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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Coelho vence o Oeste e segue na luta pelo acesso

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de sábado, em meio a várias alternativas, fui pela quarta vez na Arena Barueri na atual temporada do Campeonato Brasileiro da Série B. Pela 30ª rodada, a 11ª do segundo turno, o Oeste, seguindo na sua campanha de altos e baixos, recebeu o genial América Mineiro tentando voltar a vencer depois de três jogos. Depois de chegar à lanterna e passar as 16 primeiras rodadas do torneio na zona de rebaixamento, o escrete belorizontino se recuperou heroicamente e está lutando pelo acesso.

Não foi difícil escolher essa peleja. No dia anterior fui dar uma olhadinha na minha lista e me assustei com a informação que não via o Coelho in loco desde julho de 2004 (!): derrota por 3x2 contra o Santo André num jogaço realizado no ABC em tempos que o JP nem existia. Apesar de estar sempre atuando na capital bandeirante, há mais de quinze anos estava sem ver uma apresentação do elenco principal do onze mineiro. Uma vergonha.

A presença americana nas páginas do blog se resumia a um único post antes do sábado. O aposentado Orlando cobriu a estreia de Grêmio Barueri em competições nacionais em 16 de julho de 2006 justamente contra os mineiros no Canindé (derrota pela contagem mínima). No fim daquele ano, o falecido GRB conquistou o acesso para a Série B e dali fez história. Em Copinhas, oito coberturas entre 2006 e 2018. Já estava na hora de voltar a ver o Coelho em campo.




Assim como no jogo contra o Paraná, captei as imagens oficiais na carona do pessoal que estava no gramado. É de longe, mas vale igual

Pena que esse retorno tenha sido numa partida um tanto quanto meia-bomba. Junto com o trio Renato, Pucci e Milton, vi 90 minutos que ganharam uma tímida nota cinco pela força de vontade dos atletas. Na primeira meia hora nada aconteceu e somente nos quinze minutos finais vimos lances de perigo, a maioria a favor do Oeste. Roberto aos 30 e Elvis aos 35 levaram perigo à meta de Airton sem que a mesma fosse vazada.

Aos 42, Mazinho ficou livre cara-a-cara com o arqueiro visitante porém chutou em cima dele. Aos 44 foi a vez do América assustar em cabeçada de Leandro Silva e boa defesa de Luis Carlos. Aos 48, Salomão criou o maior momento rubro-negro na tarde quando chutou de longe e a bola bateu na trave. No intervalo, fui às tribunas fazer companhia aos amigos pois o vento na parte alta da cancha estava fazendo a curva e não estava afim de pegar uma gripe.


Visão geral da Arena Barueri em reforma, a primeira desde a inauguração em 2007



O América/MG tentou vários cruzamentos no primeiro tempo mas nenhum deu resultado

Na etapa final, o América voltou melhor, mas nada que possamos dizer "nossa, que atuação magnífica". Flávio foi o dono da primeira chance aos três e o Oeste respondeu na sequência com Mazinho. Por quase trinta minutos nada aconteceu e, como sempre, o ponto alto foi o bate-papo com a rapaziada. Já sentíamos o cheiro forte de 0x0 quando, aos 30, Flávio abriu o marcador a favor dos visitantes. Ele aproveitou rebote de Luis Carlos em finalização dele mesmo e deixou o Coelho em vantagem.


Matheusinho (10) preparando chute de longe


Lance de perigo dentro da área do Coelho nos minutos finais


Placar final da peleja na Arena Barueri. O Oeste precisa acordar logo caso não queira parar na Série C em 2020

Os locais buscaram o empate e até tiveram uma boa oportunidade com Elvis aos 37, só que a igualdade não saiu. No fim, o placar de Oeste 0x1 América/MG marcou o quarto jogo paulista sem triunfo e a permanência com 35 pontos ocupando a incômoda 15ª posição. Os mineiros chegaram aos 47 e empataram com o Coritiba, quarto colocado, ficando atrás apenas pelos critérios de desempate. Faltando oito rodadas, não tem como ninguém vacilar mais.

Enquanto o amigo-abelha Renato Rocha se mandou da Arena numa carona no ônibus do Outubro Rosa da Prefeitura local (!), eu e a dupla restante fomos fazer aquela boquinha marota numa casa de esfihas pertinho da Arena. A esfiha ali é absolutamente sensacional. Sem pressa, enchemos o bucho antes de pegar os trilhos da CPTM com destino à capital.

