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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Tudo em branco com Venezuela e Peru em Porto Alegre

Texto e fotos: Fernando Martinez


A cobertura da Copa América pediu passagem na tarde de sábado aqui no Jogos Perdidos. Depois de acompanhar a abertura na sexta-feira com o triunfo brasileiro contra os bolivianos, cruzei o espaço aéreo entre a capital bandeirante e a cidade de Porto Alegre tendo na pauta livre do blog a minha segunda partida no certame, o glorioso duelo entre Venezuela e Peru na magnífica Arena do Grêmio.

Desde a cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 eu não colocava os pés fora do estado de São Paulo. Aquele momento maravilhoso passou e em poucos meses a vida pessoal entrou em parafuso. Fui do céu ao inferno completo num demorado processo que se estendeu por todo ano de 2017 até o começo de 2018. Saí do buraco contando com a preciosa ajuda de amigos, uma organização particular nunca vista e bastante trabalho.

Comecei a sair do fundo do poço no meio de 2018 e por ser tudo bem recente não me imaginava saindo da capital paulista tão cedo. Quando rolou o sorteio, eu apostava na sorte e contava que meus três alvos principais - Uruguai, Venezuela e Catar - atuassem nas redondezas. Quando as bolinhas foram tiradas confirmei apenas os asiáticos no Morumbi. Se quisesse ver venezuelanos ou uruguaios, teria que viajar.

Aos poucos a ideia foi tomando forma e, com um pouco de aperto aqui e ali, consegui me organizar. Fiz minha gloriosa reestreia fora de casa no campeonato que fecha o mais fabuloso ciclo esportivo que esse país já viu na história. Por sorte, a Venezuela atuaria no sábado e o Uruguai no domingo. A logística foi complicada, nada que alguns meses de planejamento incansável não resolvessem.


Foi aqui que iniciei minha primeira jornada interestadual em quase três anos

O apito inicial da peleja seria às 16h00, então eu não podia pegar meu voo tão tarde. Acabou que a passagem com melhor preço tinha decolagem às seis da matina. Praticamente nem dormi depois de chegar do Morumbi ainda tendo que arrumar a mala. Cansadão, fui até Congonhas e dali parti com destino ao Sul do país naquela que foi a minha sétima viagem à capital do Rio Grande do Sul.

Desembarquei no Aeroporto Salgado Filho pouco antes das oito horas e, como o check-in no hotel era apenas meio-dia, fui dar uma passeada no centro da cidade. Nas minhas duas últimas visitas - em 2012 e 2014 - eu não tinha conseguido ir tomar o maravilhoso sorvete com nata do Mercado Municipal e felizmente dessa vez a programação deu certo. Enquanto degustava a iguaria, apareceu por lá o Raul, o maior anfitrião de Brasília, e o amigo passou a fazer companhia na minha viagem até a noite do domingo.

Saímos do centro por volta do meio-dia e pegamos um táxi até meu hotel. Deixei minhas coisas, troquei de roupa rapidinho e seguimos até a casa gremista. A região tinha várias barreiras e descemos a cerca de um quilômetro do destino. Fomos a pé e eu, mesmo de longe, já vislumbrava a magnitude da cancha. Quando chegamos e tivemos a visão completa... nossa senhora! O estádio é simplesmente magnífico. Passei alguns minutos imóvel apenas contemplando a beleza da enorme construção.


A fachada da monumental casa do Grêmio


Diferente do que passei no Morumbi um dia anterior, o entorno do estádio gremista é enorme e com espaço suficiente para não passarmos aperto


O genial Fantasma de 69 - que lembra a eliminação da Argentina pelo Peru nas eliminatórias da Copa de 1970 após um 2x2 na Bombonera - zanzando em torno do estádio

Somando todas as minhas visitas a Porto Alegre, eu assisti um total de cinco partidas no velho Estádio Olímpico entre 2004 e 2007. A nova casa tricolor foi inaugurada em dezembro de 2012 e como só retornei na Copa do Mundo, não tinha tido o prazer de conhecê-la. Como descolar ingresso em jogo do Grêmio não é tão fácil, a chance perfeita pintou nesse Venezuela x Peru. A sorte foi ter encontrado um voo com preço bom da capital gaúcha até Belo Horizonte no domingo, caso contrário, o esquema não teria dado certo.

