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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Costa Rica fica em terceiro no Torneio Internacional Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na manhã do último domingo o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino chegou ao fim numa rodada dupla que acabou sendo um programa de índio monstro, principalmente por tudo o que aconteceu no jogo de fundo. Antes do perrengue, as seleções da Costa Rica e da Argentina decidiram o terceiro lugar. O palco, claro, foi o Estádio Paulo Machado de Carvalho, provavelmente respirando os seus últimos dias como um campo municipal.

A Costa Rica foi derrotada pelo Chile na quinta-feira mesmo merecendo ter melhor sorte e, na minha humilde opinião, eram favoritas ao triunfo contra a esforçada e limitada Argentina. Os 5x0 sofridos pelas hermanas contra o Brasil ficaram até barato por conta do domínio enorme do selecionado tupiniquim. Com um Pacaembu ainda recebendo um público tímido, logo quando a peleja começou ficou claro que colocar as centro-americanas como favoritas não era nenhum absurdo.

Melhor postadas em campo, as costarriquenhas abriram a contagem aos 27 minutos com um gol de Priscila Chinchilla. As argentinas até chegaram a equilibrar as ações após o tento adversário, porém o intervalo chegou com o 1x0 contrário no marcador. Como desgraça pouca é bobagem, nem bem o segundo tempo tinha começado e o segundo tento saiu, novamente dos pés da jovem camisa 14.


A goleira costarriquenha Noelia Bermudez rasgando tudo para afastar a pelota da área


Milagros Menéndez (11) cabeceando em chegada argentina pelo alto

A massa que chegava ao velho estádio torcia em sua totalidade para a Costa Rica, só que Sole James, atleta santista e melhor jogadora da seleção portenha, devolveu a esperança de um melhor resultado diminuindo a contagem aos 12 minutos. O 2x1 deixou o cotejo um pouco mais equilibrado e bastante animado. Teve chance dos dois lados e ambas mereciam pelo menos outro golzinho para animar a manhã.

Na base do abafa as portenhas se mandaram ao setor ofensivo nos minutos finais buscando a todo custo o empate que levaria a decisão para a marca da cal. O problema é que o setor defensivo ficou completamente desguarnecido, e com isso a Costa Rica tinha o contra-ataque todo à sua disposição. Foi aos 51 minutos que as centro-americanas deram o golpe de misericórdia com o tento de Daphne Herrera.


Bola no campo de defesa argentino em lance do segundo tempo


Zagueira portenha fazendo o corte em chegada da Costa Rica



Costa Rica e Argentina, respectivamente terceira e quarta colocadas do Torneio Internacional, posando com as suas medalhas após a partida

O placar de Costa Rica 3-1 Argentina deu o terceiro lugar do mini-certame para a seleção da América Central, enquanto as nossas vizinhas ficaram na lanterna. Resultado justo pelo que as duas apresentaram nas duas partidas. É, só que a rodada dupla que se mostrava promissora se transformou num enorme programa de índio em questão de minutos, mas conto o motivo no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Costa Rica 3-1 Argentina

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Rejane Caetano da Silva (Bra); Público: 15.047 pagantes; Renda: R$ 174.073,00; Gols: Priscila Chinchilla 27 do 1º e 4 do 2º, Sole James 11 e Melissa Herrera 51 do 2º.
Costa Rica: Noelia Bermúdez; Gabriela Guillén, Carol Sánchez, Stephannie Blanco (Fabíola Sánchez) e Lixy Rodríguez; Daphne Herrera, Mariana Benavides, Raquel Rodríguez e Priscila Chinchilla; Shirley Cruz e Sofía Varela (Maria Paula Salas). Técnica: Amelia Valverde.
Argentina: Solana Pereyra; Gabriela Chávez, Agustina Barroso, Adriana Sachs e Eliana Stábile; Vanesa Santana (Lorena Benítez), Miriam Mayorga (Milagros Díaz), Mariana Larroquette (Milagros Menéndez) e Yamila Rodríguez; Yael Oviedo (Dalila Ippolito) (Micaela Cabrera) e Soledad Jaimes. Técnico: Carlos Borrello.
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Chile vence a Costa Rica e vai para a final do Torneio Internacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na noite da última quinta-feira não tinha como ficar de fora da genial rodada dupla que abriu o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino no Estádio Paulo Machado de Carvalho. Iniciando os trabalhos, a ainda vazia cancha viu o encontro entre as seleções de Costa Rica e Chile, um jogo perdido de grife e muito legal de se ver em território neutro, respectivamente a 37ª e 38ª colocadas no atual Ranking da FIFA.