A próxima cobertura do JP vai ser antológica com um amistoso internacional já preparando o clima da Copa do Mundo sub-17 que começa no dia 26. Vamos comemorar os 15 anos de blog da melhor maneira possível.

Até lá!

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Ficha Técnica: Oeste 0-1 América/MG

Competição: Campeonato Brasileiro Série B; Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Pathrice Corrêa Maia (RJ); Público: 1.118 pagantes; Renda: R$ 17.900,00; Cartões amarelos: Lídio, Betinho, Bruno Gonçalves, Thiaguinho (Oes); Lucas Kal, Felipe Azevedo (Ame); Gol: Flávio 30 do 2º.
Oeste: Luis Carlos; W. Bonilha, Lídio, Caetano e Salomão; Thiaguinho, Betinho e Elvis; Roberto (Gabriel Vasconcelos), Mazinho (Bruno Gonçalves) e Fábio (Cesinha). Técnico: Renan Freitas.
América/MG: Airton; Leandro Silva, Ricardo Silva, Lucas Kal e João Paulo (Sávio); Flávio, Juninho e Willian Maranhão; Diego Ferreira (Felipe Azevedo), Matheusinho (Geovane) e Júnior Viçosa. Técnico: Felipe Conceição.
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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Internacional campeão do Brasileiro Feminino sub-18

Texto e fotos: Fernando Martinez


Cheguei aos 3000 jogos no dia 6 de outubro e então resolvi dar uma sossegada. Foram mais de dez dias de descanso até que, na tarde de quinta-feira, iniciei a saga rumo aos 4000 com nova final no currículo. Foi a minha estreia no Campeonato Brasileiro Feminino sub-18 justamente na grande decisão. São Paulo e Internacional de Porto Alegre duelaram no Estádio Paulo Machado de Carvalho em busca do caneco.

Essa foi a primeira edição do certame, outra atitude louvável da CBF no meio de várias coisas erradas que sempre fazem. Um total de 24 times começou a disputa no mês de julho divididos em seis grupos com quatro clubes cada em sedes fixas espalhadas pelo país. Foram quase quatro meses de disputa e, três fases após, são-paulinas e coloradas se garantiram na fase final.


Pacaembu pronto para a decisão do primeiro Campeonato Brasileiro Feminino sub-18 da história


Detalhe do troféu destinado ao campeão do certame

As paulistas fizeram uma campanha absurdamente boa e chegaram invictas no duelo de ida, mas foram derrotadas pela contagem mínima jogando em Porto Alegre. Por conta disso, se quisessem ser campeãs teriam que vencer por dois gols de diferença. Triunfo por um gol levaria a decisão para os pênaltis. As gurias coloradas jogavam por um empate.

Um número bem legal de pessoas compareceu ao velho Pacaembu. Dentro de campo também, pois o que tinha de gente da CBF ali não era moleza. Pelo menos eles não atrapalharam tanto e consegui captar as fotos das equipes sem nenhum problema. A única coisa chata na minha humilde opinião é a super população nessas imagens. O Inter ainda foi de boa, mas o São Paulo teve titulares, reservas, comissão técnica, diretores, amigos e mais alguns personagens não identificados. Saudade quando apenas os titulares apareciam.


São Paulo Futebol Clube (feminino sub-18) - São Paulo/SP


Sport Club Internacional (feminino sub-18) - Porto Alegre/RS


As capitãs dos times junto com o quarteto de arbitragem paulista composto pela árbitra Adeli Mara Monteiro, as assistentes Leandra Aires Cossette e Amanda Pinto Matias e a quarta árbitra Fernanda Ignacio de Souza

Como estava um calor fortíssimo e o sol atuava de forma implacável, no primeiro tempo fui até a numerada descoberta e acompanhei a peleja na companhia da dupla Renato Rocha e Caio Buchala, a dupla são-paulina que esperava ver in loco uma conquista do seu time. Pena que eles não curtiram o que rolou no relvado. As donas da casa não foram tão bem e, apesar de terem atacado bastante, poucas chances foram realmente efetivas.

