Texto e fotos: Fernando Martinez
A pequena turnê pelo Rio de Janeiro teve muitos passeios turísticos, quase todos em locais onde nunca tinha ido. Na segunda-feira pintou visita na Confeitaria Colombo e no Gabinete Português. Tudo com frio e uma garoa que não parou por um momento sequer. O dia terminou com meu retorno ao Estádio Nílton Santos após 10 anos. Na pauta, Botafogo x Athletico/PR pelo Campeonato Brasileiro.
Minha primeira vez no antigo Estádio Olímpico João Havelange foi em 18 de julho de 2007, em uma goleada monstra da seleção feminina sobre o Equador por 10 a 0 nos Jogos Pan-Americanos. Naquele mesmo dia emplaquei mais dois jogos do torneio masculino. Voltei ao estádio somente em 2016, já como Estádio Nílton Santos, para uma rodada dupla olímpica: Honduras x Portugal e Argentina x Argélia. Minha última visita não foi com futebol, e sim com atletismo, na histórica noite em que Usain Bolt ficou com o terceiro ouro seguido nos 100 metros rasos. Dez anos depois, já era hora de retornar.
Pouco movimento nas redondezas do estádio antes do jogo
Estátuas de Nílton Santos e Garrincha na entrada do Engenhão. Também estão ali imagens de Zagallo e Jairzinho
Há 10 anos não visitava o Engenhão. Não lembrava direito como o estádio é sensacional
O percurso até a casa botafoguense foi percorrido de metrô e trem, bem na hora que a rapaziada voltava para casa depois de um dia de labuta. Estava cheio? Sim, mas nada absurdo como a Estação Sé às 18 horas. Sem correria, estava nas redondezas do Engenhão por volta das 19h15 (o jogo começava às 20). Foi a primeira vez que vi uma partida entre clubes no local. Por sorte, a chuva e o frio — para os padrões do Rio de Janeiro — afastaram o público e apenas 7 mil pessoas marcaram presença. Aliás, vale dizer que, dos quatro jogos da Série A que vi fora do estado de São Paulo, esse foi o terceiro que contou com a presença do time da Estrela Solitária. Em 2004 estive em um Grêmio x Botafogo no Olímpico e, em 2012, acompanhei nos Aflitos o duelo botafoguense contra o Náutico.
Foi de longe, mas vale registrar as imagens dos times posados e dos capitães com o quarteto de arbitragem
A galera local estava ressabiada com a peleja. Ocupando a 11ª posição, digamos que o Bota está deixando a desejar. Jogando contra o terceiro colocado, a missão não seria fácil. Quando a bola começou a rolar, não demorou para a suspeita se confirmar, já que o Furacão chegou tranquilo aos 2 a 0 em apenas 13 minutos. O segundo gol foi anotado por Viveros, um dos destaques do nacional até agora. O alvinegro tentou responder e não teve nenhum sucesso na empreitada. Os torcedores não estavam felizes.
Na segunda etapa, o Botafogo teve mais posse de bola e chegou a emplacar algumas finalizações, todas para fora. O Athletico cozinhava o galo e ampliou sua vantagem aos 33 com outro gol de Viveros, artilheiro do nacional. Foi a deixa para parte da torcida pegar o caminho de casa. Quem ficou estava revoltado, xingando jogadores, comissão técnica e dirigentes, além dos parentes de primeiro a quarto grau de cada um deles. Aos 39, Santi Rodriguez anotou o primeiro tento dos cariocas. Daria tempo para um milagre?
A pressão foi grande e o camisa 23 fez o segundo dele e do Bota aos 47. Faltavam quatro minutos e um eventual empate teria contornos épicos. O Botafogo tentou e teria sido muito legal ver o 3 a 3... mas não deu. Com o triunfo, o Furacão manteve o terceiro lugar, agora com 44 pontos, sete abaixo do líder Palmeiras. O escrete carioca segue em 11º, com 30. Faltam 14 rodadas para o término da Série A, edição 2026.
Lances do bom jogo entre Botafogo e Athletico/PR

O Bota marcou duas vezes no fim, mas não conseguiu chegar ao empate

Teve briga depois do apito final e jogador ativando o protocolo anti-racismo
Demorei para sair do estádio e poucas pessoas perambulavam pela região quando deixei o Engenhão. Deu tempo de fazer uma boquinha antes de pegar o trem na Estação Engenho de Dentro, que incrivelmente segue no mesmo estado de conservação que estava em 2007, quando fui lá pela primeira vez. Dali fiz uma temerosa baldeação na Estação Maracanã e retomei o caminho até o QG no Rio. Ainda tinha mais um jogo para fechar a cobertura JP dos quatro grandes do estado.
Até lá!
Ficha Técnica: Botafogo/RJ 2-3 Athletico/PR
Local: Estádio Nilton Santos (Rio de Janeiro/RJ); Árbitro: André Luiz Policarpo Bento/MG; Público: 7.086 pagantes; Renda: R$ 178.760,00; Cartões amarelos: Kauan Toledo, Edenilson e Dantas; Gols: João Cruz 10 e Kevin Viveros 13 do 1º, Kevin Viveros 33, Santi Rodríguez 39 e 47 do 2º.
Botafogo/RJ: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Allan (Huguinho), Medina (Kadir) e Montoro (Matheus Martins); Kauan Toledo (Júnior Santos), Edenilson (Santi Rodríguez) e Danilo Pereira. Técnico: Rodrigo Bellão.
Athletico/PR: Santos; Dantas, Aguirre e Arthur Dias; Benavídez, Jádson, Luiz Gustavo (Portilla), João Cruz (Dudu) e Mendoza; Leozinho (Vargas) e Kevin Viveros (Renan Peixoto). Técnico: Odair Hellmann.
















Nenhum comentário:
Postar um comentário