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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Chile vence nos penais e conquista o título do Torneio Internacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nem bem a decisão de terceiro lugar do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino tinha terminado com a vitória da Costa Rica em cima da Argentina e o céu paulistano começou a ficar super carregado, confirmando a previsão do tempo. Pouco antes da decisão entre Brasil e Chile, o Estádio Paulo Machado de Carvalho recebeu uma daquelas tempestades dignas de verão que ajudou a complicar bastante a tarefa de curtir a final na boa sem nenhum perrengue.

Como não consegui credenciamento, comprei ingresso na numerada descoberta. O que me salvou foi ficar espremido no limite da cobertura do local e também a aquisição de uma capa de chuva a dez reais (!). O aperto foi enorme, pois a rapaziada que estava por ali teve a mesma ideia que eu. Da entrada das seleções no gramado até o intervalo consegui fazer poucas fotos. Há muito eu não passava tanta dificuldade num jogo de futebol. Ossos do ofício.

Tudo isso para acompanhar a primeira decisão de Pia Sundhage no comando da seleção brasileira jogando contra as freguesas chilenas. Em toda a história, a equipe verde e amarela conquistou treze vitórias nos treze duelos entre as duas, marcando 51 gols e sofrendo apenas cinco. Vindo de um 5x0 em cima da Argentina, era natural considerar o Brasil super favorito ao caneco do Torneio Internacional pela oitava vez em nove edições realizadas.


Seleções perfiladas para a execução dos hinos nacionais




Debaixo de uma chuva absurda, a foto oficial das brasileiras, chilenas e do quarteto de arbitragem com as capitãs

É, pena que esse favoritismo tenha ficado apenas no papel e, atuando com muitas modificações feitas pela técnica sueca, em nenhum momento as jogadoras locais mostraram inspiração suficiente para vencerem as adversárias durante os 90 minutos. Tudo bem, o gramado atrapalhou a atuação brasileira, não há como negar, mas a falta de entrosamento ficou evidente no altíssimo número de passes errados.

O público compareceu em ótimo número e apoiou durante todo o tempo (ah, como a torcida do futebol feminino é diferente) mesmo com as atletas não acertando praticamente nada no relvado. Bia criou a primeira chance verde e amarela aos dois minutos e Endler fez boa intervenção. A arqueira apareceu bem novamente aos 17 em falta de Mônica. No derradeiro minuto, Bia recebeu passe de Ludmilla da direita e perdeu um gol absurdo com a meta aberta. Pouco para quem era tão favorita.


Boa parte do primeiro tempo foi disputada debaixo de um temporal que deixou o gramado encharcado, prejudicando a ação


Yessenia López (11) avançando sob o olhar de Formiga (8) e Millene (18)


Seleção brasileira atacando pela direita

No intervalo a chuva deu finalmente uma trégua e pudemos nos sentar novamente. Não sem a capa de chuva, a fiel companheira da tarde, já que algumas gotas ainda caíam do céu nublado. A drenagem do Pacaembu funcionou e a expectativa geral era que o Brasil melhorasse. É, pena que o que já era ruim piorou, e a pouca inspiração dos primeiros 45 minutos ficou nos vestiários, deixando a peleja num cenário árido de emoções. As locais chegaram perto do gol apenas uma vez, aos cinco minutos, quando Chú avançou pelo campo de defesa chileno e arriscou de longe. Endler, mais uma vez, fez boa defesa.

Após esse lance a peleja ficou modorrenta e repleta de passes errados. O Chile estava na sua e só se defendia. O Brasil tentava e nada conseguia. O papo na arquibancada estava melhor do que a inspiração das atletas em campo e antes do apito final, as chilenas quase tiraram o zero do placar numa bobeada da zaga brasileira. Lara mandou na área, Formiga desviou, a pelota tocou em Bruna e tirou tinta da trave. Seria um bizarro gol contra.