Os dois primeiros bons momentos locais foram aos oito e treze minutos, respectivamente com Rafaela e Yaya. No primeiro, a camisa 17 chutou de longe e, contando com desvio no meio do caminho, obrigou Mayara a fazer ótima intervenção com a ponta dos dedos. Depois a meia finalizou de longe e a pelota passou perto. O Inter se defendia bem, porém aos 36 minutos a zaga derrubou Cris dentro da área. A defensora paulistana Lauren telegrafou a cobrança do pênalti e Mayara defendeu muito bem.

Na base do desgraça pouca é bobagem, na última oportunidade de perigo da etapa inicial, a primeira realmente relevante a favor das gurias coloradas, o gol visitante saiu. A bola foi alçada na área tricolor, a goleira vacilou e Belinha aproveitou o vacilo coletivo, ampliando a vantagem gaúcha em busca do caneco. Agora o São Paulo tinha 45 minutos para virar o marcador pensando pelo menos em levar a decisão aos pênaltis.


Atleta colorada sofrendo com dupla marcação são-paulina


Lauren teve a chance de abrir o placar a favor do onze paulista mas Mayara fez grande defesa e pegou o pênalti com estilo



Detalhe do lance que originou o gol do Inter - num enorme vacilo da arqueira local - e a comemoração das gurias coloradas

Resolvi ficar acompanhando de perto as avantes paulistas no segundo tempo. Por motivos óbvios, as garotas são-paulinas buscaram com maior afinco o gol, só que numa pressão meio sem graça e um tanto quanto insossa, já que a efetividade não foi das maiores. Aos oito, Yaya recebeu de Cris e tentou, sem sucesso. As coloradas assustaram em alguns contra-ataques realizados dos 10 aos 20 minutos, também sem sucesso.

Uma coisa que irritou até quem não estava torcendo para o São Paulo foi o número de vezes que atletas do Inter caíram no chão. Era só o time do Morumbi chegar perto da área visitante que alguma das meninas se esparramava no gramado. Sério, foi irritante ver o anti-jogo sendo praticado dessa forma. Aos 39, no bom e velho bumba meu boi, saiu o empate dos pés de Milena. A mesma Milena quase virou o placar aos 43 em belo lance individual.


Ataque são-paulino pela direita no começo do tempo final





O ataque paulista tentou buscar um resultado melhor de todas as formas: pela direita, pela esquerda, pelo meio e pelo alto... mas para a tristeza da sua torcida, fez apenas um gol, deixando escapar a chance de uma conquista importante

Quando o árbitro apitou o final da partida, o resultado de São Paulo 1-1 Internacional deu o primeiro caneco do Brasileiro Feminino sub-18 para as gurias gaúchas com uma bela campanha de oito vitórias, quatro empates e apenas uma derrota (1x2 contra o Santos na segunda fase). Certeza do trabalho bem feito que pode dar frutos no futuro. Mesmo com a derrota, o tricolor merece os parabéns por conta do ótimo trabalho realizado.


Com o 1x1, o Inter sagrou-se campeão brasileiro feminino sub-18



Toda a alegria das gurias coloradas depois do recebimento do troféu de campeão e das medalhas de ouro

Fiquei um bom tempo no gramado da velha cancha captando imagens da entrega de medalhas às vice-campeãs e do troféu de campeão ao escrete alvirrubro. Em duas semanas acompanhei in loco o São Paulo perder dois canecos. Desse jeito não vão me deixar acompanhar a final do Paulista Feminino no mês de novembro...

Até a próxima!

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Ficha Técnica: São Paulo 1x1 Internacional

Competição: Campeonato Brasileiro Feminino Sub-18; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Adeli Mara Monteiro (SP); Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Lauren (SP), Isabela (Int); Gols: Isabela 44 do 1º, Milena 40 do 2º.
São Paulo: Marcelle; Moura (Tay), Lauren, Maiara e Clara; Cris, Rafaela, Yaya e Larissa Santos (Milena); Giovaninha e Emily (Gica). Técnico: Thiago Viana.
Internacional: Mayara; Bruna (Nalon), Mariana, Isadora (Camila) e Tai; Isabela, Susan (Duda Flores), Julia (Gabi Batista) e Malu; Jhenifer e Queila (Maju). Técnico: Camila Orlando.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

No jogo 3000, goleada magistral do Bernô contra o Linense

Texto e fotos: Fernando Martinez


Chegou o jogo 3000!

