começar finalmente estava no meu lugar marcado. A casa do tricolor paulista não estava lotada, mas era claro que a presença de público seria enorme. Todos os ingressos foram vendidos e a expectativa era de quase 70 mil torcedores ali apoiando a seleção. Quando o telão informou o público oficial, 46.342 pagantes, a surpresa foi geral pois não sei como caberiam 20 mil pessoas naquelas arquibancadas. Outro grande mistério da humanidade. O que não teve discussão foi que a renda de 22 milhões de reais se tornou a maior da história numa peleja no país. 0,1% desse valor no meu bolso já me deixaria feliz.





Detalhes da cerimônia de abertura no Morumbi. Muito legal ter a chance de acompanhar a Copa América pela primeira vez

Sentado no meu cantinho fiquei ali assimilando a energia e feliz por ter a oportunidade de acompanhar nova competição internacional no Brasil. Sinceramente acho que quem viu, viu. Quem deixou para depois vai ficar sem. Em campo, os atletas se aqueceram e logo a cerimônia de abertura começou. Simples, ela não teve nenhum destaque enorme porém foi legal do mesmo jeito. Ela durou cerca de 15 minutos e quando terminou logo Brasil e Bolívia foram ao gramado.

Foram dez os duelos entre as duas seleções na história da Copa América. Do primeiro em 1945 até o último, a gloriosa final de 1997, os brasileiros venceram oito vezes e os bolivianos duas. Uma dessas partidas curiosamente também foi realizada no Morumbi em 1979. Na fria noite de 16 de agosto daquele ano, um sofrido 2x0 a favor dos donos da casa que ajudaram na classificação para a semi, quando foram eliminados pelo futuro campeão Paraguai.

Agora, não resta dúvida que o maior atrativo da noite era ver o escrete local atuar de camisas brancas. Embora alguns digam que o uniforme "maldito" foi usado pela última vez na final do Mundial de 1950, o Brasil ainda atuou com a vestimenta no Campeonato Pan-Americano de 1952, o Sul-Americano de 1953, um amistoso contra a Itália em 1956 e no Sul-Americano de 1957, mais precisamente contra o Chile em 13 de março. Sempre achei o uniforme azul e branco maravilhoso e ver de perto apenas confirmou minha opinião. Bem que o pessoal da CBF podia trazer de volta a combinação, não? Estamos na torcida.


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais


O público pagante decepcionou, mas a renda foi recorde

Atletas em campo, rolou o hino nacional de ambos os países e então o árbitro argentino Néstor Pitana, que apitou o França x Croácia na final do Mundial da Rússia, trilou o apito pela primeira vez e deu por iniciada a Copa América de 2019. Foi a senha para os aventureiros de plantão cantarem a plenos pulmões a tenebrosa "sou brasileiro com muito orgulho". Não seriam 90 minutos fáceis de se acompanhar.

O grande problema foi a atuação meia-bomba dos locais durante a etapa inicial. Sem a diva Neymar no relvado, os comandados de Tite mostraram um nervosismo acima da média e apesar de encurralaram o adversário no setor de defesa, pouco fizeram tirando um ou outro momento mais incisivo. Thiago Silva, Daniel Alves e Richarlison foram os responsáveis pelas melhores chances.

Não demorou para que o ânimo dos presentes fosse ao chão e boa parte do primeiro tempo foi disputada sob um silêncio sepulcral (adoro essa palavra). Sem exagero nenhum, já fui em jogo com cem pessoas que tinha mais barulho. A festa se transformou num velório e quando o intervalo chegou o que se ouviu foi vaia a rodo. Fiquei sabendo que teve jogador que reclamou. Com uma atuação tão fraquinha não tinha como esperar outra coisa.


Início de jogo e a seleção brasileira trocando passes na esquerda


Boa chance aérea do Brasil depois de escanteio


O Morumbi encheu de gente que não tem a menor ideia da dinâmica de estádios... paciência


O bonito placar eletrônico do estádio são-paulino

Eu estava entediado. Além da apresentação ruim, ouvi uma série de barbaridades durante 45 minutos que me deixaram assustado. Besteira a respeito de futebol, do cotidiano e da política que fariam corar qualquer analista minimamente ligado com a realidade. Eu estava quase me levantando dali tamanho o número de absurdos. No fim, respirei fundo, confiei que o tempo final seria menos pior e não arredei o pé.

