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terça-feira, 19 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 13): França vira e fica com o terceiro lugar

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na base da organização perfeita, logística funcional e uma pequena ajuda dos amigos, no domingo o JP armou a sua cobertura mais importante em todos os tempos na rodada dupla que definiu a Copa do Mundo sub-17 do Brasil. No Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, a jornada se iniciou com a decisão do terceiro lugar, um duelo europeu entre a seleção da Holanda e a da França.

Cheguei no Distrito Federal sábado e no domingo cedo assisti um jogo perdidaço do Candangão Feminino entre CRESSPOM e Real, uma espécie de "esquenta" para a grande jornada no Gama. Na companhia da dupla Caio/Raul fizemos um almoço rápido e dali seguimos ao palco da decisão. Diferente do que tinha visto ali nas quatro matérias que fiz durante a primeira fase, a movimentação em torno da cancha era grande e o número de profissionais foi bem maior. A sala de imprensa que parecia tão grande ficou pequena. Pelo menos o ar-condicionado continuou funcionando direitinho.


Poste próximo do estádio do Gama com o banner decorativo da Copa do Mundo sub-17


A magistral fachada do belo Bezerrão na minha terceira e última rodada dupla ali no Mundial


As bandeiras dos quatro semifinalistas da Copa do Mundo sub-17 de 2019 tremulando no Bezerrão

Quando me dirigi ao gramado o campo ainda não estava tomado, porém já começava a receber um bom público. O público oficial foi de 1.232 pagantes e todos viram uma ótima partida que coroou a belíssima performance dos rapazes da terra da Torre Eiffel no Mundial. Na fase inicial a França terminou na liderança do Grupo C fazendo uma campanha perfeita com 100% de aproveitamento. Eu vi de perto o triunfo deles em cima do Chile por 2x0 em Goiânia e, mesmo sem ter a melhor impressão naquela tarde, sabia que eram um dos grandes candidatos ao título.

Nas oitavas eles aplicaram um sonoro 4x0 na Austrália e nas quartas fizeram uma apresentação de gala contra a ótima seleção da Espanha, a minha favorita ao caneco. A Fúria abriu o placar no Estádio Olímpico de Goiânia e depois o que se viu foi um massacre impiedoso. Com todos os gols marcados por atletas diferentes, humilharam os ibéricos com um insano 6x1. Na "final antecipada" contra os donos da casa pela semifinal, chegaram fácil aos 2x0 no começo e seguraram o marcador até os 17 da etapa final. Com uma reação épica, o Brasil virou a contagem e eliminou o selecionado tricolor.

O adversário dos atuais campeões do mundo na decisão de terceiro lugar foi a Holanda, seleção com um retrospecto muito mais complicado. Eles foram derrotados nos dois primeiros compromissos - 0x3 contra o Japão e um 1x3 versus Senegal que contou com cobertura do JP em Cariacica - e a vaga só pintou com o 4x0 em cima dos Estados Unidos na última rodada. Entraram como o quarto melhor terceiro colocado. Nas oitavas eliminaram a poderosa Nigéria e fizeram 4x1 no Paraguai nas quartas. Na semifinal, um injusto 1x1 contra o México apesar de terem sido melhores nos 90 minutos e triste derrota nos pênaltis.

Eu preferia que os holandeses tivessem ido à final por ser um antigo fã da Laranja Mecânica. De qualquer forma gostei bastante de ver esse embate europeu, certamente um confronto que não devo assistir novamente. Ah, vale lembrar que ambas estavam na mesma chave no Campeonato Europeu sub-17 da UEFA. No último dia 9 de maio, em Dublin, os franceses fizeram 2x0. No domingo, novo triunfo em tarde antológica de Arnaud Kalimuendo-Muinga, atleta do Paris Saint-Germain.



