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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Corinthians x São Paulo: tudo igual na Fazendinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois do "não-jogo" do sábado pela A3, o domingo de manhã reservou uma partida de verdade pelo Campeonato Brasileiro Feminino. Na minha estreia no Estádio Alfredo Schurig em 2022, fui acompanhar o clássico entre Corinthians e São Paulo, o primeiro duelo entre os times após a final do Paulista do ano passado.

Na sexta-feira – Palmeiras 3x0 Flamengo na Arena Barueri - não tinha quase nenhum influenciador ou figuras do tipo. Já na Fazendinha... quanta diferença! Quase 30 (!) fotógrafos pediram credenciamento e um sem-número de blogueirinhas e influencers estavam na casa alvinegra. É aquilo que sempre digo: lindo pedir apoio para a categoria, o problema é que o pessoal apoia apenas o que lhes convém. Já estou acostumado a ver isso no masculino e com as meninas vai pelo mesmo caminho.

Sei que cheguei cedo e encontrei o amigo Giulio Cesare, médico do Mosqueteiro e também revoltado com a queda do Nacional na Série A3. Conversamos rápido e eu fui então dar uma andada na parte coberta. Foram 38 jogos ali com portões fechados durante a pandemia, então foi estranho ver a torcida ocupando em peso o setor. Minha última vez com público ali tinha sido um 2x0 do sub-20 corintiano contra o Botafogo de Ribeirão Preto em 14 de setembro de 2019. Um tempão.



Corinthians e São Paulo posados apenas com as onze titulares, como deveria ser em todas as partidas


As capitãs Tamires e Formiga, o árbitro João Vitor Gobi, as assistentes Marcela de Almeida Silva e Patricia Carla de Oliveira e o quarto árbitro Lucas Canetto Bellote

A peleja reuniu o terceiro e o sexto colocados da competição. O alvinegro tinha 10 pontos com três vitórias e um empate. O tricolor, sete em duas vitórias, um empate e um resultado negativo. Ninguém sabia o que ia rolar, mas uma coisa era unanimidade: seria uma partida complicada. Na primeira etapa fiquei no ataque local em uma providencial sombra na linha lateral.

Pena que tirar foto boa ali demorou. O São Paulo iniciou os trabalhos com a inspiração em dia e atacando com afinco. A zaga mosqueteira sofreu com o a animadíssimo time visitante. Aos 12, a goleira corintiana fez boa defesa e mandou pela linha de fundo. No escanteio a bola foi alçada e bateu na perna esquerda de Yasmin, indo morrer no fundo da rede. Como gol contra vale igual, a comemoração são-paulina foi enorme.

O 2x0 quase saiu na sequência em finalização de Naná que bateu na trave. O Corinthians passou a dominar as ações, porém chance de gol que é bom, nada. Foi com o 0x1 que o intervalo chegou e eu resolvi procurar uma cabine disponível. Achei uma, na sorte, e por lá fiquei na etapa final. Sombra e sossego não fazem mal.


Jogadoras do São Paulo comemorando a abertura do placar




Mais lances do primeiro tempo na Fazendinha

Os últimos 45 minutos foram de ataque contra defesa. As locais se mandaram com tudo ao campo ofensivo e encurralaram a equipe do Morumbi. Só que o toque final era falho e a torcida ficou desesperada com tantas oportunidades perdidas. Aos 12, o lance mais perigoso. Yasmin levantou e a bola ficou zanzando na área. Ela sobrou livre na pequena área e Adriana acertou uma bicuda monstra na trave.

Esse jogo de gato e rato seguiu até os 37 minutos. A camisa 18 Gabi Portilho recebeu na intermediária, matou com classe e chutou. A pelota foi perfeitamente no meio do gol, sem nenhuma chance de Carla Maria defender. Os 1.871 presentes fizeram uma enorme festa pelo empate. O alvinegro até tentou a virada, porém o 1x1 se confirmou.