Agora um ataque aéreo do Brasil no segundo tempo


Uma das poucas chegadas do Chile durante toda a peleja

O empate sem gols levou a decisão aos pênaltis. Não ter vencido o Chile pela primeira vez na história indicava que o final poderia não ser feliz. Na primeira cobrança, Endler defendeu o chute de Raquel. Na sequência Lara, Mônica, Balmaceda, Chú, Hidalgo e Bia fizeram, deixando a disputa em 3x3. Aline defendeu a quarta cobrança chilena de Pardo. Luana poderia ter igualado as coisas, mas chutou pela linha de fundo a última cobrança brasileira.

Endler foi para o chute decisivo e Aline pegou pela segunda vez. Nos tiros alternados Bruna perdeu e de novo o Chile poderia ter garantido o caneco, porém Roa também desperdiçou. Fabiana fez 4x3, Aedo empatou em 4x4. Joyce bateu mal e Endler defendeu. As chilenas tiveram nos pés de Toro a terceira oportunidade de conquistarem o título e dessa vez não desperdiçaram.



Joyce perdendo o último pênalti a favor do Brasil - grande defesa da goleira Cristiane Endler - e Javiera Toro convertendo e dando o título ao Chile


Mesmo de longe, vale o registro da festa chilena pelo improvável título da edição 2019 do Torneio Internacional

Fim de papo no Pacaembu com o placar de Brasil 0-0 (4-5) Chile. O triunfo nos penais deu o título ao escrete azul e vermelho, frustrando os mais de 16 mil presentes que tomaram muita chuva a apoiaram as meninas locais durante toda a tarde. É o começo do trabalho de Pia Sundhage e é óbvio que não tem como reclamar, dito isso, é fato que que todo mundo foi embora com um gosto amargo na boca. Agora, em nove edições do Torneio Internacional de Futebol Feminino, as brasileiras tem sete conquistas e dois vices. O outro "intruso" na lista de vencedores é o Canadá.

Ainda fiquei um bom tempo na velha cancha buscando ingressos e souvenirs perdidos pela numerada. Também dei um pulo no Salão Nobre ver o que os VIPs tinham deixado para trás. Após de tanta chuva eu merecia um pouco de luxo. Enquanto me esbaldava, a chuva voltou com tudo e retornar ao QG não foi moleza. Depois de um 0x0 no sábado com um calor insano e outro no domingo debaixo de um dilúvio, só queria descansar.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Brasil 0-0 (4-5) Chile

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Débora Cecília Correia (Bra); Público: 15.047 pagantes; Renda: R$ 174.073,00; Cartões amarelos: Rocío Soto e Camila Sáez (Chi).
Brasil: Aline; Fabiana Baiana, Mônica Hickmann, Bruna Benites e Joyce; Formiga, Aline Milene (Luana), Debinha (Ludmilla) e Andressa Alves (Raquel); Bia Zaneratto e Millene (Chú). Técnica: Pia Sundhage.
Chile: Christiane Endler; Francisca Lara, Rosario Balmaceda, Javiera Toro e Daniela Pardo; Yasmín Torrealba (Javiera Roa), Rocío Soto, Francisca Mardones e Yanara Aedo; Camila Sáez e Yesenia López (Fernanda Hidalgo). Técnico: José Letelier.

Obs: Nos pênaltis, o Chile venceu por 5x4. Francisca Lara, Rosario Balmaceda, Fernanda Hidalgo, Yanara Aedo e Javiera Toro marcaram, enquanto Daniela Pardo, Christiane Endler e Javiera Roa perderam. No Brasil, Mônica, Chú, Bia Zaneratto e Fabiana fizeram, enquanto Raquel, Luana, Bruna Benites e Joyce desperdiçaram.
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Costa Rica fica em terceiro no Torneio Internacional Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na manhã do último domingo o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino chegou ao fim numa rodada dupla que acabou sendo um programa de índio monstro, principalmente por tudo o que aconteceu no jogo de fundo. Antes do perrengue, as seleções da Costa Rica e da Argentina decidiram o terceiro lugar. O palco, claro, foi o Estádio Paulo Machado de Carvalho, provavelmente respirando os seus últimos dias como um campo municipal.

