Procure no nosso arquivo

Mostrando postagens com marcador Seleção Suíça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seleção Suíça. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 19): 120 minutos de sufoco na Arena Corinthians

Opa,

Depois de toda a loucura feita na primeira fase da Copa do Mundo, tive alguns dias de descanso antes de ir ao meu 12º e penúltimo jogo no Mundial. A tarde do dia 1º de julho marcou minha despedida da Arena Corinthians com um jogo genial entre Argentina e Suíça válido pelas oitavas-de-final.

Como a peleja foi em São Paulo, o pré-jogo não foi assim tããão diferente quanto os que vivi nas cinco sedes que visitei. Isso aconteceu também por conta da maciça presença de argentinos, muitos deles na febre do rato e dispostos a encherem o saco de qualquer um que não estivesse vestindo alguma camisa relacionada ao país. Já fui lá e achei Buenos Aires maravilhosa, mas o nível de chatice da maior parte dos hermanos estava alto.

A ida, como sempre, foi moleza por conta do Expresso da Copa na Estação Luz. Tive a companhia da Van e do amigo Luiz, algo natural em quase todas as partidas do Mundial, e também do gente boa Luciano Amaral, o grande Lucas Silva e Silva, como convidado especial.


Luiz, Luciano Amaral e Fernando com a Arena Corinthians de fundo. Foto: Van.


Agora sem o trio mais uma visão da fachada do estádio corintiano. Foto: Fernando Martinez.

Por se tratar da nossa despedida da Copa em São Paulo chegamos muito cedo no estádio. O tempo foi mais do que suficiente para perambular pelos vários stands dos patrocinadores da FIFA - algo que ainda não tínhamos feito - e para conferir o desfile de torcedores estrangeiros. Faltando cerca de meia hora para o apito inicial fomos para nossos lugares.

Dessa vez a dona FIFA sorteou nosso lugar como numa carta "sorte/revés" do Banco Imobiliário. Tivemos sorte por estarmos mais uma vez muito perto do campo e revés pois nos colocaram como os únicos brasileiros em meio a um setor repleto de alucinados argentinos. Resumindo: vimos o jogo num aperto danado.


Visão geral do nosso lugar para Argentina x Suíça. Foto: Fernando Martinez.


Times perfilados para os respectivos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.

Os portenhos estavam empolgadíssimos, muito por conta dos 100% de aproveitamento na primeira fase. Jogando contra a Suíça, classificada como segunda colocada no Grupo E, o favoritismo era amplo e irrestrito. Só que em campo o onze alvirrubro mostrou muita raça e segurou a Argentina por muito tempo.


Zagueiro suíço fazendo o corte dentro da área. Foto: Fernando Martinez.


Higuaín enfrentando a marcação europeia. Foto: Fernando Martinez.

Um dos pontos altos da peleja foi ver de perto o camisa 10 Leonel Messi. Gosto de futebol perdido e fora dos holofotes da grande mídia, mas não há como negar que ver o jogador eleito quatro vezes como melhor do mundo pela FIFA era uma meta nessa Copa.


Messi posando para as lentes do JP num fato que nunca mais irá acontecer. Foto: Fernando Martinez.


Disputa no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro tempo foi equilibrado com as melhores chances acontecendo a favor dos suíços. Na melhor oportunidade, Sergio Romero fez belíssima defesa no chute de Xhaka. Já na etapa final, enquanto cozinhávamos debaixo do fortíssimo sol do "não-inverno" paulistano, a Argentina tomou conta da partida.


Início de ataque argentino novamente com Higuaín, um dos melhores em campo. Foto: Fernando Martinez.


Chegada da Argentina pela direita. Foto: Fernando Martinez.

Comandados pelo 10 do Barcelona, eleito posteriormente o melhor do jogo, os sul-americanos criaram várias chances, todas defendidas pelo bom goleiro Diego Benaglio. Ao final dos 90 minutos, o 0x0 foi inevitável e então a partida foi para a prorrogação, a quinta em sete partidas (no jogo seguinte, Bélgica x EUA, rolaria a sexta, um recorde).


Lance no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

A meia hora do tempo extra foi emocionante e toda a favor da Argentina. O time não queria levar a peleja para os pênaltis e infernizou a zaga europeia, que soube se defender de forma brilhante por 28 minutos. Aos 13 do segundo tempo, se aproveitando de erro no ataque suíço, Messi roubou a bola e a conduziu no tempo certo até soltar para Di Maria. Ele entrou na área e chutou cruzado para abrir o marcador.