Como o amigo Raul entraria por outro portão, me separei dele na entrada da Arena e segui sozinho. O confronto não tinha tanto apelo, então a presença de público era diminuta. Encontrei alguns venezuelanos, mas a presença de peruanos era maior. Entrei na boa e com tempo de passear com tranquilidade pelo local conhecendo cada parte do largo espaço que dá a volta completa pelo lado de fora. O único problema foi o fortíssimo calor. Estar em Porto Alegre em junho com temperatura acima de 30 graus é uma heresia.

Andei muito e tirei foto de todo mundo que estava com alguma fantasia estranha, da estátua do Renato Gaúcho e da genial calçada da fama. Já estava cansado e o fato de precisar subir uma escada absurdamente comprida para alcançar o anel superior foi profundamente desgastante. O fato de ter chegado cuspindo o pulmão direito não me fez deixar de ficar absolutamente maravilhado com a visão que tive lá do alto. Foram poucas as vezes que fiquei tão impressionado.


A Arena do Grêmio recebeu um público pequeno para Peru x Venezuela, algo que deixou o clima ainda mais legal


As bandeiras de Peru e Venezuela no primeiro jogo de Copa América na capital gaúcha


Boa presença da torcida peruana em Porto Alegre

Por mais que o duelo não tivesse tantos atrativos ao torcedor comum, eu o esperava com ansiedade. Além de rever a seleção peruana após 18 anos (estava presente no empate por 1x1 contra o Brasil no Morumbi pelas Eliminatórias da Copa de 2002), eu estava prestes a ver a equipe principal venezuelana em campo pela primeira vez. A Vinotinto já estava na Lista desde 2007 - derrota contra os Estados Unidos por 2x1 e revés diante do México por 2x0 nos Jogos Panamericanos - porém nada como assistir a seleção adulta e "tirar o J" com estilo.

Minha estreia com o escrete adulto venezuelano foi exatamente no oitavo encontro deles com o Peru na história da competição. Nos sete anteriores, apenas um triunfo e cinco derrotas. O único empate aconteceu em 1989 em Salvador, época em que eram o saco de pancadas do continente, situação que hoje em dia mudou completamente. Pelo lado alvirrubro também há muita diferença, principalmente por conta de terem retornado a uma Copa do Mundo depois de 36 anos de ausência, de longe o melhor momento do futebol do país no século XXI.

Fiquei zanzando pelo anel superior da Arena até os atletas subirem ao gramado. Na busca do meu lugar marcado vi que ele era atrás de um dos gols, ao lado de uma grande concentração de torcedores. Como as laterais do setor estavam vazias, quis ficar de boa e sem aperto, então me mandei para um dos cantos. De lá assisti um jogo que não foi a oitava maravilha do mundo. Apesar disso, e levando em conta que em eventos grandes eu aplaudo até papel picado voando, eu gostei e aproveitei cada segundo. Compromisso internacional entre seleções em campo neutro é sempre genial, independente do que aconteça.

Claro que eu preferia ver vários gols, pena que os selecionados não me deram esse presente. Bom, eu cheguei a ver dois, porém ambos foram anulados. O primeiro deles saiu aos seis minutos quando Christofer Gonzáles aproveitou sobra na área e fez a favor do Peru. O árbitro Vilmar Roldan levou assombrosos quatro minutos para anular o tento por impedimento.

Boa parte dos gremistas que estavam na Arena vaiavam Paolo Guerrero toda vez que o centroavante tocava na bola e os colorados respondiam com aplausos animadíssimos. Foi assim durante os 90 minutos. Enquanto isso, a Venezuela melhorou e teve duas oportunidades de abrir o placar. O alvirrubro respondeu com três lances bons do seu camisa 9. O intervalo chegou nesse cenário.


