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segunda-feira, 12 de maio de 2025

Cristiano decide, e Portuguesa vence o Rio Branco sob forte chuva

Texto e fotos: Fernando Martinez


O final de semana teve apenas uma cobertura aqui no Jogos Perdidos, mas foi uma bem legal. Fomos até o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte acompanhar a segunda apresentação da Portuguesa como mandante no Campeonato Brasileiro da Série C. O adversário foi o Rio Branco do Espírito Santo, o glorioso Capa Preta, em duelo válido pela quarta rodada do Grupo A6.

Tinha visto o Rio Branco apenas duas vezes até então. A primeira, inesquecível, foi na noite do famoso blecaute de 11 de março de 1999, também no Canindé: um 4 a 0 na Copa do Brasil. Estava no estádio quando acabou a luz em boa parte do país e voltar para casa, mesmo morando do lado, foi um inferno. Depois, vi o clube em Vitória contra o Vitória, em 2019, pela Copa ES. Assim como acontece em boa parte dos duelos da chave, a presença era obrigatória.


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Rio Branco Atlético Clube - Vitória/ES


O venezuelano Daniel Alejandro Hidalgo Blanco, árbitro da Federação de Roraima, os assistentes paulistas Henrique Perinelli Oliveira e Gabriel Rodrigues Santos, o quarto árbitro, também paulista Henrique Otto Cruz Hengstman, e os dois capitães


Nilton, Eduardo, Pucci, Estevan e Victor, os amigos presentes no Canindé

Vindo de uma inesperada derrota contra o Água Santa, a Lusa entrou em campo naquele esquema de "precisa vencer para não se complicar" no embolado grupo. O Rio Branco tinha seis pontos, enquanto os rubro-verdes somavam quatro. Diferente do calor dos últimos dias, o sábado foi de céu nublado e previsão de chuva... que não demorou a chegar.

Nem bem a peleja tinha começado e Cristiano deixou os locais em vantagem. Ele acertou um belo chute cruzado da direita e colocou a bola no canto. Neguet ainda tocou nela, mas não conseguiu evitar o gol. Nos minutos seguintes, os paulistanos seguiram melhores, mas não demorou para o Rio Branco tomar conta das ações.

A Portuguesa recuou, e isso colocou o alvinegro no campo de ataque. Os capixabas criaram boas oportunidades e deixaram tudo igual com Luiz Fernando aos 36. A chuva chegou junto com o empate e caiu muita água no Canindé. Descobri que meu guarda-chuva novíssimo está furado, e foi difícil equilibrar mochila, câmera e ele ao mesmo tempo.

O temporal me obrigou a sair do gramado e acompanhar a etapa final nas cabines. Lá estava o amigo Mário, que não via havia algum tempo, e uma série de salgadinhos oferecidos pela Lusa, algo que não acontecia desde a saudosa época da Série A, pelos idos de 2013. De lá vimos uma partida muito equilibrada, com chances dos dois lados. Com o tempo passando rápido, parte da torcida se irritou com a atuação não tão brilhante. O Rio Branco estava na dele, segurando a igualdade e levando um ponto importante para o Espírito Santo.

Estava levando... pois aos 36, um dos zagueiros deu um verdadeiro abraço de urso em Lohan dentro da área e derrubou o atleta lusitano. Pênalti. Cristiano bateu firme e recolocou os locais em vantagem. O time capixaba ainda buscou o empate com afinco, e a zaga da casa sofreu com nove (!) minutos de acréscimos. Para a alegria dos quase 1.800 torcedores, no fim, a vitória se confirmou.




A Portuguesa começou bem o duelo contra o Rio Branco. Na segunda foto, ótima defesa do arqueiro visitante




Detalhe do gol de Cristiano, que abriu o placar no Canindé


Investida lusitana pela esquerda




No fim do primeiro tempo, caiu o mundo no Pari. Molhei até a alma




Detalhes da etapa final. Na última foto, o gol de pênalti de Cristiano que decretou a vitória rubro-verde

O placar de Portuguesa 2-1 Rio Branco fez o clube paulista voltar à liderança da chave, agora com sete pontos, mesma pontuação do Boavista. Na próxima rodada, o time comandado por Cauan de Almeida visita o Porto Vitória. Joguinho em que uma vitória fora de casa seria fundamental para manter a boa fase.

Ainda chovia forte após o apito final, e o amigo Eduardo deu uma providencial carona até a Estação Tietê para mim e o amigo radioativo Nilton. Não teve futebol no restante do final de semana e só voltarei aos campos na quarta, com uma boa e inédita rodada dupla em pleno dia útil.