Adriana (16), no cantinho da foto, um segundo antes de perder gol e mandar a bola no travessão





A insistência corintiana garantiu o empate e a invencibilidade

O Corinthians 1-1 São Paulo fez o Timão cair para a quarta posição e o tricolor se tornar o quinto lugar. Ferroviária e Palmeiras tem 13 pontos e o Internacional 12. Já foram realizadas cinco rodadas e a próxima acontece só daqui a duas semanas em virtude dos amistosos da seleção, pois no feminino as Datas FIFA são respeitadas.

Sai da Fazendinha e fui dar aquela passeada de sempre pelo clube. No ginásio estava rolando um Corinthians x Cravinhos pelo Paulista sub-16 de basquete e fiquei ali na boa. A rapaziada alvinegra tomou uma surra, mas tudo bem. Nem me lembro desde quando não assistia alguma coisa no local que eu fiz minha primeira comunhão em 1986 (#velho). Encerrada a ação, peguei finalmente o caminho de casa.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Corinthians 1x1 São Paulo

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: João Vitor Gobi/SP; Público: 1.871 pagantes; Renda: R$ 35.565,00; Cartões amarelos: Diany, Fe Palermo, Naná; Gols: Yasmim (contra) 13 do 1º, Gabi Portilho 37 do 2º.
Corinthians: Lelê; Paulinha (Miriã), Giovanna Campiolo, Diany e Yasmim (Juliete); Mariza (Liana Salazar); Gabi Zanotti, Jaqueline (Mylena), Tamires (Jheniffer) e Gabi Portilho; Adriana. Técnico: Arthur Elias.
São Paulo: Carla Maria; Fe Palermo, Thais Regina, Pardal e Dani; Formiga (Serrana) (Moniquinha) e Maressa; Micaelly (Thayslane), Naná e Shashá; Rafa Travalão (Carina). Técnico: Lucas Piccinato.
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terça-feira, 5 de abril de 2022

União Suzano x Comercial: o jogo que não aconteceu

Texto e fotos: Fernando Martinez


Sábado começou bastante promissor com temperatura agradável e promessa de bom jogo pelo Campeonato Paulista da Série A3. Abrindo a segunda fase, o União Suzano receberia o Comercial de Ribeirão Preto no Estádio Francisco Ribeiro Nogueira, um duelo absolutamente imperdível.

Saí de casa na boa, sem pressa, lendo uma ótima biografia do AC/DC e curtindo o céu nublado. Cheguei em Suzano, peguei aquele Uber maroto e faltando uma hora para o apito inicial, já estava na cancha. Detalhe: não haveria a presença de torcida, cortesia do última partida realizada ali, o 0x0 contra o Noroeste em 19 de março.

Os torcedores noroestinos que compareceram no Suzanão naquele dia não foram autorizados e entrar no setor visitante pois o local, pelo menos essa foi a desculpa oficial, estava sem banheiro (lembrando que os banheiros químicos da Copinha viraram saudade). Um vacilo de todos os lados: da FPF que permitiu a realização de jogos nessa situação desde o começo do torneio e do União Suzano e da prefeitura que não fizeram as adequações pedidas.

O Norusca colocou a boca no trombone e o estádio foi interditado em seguida. Na semana tentaram abrir um portão meia-boca do lado oposto para a entrada da torcida visitante. Não deu certo. Não sei também se alguém da diretoria do USAC tentou levar para outra cidade, tipo Mogi das Cruzes. A realidade foi que a torcida não ocuparia as arquibancadas em um duelo superimportante.



União Suzano e Comercial posados para o que seria um confronto genial (e surreal) na Grande São Paulo


Quarteto de arbitragem com o árbitro Lucas Canetto Bellote, os assistentes Vitor Carmona Metestaine e Ricardo Luis Buzzi e o quarto árbitro Diego Augusto Fagundes. Junto com eles, claro, os capitães

Quando fui ao gramado encontrei amigos fiscais da FPF e emendamos um bom papo. Por volta das 14h45, alguém se tocou que a ambulância UTI não estava lá, apenas a ambulância remoção (pelo regulamento, são necessárias uma de cada). Aí começou o show de absurdos que seguiu por cerca de uma hora.