A Costa Rica foi derrotada pelo Chile na quinta-feira mesmo merecendo ter melhor sorte e, na minha humilde opinião, eram favoritas ao triunfo contra a esforçada e limitada Argentina. Os 5x0 sofridos pelas hermanas contra o Brasil ficaram até barato por conta do domínio enorme do selecionado tupiniquim. Com um Pacaembu ainda recebendo um público tímido, logo quando a peleja começou ficou claro que colocar as centro-americanas como favoritas não era nenhum absurdo.

Melhor postadas em campo, as costarriquenhas abriram a contagem aos 27 minutos com um gol de Priscila Chinchilla. As argentinas até chegaram a equilibrar as ações após o tento adversário, porém o intervalo chegou com o 1x0 contrário no marcador. Como desgraça pouca é bobagem, nem bem o segundo tempo tinha começado e o segundo tento saiu, novamente dos pés da jovem camisa 14.


A goleira costarriquenha Noelia Bermudez rasgando tudo para afastar a pelota da área


Milagros Menéndez (11) cabeceando em chegada argentina pelo alto

A massa que chegava ao velho estádio torcia em sua totalidade para a Costa Rica, só que Sole James, atleta santista e melhor jogadora da seleção portenha, devolveu a esperança de um melhor resultado diminuindo a contagem aos 12 minutos. O 2x1 deixou o cotejo um pouco mais equilibrado e bastante animado. Teve chance dos dois lados e ambas mereciam pelo menos outro golzinho para animar a manhã.

Na base do abafa as portenhas se mandaram ao setor ofensivo nos minutos finais buscando a todo custo o empate que levaria a decisão para a marca da cal. O problema é que o setor defensivo ficou completamente desguarnecido, e com isso a Costa Rica tinha o contra-ataque todo à sua disposição. Foi aos 51 minutos que as centro-americanas deram o golpe de misericórdia com o tento de Daphne Herrera.


Bola no campo de defesa argentino em lance do segundo tempo


Zagueira portenha fazendo o corte em chegada da Costa Rica



Costa Rica e Argentina, respectivamente terceira e quarta colocadas do Torneio Internacional, posando com as suas medalhas após a partida

O placar de Costa Rica 3-1 Argentina deu o terceiro lugar do mini-certame para a seleção da América Central, enquanto as nossas vizinhas ficaram na lanterna. Resultado justo pelo que as duas apresentaram nas duas partidas. É, só que a rodada dupla que se mostrava promissora se transformou num enorme programa de índio em questão de minutos, mas conto o motivo no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Costa Rica 3-1 Argentina

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Rejane Caetano da Silva (Bra); Público: 15.047 pagantes; Renda: R$ 174.073,00; Gols: Priscila Chinchilla 27 do 1º e 4 do 2º, Sole James 11 e Melissa Herrera 51 do 2º.
Costa Rica: Noelia Bermúdez; Gabriela Guillén, Carol Sánchez, Stephannie Blanco (Fabíola Sánchez) e Lixy Rodríguez; Daphne Herrera, Mariana Benavides, Raquel Rodríguez e Priscila Chinchilla; Shirley Cruz e Sofía Varela (Maria Paula Salas). Técnica: Amelia Valverde.
Argentina: Solana Pereyra; Gabriela Chávez, Agustina Barroso, Adriana Sachs e Eliana Stábile; Vanesa Santana (Lorena Benítez), Miriam Mayorga (Milagros Díaz), Mariana Larroquette (Milagros Menéndez) e Yamila Rodríguez; Yael Oviedo (Dalila Ippolito) (Micaela Cabrera) e Soledad Jaimes. Técnico: Carlos Borrello.
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Massacre na estreia de Pia Sundhage como técnica do Brasil

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nem bem a preliminar tinha acabado - vitória chilena em cima da Costa Rica - e o jogo de fundo que fechou a rodada de abertura do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino pediu passagem. No histórico gramado do Estádio Paulo Machado de Carvalho, a seleção do Brasil enfrentou a seleção da Argentina em busca da vaga na final da competição. Além disso, a peleja marcou a esperadíssima estreia de Pia Sundhage no banco de reservas tupiniquim.