De 2009 a 2012 o certame foi realizado na capital bandeirante com organização da FPF. A partir de 2013 a CBF tomou as rédeas e passou a levar a competição até palcos construídos especialmente para a Copa do Mundo: Brasília em 2013 e 2014, Natal em 2015 e Manaus em 2016. Com todo o frenesi gerado pela Copa do Mundo da França, ótima hora da competição retornar ao estado de São Paulo. O Brasil foi campeão sete vezes (as finais de 2009 contra o México e 2012 contra a Dinamarca tiveram cobertura do JP) e o Canadá uma, em 2010.



Mesmo de longe, pegamos uma carona nas fotos oficiais de Chile e Costa Rica na abertura da edição 2019 do Torneio Internacional de Futebol Feminino



As seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais e a foto oficial das capitãs com o quarteto de arbitragem

Conseguir se credenciar foi como fazer companhia ao Tom Cruise na sua eterna Missão Impossível por conta da enorme desorganização e pouca simpatia dos responsáveis. Após uma série de e-mails enviados sem resposta e um contato bizarro na véspera da peleja, fiquei sem lugar no gramado e encarei a jornada da arquibancada. Pior foi saber que uma série de bloqueirinhas, aspones, parças e afins conseguiram o tal credenciamento.

O fato é que não tinha como esperar algo diferente levando em conta o cenário que temos em momentos importantes. Ninguém se faz presente nos jogos perdidaços do Paulista Feminino ou do sub-17 estadual em locais mais remotos, só que na hora do filé mignon tem briga de cachorro grande pelo maior pedaço. São os já citados ~lacradores~ repletos de opiniões mas que na hora H nem sabem o que está rolando de verdade na categoria durante toda a temporada.

A Costa Rica ficou de fora da Copa do Mundo da França e conta com apenas uma participação em mundiais: foi 18ª colocada em 2015 no Canadá. Já o Chile, que tem sua seleção em atividade apenas desde 2009, fez sua estreia em gramados franceses no último mês de junho. Elas foram derrotadas por Suécia e Estados Unidos, ganharam da Tailândia e acabaram eliminadas ainda na primeira fase, finalizando a campanha na 17ª posição. Especificamente no Torneio Internacional, as centro-americanas disputam a segunda edição (a primeira foi em 2016) e as sul-americanas jogam pela quarta vez (as outras foram em 2009, 2011 e 2013).

Quem chegou cedo na velha cancha acabou vendo uma partida animada e bem movimentada. Se as seleções não possuem jogadoras com nível técnico incrível, pelo menos as meninas nos brindaram com bastante vontade e disposição. A Costa Rica foi melhor na maior parte do tempo e teve várias chances no decorrer na etapa inicial, mas quem colocou a bola na rede foi o Chile aos 47 minutos. A autora do golaço foi a camisa 10 Yanara com um chute no ângulo esquerdo.

No segundo tempo as costarriquenhas ocuparam o setor defensivo adversário sem que o domínio se transformasse em gols. As chilenas sofreram com a pressão e ainda terminaram com uma atleta a menos depois que a zagueira Carla Guerrero foi expulsa. Nos acréscimos a goleira Christiane Endler, que fez sua 70ª apresentação com a camisa da Roja, fez duas defesas que garantiram a vitória. Além disso, a equipe da América Central chegou a empatar, porém miseravelmente o tento foi anulado.


