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quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nacional 0, Reynaldo 1: Linense na Série A2 2022

Texto e fotos: Fernando Martinez


Reynaldo Moura Machado dos Santos. Esse é o nome que atletas, comissão técnica e dirigentes do Nacional irão sonhar pelo menos até 2022. O Estádio Nicolau Alayon viu uma atuação monstruosa do arqueiro do Linense e o sonho do acesso se transformou em um verdadeiro pesadelo. Para piorar, o Elefante fez um gol na única chance que teve, venceu seu adversário pela primeira vez na história na capital e estará na Série A2 na próxima temporada.

Nem Nacional, nem Linense fizeram campanhas brilhantes na primeira fase do Campeonato Paulista da Série A3. Nas quartas desbancaram favoritos, respectivamente Noroeste e São José, e chegaram na semi querendo voltar ao segundo escalão do futebol do estado após dois anos de ausência (ambos caíram juntos em 2019). O duelo de ida terminou com um empate sem gols e por ter melhor campanha o escrete paulistano atuava por um novo empate.




Depois de muito tempo - e só por ser um jogo decisivo - os times posaram para as fotos oficiais na Comendador Souza. Na real não adianta ter fotógrafo se o mesmo não capta as imagens da equipe, né? Não consigo entender

Embora a torcida estivesse apenas do lado de fora, o clima na Comendador Souza era elétrico. Rádios do interior, fotógrafos, aspones de plantão e vários dirigentes aguardando o apito inicial com ansiedade. A confiança era enorme. O Nacional foi às redes em 16 dos 18 compromissos no torneio, é dono do segundo melhor ataque das três divisões do estadual, 33 gols, e tinha o artilheiro da A3, Éder Paulista e seus 13 tentos, em campo. Apesar desses números superlativos, a única estatística que importou no fim foi o absurdo recorde de vitórias seguidas do Linense longe da sua casa.

Mesmo com a vantagem do empate, o Nacional atacou o tempo todo. Eu fiz questão de anotar os “highlights” no caderninho e ao término dos 90 minutos foram treze (!) as oportunidades locais dignas de registro e uma (!) do onze visitante. Tudo começou com o tiro de Mendes pelo alto aos dez minutos. Aos 21, Reynaldo começou a operar milagres desviando finalização de fora da área pela linha de fundo. Dois minutos depois, em rara investida do Elefante, Messias escorregou e a bola foi alçada. Henrique subiu no terceiro andar e cabeceou firme, abrindo o placar. Aí começou o desespero.

No 28º minuto Mendes perdeu um gol que eu faria. Ele teve a chance de deixar tudo igual na pequena área, porém bateu fraco e Reynaldo defendeu bem. Antes do intervalo, outros dois momentos perigosos aos 41 e 46 minutos. Eu estava na cabine ao lado de uma rádio de Lins, e no intervalo os profissionais estavam preocupados com a pressão paulistana. O genial é que escutei a narração com direito a patrocinadores geniais, de frango assado e serviço de solda, de guincho e videolocadora (!). Me senti em 1989.






Na etapa inicial o Linense pouco fez e só deu Nacional. O problema foi que o goleiro Reynaldo teve uma atuação magnífica e fez três ou quatro defesas antológicas


A comemoração pelo gol de cabeça de Henrique, no único ataque de perigo do onze visitante

Os cinco primeiros minutos da etapa final foram insanos. Foram nada menos do que quatro chegadas e nenhuma foi convertida. Antes do ponteiro do relógio chegar aos 60 segundos teve cruzamento da direita e a pelota pingando dentro da pequena área sem ninguém completar. Reynaldo aos dois, três e cinco minutos mostrou serviço em três investidas consecutivas. Depois o nervosismo pintou forte e o que se viu durante muito tempo foram apenas escanteios e faltas sem nenhuma direção.