Depois que Vadão, o comandante das meninas brasileiras na Copa do Mundo, ganhou o bilhete azul a expectativa era que a CBF contratasse alguém melhor preparado para o cargo. A escolha foi a melhor possível pois a sueca é o grande nome da atualidade. Bi-campeã olímpica em 2008 e 2012 - ano em que foi eleita como a melhor técnica do ano pela FIFA - e vice mundial em 2010 com os Estados Unidos, ela também foi medalha de prata no Rio em 2016 com seu país natal.

A presença dela é importantíssima, só que não há como ser encarada como "salvadora da pátria". A treinadora vai precisar que a CBF e as federações estaduais também façam sua parte e tratem o futebol feminino com respeito. Isso sem falar da imprensa, né? Que saiam das redes sociais e comecem a acompanhar de verdade a categoria, algo que hoje não existe. Pode ser pouco, mas o JP vai continuar cobrindo a categoria como fazemos desde 2004.


As duas seleções perfiladas antes do apito inicial



De novo na base da carona, Brasil e Argentina posados

Direto da numerada descoberta - o credenciamento foi uma bagunça e não conseguimos ficar no gramado, como disse na matéria da preliminar - acompanhei uma partida em que o Brasil foi amplamente superior. As argentinas, embora animadas com a campanha heroica da Copa do Mundo, não foram páreo para as donas da casa, que atuaram sem Marta e Cristiane, uma dupla que sempre fará falta em qualquer time do mundo.

As locais criaram quatro bons momentos antes de Ludmilla abrir o marcador aos 17 minutos. A vantagem não diminuiu o ímpeto local e a veterana Formiga, no alto dos seus 41 anos, ampliou aos 41. Vale lembrar que ela se tornou a recordista de participações em Copas do Mundo na França. De 1995 a 2019, sete edições seguidas, ela esteve em todas, isso sem contar a presença em todas as edições dos Jogos Olímpicos até hoje. Um monstro.

Aos 35, Debinha fez o terceiro para delírio dos mais de 13 mil presentes no Pacaembu. Bia quase faz o quarto aos 41 e no intervalo a vantagem parcial de 3x0 praticamente já definiu a sorte do cotejo, restando saber de quanto seria o triunfo verde e amarelo. Vale lembrar que, se no masculino a rivalidade com a Argentina é enorme, no feminino isso não acontece. Em quinze duelos realizados até então, o Brasil tinha vencido doze, empatado um e perdido apenas dois. A diferença entre as meninas dos países vizinhos é enorme.

Na etapa final as locais voltaram mais de boa e a pressão não foi tão grande. Jogando na boa, o placar voltou a ser alterado aos 13 minutos em gol de cabeça da zagueira Erika escorando escanteio da direita. Várias alterações foram feitas e a partida caiu bastante de produção. Enquanto a bola rolava no relvado, o clima na arquibancada era sensacional. Defendo a tese que público do futebol feminino é diferente e a mistura com a torcida "tradicional" não seria nada saudável. Nada melhor do que ver famílias inteiras, crianças e meninas que se espelham nas atletas tupiniquins ocupando o estádio. No campo, ainda deu tempo de pintar o quinto tento local numa cabeçada contra de Juncos aos 37 minutos.


Bola perigosamente zanzando dentro da área argentina


No feminino, a rivalidade dos dois países é quase nula, bem diferente do masculino


Atletas locais na comemoração de um dos gols no primeiro tempo


Brasil atacando pela direita já na segunda etapa


Lance do quarto gol, marcado de cabeça pela zagueira Érika


Visão geral da velha cancha com um bom público na quinta à noite. Mais um capítulo da série "vá ao estádio antes que ele acabe"... pena que o fim está próximo

O resultado final de Brasil 5-0 Argentina colocou a seleção tupiniquim na decisão do Torneio Internacional contra o Chile. Já as portenhas disputarão o terceiro lugar contra a Costa Rica. Agora, é fato que a estreia de Pia Sundhage foi promissora. Se deixarem a simpática sueca trabalhar, podemos ter resultados mais dignos.

Antes de marcar presença na grande decisão na manhã/tarde de domingo, a agenda futebolística reservou a estreia do Nacional na segunda fase da Copa Paulista na tarde de sábado. Pena que, assim como vem acontecendo em toda a temporada, a apresentação tenha sido sofrível.