Ataque chileno pela direita no começo da partida


Aqui uma investida da boa equipe costarriquenha


Bola levantada na área centro-americana em lance já no tempo final


Perigo em chance sul-americana em cobrança de escanteio


Visão do Pacaembu ainda com presença tímida na preliminar

Apesar da pressão, o placar final ficou em Chile 1-0 Costa Rica e colocou a seleção da América do Sul pela segunda decisão na história - em 2013 foram derrotadas pelo Brasil em Brasília por 5x0. A Costa Rica, mesmo com um futebol melhor, lutará pelo terceiro lugar. Cotejo absolutamente agradável que serviu como belo aperitivo para o prato principal.

Com o estádio já com um público bem maior, tinha chegado a hora de acompanhar o duelo principal, a grande estreia da sueca Pia Sundhage no comando da seleção brasileira feminina.

Até lá!

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Ficha Técnica: Chile 1-0 Costa Rica

Competição: Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Thayslane de Melo Costa (Bra); Público: 11.962 pagantes; Renda: R$ 132.402,00; Cartões amarelos: Carla Guerrero, Yessenia Huenteo (Chi); Mariana Benavídez (Cos); Cartão vermelho: Carla Guerrero 44 do 2º; Gol: Yanara Aedo 47 do 1º.
Chile: Christiane Endler; Su Helen Galaz, Carla Guerrero, Camila Sáez e Francisca Lara; María Francisca Mardones (Yastin Jiménez), Yessenia López (Javiera Roa), Yanara Aedo e Daniela Zamora (Yessenia Huenteo) (Rocío Soto); Yazmín Torrealba (Daniela Pardo) e Rosario Balmaceda. Técnico: José Letelier.
Costa Rica: Noelia Bermúdez; Gabriela Guillén, Carol Sánchez, Fabiola Sánchez e Lixy Rodríguez; Melissa Herrera (María Paula Porras), Raquel Rodríguez, Mariana Benavídez e Priscilla Chinchilla; Shirley Cruz e María Paula Salas (Sofía Varela). Técnica: Amelia Valverde.
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sábado, 12 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 6 de 13): Na bela Concepción, Ticos derrotam os Bafana Bafana


Minha estadia na República do Chile foi dividida em três partes. Após três dias e cinco jogos em Santiago, na chuvosa manhã da segunda-feira, 19 de outubro, peguei minhas malas e me mandei para o sul do belíssimo país, encerrando a Parte 1 da turnê. Meu destino era a cidade de Concepción, a segunda região metropolitana mais populosa e o maior centro industrial da terra presidida por Michelle Bachelet.

Acordei bem cedo e após um ótimo café da manhã, apreciei a linda vista dos Andes pela última vez, deixei o hotel - uma agradabilíssima surpresa no coração da capital - e fui rapidinho de metrô até a rodoviária. Como meu ônibus sairia às oito horas, me programei para chegar ali faltando vinte minutos para o horário marcado. Na teoria, tudo certo. Na prática...

Quem já pegou ônibus em alguma rodoviária da capital paulista sabe que não temos como comprar uma passagem do Tietê no Jabaquara, ou comprar um bilhete da Barra Funda e embarcar no Tietê, certo? Certo, só que na capital chilena não é bem assim. Comprei a passagem para Concepción num terminal enquanto o busão saía de outro, localizado a três (grandes) quarteirões de distância. Infelizmente confiei na informação incorreta passada pela moça do guichê e não me atentei aos detalhes.

O resultado desse vacilo foi que, faltando cerca de dez minutos para as oito horas, fui obrigado a percorrer - com ênfase no "correr" - quase um quilômetro debaixo de chuva carregando minha mala e uma pesadíssima mochila. Contrariando as expectativas, tive uma grande performance e, honrando as grandes apresentações de Jesse Owens e Carl Lewis, exatamente às 7:59 estava postado na frente do coletivo.