É, a surrealidade ao meu redor continuou, mas pelo menos o Brasil voltou um pouquinho mais animado. Logo no primeiro ataque um zagueiro boliviano meteu a mão na bola dentro da área. O juizão argentino foi conferir o lance no VAR e marcou pênalti. Philippe Coutinho bateu e fez o primeiro gol da Copa América e do Brasil.

Ele mesmo fez o segundo aos sete minutos após cruzamento de Firmino, transformando em definitivo o humor da maior parte dos presentes. A partir dos 2x0 foi só festa. A Bolívia nada fazia e embora a atuação brasileira não fosse nenhuma Brastemp, vimos bons momentos em busca do terceiro gol. Ele saiu aos 39 numa belíssima jogada de Éverton Cebolinha, o xodó da torcida.


Philippe Coutinho, de pênalti, marcou para a seleção alvi-azul


Filipe Luís dando aquele toque maroto para dentro da área boliviana


A seleção da Bolívia tentou diminuir o prejuízo, mas não teve jeito


Mais uma disputa de bola no meio de campo

Resultado final: Brasil 3x0 Bolívia. Um bom início na busca do nono título e a centésima vitória tupiniquim na história do certame. Agora os adversários nas próximas rodadas serão na ordem Venezuela e Peru, os outros integrantes do Grupo A. Aliás, falando em venezuelanos e peruanos, eu tive o enorme prazer de ver o duelo entre os dois... falarei disso no próximo post.

Como sempre faço, esperei a massa ir embora antes de pegar o caminho de casa. Deixei o Morumbi quase sem ninguém e não demorei para seguir ao QG da Zona Oeste. Precisava arrumar a mala e dormir um pouquinho, pois antes das cinco da matina já estava de pé novamente com a missão de passar um final de semana esportivo fora de São Paulo, algo que não acontecia desde a Olimpíada de 2016. Foram dois dias geniais.

Até lá!

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Ficha Técnica: Brasil 3-0 Bolívia

Competição: Copa América; Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (São Paulo); Árbitro: Néstor Pitana (Arg); Público: 47.260 pagantes; Renda: R$ 22.476.630,00; Cartões amarelos: Coutinho (Bra), Fernando Saucedo (Bol); Gols: Coutinho (pênalti) 5 e 7, Everton 39 do 2º.
Brasil: Alisson; Dani Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro, Fernandinho e Coutinho; David Neres (Everton), Richarlison (Willian) e Roberto Firmino (Gabriel Jesus). Técnico: Tite.
Bolívia: Carlos Lampe; Diego Bejarano, Luis Haquín, Adrian Jusino e Marvin Bejarano; Erwin Saavedra (Leonardo Vaca), Leonel Justiniano, Fernando Saucedo (Diego Wayar), Alejandro Chumacero e Raúl Castro (Ramiro Vaca); Marcelo Moreno. Técnico: Eduardo Villegas.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Uruguai fica no empate com a Bolívia no Sul-Americano Feminino sub-20


Graças ao feriado do dia 20 de novembro, muitos paulistanos desceram a serra para curtir os abençoados dias de folga no litoral paulista. Só que como aqui o lance é outro, eu também desci a serra na sexta e no sábado, mas com o intuito de acompanhar duas rodadas duplas válidas pelo Campeonato Sul-Americano Feminino sub-20, torneio que está sendo realizado na cidade de Santos.

Essa é a sétima edição da competição, a terceira organizada no nosso país. O Brasil até aqui é simplesmente imbatível, pois conquistou as seis edições e até hoje nunca foi derrotado (31 jogos com 29 vitórias e apenas dois empates). Nem preciso dizer que o selecionado verde e amarelo é favorito absoluto ao título.

A competição teve início na quarta-feira, e na tarde/noite da sexta foi jogada a segunda rodada do Grupo B. No gramado histórico do Estádio Urbano Caldeira as seleções da Bolívia e do Uruguai se enfrentaram. As duas equipes já haviam estreado no dia 18, as bolivianas perdendo para a Argentina e as uruguaias derrotando o Equador.



Seleções femininas sub-20 do Uruguai e da Bolívia. Fotos: Fernando Martinez.


A árbitra chilena Maria Carvajal, as assistentes Leslie Vasquez e Cindy Nahuelcoy e a quarta árbitra venezuelana Yercinia Correa junto com as capitãs dos times. Foto: Fernando Martinez.