Até lá!

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Ficha Técnica: Brasil 5-0 Argentina

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Edina Alves Batista (Bra); Público: 11.962 pagantes; Renda: R$ 132.402,00; Cartão amarelo: Chávez (Arg); Gols: Ludmila 18, Formiga 34 e Debinha 35 do 1º, Érika 14 e Juncos (contra) 37 do 2º.
Brasil: Bárbara; Letícia Santos, Kethellen, Érika e Tamires; Luana, Formiga (Aline Milene), Debinha (Millene) e Andressa Alves (Chu); Ludmila (Geisy) e Bia Zaneratto (Raquel). Técnica: Pia Sundhage
Argentina: Correa; Chávez (Gómez), Barroso, Sachs e Stabile; Santana, Mayorga, Benítez (Sole Jaimes) e Larroquete (Cabrera); Rodríguez e Oviedo (Juncos). Técnico: Carlos Borrello.
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Chile vence a Costa Rica e vai para a final do Torneio Internacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na noite da última quinta-feira não tinha como ficar de fora da genial rodada dupla que abriu o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino no Estádio Paulo Machado de Carvalho. Iniciando os trabalhos, a ainda vazia cancha viu o encontro entre as seleções de Costa Rica e Chile, um jogo perdido de grife e muito legal de se ver em território neutro, respectivamente a 37ª e 38ª colocadas no atual Ranking da FIFA.

De 2009 a 2012 o certame foi realizado na capital bandeirante com organização da FPF. A partir de 2013 a CBF tomou as rédeas e passou a levar a competição até palcos construídos especialmente para a Copa do Mundo: Brasília em 2013 e 2014, Natal em 2015 e Manaus em 2016. Com todo o frenesi gerado pela Copa do Mundo da França, ótima hora da competição retornar ao estado de São Paulo. O Brasil foi campeão sete vezes (as finais de 2009 contra o México e 2012 contra a Dinamarca tiveram cobertura do JP) e o Canadá uma, em 2010.



Mesmo de longe, pegamos uma carona nas fotos oficiais de Chile e Costa Rica na abertura da edição 2019 do Torneio Internacional de Futebol Feminino



As seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais e a foto oficial das capitãs com o quarteto de arbitragem

Conseguir se credenciar foi como fazer companhia ao Tom Cruise na sua eterna Missão Impossível por conta da enorme desorganização e pouca simpatia dos responsáveis. Após uma série de e-mails enviados sem resposta e um contato bizarro na véspera da peleja, fiquei sem lugar no gramado e encarei a jornada da arquibancada. Pior foi saber que uma série de bloqueirinhas, aspones, parças e afins conseguiram o tal credenciamento.

O fato é que não tinha como esperar algo diferente levando em conta o cenário que temos em momentos importantes. Ninguém se faz presente nos jogos perdidaços do Paulista Feminino ou do sub-17 estadual em locais mais remotos, só que na hora do filé mignon tem briga de cachorro grande pelo maior pedaço. São os já citados ~lacradores~ repletos de opiniões mas que na hora H nem sabem o que está rolando de verdade na categoria durante toda a temporada.

A Costa Rica ficou de fora da Copa do Mundo da França e conta com apenas uma participação em mundiais: foi 18ª colocada em 2015 no Canadá. Já o Chile, que tem sua seleção em atividade apenas desde 2009, fez sua estreia em gramados franceses no último mês de junho. Elas foram derrotadas por Suécia e Estados Unidos, ganharam da Tailândia e acabaram eliminadas ainda na primeira fase, finalizando a campanha na 17ª posição. Especificamente no Torneio Internacional, as centro-americanas disputam a segunda edição (a primeira foi em 2016) e as sul-americanas jogam pela quarta vez (as outras foram em 2009, 2011 e 2013).

Quem chegou cedo na velha cancha acabou vendo uma partida animada e bem movimentada. Se as seleções não possuem jogadoras com nível técnico incrível, pelo menos as meninas nos brindaram com bastante vontade e disposição. A Costa Rica foi melhor na maior parte do tempo e teve várias chances no decorrer na etapa inicial, mas quem colocou a bola na rede foi o Chile aos 47 minutos. A autora do golaço foi a camisa 10 Yanara com um chute no ângulo esquerdo.

