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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O futebol volta às páginas do Jogos Perdidos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Pandemia!

Essa palavra relativamente desconhecida pela grande massa passou a fazer parte do dia a dia da maior parte dos habitantes do planeta em 2020. A chegada da covid-19 transformou a realidade e nos levou à maior crise do século e também ao pior momento do mundo moderno. Milhares morreram, milhões foram infectados, muitos perderam o emprego (eu incluído) e não sabemos quando poderemos voltar minimamente à realidade que tínhamos até o começo do ano.

Tudo parou. Tudo. Trazendo isso ao assunto principal do Jogos Perdidos, com o futebol não foi diferente. Desde que estive presente no Capivariano 2x0 Nacional em 14 de março, foram 189 dias sem pisar num estádio, meu maior período sem jogos desde 1995 e o sétimo na história. Todos os campeonatos no país ou foram interrompidos ou nem começaram. Nunca tivemos algo parecido na história do profissionalismo e mesmo quando a Gripe Espanhola parou os certames em 1919 não foi por tanto tempo.

No dia seguinte da minha última peleja iniciei uma quarentena forçada. Não comecei bem e surtei em abril por uma série de fatores, culminando com minha internação em maio com uma pedra no rim e suspeita de ter covid-19. Foi barra pesada, porém a ficha caiu e resolvi aproveitar o tempo livre a partir da minha alta. Assisti muitas séries inteiras, ouvi muita música, mexi nas pesquisas ferozmente e retomei a leitura num ritmo industrial. 27 semanas depois, eu resolvi encarar o mundo real e decidi que era hora de voltar à velha forma no retorno do Campeonato Paulista da Série A3.

Não me senti à vontade para retornar aos campos em julho quando os estaduais foram retomados. Além disso, achei a volta precipitada. Por isso não sei se teria voltado se não com o Nacional atuando no Estádio Nicolau Alayon recebendo o Batatais. Eu quebrei a série de três anos e meio vendo todos os jogos ali justamente na última apresentação, contra o Marília dia 7 de março. Estava em Anápolis na mesma tarde numa viagem que parece ter sido feito há oito anos. O adversário do onze nacionalista no retorno do torneio foi o Batatais.

Estava curioso para ver como estava o protocolo de segurança na A3 já que acompanhei de longe a volta dos certames maiores. Bom, além de farta quantidade de álcool em gel e necessidade de usar a máscara o tempo todo, agora não tenho mais acesso ao gramado. Após muitos anos, os próximos posts do JP não terão os times posados, nossa marca registrada. Confesso que dá uma certa tristeza, mas tudo pelo social.

Outra coisa que não vai rolar até segunda ordem será a companhia das dezenas de amigos e conhecidos que frequentam os campos da vida. Somente pessoal com carteirinha da Acessp e Arfoc terão acesso às canchas. Não ter a companhia da rapaziada vai também ser bastante esquisito. As minhas trilhas sonoras pessoais do Spotify certamente serão acionadas com enorme regularidade (e o que tem de coisa boa não é brincadeira).

Como também não podemos ficar zanzando pelo estádio buscando ângulos diferentes, fui obrigado a permanecer no lado direito da parte coberta da Comendador Souza. Foto, só dali. Agora, o pior de tudo na minha humilde opinião é a falta de torcida. Tudo bem que a assistência na casa nacionalista historicamente não é das maiores, mas mesmo assim futebol sem público muda a essência do esporte. Certeza que não me acostumarei com isso nunca.



Times perfilados para o Hino Nacional na volta do JP aos gramados. Depois o minuto de silêncio para as vítimas da covid-19 no país

Quando a A3 parou o Nacional não estava nada bem. Os paulistanos ocupavam a 13ª posição mostrando um futebol fraco, principalmente fora de casa. A pontuação embolada deixava o clube tanto perto da classificação quanto do rebaixamento e minha análise na época era que precisavam se preocupar mais com a parte de baixo na tabela. Seis meses depois, não tinha a menor ideia do que esperar atuando contra o sexto colocado, o glorioso Batatais.

Logo no primeiro minuto o alvirrubro assustou a zaga mandante com um bom ataque pela esquerda e bola na trave direita do camisa 1 paulistano. Na sequência o Nacional abriu o marcador em chegada pela direita que terminou com a cabeçada de Tavares. Gol nacionalista logo no começo? Taí algo que não vemos sempre.

