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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 1): Virada nigeriana em Goiânia

Texto e fotos: Fernando Martinez


O final de outubro chegou e com ele começou a 18ª edição da Copa do Mundo sub-17. O Peru seria sede da competição, mas em fevereiro ela caiu no colo do Brasil e, claro, eu não poderia ficar de fora. Conforme expliquei aqui no post que abriu a histórica cobertura do blog, fui credenciado para cobrir o certame, um verdadeiro presente pensando nos meus três mil jogos vistos in loco e também pelos 15 anos de Jogos Perdidos, completados hoje, 1º de novembro.

Desbravei o céu aberto na manhã de 26 de outubro com destino à Goiânia levando na bagagem a missão de iniciar os trabalhos em grande estilo. Na programação do sábado, as quatro primeiras seleções do total de 24 que veria de perto nos seis dias seguintes. Sem exagero algum tenho certeza que poucos, isso se teve alguém (além dos amigos da caravana, lógico), que foram em todas as sedes, todos os estádios e acompanharam pelo menos uma apresentação de todas as participantes. Um orgulho enorme em saber que fiz parte de um seletíssimo e restrito grupo.


Detalhe do aeroporto de Goiânia na manhã do sábado, o dia que começou a Copa do Mundo sub-17 do Brasil
    
O voo entre a capital bandeirante e a capital goiana foi feito sem percalços. No aeroporto tomei aquele café da manhã maroto aguardando a chegada do alvinegro Bruno, este vindo no voo seguinte. Dali, com a providencial carona de Caio Buchala, o mago das Copas, o trio se juntou, começando a Magical Mystery Tour mais sensacional dos últimos tempos. Na primeira parte da viagem ficamos num hotel a dois quarteirões do Estádio Olímpico Pedro Ludovico, palco da primeira parada.

Antes de começar o mundial em si, fomos dar uma voltinha pela cidade. Passamos na frente do OBA, campo do Vila Nova, e também do Serra Dourada. Além disso, fomos numa grande loja de camisas no centro e lá eu adquiri a gloriosa vestimenta do Monte Cristo Esporte Clube, uma das equipes mais geniais do estado. Debaixo de um sol absurdo, não demoramos muito pois estava na hora da brincadeira começar.



Detalhe da fachada principal do Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, um dos palcos da Copa do Mundo sub-17 e também de um dos outros portões

O Estádio Olímpico recebia um pequeno público quando chegamos. Enquanto os amigos foram buscar seus lugares na arquibancada, eu fui pegar meu colete verde que me acompanhou por todo o certame, além da preciosa credencial. O acesso ao gramado era próximo e quando cheguei no relvado fiquei apenas assimilando todo o significado daquilo. A sensação de estar ali foi indescritível.

Abrindo a cobertura gloriosa do JP na Copa do Mundo sub-17, o duelo da maior campeã da categoria contra uma das seleções que sempre quis ver desde que me conheço por gente: Nigéria x Hungria. Foi o primeiro time a entrar na famosa Lista do total de oito inéditos (contando que tinha acabado de ver o Tadjiquistão jogando em Osasco dias antes). Tirando a Copinha todos os anos e o que vivi na Copa do Mundo de 2014, não é toda hora que a gente consegue ver tanto time novo num curto espaço de tempo.

Particularmente eu acho as Super Águias uma das seleções mais sem graça de todo o planeta. Muito pela bronca que tenho por terem me tirado o direito de ver Burkina Faso in loco na Copa das Confederações de 2013... não os perdoarei nunca por isso. Vi a apresentação deles contra o Taiti naquele torneio e outras três vezes após: uma na Copa sub-17 do Chile em 2015 e duas na Olimpíada de 2016.

O selecionado africano foi um dos oito participantes da Copa das Nações sub-17 da CAF. Na primeira fase, ficaram à frente de Uganda e Tanzânia - a capacidade deles eliminarem seleções legais é absurda - e conquistaram o direito de jogar a Copa do Mundo pela 12ª vez. Nem o quarto lugar tirou a favoritismo para buscarem o sexto caneco aqui no Brasil.