No segundo tempo as costarriquenhas ocuparam o setor defensivo adversário sem que o domínio se transformasse em gols. As chilenas sofreram com a pressão e ainda terminaram com uma atleta a menos depois que a zagueira Carla Guerrero foi expulsa. Nos acréscimos a goleira Christiane Endler, que fez sua 70ª apresentação com a camisa da Roja, fez duas defesas que garantiram a vitória. Além disso, a equipe da América Central chegou a empatar, porém miseravelmente o tento foi anulado.


Ataque chileno pela direita no começo da partida


Aqui uma investida da boa equipe costarriquenha


Bola levantada na área centro-americana em lance já no tempo final


Perigo em chance sul-americana em cobrança de escanteio


Visão do Pacaembu ainda com presença tímida na preliminar

Apesar da pressão, o placar final ficou em Chile 1-0 Costa Rica e colocou a seleção da América do Sul pela segunda decisão na história - em 2013 foram derrotadas pelo Brasil em Brasília por 5x0. A Costa Rica, mesmo com um futebol melhor, lutará pelo terceiro lugar. Cotejo absolutamente agradável que serviu como belo aperitivo para o prato principal.

Com o estádio já com um público bem maior, tinha chegado a hora de acompanhar o duelo principal, a grande estreia da sueca Pia Sundhage no comando da seleção brasileira feminina.

Até lá!

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Ficha Técnica: Chile 1-0 Costa Rica

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Thayslane de Melo Costa (Bra); Público: 11.962 pagantes; Renda: R$ 132.402,00; Cartões amarelos: Carla Guerrero, Yessenia Huenteo (Chi); Mariana Benavídez (Cos); Cartão vermelho: Carla Guerrero 44 do 2º; Gol: Yanara Aedo 47 do 1º.
Chile: Christiane Endler; Su Helen Galaz, Carla Guerrero, Camila Sáez e Francisca Lara; María Francisca Mardones (Yastin Jiménez), Yessenia López (Javiera Roa), Yanara Aedo e Daniela Zamora (Yessenia Huenteo) (Rocío Soto); Yazmín Torrealba (Daniela Pardo) e Rosario Balmaceda. Técnico: José Letelier.
Costa Rica: Noelia Bermúdez; Gabriela Guillén, Carol Sánchez, Fabiola Sánchez e Lixy Rodríguez; Melissa Herrera (María Paula Porras), Raquel Rodríguez, Mariana Benavídez e Priscilla Chinchilla; Shirley Cruz e María Paula Salas (Sofía Varela). Técnica: Amelia Valverde.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Brasil Campeão do Torneio Cidade de São Paulo (ou ainda "o último jogo de 2012")

Opa, 

2012 foi o ano em que o JP completou seu oitavo aniversário comigo segurando a onda para ele continuar na ativa. Foi o ano em que completei 2000 jogos in loco (hoje estou no jogo número 2078). Foi o ano em que "matei" 24 times novos e vi um total de 157 partidas em 49 estádios de 36 cidades diferentes. Foi o ano em que pela primeira vez vi partidas em quatro regiões do país... Uma temporada produtiva, sem dúvida. 

Para fechar esse ano histórico com chave de ouro, acompanhei na quarta-feira a final do Torneio Internacional Cidade de São Paulo entre Brasil e Dinamarca. Já havia acompanhado a última peleja desse certame em 2009 quando as brasileiras golearam o México. Em 2010 e 2011 não consegui acompanhar a conquista canadense e o segundo título do Brasil respectivamente, mas em 2012 novamente me fiz presente. Jogando pelo empate, as meninas locais eram levemente favoritas contra a boa seleção dinamarquesa. 


Seleção do Brasil (feminina). Foto: Fernando Martinez. 


Seleção da Dinamarca (feminina). Foto: Fernando Martinez. 


Quarteto de arbitragem da decisão e capitãs dos times. Foto: Fernando Martinez. 