Sem conseguir falar direito e com o fôlego em falta fui buscar meu lugar e somente depois de um bom tempo a respiração voltou ao normal. Somente aí pude me aconchegar com propriedade para passar as próximas seis horas e meia seguintes ali dentro. Dentro MESMO, pois durante toda a viagem não houve nenhuma parada. Isso mesmo, o ônibus seguiu sem escalas, algo que eu nunca vi por essas bandas. Após dormir, ouvir música, mudar de poltrona umas três vezes, comer muita bobagem e apreciar as belas paisagens da primavera do Chile, cheguei na comuna fundada por Pedro de Valdivia.


Durante seis horas e meia, essa foi minha visão do ônibus que me levou até o sul do Chile. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do Terminal Rodoviario Callao, em Concepción. Foto: Fernando Martinez.


Dizer que o estádio fica em frente à rodoviária pode ser um exagero em muitos casos, não nesse aqui. Dez metros separam as duas construções. Foto: Fernando Martinez.


Fachada do belo Estadio Municipal de Collao. Foto: Fernando Martinez.

A rodoviária Penquista fica afastada do centro da cidade, mas é absurdamente perto do Estadio Municipal de Concepción Alcaldesa Ester Roa Rebolledo, também conhecido como Estadio Municipal de Collao, pois apenas uma rua separa os dois locais (para quem conhece, é mais perto do que a distância entre a rodoviária de Poços de Caldas e o Ronaldo Junqueira, por exemplo). Como estava de mala e cuia, não tive como ficar ali direto, então fui obrigado a fazer um bate-volta até o hotel para deixar meus pertences, só depois disso retornando em definitivo ao ponto de partida.

A correria foi plenamente justificada, já que estava lá para ver a rodada inicial do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Abrindo os trabalhos da chave, duas seleções que já faziam parte da minha Lista há algum tempo: África do Sul x Costa Rica. Vi o onze africano em 2012 num amistoso contra o Brasil no Morumbi e os Ticos duas vezes, uma no Pan de 2007 jogando contra Honduras e outra no 0x0 contra a Inglaterra pela Copa do Mundo do ano passado. Ou seja, nada de novo no front.

O ruim foi pensar que eu poderia ter visto um Costa do Marfim x Canadá no lugar desse jogo, mas infelizmente essas duas seleções foram eliminadas do Mundial pelos dois adversários da partida inaugural. Aliás, vale dizer que a presença sul-africana na competição é histórica, pois é a primeira vez que a equipe se classificou para a Copa do Mundo sub-17, enquanto os costarriquenhos chegaram à sua nona participação em todos os tempos.

Já tinha visto fotos do local, porém o Ester Roa ao vivo é muito mais bonito. O estádio foi inaugurado em 1962 e é a casa do Deportes Concepción e do Universidad de Concepción. A cancha passou por reformas visando a disputa da Copa America 2015 e também do Mundial, tendo atualmente a capacidade de 30.448 espectadores. Foi ali que o Brasil foi eliminado pelo Paraguai na competição continental desse ano.

O mais legal de tudo nessa minha estreia na capital do rock chileno foi a sempre agradável presença do senhor frio, na única vez que realmente vi uma peleja com baixa temperatura em toda a turnê. O termômetro marcava 12 graus - com sensação térmica ainda menor por causa do vento - quando encontrei meu lugar na colorida arquibancada. Fiz uma rápida boquinha com guloseimas locais e não demorou para as duas seleções irem no gramado.


Times perfilados para a execução dos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Roberto Cordoba se preparando para cobrar falta a favor da Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.




Três momentos do primeiro tempo de África do Sul x Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.

Sem time novo e sem saber nada sobre as seleções, confesso que não sabia o que esperar dessa peleja. Por sorte a partida foi boa e teve a Costa Rica atuando melhor, para a felicidade dos animados torcedores da América Central que estavam reunidos próximos a mim. Os Ticos abriram o placar logo aos sete minutos, quando Kevin Mases completou um preciso passe da direita. A África do Sul tentou embalar para chegar ao empate, só que a afobação dos seus atletas mostrou que essa seria uma tarefa bem complicada.