Já a seleção magiar - sempre quis falar isso numa matéria - voltou a jogar a competição após 34 anos. A única participação anterior tinha acontecido no longínquo 1985, na China, como convidados. A primeira classificação dentro de campo foi em grande estilo, com a boa campanha na Euro sub-17 realizada na Irlanda. Os húngaros foram líderes do Grupo C à frente de Portugal, Islândia e Rússia. Nas quartas foram derrotados pela Espanha, porém se garantiram na repescagem que definiu a quinta vaga. Na peleja decisiva contra a Bélgica, 1x1 e vitória nos pênaltis.

Pouco menos de mil pessoas marcaram presença nesse encontro. Vale lembrar que foi a primeira incursão do JP em Goiás e minha primeira visita ao estado. Além disso, o belíssimo Estádio Olímpico Pedro Ludovico foi o 200º em que vi um cotejo na minha vida. Chegar a essa marca dentro de todo o contexto foi genial. Aliás, a beleza do complexo foi um dos grandes destaques da jornada.

A cancha original foi inaugurada em 1941 e se tornou no principal palco do futebol local até a construção do Serra Dourada em 1975. Ainda assim foi bastante usado pelos times da capital até 2005. No ano seguinte, o velho palco foi demolido e então começou uma reconstrução cheia de problemas, atrasos e dor de cabeça para a população. Somente em 2016 ele foi reinaugurado, completamente remodelado. Hoje a capacidade é de 13.500 torcedores.

Antes do apito inicial eu confirmava na pele que o calor de Goiânia realmente não é fichinha. O que me salvou, tanto sábado quanto domingo, foi uma ventania que não parou por um momento sequer. Conforme o horário do pontapé inicial ia se aproximando, a minha ansiedade apertava. Quando a música tema da FIFA começou, as crianças entraram com as bandeiras dos países e os selecionados surgiram, foi difícil segurar a emoção.

Após a execução dos respectivos hinos nacionais, consegui fazer a foto posada das duas seleções, algo impensável até poucas semanas antes do certame. Nem preciso dizer como foi genial ver a Hungria posando para uma foto quase exclusiva... quase, pois na hora que fiz a imagem, um dos fotógrafos da FIFA aproveitou a carona e captou a pose da molecada de carona comigo. Depois de tudo, fui até o meu lugar meio anestesiado, meio em êxtase.



As seleções da Hungria e da Nigéria posando para as fotos oficiais. Depois de tantos anos fazendo imagem de campeonatos locais, foi espetacular fazer isso num torneio da FIFA

Em torneios grandes como esse os fotógrafos não podem trocar de lugar a não ser nos intervalos. Por motivos óbvios, somos obrigados a seguir várias regras, tudo pensando em não atrapalhar o espetáculo para que não vire bagunça. No tempo inicial acompanhei o ataque húngaro e, por sorte, o meu primeiro gol saiu bem ali. David Laszlo cruzou da esquerda e Komaromi completou, abrindo o marcador. Sem dúvida o 1x0 a favor da Hungria surpreendeu boa parte dos presentes,

A Nigéria não se abalou e emplacou uma porção de bons momentos ofensivos em série. A Hungria se defendeu bem até os 18 minutos, quando Donat Orosz derrubou Ubani dentro da área e foi marcado pênalti. O capitão Samson Tijani bateu bem e empatou. Quando achávamos que os Super Águias iriam engrenar, a Hungria fez o segundo. Orosz e Nemeth trocaram passes com estilo e a bola sobrou para Samuel Major chutar de primeira da entrada da área e colocar no canto esquerdo de Jinadu.



Gyorgy Komaromi comemorando seu gol, o primeiro da Hungria contra a Nigéria e o primeiro da Copa do Mundo sub-17 2019


Samson Tijani deixando tudo igual de pênalti aos 20 minutos


Andras Nemeth (9) atacando pela esquerda com Ferdinard Ikenna (5) na marcação


Donat Orosz (3) de olho na troca de passes da zaga nigeriana

A primeira etapa terminou com o 2x1 a favor dos europeus. Até pensei em mudar de lado para poder fazer fotos num ângulo diferente, só que permaneci no mesmo lugar pois imaginei que o escrete africano voltaria com tudo pensando na virada. Acertei em cheio. A Nigéria não deu a menor chance aos magiares. O problema foi que os vice-campeões mundiais de 1934 e 1954 absorveram a pressão durante a maior parte do tempo e conforme o relógio andava a vitória estava cada vez mais próxima.