O delegado da FPF seguiu com o protocolo com a promessa do pessoal do USAC de que "a ambulância está chegando". Beleza. Times em campo, hino nacional e fotos posadas, tudo certo. Peguei meu banquinho e aguardei a chegada do veículo mais esperado da tarde. Vinte minutos depois, pintou no horizonte uma ambulância UTI que visivelmente foi arranjada de última hora. Parecia que estava tudo bem, mas esqueceram de um pequeno detalhe: faltava um médico dentro do veículo.

Começou então uma enorme correria atrás de um doutor. Os dirigentes ligavam para Deus e o mundo atrás de um. O quarto árbitro ouviu várias vezes "o fulano está chegando, o GPS disse que ele estará aqui em oito minutos", "o beltrano está na Santa Casa, logo logo chega", "o sicrano está no quarteirão de trás, deve estar aqui em seis minutos"... porém ninguém apareceu. Chegou ao ponto de Integrantes da direção irem até a rua próxima abordar todos os carros que estavam passando. Nenhum era dos tais médicos.

O árbitro Lucas Canetto Bellote esperou a meia hora regulamentar e ainda deu uma colher de chá já que a rapaziada garantia que o médico estava "do lado". Ele aguardou novos 15 minutos e depois outros 10. Passados 55 minutos, ele largou mão e decidiu encerrar tudo sem mesmo ter começado. Em dois minutos atletas e comissão técnica já estavam nos vestiários. O médico, ou melhor, OS médicos (dois, no caso) entraram juntos no estádio às 16h05. Fuén.


Antes do jogo, uma animada queda de braço fez o pessoal passar o tempo na lateral do gramado


Conversa entre o quarto árbitro, o delegado da partida e dirigentes do USAC


A gloriosa ambulância UTI chegou depois de 20 minutos, mas não tinha médico


O árbitro comunicando a todos que não iria mais esperar pela chegada do médico. Não haveria jogo em Suzano

Enfim, foi absolutamente lamentável ter passado por uma situação dessas novamente. Um show de amadorismo e lenga-lenga que pode custar a vaga do USAC na semifinal. Acredito que pelo menos desde 1994 essa é a primeira vez que isso acontece em uma fase decisiva da terceira divisão. Que os diretores do União aprendam que um Plano B, e até um Plano C, é sempre necessário.

Fiquei bem revoltado com o ocorrido, ainda mais gastando uma grana de Uber na ida e na volta. Saí do Francisco Marques Figueira e encontrei o amigo Nílton no portão de entrada e não demorei para pegar o caminho da estação da CPTM, não antes sem uma boquinha merecida.

Voltei à ativa no domingo de manhã no meu retorno ao Parque São Jorge após muito tempo. Teve clássico paulistano no Brasileiro Feminino no meu primeiro jogo na Fazendinha em 2022.

Até lá!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Palmeiras quebra a invencibilidade do Fla no Brasileiro Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com a chegada de uma bem-vinda frente fria, a primeira do outono, a sexta-feira teve frio, chuva e céu nublado, aquele tempo perfeito de ficar em casa. Só que eu não fiquei. Bem na hora do rush, peguei o caminho do oeste para acompanhar de perto o meu segundo jogo no Campeonato Brasileiro Feminino em 2022. Direto da Arena Barueri, duelo de invictos entre Palmeiras e Flamengo.

Foi por um triz que eu não desisti da jornada. Quando desci na estação Jardim Belval, a garoa tinha se transformado em chuva e quase peguei o caminho de volta. No fim, o velho senso de responsabilidade falou mais alto, coloquei o capuz, ajeitei o espírito e fui na raça. Os 20 minutos do caminho foram bem molhados.

Cheguei ensopado na Arena e, como estava cedo, deu tempo de secar antes tudo antes da saúde ficar comprometida. Dei uma passada nas cabines e conversei com o amigo Edson de Lima, do ótimo "A Vitrine do Futebol Feminino" e depois fui ao gramado. Não tinha nenhuma influenciadora ou blogueira por ali, afinal, ver jogo longe com chuva e em horário "ruim" é demais. Fomentar a categoria só vale a pena quando é perto de casa e sem problemas com eventos da natureza.