Jogando na boa, a Costa Rica tomou o primeiro susto apenas no começo do tempo final, em boa cobrança de falta de Dlala que obrigou o goleiro-capitão Alejandro Barrientos a fazer boa defesa. Minutos depois aconteceu a maior chance do empate nos pés do camisa 17 Khanyisa Mayo. Pena que o jogador mandou mal e conseguiu chutar uma bola cruzada da direita quase fora do estádio, mesmo com o arqueiro da Costa Rica batido no lance.


Mbatha, camisa 8 da seleção africana, atacando pela esquerda no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do belo estádio de Concepción, sede do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.


Khanysa Mayo, camisa 17, tentando o gol de cabeça. Foto: Fernando Martinez.

No lance seguinte, o castigo. Em chute do camisa 14 Roberto Córdoba, a bola pegou no ombro do zagueiro Katlego Mohamme, porém o árbitro da Malásia se enganou e acabou marcando penalidade máxima. Andy Reyes foi para a cobrança e aumentou a vantagem dos centro-americanos. No restante do tempo final, os Bafana Bafana fizeram uma pressão meio sem graça em busca do gol de honra. Aos 45, Mayo, aquele mesmo, diminuiu o prejuízo numa cabeçada meio sem querer.

No fim, o placar final ficou em África do Sul 1-2 Costa Rica. Ao final da primeira fase, os sul-africanos foram eliminados com um empate e duas derrotas, enquanto os Ticos terminaram na vice-liderança da chave. Na segunda fase a equipe surpreendeu e eliminou a forte seleção francesa, encerrando a bela campanha apenas nas quartas-de-final, sendo derrotada pela Bélgica pela contagem mínima.


Andy Reyes marcando o segundo gol centro-americano em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.


Visão do ataque da África do Sul no final do jogo. Foto: Fernando Martinez.


De tanto insistir, Mayo conseguiu marcar o gol de honra no último minuto. Meio sem querer, é verdade, mas vale mesmo assim. Foto: Fernando Martinez.


Placar final da partida que abriu os trabalhos do Grupo E do Mundial sub-17. Foto: Fernando Martinez.

Com os primeiros 90 minutos encerrados, as atenções se voltaram para o jogo de fundo. De todos os oito que eu vi durante o Mundial, esse era o mais esperado, primeiro por ter a chance de "matar" dois times e, claro, por serem duas seleções simplesmente sensacionais. Sem dúvida esse foi um dos pontos altos da minha viagem.

Até lá!

Fernando

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 13): Despedida inglesa contra a sensação do Mundial

Opa,

O décimo terceiro dia da Copa do Mundo do Brasil 2014 marcou também o início da quarta (e última) parte das minhas viagens programadas para a primeira fase do Mundial. Pela terceira vez num período de onze dias fui até Belo Horizonte para um dos jogos que fechou as disputas do Grupo D. O jogo? Inglaterra x Costa Rica.

Antes mesmo dos primeiros raios de sol iluminarem a terça-feira, 24 de junho, já estava seguindo para o aeroporto de Cumbica junto com a Van e o amigo Luiz. Ainda na madrugada, mais precisamente às cinco da matina, decolamos com destino à capital mineira. No avião a escalação da equipe ficou completa com a presença do indefectível seu Natal.

Por volta de seis da manhã pousamos em Confins e ficamos um bom tempo por ali esperando o tempo passar. Entre um café e outro, destaque para a enorme presença de ingleses, a maioria deles devidamente embriagados, chegando de várias partes do país. Em menor número, mas muito felizes com a heroica campanha do país, os sorridentes costarriquenhos também marcavam presença no aeroporto.

Mais uma vez pegamos o busão que fazia o trajeto do aeroporto até o Mineirão e pouco depois das onze horas já estávamos sentindo novamente o fantástico e indescritível clima do Mundial. Sem problemas e com filas pequenas, entramos rapidinho no estádio.