Os ataques voltaram a ser perigosos faltando cerca de 20 minutos. Reynaldo pegou chute forte aos 27, um tiro passou tirando tinta da trave aos 40, Éder Paulista cabeceou aos 41 e Reynaldo fez novo milagre aos 43. Nos acréscimos, todos os atletas nacionalistas foram para a área adversária, incluindo o goleiro Rafael. Só que eles poderiam estar lá até agora que provavelmente o empate não teria saído. Primeiro pela estrela do camisa 1 visitante e depois pela falta de pontaria. A última oportunidade foi em cabeçada aos 49 que saiu por cima da meta.







A segunda etapa teve um Nacional com a bola nos pés durante todo o tempo, mas boa parte das investidas foi superficial. Quando acionado, Reynaldo de novo foi bem e impediu o esperado empate paulistano

Quando o árbitro Adriano de Assis Miranda trilou seu apito pela última vez no Nicolau Alayon, o placar de Nacional 0-1 Linense se confirmou e então a festa do Elefante começou e o sonho paulistano virou pesadelo. O Clube Atlético Linense venceu seu sétimo (!) compromisso seguido fora do Gilbertão e estará na Série A2 em 2022. É complicado ver um time que atacou apenas uma vez durante quase 100 minutos ganhar um acesso, mas como o que vale é bola na rede, foi merecido.



O marcador do Nicolau Alayon mostrando o inédito triunfo do Linense que deu o acesso ao Elefante. No gramado, a tristeza nacionalista e a merecida comemoração de Reynaldo

O quarto lugar do Nacional foi além do que poderíamos esperar. A equipe teve uma performance bastante irregular durante toda a primeira fase e os dois jogos soberbos que fez contra o Noroeste deixaram a impressão de que o acesso seria garantido com o pé nas costas. Não foi. Ter o melhor ataque e o artilheiro do certame foram dois fatores positivos, porém na hora H falharam. Agora resta participar da Copa Paulista já sabendo que ano que vem novamente terão missão complicada na terceirona. Falei aqui em alguma matéria que quando mais esperamos algo do Nacional, menos ele faz. É cruel, mas é a verdade.

Saí da Comendador Souza com aquele peso nas costas antes de pegar o caminho até o QG da Zona Oeste. Foram três coberturas no fim de semana, algo que eu descostumei total nessa época de pandemia. Como só tem peleja de novo na quinta, temos tempo de sobra para dar aquela descansada marota.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 0x1 Linense

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Adriano de Assis Miranda; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Wallace, Mendes, Ayrton, Glauco, Henrique, Palmares, Samuel; Gols: Henrique 23 do 1º.
Nacional: Rafael; Messias (Guilherme Nascimento), Everton, Gustavo França e César; Reinaldo (Emerson Mi), Guilherme Lobo, Brener (Vinícius) e Mendes; Éder Paulista e Wallace (Paolo). Técnico: Ricardo Silva.
Linense: Reynaldo; Douglas, Mauro, Glauco e Samuel; Lobão (Lucas Newiton), Cal Rodrigues (Bruno Moura) e Palmares; Mário (Thiago Humberto), Henrique e Ayrton (Léo Gaúcho). Técnico: Edison Só.
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terça-feira, 8 de junho de 2021

Lusa sofre empate nos acréscimos na estreia na Série D

Texto e fotos: Fernando Martinez


Foram 1441 longos e sofridos dias longe de uma competição nacional. Quase quatro anos de sofrimento, um sem-número de incertezas e uma série de campanhas frustrantes. Tudo mudou, pelo menos por enquanto, na noite de sábado com o retorno da Portuguesa ao Campeonato Brasileiro da Série D. O adversário da estreia foi o glorioso Cianorte e o palco, claro, o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte.

A equipe rubro-verde tinha jogado a Série D pela última vez em 2017 e foi eliminada na primeira fase. Como está longe da A1 há alguns anos, a única forma de entrarem no nacional é via Copa Paulista. Em 2017 o sonho terminou na semi contra a Ferroviária. Em 2018 e 2019 a vergonha da eliminação na fase inicial. Já no ano passado a performance foi muito melhor e a conquista do título - com o 3x0 em cima do São Bernardo FC - permitiu a volta.