Holanda e França posadas antes da decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo sub-17


O céu no Distrito Federal na tarde/noite que definiu a Copa do Mundo sub-17

O sol reinava absoluto no céu da capital federal quando a ação começou. Dei azar e escolhi os piores lugares. Fui castigado pelo astro-rei e queimei até a alma. Aos seis minutos já estava em processo de cozimento quando Soppy avançou pela direita e cruzou na área. Os defensores afastaram mal e a bola sobrou livre para Mbuku. Pena que o atleta chutou fraco e Raatsie pegou com tranquilidade. A Holanda tinha uma postura defensiva e, de forma surpreendente, inaugurou o placar aos 14 na primeira chegada. Taylor lançou Taabouni com perfeição. O meia entrou sozinho na área e deu uma cavadinha sutil na saída de Semedo, colocando sua seleção em vantagem.

A França empatou sete minutos após num lance típico de vídeo game. Altikulac recebeu passe na esquerda, chegou na linha de fundo e cruzou para trás. Kalimuendo-Muinga tocou de chapa e meteu no canto direito. Raatsie nem pulou. No decorrer do tempo inicial, muitos passes errados, ação concentrada no meio de campo e poucas chances de perigo. Foi com o 1x1 que o intervalo chegou. Como minha ideia era acompanhar o setor ofensivo francês, os últimos 45 minutos foram bem piores, pois fiquei cara-a-cara com o sol. Não foi fácil.


Nianzou Kouassi (5) tocando de cabeça no meio de atletas holandeses


Youri Regeer (13) afastando o perigo com a marcação de Lucien Agoume (6)


Youri Regeer (13), Johann Lepenant (20), Ki-Jana Hoever (2) e Nathanael Mbuku (11) em momento do tempo inicial


Adil Aouchiche (10), um dos destaques do selecionado francês, se livrando de Ki-Jana Hoever (2)


Arnaud Kalimuendo-Muinga, camisa 7 da França, depois de marcar o seu primeiro gol na tarde


Devyne Rensch (4) se preparando para sair da grande área e Waniss Taibi (17) tentando fazer o corte

Pelo menos os atletas do escrete azul melhoraram e pintou um monte de ataque legal perto de mim. Logo aos três minutos Mbulu acertou a trave. Aos nove, em jogada ensaiada laranja que deu errado, a virada. Waniss Taibi aproveitou saída errada de Raatsie e mandou um passe açucarado para Kalimuendo-Muinga. Ele avançou e finalizou sem dificuldade aos 9. O camisa 7 estava com fome e aos 16 completou seu hat-trick. Aouchiche mandou um tiro de longe, Raatsie defendeu, a pelota bateu no travessão e no rebote, de peixinho, o artilheiro da tarde fez.

Ele estava impossível e aos 23 sofreu pênalti. Pouco depois o árbitro verificou que o atacante estava impedido e voltou atrás na marcação. Aos 28 o arqueiro laranja mostrou serviço em finalização de Taibi e evitou o quarto gol. A Holanda só assustou aos 36 quando Bannis entrou na área e chutou à queima-roupa. Semedo foi bem e espalmou. Nos minutos finais, a peleja caiu de produção pois todo mundo sabia que o terceiro lugar já tinha dono.


Lucien Agoume (6) e Sontje Hansen (7) no começo do tempo final


Desarme preciso de Youri Regeer (13) contra Nathanael Mbuku (11)


A Holanda tentou, mas não conseguiu armar bons ataques contra a forte seleção frances



Duas chegadas perigosas do artilheiro da tarde, Arnaud Kalimuendo-Muinga. Primeiro em chute com a direita e depois mergulhando para fazer o terceiro tento da França



Depois do 3x1, os franceses chegaram perto de fazer mais gols com o camisa 18 Isaac Lihadji. O atacante mostrou serviço em cima da zaga da Holanda


O placar final da decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo sub-17. A França confirmou seu favoritismo e garantiu o bronze

O Holanda 1-3 França colocou os azuis no pódio da edição 2019 da Copa do Mundo sub-17, o melhor resultado no torneio desde o título de 2001. A rapaziada dos Países Baixos ficou na quarta posição e não igualaram o terceiro lugar de 2005, no Peru. Apesar do título perdido, os franceses possuem uma geração que pode dar bastante trabalho na Copa do Mundo da América do Norte em 2026 e nos 100 anos de Mundial em 2030. Ou quem sabe alguém já não pinte no Catar em 2022...