Aos nove, Vitor Hugo perdeu um daqueles gols que se bobear até eu faria quando ficou cara-a-cara com o goleiro Douglas Lima e se atrapalhou todo, chutando pela linha de fundo e desperdiçando a oportunidade do empate. Aos 20, quase o segundo paulistano em dois momentos seguidos. A partir daí a zaga visitante passou a errar muito e o Nacional não soube aproveitar a vantagem. Quando o intervalo chegou, o placar poderia estar tranquilamente em 2x0.




Três momentos do primeiro tempo de Nacional x Batatais. Na terceira foto, uma boa chegada visitante de cabeça

Quando veio a etapa final foi aquela coisa. Quem acompanha os jogos do antigo SPR sabe que o "quem não faz, toma" funciona como lei. Vinícius criou a melhor chance da peleja quando avançou sozinho por todo o campo de defesa do Batatais, entrou na área e chutou no canto. Caprichosamente a pelota tirou tinta da trave esquerda e saiu.

Nesse lance tive a certeza que o Fantasma chegaria ao empate... e claro que ele chegou. Paulo César recebeu um lançamento maravilhoso de Nicolas e tocou na saída do arqueiro local aos 25 minutos, deixando tudo igual. O Naça tentou emplacar um ânimo extra em busca dos três pontos, só que foi o alvirrubro quem chegou perto do segundo tento.


Dividida no meio de campo já no segundo tempo


Vinícius perdendo a melhor chance de gol nos 90 minutos. Pouco tempo depois, o escrete nacionalista sofreu o empate


Após sofrer o gol, o Nacional se mostrou tímido na busca de nova vantagem no placar

O Nacional 1-1 Batatais foi o resultado justo para a partida em Comendador Souza. O Naça ganhou um ponto porém conseguiu perder duas posições na tábua de classificação: agora é o 13º colocado postado perigosamente perto da zona de rebaixamento. Já o Fantasma agora está na quinta posição. Os paulistanos precisam MUITO vencer o próximo compromisso contra a pedreira chamada São Bernardo, caso contrário a situação vai se tornar mais dramática.

Essa foi a minha volta aos gramados depois de 189 dias. Não significa que voltarei à ativa naquele ritmo frenético de sempre, pois a pandemia continua sendo uma realidade nefasta e não podemos brincar, mas quando estiver animado e disposto voltarei. Serve pelo menos para deixar o JP em atividade.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 1-1 Batatais

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Jefferson Dutra Giroto; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Tavares, Gabriel Vieira, Matheus Costa, Maicon, Paulo César; Gols: Tavares 2 do 1º e Paulo César 24 do 2º.
Nacional: Douglas Lima; Alanderson, Gabriel (Júlio), Diego Chiclete e Ricardinho; André Rocha, Juan (Guilherme Dias), Gabriel Vieira (Dieguinho) e Tavares (Matheus Costa); Vinicius e Luquinha (Matheus Teta). Técnico: Tuca Guimarães.
Batatais: Adalberto; Danilo Guimarães (Guilherme), Manuel (Felipe), Gustavo e Maicon (Paulo César); Ian, Nicolas, Kawan e Vitinho (Pimpolho); Caíque Gomes (Adyson) e Caíque Santos. Técnico: Nívio Caetano. 
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quarta-feira, 18 de março de 2020

Na despedida do futebol, Capivariano derrota o Nacional pela A3

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de sábado, como aconteceu várias vezes em 2020, peguei a estrada mais uma vez, a última por enquanto, para uma cobertura do Jogos Perdidos. Na pauta, um genial duelo que não acontecia desde 1991 em Santa Bárbara D'Oeste. Mas não era o onze local em atividade, e sim o confronto de campo neutro entre Capivariano e Nacional pela 11ª rodada da primeira fase do Campeonato Paulista da Série A3 no Estádio Antônio Guimarães.

Tirando o Noroeste, a disputa da A3 está bastante equilibrada. Do quarto ao 14º lugar são apenas quatro pontos de diferença. O Nacional derrotou o Marília em casa no sábado retrasado em jogo que não contou com minha presença após três anos e meio e subiu para a 10ª colocação. Mesmo sem atuar em Capivari, jogar contra o Leão da Sorocabana, atual quarto colocado, seria uma dureza.

Falando um pouco de história, Capivariano e Nacional não jogavam há 29 anos. Em todos os tempos somente oito encontros, todos concentrados pela segundona entre 1987 e 1991. Neles, o escrete paulistano venceu cinco vezes e aconteceram três empates. Sim, o alvirrubro nunca tinha derrotado o centenário clube da Zona Oeste da capital na história. Ainda.