A torcida, que ficou encantada durante a Copa, sofreu um choque de realidade na Série A2. A campanha não foi como esperavam e a eliminação para o Água Santa nas quartas deixou um gosto amargo. O alerta amarelo foi ligado e nem o mais otimista sabe o que esperar. Como se não bastasse, o Grupo A07 (que nome horroroso) é uma verdadeira pedreira (e bem sem graça ao mesmo tempo): Santo André, Inter de Limeira e São Bento representando o estado de São Paulo e os cariocas Madureira, Bangu e Boavista. Além deles, o único integrante da região sul, o Leão do Vale.

Fundado em 2002, o Cianorte FC apareceu pela única vez no Jogos Perdidos em 2005 no histórico confronto contra o Corinthians no Pacaembu. Após vencerem o time de Daniel Passarela e Carlitos Tevez na ida por 3x0, chegaram na capital bandeirante podendo perder até por três gols de diferença, caso fizessem um. O duelo chegou a estar empatado em 1x1 antes do alvinegro passar o rodo e chegar aos 5x1, resultado que precisava. O pós-jogo teve uma mistura de festa e alívio por parte de quem estava no estádio. O Leão foi eliminado, porém deixou o nome no imaginário popular.


Portuguesa e Cianorte entrando em campo para a estreia de ambos da Série D


Capitães e quarteto de arbitragem

Ano passado eles chegaram na semifinal do estadual. Foram derrotados pelo Coritiba e se garantiram na Copa do Brasil e na Série D deste ano. No paranaense de 2021 terminaram a primeira fase na quarta posição e o Londrina os eliminou nas quartas. Na Copa do Brasil estão fazendo bonito. Despacharam Paraná Clube e Santa Cruz e na terceira fase foram sorteados para pegar o Santos. Na ida, derrota de 2x0 em casa.

Certamente o Cianorte não era o oponente dos sonhos que a Portuguesa esperava, mas nessa chave não tem como escapar de confrontos complicados. Acontece que, pelo menos na etapa inicial, a Lusa teve uma atuação muito boa, acima do futebol apresentado na A2. Jogando de camisa azul – que de longe parece não ter escudo - em homenagem aos 70 anos da conquista da Fita Azul de 1951, os rubro-verdes mostraram ânimo e competitividade de sobra.

Não demorou para que o placar fosse inaugurado. Decorridos treze minutos, os donos da casa tiveram uma falta pela esquerda a favor. Raphael Luz cruzou por baixo e Vítor, no afã de afastar, tocou contra o próprio gol, o primeiro da Portuguesa na Série D. Apesar de estar em desvantagem, o Cianorte não se entregou e aos 25 o camisa 10 Calabrês foi derrubado dentro da área. Ele mesmo cobrou o pênalti e deixou tudo igual. O lance foi bastante discutido e de onde estava não fiquei com a impressão de penalidade.

Só que ainda no tempo inicial, mostrando uma recuperação imediata como não estamos tão acostumados a ver, a Lusa respondeu à altura e, com 33 minutos jogados, passou à frente do marcador outra vez. Raphael Luz arriscou de longe, o tiro desviou na zaga e sobrou para Ermínio. O camisa 9 chutou cruzado e Lucas Douglas completou na direita. Antes do intervalo quase saiu o terceiro em oportunidade pela esquerda e falha do goleiro Bruno. O camisa 1 bateu roupa e a zaga apareceu na hora H, afastando o perigo.



Muitos que assistiram o jogo pela internet torceram para o time branco, e só depois de algum tempo de tocaram que o branco era o adversário da Lusa. Ver a Portuguesa de azul foi esquisito



Bola na rede no primeiro gol da noite. Vítor fez contra aos treze minutos e os atletas locais comemoraram bastante



Pênalti besta cometido pelo time paulista e Calabrês - belo nome - deixou tudo igual

Quando o árbitro goiano encerrou a ação os times desceram aos vestiários, a sensação era a melhor possível. Restava saber se os locais iriam manter o nível. Bem... a resposta não demorou. A Portuguesa recuou além da conta, chamou o Cianorte a seu campo e o Leão ocupou sem cerimônia o setor defensivo da casa nos últimos 45 minutos. Não que tenham levado tanto perigo assim ou assustado de verdade, isso não, porém ficaram direto zanzando a grande área paulista.