Quarto jogo no Mineirão na primeira fase da Copa e quarta presença do JP, marcando geniais 100% de aproveitamento. Foto: Fernando Martinez.

A alegria inglesa era tão intensa que um torcedor mais desavisado poderia imaginar que o English Team era um dos destaques da Copa mostrando bom futebol e vitórias incontestáveis. Ledo engano, pois o time campeão de 1966 foi bisonhamente eliminado após perder de Itália e Uruguai nas duas primeiras rodadas.

 

Duas das incontáveis bandeiras inglesas presentes no Mineirão. Foto: Fernando Martinez.

Essa foi a primeira eliminação da seleção numa fase inicial desde 1958. Pior: se os ingleses não vencessem o time da América Central, sairiam do Mundial sem nenhum triunfo, outro recorde negativo não alcançado desde a Copa da Suécia. Independente dos números para mim o que valeu mesmo foi finalmente colocar o meu quinto campeão do mundo na Lista (depois de Brasil, Argentina, Itália e Espanha).


A torcida inglesa também estava com suas musas perambulando pelo Mineirão. Foto: Fernando Martinez.


Visão gral do estádio mineiro para a peleja. Nesse dia, o público presente foi de 57.823 pagantes. Foto: Fernando Martinez.

Para essa despedida a situação era complicada, pois a adversária, surpresa absoluta da Copa 2014, queria fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento. Nem o mais ferrenho torcedor da Costa Rica imaginava viver na pele um verdadeiro conto de fadas.

A equipe chegou ao Brasil para sua quarta participação em Mundiais ostentando duas eliminações na primeira fase (2002 e 2006) e uma nas oitavas (1990). Por ter caído no "Grupo da Morte", 99% das pessoas imaginavam que os centro-americanos seriam um glorioso saco de pancadas na chave.

Milagrosamente tudo mudou em apenas 180 minutos. A equipe venceu Uruguai e Itália mostrando um futebol vistoso e surpreendente. Contra os ingleses o time estava na boa e um empate confirmaria a primeira colocação do Grupo D para enfrentar o segundo colocado do Grupo C.


Enquanto precisamos ir de calça num Cotia x Água Santa pela terceira divisão paulista, na Copa do Mundo a presença de bermuda é liberada entre os profissionais de imprensa. Está na hora de revermos nossos conceitos, não? Foto: Fernando Martinez.

Do anel superior das arquibancadas do Mineirão (finalmente a FIFA me colocou num lugar legal no belo estádio) vi um jogo razoável, aonde o time da América Central jogou claramente se poupando para as oitavas e a Inglaterra suou a camisa para se despedir dignamente da Copa do Mundo.


Defesa do goleiro da Inglaterra no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.


Zaga da Costa Rica fazendo o desarme. Foto: Fernando Martinez.

O English Team foi bem e chegou várias vezes dentro da área do ótimo goleiro Navas, só que não conseguiu abrir o marcador. Porém a melhor chance do tempo inicial acabou sendo dos Ticos numa bola na trave em chute de Celso Borges.


Grande chance do English Team no tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.


Chuveirinho na área costarriquenha. Foto: Fernando Martinez.


Sturridge fazendo cara feia em ataque inglês. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo os times continuaram mostrando boa vontade. Sem muita inspiração dentro de campo, o maior momento acabou sendo a entrada de Wayne Rooney e Steve Gerrard, respectivamente aos 31 e aos 28 minutos. Essa foi a última partida do meia do Liverpool na sua seleção. O atleta vestiu a camisa da Inglaterra em 114 jogos.

 

Placar do Mineirão anunciando a entrada de Gerrard e Rooney na Inglaterra. Fotos: Fernando Martinez.