Até lá!

Ficha Técnica: Portuguesa 2-1 Rio Branco/ES

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Daniel Alejandro Hidalgo Blanco/RR; Público: 1.813 pagantes; Renda: R$ 46.000,00; Cartões amarelos: Talles, Tauã, Cristiano, Barba, Júnior Dindê, Diego Fernandes, Darlan, Rodrigo Fonseca e Carboneri; Gols: Cristiano 10 do 1º e Luiz Fernando 36 do 1º, Cristiano (pênalti) 39 do 2º.
Portuguesa: Bruno Bertinato; Talles, Gustavo Henrique, Eduardo Biazus e Matheus Leal; Barba, Guilherme Portuga (Tauã), Cristiano (Matheus Nunes) e Rildo (Igor Torres); Lohan (Hericilis) e Cauari (Iago Dias). Técnico: Cauan de Almeida.
Rio Branco/ES: Neguet; Cayo Tenório, Matheus Castelo (Carboneri), Diego Guerra (Darlan) e Théo Kruger; Júnior Dindê (Maranhão), Romarinho, Marcos Júnior e Bruno Silva (Nenê Bonilha); Luiz Fernando (Vitor Leque) e Diego Fernandes (Ricardinho). Técnico: Rodrigo Fonseca.

Obs: O Rio Branco/ES teve uma substituição extra, Darlan no lugar de Diego Guerra, por motivo de concussão.

domingo, 3 de novembro de 2019

JP no mais antigo clássico do Espírito Santo: Vitória x Rio Branco

Texto e fotos: Fernando Martinez


O dia 30 de outubro começou no Distrito Federal com direito a uma bela vista do Congresso Nacional ao amanhecer. Foi por pouco tempo, já que ainda de manhã cruzei parte do espaço aéreo brasileiro com destino ao Espírito Santo, estado que nunca tinha visitado até então. Ali começou a terceira e última parte da minha missão na Copa do Mundo sub-17. Antes disso, consegui uma inesperada brecha na agenda e me fiz presente no mais antigo clássico capixaba: Vitória e Rio Branco.

Cheguei cedo em Vitória junto com a dupla Bruno e Caio e como o horário estava folgado, resolvemos dar uma passadinha no Estádio Salvador Venâncio da Costa, casa do glorioso alvianil da capital. Debaixo de um calor insano, fomos autorizados a entrar e andar pelas arquibancadas e pelo gramado. Conversando com os funcionários presentes descobrimos que existiam ingressos disponíveis para o clássico da tarde válido pela Copa Espírito Santo. Não tinha intenção de ver esse jogo pois a prioridade era o mundial. Acabou que decidimos encarar a jornada mesmo sendo obrigados a sair antes do apito final. Quem viaja tem que aproveitar tudo que puder quando o assunto é bola rolando.


Fachada do simpático Estádio Salvador da Costa, casa do Vitória FC

Dali fomos deixar as coisas no ótimo hotel que serviu de QG em Cariacica, descansamos um pouquinho e então retornamos ao simpático bairro de Bento Ferreira. O público já tomava conta das redondezas e a promessa era que bastante gente marcaria presença. Da minha parte eu registro a emoção pessoal em ver o Vitória FC atuando na sua casa. Por acompanhar o estadual capixaba de longe quando era criança, eu gostava praticamente de todo mundo, mas sempre o azul e branco foi o preferido. Foram três vezes que eles tinham aparecido no blog: derrota de 1x0 contra o Grêmio Barueri pela Série C de 2006, triunfo por 3x1 em cima do ECUS num amistoso sub-20 no mesmo ano e empate contra o Vasco na Copinha de 2007.

Falando do Rio Branco, essa é a estreia do maior campeão estadual do Espírito Santo nas páginas do Jogos Perdidos. Eu tinha visto o Capa Preta somente uma vez in loco, exatamente há 20 anos. Foi em 11 de março de 1999, num revés por 4x0 contra a Portuguesa pela Copa do Brasil. A peleja não terminou pois naquela noite aconteceu o último grande blecaute do Século XX. Uma daquelas histórias que adoramos contar e que estará no livro de memórias que provavelmente nunca será lançado.

Retornando ao presente, quando entrei no estádio a atmosfera estava muito legal. A torcida do onze visitante tomava conta do espaço destinado a ela e os torcedores locais também estavam e bom número. Na base do "o não eu já tenho" fui tentar me credenciar e ficar dentro de campo. O simpático pessoal da FES me autorizou sem ressalvas e lá fui eu aproveitar tudo bem pertinho. Não demorou e as duas agremiações subiram ao gramado em meio a uma grande festa. Foi bonito de ver.