Preliminar encerrada. Agora era a hora da final, a partida mais importante da competição e da história do Jogos Perdidos. Não é toda hora que acompanhamos do gramado uma final de campeonato da FIFA com título da seleção verde e amarela. Foi genial.

Até lá!

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Ficha Técnica: Holanda 1x3 França

Local: Estádio Walmir Campelo Bezerra (Brasília/DF); Árbitro: Andreas Ekberg (Sue); Público: 1.232 pagantes; Gols: Mohamed Taabouni 15 e Arnaud Kalimuendo-Muinga 22 do 1º, 9 e 17 do 2º.
Holanda: Calvin Raatsie; Ki-Jana Hoever, Devyne Rensch e Anass Salah Eddine; Kenneth Taylor, Ian Maatsen e Youri Regeer; Sontje Hansen, Mohamed Taabouni, Naci Unuvar (Naoufal Bannis) e Jayden Braaf (Soulaiman Allouch). Técnico: Peter Van Der Veen.
França: Darren Lima Semedo; Chrislain Matsima, Nianzou Kouassi, Melih Altikulac (Timothee Pembele) e Brandon Soppy; Lucien Agoume, Adil Aouchiche, Waniss Taibi e Johann Lepenant (Naouirou Ahamada); Arnaud Kalimuendo-Muinga e Nathanael Mbuku (Isaac Lihadji). Técnico: Jean-Claude Giuntini.
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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 3): França derruba o Chile em Goiânia

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de iniciar os trabalhos na Copa do Mundo sub-17 no sábado, dia 26, a madrugada foi de pouquíssimo sono já que temos que pagar os boletos. Por volta da uma da tarde já estava de pé e 100% alerta pois o certame pedia passagem novamente. A pedida do domingo foi ver de perto a rodada dupla que abriu o Grupo C. O primeiro jogo foi bastante especial pois finalmente eu coloquei a França na Lista, fechando com louvor o grupo de oito campeãs mundiais. O adversário dos azuis era o Chile. Os "rojos" agora são a segunda seleção sul-americana que mais vi.

Goiânia foi a única sede da Copa com duas canchas, então, diferente do sábado, quando fomos a pé até o Olímpico, seguimos de carro até o bairro de Santa Bela Vista, área nobre da cidade que hospeda a sede social do Goiás EC e por consequência o belo Estádio Hailé Pinheiro. As ruas da Capital do Cerrado estavam vazias e o trajeto de quatro quilômetros foi percorrido rapidinho. Destaque para o calor, bem mais intenso do que no dia anterior.


A sede do Goiás EC na Serrinha. O Hailé Pinheiro é acanhado mas absolutamente genial

Estávamos em busca de um lugar para fazer aquela boquinha esperta e na base da surpresa encontramos uma lanchonete fast food bem ao lado do estádio. Melhor impossível, pois aproveitamos a deixa e deixamos o possante ali mesmo. Enquanto aguardávamos - eu, Caio e Bruno, o trio oficial da Copa do Mundo sub-17 - os sanduíches naturais ficarem prontos, o amigo-abelha Renato Rocha deu o ar da graça sempre com a cuca ligada no 220. Vindo de Brasília, ele fez uma participação especial no nosso cronograma.

