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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Corinthians x São Paulo: tudo igual na Fazendinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois do "não-jogo" do sábado pela A3, o domingo de manhã reservou uma partida de verdade pelo Campeonato Brasileiro Feminino. Na minha estreia no Estádio Alfredo Schurig em 2022, fui acompanhar o clássico entre Corinthians e São Paulo, o primeiro duelo entre os times após a final do Paulista do ano passado.

Na sexta-feira – Palmeiras 3x0 Flamengo na Arena Barueri - não tinha quase nenhum influenciador ou figuras do tipo. Já na Fazendinha... quanta diferença! Quase 30 (!) fotógrafos pediram credenciamento e um sem-número de blogueirinhas e influencers estavam na casa alvinegra. É aquilo que sempre digo: lindo pedir apoio para a categoria, o problema é que o pessoal apoia apenas o que lhes convém. Já estou acostumado a ver isso no masculino e com as meninas vai pelo mesmo caminho.

Sei que cheguei cedo e encontrei o amigo Giulio Cesare, médico do Mosqueteiro e também revoltado com a queda do Nacional na Série A3. Conversamos rápido e eu fui então dar uma andada na parte coberta. Foram 38 jogos ali com portões fechados durante a pandemia, então foi estranho ver a torcida ocupando em peso o setor. Minha última vez com público ali tinha sido um 2x0 do sub-20 corintiano contra o Botafogo de Ribeirão Preto em 14 de setembro de 2019. Um tempão.



Corinthians e São Paulo posados apenas com as onze titulares, como deveria ser em todas as partidas


As capitãs Tamires e Formiga, o árbitro João Vitor Gobi, as assistentes Marcela de Almeida Silva e Patricia Carla de Oliveira e o quarto árbitro Lucas Canetto Bellote

A peleja reuniu o terceiro e o sexto colocados da competição. O alvinegro tinha 10 pontos com três vitórias e um empate. O tricolor, sete em duas vitórias, um empate e um resultado negativo. Ninguém sabia o que ia rolar, mas uma coisa era unanimidade: seria uma partida complicada. Na primeira etapa fiquei no ataque local em uma providencial sombra na linha lateral.

Pena que tirar foto boa ali demorou. O São Paulo iniciou os trabalhos com a inspiração em dia e atacando com afinco. A zaga mosqueteira sofreu com o a animadíssimo time visitante. Aos 12, a goleira corintiana fez boa defesa e mandou pela linha de fundo. No escanteio a bola foi alçada e bateu na perna esquerda de Yasmin, indo morrer no fundo da rede. Como gol contra vale igual, a comemoração são-paulina foi enorme.

O 2x0 quase saiu na sequência em finalização de Naná que bateu na trave. O Corinthians passou a dominar as ações, porém chance de gol que é bom, nada. Foi com o 0x1 que o intervalo chegou e eu resolvi procurar uma cabine disponível. Achei uma, na sorte, e por lá fiquei na etapa final. Sombra e sossego não fazem mal.


Jogadoras do São Paulo comemorando a abertura do placar




Mais lances do primeiro tempo na Fazendinha

Os últimos 45 minutos foram de ataque contra defesa. As locais se mandaram com tudo ao campo ofensivo e encurralaram a equipe do Morumbi. Só que o toque final era falho e a torcida ficou desesperada com tantas oportunidades perdidas. Aos 12, o lance mais perigoso. Yasmin levantou e a bola ficou zanzando na área. Ela sobrou livre na pequena área e Adriana acertou uma bicuda monstra na trave.

Esse jogo de gato e rato seguiu até os 37 minutos. A camisa 18 Gabi Portilho recebeu na intermediária, matou com classe e chutou. A pelota foi perfeitamente no meio do gol, sem nenhuma chance de Carla Maria defender. Os 1.871 presentes fizeram uma enorme festa pelo empate. O alvinegro até tentou a virada, porém o 1x1 se confirmou.


Adriana (16), no cantinho da foto, um segundo antes de perder gol e mandar a bola no travessão





A insistência corintiana garantiu o empate e a invencibilidade

O Corinthians 1-1 São Paulo fez o Timão cair para a quarta posição e o tricolor se tornar o quinto lugar. Ferroviária e Palmeiras tem 13 pontos e o Internacional 12. Já foram realizadas cinco rodadas e a próxima acontece só daqui a duas semanas em virtude dos amistosos da seleção, pois no feminino as Datas FIFA são respeitadas.