Cobrança de falta de Lampard no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

A torcida não deixou de empurrar as duas seleções, mas a peleja terminou em Costa Rica 0-0 Inglaterra, meu primeiro e único jogo sem gols que acompanhei no Mundial. A Costa Rica passou como primeiro da chave e após vencer a Grécia nas oitavas, caiu nas quartas, também nos pênaltis, contra a forte Holanda. O oitavo lugar marcou a melhor campanha do país em Mundiais.


Ataque da Costa Rica com Bolaños e marcação de Sterling. Foto: Fernando Martinez.


Torcida da Inglaterra saudando Gerrard em cobrança de escanteio. Foto: Fernando Martinez.

Já a Inglaterra terminou a Copa num decepcionante 26º lugar, a pior campanha em todos os tempos. Mesmo assim o que a torcida inglesa fez depois do jogo foi de arrepiar. O pessoal aplaudiu os atletas por cerca de cinco minutos, mostrando um exemplo de como torcer. E pensar que ainda tem gente que acha o Brasil o "país do futebol"...

Bom, jogo terminado, time novo na Lista, até aí tudo bem. O "problema" agora seria encontrar algo para fazer nas próximas 15 horas, pois o meu voo para a próxima escala estava previsto para decolar de BH somente às seis da manhã do dia seguinte. O que se viu foi um dia de turista salpicado com momentos de extrema surrealidade.

Primeiro fomos perambular pelo bairro e passamos um bom tempo na região da Lagoa da Pampulha. Foi bom demais ficar de papo pro ar na agradável tarde sem hora para ir embora. Duas horas depois resolvemos ir para o centro da cidade. Alguns ônibus especiais para ainda estavam estacionados aguardando as últimas viagens do dia.


Belíssima visão do Mineirão refletindo na Lagoa da Pampulha. Foto: Fernando Martinez.

Pegamos o primeiro busão disponível e logo encontramos três costarriquenhos extremamente simpáticos. Começamos a conversar com o pessoal e a partir de então eles nos fizeram companhia até a noite. Fomos jantar num shopping na região central e ficamos um bom tempo conhecendo muitas coisas sobre a Costa Rica.


Nós com o simpaticíssimo trio de costarriquenhos Rodolfo, Marcelo e Alejandra no pós-jogo de Costa Rica x Inglaterra. Sensacional! Foto: Garçom.

Do shopping fomos até a rodoviária. O grupo então se dividiu: os amigos da América Central foram para Vespasiano e o Luiz voltou para São Paulo pois no dia seguinte iria para Brasília. Já era dez da noite e agora o lance era descolar algum lugar para dormir. Os dois hotéis mais razoáveis que conhecia estavam lotados, e, sem um Plano B, fui procurar na hora algum lugar minimamente decente para bater uma soneca.

Eis que no meio da rua surgiu do nada um senhor clone do personagem de Dustin Hoffman no clássico filme Perdidos da Noite. O tiozinho - registre-se: com cabelos oleosos, roupa encardida, bafo de cana e um vocabulário impecável - nos abordou no meio da rua informando que "conhecia um hotel para pessoas distintas bem próximo dali".

Com o "modo alerta" ligado resolvi dar uma chance para a (até então) simpática criatura da noite. O hotel ficava a duas quadras de distância e depois de subir cerca de 120 degraus visualizei a recepção do local. Me senti como Marty McFly se sentiu ao acordar em 1955, pois o lugar era um exemplo vivo que os filmes da Boca do Lixo ainda existem em algum universo paralelo. Em 1974 tudo estava lá do mesmo jeito que hoje, com certeza.

No fim o quarto não era tão ruim assim e decidimos ficar por lá mesmo. O destaque negativo ficou por conta do banheiro com água fria e com uma janela do teto ao chão que não se fechava completamente. Confesso que não me espantarei se assistir meu banho daquela noite disponibilizado na internet.

Cansado ao extremo dormi com um olho fechado e o outro aberto cerca de cinco horas e às quatro da matina já estava de pé novamente. Em meio aos crackeiros da madrugada voltei para a rodoviária para mais uma viagem de coletivo para Confins. Enquanto a Van voltou para a capital paulista eu segui sozinho para a cidade de Salvador, palco de um dos jogos mais legais da Copa do Mundo 2014.