Di Maria e Messi, dois craques abrilhantando o jogo na Arena Corinthians. Foto: Fernando Martinez.


Mascherano se preparando para dominar a pelota. Foto: Fernando Martinez.

Os torcedores foram ao delírio com o gol, mas a emoção estava longe de acabar. Nos dois minutos finais a Suíça teve uma chance de ouro para empatar. Dzemaili aproveitou um cruzamento da direita e cabeceou a bola na trave... Uma pena. A seleção europeia ainda teve uma falta perigosa a favor no último minuto, mas o empate não aconteceu.


A Suíça teve a chance para empatar no último lance do jogo, mas a bola bateu na barreira. Foto: Fernando Martinez.

Ao final de 120 minutos o placar eletrônico da Arena Corinthians marcava Argentina 1-0 Suíça numa vitória sofrida e na base da raça. Nas quartas os sul-americanos despacharam a Bélgica em Brasília, venceram a Holanda na semi de São Paulo nos penais e perderam a final para a Alemanha.


Última visão que tive da Arena Corinthians durante a Copa do Mundo. Hoje o estádio já está bem diferente e absurdamente mutilado. Foto: Fernando Martinez.

Com minha missão na capital paulista encerrada, só fomos embora do estádio às seis da tarde, pois quisemos aproveitar cada segundo da nossa despedida na capital bandeirante. Ainda ficamos zanzando na região antes de pegarmos nosso caminho para casa. A Copa do Mundo continuou na televisão com as quartas e semifinal, e minha última partida foi no último final de semana do certame.

Até lá!

Fernando

segunda-feira, 14 de julho de 2014

JP na Copa (parte 4): Suíça vira em cima do Equador em Brasília

Opa,

Sem medo de errar, posso dizer que meu terceiro jogo na Copa do Mundo, o duelo entre Suíça e Equador em Brasília, foi minha verdadeira "estreia" no certame. A presença da seleção brasileira na abertura e toda a bagunça que vivi no sábado em Belo Horizonte me deixaram longe do famoso "clima de Copa".

Tudo mudou quando cheguei na capital federal para acompanhar o primeiro jogo do Grupo E, marcado para o Estádio Nacional de Brasilia Mané Garrincha. A recepção foi sensacional, e o amigo Raul, do ótimo Campo de Terra, e sua família me ajudaram no quesito hospedagem, algo fundamental para ficar bem nas 32 horas que passaria na cidade.


A belíssima fachada do Estádio Nacional de Brasilia Mané Garrincha para o primeiro jogo de Copa do Mundo na cidade. Foto: Fernando Martinez.

Depois de não dormir da sexta para o sábado, consegui descansar perfeitamente na madrugada do domingo, ficando zerado para "matar" um estádio e colocar a Schweizer Nati na Lista. De todas as seleções que se classificaram para essa Copa, a Suíça era um dos meus maiores "alvos".

Desde criança ouvi histórias sobre tudo que rolou no clássico Brasil 2-2 Suíça realizado no Pacaembu na Copa de 1950. Meu saudoso avô foi testemunha in loco daquela peleja, assim como de todas partidas realizadas em São Paulo naquele Mundial, e do nada criei uma grande simpatia pelo time alvirrubro.

O jogo estava marcado para as 13 horas, e chegamos nas redondezas do Mané Garrincha faltando pouco menos de duas horas para o apito inicial. Um ponto alto que vivi ali foi a facilidade de se chegar de carro no estádio. Conseguimos estacionar bem perto e andamos apenas cerca de 10 minutos até chegar nos portões de entrada.

Logo eu, o Raul e seu pai Ronaldo, gente finíssima, fomos para uma das várias filas formadas ali. Por sorte elas não estavam tão grandes assim. Se tivéssemos chegado meia hora depois, teríamos enfrentado um verdadeiro inferno. Essas filas se tornaram absurdamente gigantes por conta da revista local e ouvimos vários relatos de pessoas que entraram somente no final do primeiro tempo. Um absurdo.


Grande rampa que dá acesso às arquibancadas do estádio com suas gigantescas colunas. Foto: Fernando Martinez.