Sai da Fazendinha e fui dar aquela passeada de sempre pelo clube. No ginásio estava rolando um Corinthians x Cravinhos pelo Paulista sub-16 de basquete e fiquei ali na boa. A rapaziada alvinegra tomou uma surra, mas tudo bem. Nem me lembro desde quando não assistia alguma coisa no local que eu fiz minha primeira comunhão em 1986 (#velho). Encerrada a ação, peguei finalmente o caminho de casa.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Corinthians 1x1 São Paulo

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: João Vitor Gobi/SP; Público: 1.871 pagantes; Renda: R$ 35.565,00; Cartões amarelos: Diany, Fe Palermo, Naná; Gols: Yasmim (contra) 13 do 1º, Gabi Portilho 37 do 2º.
Corinthians: Lelê; Paulinha (Miriã), Giovanna Campiolo, Diany e Yasmim (Juliete); Mariza (Liana Salazar); Gabi Zanotti, Jaqueline (Mylena), Tamires (Jheniffer) e Gabi Portilho; Adriana. Técnico: Arthur Elias.
São Paulo: Carla Maria; Fe Palermo, Thais Regina, Pardal e Dani; Formiga (Serrana) (Moniquinha) e Maressa; Micaelly (Thayslane), Naná e Shashá; Rafa Travalão (Carina). Técnico: Lucas Piccinato.
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terça-feira, 5 de abril de 2022

União Suzano x Comercial: o jogo que não aconteceu

Texto e fotos: Fernando Martinez


Sábado começou bastante promissor com temperatura agradável e promessa de bom jogo pelo Campeonato Paulista da Série A3. Abrindo a segunda fase, o União Suzano receberia o Comercial de Ribeirão Preto no Estádio Francisco Ribeiro Nogueira, um duelo absolutamente imperdível.

Saí de casa na boa, sem pressa, lendo uma ótima biografia do AC/DC e curtindo o céu nublado. Cheguei em Suzano, peguei aquele Uber maroto e faltando uma hora para o apito inicial, já estava na cancha. Detalhe: não haveria a presença de torcida, cortesia do última partida realizada ali, o 0x0 contra o Noroeste em 19 de março.

Os torcedores noroestinos que compareceram no Suzanão naquele dia não foram autorizados e entrar no setor visitante pois o local, pelo menos essa foi a desculpa oficial, estava sem banheiro (lembrando que os banheiros químicos da Copinha viraram saudade). Um vacilo de todos os lados: da FPF que permitiu a realização de jogos nessa situação desde o começo do torneio e do União Suzano e da prefeitura que não fizeram as adequações pedidas.

O Norusca colocou a boca no trombone e o estádio foi interditado em seguida. Na semana tentaram abrir um portão meia-boca do lado oposto para a entrada da torcida visitante. Não deu certo. Não sei também se alguém da diretoria do USAC tentou levar para outra cidade, tipo Mogi das Cruzes. A realidade foi que a torcida não ocuparia as arquibancadas em um duelo superimportante.



União Suzano e Comercial posados para o que seria um confronto genial (e surreal) na Grande São Paulo


Quarteto de arbitragem com o árbitro Lucas Canetto Bellote, os assistentes Vitor Carmona Metestaine e Ricardo Luis Buzzi e o quarto árbitro Diego Augusto Fagundes. Junto com eles, claro, os capitães

Quando fui ao gramado encontrei amigos fiscais da FPF e emendamos um bom papo. Por volta das 14h45, alguém se tocou que a ambulância UTI não estava lá, apenas a ambulância remoção (pelo regulamento, são necessárias uma de cada). Aí começou o show de absurdos que seguiu por cerca de uma hora.

O delegado da FPF seguiu com o protocolo com a promessa do pessoal do USAC de que "a ambulância está chegando". Beleza. Times em campo, hino nacional e fotos posadas, tudo certo. Peguei meu banquinho e aguardei a chegada do veículo mais esperado da tarde. Vinte minutos depois, pintou no horizonte uma ambulância UTI que visivelmente foi arranjada de última hora. Parecia que estava tudo bem, mas esqueceram de um pequeno detalhe: faltava um médico dentro do veículo.