Até lá!

Fernando

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Honduras vence o clássico da América Central

Olá, amigos!

Depois de acompanhar o jogo da manhã no Maraca, segui de carro com o Fernando para Campo Grande, onde encontramos o Emerson. Chegar foi bem fácil, a sinalização eficiente e, o caminho, praticamente uma reta. O problema, como tem sido comum, foi estacionar. Para nossa sorte, havia um terreno baldio nas proximidades. Para nosso azar, o terreno já havia sido descoberto por um maluco, que colocou uma faixa na cerca, e uma plaquinha com o preço, e resolveu cobrar pela utilização de um espaço que nem público era...Coisas do Pan no Brasil.

Bom, a partida que acompanhamos colocou frente a frente as seleções de Costa Rica e Honduras, pelo grupo da seleção brasileira. Com as duas seleções praticamente eliminadas, os poucos torcedores remanescentes da preliminar se surpreenderam com a movimentação do jogo.


Bola disputada no primeiro tempo da partida. Foto: Estevan Mazzuia.

E os gols não tardaram a sair. quem abriu o placar foi a seleção da Costa Rica, e por uns minutos houve a impressão que a vitória seria fácil: após uma jogada da esquerda, a bola sobrou para o atacante bater de chapa, da direita, no canto oposto do goleiro. Mas o empate hondurenho não tardou, e veio através de uma cobrança de pênalti convertida com bastante segurança.


Lance do gol de empate hondurenho. Foto: Estevan Mazzuia.

O empate despertou uma nova seleção, e Honduras fez por merecer a virada, que aconteceria ainda no primeiro tempo, em um daqueles gols que o atacante entra com bola e tudo depois de se esticar para escorar um cruzamento.


Johnny Leveron faz 2 a 1 e vira a partida para Honduras. Foto: Estevan Mazzuia.

No intervalo da partida aproveitamos para conversar com nosso amigo Júlio, filho do ex-árbitro Luís Carlos Félix, e com o trio brasileiro que havia trabalhado na preliminar Argentina x Colômbia. Todos estiveram também no jogo entre EUA e Venezuela, que também teve nossa cobertura. E ainda pudemos acompanhar um pouco o trabalho da imprensa estrangeira, que fazia a transmissão ali, no meio da arquibancada.


Eu, ao lado de Paulo César de Oliveira, Hilton Rodrigues e Héber Lopes, todos muito simpáticos com a turma do JP. Detalhe do narrador da rádio costa-riquenha. Fotos: Fernando Martinez e Estevan Mazzuia.

O segundo tempo foi um jogo mais morno e apesar de ter tido um jogador expulso, os costa-riquenhos tiveram duas chances reais de marcar o empate. Honduras teve uma chance, mas também não converteu.


Ataque da Costa Rica na etapa complementar. Foto: Estevan Mazzuia.


Lance na lateral durante a etapa final da partida. Foto: Estevan Mazzuia.

Como não havíamos dormido, aproveitamos o marasmo da etapa final para nos posicionarmos de forma e relaxar um pouco mais, e flagrei o Emerson e o Fernando pescando demais. Coisas que só a embriaguez do sono pode justificar

O jogo chegou ao seu final sem novidades: Costa Rica 1-2 Honduras, e a desclassificação de ambas das semifinais. Saímos de Campo Grande rasgando, e descobrimos um fantástico atalho para a Dutra, através de Seropédica. Foram 20 quilômetros de buracos e lombadas, e economia de um pedágio.

Assim, chegou ao fim a cobertura JP do futebol no Pan. Foi uma grande honra para todos nós fazer essa cobertura, esperamos que o Brasil possa sediar outros eventos desse porte, mas que primeiro sejam solucionados os tantos milhões de problemas socias que foram esquecidos durante esse 16 dias de jogos.

Abraço a todos

Estevan