Visão das enormes filas antes do jogo. Foto: Fernando Martinez.

Bom, já dentro do Estádio Nacional pude conferir o motivo de muitos considerarem esse o campo mais bonito da Copa. Os acessos às arquibancadas são bastante espaçosos e há muito espaço para o escoamento do público. A maior surpresa porém acontece quando finalmente chegamos ás cadeiras. O lugar é simplesmente colossal.

A percepção que temos é de estar num daqueles estádios monumentais da Copa de 1986. Do lugar que fiquei, lá no alto, a visão foi completa de todo o complexo. O local é tão íngreme que há um ferro separando cada degrau e também corrimões nas escadarias. Impossível não se impressionar com a grandiosidade novo Mané Garrincha.


Seleções da Suíça e do Equador entrando em campo para a estreia na Copa do Brasil. Foto: Fernando Martinez.

Após conhecer bem as instalações do local fui procurar meu lugar. A cadeira de lá é confortável, mas o espaço entre as fileiras é um tanto quanto apertado. Nesse jogo tive a companhia de uma simpática mineira, um brasiliense e de John, um simpaticíssimo inglês torcedor ferrenho do Chelsea que via seu primeiro jogo em Copas.


Confusão dentro da área do Equador. Foto: Fernando Martinez.


Ataque europeu pela direita. Foto: Fernando Martinez.

Dali vimos um belo jogo de futebol. Suíça e Equador eram enormes incógnitas antes dessa partida e eu não sabia o que esperar. Empurrado pela grande torcida equatoriana presente, o time azul e amarelo começou melhor e o camisa 13 Valencia deixou a equipe sul-americana em vantagem no tempo inicial com um gol aos 22 minutos.


Primeiro gol do jogo, marcado por Valencia. Foto: Estevan Mazzuia.


Jogadores aguardando cobrança de escanteio dentro da área do Equador já no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


Ataque sul-americano pelo alto. Foto: Fernando Martinez.

Para o tempo final tive também a companhia do Estevan, no primeiro dos três jogos - cada um numa região diferente do país - que o encontrei. Nem bem a peleja havia recomeçado e Mehmedi deixou tudo igual com um belo gol de cabeça no seu primeiro toque na pelota.


Valencia, autor do gol do time azul, armando mais uma jogada de ataque. Foto: Fernando Martinez.


Ótima defesa do goleiro Benaglio. Foto: Fernando Martinez.

O jogo continuou muito bem disputado e os 68.351 pagantes presenciaram uma série de ataques perigosos dos dois times. Só que as maiores emoções ficaram para os acréscimos. Aos 47, o Equador perdeu um gol feito por puro preciosismo. Na sequência, a Suíça conseguiu armar um belíssimo contra-ataque que terminou com a conclusão certeira de Seferovic aos 48 minutos.


Visão geral do Mané Garrincha completamente lotado para Suíça x Equador. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração do segundo gol suíço no último lance da partida. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Suíça 2-1 Equador acabou praticamente definindo a sorte do grupo já na rodada inicial. O time europeu, mesmo perdendo para a França na segunda rodada, se classificou para as oitavas-de-final após vencer Honduras no terceiro jogo. O onze equatoriano venceu o time da América Central na sua segunda partida - a qual também estive presente - e depois empatou sem gols com os franceses.

O pós jogo foi sensacional e participamos de uma enorme confraternização de suíços, equatorianos e um sem número de pessoas de várias nacionalidades. Era camaronês pra cá, dominicano pra lá, numa interação que só eventos como a Copa do Mundo pode proporcionar. Muito tempo depois saímos do estádio e fomos fazer uma boquinha num shopping da cidade.


Confraternização entre todas as torcidas após o jogo em Brasília. Sempre um dos pontos altos nos jogos da Copa. Foto: Fernando Martinez.


A alucinada torcida da Suíça comemorando a grande vitória nas escadarias do estádio. No meio dos europeus, uma bandeira do União Barbarense. Só na Copa você vê algo assim. Foto: Estevan Mazzuia.

Deu tempo ainda de assistir Argentina x Bósnia na casa dos grandes amigos antes de cair no sono. Voltei para São Paulo na segunda-feira bem cedinho para um raro momento de descanso no meu lar. Na manhã de terça começou a segunda parte das viagens, com mais uma peleja realizada em Belo Horizonte.

Até lá!

Fernando!