Não foi fácil a caminhada e nem achava que alcançaria a histórica marca ainda em 2019, mas ela finalmente veio. Após semanas de incerteza, no meio da semana acabei decidindo que o minha terceira milésima partida seria o duelo entre São Bernardo e Linense, minha volta ao Estádio Primeiro de Maio com o Bernô, pela terceira fase da Copa Paulista.

O primeiro jogo que vi foi em julho de 1983 (Corinthians 3x0 América na campanha alvinegra do bi estadual) e demorou para que eu começasse a me fazer presente nas canchas de forma assídua. Foi a partir de 1999, há exatos 20 anos, que isso aconteceu. O negócio foi ficando cada vez mais sério e em 2004, quando o Jogos Perdidos nasceu, se intensificou.. O #1000 chegou em abril de 2006 - CATS 1x1 Osasco FC pela Segundona - e o #2000 em junho de 2012 - Guarulhos 0x1 Nacional, também pela última divisão do estado -.

Depois dos 2000 cotejos rolou um leve desvio de percurso por causa da Copa do Mundo em 2014, a Copa do Mundo sub-17 em 2015 no Chile e a Olimpíada em 2016. A cabeça foi mudando e a mente se abriu de uma forma que ficou difícil voltar ao normal. Voltei... diferente, mas voltei. Em 2017 enfrentei o maior perrengue da vida e o pior momento só começou a passar de verdade no meio de 2018. O ritmo diminuiu, quase parou, porém segui na luta. As coisas deram uma leve arejada, o cenário pessoal melhorou em junho deste ano e o #3000, algo que parecia tão distante, chegou antes do que eu previa.


6 de outubro de 2019 e 3000 jogos vistos. Não é uma marca qualquer. Definitivamente

Não é fácil ver tanto jogo assim, tanto que apenas duas pessoas que conheço, a dupla Jurandyr e Milton, viu mais. Já entrei em muita roubada, fui ameaçado de agressão por uma massa em Campinas, jurado de morte em Mogi das Cruzes, vi abertura de Copa, final de torneio olímpico masculino e feminino, tomei chuvas absurdas, derreti debaixo de sol escaldante dezenas e dezenas de vezes, vi muitos jogos ruins, vários bons, alguns antológicos. Me fiz presente em 199 estádios de várias cidades espalhadas por nove estados do país além de Chile e Argentina e vi um total de 685 times diferentes. Daria fácil para lançar uns dois ou três livros bem interessantes a respeito.

O mais legal foi ter chegado nesse número com uma apresentação do Bernô no Primeiro de Maio. Minha última vez ali com o Vovô do ABC tinha sido em outubro de 2001, justamente a derradeira apresentação pela falecida Série B2 no revés contra o Monte Azul por 1x0. O JP acompanhou de perto as terríveis campanhas no sub-20 entre 2004 e 2009, a volta ao profissionalismo em 2010, o histórico título do sub-20 em 2011, anos complicados na última divisão entre 2012 e 2016 e o aguardado acesso em 2017.

Também acompanhamos de camarote toda a situação envolvendo o maior palco futebolístico da cidade, os inúmeros problemas com a prefeitura e por consequência com o São Bernardo FC. Desde a fundação do Tigre, em dezembro de 2004, o alvinegro só teve autorização para atuar no Baetão (e olhe lá). Na base do "nada como um dia após o outro" no começo dessa temporada o Cachorrão voltou a mandar seus compromissos na Vila Euclides. No primeiro semestre foram eliminados na primeira fase da Série A3 e acabaram decidindo encher o calendário disputando pela primeira vez a Copa Paulista.


Esporte Clube São Bernardo - São Bernardo do Campo/SP


Clube Atlético Linense - Lins/SP


O árbitro Rodrigo Pires de Oliveira, os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Thiago Henrique Alborghetti e os capitães dos times


Gigio Sareto, diretor do Bernô, e Felipinho com a camisa comemorativa pelos 50 jogos do atleta no clube do ABC

Eles passaram até certo ponto de forma tranquila pela primeira fase com a terceira colocação no Grupo 4. Na segunda, terminaram na liderança do Grupo 4, à frente de Ferroviária, Atibaia e Taubaté, três equipes de divisões superiores. Nas duas primeiras rodadas da terceira fase, dois 0x0, em casa contra o XV de Piracicaba e fora contra o Comercial. A missão agora era vencer o lanterna Linense e terminar o turno na zona de classificação. Nada mal para um time da terceirona estadual.