Começou então uma enorme correria atrás de um doutor. Os dirigentes ligavam para Deus e o mundo atrás de um. O quarto árbitro ouviu várias vezes "o fulano está chegando, o GPS disse que ele estará aqui em oito minutos", "o beltrano está na Santa Casa, logo logo chega", "o sicrano está no quarteirão de trás, deve estar aqui em seis minutos"... porém ninguém apareceu. Chegou ao ponto de Integrantes da direção irem até a rua próxima abordar todos os carros que estavam passando. Nenhum era dos tais médicos.

O árbitro Lucas Canetto Bellote esperou a meia hora regulamentar e ainda deu uma colher de chá já que a rapaziada garantia que o médico estava "do lado". Ele aguardou novos 15 minutos e depois outros 10. Passados 55 minutos, ele largou mão e decidiu encerrar tudo sem mesmo ter começado. Em dois minutos atletas e comissão técnica já estavam nos vestiários. O médico, ou melhor, OS médicos (dois, no caso) entraram juntos no estádio às 16h05. Fuén.


Antes do jogo, uma animada queda de braço fez o pessoal passar o tempo na lateral do gramado


Conversa entre o quarto árbitro, o delegado da partida e dirigentes do USAC


A gloriosa ambulância UTI chegou depois de 20 minutos, mas não tinha médico


O árbitro comunicando a todos que não iria mais esperar pela chegada do médico. Não haveria jogo em Suzano

Enfim, foi absolutamente lamentável ter passado por uma situação dessas novamente. Um show de amadorismo e lenga-lenga que pode custar a vaga do USAC na semifinal. Acredito que pelo menos desde 1994 essa é a primeira vez que isso acontece em uma fase decisiva da terceira divisão. Que os diretores do União aprendam que um Plano B, e até um Plano C, é sempre necessário.

Fiquei bem revoltado com o ocorrido, ainda mais gastando uma grana de Uber na ida e na volta. Saí do Francisco Marques Figueira e encontrei o amigo Nílton no portão de entrada e não demorei para pegar o caminho da estação da CPTM, não antes sem uma boquinha merecida.

Voltei à ativa no domingo de manhã no meu retorno ao Parque São Jorge após muito tempo. Teve clássico paulistano no Brasileiro Feminino no meu primeiro jogo na Fazendinha em 2022.

Até lá!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Palmeiras quebra a invencibilidade do Fla no Brasileiro Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com a chegada de uma bem-vinda frente fria, a primeira do outono, a sexta-feira teve frio, chuva e céu nublado, aquele tempo perfeito de ficar em casa. Só que eu não fiquei. Bem na hora do rush, peguei o caminho do oeste para acompanhar de perto o meu segundo jogo no Campeonato Brasileiro Feminino em 2022. Direto da Arena Barueri, duelo de invictos entre Palmeiras e Flamengo.

Foi por um triz que eu não desisti da jornada. Quando desci na estação Jardim Belval, a garoa tinha se transformado em chuva e quase peguei o caminho de volta. No fim, o velho senso de responsabilidade falou mais alto, coloquei o capuz, ajeitei o espírito e fui na raça. Os 20 minutos do caminho foram bem molhados.

Cheguei ensopado na Arena e, como estava cedo, deu tempo de secar antes tudo antes da saúde ficar comprometida. Dei uma passada nas cabines e conversei com o amigo Edson de Lima, do ótimo "A Vitrine do Futebol Feminino" e depois fui ao gramado. Não tinha nenhuma influenciadora ou blogueira por ali, afinal, ver jogo longe com chuva e em horário "ruim" é demais. Fomentar a categoria só vale a pena quando é perto de casa e sem problemas com eventos da natureza.

Além das influenciadoras, quem também não compareceu na rena foi a torcida. Apenas 227 marcaram presença, dois terços do lado flamenguista. Um duelo desse tamanho mesmo na Arena merecia a arquibancada mais recheada. Dá aquela certeza de que o caminho da popularização total ainda é longo e difícil.

Outra coisa difícil é a apatia dos fotógrafos de plantão em fazer as fotos oficiais. Fiquei ali na beirada do gramado esperando os figurões da CBF e dos times chamando as equipes... e nada aconteceu. Incrível ver como profissionais não tem a preocupação em registrar a história. Pior é ver que isso está virando moda. Só teve a foto do quarteto com as capitães e olhe lá.