Restou ao escrete local a chance dos contra-ataques. Lamentavelmente nenhum foi aproveitado e todos foram desperdiçados sem cerimônia. O melhor deles foi em finalização do meio da área que passou por cima da meta. Também rolou a impressão de pênalti não marcado a favor da Lusa quando um dos zagueiros tocou com a mão na bola dentro da área e o senhor juiz deixou o jogo seguir. Conforme a partida ia chegando perto do fim, o Cianorte passou a assustar mais. Em vacilo da zaga mandante, Dheimison fez grande defesa em tiro à queima roupa.

No momento em que o quarto árbitro subiu a placa informando os acréscimos, Léo Porto avançou pelo lado esquerdo do ataque paranaense. Ele encontrou um espaço milimétrico entre dois defensores e cruzou como se tivesse colocado com a mão. Wílson Júnior se antecipou ao defensor e encheu o pé, vencendo Dheimison e empatando o duelo. Foi um enorme banho de água fria em todos os presentes. Um presente de grego que deixou o placar em Portuguesa 2-2 Cianorte.






Na etapa final a Portuguesa recuou demais e chamou o Cianorte para seu campo


No último minuto Wílson Júnior jogou um balde de água fria nos rubro-verdes e fez o segundo dos visitantes

O empate deixou as duas equipes empatadas na terceira posição do grupo após a rodada de estreia. Santo André e Madureira venceram fora de casa respectivamente Bangu e Inter de Limeira e Boavista e São Bento ficaram no zero. Só que a fase inicial é longa e termina apenas no começo de setembro. Muita coisa vai rolar e nós estaremos de olho acompanhando pelo menos essa chave bem de perto. Se não vi nenhum compromisso rubro-verde na D de 2017, desta vez pretendo tirar o atraso.

Falando em decepção, no domingo teve decisão de acesso no Nicolau Alayon e a torcida nacionalista sofreu além da conta.

Até lá!

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Ficha Técnica: Portuguesa 2x2 Cianorte

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Rubens Paulo dos Santos/GO; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Caíque, Feijão, Danilo Pereira; Gols: Vítor (contra) 13, Calabrês (pênalti) 24 e Lucas Douglas 33 do 1º, Wílson Júnior 45 do 2º.
Portuguesa: Dheimison; Feijão, Jussani, Fernando Lombardi e Denis Neves (Marco); Caíque, Maykinho (Misael), Walfrido (Serafim) e Raphael Luz (Danilo Pereira); Ermínio (Hudson) e Lucas Douglas. Técnico: Fernando Marchiori.
Cianorte: Bruno; Michel, Vítor (Samuel), Maurício e Rael; Escobar, Erick Salles (Rafael Carvalhares), Morelli e Calabrês (Tales); Pachu (Wílson Júnior) e Buba (Léo Porto). Técnico: João Burse.
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segunda-feira, 7 de junho de 2021

Palmeiras aplica a maior goleada do Brasileiro sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


No sábado passado fiz algo que não fazia há mais de seis meses: uma rodada dupla (!). Teve uma época em que cobrir dois e até três jogos por dia era costumeiro, mas com a pandemia isso desapareceu em virtude de uma série de fatores. Iniciei os trabalhos com nova cobertura no Allianz Parque. No gramado sintético da cancha da Zona Oeste, o Palmeiras recebeu o Bahia pela quinta rodada do Grupo A do Campeonato Brasileiro sub-17.

Vice-líder da chave, o alviverde vinha de três vitórias seguidas após estrear sendo derrotado em casa pelo líder Flamengo. O rubro-negro é disparado o melhor time do certame até aqui e ostenta 100% de aproveitamento. O Tricolor de Aço não vem fazendo uma campanha ruim e estava em quinto lugar antes da rodada. O favoritismo era verde, claro, só que eu imaginava que os visitantes poderiam fazer jogo duro. O que eu não esperava era ver uma enorme goleada.