Seleções perfiladas para os hinos nacionais


Saída do goleiro venezuelano igual vaca brava em cima de atacante do Peru


Ah, o VAR... presença que será constante durante a Copa América do Brasil


Visão geral do ataque peruano no primeiro tempo


Bola alçada com perigo dentro da área da Venezuela

Na etapa final fui passear pelas cadeiras mais altas já com a noite dando as caras. A primeira chance de gol foi venezuelana logo no comecinho com boa cobrança de falta de Rondón. Aos 17, Farfán completou cruzamento da esquerda e fez outro gol peruano, só que novamente ele foi anulado pelo árbitro após consulta ao VAR por impedimento.

A partir daí eu comecei a imaginar que o 0x0 seria inevitável. A Vinotinto ficou com um a menos aos 28 minutos com a expulsão de Mago. Os peruanos colocaram a esperança da vitória nos pés de Guerrero e gritavam "Paolo" a plenos pulmões. Foram várias as chegadas com perigo próximo da meta defendida por Fariñez, mas os atletas não foram capazes de vencer o arqueiro.


O bonito entardecer de Porto Alegre na belíssima Arena do Grêmio


O bonito contraste dos uniformes de Peru e Venezuela


Cruzamento dentro da área peruana no segundo tempo


Boa chegada do Peru e boa defesa do goleiro venezuelano


Soteldo segurando a bola no ataque da vinotinto

O resultado de Venezuela 0x0 Peru não foi ideal, principalmente para os comandados de Ricardo Gareca. Agora eles pegam a Bolívia pensando apenas em vencer e depois o Brasil em São Paulo em jogo que pretendo também acompanhar de perto. A Vinotinto pega o onze local em Salvador, uma tarefa sempre ingrata. Da minha parte ficou aquele gostinho de quero mais, porém como disse antes, acompanhar torneio grande de perto é tão legal que isso é o de menos.


Última visão da Arena do Grêmio. Um dia ainda volto lá...

Dei uma última passeada por todo o estádio antes de reencontrar o amigo candango. Andamos cerca de dois quilômetros num breu insano até chegar na Estação Anchieta do Trensurb. Dali retornamos ao centro da cidade e fizemos uma janta de campeões na estação rodoviária. O lugar era simples, o que não impediu que a comida fosse ótima. Com a barriga cheia finalmente cada um retornou a seus respectivos hoteis.

Terminei a noite vendo o segundo tempo de Argentina x Colômbia e dormi cedo pois o dia tinha sido cheio... assim como o domingo também seria. Na pauta, finalmente uma seleção bicampeã olímpica e mundial passou a fazer parte da minha Lista. Era uma pedra no sapato há muitos anos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Venezuela 0x0 Peru

Competição: Copa América; Local: Arena do Grêmio (Porto Alegre); Árbitro: Wilmar Roldán Pérez (Col); Público: 13.370 pagantes; Renda: R$ 2.400.080,00; Cartões amarelos: Luis Del Pino, Yangel Herrera (Ven); Renato Tapia, André Carrillo (Per); Cartão vermelho: Luis Del Pino (Ven) 30 do 2º.
Venezuela: Wuilker Fariñez; Roberto Rosales, Jhon Chancellor, Mikel Villanueva e Luis del Pino; Júnior Moreno (Ronald Hernández), Jefferson Savarino (Darwin Machís), Yangel Herrera, Tomás Rincón e Jhon Murillo (Yeferson Soteldo); Salomón Rondón. Técnico: Rafael Dudamel.
Peru: Pedro Gallese; Luis Advincula, Carlos Zambrano, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia, Jefferson Farfán, Christofer Gonzáles (André Carrillo), Yoshimar Yotún (Andy Polo) e Christian Cueva (Edison Flores); Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Venezuela suporta a pressão e goleia o Paraguai no Ulrico Mursa


Não deu nem tempo de descansar direito, mas depois do bate-volta de sexta-feira para fazer minha estreia no Campeonato Sul-Americano Feminino Sub-20 em Santos, no sábado fiz novamente a viagem para o litoral, agora para duas partidas do Grupo A em outro cenário: saiu a Vila Belmiro, entrou o Estádio Ulrico Mursa, casa da Briosa.