Como os times não se dignaram a fazer as fotos, segue aqui a imagem das meninas perfiladas durante a execução do Hino Nacional Brasileiro


Capitãs e quarteto de arbitragem com o árbitro José Guilherme Almeida e Souza, as assistentes Patricia Carla de Oliveira e Marcela de Almeida Silva e a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro

Depois de todas essas emoções, a bola finalmente começou a rolar. A partir daí, somente o Palmeiras emocionou a sua (pequena) torcida. As donas da casa foram muito melhores do que as visitantes e jogaram por música. Com o setor ofensivo comandado pela ótima Bia Zaneratto, o alviverde não sofreu sustos e criou várias chances.

O primeiro gol saiu aos 29 minutos. Byanca Brasil - ou B. Brasil no sistema de som do estádio - levantou a bola na cabeça de Thaís. A zagueira, que completou 100 jogos com a camisa verde, tocou e encobriu a goleira rubro-negra. Aos 38, novamente Byanca levantou e Bia Zaneratto acertou um sem pulo, ampliando a vantagem no placar.

No tempo final o Fla tentou responder, mas não criou lances bons o suficiente para diminuir o prejuízo. As palmeirenses seguiram na boa, jogando sem dificuldade e enfileirando boas oportunidades. Apesar da pressão, o marcador foi alterado somente aos 40 minutos com um golaço. Patrícia Sochor recebeu na direita e acertou um chutaço de longe, sem chances de defesa.



Dois momentos do começo de jogo entre Palmeiras e Flamengo


Detalhe do gol de Thaís, na noite em que a zagueira completou 100 partidas com a camisa alviverde






O Palmeiras jogou na boa e praticamente não deu espaço ao time carioca. A melhor chance rubro-negra foi em tiro de longe (última foto) que passou perto da trave direita

O Palmeiras 3-0 Flamengo deixou a equipe alviverde dormindo na liderança do Brasileiro Feminino com 13 pontos ganhos, porém no sábado a Ferroviária, que goleou o São José fora de casa por 6x1, as ultrapassou no saldo de gols. O Fla agora está na sexta posição com oito pontos.

A chuva, que tinha dado uma trégua durante a partida, voltou no exato momento que o árbitro apitou pela última vez. Sem alternativa, me restou fazer o caminho de volta debaixo d'água outra vez. Tudo bem, ossos do ofício. O que eu não sabia é que esse perrengue seria fichinha perto do que passei no sábado.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmeiras 3x0 Flamengo

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: José Guilherme Almeida e Souza/SP; Público: 227 torcedores; Renda: R$ 0,00; Cartões amarelos: Carol Rodrigues, Kika Brandino; Gols: Thais 29 e Bia Zaneratto 38 do 1º, Patrícia Sochor 40 do 2º.
Palmeiras: Jully; Thais, Agustina, Day Silva (Katrine) e Camilinha; Julia Bianchi, Ary Borges (Chú), Duda Santos (Carol Rodrigues) e Andressinha (Samia Pryscila); Bia Zaneratto e Byanca Brasil (Patrícia Sochor). Técnico: Hoffmann Túlio.
Flamengo: Gabi Croco; Monalisa, Cida, Núbia e Gisseli; Stella (Kika Brandino), Kaylane e Leidiane (Rayanne); Maria Peck (Pimenta), Maria Alves e Gica (Duda Rodrigues). Técnico: Luís Andrade.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Breve!

 Fala, rapaziada.

Estamos em atraso com os posts da Copinha, mas já já eles entram no ar. Teve tanto jogo que encavalou tudo. A produção está a mil e em breve todos estarão por aqui. Não se desesperem. :)

Atualização (10/03/22): Os posts estão sendo publicados, finalmente! Basta correrem a página que aos poucos tudo está sendo normalizado. Uhuú

Fernando

sábado, 15 de janeiro de 2022

Bragantino do Pará luta, mas está eliminado da Copinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


Meu 27º e último jogo na primeira fase na Copa São Paulo de Futebol Júnior foi em Jundiaí, a 19ª sede que visitei em 2022, um recorde absoluto. Direto do sempre legal Estádio Jayme Cintra, o Grupo 18 começou a definir seus classificados com o duelo entre o genial Bragantino do Pará, o clube 735 da Lista, e o São Bernardo FC.