Já tinha visto um São Bernardo x Linense em 15 de abril de 2001, o primeiro jogo em casa do alvinegro na fatídica B2. O Elefante fez 3x0 sem nenhuma dificuldade e ao final daquele certame conquistaram o acesso para a Série B1, iniciando as promoções que os levaram à Série A1 em 2011. O clube interiorano chegou no céu e, 18 anos depois, o caminho deles voltou a cruzar com o Bernô.

Na esteira da minha comemoração pessoal, pude assistir uma senhora partida de futebol, contrariando o péssimo nível do futebol brasileiro em todos os seus torneios na atualidade. Foram muitas chances de gol, bastante disposição, entrega total dos atletas, vários gols e luta durante todo o tempo. Não vi nenhum time nessa edição da Copa Paulista criar tantas oportunidades como o São Bernardo criou nos 90 minutos.

Em apenas seis minutos o onze local já vencia por 2x0 e tinha chegado perto do terceiro. O primeiro tento saiu aos três em cabeçada perfeita de Johnny escorando escanteio da direita. Aos quatro, Felipinho avançou pela esquerda e rolou, mas os avantes chegaram milésimos de segundo atrasados. Aos seis, o mesmo Felipinho, que completou 50 apresentações com a camisa do Bernô, resolveu a parada sozinho driblando o zagueiro e finalizando com precisão da entrada da área.

Os locais continuaram em cima dos visitantes e não os deixavam respirar. Mais duas boas chegadas aconteceram, aos 10 e 15 minutos, antes do primeiro ataque do Elefante aos 18. Aos 19, contando com uma falha da zaga alvinegra, o Linense diminuiu com Bruno Moura fazendo de cabeça. Na sequência, Felipinho quase fez o terceiro aos 28 num lance onde o goleiro Reynaldo salvou a pátria. Giovanni Pavani aos 30 e Johnny aos 31 também chegaram perto de ampliar.

Como quem não faz toma, o Linense conseguiu o empate meio sem querer aos 33 com Fabio Junior - não o cantor, claro -. Sem desespero, quase o São Bernardo passa novamente à frente aos 41 porém o chute de Carlinhos, um tirambaço da esquerda, bateu na trave. O eletrizante tempo inicial terminou com a igualdade em 2x2 e o nível alto. Os comandados de Renato Peixe precisavam acertar o pé na segunda etapa caso quisessem vencer a primeira na terceira fase.


Lance do primeiro gol da manhã, marcado de cabeça por Johnny, 9 do Bernô


Felipinho em grande ataque pela esquerda


O mesmo Felipinho momentos antes de ampliar a vantagem do São Bernardo aos seis do primeiro tempo


Bola viajando dentro da área do Linense


Zagueiro do Elefante cortando cruzamento na área

Quando o árbitro recomeçou o jogo, foi o Linense quem criou o primeiro lance de perigo. Léo Torres fez bela tabela com Pedro e a finalização, apesar da meta desguarnecida, saiu pelo alto. Foi quando os visitantes eram melhores que o São Bernardo passou de novo à frente do marcador. Em falta no bico da área, Bruno Cruz acertou um chutaço e a barreira abriu. A bola passou no meio dos atletas e pegou o goleiro Reynaldo desprevenido, entrando no canto direito.

Os visitantes sentiram o golpe e ficaram alguns minutos perdidos. Aos 15, o árbitro marcou pênalti quando um atleta local foi derrubado dentro da área. Johnny bateu bem e ampliou a vantagem para 4x2. Agora não restava outra alternativa ao Linense senão se mandar ao ataque. Aos 24, Fábio Junior chutou de longe e Junior Souza defendeu bem. No rebote, a pelota foi tocada no segundo pau e Dyogenes finalizou na trave. O arqueiro do Cachorrão também foi responsável pelo maior milagre da manhã aos 32 quando defendeu um tiro á queima-roupa de Léo Torres na pequena área.