A caravana ao interior foi composta pela dupla Caio e Bruno, os dois que me acompanharam na insana cobertura do blog na primeira fase da Copa do Mundo sub-17. Já na gloriosa casa do União Barbarense encontramos o casal 20 Mário e Monique. Por conta um sutil atraso no almoço, cheguei na cancha na base do desespero com o Hino Nacional já tocando e os times perfilados. Só deu tempo de correr igual doido. Nem sei como consegui as fotos oficiais. Fui acompanhar o ataque nacionalista praticamente me arrastando.


Capivariano Futebol Clube - Capivari/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


O árbitro Alysson Fernandes Matias, os assistentes Diogo Correia dos Santos e Diogo Cruz Freire, o quarto árbitro João Batista Avelino e os capitães das equipes posam de forma exclusiva para o JP

Falar sobre o que aconteceu durante os 90 minutos é a coisa mais fácil: o Nacional nada fez e o Capivariano, mesmo sem se apresentar de forma primorosa, soube cozinhar o galo e vencer sem sustos. Foi irritante acompanhar outra apresentação ferroviária longe da capital tão abaixo da crítica. Incrível como os comandados de Tuca Guimarães não conseguem fazer o mínimo. Se em casa não perdem, longe da Comendador Souza pouco fazem. Não é à toa que não derrotam ninguém longe de São Paulo no estadual desde 2018.

Enquanto eu derretia espremido na única sombra possível fora os bancos de reservas, o Capivariano criou duas boas oportunidades na etapa inicial, aos 14 e aos 38 minutos, ambos com boa defesa de Luís Henrique em conclusão de Arthur e Douglas Netto. Aos 43, quando parecia que o intervalo chegaria com o marcador em branco, a bola foi alçada da esquerda dentro da área visitante. Veloso subiu mais alto e cabeceou contra o próprio gol, deixando os mandantes em vantagem.


Gustavo Índio (9), o artilheiro nacionalista que não conseguiu fazer muito contra a bem postada defesa do Capivariano


Ataque nacionalista pela esquerda debaixo de um fortíssimo calor em Santa Bárbara D'Oeste


Gustavo Índio, sempre ele, disputando bola pelo alto


Zagueiro do alvirrubro de Capivari se preparando para sair com a bola


Detalhe do primeiro gol no Antônio Guimarães, marcado por Veloso contra as próprias redes

Como tinha cumprido minha missão no gramado, fui curtir o tempo final na numerada perto dos amigos naquele bate-papo sempre animado. O Naça fez uma mini-pressão sem importância nos primeiros minutos só que logo o Capivariano voltou a ser melhor. Não demorou muito para que o alvirrubro ampliasse a vantagem com o gol de Léo aos 18 minutos.

Com o 2x0 a favor do clube de Capivari, a peleja caiu completamente de produção e o que valeu foi a conversa. Eu já imaginava, porém no fundo não queria acreditar que estava vivendo os últimos momentos num estádio de futebol num prazo a perder de vista. Preferi rir e continuar planejando coberturas que não acontecerão. Se vocês soubessem o cronograma que estava montado para a Segundona, Série D e afins... infelizmente nenhum deles vai virar realidade.


Conchal (11) num dos primeiros ataques do Leão da Sorocabana no segundo tempo



Os ataques do Nacional foram tímidos, como esses em lançamento na área e pela esquerda


Dois contra seis dentro da área... o Nacional não tinha como conseguir melhor sorte mesmo

O placar final de Capivariano 2-0 Nacional manteve o Leão da Sorocabana na 4ª colocação, agora com 18 pontos, e o escrete ferroviário na 10ª somando 13 pontos, dois acima da zona de rebaixamento. Com quatro rodadas a serem disputadas, o certame foi paralisado na segunda-feira junto com A1, A2 e a suspensão de todas as competições que teriam o pontapé inicial em abril. Tudo por conta da pandemia. Por mais triste que seja, a decisão da FPF foi 100% certa.

O futebol é menos importante do que o problema sério e inédito que assola o mundo neste momento, claro. Ainda assim é complicado pensar que não teremos a melhor válvula de escape possível para segurar a onda nos dias sombrios que nos esperam. Resta ter fé, fazer nossa parte e esperar que essa absurda e surreal situação passe de uma vez. Sim, vai demorar, vai ser sofrido e bem difícil. Temos que manter a sanidade a todo custo e torcer para que no final de tudo a gente possa olhar em retrospectiva e lamentar o menos possível.

É isso. Pela primeira vez nos 15 anos de JP eu escrevo uma matéria sem ter a menor noção de qual será a próxima. Que estejamos todos aqui no futuro bem de saúde para contarmos as histórias de sempre quando a bola voltar a rolar nos nossos gramados.

Até a próxima e se cuidem!