Quarteto de arbitragem e capitães de Palmeiras e Bahia

Sai do QG da Zona Oeste com um almoço alternativo reforçado pois sabia que não daria tempo de fazer uma boquinha entre as duas partidas. Cheguei no estádio cedo e, diferente do que fiz nas outras vezes que pisei lá durante a pandemia, resolvi ir até as cabines. Cansei de fazer os posts com as mesmas fotos e decidi captar as imagens com um ângulo diferente. Nunca tinha subido lá e a visão que temos é ampla e simplesmente sensacional. Com o estádio cheio, deve ser uma pressão enorme ficar ali, pois não há separação entre jornalistas e torcedores. No sábado o espaço estava completamente vazio, então vi tudo em absoluto sossego.

Na primeira metade da etapa inicial teve apenas um momento de perigo, o suficiente para os locais abrirem o marcador. Foi aos seis minutos, quando Jean Carlos lançou Allan, ele ganhou da defesa e tocou de cobertura na saída de Gabriel. Um golaço que inaugurou o triunfo alviverde. O Bahia respondeu com três boas chegadas entre os 20 e 30 minutos. Aos 29, a melhor delas. Em cruzamento rasteiro da direita um dos atacantes chegou um pouco atrasado e desperdiçou. Zé Henrique, camisa 1 palmeirense, foi bastante acionado.

Os paulistas se seguraram bem e após a blitz visitante voltaram a se arriscar no campo ofensivo. Aos 41, em contra-ataque pela esquerda, Kauan Silva tocou para Luiz Freitas. O camisa 10 avançou e mandou uma bicuda no canto esquerdo de Gabriel, vencendo o goleiro baiano e ampliando a vantagem. Se nos minutos restantes não deu pinta que o Bahia tinha sentido o 2x0, na etapa final isso ficou evidente desde o começo.


Para mudar o ângulo recorrente, fui às cabines do Allianz ver do alto e trazer outra perspectiva para a matéria


Allan (11) ganhando do zagueiro segundos antes de abrir o marcador contra o Bahia



Dois detalhes do tempo inicial de Palmeiras x Bahia


Chutaço de Luiz Freitas... era o segundo gol alviverde

O Palmeiras simplesmente não deu nenhuma chance ao adversário e aniquilou o escrete soteropolitano. Aos três minutos Jota fez o terceiro. Gabriel foi responsável por três grandes intervenções aos 11, 17 e 23 minutos, porém aos 24 ele não impediu o quarto tento, quando Giovani completou cruzamento da direita. Kauan Silva fez o gol mais bonito da tarde aos 29 minutos. Robert Dias fez lançamento primoroso e o camisa 7 deu um toque de primeira maravilhoso, encobrindo o arqueiro.

Somente aos 39 minutos o Bahia criou a única oportunidade na segunda etapa em tiro de fora da área que foi desviado pela zaga. Aos 42, em levantamento da esquerda, Rogério encerrou o massacre com uma cabeçada certeira. O resultado de Palmeiras 6-0 Bahia foi a maior goleada do torneio (igualada domingo com o triunfo cruzeirense em cima do América Mineiro) e manteve o alviverde na vice-liderança do Grupo A. O Bahia segue em quinto. Detalhe: em cinco rodadas, os baianos tinham sofrido quatro gols. A boa performance do setor defensivo ficou na saudade.