O quórum foi menor do que o do dia 20, mas mesmo assim foi uma reunião de respeito: Luiz, Pucci, Renato (este já no litoral desde o dia anterior) e o curioso Victor de Andrade. Apesar do feriado a viagem foi feita de forma tranquila e com muito tempo de antecedência já estávamos nas redondezas da casa lusitana. O óbvio destaque ficou por conta da agradabilíssima temperatura - cerca de 22 graus - e do tempo nublado.

Poucas pessoas estavam no Ulrico Mursa para a abertura da rodada dupla com as seleções da Venezuela e do Paraguai em campo. As venezuelanas buscavam a reabilitação, pois haviam perdido para o Brasil na rodada inicial. Já as paraguaias derrotaram com dificuldades o Peru pelo placar de 3x2. No histórico da competição, ampla vantagem da La Albirroja com dois vices (2004 e 2014) e três terceiros lugares (2006, 2008 e 2010). As meninas da Vino Tinto tem como melhor resultado apenas um quinto lugar em 2014.



Seleções sub-20 da Venezuela e do Paraguai. Fotos: Fernando Martinez.


Capitãs das seleções com a árbitra uruguaia Nadia Fuques, a assistente uruguaia Adela Sanchez e a boliviana Liliana Bejarano e a quarta árbitra Maria Victoria Daza. Foto: Fernando Martinez.

Após todo o cerimonial de praxe, escolhi por motivos óbvios acompanhar o ataque paraguaio, pois pensei que o time era o favorito para conquistar os três pontos. Realmente, a seleção tricolor teve mais posse de bola e obrigou a goleira Franyely Rodriguez a trabalhar incansavelmente, mas gol mesmo que é bom, nada.

Jogando principalmente no campo de defesa, a Venezuela acabou definindo o jogo em contra-ataques absolutamente fatais espalhados por toda a peleja. O primeiro deles aconteceu aos 24 minutos e terminou com o gol de Lourdes Moreno. O Paraguai continuou martelando a zaga adversária, só que no segundo ataque venezuelano aos 45, Gabriela García ampliou a vantagem no marcador.


A camisa 11 Gabriela Segura afastando a pelota. Foto: Fernando Martinez.


Marcação firma da zaga venezuelana. Foto: Fernando Martinez.


Yessica Villagra atacando pela direita. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final, nada mudou e as albirrojas continuaram no esquema "ataque contra defesa" castigando a goleira. E assim como aconteceu no primeiro tempo, na primeira chegada da Venezuela saiu o terceiro gol, novamente com Gabriela Garcia aproveitando rebote da goleira Vanessa Da Veiga. O cronômetro marcava 25 minutos.

A insistência do Paraguai finalmente deu resultado aos 32, com o gol de Yessica Martínez. Poucos tempo depois vi as duas defesas mais sensacionais da tarde e provavelmente do campeonato. Franyely Rodriguez defendeu de forma assombrosa dois chutes à queima-roupa, um atrás do outro, evitando que o Paraguai fizesse o segundo e crescesse ainda mais em busca do empate. Sem exagero nenhum, foi coisa de cinema.

As paraguaias foram com tanta sede ao pote que estenderam o tapete vermelho para o ataque da Venezuela. No último minuto, as meninas da terra de Hugo Chavez armaram um contra-ataque fulminante pela direita que terminou com a finalização precisa de Tahicelis Marcano na saída da goleira.


Verónica Martínez, camisa 21 do Paraguai, com a firme marcação da camisa 3 Alexyar García. Foto: Fernando Martinez.



Dois chutes à queima-roupa defendidos pela goleira da Venezuela Franyely Rodriguez. Ela foi o nome do jogo. Fotos: Fernando Martinez.


Detalhe do quarto gol venezuelano, fechando a goleada contra o Paraguai. Foto: Fernando Martinez.

A precisão cirúrgica da Vino Tinto nas finalizações fez com que o placar final da partida ficasse em Paraguai 1-4 Venezuela. Contando que o Brasil é o maior nome da chave, talvez esse resultado possa ter definido quem será o segundo classificado do Grupo B para a fase final do certame. Até porque pelo que vi no jogo de fundo, acho que Chile e Peru não tem condições de surpreenderem os demais integrantes da chave.

