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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Com muita confusão, Bernô vai para a final (histórica) do sub-20

Fala, pessoal!

Fechando as matérias desse último final de semana, no sábado à noite estive presente num jogo histórico no gramado sintético do Baetão. Pelo segundo jogo semi-final do Campeonato Paulista sub-20 da 2ª divisão, EC São Bernardo e Grêmio Mauaense entraram em campo buscando fazer história.

O primeiro jogo terminou empatado em 1x1, e outro empate classificaria o Bernô para sua primeira decisão (disputada em dois jogos, e não num quadrangular como aconteceu na segundona em 1986, na terceirona em 1993 e no sub-20 da 2ª divisão em 1999) de campeonato organizado pela FPF em sua história. Ao Mauaense, não restava outra alternativa a não ser uma vitória por qualquer placar.

Mas depois do temporal que tomei de manhã foi complicado achar ânimo para sair de casa e enfrentar mais chuva. Só que num ato de bondade, São Pedro resolveu dar uma fechada na torneira da chuva e saí de casa somente com a agradável temperatura de 18 graus. Cheguei em São Bernardo do Campo e na subida até o estádio encontrei o Mílton animado com a perspectiva de grandes emoções para a pugna.

Na entrada do Baetão encontramos o Colucci, e depois de rápida conversa fui para o gramado fazer as fotos oficiais dos times e do trio. Registro a boa recepção do pessoal das agremiações também.


EC São Bernardo (sub-20) - São Bernardo do Campo/SP. Foto: Fernando Martinez.


GE Mauaense (sub-20) - Mauá/SP. Foto: Fernando Martinez.


Trio de arbitragem com o árbitro Daniel do Carmo e os assistentes Maurício Ferronato e Paulo Amaral junto com os capitães das equipes. Foto: Fernando Martinez.

Para esse jogo, acabei decidindo não acompanhar o ataque de nenhuma das equipes, e sim ficar no meio de campo, ao lado dos bancos de reservas (no final essa foi a melhor opção, jornalisticamente falando). O Bernô começou melhor, sem dar nenhuma chance para a Locomotiva. Logo aos 8 minutos a vantagem dos locais no duelo foi ampliada com o primeiro gol do time, após um chutaço de Ramses de longe que entrou no canto esquerdo do goleiro visitante.


Neblina? Tempestade de areia? Não, apenas uma "simpática" fumaça densa e fedida, já se tornando tradicional por parte da torcida do Bernô. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do primeiro gol do Bernô, em tirambaço de fora da área de Ramses. Foto: Fernando Martinez.

Mas a comemoração fora de campo acabou gerando um problema que teve triste reflexo após o apito final. Os torcedores presentes do Bernô comemoraram o gol infernizando (como sempre acontece nos jogos das equipes no Baetão) o banco de reservas do Mauaense. Mas o pessoal de Mauá não levou na esportiva, e um grande bate-boca começou. Ele só terminou alguns minutos depois, após a intervenção da turma do deixa disso.


Marcação de falta para a equipe visitante. Foto: Fernando Martinez.

Dentro de campo, o time local continuava melhor, sem dar espaços ao Mauaense. O jogo estava tranquilo para a equipe alvinegra. Aos 27 o time chegou a marcar o segundo gol, mas o árbitro anulou alegando que um dos atacantes no lance fez falta no goleiro. Só que a estrela do Bernô estava brilhando forte, e dois minutos depois o placar foi ampliado. Numa jogada rápida pela esquerda, Vinicius entrou na área e, mesmo com marcação firme do zagueiro, chutou forte para deixar a classificação perto do time da casa.


Lance do gol anulado do São Bernardo. Pela foto, senti que houve mesmo a falta no goleiro. Foto: Fernando Martinez.

Precisando marcar "só" três gols para se classificar para a final, o Grêmio foi ao ataque na base do bumba-meu-boi e criou a primeira chance de perigo aos 34 minutos, num tiro de longe que bateu na trave. Mas a rigor não aconteceu outra chance melhor do que essa nos minutos finais, e a peleja chegou ao seu intervalo com a vantagem local de 2x0. O Bernô estava com uma mão e meia na vaga.


Cobrança de falta para dentro da área local. Foto: Fernando Martinez.

Aproveitei os minutos de descanso para conversar com os amigos da torcida local. Todos animados com a vitória parcial e contando com a classificação. Mas o Mauaense não tinha chegado até a semi-final por acaso, e todo cuidado era pouco na segunda etapa. Nos vestiários do onze alvinegro, a conversa foi baseada no foco que o time precisava ter durante o tempo final, já que a quase desclassificação contra o Palestra ainda é motivo de susto para todos ali.