No segundo tempo o Palmeiras encurralou o Bahia e criou um sem número de chances


Bola passando a linha do gol no tento de Giovani, o quarto da tarde



No fim, os paulistas fizeram 6x0 contra os baianos, a maior goleada da edição 2021 do Brasileiro sub-17 até aqui

O horário estava relativamente apertado e eu não podia bobear. Saí do Allianz sem saber direito como faria para ir até o Canindé sem muvuca e gastando pouco. Não podia me atrasar e perder a esperada volta da Portuguesa a um campeonato nacional após quatro anos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmeiras 6x0 Bahia

Local: Allianz Parque (São Paulo); Árbitro: Flávio Roberto Ribeiro/SP; Público e renda: Portões fechados; Gols: Allan 6 e Luiz Freitas 42 do 1º, Jota 3, Giovani 24, Kauan Silva 29 e Rogério 41 do 2º.
Palmeiras: Zé Henrique; Carlos Eduardo, Kauã Oliveira, Serafim (Gabriel Vareta) e Robert Dias; Jean Carlos (Thalys), Jota e Luiz Freitas (Kauan Vinicius); Kauan Silva (Wendell), Giovani (Rogério) e Allan (Ewandro). Técnico: Artur Itiro.
Bahia: Gabriel; Wesley (Daniel), Kauã Davi, Nathan (Gabriel Barbosa) e Rafael; George (Matheus), Abraão (Kennyd) e Patrick; Casaes (Salvandy), Jhonatan e Tiago (Juninho). Técnico: Fernando Oliveira.
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terça-feira, 1 de junho de 2021

São Bernardo FC campeão paulista da Série A2 2021

Texto e fotos: Fernando Martinez


O Campeonato Paulista da Série A2, o único disputado de ponta a ponta sem presença de torcida em todos os tempos, chegou ao seu final na noite de segunda-feira. O duelo decisivo entre Água Santa e São Bernardo FC, ambos recém-promovidos, aconteceu no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte. Tudo porque o Distrital do Inamar, casa do Netuno, não tem iluminação e infraestrutura para a utilização do VAR, item obrigatório desde as quartas.

Não foi um torneio dos sonhos, longe disso. Ainda assim, dois times se destacaram desde o começo: Oeste e Água Santa. A equipe de Barueri voou, apresentou um futebol vistoso e foi líder em doze das quinze rodadas, somando absurdos 36 pontos. O Netuno liderou em duas jornadas, foi vice-líder desde a quinta rodada e encerrou sua participação sem perder nenhum compromisso. O Tigre do ABC ficou em quinto, treze pontos atrás do Rubrão e onze abaixo do escrete diademense. Uma performance apenas satisfatória.

Nas quartas o Oeste eliminou o XV de Piracicaba, o Água despachou a Portuguesa - com direito ao único revés - e o Tigre tirou o Atibaia. Na semi, tudo indicava que os favoritos ganhariam o acesso. O onze de Diadema pegou o Rio Claro e o rubro-negro enfrentou o clube de São Bernardo do Campo. Foi aí que o regulamento bizarro pediu passagem. Sempre achei que as melhores campanhas devem ter vantagem de dois empates em campeonatos com mata-mata. Acontece que no arbitral as agremiações decidiram que não haveria vantagem alguma e se dois jogos terminassem com igualdade de pontos, a vaga seria definida nos pênaltis. Típica situação que poderia gerar uma anomalia e deixar algum favorito no meio do caminho. Bingo!

O Netuno foi bem e conquistou o acesso contra o Azulão com um triunfo no interior e 2x2 no ABC. Já do outro lado, dois duelos com dois empates por 1x1 e definição na marca de cal. Um penal que bateu na trave eliminou o Oeste e colocou o SBFC na A1 de 2022. Numa competição de tiro curto eu entendo o desempate por pênaltis, só que em torneios longos não. Não faz sentido uma equipe com 74% de aproveitamento ser eliminada por uma com 51% e metade do número de vitórias.

Claro que a culpa é dos dirigentes que decidiram dessa forma, pois assinaram o regulamento, mas o fato é que não deixa de ser menos absurdo. Os baruerienses se tornaram o primeiro time desde o Rio Preto de 1976 a não serem promovidos com apenas uma derrota. Desde então, o América em 1999, Botafogo em 2000 e o Red Bull Brasil em 2014 subiram perdendo somente uma vez (além do Água Santa de 2021, claro). Bom, como esse não é um post da semi, vamos voltar ao contexto da decisão.