Até os 33, os rapazes do leste europeu estavam bem. O grande problema foi que o sonho da boa estreia desmoronou num espaço de apenas seis minutos. Entre os 34 e os 40 os nigerianos marcaram três vezes e liquidaram a fatura de forma implacável. O empate saiu dos pés de Ibrahim escorando escanteio da esquerda, aproveitando falha do goleiro Hegyi. Aos 36 Adeniyi virou o marcador com gol de cabeça em nova falha do setor defensivo. Fechando a goleada, Tijani cobrou falta, a bola resvalou na barreira enganou o camisa 1.


Aqui Gergo Ominger (16) tentando fazer o desarme


Ferdinard Ikenna (5) e Gergo Ominger (16) quando a Nigéria era melhor em campo


Ibrahim Said (20) se esticando todo para dominar a pelota. Na marcação o camisa 11 húngaro Gyorgy Komaromi


Mark Kosznovszky (10), Ibrahim Said (20), Mihaly Kata (6) e David Laszlo (21) no gramado no Estádio Olímpico de Goiânia


O goleiro da Hungria Krisztian Hegyi saindo mal do gol e Usman Ibrahim (6) virando a partida para a Nigéria


Placar final da estreia do JP na Copa do Mundo sub-17

O placar final de Nigéria 4-2 Hungria premiou a insistência africana e mostrou que eles chegaram na Copa do Mundo sub-17 firmes e fortes na busca pelo hexa. Aos húngaros ficou aquela sensação que poderiam ter tido melhor sorte nos detalhes. Da minha parte, os seis gols mostraram que o início da cobertura do JP não poderia ter sido melhor.

A noite já tinha pintado quando chegou a hora do confronto que fechou a rodada. Teve estreia de seleção sul-americana na pauta.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nigéria 4x2 Hungria

Local: Estádio Olímpico Pedro Ludovico (Goiânia/GO); Árbitro: Diego Haro (Per); Público: 944 pagantes; Cartões amarelos: Mark Kosznovszky, Gyorgy Komaromi, Milan Horvath; Gols: Gyorgy Komaromi 3, Samson Tijani (pen) 20 e Samuel Major 28 do 1º, Usman Ibrahim 34, Oluwatimilehin Adeniyi 36 e Samson Tijani 40 do 2º.
Nigéria: Daniel Jinadu; Charles Etim, Ferdinard Ikenna e Usman Ibrahim; Samson Tijani, Hamzat Ojediran, Monsuru Opeyemi (Akinkunmi Amoo) e Ibrahim Said (Daniel Francis); Oluwatimilehin Adeniyi, Olakunle Olusegun e Wisdom Ubani (Ibraheem Jabaar). Técnico: Manu Garba.
Hungria: Krisztian Hegyi; Donat Orosz, Botond Balogh e Milan Horvath; Mihaly Kata, Samuel Major (Peter Barath), Mark Kosznovszky (Akos Zuigeber), Gyorgy Komaromi, Gergo Ominger (Patrik Posztobanyi) e David Laszlo; Andras Nemeth. Técnico: Sandor Preisinger.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 16): Alemães na inédita final do futebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


No dia 17 de agosto, uma quarta-feira, o torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou à sua fase semi-final. No primeiro jogo do dia o Brasil aniquilou Honduras com sua maior vitória na história dos Jogos e se garantiu na grande decisão. O segundo foi realizado pertinho de casa, na Arena Corinthians, e reuniu duas verdadeiras asas-negras do time verde e amarelo: Nigéria e Alemanha.

As duas seleções já haviam aparecido por aqui em jogos da primeira fase: os nigerianos quando foram derrotados pela Colômbia também em solo paulistano e os alemães no ótimo empate contra o México na estreia de ambos em Salvador. Aliás vale lembrar que o encontro contra os norte-americanos foi o primeiro compromisso dos atuais campeões do mundo numa Olimpíada desde os Jogos de Seul.


Bandeiras dos participantes do torneio de futebol, masculino e feminino, do Rio-2016


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians antes dos respectivos hinos nacionais

Essa foi a nona partida realizada na casa corintiana durante a Rio-2016 e a nona em que estive presente. Mantive os 100% de aproveitamento, mas já sabendo que essa era minha despedida por ali, já que estaria no Rio na final feminina e perderia a decisão do bronze. Como ainda não inventaram algo para estarmos em dois lugares ao mesmo tempo, decidi pela grande decisão no Maracanã.