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Ficha Técnica: Capivariano 2-0 Nacional

Local: Estádio Antônio Guimarães (Santa Bárbara d'Oeste); Árbitro: Alysson Fernandes Matias; Público: 99 pagantes; Renda: R$ 790,00; Cartões amarelos: James Dean, Guilherme Lobo; Gols: Veloso (contra) 43 do 1º, Léo 18 do 2º.
Capivariano: Christopher; Gutierrez, Oliveira, Denis e Artur; Léo, Radsley (Walace), Brendon e Douglas Neto (Pablo); Lucas Lima (Jaburu) e Conchal. Técnico: Ricardo Costa.
Nacional: Luís Henrique; Veloso, Gabriel, Bahia e Ricardinho; André Rocha, Guilherme Noé, Matheus Teta (PH) e Guilherme Lobo (Emerson Mi); Gustavo Índio e James Dean (Vinícius). Técnico: Tuca Guimarães.
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terça-feira, 17 de março de 2020

Oeste desperta no segundo tempo e devolve o Bota ao Z2 do Paulistão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde da última sexta-feira estava de boa e tinha decidido não sair de casa. Só que as preocupantes notícias durante o dia começaram a mostrar que a continuidade do calendário futebolístico estava comprometida por conta do coronavírus. A ficha caiu, arrumei minhas coisas enquanto a bola ainda rolava. A pedida foi seguir até a Arena Barueri para um "jogo de seis pontos" na luta contra o rebaixamento entre Oeste e Botafogo de Ribeirão Preto pelo Paulistão 2020.

A minha ida acabou se mostrando acertada, pois no fim da tarde de sexta ficou definido que as partidas que seriam realizadas na capital no sábado e domingo não teriam presença de torcedores, nem de imprensa. Casos de São Paulo e Corinthians na A1 e Portuguesa na A2, isso sem contar o Juventus no Brasileiro Feminino da Série A2. O contexto todo preocupava e era questão de tempo para tudo ser cancelado e falarei sobre no próximo post.

Fui até Barueri num trem apinhado da CPTM, prato cheio para o corona. Estava meio cabreiro se teríamos mesmo a realização da peleja por conta de tanto disse-não-disse e a enorme quantidade de boatos rolando. Ao chegar, ufa, tudo estava confirmado. Logo fui ao gramado e notei que a torcida local, que não costuma comparecer em grande número, não tinha dado as caras. A torcida do Pantera fez bonito e estava em peso acompanhando fielmente sua equipe apesar da difícil situação no torneio.

O Botafogo derrotou o time reserva do São Paulo na rodada anterior e saiu na zona do rebaixamento. Com oito pontos, foi parar na 14ª posição, um ponto à frente de Ponte Preta e do próprio Oeste. Já o Rubrão derrotou nada menos que o Santo André, líder geral do certame na rodada passada, no ABC. Se derrotassem o tricolor interiorano sairiam da zona de rebaixamento e também, dependendo do resultado do dérbi campineiro na segunda, entraria na zona de classificação. Bizarrice total, cortesia da bisonha fórmula.


Oeste Futebol Clube - Barueri/SP


Botafogo Futebol Clube - Ribeirão Preto/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Vinícius Gonçalves Araújo, os assistentes Risser Jarussi Corrêa e Fábio Rogério Baesteiro e o quarto árbitro José Cláudio Rocha Filho

Fiz as fotos oficiais e acabei escolhendo acompanhar os avantes locais durante o primeiro tempo. Péssima escolha. Como se estivesse no Santa Cruz, o Botafogo teve uma atuação em que, empurrado por sua torcida, foi amplamente superior e não chegou ao gol por questão de detalhe. Nesse caso o detalhe tem nome e sobrenome: Caíque França. O arqueiro formado no Corinthians e que está atuando no rubro-negro por empréstimo teve uma atuação magnífica.

Foram três as incríveis defesas do camisa 1: em chute de Matheus Anjos cara a cara aos sete minutos, aos 12 em tiro colocado de Rafinha e aos 25 novamente com Matheus Anjos. Aos 30 ele vacilou pela única vez e deixou a bola passar. Quem salvou em cima da linha foi Sidimiar. Aos 38 o goleirão salvou de novo e mandou pela linha de fundo uma falta cobrada por, sempre ele, Matheus Anjos.

Por conta das defesas de Caíque, o intervalo chegou com o marcador em branco. Aproveitei o descanso e fui dar uma passeada pela Arena pois não tenho a menor ideia de quando farei isso novamente. Comi um pedaço de pizza que é vendida na tribuna, fui no último andar encher o bolso de bolacha e retornei ao gramado pronto para acompanhar a etapa final. Sentado no meu banquinho estava com a cabeça um pouco longe e imaginava a chance de tudo ser cancelado, num cenário que só se viu aqui em tempos de gripe espanhola. Foi difícil me concentrar.