O São Bernardo FC comemorou muito o fato de voltar à elite após quatro anos. Em busca do seu terceiro título no profissionalismo - os outros foram a A2 de 2012 e a Copa Paulista de 2013 - enfrentariam o favoritismo total do adversário, ainda sem conquistar nenhum caneco oficial em certames da FPF. No sábado, um modorrento 0x0 no ABC e uma certeza: a peleja na casa lusitana precisava ter algo a mais de ambos os lados.

O dia 31 começou com uma grande notícia para o que vos escreve, algo bastante esperado desde o ano passado. Fui ao Canindé um pouco atrasado justamente por estar meio fora do ar. Cheguei no laço e, devidamente credenciado, logo estava na arquibancada da praça de esportes rubro-verde. Foi a minha quarta final sem torcida por causa da pandemia e repito: é ruim demais um estádio sem a presença de torcida em uma partida desse naipe.


Times entrando no gramado do Canindé para a final da Série A2 de 2021




Ah, que saudade de entrar em campo... mesmo sem fazer as imagens de perto, seguem os times posados com a foto dos capitães e do quarteto de arbitragem de longe

Na história do JP essa foi a sétima vez que marcamos presença no encontro decisivo da Série A2. A saber: Juventus 2x1 Noroeste em 2005, Santo André 2x0 Oeste em 2008, Monte Azul 3x2 Rio Branco em 2009, São Bernardo FC 2x2 União Barbarense em 2012, Portuguesa 0x1 Rio Claro em 2013 e São Caetano 2x1 Bragantino em 2017. Embora a melancolia do estádio vazio tenha tirado um pouco do brilho da noite, o jogo foi muito bom e merecia uma cancha lotada.

O Tigre teve a primeira boa chance aos cinco minutos. Rafael Costa entrou na área pela direita, foi derrubado por Oliveira e a árbitra deixou seguir. Na sequência, o onze local foi ligeiro e Bambam recebeu belo passe. O camisa 9 deu um drible seco no defensor e mandou um pombo sem asa, marcando um golaço. Muita comemoração que nada adiantou, já que Edina Batista foi chamada à cabine do VAR e marcou pênalti a favor do SBFC no início da jogada. O pessoal do Água Santa ficou revoltado, porém nada pôde fazer. Léo Castro bateu rasteiro e colocou o Tigre em vantagem.

Os diademenses buscaram pressionar o adversário tentando deixar tudo igual o quanto antes. Tiveram só uma oportunidade, aos 30 minutos em finalização de longe de Luan Dias que passou perto da trave. Oliveira impediu o segundo tento dois minutos depois quando Rafael Costa chutou da entrada da área e o camisa 1 desviou pela linha de fundo. No apagar das luzes, o escrete visitante ampliou. Lucas Ferron recebeu em profundidade na direita e mandou cruzado. A pelota desviou na zaga no meio do caminho e enganou Oliveira. O intervalo chegou com o 0x2 estampado no marcador.




A comemoração pelo gol de Bambam pouco antes do lance ser anulado. No pênalti marcado pelo VAR, Léo Castro abriu o placar e comemorou bastante com seus companheiros




Momentos do primeiro tempo da decisão. O São Bernardo atacou duas vezes com perigo e fez dois gols. 100% de aproveitamento nas investidas

O Água Santa sabia que não restava opção para a etapa final a não ser atacar e afastar o nervosismo, tão presente nos primeiros 45 minutos. Conseguiram! O São Bernardo criou um único momento, com ótima defesa de Oliveira em tiro de Léo Castro aos 31, e se defendeu sem a menor cerimônia. Os locais promoveram uma blitz que falhou no último toque. Foi em uma bola parada que as coisas começaram a melhorar. Dadá Belmonte bateu falta com perfeição aos 21 minutos e diminuiu cheio de estilo.