Falando nisso, não demorou para que peruanas e chilenas entrassem em campo para a segunda partida da tarde/noite no litoral.

Até lá!

Fernando

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Brasil campeão do Torneio Internacional feminino sub17 na Javari


Um dos campeonatos mais "perdidos" dos últimos tempos, o Torneio Internacional Cidade de São Paulo sub17, teve a sua rodada final realizada na tarde da última segunda-feira. Rodada que contou com a grande decisão e também com a sempre legal decisão de terceiro lugar. O Estádio Conde Rodolfo Crespi teve como primeiro jogo o confronto entre a Venezuela, atual campeã sul-americana da categoria, e o Chile.

Na primeira fase do genial torneio, as chilenas já haviam derrotado suas rivais nessa decisão de terceiro lugar, mas depois perderam para Brasil e Paraguai. As venezuelanas terminaram a fase com 0% de aproveitamento e sem fazer nenhum gol. Essa campanha ruim foi uma surpresa, já que elas foram campeãs do sul-americano em 2013 com uma performance inesquecível de seis vitórias e apenas um empate. O título veio com um sensacional 7x1 em cima do Paraguai, que jogava em casa.

E foram as chilenas que fizeram o primeiro logo no primeiro ataque com a camisa 10 Javiera Grez. Yerlanis, camisa 22 da Venezuela, fez o primeiro gol da sua seleção no certame aos 27 minutos em cobrança de pênalti. Antes do primeiro tempo terminar, Muriel colocou novamente o Chile em vantagem aos 39 minutos.



Dois lances da decisão de terceiro lugar do Torneio Internacional Cidade de São Paulo sub17 entre Chile e Venezuela. Fotos: Fernando Martinez.

No tempo final o jogo foi aberto e com boas chances de gol para os dois lados, mas as atacantes não estavam tão inspiradas assim e o marcador do tempo inicial se confirmou: Chile 2-1 Venezuela. As chilenas, que até hoje tiveram como melhor campanha no sul-americano da categoria o vice de 2010, ficaram em terceiro e as meninas que representaram a Federación Venezolana de Fútbol terminaram em último com quatro derrotas em quatro jogos.

No jogo de fundo aconteceu a grande decisão entre Brasil e Paraguai. Na primeira fase as paraguaias fizeram 3x1 nas garotas tupiniquins e não há como negar que o favoritismo era da seleção guarani por conta das boas atuações e também pelos 100% de aproveitamento.




Seleção brasileira, paraguaia e a foto oficial do quarteto de arbitragem da grande decisão. Fotos: Fernando Martinez.

Só que a goleira Natasha Martínez resolveu dar uma forcinha para o time verde e amarelo e falhou clamorosamente aos dois minutos de jogo. A bola foi cruzada na área e na tentativa de fazer a fácil defesa, ela soltou a pelota nos pés da camisa 10 Ana Vitória. Com o gol aberto, ela só teve o trabalho de tocar e sair para comemorar.

Depois de fazer 1x0 o Brasil não chegou mais com perigo até o apito final. Isso mesmo, o time da casa não conseguiu criar uma chance clara de gol durante todo o tempo. O Paraguai não se abateu com o tento sofrido e mandou no jogo. No último lance do tempo inicial o empate aconteceu com a camisa 8 Fanny Godoy.

No segundo o jogo foi ríspido e com algumas jogadas violentas, algo bem difícil de acontecer quando falamos de futebol feminino. Embora mais perigosas e com mais qualidade nos pés, as paraguaias não conseguiram virar a peleja e ao final dos 80 minutos, o título acabou sendo decidido na marca de cal.


Exato momento em que a goleira Natasha Martínez soltou a pelota no lance do primeiro gol do Brasil. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração tupiniquim pelo gol de abertura. Foto: Fernando Martinez.


Paloma lançando a bola na área paraguaia. Foto: Fernando Martinez.