Bola estufando a rede visitante no terceiro gol do onze do ABC


Felipinho se desvencilhando da marcação dura dos defensores do Linense


Johnny em outra chance perigosa no segundo tempo


Aos 16, o camisa 9 do Bernô fez o quarto tento de pênalti, o segundo dele na partida


O triunfo deixou o Bernô em situação muito boa pensando na vaga na semi-final da Copa Paulista

Conforme o fim da peleja ia se aproximando, o ânimo do Linense ia sumindo. Nessas, dando uma aula de contra-ataque, a equipe do ABC fechou a goleada aos 45 minutos com o terceiro tento do camisa 9 Johnny. Um grande "hat trick" de um dos atletas preferidos (!) da torcida do Bernô. A festa dos presentes foi enorme. Entre os pagantes, Renato Rocha, o amigo-abelha, Ricardo Pucci e a dupla Pedro Faian e Thiago Teixeira, os quatro sem dúvida abrilhantando a minha comemoração pessoal.

O placar final de São Bernardo 5-2 Linense coroou o meu jogo de número 3000 de forma antológica, pois foi o melhor que vi em 2019. O triunfo do alvinegro também foi o primeiro nessa fase e pensar na classificação é algo bastante palpável. Se vencerem o próximo compromisso - contra o mesmo Linense fora de casa - a classificação vai ficar perto. Já disse e repito: é muito bom ver o Bernô em grande forma!

Foi isso. Voltei à capital de boa e sem pressa, feliz por ter chegado numa marca que poucos podem se orgulhar ao redor do mundo. Agora a meta é tentar ver 4000 jogos até o jubileu de ouro em 2026. É uma previsão ousada, mas bem possível de acontecer. Enquanto tiver saúde e ânimo, o show não vai parar.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: São Bernardo 5-2 Linense

Competição: Copa Paulista; Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitro: Rodrigo Pires de Oliveira; Público: 139 pagantes; Renda: R$ 795,00; Cartões amarelos: Wesley, Bruno Cruz, Mariano (Sao), Taira, Bruno Moura, Lucas Ybon, Patrick, Dyogenes, Fabio Junior (Lin); Gols: Johnny 3, Felipinho 6, Bruno Moura 18 e Fabio Junior 33 do 1º, Bruno Cruz 6, Johnny (pênalti) 16 e 44 do 2º.
São Bernardo: Junior Souza; Gabriel Souza, Dema, Marcelo e Carlinhos (Messias); Wesley, Bruno Cruz, Vinicius Barba e Giovanni Pavani (Mariano); Johnny e Felipinho (Ruhan). Técnico: Renato Peixe.
Linense: Reynaldo; Bruno Moura (Diego), Patrick, Fabio Junior e Taira; Balestra (Dyogenes), Léo Torres, Pedro e Gustavo (Valdir); Matheus Araújo e Thiago. Técnico: José Donizete.
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Na Javari, Corinthians vira em cima do Juventus pelo sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada dupla do sábado cedo nos estaduais de base, a segunda peleja no Estádio Conde Rodolfo Crespi foi o tradicionalíssimo encontro entre Juventus e Corinthians, pela penúltima rodada do Grupo 22 do Campeonato Paulista sub-17 na sua terceira fase. Uma tarefa complicadíssima para o onze grená, já que os mosqueteiros são os atuais vice-campeões do Brasileiro da categoria. O confronto paulistano foi o jogo número #2999 da minha lista.

Essa foi a 50ª rodada dupla de sub-15/sub-17 que acompanhei em todos os tempos, a primeira na Rua Javari desde o já longínquo 2012, um absurdo. Como contei no post da preliminar, depois da Copa do Mundo e da Olimpíada a cabeça mudou e as prioridades futebolísticas também, tanto que essa foi apenas a quarta jornada com duas partidas de uma vez desde o mundial. Vamos ver se no ano que vem me animo um pouco mais.


Clube Atlético Juventus (sub-17) - São Paulo/SP


Sport Club Corinthians Paulista (sub-17) - São Paulo/SP


Capitães das duas equipes junto com o quarteto de arbitragem

Após a realização da quarta rodada da terceira fase, a chave tinha Corinthians e Ituano com sete pontos e Red Bull e Juventus com quatro. O time da casa precisava vencer, pois uma eventual derrota poderia significar a eliminação precoce dependendo do resultado do outro duelo da chave. Com seis atletas que estavam na decisão do nacional sub-17 em agosto em campo, o time de Parque São Jorge era o óbvio favorito.

