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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Real Madrid x Paraguai: uma noite perdidaça no Canindé

Texto e fotos: Fernando Martinez


Decidido o título do Torneio Internacional Estrelas a favor do Flamengo, o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte foi palco do jogo mais esperado do sábado: Real Madrid x Seleção do Paraguai. Um dos duelos mais insólitos já disputados no gramado do estádio rubro-verde em toda a sua história. Uma daquelas partidas bem perdidaças que tanto gostamos.

O Real Madrid faz parte da minha Lista de times masculinos desde o Mundial de 2000 e agora também passa a fazer parte da Lista feminina. Digamos que vai ser difícil voltar a ver o elenco sub-19 em ação, ainda mais no Canindé. Na estreia, derrota de 3 a 1 contra o São Paulo e a expectativa de ficar com a terceira colocação do minitorneio com um triunfo em cima do Paraguai, que foi derrotado pelo Flamengo na estreia pela contagem mínima. Aliás, o selecionado sul-americano se tornou figurinha carimbada nestes campeonatos femininos.




Digamos que vai ser difícil um duelo desse se repetir no Canindé alguma vez por uma série de fatores. E não é sempre que temos foto do Real Madrid posado, independentemente da categoria, aqui no JP

Boa parte da torcida foi embora e quem ficou sofreu. O que se viu no gramado lusitano foi um jogo muito, muito ruim e com raros momentos minimamente interessantes. Desde os primeiros movimentos, ficou claro que gol mesmo só sairia na base do milagre. Com um cenário de terra arrasada assim, o 1 a 0 para qualquer lado seria goleada.

O Paraguai foi muito melhor do que o Real Madrid, porém não foi assim uma Brastemp. As finalizações foram todas sem direção e passaram longe do gol. O marcador foi inaugurado apenas aos 46 minutos em vacilo da zaga espanhola e bom chute de Yuliza Franco. Ufa! Pelo menos não veríamos um 0 a 0.

Antes do tempo final, contando com a indefectível presença do amigo Edson de Lima, bati um papo com Romeu Castro, de longe uma das maiores figuras envolvidas com o futebol feminino desde os anos 80. Ele trabalhou em vários clubes históricos e presenciou momentos cruciais da categoria desde então. Foi um papo bastante revelador com alguém que tem total propriedade para falar do assunto e que conhece o FF com sobras. Posso dizer que a realidade está longe do que influencers e "especialistas" falam nas redes sociais, tudo de modo superficial e parcial.






Detalhes do surreal Real Madrid x Paraguai no gramado do Canindé



Detalhe do primeiro gol paraguaio




No segundo tempo, seguiu o domínio das sul-americanas


A comemoração do segundo gol da seleção do Paraguai no Canindé

A conversa rolou durante boa parte da segunda etapa e serviu para preencher bem o tempo, já que o jogo seguiu muito fraco e abaixo da média. Os times até tiveram seus momentos, nada muito fora do normal. O 1 a 0 estava praticamente selado quando Maira Sanchez cobrou escanteio da direita, a goleira Nuria deu rebote em cabeçada e a bola sobrou livre para Yuliza Franco fazer o seu segundo tento na noite aos 47 minutos.



As equipes recebendo a premiação pelo terceiro e quarto lugar do Torneio Internacional Feminino

O 2 a 0 deixou a Seleção do Paraguai com a terceira colocação do Torneio Internacional Estrelas, enquanto o Real Madrid ficou na última posição. Da minha parte, e mesmo com uma peleja tão fraca, valeu demais. Acompanhar um confronto assim em campo neutro é sempre um privilégio.

Voltei para o QG da Zona Oeste pegando o coletivo que leva até a Estação Luz da Linha Amarela na companhia do amigo Edson sem saber qual será a próxima cobertura. Fazer 50 anos não tem sido uma boa experiência em termos de saúde até aqui. Estou precisando me benzer.

Até a próxima!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Flamengo x São Paulo: A preliminar que valeu taça

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na quarta-feira começou um torneio bem legal, de tiro curto, com times femininos sub-20. Não consegui cobrir a rodada de estreia por conta de problemas de saúde que ficaram me atazanando por quase uma semana, mas no sábado deu tudo certo. E, contrariando o padrão, a final do Torneio Internacional Estrelas foi a preliminar da rodada dupla. Iniciando os trabalhos, São Paulo e Flamengo ficaram frente à frente no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte para definir quem ficaria com a taça.