Após enchermos o bucho, só atravessamos a rua e logo estávamos na frente do complexo esportivo do onze esmeraldino. Enquanto os amigos foram ao portão de entrada, eu segui até o espaço reservado à imprensa. Os voluntários foram muito simpáticos e prestativos, um dos pontos altos de Goiânia. Peguei as escalações oficiais, uma caneta e um pin com o logo da Copa (aliás, bola fora a falta total de lojas oficiais nas sedes, um vacilo enorme do comitê organizador) e fui ao gramado.

Quando pisei no tapete verde tive uma impressão melhor do estádio e ela foi a melhor possível. O local é um caldeirão, todo ajeitado e com instalações aconchegantes. A Serrinha, como é popularmente conhecida, foi construída em 1995 e remodelada em três oportunidades. A capacidade atual é de pouco menos de dez mil pessoas. Entre as adaptações feitas para os oito jogos da Copa, o alambrado foi totalmente retirado, deixando a atmosfera espetacular. Nunca tinha visto o público tão perto dos atletas num jogo de futebol.



Detalhe das duas partes cobertas da Serrinha

Falando da partida em si, podemos dizer que França e Chile não são habitués do torneio, afinal, foi apenas a sétima e quinta participações de cada um, respectivamente. Se os sul-americanos tem o terceiro lugar de 1993 como melhor colocação na história, os europeus conquistaram o título em 2001 após derrotarem a toda poderosa Nigéria na decisão do certame realizado em Trinidad & Tobago.

Os atuais campeões do mundo se garantiram no mundial sem dificuldades. Eles ficaram em primeiro lugar no Grupo B da Euro sub-17, eliminando de tabela a Inglaterra, última campeã. Decidiram a vaga contra a República Tcheca e a goleada de 6x1 os trouxe ao Brasil. Na sequência, foram derrotados pela Itália na semi. Já a presença chilena foi garantida sem sustos com o vice no sul-americano sub-17 da Conmebol em abril.

Teve um pessoal que viu alguns treinos da rapaziada da terra da Torre Eiffel e ficou bem animado com o que presenciou. Garantiram que a França era a maior candidata ao título. Vários atletas se destacaram, e o principal deles foi o camisa 10 Adil Aouchiche, jogador mais novo a atuar com a camisa do Paris Saint-Germain num jogo da Ligue 1. Ele foi o artilheiro da Euro sub-17 marcando nove dos 14 gols azuis. Claro que o fato de ter nascido num 15 de julho (de 2002) ajuda, já que é o melhor dia do ano, mas não é só isso.



Chile e França antes do duelo que abriu as disputas do Grupo C da Copa do Mundo sub-17


Foi difícil fazer foto do trio de arbitragem no Mundial, essa aqui foi uma das duas que consegui. O árbitro Ivan Barton e o primeiro assistente David Santos eram de El Salvador, o segundo assistente Juan Gabriel Calderon da Costa Rica e o quarto árbitro Armando Villareal dos Estados Unidos

Enquanto assimilava o clima do ambiente, conversei com os voluntários presentes, o pessoal da FIFA e até com os amigos na arquibancada já que apenas um muro na altura da cintura nos separavam. Logo a cerimônia oficial começou e foi muito legal ouvir pela segunda vez (a primeira foi na Olimpíada) a Marselhesa ao vivo. Outro detalhe que valeu a pena foi ver a França com sua combinação tradicional e não toda de azul como aconteceu em alguns torneios recentes. Captei as fotos posadas dos dois e logo fui ao meu lugar. Como ainda não tinha aprendido o esquema que a FIFA faz nos seus torneios - contarei sobre isso nos posts dos jogos de Brasília - infelizmente fiquei perto dos avantes sul-americanos. Nada contra, claro, é que eu pensava que o selecionado europeu seria mais perigoso.

Não sei se por ser a estreia, por estar calor ou por algum motivo alheio aos olhos mais críticos, o fato é que o primeiro tempo foi bem ruim e decepcionante. As duas seleções mostraram muitas falhas e poucos momentos dignos de registro aconteceram. A animação das arquibancadas - a galera estava no esquema de aplaudir até cobrança de lateral - não foi transmitida aos jogadores e os 45 minutos demoraram duas horas e meia para passar.