Acordei em Rio Claro, passei a manhã em Itapira e fui até Jundiaí na hora do almoço, uma canseira total. O tempo nublado, que foi a tônica de Palmas 0x3 Retrô, ganhou a companhia de um dilúvio que não parou um minuto sequer na Terra da Uva. A chuva foi tanta que desisti do restante da jornada, um assunto para depois.

Dos 19 times que me faltavam no começo da Copinha, o Gigante do Caeté foi o 16º que coloquei na Lista. Ficaram faltando apenas três. Nunca tinha visto tanta gente nova na competição. O Bragantino Clube do Pará foi fundado em 1975, virou profissional em 1993 e fez sua estreia na maior competição de base do país este ano. Sua vaga foi confirmada com o título do paraense sub-20 de 2019. Vale lembrar que não houve estadual em 2020 e a Federação Paraense de Futebol indicou os campeões de 2018 e 2019 como seus representantes.




As fotos oficiais debaixo de forte chuva em Jundiaí. O Bragantino foi o 16º time novo que vi na Copinha, um recorde

O Braga, o oitavo time do Pará a disputar a Copa, somou apenas um ponto nas duas primeiras rodadas e precisava vencer o Tigre se quisesse a classificação. Já o escrete preto e amarelo era o líder da chave com quatro pontos e jogava por um empate. Fui fazer as fotos posadas e pensava em ficar pelo menos um tempo em campo. Não deu. A chuva estava pesada e com pouco mais de dois minutos subi até a parte coberta.

Aliás, tirando os lugares da parte de baixo, o estado em que o setor coberto do Jayme Cintra se encontra é um absurdo. Cadeiras com tudo que é tipo de sujeira, um descaso absurdo de um clube do tamanho do Paulista. Levando em conta que nessa época sempre chove, o mínimo era deixar o lugar limpo. Uma vergonha.

Foi difícil achar uma cadeira limpa. Na raça encontrei uma e fiquei na paz assistindo uma peleja que foi razoável levando em conta o gramado pesado. Os dois tiveram seus momentos de destaque e, apesar disso, gol mesmo só na reta final. Em escanteio pela esquerda aos 44, Ruan cabeceou no canto e abriu a contagem a favor dos paulistas.

A chuva apertou, e logo no primeiro minuto do tempo final o Tigre resolveu a parada. A pelota foi levantada na área, a zaga afastou mal e Gabriel Moisés tocou para o fundo da rede. O Bragantino emplacou aquela blitz marota, mas o toque final não estava calibrado. Nesse cenário, o marcador não foi mais alterado.



Gol de Ruan e a comemoração pela abertura do marcador aos 44 do primeiro tempo






Imagens de Bragantino do Pará x São Bernardo FC, o jogo que fechou a cobertura monstra na primeira fase da Copinha

O placar de Bragantino/PA 0-2 São Bernardo FC classificou os paulistas na liderança da chave, Na próxima fase, olha só, vão enfrentar o IAPE do Maranhão, um dos três “inéditos” que não vi na fase inicial. Dei uma sorte enorme e apenas Andirá e Desportivo Aliança, ambos da chave de Lins, ficaram de fora.

Bom, na minha programação ainda tinha a partida de fundo em Jundiaí entre Paulista e Ceará e depois a rodada dupla que fechou a fase inicial de noite em Barueri. Como eu estava absurdamente cansado, desisti de tudo. Enquanto o Caio foi assistir parte do grupo de Santana do Parnaíba, eu e o Mário ficamos, debaixo de um temporal, esperando um Uber para nos levar até a rodoviária.

Ensopados, chegamos no terminal e cada um pegou seu caminho. Nem bem entrei no ônibus e apaguei, só acordando no terminal do Tietê. Foram 27 jogos, 16 cidades, 14 times novos e muitos quilômetros percorridos de carro, trem, ônibus, metrô e a pé. Uma insanidade que poucos fazem e cansa demais, mas que dá um orgulho enorme quando termina.

Dormi o sono dos justos e na quarta-feira descansei o dia inteiro antes de voltar à ativa na quinta, já com a segunda fase da Copinha em pauta. Ainda tem bastante coisa legal até o fim da Copinha.

Até lá!