Por mais estranho que possa parecer, a Bolívia tem um histórico melhor do que as meninas celestes na história da competição. Em seis edições, as bolivianas já chegaram ao quarto lugar por duas vezes - 2004 e 2014 - e ocupam a sétima colocação na tábua geral entre as dez equipes do continente. As uruguaias estão na última colocação e a melhor campanha foi o sexto lugar em 2012.

Vários amigos - Mílton, Luiz, Pucci, Mário e Renato - desceram a serra comigo para essa jornada, e já na casa santista encontrei o curioso Victor de Andrade com a minha credencial para todo o torneio. Fui para o gramado da Vila e fiquei ali para captar as fotos oficiais e registrar de perto o tempo inicial da peleja.

As uruguaias começaram com tudo e logo abriram o marcador. Eram decorridos seis minutos quando a jogadora Yamila Badell arriscou um chute de longe. A bola voou em câmera lenta e a goleira Maria Alejandra falhou ao tentar a defesa. A Celeste continuou melhor, mas as atacantes não estavam numa tarde inspirada e a primeira etapa terminou no 1x0.


Bola levantada na área boliviana. Foto: Fernando Martinez.


Deisy Aspeti, camisa 6 da Bolívia, sofre marcação de Carina Silva, camisa 8 do Uruguai. Foto: Fernando Martinez.


A camisa 9 da Bolívia Carla Mendoza se preparando para mandar a bola pra longe. Foto: Fernando Martinez.

No segundo a equipe boliviana melhorou, mas nada que possamos dizer "nossa, que coisa maravilhosa". Aos 18, Carla Padilla avançou e depois de dividir com a arqueira Lucia Martínez dentro da área, foi derrubada. A árbitra chilena María Belén Carvajal entendeu que houve falta e marcou pênalti, inclusive expulsando a goleira uruguaia. Maria Ortiz cobrou e deixou tudo igual aos 23.

Mesmo com vantagem numérica, a Bolívia não conseguiu criar oportunidades boas o suficiente para a virada. Nem a expulsão da uruguaia Sabrina aos 39, depois dessa dar um chute numa atleta adversária caída, fez com que a "La Verde" (apesar de estar usando vermelho) conquistasse o triunfo.


Escanteio para o Uruguai no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


Zaga celeste trabalhando para afastar a bola da área. Foto: Fernando Martinez.


Maria Ortiz deixando tudo igual em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o jogo ficou em Bolívia 1-1 Uruguai. A igualdade manteve as uruguaias invictas e as bolivianas sem vitória na competição. No geral, não dá para esperar muito de nenhum dos dois selecionados e dificilmente alguma delas conquistará uma das duas vagas na Copa do Mundo da categoria, que acontecerá em 2016 na Papua Nova Guiné (!). 

Esse jogo deixou a desejar, mas nada que se compare ao que presenciei na peleja de fundo. Vi simplesmente meu pior jogo na temporada...

Até lá!

Fernando

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: No sufoco, o Paraguai vai para a semifinal

Fala pessoal!

Ufa! Depois de seis dias seguidos com rodadas diárias aqui para o JP, o sábado passado me reservou a última jornada dupla da primeira fase do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17. E para a despedida do Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari, da competição, Paraguai e Bolívia disputaram a primeira peleja do dia em busca da segunda vaga do Grupo A para as semifinais, já que o Brasil estava classificado desde a rodada anterior.

Cheguei na Rua Javari bem antes do horário marcado para o início da partida, e nas redondezas percebi uma grande movimentação de pessoas chegando no templo grená. Mas só entrando no estádio vi que não eram brasileiros aguardando o jogo de fundo, e sim muitos bolivianos oriundos dos bairros do Brás e do Pari - local do meu antigo e saudoso QG - esperando ansiosamente o jogo da seleção do seu país.

A Polícia Militar estimou que o público presente na Javari era mais de 3 mil pessoas para o primeiro jogo do dia. A animação dos bolivianos era total, e bem antes do apito inicial trilar por lá a parte coberta do estádio já estava lotada. Muito barulho, gritaria e a esperança que a Bolívia conseguisse a vaga nas semifinais do Sul-Americano. E fazendo um rali entre os muitos torcedores, consegui entrar no campo de jogo para as fotos oficiais:


Seleção Feminina do Paraguai (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina da Bolívia (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

Em busca da vaga nas semifinais, o Paraguai jogava pelo empate contra uma Bolívia que precisava desesperadamente da vitória. Pelos jogos anteriores que acompanhei, achava que as paraguaias se classificariam com um pé nas costas, mas com certeza a animação da grande torcida boliviana presente no estádio empurraria o time da terra de Evo Morales em busca dessa heróica e inesperada classificação.