Para não dizer que não rolou nada, teve um bom lance de cada lado. Aos dez minutos o camisa 9 Alexander Aravena recebeu bom passe no meio, avançou entre os zagueiros, viu o goleiro Zina sair desesperado e chutou forte de fora da área. A bola caprichosamente bateu na trave. Um pecado. A França teve mais posse, porém perigo mesmo levou somente aos 36 minutos, quando Aouchiche bateu a carteira de um adversário no meio-campo, avançou e emendou um tiro maravilhoso que entraria no ângulo esquerdo. Julio Fierro fez sensacional defesa.


Kennan Sepulveda (18) em bom ataque do Chile no começo do jogo


Brandon Soppy (19) mandando a bola longe da área da França


Luis Rojas (20) pelo meio, perto dele a marcação de Chrislain Matsima (4)


Novamente Kennan Sepulveda (18) investido pela esquerda encarando Brandon Soppy (19)


Cristian Riquelme (4) e Isaac Lihadji (18) em lance próximo da linha lateral


O magnífico entardecer de Goiânia. Um presente a todos os que compareceram na Serrinha

Foi com o 0x0 que a etapa inicial chegou ao fim. Aproveitei, fui tomar uma água e também um cafezinho maroto na área de imprensa. Pensei em ficar próximo do ataque francês no segundo tempo pois acreditava numa atuação mais eficiente dos atletas da frente. Só que eu dei uma moscada monstra e, maravilhado pelo belíssimo entardecer de Goiânia, mudei de lado junto com os avantes chilenos. Resultado, a França melhorou e eu fiquei acompanhando de longe. Vacilo imperdoável da minha parte.

Aos 14 minutos, Aouchiche, quase sempre comandando as ações ofensivas, finalizou da intermediária e acertou a trave esquerda. Na sequência, Vicente Pizarro derrubou Brandon Soppy dentro da área. Pênalti que Lucien Agoume bateu milimetricamente no canto direito, abrindo o marcador. No minuto seguinte o camisa 10 fez boa tabelinha com Isaac Lihadji e a troca de passes terminou com a precisa finalização do camisa 16. O goleiro Fierro falhou e deixou a pelota passar debaixo dele.

Melhor no gramado, Mbuku quase fez o terceiro aos 33 quando invadiu sozinho a área e chutou pela linha de fundo. Rutter aos 36 e Aouchiche aos 38 também quase marcaram. O Chile não conseguiu emplacar uma mísera chance com perigo durante a segunda etapa. Nas arquibancadas os torcedores do selecionado andino não estavam nem aí e cantaram a plenos pulmões, sem se importar com o que rolava no gramado.


Alexander Oroz (11) dividindo com Timothee Pembele (3) no começo do segundo tempo


Lucien Agoume (6) abriu o marcador para a França aos 18 da etapa final


Bola alçada na área europeia. Só que o Chile não foi capaz de assustar de verdade durante os últimos 45 minutos


Brandon Soppy (19), superlativo na defesa francesa, sob o olhar de Kennan Sepulveda (18)


Georginio Rutter (9) em lance no círculo central. Vicente Pizarro (6) e Adil Aouchiche (10) observam, cada um de um lado


Outro lance com a presença de Brandon Soppy (19) e Kennan Sepulveda (18) no ataque sul-americano


O placar final de França x Chile mostrou que o selecionado europeu é um dos favoritos do certame

No fim, o resultado de França 2x0 Chile ficou até barato por conta dos 45 minutos finais dos azuis. Não cheguei a ver um poderio absurdo como o que tinha ouvido falar, mas acredito que a rapaziada tem plenas condições de emplacar uma bela campanha. O Chile também tem grande possibilidade, já que os outros dois adversários são bem mais fracos. Falando nisso, o duelo de fundo foi um daqueles absolutamente geniais que só uma Copa do Mundo pode proporcionar.