Acompanhei o começo da peleja instalado confortavelmente na numerada coberta do Pacaembu, e dali vi a atual quarta colocada no Ranking da FIFA começar melhor e mesmo sem as "donas" do time em campo (Cristiane se recuperava de lesão no banco de reservas e a rainha Marta viu o jogo na tribuna, também lesionada), o futebol apresentado foi de boa qualidade. 


Raro ataque dinamarquês no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez. 

O domínio era total e o primeiro gol saiu aos 29 minutos em belíssima cobrança de pênalti de Andressa. No atual trabalho iniciado pelo técnico Márcio Oliveira, foi bom ver o time jogando bem sem suas principais atletas, já que a renovação é absolutamente necessária. Sem riscos, o primeiro tempo terminou com vantagem mínima para as brasileiras. 


Primeiro gol da seleção da casa, marcado em bela cobrança de pênalti de Andressa. Foto: Fernando Martinez. 


Grande chance de gol para o Brasil. Foto: Fernando Martinez. 

E foi justamente no intervalo que o ambiente da peleja tomou ares surreais. Junto ao amigo Renato, fomos devidamente autorizados a subir para o Salão Nobre do Pacaembu, local aonde estava rolando um regabofe bastante interessante. Passamos um bom tempo ali nos deliciando com um buffet arrasador. Tudo na companhia de jogadoras mexicanas e portuguesas, autoridades e algumas figuras não identificadas. 


Momento "o que estou fazendo aqui" no Salão Nobre do Pacaembu e curtindo a vida social que só o JP pode proporcionar. Foto: Fernando Martinez. 

O astral era tão bom que nem nos preocupamos em voltar para as numeradas quando o segundo tempo começou. Entre um gole de refrigerante e uma leva de salgadinhos, vimos numa TV instalada no local o segundo gol brasileiro aos 3 minutos. Fabiana Baiana entrou sozinha na área e apenas teve o trabalho de deslocar a arqueira Peterson para ampliar a vantagem. 


Disputa de bola no meio-campo na decisão do Torneio Internacional Cidade de São Paulo 2012. Foto: Fernando Martinez. 

Minutos depois, já abastecidos com refrigerantes e sorvetes de limão, voltamos às arquibancadas para acompanhar o restante da decisão "ao vivo". Mostrando bastante disposição e muita força de vontade, a Dinamarca complicou a situação do Brasil no crepúsculo da peleja. 


Detalhe do pênalti cobrado por Rasmussen. Era o primeiro gol das dinamarquesas aos 38 do segundo tempo. Foto: Fernando Martinez. 

Rasmussen fez o primeiro das meninas da terra dos vikings aos 38 em cobrança de pênalti. Assustando a barulhenta torcida local, o empate veio quatro minutos depois, em cabeçada de Sofie Pedersen. O que parecia uma conquista tranquila se transformou em absoluto desespero. Os seis minutos restante tiveram a Dinamarca ocupando a área brasileira e chegando muito, mas muito perto de virar a peleja. 


Placar final da decisão do 4º Torneio Internacional Cidade de São Paulo e do meu jogo de número 157 em 2012. Foto: Fernando Martinez. 

Juntando competência e uma pitada de sorte, as meninas locais conseguiram segurar a pressão e após esse verdadeiro sofrimento, o jogo terminou mesmo em Brasil 2-2 Dinamarca. O empate deu o terceiro título do Brasil nessa competição, o segundo contra as dinamarquesas e novamente de forma sofrida. E como o trabalho de renovação do selecionado para a Copa do Mundo de 2015 e os Jogos Olímpicos do Rio em 2016 está apenas começando, o crédito ainda é enorme. Torço para que lá na frente tudo tenha seguido dentro do planejado. 

Bom, foi isso. Esse foi o relato do meu jogo de número 157 nesse ano e espero que os amigos do blog tenham curtido todas as matérias publicadas por aqui nesses 12 meses. Um novo ano começa daqui a duas semanas e já teremos a disputa da Copa São Paulo de Juniores para animar a todos (mesmo tendo sido, na minha humilde opinião, a Copinha mais chata na distribuição de chaves nesse século). Com certeza me farei presente em várias pelejas dessa competição, já na contagem regressiva para o começo das séries A2 e A3 do Paulistão. 