Voltando para as sociais da Javari, encontrei o David e fomos para as tribunas, já que não tinha a menor condição de acompanhar o jogo junto com a muvuca instaurada no estádio. E passando o pior calor dos últimos dias, vimos uma partida muito movimentada, digna de decisões de vaga. A Bolívia jogava empurrada pela sua torcida, mas o Paraguai era mais time, e aos 12 minutos marcou o primeiro gol do dia através da jogadora Liz Peña com a providencial ajuda da arqueira Maria Lazaro.


Saída rápida da Bolívia para o seu campo de ataque. Foto: Fernando Martinez.

Atrás do marcador, a seleção boliviana acordou no jogo e passou a dominar a partida. O Paraguai não era nem sombra do time das duas primeiras partidas e se mostrou assustado com a pressão dentro e fora de campo. A torcida empurrava a Bolívia, que chegava cada vez mais perto do gol de empate.


Jogadoras observando atentamente a bola. Foto: Fernando Martinez.

E a igualdade no marcador finalmente veio aos 36 minutos, com um gol contra da goleira do Paraguai, que colocou a bola dentro das próprias redes depois de bom cruzamento da esquerda de Margarita Zabala. Fazia tempo que não via uma comemoração de gol tão efusiva de torcida na Javari, nem em gols do Moleque Travesso dentro dos seus domínios. O jogo continuou melhor para as bolivianas, e o Paraguai agradeceu muito quando a árbitra Claudia Umpierrez encerrou a primeira etapa.


Ótima chance paraguaia no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo, com o David suando absurdamente, fui buscar água e refrigerante para tentar amenizar o calor que estava fazendo mesmo na parte coberta do estádio. No caminho da lanchonete, percebi que estávamos colocados perto do ex-árbitro e atual inspetor de árbitros da Conmebol Armando Marques. Um dos juízes mais conhecidos/controversos da história do futebol nacional, responsável pela final do Paulista 73, aonde errou a contagem das penalidades que definiram o campeonato daquele ano, no último título relevante da Portuguesa. Não é toda hora que estamos perto de figura tão lendária do futebol.


Visão geral das sociais do Juventus e de parte da arquibancada mostrando o bom público no jogo Paraguai x Bolívia. Foto: Fernando Martinez.

Bom, já de volta à tribuna era a hora do segundo tempo começar. A torcida continuava empurrando a seleção boliviana, e o panorama do jogo não mudou muito. A Bolívia voltou muito melhor, mais acordada em campo e dominando as ações. As paraguaias tentavam, mas não conseguiam mesmo voltar a mostrar algo de bom dentro das quatro linhas. A diferença principal para que o placar não fosse alterado era a qualidade ofensiva das atacantes do time verde. A camisa 9 Sdenka mostrou deficiências já vistas em jogos anteriores e desperdiçou boas investidas.


Ataque boliviano sob o olhar atento de quase metade do time paraguaio. Foto: Fernando Martinez.

Mesmo assim a torcida não desanimava, e a Bolívia já estava merecendo virar o marcador. O relógio era implacável com o time verde, e os minutos pareciam que estavam virando cada vez mais rápidos. Porém, de tanto insistir, as bolivianas ganharam uma chance de ouro para marcar o segundo gol numa penalidade máxima marcada aos 37 minutos. A melhor jogadora do time, a camisa 10 Diana Zenteno, foi para a cobrança. Mas ela sentiu o peso da responsabilidade e bateu mal demais o penal, praticamente recuando a bola para a goleira Paola Buttner, se redimindo do gol sofrido.


Detalhe do pênalti perdido por Diana Zenteno, que jogou a chance da classificação boliviana no lixo. Foto: Fernando Martinez.


Bola disputada no meio de campo. Foto: Fernando Martinez.

A Bolívia sentiu demais o pênalti perdido e não conseguiu mais chegar e nem criar chances de fazer o gol da classificação. O Paraguai continuou na defesa e levou os minutos finais em banho-maria para garantir a sua vaga no sufoco.

Final de jogo: Paraguai 1-1 Bolívia. O suado empate classificou o time paraguaio para as semifinais, aonde enfrentará o ótimo time do Chile buscando a vaga na grande final. Pelo que vi até aqui, apostaria nas chilenas para a classificação. Para a Bolívia, ficou a boa impressão que o time deixou no campeonato, só sendo derrotadas pelo Brasil e lutando até o último minuto pela classificação. A torcida da seleção soube reconhecer o esforço e aplaudiu bastante as jogadoras após o apito final.