Pela primeira vez acompanhei uma peleja no setor sem cadeiras da Arena e posso falar com propriedade que ver jogo ali é um horror, a visão é péssima e a muvuca é um porre. Resumindo: não indico o setor a ninguém que queira um pouquinho de conforto. Junto comigo, vários amigos e um público total de 35.562 pagantes.

Esperava ver um jogo disputado, afinal de contas, era uma semi-final olimpíca, né? Ledo engano... as duas seleções foram a campo sem inspiração e mostrando um futebol super burocrático de dar sono. Como a Nigéria foi uma decepção completa por todos os 90 minutos, não foi dificil para a Alemanha, que fez um jogo abaixo da crítica, chegar à vitória.

Logo aos nove minutos saiu o primeiro gol depois de boa jogada pela direita e conclusão tranquila de Lukas Klostermann dentro da pequena área. Três minutos depois o goleirão Timo Horn quase ganha o prêmio de vacilão da tarde. Ele quis mandar a pelota pra longe da área mas deu uma furada monstra. O camisa 13 Sadiq tentou se aproveitar dessa falha porém por duas vezes errou o chute sem passar para um companheiro melhor colocado.


Gnabry, camisa 17 da Alemanha, se mandando para o ataque


Julian Brandt atacando pela direita com a firme marcação de Sincere


William Ekong afastando o perigo


Troca de passes no setor defensivo africano

O tempo inicial seguiu embolado e com poucas oportunidades de gol, quase todas alvinegras. Ao final dos primeiros 45 minutos, o marcador mostrava o magro 1x0. Na segunda etapa os campeões olímpicos de 1996 conseguiram a proeza de piorar o que já estava ruim graças a inexpressiva atuação do setor ofensivo.

Jogando na boa e sem sofrer pressão, os europeus também não se animaram e a partida praticamente se arrastou. Emoção mesmo rolou somente a dois minutos do fim do tempo regulamentar com uma pequena aula de contra-ataque e um gol irregular alemão. Selke recebeu bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa e cruzou. Nils Petersen, em impedimento, completou no segundo pau e fechou o marcador.


Timo Horn saindo do gol para fazer a defesa


Arena Corinthians com bom público para a semi-final masculina do futebol


O camisa 2 Jeremy Toljan subindo para cortar cruzamento nigeriano


Placar que colocou a Alemanha na decisão do futebol na minha despedida olímpica de São Paulo

O placar de Nigéria 0-2 Alemanha colocou a seleção européia na decisão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história na sua nona participação. Era a chance que todo o brasileiro queria para devolver cerca de 0,5% da sofrida derrota de 2014. O mais legal? O fato de que eu tinha ingresso garantido para a disputa da medalha de ouro. Perdendo ou ganhando, com certeza seria (como foi) sensacional ver a história ser escrita na minha frente.

Com essa peleja, encerrei os trabalhos na Olimpíada fora do Rio de Janeiro. Na manhã da sexta-feira, dia 18 de agosto, me mandei novamente para a antiga capital federal para uma trinca de eventos de respeito para me despedir com estilo do Rio-2016.

Até lá!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 10): Triunfo colombiano em Itaquera

Texto e Fotos: Fernando Martinez


Não deu nem tempo para descansar direito pois depois da minha primeira visita ao Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos, voltei ao bom e velho futebol com uma rodada dupla do torneio masculino na Arena Corinthians. Na pauta, o duelo entre Colômbia e Nigéria, uma das seleções mais sem graça do mundo, valendo pelo Grupo B.

Ainda sem vencer, os colombianos precisavam derrotar a campeã olímpica de 1996 caso quisessem se classificar para as quartas-de-final. Em caso de empate, a seleção seria eliminada e o outro classificado sairia do confronto entre Japão e Suécia. Os africanos estavam na boa, já classificados na primeira colocação da chave.


Colômbia e Nigéria perfiladas para os Hinos Nacionais

O número de amigos entre os 36.702 pagantes foi enorme, mas assisti as duas pelejas na companhia da dupla Mílton e Emerson, esse ressurgido do limbo pela 17ª vez nos últimos anos. Outro destaque da jornada foi a temperatura. Fez frio, muito frio, algo sempre comemorado bastante pelo que vos escreve.

Dentro de campo o destaque ficou por conta da enorme apatia dos atletas nigerianos. Tudo bem, a seleção já estava classificada por antecipação, mas é fato que a rapaziada poderia ter mostrado um pouquinho mais de boa vontade. A Colômbia não teve nenhum trabalho para se garantir entre os oito melhores da competição.