Vitória e Rio Branco devidamente posados antes da decisão da semifinal da Copa ES

Os velhos rivais se enfrentaram mais de 350 vezes desde 1915 e a vantagem do alvinegro é enorme. Na fase inicial da Copa ES ficaram no zero pela segunda rodada. Ao final da fase, o Vitória foi o vice-líder e o Rio Branco o terceiro colocado. Nas quartas eliminaram respectivamente Tupy e Desportiva. No duelo de ida, outro empate por 0x0. Os azuis estavam invictos e contavam com fator da casa na busca de um lugar na final.

Apesar do calor, foi uma partida animada, com aquela cara de decisão que todo bom clássico tem. Nem bem a bola tinha começado a rolar e os mandantes abriram o marcador. João Paulo entrou na área rolou até Thiago. O volante acertou uma bela finalização no canto esquerdo de Diogo. Em desvantagem, os visitantes não tiveram sucesso em vencer a defesa bem postada do alvianil.

O Vitória dominava as ações e a primeira boa oportunidade do Capa Preta aconteceu só aos 27 minutos. Após boa jogada de Robert, ele tocou para Iury. O lateral finalizou e Harisson defendeu. A torcida alvinegra empurrou seu time gritando a plenos pulmões, porém o ânimo não chegou aos atletas e essa acabou sendo a única chance no tempo inicial. Os donos da casa praticamente não sofreram.


Cássio (2) trocando passes no campo defensivo do Rio Branco


Diogo, goleiro do Rio Branco, olhando a bola no fundo da rede no gol do Vitória


A comemoração dos atletas locais pelo gol de Thiago Ramos aos dois do primeiro tempo


Disputa de bola pelo alto com João Paulo (9) e Mário Pierre (4). Na sobra, Rhamon Mexicano só observa


A boa presença da torcida do Capa Preta

Na etapa final, vendo que tinha que fazer algo e tentar pelo menos chegar ao empate, o Rio Branco ficou em cima do seu adversário. O grande problema foi a falta de inspiração combinada com a atuação segura do setor defensivo do Vitória. Foram mais de 50 minutos com esse panorama e não aconteceu nenhum momento digno de registro do ataque rio-branquense. Os locais fizeram sua parte, aguentaram a efêmera pressão com propriedade e levaram a vaga.


Zagueiro visitante protegendo a pelota de atacante local


A bandeira de escanteio com o escudo do Vitória FC tremulando gloriosa



Dois lances no campo ofensivo do escrete alviazul


O placar não-eletrônico do Salvador Costa

O resultado de Vitória 1-0 Rio Branco colocou o clube dez vezes campeão estadual na final da Copa Espírito Santo. O adversário será o Real Noroeste - equipe que já pintou por aqui na Copinha de 2017 contra o Fluminense em Osasco - em dois confrontos. O escrete da capital vai em busca do bi. Ambos já conquistaram o torneio três vezes, ou seja, o vencedor será o primeiro tetra do estado.

Foi muito legal poder marcar presença nessa semifinal, só que não tivemos como esperar o apito final. Tínhamos quase dez quilômetros a percorrer seguindo o foco da viagem. A prioridade da quarta-feira era incluir na Lista uma seleção africana que eu sinceramente não imaginava que veria ao vivo algum dia.

Até lá!

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Ficha Técnica: Vitória 1x0 Rio Branco

Local: Estádio Salvador da Costa (Vitória/ES); Árbitro: Rudimar Goltara; Público: 599 pagantes; Renda: R$ 12.660,00; Cartões amarelos: João Paulo, Cássio, Anderson, Vinicinho, Marcelo Alves, Erick Bahia; Gol: Thiago Ramos 2 do 1º.
Vitória: Harisson; Cássio, Ferrugem, Léo Breno e Thainier; Denis Pedra, Thiago Ramos (Dedé), Rodrigo César e Carlos Vítor (Edinho); João Paulo (Chiquinho) e Thauan. Técnico: Rodrigo Fonseca.
Rio Branco: Diogo; Iury, Marcelo Alves, Mário Pierre e Rhamon Mexicano (Erick Bahia); Thiago Medeiros (Gleyson), Vinicinho, Anderson e Edu; Russo (Gilson) e Robert. Técnico: Antônio Carlos Roy.
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