Até lá e valeu a companhia de todos! 

Fernando

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A (chuvosa) noite do centésimo jogo no Pacaembu

Opa, 

A quarta-feira, 19 de dezembro, reservou o que provavelmente foi a última rodada futebolística nesse ano de 2012. Numa temporada cheia de marcas históricas alcançadas pelo que vos escreve, essa derradeira jornada fez com que atingisse outro fato importantíssimo. O duelo entre Portugal e México, válido pela disputa do terceiro lugar do Torneio Internacional Cidade de São Paulo, foi meu centésimo jogo no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu


Portugal e México alinhados momentos antes do apito inicial do meu centésimo jogo no Estádio do Pacaembu em todos os tempos. Foto: Fernando Martinez. 

Demorou demais para chegar nessa marca, já que é "apenas" o sexto estádio que entra no "clube dos 100" da minha Lista (a saber, os outros são a Rua Javari, Canindé, Nicolau Alayon, Palestra Itália e o Antônio Soares de Oliveira, em Guarulhos), mas não é difícil saber o motivo. Nos anos 80/90 só ia em jogos do Corinthians (vi 61 vezes o alvinegro ali) e como atualmente não tenho mais o hábito de ver pelejas do atual Campeão Mundial, ficou cada vez mais raro ir ao Pacaembu. 

E para deixar a peleja com um ar ainda mais histórico, a chegada ao estádio foi simplesmente surreal. Fui para o Metrô Clínicas fazer uma boquinha antes da peleja e ali fiquei durante cerca de trinta minutos. Nesse meio-tempo começou a chover, mas nada que chegasse a preocupar. Encontrei os amigos Sérgio e Renato e por volta das 18 horas resolvemos descer a famosa ladeira da Rua Major Natanael e ir para o jogo. 

O problema é que foi só colocarmos o pé no asfalto que São Pedro resolveu pregar uma peça nos três. A chuva antes tranquila se transformou num verdadeiro dilúvio e nenhuma capa ou guarda-chuva foram capazes de segurar a bronca. Resultado: em pouquíssimo tempo nós já estávamos molhados até a alma e durante os 180 minutos da rodada dupla ficamos secando ao relento. 

Encharcado dos pés à cabeça finalmente entrei no Pacaembu e então fui ver o começo de jogo nas numeradas cobertas. Dessa vez não deu tempo de captar as imagens posadas de longe, já que o jogo estava para começar e eu estava mais preocupado em tentar diminuir o estrago causado pela chuva. Em campo, as portuguesas buscavam repetir o milagre do domingo e com um empate garantiriam um lugar no pódio do certame. Para as mexicanas, o jogo servia como uma espécie de revanche. 


Início de ataque mexicano pela esquerda. Foto: Fernando Martinez. 

E assim como aconteceu no primeiro jogo entre os dois selecionados, o México foi muito melhor, mas irritou sua torcida por perder muitos gols. Já Portugal procurou mais se defender e tentar arriscar oportunidades em esparsos contra-ataques. Só que a camisa 19 Sofia Huerta estava disposta a evitar qualquer tipo de surpresa. 


O México criou várias oportunidades de gol durante os 90 minutos, mas marcou apenas duas vezes. Foto: Fernando Martinez. 

A boa jogadora mexicana marcou duas vezes no primeiro tempo, aos 23 e aos 44 minutos, e levou o jogo para o intervalo com uma boa vantagem para sua equipe. No segundo tempo, apesar do marcador não ter sido alterado, vimos uma bela partida com muita animação dos dois lados. Foi uma despedida em alto astral. 


Outra investida ofensiva das meninas norte-americanas. Foto: Fernando Martinez. 

Ao apito final, o marcador mostrava Portugal 0-2 México. Com esse triunfo, as conterrâneas do Chapolin Colorado ficaram em terceiro lugar no certame e as meninas ibéricas terminaram em quarto. Agora era a hora da grande final, e para fechar o ano com chave de ouro, vivi mais momentos surreais durante os 90 minutos. 

Até lá! 

Fernando