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Ficha Técnica: Bragantino/PA 0x2 São Bernardo FC

Em breve
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Retrô vence o Palmas e vai para a segunda fase da Copinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


A terça-feira, 11 de janeiro, começou muito cedo para a caravana da coragem. Foi o último dia de coberturas na fase inicial da Copa São Paulo de Futebol Júnior com dois times novos na Lista e mais duas sedes visitadas. A primeira parada foi com o genial encontro entre Palmas e Retrô de Pernambuco pela última rodada do Grupo 20.

Acordei em Rio Claro e durante o ótimo café da manhã no hotel – um verdadeiro achado - o amigo Lucas se despediu da jornada pois retornou à Grande São Paulo antes do esperado. Sobrou o que vos escreve e a dupla Mário e Caio. Dali pegamos a estrada até Itapira em viagem percorrida em menos de uma hora.

Apesar do surreal horário, 8h45 da matina em dia útil, até que o Estádio Coronel Francisco Vieira recebeu um bom público, ainda mais levando em conta que os donos da casa só pintariam no duelo principal. Cheguei, me credenciei e fui o gramado. Diferente do dia anterior em Tanabi, fez frio assim como no sábado e no domingo. Acompanhei o jogo de blusa (!), algo que certamente vai deixar saudade.




As fotos oficiais da fria manhã de terça-feira em Itapira

Palmas e Retrô estavam com um ponto e a vitória era essencial para que seguissem com chance de classificação. Eles tinham que vencer e a Itapirense não ganhar do Cruzeiro na sequência. Por tudo que tinha visto até então, apostava no escrete pernambucano. Essa é a segunda participação do rico Retrô Futebol Clube Brasil na Copinha e como não consegui vê-los em 2020 (jogaram em Franca), agora era obrigação. Eles se garantiram por terem chegado na semifinal do sub-20 estadual (que está paralisado).

Já o Palmas voltou a disputar a Copinha após seis anos de ausência. A equipe entrou no torneio por ter sido o campeão tocantinense de 2019 (teria a vaga na edição de 2021 que não aconteceu). O outro classificado foi o Taquarussú, que você viu aqui tomando 7x0 do Velo Clube, vice-campeão da edição de 2020 do estadual sub-20 (o campeão, EC Castelo, não é profissional e com isso não pôde participar). Foi a terceira vez que os vi em ação. A primeira válida pela Copa do Brasil de 2002 em derrota contra a Portuguesa no Canindé, e a segunda na Copinha de 2012, um 6x0 sofrido contra o Grêmio Barueri.

Por instinto fiquei do lado direito das cabines de TV e me dei mal. O Retrô atacou do lado contrário e os bons momentos se concentraram longe de onde estava. Logo com 15 minutos Ruan Costa atacou pela direita, entrou na área e chutou cruzado, abrindo o placar. O Palmas foi dominado e só nos minutos finais chegou próximo da área nordestina. Gio foi o dono do melhor lance tocantinense, mas Lucas Menino fez boa defesa.





Lances do primeiro tempo de Palmas x Retrô

Subi até a parte coberta e fiquei na boa conversando com os amigos. A etapa final começou da mesma forma: Retrô melhor e Palmas apenas se defendendo. Foi em um espaço pequeno entre os 10 e 11 minutos que a partida se definiu. Aos 10, Elves marcou o segundo tento do time amarelo aproveitando bola zanzando na área após falta pela direita. Na saída, a zaga azul e amarela foi mal e perdeu o domínio. Charles foi lançado, entrou na área e tocou no canto, fazendo o terceiro.




Momentos do tempo final em Itapira


Detalhe do terceiro gol do Retrô, marcado por Charles, camisa 17


Zé Elias bateu pênalti no fim e Lucas Menino, goleiro pernambucano, defendeu

O onze tocantinense teve a chance de diminuir em pênalti cobrado por Zé Elias. Só que ele bateu mal e Lucas Menino fez a defesa. No fim, o Palmas 0-3 Retrô manteve vivo o sonho pernambucano de classificação. A torcida ficou a favor do Cruzeiro, já que a Itapirense não podia ganhar dos mineiros no duelo de fundo. Acabou que a vibração positiva deu certo e a vaga foi confirmada com os 3x0 a favor do clube de Belo Horizonte.

Não ficamos para ver o confronto principal, o último do Grupo 20 da Copinha na primeira fase. Precisávamos pegar a estrada novamente e colocar meu 14º time na Lista. Acabou sendo minha despedida dessa fase depois de dias insanos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmas 0x3 Retrô

Em breve
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