Além das influenciadoras, quem também não compareceu na rena foi a torcida. Apenas 227 marcaram presença, dois terços do lado flamenguista. Um duelo desse tamanho mesmo na Arena merecia a arquibancada mais recheada. Dá aquela certeza de que o caminho da popularização total ainda é longo e difícil.

Outra coisa difícil é a apatia dos fotógrafos de plantão em fazer as fotos oficiais. Fiquei ali na beirada do gramado esperando os figurões da CBF e dos times chamando as equipes... e nada aconteceu. Incrível ver como profissionais não tem a preocupação em registrar a história. Pior é ver que isso está virando moda. Só teve a foto do quarteto com as capitães e olhe lá.


Como os times não se dignaram a fazer as fotos, segue aqui a imagem das meninas perfiladas durante a execução do Hino Nacional Brasileiro


Capitãs e quarteto de arbitragem com o árbitro José Guilherme Almeida e Souza, as assistentes Patricia Carla de Oliveira e Marcela de Almeida Silva e a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro

Depois de todas essas emoções, a bola finalmente começou a rolar. A partir daí, somente o Palmeiras emocionou a sua (pequena) torcida. As donas da casa foram muito melhores do que as visitantes e jogaram por música. Com o setor ofensivo comandado pela ótima Bia Zaneratto, o alviverde não sofreu sustos e criou várias chances.

O primeiro gol saiu aos 29 minutos. Byanca Brasil - ou B. Brasil no sistema de som do estádio - levantou a bola na cabeça de Thaís. A zagueira, que completou 100 jogos com a camisa verde, tocou e encobriu a goleira rubro-negra. Aos 38, novamente Byanca levantou e Bia Zaneratto acertou um sem pulo, ampliando a vantagem no placar.

No tempo final o Fla tentou responder, mas não criou lances bons o suficiente para diminuir o prejuízo. As palmeirenses seguiram na boa, jogando sem dificuldade e enfileirando boas oportunidades. Apesar da pressão, o marcador foi alterado somente aos 40 minutos com um golaço. Patrícia Sochor recebeu na direita e acertou um chutaço de longe, sem chances de defesa.



Dois momentos do começo de jogo entre Palmeiras e Flamengo


Detalhe do gol de Thaís, na noite em que a zagueira completou 100 partidas com a camisa alviverde






O Palmeiras jogou na boa e praticamente não deu espaço ao time carioca. A melhor chance rubro-negra foi em tiro de longe (última foto) que passou perto da trave direita

O Palmeiras 3-0 Flamengo deixou a equipe alviverde dormindo na liderança do Brasileiro Feminino com 13 pontos ganhos, porém no sábado a Ferroviária, que goleou o São José fora de casa por 6x1, as ultrapassou no saldo de gols. O Fla agora está na sexta posição com oito pontos.

A chuva, que tinha dado uma trégua durante a partida, voltou no exato momento que o árbitro apitou pela última vez. Sem alternativa, me restou fazer o caminho de volta debaixo d'água outra vez. Tudo bem, ossos do ofício. O que eu não sabia é que esse perrengue seria fichinha perto do que passei no sábado.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmeiras 3x0 Flamengo

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: José Guilherme Almeida e Souza/SP; Público: 227 torcedores; Renda: R$ 0,00; Cartões amarelos: Carol Rodrigues, Kika Brandino; Gols: Thais 29 e Bia Zaneratto 38 do 1º, Patrícia Sochor 40 do 2º.
Palmeiras: Jully; Thais, Agustina, Day Silva (Katrine) e Camilinha; Julia Bianchi, Ary Borges (Chú), Duda Santos (Carol Rodrigues) e Andressinha (Samia Pryscila); Bia Zaneratto e Byanca Brasil (Patrícia Sochor). Técnico: Hoffmann Túlio.
Flamengo: Gabi Croco; Monalisa, Cida, Núbia e Gisseli; Stella (Kika Brandino), Kaylane e Leidiane (Rayanne); Maria Peck (Pimenta), Maria Alves e Gica (Duda Rodrigues). Técnico: Luís Andrade.
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