Escanteio para as donas da casa. Foto: Fernando Martinez.



Enquanto a brasileira marcou, a atleta do Paraguai mandou a bola longe do gol. Fotos: Fernando Martinez.


Gol que deu o título ao Brasil. Foto: Fernando Martinez.

As brasileiras foram mais precisas nas cobranças e marcaram três vezes nas quatro cobranças. As adversárias fizeram apenas um e desperdiçaram outros três. No fim, o Brasil 1 (3) - 1 (1) Paraguai deu o título do Torneio Internacional Cidade de São Paulo sub17 para a seleção verde e amarelo.

A comemoração das meninas no gramado da Rua Javari foi enorme, pois o título foi conquistado jogando contra uma seleção paraguaia que foi melhor durante todo o certame (o time terminou a competição invicto, com a artilheira, o melhor ataque e a melhor defesa). Independente disso, todo o grupo merece os parabéns por essa conquista importantíssima.

A festa que distribuiu medalhas e os troféus para as três primeiras colocadas aconteceu com a casa juventina já praticamente no escuro, mas poucos arredaram o pé dali. Título é título, e o estádio estava com um belo público na hora que finalmente a capitã Farinon levantou a taça.


Chilenas levantando a taça pela terceira colocação na competição. Foto: Fernando Martinez.


Capitã paraguaia levantando a taça pelo vice-campeonato. Foto: Fernando Martinez.


As meninas sub17 do Brasil comemorando no pódio com a taça de campeão. Foto: Fernando Martinez.


Todo o elenco e a comissão técnica com a taça do título no gramado da Javari. Foto: Fernando Martinez.

Como já disse no post anterior, é sensacional ter um torneio desse aqui "perto de casa". Torço para que cada vez mais torneios assim sejam realizados por essas bandas. Para coroar a belíssima tarde, fui junto com os amigos que marcaram presença por lá bater aquela famosa xepa na esfiharia da região. Futebol de novo, só no final de semana.

Até a próxima!

Fernando

segunda-feira, 20 de julho de 2015

JP no Torneio Internacional Cidade de São Paulo sub17 na Javari


Na terça-feira passada começou aqui na capital paulista um torneio de futebol quase clandestino. Pior que não falo de uma competição de várzea, de um futebolzinho entre funcionários de uma empresa qualquer ou de amigos que se reúnem de final de semana. Falo de uma competição feminina reunindo seleções nacionais, o Torneio Internacional Cidade de São Paulo sub17.

Mas pior do que ser um torneio fantasma aos olhos da mídia "especializada", algo que já estamos acostumados, é ser uma competição que praticamente não existe para a própria CBF. Na manhã de estreia do certame nem havia tabela e as informações no site eram esparsas e vazias. Bom, mas para quem acha que o 7x1 foi apenas uma obra do acaso, podemos esperar algo diferente?

Enfim, o que eu sei é que não dava pra deixar passar a chance de ver um campeonato tão legal aqui perto de casa, já que o Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari, é a sede do quadrangular. Além das meninas do Brasil, Chile, Paraguai e Venezuela completam a lista de participantes. Todas estão se preparando para o Sul-Americano da categoria que ainda não tem data ou local definido (aliás, a última informação disponível sobre essa competição no péssimo site da Conmebol é de agosto de 2013, antes do torneio daquele ano. Dá pra medir o quanto ridículo é isso?)

Na primeira rodada o Chile venceu a Venezuela pela contagem mínima e o Brasil foi derrotado pelo Paraguai por 3x1. Na quinta, tivemos a vitória paraguaia por 3x0 contra as venezuelanas e o sofrido triunfo tupiniquim contra as chilenas por 4x3. Como as duas melhores colocadas garantem vaga na final, as meninas da terra de Chilavert estavam com um pé na decisão antes da jornada derradeira e que Brasil e Chile (a chance da Venezuela era remota) definiriam a outra vaga.

Apesar da ausência completa de divulgação, um público legal foi até a Javari para ver a rodada final da primeira fase. O primeiro jogo foi entre Paraguai e Chile, e como as primeiras estavam com 100% de aproveitamento, nada mais natural do que eu acompanhar bem de perto o ataque da seleção guarani.