Logo aos quatro minutos Teofilo Gutierrez abriu o marcador depois de receber grande passe em profundidade, invadir a área e chutar na saída do goleiro Akpeyi. A Colômbia era muito melhor e o mesmo Akpeyi fez milagre em cabeçada de Preciado aos 18 minutos. Apesar do enorme número de chances criadas, o primeiro tempo se encerrou com a vantagem mínima para os sul-americanos.


Colombianos em jogada pela lateral


Cobrança de falta para o onze africano


Visão geral da Arena Corinthians no primeiro jogo do torneio de futebol masculino da Rio-2016 na casa alvinegra

No tempo final a Nigéria criou a primeira oportunidade real de gol aos 9 minutos, mas nada aconteceu. A Colômbia continuava melhor, e aos 16 a seleção teve um pênalti marcado a seu favor. A cobrança ficou por conta de Pabón, que bateu firme para ampliar a vantagem.

Os trinta minutos restantes foram disputados com pouca emoção e com as duas equipes já esperando apenas o relógio passar. O placar final de Colômbia 2-0 Nigéria classificou o onze sul-americano para as quartas pela primeira vez em todos os tempos. O sonho acabou nas quartas com a derrota para o Brasil, mas é fato que a campanha foi histórica. Os nigerianos enfrentaram e venceram a Dinamarca.


Ataque aéreo a favor da Nigéria


Marcação sul-americana mostrando serviço no tempo final


Umar Sadiq, camisa 13, encarando dupla marcação


Troca de passes no setor ofensivo da campeã olímpica de 1996

Esse jogo acabou sendo um tanto quanto decepcionante, e o que não decepcionou foi a partida de fundo, uma das mais sensacionais vistas em 2016 e com direito a time novo na Lista. Um combo genial que não vemos a todo momento.

Até lá!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 2 de 13): Mais uma abertura de Copa do Mundo, agora sub-17, na Lista


Os amigos que visitam o JP sabem que fizemos uma cobertura bem peculiar da Copa do Mundo (caso não saibam, basta clicar aqui e conferir tudo que fizemos em junho e julho de 2014). Da minha parte, visitei seis sedes e pirei de verdade graças a tudo que vivi. Foi fácil decidir que marcarei presença em outro mundial, mas como 2022 ainda está um pouco longe, resolvi me virar com outra Copa, dessa vez na categoria sub-17.

Os torneios de base da FIFA quase sempre são realizados em países do "submundo" futebolístico, como Finlândia, Trinidad & Tobago, Nova Zelândia e Emirados Árabes Unidos. Para a minha alegria, o Chile venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo sub-17 desse ano (derrotando País de Gales, Rússia e Tunísia). Juntei então a fome com a vontade de comer e me preparei por muito tempo para me aventurar pelo país sul-americano durante a primeira fase do certame.

Comprei os ingressos de forma bem tranquila pela internet mesmo ainda sem a lista dos participantes estar completamente definida. Montei um esquema ninja para assistir dez partidas válidas por cinco das seis chaves da competição. Não dei muita sorte no sorteio, pois quatro das nove seleções inéditas da minha Lista acabaram caindo no grupo mais distante de Santiago - Puerto Montt, a mais de 900 quilômetros da capital. As outras cinco estavam devidamente "cobertas" pelo meu cronograma (a programação depois foi alterada e uma rodada foi cortada. Essa história será contada nos próximos posts).

Planejei iniciar as coberturas logo na abertura oficial da competição, marcada para a tarde/noite do sábado, dia 17 de outubro. O legal é que a primeira rodada dupla foi a única marcada para o Estadio Nacional Julio Martínez Prádanos, o histórico Estadio Nacional de Chile, localizado no bairro de Ñuñoa.

Inaugurado em 1938 (com um genial Colo-Colo 6-3 São Cristóvão, duelo digno dos nossos pensamentos non-sense), o estádio sediou alguns jogos da Copa de 1962, 74 jogos da Copa América, onze finais de Libertadores, duas de Copa Sul-Americana e partidas do Mundial sub-20 de 1987. Isso sem contar inúmeros confrontos antológicos da seleção brasileira e dos clubes tupiniquins.