Até lá!

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Ficha Técnica: França 2x0 Chile

Local: Estádio Hailé Pinheiro (Goiânia/GO); Árbitro: Ivan Barton (Esl); Público: 1.469 pagantes; Cartões amarelos: Nathanael Mbuku, Vicente Pizarro; Gols: Lucien Agoume (pen) 18 e Isaac Lihadji 19 do 2º.
França: Melvin Zinga; Timothee Pembele, Chrislain Matsima, Nianzou Kouassi e Brandon Soppy; Lucien Agoume, Adil Aouchiche, Naouirou Ahamada (Enzo Millot); Arnaud Kalimuendo-Muinga (Georginio Rutter), Nathanael Mbuku e Isaac Lihadji (Haissem Hassan). Técnico: Jean-Claude Giuntini.
Chile: Julio Fierro; Cristian Riquelme, Daniel Gonzalez, Bruno Gutierrez e Daniel Gutierrez; Vicente Pizarro, Cesar Perez (Joan Cruz) e Luis Rojas; Alexander Aravena (Lucas Assadi), Alexander Oroz (Gonzalo Tapia) e Kennan Sepulveda. Técnico: Cristian Leiva.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 12): Canadenses se garantem na semi do futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


O dia 11 de agosto, uma quinta-feira, foi o primeiro com a Olimpíada do Rio de Janeiro já rolando em que parei para descansar. Descanso merecidíssimo, pois foram sete dias de competições e sete dias em que fiquei na ativa. Voltei à ativa na sexta-feira, com mais uma rodada de futebol na Arena Corinthians, agora com as quartas-de-final do torneio feminino.

O terceiro jogo da segunda fase colocou frente a frente a França, segunda colocada do Grupo G e o Canadá, grande surpresa e país com melhor campanha na fase inicial da competição com três vitórias em três pelejas (dois deles mostrados aqui no JP, o 2x0 contra a Austrália e o 3x1 contra o Zimbabwe).


Times perfilados para os Hinos Nacionais. Sou obrigado a confessar que ouvir a Marselhesa ao vivo num evento esportivo foi algo de arrepiar a alma. Sensacional!

Como de praxe, um ótimo público marcou presença na casa alvinegra: 38.688 pagantes. Pena que apesar de ser um duelo decisivo, ele tenha sido tão truncado e com poucas emoções. As duas seleções concentraram as ações no meio-campo, e mesmo com uma boa movimentação confesso que fiquei com sono a maior parte do tempo.

No tempo inicial a França foi melhor e o Canadá se preocupou mais em se defender, só que chance de gol que é bom, só uma, já nos acréscimos numa cabeçada da capitã do selecionado europeu Wendie Renard. Tirando isso, sono, muito sono. Fica difícil até falar algo sobre uma partida tão modorrenta assim.


Kadeisha Buchanan (3) e Amel Majri (7) em lance de ataque francês no começo da partida


A atacante Eugenie le Sommer no meio de duas defensoras canadenses


Bom ataque europeu pela esquerda no final do primeiro tempo

A esperança era que os times descolassem inspiração nos vestiários. Bom, melhorou um pouquinho, mas nada que entusiasmou por completo a torcida presente. O maior lance da noite aconteceu aos dez minutos em jogada magistral da canadense Janine Beckie. Ela recebeu passe na direita, chapelou uma defensora e cruzou na área. Sophie Schmidt apareceu no segundo pau para encher o pé e abrir o marcador.

Três minutos depois aconteceu a melhor chance a favor a França deixar tudo igual. Em bola alçada na área, a mesma Beckie que fez a brilhante assistência no gol canadense jogou contra o patrimônio e quase fez gol contra, acertando a bola na trave em toque de cabeça. Na meia hora final muita pressão francesa, porém nenhuma oportunidade realmente perigosa contra o gol defendido pela goleira Stephanie Labbe.