As meninas do Tricolor derrotaram o Real Madrid por 3 a 1 na semi, enquanto as rubro-negras fizeram 1 a 0 contra a seleção do Paraguai. Essa peleja reuniu os dois finalistas do Brasileiro da categoria. O Fla venceu os dois jogos disputados em maio e ficou com o título. Aliás, o clube carioca é também o atual campeão da Copinha e vem forte para a edição de 2026. O duelo pode muito bem ter sido uma prévia do que podemos ter no mês de dezembro, também no Canindé.




As fotos oficiais antes da decisão no Canindé

Ainda me recuperando de dias de UBS, UPAs e afins, fui ao estádio rubro-verde com um baita calor e boa expectativa para a peleja. Fui ao gramado logo e encontrei um dos maiores experts do futebol feminino, Edson de Lima, e passei a partida conversando com o amigo. Fiz as fotos oficiais sem crise e decidi acompanhar o ataque são-paulino. Um erro.

O Flamengo foi superior ao São Paulo durante a maior parte da etapa inicial. A primeira chance aconteceu logo aos 45 segundos, com a zaga se antecipando e impedindo a finalização de Ana Papel. Aos 14, a mesma Ana Papel cobrou escanteio, Maria Fernanda desviou e a bola bateu em Julia Pereira antes de encobrir a goleira Rayssa. A arqueira fez milagre aos 26 em grande chute de Carol Zacha, porém, aos 35, não impediu o segundo gol após bom tiro de Campos. O Tricolor só assustou aos 40 e marcou com Vivia, diminuindo a vantagem carioca.

No segundo tempo, o Fla quase ampliou com Campos aos seis minutos. Depois, o calor pegou forte e o jogo caiu de produção. O melhor momento local foi aos 27 minutos. Em um daqueles famosos "bate-rebate" na área, Gi Cabral salvou o gol de Vivia em cima da linha usando o braço. Pênalti claro não marcado. As são-paulinas sentiram o golpe e, aos 34, sofreram o terceiro em penalidade máxima bem cobrada por Isabela Nunes.






O São Paulo tentou emplacar uma pressão, mas o Flamengo foi mais decisivo



Detalhe do primeiro gol tricolor, recolocando o time na disputa pela taça



Aqui o principal lance são-paulino no tempo final. Todo mundo pediu pênalti


O Flamengo conseguiu se defender bem e segurou sua vantagem



No fim, o Fla anotou o terceiro e ficou com o titulo

O escrete paulista até teve outra boa oportunidade aos 43, nada que estragasse a festa flamenguista. No fim, 3 a 1 a favor do onze visitante e a conquista do título do Torneio Internacional Estrelas. Mais um troféu para a vitoriosa base do clube da Gávea, certamente o maior favorito na Copinha Feminina, que terá início no fim de novembro.



São Paulo e Flamengo recebendo a premiação pelo vice e pelo título do Torneio Internacional Estrelas

Vimos a festa das campeãs e a premiação das duas equipes no já escuro Canindé. Boa parte dos presentes foi embora após o término da cerimônia... eu não. Era a hora do duelo mais esperado da rodada, algo que certamente não irá mais rolar no gramado do Canindé.

Até lá!

Ficha Técnica: São Paulo 1-3 Flamengo

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Ricardo Bittencourt Ohashi; Público e Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Vi Barreto, Nicoli e Yasmim Cardozo; Cartão vermelho: Mari Martins; Gols: Julia Pereira (contra) 14, Campos 35 e Vivia 40 do 1º, Isabela Nunes (pênalti) 36 do 2º.
São Paulo: Rayssa; Forner (Mari Martins) Julia Pereira, Sarah Aysha (Tay) e Carol Zacha; Laura Laredo (Nicole), Fran, Vi Barreto (Iseppe) e Julia Vaini; Vívia e Icyla. Técnica: Cinthia Soares.
Flamengo: Dome Palacios; Gi Cabral, Laura Cardoso, Cecília e Isabela Nunes; Nicoli, Dudinha e Maria Fernanda (Yasmim Cardozo); Ana Papel (Bia Brandão), Leane e Campos (Alice). Técnico: Leonardo Santos

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Juventus apenas empata com o União São João e é eliminado da Copa Paulista

Texto e fotos: Fernando Martinez


A noite de segunda-feira reservou uma das partidas mais perdidas dos últimos tempos na capital. Sim, já tínhamos visto o Juventus atuar no Estádio Paulo Machado de Carvalho com o mando de campo na Copa Paulista, mas uma sessão noturna em pleno dia útil ultrapassou a alternatividade vista contra o Paulista de Jundiaí no fim de julho. Pela volta das quartas de final, os grenás receberam o União São João precisando vencer.