Apesar de ter sido construído com fins unicamente esportivos, não há como não ligar o local com o regime miltar iniciado em 11 de setembro de 1973. Nos dois primeiros meses após o golpe, o estádio foi transformado num campo de concentração e mais de 40 mil pessoas passaram por ali. Várias delas, cerca de 3 mil, não saíram vivas.

Na grande reforma de 2008, o Estadio Nacional foi todo remodelado, mas o portão 8, a única ligação daqueles prisioneiros de 1973 com o mundo exterior, foi mantido intacto e a frase "Un pueblo sin memoria es un pueblo sin futuro” foi pintada para que ninguém esqueça aqueles tenebrosos dias. Um exemplo para outros países que ainda insistem em não contar sua história como ela realmente aconteceu.

Com tanta memória envolvida, eu precisava ir lá de qualquer jeito. O bom é que o acesso ao principal palco do futebol chileno é super fácil. Peguei o metrô na Estação La Moneda (da Linha 1), fiz baldeação na Estação Baquedano (da Linha 5) e então segui até a Estação Ñuble. Um percurso que levou cerca de vinte minutos. Dali andei mais quinze pela Rua Carlos Dittborn até conseguir visualizar o majestoso estádio com a Cordilheira dos Andes ao fundo.


Outdoor nos arredores do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.


Os Andes fazem parte do cenário de quase toda cidade de Santiago. Aqui, numa das laterais de todo o complexo que abriga o estádio. Foto: Fernando Martinez.


O Portão 8 preservado como em 1973. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto dava a volta no complexo pelas Avenidas Grecia e Pedro de Valdivia até a entrada principal, foi caindo a ficha que estava prestes a assistir outra cerimônia de abertura de um torneio organizado pela FIFA. Obviamente que o clima era muito diferente que vivi no Brasil x Croácia de 2014, mas mesmo assim consegui, guardadas as devidas proporções, matar um pouquinho da saudade.

O público ainda era pequeno quando finalmente passei pelos portões. Algo natural, já que a seleção da casa só entraria em campo no jogo de fundo. Com isso, não foram muitos os que acompanharam desde o início a abertura oficial da Copa do Mundo sub-17 2015 com o confronto da Nigéria, a atual campeã, contra os Estados Unidos pelo Grupo A.

Por conta de tudo que descrevi lá no alto, me emocionei demais ao subir para as arquibancadas e fiquei uns dez minutos simplesmente parado no portão para assimilar de forma completa que realmente todo esforço que fiz por meses e meses havia dado resultado. Com capacidade para 48.665 pessoas, o local parece maior pela televisão. Independente disso ainda é um estádio absolutamente sensacional.

Logo fui para o meu lugar marcado, perto do gramado e também muito perto das numeradas cobertas. A visão dali é única, pois os Andes completam o cenário de forma brilhante. Meio fora do ar, permaneci estático observando cada detalhe possível até africanos e norte-americanos entrarem em campo.


Numerada coberta do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.



Tudo bem, não é a foto oficial com a qualidade tradicional do JP, mas impossível deixar de registrar as duas seleções posando para as fotos antes da partida. Fotos: Fernando Martinez.

Falando um pouco da histórias das duas seleções, vale lembnar que a seleção nigeriana nada mais é do que o time que mais chegou em finais do mundial da categoria (sete) e também o maior campeão com quatro títulos (1985, 1993, 2007 e 2013). Os "Super Eagles" se classificaram para seu 11º mundial depois de ficarem em quarto lugar no campeonato sub-17 da CAF. Já a classificação norte-americana foi muito mais complicada e aconteceu somente depois da vitória contra a Jamaica nos pênaltis no torneio da CONCACAF. Essa é a 15ª vez que os EUA jogam a competição. Junto com o Brasil, é a seleção com mais participações na história.

Depois de todo o protocolo da FIFA ser seguido - com direito, claro, a rolar a clássica Thunderstruck do AC/DC no sistema de som - o árbitro alemão Deniz Aytekin iniciou oficialmente a Copa do Mundo sub-17 de 2015. Os torcedores que já estavam no estádio não torceram para ninguém em especial, e assim como eu queriam apenas ver um bom jogo. A atual campeã teve dificuldades durante o tempo inicial, e os Estados Unidos surpreenderam indo bem na defesa e também no ataque.


Lance pelo alto no começo do confronto entre Nigéria e Estados Unidos. Foto: Fernando Martinez.