Comemoração do Canadá depois do gol de Schimdt


A França teve a bola no pé durante a maior parte do tempo, mas não traduziu o domínio em gols


Disputa de bola pelo alto no meio-campo


Placar final da partida na Arena Corinthians com a classificação canadense

E assim como aconteceu na decisão da medalha de bronze de Londres-2012, o placar final ficou em Canadá 1-0 França. Com o triunfo, o onze norte-americano se garantiu entre as quatro melhores seleções do torneio feminino de futebol dos Jogos Olímpicos. A seleção perdeu a semi-final contra a Alemanha e na disputa do bronze venceu o Brasil e conquistou a segunda medalha na sua história. Além disso, levou para casa a simpatia da torcida tupiniquim.


As simpáticas canadenses agradecendo o público pela fiel torcida durante todo o jogo

No dia seguinte voltei à Arena Corinthians para curtir os embalos de sábado a noite com outra partida das quartas-de-final, agora do torneio masculino. Teve clássico sul-americano na parada e presença brasileira no meu genial cronograma na Olimpíada 2016.

Até lá!

domingo, 21 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 18): Camisa pesa e Les Blues despacham a Nigéria

Salve amigos!

Dando continuidade ao relato de minhas aventuras pela Copa do Mundo, deixei Brasília após a vitória portuguesa sobre Gana, e me dei um final de semana relaxante e em grande estilo. Meu destino foi a simpática Goiânia, já que Brasília é muito sem graça.

O final de semana em Goiânia acabou sendo uma grande decepção. O clima de Copa era tão chocho que parecia que a Copa já estava sendo jogada na Rússia. Sem gringos pra fazer amizade ou praticar o inglês, a saída foi arriscar uns rolês pelos bares da cidade, onde é proibido dançar. Pois é, não se assuste se, ao entrar em uma boate na capital goiana, depara-se com uma placa com os dizeres: “É PROIBIDO DANÇAR”. Algo surreal, no mínimo.

 

Goiânia, vista da janela de meu quarto, e eu, finalmente relaxando. Fotos: Estevan Azevedo.

De Copa mesmo, só a plaquinha no saguão do Hotel, o único cinco estrelas da cidade, que abrigou o escrete canarinho para um dos amistosos de preparação, diante do Panamá.

Como tudo que é bom dura pouco, e o assunto é futebol, depois de acompanhar pela TV os dois primeiros dias das oitavas, rumei a Brasília na segunda, para acompanhar o duelo entre a França, uma das seleções que melhor se apresentou na primeira fase, contra a Nigéria, que surpreendeu ao eliminar a Bósnia e conquistar o segundo posto do Grupo F. Nessa partida, “matei” a campeã de 1998 e, revendo a Nigéria, completei todas as seleções de um continente no certame.



A chegada ao Mané Garrincha e o registro das tradicionais confraternizações no pré-jogo. Fotos: Estevan Azevedo.


Seleções perfiladas para a execução dos hinos. Foto: Estevan Azevedo.

O jogo começou bem movimentado e a França logo percebeu que a classificação não seria fácil diante das franco-atiradoras Super-Águias. Aos 18 minutos, Musa viu Emenike na área e cruzou da esquerda. O atacante nigeriano só escorou para as redes, mas o bandeira percebeu que ele estava levemente à frente do defensor, e assinalou o impedimento, corretamente. Apesar da anulação do gol, o lance acendeu as luzes amarelas para a seleção francesa.


Bola na área nigeriana. Foto: Estevan Azevedo.

A resposta francesa não tardou: Evra roubou a bola na defesa, rolou para Pogba, que tocou para Valbuena na direita. Valbuena cruzou de volta para Pogba, que obrigou Eneyama a fazer grande defesa, na melhor chance até o momento.