A peleja reuniu um sem número de amigos e conhecidos, assim como mais de 2.400 pagantes, a maior parte torcendo pelo onze local. Vale registrar que teve briga (!) entre torcidas novatas do Juventus. É, os bons tempos do saudoso Sérgio Manjuillo e suas rifas com o resultado pendurado no mural da entrada da Javari estão cada vez mais enterrados no passado. Agora todo mundo quer tirar uma casquinha da fase de ouro prometida pela SAF.

No duelo de ida, o clube ararense fez 1 a 0 e jogava pelo empate no Pacaembu. Uma vitória dos paulistanos por dois gols daria a classificação. Por um, a decisão seria aos pênaltis. Não seria uma missão fácil não apenas pelo momento atual, mas também pela história. Em 26 jogos disputados entre os dois, o Juventus tinha vencido apenas três, contra 15 triunfos do União e oito empates. O domínio alviverde é imenso, basta dizer que a última vitória juventina era um 3 a 2 em Araras em 25 de agosto de 1991. A partir dali, foram 18 jogos de invencibilidade do União. Estive em dois deles, em 1998 e 2002, ambos com resultados negativos para os paulistanos.


Bonita festa com fogos na entrada dos times em campo



Juventus e União São João em suas imagens oficiais para a decisão no Pacaembu


Quinteto de arbitragem de peso no Pacaembu: Edina Alves Batista, Raphael de Albuquerque Lima, Ricardo Pavanelli Lanutto, Adriano de Assis Miranda e Marcela de Almeida Silva. Na imagem, também os capitães dos dois times

A entrada dos times foi legal, com fogos de artifício e festa na numerada. Quando a bola começou a rolar, o Juventus foi melhor e aos sete minutos neutralizou a vantagem do União com o gol de Felipe Augusto. O camisa 11 fez boa jogada pela esquerda, driblou dois marcadores e finalizou no canto esquerdo de João Souto. Na sequência, o arqueiro visitante fez duas grandes defesas e evitou o segundo. No intervalo, o placar mostrava a vantagem mínima a favor dos locais.

Na etapa final, como acontece com nove entre dez equipes que estão na frente do placar, o Juventus recuou e chamou o União São João para seu campo. Os visitantes melhoraram e deixaram tudo igual com Alex Oliveira, que recebeu cruzamento por baixo e, aproveitando uma falha de Passarelli, marcou. O empate acordou o escrete grená e João Souto voltou a brilhar. O camisa 1 fez uma defesa absurda em cabeçada certeira de Ferreira e desviou com brilho um chute de longe de Felipe Augusto. Assim, o Moleque Travesso não foi capaz de superar seu adversário.



Detalhes do começo do duelo no Pacaembu



Felipe Augusto chutou no canto e abriu o placar a favor do Moleque Travesso




Mais lances da etapa inicial




O Juventus recuou demais no segundo tempo, mas ainda assim teve alguns momentos



Aqui a maior chance grená nos últimos 45 minutos. Cabeçada à queima-roupa desviada com maestria por João Souto


O empate encerrou a temporada de sucesso do Juventus

O 1 a 1 colocou o clube de Araras na semifinal da Copa Paulista para enfrentar o Grêmio Prudente. A outra semi será entre São José e Noroeste. Os vencedores se garantem na decisão e em alguma competição nacional em 2027. Resta ao Juventus juntar os cacos e se preparar para a disputa da A1, torneio que voltará a disputar depois de 19 anos. Estaremos lá acompanhando de perto, certamente.

A semana reservava mais alguns jogos, só que voltei a ficar zoado por conta de problemas de saúde que me atrapalharam também no sábado. Graças a isso, o retorno aos campos deve atrasar um pouco. Que passe rápido.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Juventus 1-1 União São João

Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Edina Alves Batista; Público: 2.488 pagantes; Renda: R$ 62.070,00; Cartões amarelos: Edinho, Graziani, Léo Coelho, Matheus Leal, Felipe Augusto, Léo Machado, Maikinho, Felipe Torres, Elkin Muñoz e Thiago Oliveira; Gols: Felipe Augusto 8 do 1º e Alex Oliveira 21 do 2º.
Juventus: Passarelli; Lucas Lopes (Daniel Guedes), Léo Coelho, Thomás Kayck e Matheus Leal (Eduardo); Graziani (Ferreira), Rodriguinho (Vinicius Spaniol) e Edinho (Romário); Elkin Muñoz, Paulinho e Felipe Augusto. Técnico: Thiago Carvalho.
União São João: João Souto; Léo Machado, Felipe Torres, Fernando Brito e Tallys; Ruan (Vitão), Maycon Lucas e Wagner (Walfrido); Maikinho (Léo Souza), Bruninho (Warlei) e Alex Oliveira (Bruno Menezes). Técnico: Thiago Oliveira.