Campo defensivo da Nigéria densamente povoado em ataque dos Estados Unidos pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Atacante Josh Perez tentando se livrar da marcação da zaga africana. Foto: Fernando Martinez.

A partida foi muito equilibrada, e a seleção americana foi quem criou a melhor oportunidade para abrir o marcador no primeiro tempo. Eram decorridos 13 minutos quando Pulisic avançou pela esquerda e mandou a bola para o meio da área. O camisa 7 Haji Wright, mesmo com o goleiro fora do lance, chutou pra fora.

O tempo inicial ficou em branco, e no segundo a Nigéria voltou disposta a não dar sopa pro azar. Aos cinco minutos o zagueiro Trusty não foi fiel aos seus princípios defensivos e afastou muito mal uma bola cruzada da direita. A pelota acabou sobrando limpa para o camisa 12 Chukwudi Agor, que chutou forte no canto para fazer o primeiro.

Aos 16 foi a vez do goleiro norte-americano cobrar um tiro de meta bem sem vergonha. O sistema defensivo do time do Tio Sam dormiu no ponto e Victor Osimhen, ligadaço em tudo que acontecia ao seu redor, recebeu, driblou a zaga e chutou forte para ampliar. A seleção norte-americana até que não se abateu, só que não teve tranquilidade suficiente para incomodar a zaga africana durante o resto da peleja.


A Nigéria foi muito melhor no tempo final e conseguiu fazer valer seu favoritismo. Foto: Fernando Martinez.


Bola no fundo das redes norte-americanas no gol de Agor. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Os Estados Unidos tentaram fazer o gol de honra, mas não tiveram sucesso. Foto: Fernando Martinez.


Placar final do jogo de estreia da maior campeã da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.

No fim, a maior campeã da Copa do Mundo sub-17 estreou com o pé direito no Chile: Nigéria 2-0 Estados Unidos. Logo depois do apito final, começou a tímida cerimônia de abertura, e a torcida já ocupava boa parte das arquibancadas do Estadio Nacional para a estreia da seleção da casa no Mundial.

Até lá!

Fernando

domingo, 21 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 18): Camisa pesa e Les Blues despacham a Nigéria

Salve amigos!

Dando continuidade ao relato de minhas aventuras pela Copa do Mundo, deixei Brasília após a vitória portuguesa sobre Gana, e me dei um final de semana relaxante e em grande estilo. Meu destino foi a simpática Goiânia, já que Brasília é muito sem graça.

O final de semana em Goiânia acabou sendo uma grande decepção. O clima de Copa era tão chocho que parecia que a Copa já estava sendo jogada na Rússia. Sem gringos pra fazer amizade ou praticar o inglês, a saída foi arriscar uns rolês pelos bares da cidade, onde é proibido dançar. Pois é, não se assuste se, ao entrar em uma boate na capital goiana, depara-se com uma placa com os dizeres: “É PROIBIDO DANÇAR”. Algo surreal, no mínimo.

 

Goiânia, vista da janela de meu quarto, e eu, finalmente relaxando. Fotos: Estevan Azevedo.

De Copa mesmo, só a plaquinha no saguão do Hotel, o único cinco estrelas da cidade, que abrigou o escrete canarinho para um dos amistosos de preparação, diante do Panamá.

Como tudo que é bom dura pouco, e o assunto é futebol, depois de acompanhar pela TV os dois primeiros dias das oitavas, rumei a Brasília na segunda, para acompanhar o duelo entre a França, uma das seleções que melhor se apresentou na primeira fase, contra a Nigéria, que surpreendeu ao eliminar a Bósnia e conquistar o segundo posto do Grupo F. Nessa partida, “matei” a campeã de 1998 e, revendo a Nigéria, completei todas as seleções de um continente no certame.



A chegada ao Mané Garrincha e o registro das tradicionais confraternizações no pré-jogo. Fotos: Estevan Azevedo.


Seleções perfiladas para a execução dos hinos. Foto: Estevan Azevedo.

O jogo começou bem movimentado e a França logo percebeu que a classificação não seria fácil diante das franco-atiradoras Super-Águias. Aos 18 minutos, Musa viu Emenike na área e cruzou da esquerda. O atacante nigeriano só escorou para as redes, mas o bandeira percebeu que ele estava levemente à frente do defensor, e assinalou o impedimento, corretamente. Apesar da anulação do gol, o lance acendeu as luzes amarelas para a seleção francesa.