Paraguaias e chilenas posadas para a abertura da terceira rodada da primeira fase do certame. Fotos: Fernando Martinez.

Dentro de campo não houve surpresa e as paraguaias foram superiores às suas adversárias na maior parte da peleja. O time, muito bem armado e com jogadoras de boa qualidade, jogou o tempo todo no campo de defesa do adversário. Na base da pressão, o primeiro gol saiu meio sem querer aos 27 minutos do tempo inicial.

Limpia Fretes recebeu passe pela direita e cruzou na área. A pelota pegou um efeito absurdo e seguiu em direção ao gol. A arqueira Camila Cazor não conseguiu voltar a tempo e acabou sofrendo o primeiro. Atrás no placar, o Chile sabia que a vaga na final ficaria distante caso saísse derrotada de campo.

No tempo final as chilenas tentaram mas não conseguiram superar o bom time do Paraguai, e ainda por cima sofreram mais dois gols, o segundo com Lorena Alonso aos 15 e o terceiro de Jessica Martinez - mais uma parente perdida por aí - aos 27 minutos. A equipe ainda criou chances para ampliar a vantagem, mas o marcador não foi mais alterado.


Ataque paraguaio no começo da partida. Foto: Fernando Martinez.


Arqueira chilena saindo pra fazer a defesa. Foto: Fernando Martinez.


Camila Cazor vendo a bola passar por ela no primeiro gol do Paraguai. Foto: Fernando Martinez.


Bola no fundo das redes no segundo gol da seleção guarani. Foto: Fernando Martinez.


Raro ataque chileno no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Placar final de Chile x Paraguai no marcador híbrido da Javari. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Paraguai 3-0 Chile colocou as vencedoras na final com 100% de aproveitamento. Por conta da diferença de gols, as chilenas já estavam eliminadas e restava agora saber se a decisão teria a presença de Brasil ou Venezuela, as adversárias do jogo de fundo.

Jogando contra uma seleção que tinha saído de campo derrotada por duas vezes e que também não tinha marcado nenhum gol, o Brasil era amplo e incontestável favorito. Para facilitar mais ainda a missão canarinho, logo aos três minutos a goleira Alexa Castro resolveu dar uma força e soltou uma bola fácil nos pés da atacante Farinon, atleta do Veterano de Novo Hamburgo. Mesmo sem ângulo ela só teve o trabalho de tocar pro fundo das redes.



As meninas sub17 do Brasil e da Venezuela posados antes da partida que fechou a primeira fase da competição. Fotos: Fernando Martinez.

A vantagem deu uma exagerada tranquilidade para a seleção local, que passou o restante do primeiro tempo melhor, mas pecando demais nas finalizações. Tanto foi que a partida chegou a seu intervalo ainda com o magrinho 1x0 estampado no placar.

No tempo final a Venezuela abdicou completamente de atacar e chamou as brasileiras para o seu campo. Mesmo com o toque final bastante falho, o coletivo de "ataque contra defesa" deu resultado. Andressa, jogadora do Centro Olímpico, fez o segundo aos 21 minutos e Ana Vitória, do Rondonópolis, fechou a fatura dois minutos depois.


Só deu Brasil no gramado da Rua Javari. Foto: Fernando Martinez.


Ataque pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Bola zanzando dentro da área venezuelana. Foto: Fernando Martinez.


Ataque perigoso das donas da casa no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


A capitã Farinon tocando com estilo. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração pelo terceiro gol brasileiro. Foto: Fernando Martinez.

O Brasil 3-0 Venezuela colocou as meninas locais na decisão do Torneio Internacional Cidade de São Paulo contra as paraguaias. Chile e Venezuela farão a decisão de terceiro lugar. Os dois jogos serão realizados na Rua Javari nessa segunda-feira na parte da tarde.

O restante do sábado foi reservado para curtir os Jogos Panamericanos pela televisão e dormir pensando na oitava e penúltima partida do Barcelona Capela como mandante na Segundona Paulista.

Até lá!

Fernando