Aos 35, em jogada individual sensacional de Lelê, pintou o empate. O atacante driblou três zagueiros até ser derrubado por Patrick na linha da pequena área. Pênalti. Dedé Belmonte, ele de novo, bateu no canto esquerdo e igualou. Sentindo que o ambiente estava favorável, o Netuno foi em busca da virada. Bambam acertou um sem pulo aos 45 e quase fez o terceiro. Nos acréscimos Gabriel Gasparotto se transformou em um dos personagens da noite. O goleiro fez duas defesas absolutamente sensacionais em finalizações de Lelê e Bambam e impediu que o título fosse decidido no tempo normal.


Investida do Netuno pela esquerda. No segundo tempo, apenas o clube de Diadema atacou


Detalhe do belíssimo gol de falta de Dadá Belmonte. Gabriel Gasparotto pulou mas não tinha como fazer a defesa


Duelo de camisas 10 no gramado do Canindé. Pelo lado do Água Santa, Luan Dias. Do lado do Tigre, Gionnotti


Dadá Belmonte deixou tudo igual de pênalti aos 37 da etapa final



Os times tentaram alterar o placar após o 2x2, mas a decisão foi para os pênaltis

Com o empate por dois gols, tudo ficou para ser decidido nos pênaltis. Foi sorteado que o Água Santa iniciaria as batidas no gol da esquerda. Giovanni Pavani chutou na trave e Patrick pela linha de fundo. Carlos Alberto, Rafael Costa, Bambam e Lucas Ferron deixaram a disputa em 2x2. Dieyson jogou na arquibancada e Eduardo Diniz colocou o Tigre na frente, 3x2. Dadá Belmonte, o artilheiro da noite, fez 3x3. Tiago Luís, o "Messi Brasileiro" teve a missão de encerrar tudo na última cobrança, a décima. O tiro foi forte e a bola resvalou no travessão antes de morrer no fundo da rede.


O pênalti perdido por Dieyson que foi parar na arquibancada



Tiago Luís, o "Messi Brasileiro", se preparando para chutar e marcando o gol do título do São Bernardo FC

O resultado de Água Santa 2-2 São Bernardo FC (3x4) deu o segundo caneco da A2 ao escrete amarelo e preto do ABC. Os números não foram bons, somente seis vitórias em 21 jogos e um aproveitamento de 49%, porém o que vale é que, de acordo com o regulamento, colocaram novo troféu na coleção além de estarem na elite em 2022. Ao Água Santa, a certeza de que o trabalho foi muito acima da média. O vice não tira o brilho da campanha. No ano que vem a meta é chegarem à Série D.


A merecida festa do São Bernardo FC pelo segundo título de A2 na história



A entrega das taças para o vice e para o campeão da Série A2 de 2021

Fiquei acompanhando a festa asséptica e sem graça no gramado, animada para quem estava perto e desinteressante para quem estava longe como eu. Sinceramente não vejo a hora de que tudo volte ao normal. Não foram muitas coberturas da A2 na atual temporada pois a imprensa durante várias rodadas não teve acesso aos estádios. Espero que em 2022 a maior parte da população esteja vacinada e que o público retorne aos campos. Antes disso, temos longos meses pela frente.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Água Santa 2x2 São Bernardo FC (3x4)

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitra: Edina Alves Batista; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Oliveira, Luís Ricardo, Bruno Costa, Rodrigo Souza, Gabriel Gasparotto, João Carlos, Natan; Gols: Léo Castro (pênalti) 11 e Lucas Ferron 45 do 1º, Dadá Belmonte 21 e (pênalti) 37 do 2º.
Água Santa: Oliveira; Luís Ricardo, Helder (Luiz Eduardo), Bruno Costa e Rhuan (Dieyson); Marzagão, Luan Dias (Carlos Alberto) e Tauã (Giovanni Pavani); Dadá Belmonte; Bambam e Lelê. Técnico: Sérgio Guedes.
São Bernardo FC: Gabriel Gasparotto; Lucas Ferron, Genílson, Patrick e Pará; Natan, Rodrigo Souza, Rafael Costa e Gionnotti (Ruan); João Carlos (Eduardo Diniz) e Léo Castro (Tiago Luís). Técnico: Ricardo Catalá.
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