Jogadores reunidos antes de cobrança de falta para a Nigéria. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 38 minutos, Evra segurou Odemwingie dentro da área, mas o árbitro não marcou a penalidade. No minuto seguinte Debouchy errou o gol após belo passe de Valbuena. A movimentada primeira etapa terminou sem abertura de placar.


Detalhe do pênalti não marcado pela arbitragem, que estava em cima do lance. Foto: Estevan Azevedo.


Equipes concentradas no meio de campo aguardando o apito final da primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.

No começo da segunda etapa, a Nigéria teve uma baixa: Matuidi entrou duro em Onazi e levou só o amarelo; ficou barato para o francês, e o africano teve que ser substituído. A primeira grande chance da segunda etapa foi nigeriana: Odemwingie recebeu na direita, carregou a bola para o meio, tirou dos zagueiros e bateu forte em cima de Lloris. A França sentia a Nigéria melhor em campo.


França se defendeu bastante no início da segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Detalhe do chute de Odemwingie. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 21 minutos o goleiro Eneyama saiu mal do gol e por muito pouco Pogba não marcou. Apesar do domínio nigeriano, a França exigia respeito: aos 24 minutos Benzema tabelou com Griezmann, entrou na área, e bateu em cima de Eneyama. A bola subiu e ia entrar no gol, mas Moses salvou em cima da linha.


Detalhe da boa presença francesa entre os 67.882 presentes. Foto: Estevan Azevedo.


Lance da segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 31 minutos a França teve outra boa chance. Benzema chutou cruzado após escanteio, e Ambrose afastou para o meio. Cabaye pegou a sobra e acertou a trave. Aos 33, Valbuena cobrou falta e Benzema cabeceou com perigo, mas Eneyama mandou para escanteio.

O gol francês amadurecia. O goleiro que salvara o gol acabou saindo muito mal da meta na cobrança de escanteio e Pogba, de cabeça, mandou para as redes vazias. Era o primeiro gol da França, depois de um grande sofrimento durante a partida.


Eneyama saiu mal do gol e a bola sobrou para Pogba marcar. Foto: Estevan Azevedo.


Atrás no marcador, a Nigéria foi atrás do gol de empate. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 38 minutos Eneyama voltou a fazer bela defesa em chute de Griezmann. Já nos acréscimos, Valbuena cobrando escanteio cruzou para Griezmann no primeiro pau. Eneyama saiu mal do gol novamente, e a bola ainda resvalou em Yobo, que acabou marcando o segundo gol da França, enterrando de vez as esperanças nigerianas.



Jogadores da seleção nigeriana se despedem agradecendo o apoio da torcida brasileira enquanto os franceses comemoram com seus pares. Fotos: Estevan Azevedo.

Fim de jogo, França 2x0 Nigéria, placar construído nos 15 minutos finais que não reflete o que se viu em campo, embora indiscutível o mérito francês. A Nigéria havia conseguido seu objetivo de ir às oitavas, e a França, pelo que se viu nas quartas, também estava satisfeita.


A tradicional festa nas escadarias do Mané Garrincha teve espaço para uma bandeira bem conhecida dos fãs do JP. Foto: Estevan Azevedo.

Após a partida, peguei um ônibus de volta para São Paulo. Ainda havia uma partida pra assistir, mas as férias haviam acabado. A viagem foi sensacional: o que menos tinha no ônibus era brasileiro.

Tinha franceses, americanos, nigerianos, suíços, um jornalista indiano de paletó e bermuda, perdidaço e, é claro, colombianos. Um dos colombianos, não sei como, estava viajando em pé, porque não tinha dinheiro para a passagem. De vez em quando o cara deitava no corredor para dormir.

Depois de uma semana de batente teve “chorinho” de Copa com quartas de final em Brasília, e mais um final de semana no “mega blaster” hotel goiano, mas isso é assunto para o último post de minhas andanças.

Até lá!

Estevan Azevedo