E a grande torcida presente na Javari continuou por lá para ver o jogo de fundo... um amistoso, mas que foi do melhor time do campeonato até aqui e que merecia ser conferido.

Até lá!

Fernando

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Vitória boliviana em cima do Equador

Fala pessoal!

Na quinta-feira tivemos a quarta rodada do Grupo A do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17 no Estádio Nicolau Alayon, campo do Nacional AC. O campo do time paulistano foi palco do duelo entre as Seleções da Bolívia e do Equador, e dessa vez acompanhei a rodada sem a presença de mais nenhum membro do JP.

Para evitar problemas nos sempre complicados serviços de transporte de São Paulo, saí muito cedo de casa e cerca de meia hora antes do horário marcado para a partida já estava nas dependências do clube. E como tem acontecido nesse campeonato, fiz as fotos das equipes sem nenhum problema:


Seleção Feminina da Bolívia (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina do Equador (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

Depois de tomar 15 gols na moleira na partida anterior contra o Brasil, as equatorianas esperavam apagar um pouco da má impressão deixada nessa partida contra as bolivianas. Mas o time da terra de Evo Morales dependia de uma vitória para continuar com o sonho da classificação ainda vivo. Para o primeiro tempo, aproveitando que o sol ficou escondido por uma chuva caiu fora de hora, fui acompanhar o ataque da Bolívia.


Ataque boliviano pela direita no começo de partida. Foto: Fernando Martinez.


Zaga do Equador afastando o perigo. Foto: Fernando Martinez.

A seleção boliviana foi superior ao time do Equador durante todo o primeiro tempo, mas as suas atacantes perderam gols demais, principalmente com a jogadora Sdenka, que perdeu duas oportunidades incríveis. As equatorianas não esboçaram nenhuma boa jogada e só não foram para o intervalo com a derrota pela incompetência ofensiva do time verde.


Uma das boas chances desperdiçadas pela Bolívia na primeira etapa, com a atacante Sdenka. Foto: Fernando Martinez.


Escanteio para a Bolívia no final do primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo o sol ardido voltou ao Nicolau Alayon e fui assistir o segundo tempo das cabines de imprensa do estádio. O amigo Rodrigo Colucci também me acompanhou até lá e vimos um tempo final bastante animado no gramado. E de tanto insistir, a Bolívia chegou ao seu gol aos 13 minutos dessa segunda etapa, em chute forte da jogadora Zenteno, vencendo a arqueira Gladys Montoya.


Cruzamento para dentro da área do Equador feito pela melhor jogadora do time, a camisa 10 Zenteno. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe de lance no meio de campo. Foto: Fernando Martinez.

Após o 1x0 no marcador, a Bolívia continuou tentando fazer mais gols, que poderiam ajudar muito para o saldo de gols numa eventual disputa de vaga contra a seleção do Paraguai. O Equador se limitava a tirar as bolas de dentro da sua área, e mesmo assim as bolivianas não conseguiram aproveitar o momento graças à já citada inoperância ofensiva. A equipe ainda correu o risco de sofrer o empate num rápido ataque equatoriano pela direita, aonde a jogadora Torres chutou e a bola passou raspando a trave direita da goleira Del Carmem.


A única chance do Equador no jogo, em bola que tirou tinta da trave direita. Foto: Fernando Martinez.

Mas no final da partida não tivemos surpresas: Bolívia 1-0 Equador. O resultado deixou as bolivianas com seis pontos na tábua de classificação, e agora o time torceria por uma derrota paraguaia, de preferência por uma grande margem de gols, contra as brasileiras para jogar o confronto direto do sábado com vantagem. E justamente o jogo da seleção canarinho veio após a vitória da Bolívia.

Até lá!

Fernando

domingo, 31 de janeiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Surpresa boliviana na estréia do Grupo A

Fala pessoal!

Começou na última quinta-feira um daqueles torneios que sempre ficamos com água na boca quando acontece em outro país, e que agora temos a chance de acompanhar in loco aqui em São Paulo, algo que não acontecia fazia muito tempo. Falo do genial Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17, que tem sua segunda edição acontecendo até o dia 11 de fevereiro aqui na capital. E as sedes não poderiam ser em lugares mais legais: Nicolau Alayon e Rua Javari.

