Texto e fotos: Fernando Martinez
Depois de quase um ano sem pisar fora do estado de São Paulo, no sábado passado comecei uma viagem ao Rio de Janeiro. Não teve apenas futebol na pauta, mas a programação esportiva foi bem legal, apesar de não ter times pequenos envolvidos. O começo foi com um jogo do nada perdido pelo Campeonato Brasileiro. No Maracanã, acompanhei o interessante duelo entre Fluminense e Remo.
A ida até o Rio foi corrida e o cronograma deu uma atrasada. A ideia era chegar meia hora antes do apito inicial no ex-maior do mundo, porém só entrei no estádio com a bola rolando. Quando cheguei, notei algo parecido com areia ou uma espécie de pó em quantidade industrial pelas arquibancadas e, sem conhecer nada do pré-jogo do Tricolor das Laranjeiras, não sabia que nada mais era do que pó de arroz lançado pela torcida quando a equipe entra em campo.
O que mais tinha ali era gente com pó de arroz espalhado pelo cabelo, pela pele e pelas roupas, tudo branquinho, branquinho. Isso sem contar as cadeiras e o chão. No fim, acabou sendo uma enorme sorte não estar lá na hora do lançamento e ser brindado com o pó branco incrustado até a alma, praticamente até o fim dos dias. Super apoio as tradições, mas, se rolar uma próxima vez, a ideia é ficar em um setor sem tanta poeira. Além disso, era o setor das organizadas e tudo estava um aperto só. Má escolha.
Não é o mesmo estádio da Copa de 1950, mas é sempre legal ter a chance de ver um jogo no Maracanã
Visão geral do ex-maior do mundo para o duelo entre cariocas e paraenses
Quando entrei, fui subindo, subindo, subindo até encontrar um lugar menos apinhado. A classificação do Flu na Libertadores e a boa fase na Série A animaram a rapaziada, e o setor atrás do gol estava entupido. Foram mais de 30 mil pagantes. Vale registrar que foi a primeira vez que fiquei ali na arquibancada desde a decisão da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 e a primeira vez que vi um duelo de dois clubes brasileiros no estádio.
O confronto foi entre o 4º e o 18º colocados no Brasileiro, com 23 rodadas disputadas. É, mas o Flu teve trabalho para derrotar o clube paraense. No primeiro jogo entre eles pelo nacional no Maracanã desde 1978 (!), a torcida sofreu com as finalizações ruins dos locais. O escrete carioca ocupou o campo de defesa remista durante a maior parte do tempo, porém foram justamente os visitantes que ficaram em vantagem com o gol de Jajá aos 31.
A pressão do Flu foi ainda maior na segunda etapa. Espremido entre a massa dos torcedores, acompanhei o onze local criar um sem número de oportunidades. O Remo suportou a pressão até os 21, quando Hulk acertou boa cabeçada, a bola tocou na trave, quicou na pequena área e, com um baita efeito, foi morrer no fundo do gol. A pressão estava absurda e Kevin Serna virou o marcador de cabeça aos 37. Resultado merecido.
Detalhes de Fluminense x Remo, lá do alto, pela Série A

De longe, Hulk comemora o gol de empate
No fim, o Flu conseguiu a virada

Como em São Paulo não tem bandeira há décadas, é legal demais vê-las em ação quando saímos de casa
O 2 a 1 manteve o Flu na quarta colocação, com 41 pontos, e o Remo em 18º, com 23. Faltam agora 14 jogos para cada um. Torço pela permanência do clube paraense na primeira divisão em 2027. Ah, vale registrar que essa foi a primeira vez que vi o time profissional do Fluminense vencer uma partida. Eram cinco empates e quatro derrotas até então.
O duelo do Maracanã chegou ao fim, mas a rodada não. A sessão noturna do sábado serviu para colocar na Lista um estádio que queria visitar há muito, muito tempo. Finalmente pude assistir a uma partida na linda casa do Vasco da Gama.
Até lá!
Ficha Técnica: Fluminense 2-1 Remo
Local: Maracanã (Rio de Janeiro/RJ); Árbitro: João Vítor Gobi/SP; Público: 30.215 pagantes; Renda: R$ 1.525.343,50; Cartões amarelos: Hércules e Yago Pikachu; Gols: Jajá 31 do 1º, Hulk 21 e Kevin Serna 37 do 2º
Fluminense: Fábio; Samuel Xavier (Júlio Fidelis), Ignácio, Thiago Silva e Renê; Martinelli e Hércules (Nonato); Canobbio (Kevin Serna), PH Ganso e Soteldo (Riquelme); Hulk (Germán Cano). Treinador: Marcão.
Remo: Marcelo Rangel; Yago Pikachu, Marllon (Patrick), Tchamba e Marlon; Zé Welison e Zé Ricardo (Leonel Picco); Marcelinho (Galeano), Vitor Bueno (David Braga) e Jajá (Alef Manga); Taliari. Treinador: Léo Condé.
















