Bola dominada por jogador do Oeste no campo de defesa botafoguense


A boa presença da torcida do Pantera na Arena Barueri mesmo com a situação complicada da equipe no Paulistão


A clássica camisa do Botafogo de Ribeirão Preto no gramado da Arena


Atacante local protegendo a pelota da marcação adversária


Bololô dentro da área tricolor

Voltando ao duelo, fiquei novamente no ataque dos donos da casa na base da teimosia e dessa vez a escolha foi correta. O relógio não tinha chegado nem no segundo minuto e o Oeste inaugurou o placar. Rael fez ótima jogada individual, passou por três defensores e tocou para Bruno Lopes. O atleta barueriense chegou batendo de primeira, colocando a pelota no canto esquerdo. Danrley tocou de leve na pelota... sem sucesso na tentativa de evitar o gol.

Aos nove, o lance que definiu a sorte da partida aconteceu quando Éder Sciola derrubou Matheus Anjos dentro da área e o árbitro marcou pênalti. Eu, assim como a transmissão da TV, achei que foi exagerada a marcação. Rafinha cobrou a penalidade aos 12 e Caíque França defendeu. Como desgraça pouca é bobagem, na sequência o Oeste emplacou um contra-ataque monstro que teve participação de Bruno Lopes, Bruno Paraíba e que terminou finalização precisa de Betinho, que fez 2x0.

O Botafogo se entregou depois do segundo tento e o Oeste foi cozinhando o galo praticamente sem sofrer nenhum susto. Aos 34 quase ampliou com Bruno Paraíba tirando tinta da trave esquerda de Danrley. Fabrício Oya teve outro bom momento aos 38 e aos 48 o rubro-negro fechou a fatura com o gol de Bruno Lopes depois de erro na saída de bola botafoguense. O escrete de Barueri devolveu com juros a derrota sofrida contra o Bota (0x2) no último duelo entre eles na Série B de 2019.


Novidade boa na Arena Barueri. Finalmente a prefeitura local está melhorando a iluminação da cancha. Os dias de boate e fotos impossíveis atrás do gol estão contados!


Éder Sciola (2) encarando a marcação em lance pela direita já no segundo tempo


O lance que praticamente definiu a sorte da partida: Rafinha perdendo pênalti a favor do Botafogo


Outro lance de Éder Sciola pela direita do ataque rubro-negro


Bruno Paraíba (9) tentando o cabeceio, mas quem levou a melhor foi o camisa 8 Victor Bolt


Ataque do Oeste que gerou o terceiro gol, o último da noite na Arena

O resultado de Oeste 3-0 Botafogo foi a maior vitória do Rubrão em campeonatos paulistas desde o 3x0 em cima da Portuguesa pela A2 em janeiro de 2018. Além disso, graças à derrota da Ponte no dérbi, deixou o time na zona de classificação (!) do Grupo A. Eles estão em segundo na chave com a mesma pontuação do Água Santa, à frente por ter um maior número de vitórias. Na classificação geral estão em 12º. A Pantera agora está na 15ª colocação, somente com a Ponte Preta atrás dela. Resta saber se tudo isso valerá alguma coisa.

Mesmo repleto de incertezas em relação ao futuro consegui assistir mais um joguinho antes da paralisação total, ampla e irrestrita. No sábado peguei a estrada pela última vez com destino a um duelo pela Série A3 que não acontecia desde 1991.

Até lá!

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Ficha Técnica: Oeste 3-0 Botafogo/SP

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Vinicius Gonçalves Araujo; Público: 405 pagantes; Renda: R$ 6.655,00; Cartões amarelos: Betinho, Bruno Paraíba, Renan Fonseca, Bruno Lopes, Rafinha, Gilson, Victor Bolt; Gols: Bruno Lopes 3, Betinho 15 e Bruno Lopes 48 do 2º.
Oeste: Caíque França; Éder Sciola, Sidimar, Renan Fonseca e Rael; Lídio, Bruno Lopes, Betinho e Mazinho (Fabrício Oya); Bruno Paraíba (Tite) e Matheus Oliveira (Roberto). Técnico: Renan Freitas.
Botafogo/SP: Darley; Caíque Sá, Robson, Didi e Gilson; Victor Bolt, Naldo (Marcos Vinícius), Rafinha (Murilo Oliveira) e Ronald (Luketa); Matheus Anjos e Wellington Tanque. Técnico: Claudinei Oliveira.
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sexta-feira, 13 de março de 2020