O torneio começou na quinta-feira, mas somente na sexta eu consegui ir assistir minha primeira rodada dupla. A primeira partida do dia reuniu as seleções da Bolívia e do Peru, válida pelo Grupo A da competição, que também tem a presença das seleções do Equador, Paraguai e do Brasil. Os jogos do dia foram realizados no Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari, e infelizmente sem nenhuma divulgação e com uma chuva que não para de cair no estado, o público foi diminuto.

Esse público baixo, a falta de divulgação maciça, o desinteresse do grande público e o descaso da grande mídia tornam esse Sul-Americano Feminino sub-17 um verdadeiro prato cheio aqui para o JP. Desde o início do blog sempre buscamos trazer jogos, times e campeonatos pouco divulgados... e mesmo esse torneio sendo organizado pela Conmebol, ele com certeza está longe dos holofotes, pelo menos durante a primeira fase. E devidamente credenciado, consegui fazer as exclusivas fotos de Bolívia e Peru antes do jogo iniciar (é a primeira vez que o blog é credenciado para um torneio internacional oficial... fantástico):


Seleção Feminina da Bolívia (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina do Peru (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

A primeira edição do Sul-Americano Feminino sub-17 foi realizada no Chile no começo de 2008 e teve como campeã uma surpreendente Colômbia. O Brasil foi vice-campeão perdendo o caneco no saldo de gols, num Quadrangular Final que também teve a participação das seleções da Argentina e do Paraguai. O Peru fez boa campanha e terminou o campeonato na 5ª colocação, enquanto a Bolívia foi a pior seleção entre as 10 participantes, perdendo seus quatro jogos e ficando com um saldo negativo de 14 gols.

Fui então acompanhar o ataque da seleção do Peru dentro do campo de jogo. Desde os primeiros momentos ficou claro que tudo que a Bolívia queria era segurar a seleção peruana de qualquer forma e tentar alguma coisa nos chutes de longa distância ou em algum contra-ataque. E o time do Peru começou o jogo em cima das bolivianas, mas pecando demais no toque final.


Chute da seleção peruana logo nos primeiros momentos da partida. Foto: Fernando Martinez.


Chegada da Seleção do Peru pela direita do ataque. Foto: Fernando Martinez.

A seleção da Bolívia se defendia bem, mas não conseguia chegar no ataque. Mas na primeira chance da equipe, o marcador foi aberto. Numa falta de longe, a jogadora Zerteno chutou uma bola que teria fácil defesa. Mas a pelota fez um efeito incrível e acabou encobrindo a goleira Velasquez, que falhou no lance. O gol da seleção verde foi muito comemorado dentro do campo e também pelas pessoas que estavam torcendo para elas nas arquibancadas.


Cruzamento dentro da área boliviana. Foto: Fernando Martinez.


Mais um ataque sem sucesso do time do Peru. Foto: Fernando Martinez.

O intervalo de jogo veio com a vantagem mínima da Bolívia e eu fui beber e comer algo na lanchonete da Javari. A chuva voltou a cair nesse meio tempo e resolvi acompanhar o restante do jogo lá do alto, na parte coberta. E o segundo tempo veio e em menos de um minuto as bolivianas ampliaram o marcador. Num passe em profundidade para a camisa 9 Sdenka, ela driblou a goleira peruana, perdeu o ângulo do chute, e mesmo assim conseguiu chutar com estilo da entrada da área para deixar sua equipe mais folgada no placar.


Pela direita, mais um ataque perdido das peruanas. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do jogo entre Bolívia x Peru, pelo Sul-Americano Feminino sub-17. Foto: Fernando Martinez.

O Peru sentiu o gol, e não teve forças para reagir e nem assustar o gol adversário durante o resto da partida. E o rápido ataque boliviano acabou aproveitando mais uma bobeada da zaga adversária aos 31 minutos, em mais um gol da atacante Sdenka. E até o apito final o marcador não foi mais alterado.

Final de jogo: Bolívia 3-0 Peru. Belíssima estréia boliviana, que teve sua primeira vitória na história do campeonato e que, com os três gols marcados, já supera todos os gols que marcou na edição anterior - dois em quatro partidas. As peruanas saíram muito tristes do campo, mas o time não mereceu melhor sorte, já que não tem tática nenhuma e o poderio ofensivo do time é abaixo da crítica. A Bolívia também deixa a desejar, mas aproveitou bem as poucas chances que teve.

Mas o dia ainda não tinha terminado, e agora era vez de mais duas estréias de seleções no Sul-Americano Feminino sub-17 2010.

Até lá!

Fernando