Só que o favoritismo corintiano não se confirmou e a peleja foi mais complicada do que se poderia esperar. Sob um fortíssimo calor, os atletas fizeram um duelo equilibrado durante toda a etapa inicial. O legal é que a parte coberta da Javari estava cheia e o clima era de uma decisão. Entre os presentes, a dupla Bruno e Milton Haddad.

Os primeiros 40 minutos foram embolados e, mesmo sem apresentar um futebol convincente, o Corinthians teve o melhor momento para abrir o placar. Foi quando Rodrigo Varanda recebeu uma bola espirrada da direita e mandou um tiro à queima-roupa da pequena área no último minuto. Matheus Bereta, o camisa 1 local, fez um milagre de grandes proporções e evitou que os visitantes ficassem em vantagem na saída para os vestiários.


Avante corintiano chegando atrasado em bola que passeou sem dono dentro da área grená


Bola alçada dentro da área juventina


Disputa pelo alto no meio-campo

Por conta da alta temperatura achei que as equipes voltariam ao gramado mostrando um cansaço maior e que a etapa final fosse menos animada. O ritmo começou tranquilo e as agremiações aos poucos passaram a ser mais incisivas. O Juventus se mostrava um adversário de respeito quando, aos 21 minutos, abriu o marcador com um tento antológico. Num escanteio curto - milagre - Isaías recebeu e mandou na área. Gabriel Masson tocou e Igor Rafael aproveitou a sobra com uma belíssima bicicleta que encobriu Davi e morreu dentro da rede. Fazia uma eternidade que não via um gol de assim in loco.

O espetacular gol sofrido acordou o escrete mosqueteiro. Aos 25 Riquelme recebeu próximo da pequena área, driblou o zagueiro e chutou pelo alto. Aos 30, a zaga grená vacilou monstro e deu a bola de presente ao ataque adversário. A pelota foi lançada na esquerda e tocada para Caué no meio da área. Ele, com uma sutil finalização, deixou tudo igual. O empate não era ruim para o Juventus, porém o Timão não quis dar sopa pro azar e dançou o vira aos 38 minutos. Em escanteio da esquerda, a cobrança foi até o segundo pau. O camisa 4 Bryan cabeceou no meio da área e Belezi, com um leve desvio, colocou no canto direito. Um duro castigo aos grenás praticamente no último lance. Nos acréscimos, com a zaga desmanchada, por pouco os locais não sofreram o terceiro.


O camisa 4 Bryan escorando a pelota no que seria o segundo gol corintiano na partida


Outra dividida pelo alto perto do círculo central


O Juventus perdeu a chance de ficar mais perto das quartas ao sofrer a virada

O resultado final de Juventus 1-2 Corinthians, somado com o empate entre Red Bull e Ituano, eliminou o clube da Mooca do Paulista sub-17 com uma rodada de antecedência. De qualquer forma temos que aplaudir a campanha juventina, a melhor desde 2009. O Moleque Travesso foi bem no sub-15, no sub-17 e no sub-20, algo que não acontecia desde 2001. Apesar das eliminações e derrotas no sábado, todos os envolvidos merecem os parabéns. O Corinthians se garantiu nas quartas e vai em busca do título que não chega desde 2013.

Já estava no esquema zumbi e nem sabia direito meu nome quando a rodada dupla acabou. Pensei em emplacar o jogo #3000 também na Rua Javari na parte da tarde, mas não deu. Ele acabou ficando para o domingo de manhã. Quebrei um tabu de 18 anos com dois preferidos da casa naquela que foi a melhor partida que acompanhei em 2019 até aqui.

Até lá!

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Ficha Técnica: Juventus 1-2 Corinthians

Competição: Campeonato Paulista sub-17; Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Gustavo Holanda Souza; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Athyrson, Igor Ryan, Cadu (Juv), Belezi, Thalisson (Cor); Gols: Igor Rafael 21, Cauê 30 e Belezi 38 do 2º.
Juventus: Matheus Bereta; Lucas Daniel, Igor Ryan, Marcos Vinicius e Isaías; Gabriel Oliveira, Dudu, Gabriel Masson e Athyrson (João Victor); Cadu e Igor Rafael (Guilherme Magalhães). Técnico: Luiz Antônio.
Corinthians: Davi; Julio, João Pedro (Danilo), Bryan e Arthur Neves; Belezi, Wendell, Riquelme e Rodrigo Varanda; Cauê (Thalisson) e David (Keven). Técnico: Gustavo Almeida.
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