Na boa, Ponte Preta anula a surpresa Afogados/PE em Campinas

Texto e fotos: Fernando Martinez


Terminado o clássico tricolor pelo Brasileiro sub-17 na quinta à tarde, saí de Cotia com a dupla Renato e Caio tendo como destino a cidade de Campinas. Na pauta o genial duelo entre a Ponte Preta e o surpreendente Afogados da Ingazeira FC, o 714º clube a fazer parte da Lista, abrindo a terceira fase da Copa do Brasil. Não imaginava que nessa altura do campeonato eu teria a chance de ver um time novo, ainda mais com esse formato horroroso.

Se o escrete campineiro chegará em breve ao seu 120º aniversário, tem vários capítulos gloriosos através dos tempos, disputa a sua 17ª edição da competição nacional, isso sem contar todas as participações em brasileiros, o onze pernambucano é exatamente o oposto. Fundado em dezembro de 2013, eles disputaram a segunda divisão local de 2014 a 2016, ano em que conquistaram o acesso. Em 2017 e 2018 fizeram campanhas medianas, porém em 2019 a performance foi muito melhor. O terceiro lugar no estadual garantiu presença na Série D e na Copa, suas primeiras competições nacionais.

Na primeira fase os nordestinos fizeram 3x0 no Atlético Acreano e se classificaram para enfrentar nada menos do que o Atlético Mineiro. Parecia uma barbada a favor do primeiro campeão brasileiro... parecia. Nem o mais pessimista torcedor alvinegro esperava a eliminação diante da Coruja do Sertão. O empate por 2x2 levou a decisão da vaga aos pênaltis, e apesar de ter perdido as duas primeiras cobranças, o Afogados teve paciência, venceu por 7x6 e fez história.

Falando em história, o clima pelos lados do Estádio Moisés Lucarelli não está nada calmo pois a Ponte vem fazendo uma das piores campanhas no Paulistão neste século e corre riscos reais de rebaixamento. Na segunda-feira o Bragantino, ou Bragabull para os mais íntimos, venceu o confronto em Campinas e manteve a Macaca no penúltimo lugar geral faltando três rodadas. Uma situação terrível e preocupante. Restou a alternativa de fazer um bom papel na Copa do Brasil para tentar aplacar um pouco a fúria da torcida, que armou altas e perigosas confusões após a derrota..

Quando saímos do CT de Cotia, o GPS indicava que chegaríamos no Majestoso depois do apito inicial por conta do trânsito carregado. O amigo Caio mostrou serviço, arrepiou na estrada e tirou 25 minutos na raça. Assim conseguimos chegar com antecedência e, mesmo com uma pequena chatice na entrada de imprensa, consegui me dirigir até a parte coberta da velha cancha na boa. Os torcedores compareceram em bom número nas cativas e todos estavam confiantes.




Na base da carona, as fotos posadas de Ponte Preta, Afogados, o 714º time a fazer parte da minha Lista, e do quarteto de arbitragem com os capitães

Durante a viagem até Campinas eu achei que a Ponte teria problemas jogando contra um adversário bastante empolgado que vinha de uma classificação antológica. E se a Macaca sofreu contra o Vila Nova na fase anterior - 0x0 e vaga definida apenas nos pênaltis - dessa vez, apesar de não apresentar um futebol tão plástico, não sofreu nenhum susto e foi superior durante toda a peleja.

Tirando um ataque tímido aos 14 minutos, o Afogados foi presa fácil. A Ponte Preta teve quatro boas oportunidades entre os 17 e os 33 minutos antes de finalmente abrir o placar aos 37. A equipe paulista contou com o auxílio luxuoso de Heverton, zagueiro pernambucano, que fez contra após cortar cruzamento de Jeferson pela direita. Antes da etapa inicial terminar, criaram outros dois momentos de perigo.


Disputa de bola no campo de defesa campineiro num dos primeiros lances da partida


Cobrança de falta a favor da Ponte Preta


Bola dançando com perigo dentro da área do Afogados

No intervalo saí do meu confortável lugar nas tribunas e fui encontrar a dupla Emerson & Estevan, decanos do JP e que eu não via há uma eternidade. Resolvi ficar com os amigos numa das arquibancadas curvas da entrada do estádio e ali vimos a segunda etapa. Logo aos quatro minutos, pênalti a favor do onze local. Roger bateu mal e Wallef fez ótima defesa. Só que nem deu tempo do Afogados comemorar - aliás, a presença da torcida pernambucana foi espetacular - pois no minuto seguinte o mesmo Roger recebeu passe de Safira e ampliou.