Bola na área nigeriana. Foto: Estevan Azevedo.

A resposta francesa não tardou: Evra roubou a bola na defesa, rolou para Pogba, que tocou para Valbuena na direita. Valbuena cruzou de volta para Pogba, que obrigou Eneyama a fazer grande defesa, na melhor chance até o momento.


Jogadores reunidos antes de cobrança de falta para a Nigéria. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 38 minutos, Evra segurou Odemwingie dentro da área, mas o árbitro não marcou a penalidade. No minuto seguinte Debouchy errou o gol após belo passe de Valbuena. A movimentada primeira etapa terminou sem abertura de placar.


Detalhe do pênalti não marcado pela arbitragem, que estava em cima do lance. Foto: Estevan Azevedo.


Equipes concentradas no meio de campo aguardando o apito final da primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.

No começo da segunda etapa, a Nigéria teve uma baixa: Matuidi entrou duro em Onazi e levou só o amarelo; ficou barato para o francês, e o africano teve que ser substituído. A primeira grande chance da segunda etapa foi nigeriana: Odemwingie recebeu na direita, carregou a bola para o meio, tirou dos zagueiros e bateu forte em cima de Lloris. A França sentia a Nigéria melhor em campo.


França se defendeu bastante no início da segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Detalhe do chute de Odemwingie. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 21 minutos o goleiro Eneyama saiu mal do gol e por muito pouco Pogba não marcou. Apesar do domínio nigeriano, a França exigia respeito: aos 24 minutos Benzema tabelou com Griezmann, entrou na área, e bateu em cima de Eneyama. A bola subiu e ia entrar no gol, mas Moses salvou em cima da linha.


Detalhe da boa presença francesa entre os 67.882 presentes. Foto: Estevan Azevedo.


Lance da segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 31 minutos a França teve outra boa chance. Benzema chutou cruzado após escanteio, e Ambrose afastou para o meio. Cabaye pegou a sobra e acertou a trave. Aos 33, Valbuena cobrou falta e Benzema cabeceou com perigo, mas Eneyama mandou para escanteio.

O gol francês amadurecia. O goleiro que salvara o gol acabou saindo muito mal da meta na cobrança de escanteio e Pogba, de cabeça, mandou para as redes vazias. Era o primeiro gol da França, depois de um grande sofrimento durante a partida.


Eneyama saiu mal do gol e a bola sobrou para Pogba marcar. Foto: Estevan Azevedo.


Atrás no marcador, a Nigéria foi atrás do gol de empate. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 38 minutos Eneyama voltou a fazer bela defesa em chute de Griezmann. Já nos acréscimos, Valbuena cobrando escanteio cruzou para Griezmann no primeiro pau. Eneyama saiu mal do gol novamente, e a bola ainda resvalou em Yobo, que acabou marcando o segundo gol da França, enterrando de vez as esperanças nigerianas.



Jogadores da seleção nigeriana se despedem agradecendo o apoio da torcida brasileira enquanto os franceses comemoram com seus pares. Fotos: Estevan Azevedo.

Fim de jogo, França 2x0 Nigéria, placar construído nos 15 minutos finais que não reflete o que se viu em campo, embora indiscutível o mérito francês. A Nigéria havia conseguido seu objetivo de ir às oitavas, e a França, pelo que se viu nas quartas, também estava satisfeita.


A tradicional festa nas escadarias do Mané Garrincha teve espaço para uma bandeira bem conhecida dos fãs do JP. Foto: Estevan Azevedo.

Após a partida, peguei um ônibus de volta para São Paulo. Ainda havia uma partida pra assistir, mas as férias haviam acabado. A viagem foi sensacional: o que menos tinha no ônibus era brasileiro.

Tinha franceses, americanos, nigerianos, suíços, um jornalista indiano de paletó e bermuda, perdidaço e, é claro, colombianos. Um dos colombianos, não sei como, estava viajando em pé, porque não tinha dinheiro para a passagem. De vez em quando o cara deitava no corredor para dormir.

Depois de uma semana de batente teve “chorinho” de Copa com quartas de final em Brasília, e mais um final de semana no “mega blaster” hotel goiano, mas isso é assunto para o último post de minhas andanças.

Até lá!

Estevan Azevedo