A Coruja sentiu o golpe e parou completamente de tentar melhor sorte. Aos 20, em escanteio da direita, Bruno Reis dominou, girou e chutou fraco no canto esquerdo. O arqueiro pulou tarde, sem conseguir evitar o terceiro tento alvinegro. Enquanto batíamos aquele papo sempre surreal e super produtivo, a Ponte chegou perto de ampliar a vantagem em dois ótimos lances nos minutos finais, porém o marcador permaneceu inalterado.


Pênalti perdido por Roger no segundo tempo. Por sorte, o segundo gol saiu em seguida


Comemoração dos atletas da Macaca após a marcação do terceiro gol


O Afogados chegou em alta para esse duelo mas não assustou a equipe paulista praticamente em nenhum momento

O resultado final de Ponte Preta 3-0 Afogados deixa os campineiros com um pé e meio na quarta fase. Os pernambucanos precisam vencer por quatro gols de diferença caso queiram seguir no campeonato, sem dúvida uma tarefa bastante complicada e ingrata. O compromisso está marcado para quarta-feira da semana que vem, resta saber se o coronavírus vai deixar acontecer. Vamos aguardar.

Eu não estava muito na pegada de assistir nada na sexta-feira, mas no decorrer do dia fui obrigado a arranjar ânimo que não existia para ver de perto um jogo do Paulistão, talvez o último por um bom tempo. Bom, falarei sobre isso no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ponte Preta 3-0 Afogados/PE

Local: Estádio Moisés Lucarelli (Campinas); Árbitro: Alexandre Vargas de Jesus (RJ); Público: 3.237 pagantes; Renda: R$ 61.775,00; Cartões amarelos: Bruno Reis, Dawhan, Zanocelo, Erivelton; Gols: Heverton Luís (contra) 37 do 1º, Roger 7 e Bruno Reis 20 do 2º.
Ponte Preta: Ivan; Jeferson (Danrley), Alisson, Trevisan e Lazaroni; Dawhan, Bruno Reis, Zanocelo e João Paulo (Papa Faye); Safira (João Veras) e Roger. Técnico: João Brigatti.
Afogados/PE: Wallef; Rodrigo, Heverton Luís, Diego Teles e Matheus Serra; Douglas Bomba, Jader (Grafite), Eduardo Erê (Erivelton) e Candinho (Nem); Diego ceará e Thalison. Técnico: Pedro Manta.
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Ótimo duelo tricolor em Cotia na abertura do Brasileiro sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


Foram alguns dias de descanso depois da mini-turnê pelo Centro-Oeste, mas ontem, quinta-feira, pintou a chance de fazer uma boa rodada dupla fora da capital bandeirante. A jornada começou com uma sessão vespertina, a minha estreia no Campeonato Brasileiro sub-17 na atual temporada. Pela primeira rodada do Grupo B, clássico tricolor entre São Paulo e Fluminense no Estádio Marcelo Figueiredo Portugal Gouvêa, o famoso CT de Cotia.

Essa é a segunda edição do torneio e no ano passado o campeão foi o Flamengo depois de duas vitórias em cima do Corinthians na decisão. O Flu caiu nos pênaltis nas quartas jogando contra o time de Parque São Jorge e o clube do Morumbi foi eliminado pelo campeão, também nas penalidades, só que na semi final. Os 20 participantes estão divididos em duas chaves e jogam em turno único para a definição dos oito melhores, os quatro primeiros de cada grupo. A partir daí, quartas, semi e final.

Junto com a dupla Renato Rocha, o amigo-abelha, e Caio Buchala, o mago das Copas, fiz o caminho todo até a cidade da Grande São Paulo pensando exclusivamente no pastel que é vendido na lanchonete que fica debaixo da arquibancada, uma das melhores iguarias de estádios que já tive o prazer de experimentar e que ganha fácil o Selo JP de qualidade. Quando cheguei fiz aquela boquinha esperta e subi até a parte coberta da bela e simpática cancha. Preferi ficar na sombra curtindo a peleja próximo dos amigos presentes.


São Paulo Futebol Clube (sub-17) - São Paulo/SP


Fluminense Football Club (sub-17) - Rio de Janeiro/RJ

O que eu não esperava é que estava prestes a ver o meu melhor jogo em 2020 até agora. Ele foi recheado de lances perigosos, bons ataques, muita movimentação e gols, vários gols. Estava sentindo uma falta enorme de ver uma partida desse jeito. O escrete local começou avassalador e chegou fácil aos 2x0. O primeiro gol saiu aos 8 minutos. Eduardo, camisa 5 do Flu, recuou mal e Lucas Bauru se aproveitou. O jogador são-paulino driblou o goleiro e marcou sem dificuldade. Aos 12, Patryck cobrou falta e no caminho ela desviou em Léo, enganando o goleiro e morrendo no lado esquerdo.

Meia dúzia de torcedores do Fluminense que estavam perto de nós e que até então não tinham parado de gritar se assustaram com o bom começo mandante. Pena que, para o desespero de todos que estavam próximos desse pessoal, isso tenha durado apenas alguns minutos, já que eles voltaram a cantar com ainda mais intensidade quando o Flu começou a se encontrar no gramado. Aos 16, Matheus Martins bateu colocado e assustou Felipe. O mesmo Felipe fez boa defesa aos 23 em finalização de Lucas Felipe.

A equipe do Rio de Janeiro agora jogava melhor e num espaço de apenas três minutos chegou ao até então inacreditável empate. Jefté fez grande jogada pela esquerda e lançou até Kayky. O camisa 7 dominou com classe, tirou do zagueiro e chutou colocado no canto direito. Aos 28, em nova jogada de Jefté, Matheus Martins recebeu passe açucarado. Ele matou com a direita e sem deixar a zaga chegar chutou firme, deixando tudo igual.


Denzel, não o Washington e sim o 9 são-paulino, cortando cruzamento dentro da área local


Lucas Felipe (11) encarando a marcação


Flávio (2) em boa trama do ataque do São Paulo


O Fluminense começou mal, mas empatou a peleja num espaço de apenas três minutos

Com o 2x2 o ritmo diminuiu um pouco e até o final da etapa inicial o clube das Laranjeiras foi melhor. No intervalo, já pensando em não passar fome até a sessão noturna, fui obrigado a comer outro pastel... que tarefa complicada. Quando o tempo final começou os visitantes criaram o primeiro bom momento aos quatro minutos. Lucas Felipe recebeu na área, tirou do arqueiro e chutou. Patryck salvou o gol certo em cima da linha.

O São Paulo não conseguia chegar com propriedade, porém em apenas três minutos, assim como o Flu já tinha feito na etapa inicial, o tricolor paulista voltou a abrir vantagem no marcador. Aos 23 Lucas Bauru fez o seu segundo gol na tarde depois de aproveitar boa troca de passes dando um bicão da entrada da área. Aos 26 Talles fez um golaço em tiro colocado após cruzamento de Pet. O mesmo Talles quase fez o quinto aos 37 em cabeçada que tirou tinta da trave.


Jogadores apostando corrida no gramado do CT de Cotia


Lance no meio de campo quando o tricolor do Morumbi já vencia por 4x2



Detalhe do terceiro gol do Fluminense marcado aos 50 do tempo final e a comemoração de Daniel

Nos acréscimos os visitantes se lançaram para o tudo ou nada dentro da área e aos 50 marcaram outra vez. Numa bola cruzada da esquerda, Daniel acertou um belo sem pulo dentro da pequena área... mas já era tarde. O placar de São Paulo 4-3 Fluminense foi justo e refletiu bem como a peleja foi boa e de alto nível. Deu até gosto ver a molecada jogando tanta vontade. Tá difícil ver algo parecido no profissional. Agora é aguardar saber se vamos ter próxima rodada na semana que vem.

Bom, a previsão do GPS nos assustou pois dizia que chegaríamos na sessão noturna com o jogo já em andamento. Sem mais delongas, saímos rapidinho do belo estádio tricolor pois tínhamos que ganhar minutos importantes na estrada. Tinha time novo na pauta livre do JP.

Até lá!

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Ficha Técnica: São Paulo 4-3 Fluminense

Local: Estádio Marcelo Figueiredo Portugal Gouvêa (Cotia); Árbitro: Adriano de Assis Miranda; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Léo, Metinho, Rafael Monteiro; Gols: Bauru 8, Patryck 13, Kayky 25 e Matheus Martins 28 do 1º, Bauru 23, Talles 26 e Daniel 50 do 2º.
São Paulo: Felipe; Flávio, Negrucci, Beraldo e Patryck; Léo (Renan), João Adriano (Moreira), Bauru (Belém) e Palmberg (Kaiky); Denzel (Talles) e Caio (Pet). Técnico: Rafael Paiva.
Fluminense: Cayo Fellipe; Daniel, Justen, Caio (Joilson) e Jefté (Rafael Monteiro); Eduardo, Kayky (Gustavo), Metinho (Thiago) e Matheus Martins; João Neto e Lucas Felipe (Abner). Técnico: Felipe Canavan.
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