Disputa de bola na lateral do gramado. Foto: Fernando Martinez.

Como eu esperava, o Grêmio teve maior posse de bola durante todo o segundo tempo. Só que a pressão foi efêmera, sem que chances claras de gol fossem criadas. Para piorar a situação do time mauaense, o contra-ataque do Bernô sempre era perigoso, e os rápidos atacantes locais deixaram a defesa adversária maluca com as investidas. Podemos dizer que o São Bernardo esteve muito mais perto de marcar o terceiro do que o Grêmio diminuir o placar e tentar melhor sorte no confronto.


No segundo tempo, o Bernô se seguro bem na defesa e não deu chances ao Mauaense. Foto: Fernando Martinez.

O tempo foi passando sem que o placar fosse alterado e sem que a maioria do estádio soubesse o que estava por vir. O árbitro deu dois minutos de acréscimo, e no final dos 47 minutos a festa foi toda do onze local. Final de jogo: São Bernardo 2-0 Mauaense. pela primeira vez em campeonatos da FPF (criada em 1941), o Bernô chega a uma final direta, algo que merece muita comemoração. A final da competição será um duelo simplesmente genial contra o Jabaquara, e a finalíssima será no ABC. Imperdível!


Comemoração do técnico Júlio César Passarelli no momento em que o árbitro apitou o final do duelo. Foto: Fernando Martinez.

Mas infelizmente o post não termina por aqui, como sempre acontece. Sou obrigado a relatar a situação lamentável que aconteceu após o apito final. Enquanto a comemoração do Bernô rolava normalmente e os jogadores faziam festa com a torcida, o técnico do Mauaense tomou uma decisão que acabou se tornando um ato de proporções assustadoras.

Além do xingamento e da aporrinhação (comum em inúmeros estádios em todos os cantos do mundo), o técnico do Mauaense alegou ter sido atingido por uma cusparada vinda de um torcedor local na comemoração do segundo gol da partida. Tudo isso, somado com a desclassificação da sua equipe, fez com que o mesmo perdesse a cabeça e resolvesse pular o alambrado para tirar satisfação com os torcedores do Bernô nas arquibancadas.

Enquanto alguns tentavam segurar o técnico ainda dentro de campo, um detalhe passou despercebido por muitos. Toda a delegação do Grêmio Mauaense que tinha empatado o jogo de despedida do Paulista sub-17 em Bebedouro estava ao lado das cabines de imprensa do Baetão assistindo a partida. Quando esse pessoal - de 25 a 30 pessoas - viu o zum-zum-zum do outro lado, eles resolveram entrar na dança e comprar briga sem nem saber direito o que estava rolando. Aí que o bicho começou a ficar feio.

Essa turma chegou perto da confusão já arrepiando os torcedores locais. Nesse momento eram quase 50 o número de pessoas com a camisa do Grêmio Mauaense querendo confusão (a delegação do sub-17 inteira, o técnico, auxiliares e alguns atletas do sub-20). Todos foram pra cima dos poucos gatos pingados que estavam lá torcendo pro Bernô. Junto com os seis da torcida, mais quatro ou cinco, entre dirigentes e pais de jogadores.


Oito jogadores/integrantes da delegação do Grêmio fechando uma roda em apenas dois torcedores do Bernô. Foto: Fernando Martinez.

O mais visado no meio da confusão era o assessor de imprensa do Bernô Pedro Faian. Depois dele o Rodrigo Colucci. Grupos de oito/nove pessoas com a camisa do Mauaense partiram pra cima de todos os torcedores, especificamente esses dois, agredindo os mesmos com socos e pontapés. A situação poderia ter ficado complicada demais. Para sorte deles, alguns herois conseguiram dispersar esses grupos sem que eles se machucassem de uma forma mais séria.


Aqui, Rodrigo Colucci e Pedro Faian sendo acossados por um sem número de pessoas ligadas ao time visitante. Eles tomaram vários socos e pontapés. Foto: Fernando Martinez.

Eu acompanhava a confusão com atenção de dentro do campo, imaginando que por ali eu estava protegido. Mas no meio disso tudo, um infeliz, também com a camisa da equipe de Mauá, acabou arremessando uma daquelas garrafinhas de plástico de 600 ml cheia de água na minha direção. Para meu azar, ela pegou em cheio no meu rosto, quase me levando a nocaute. A sorte é que não me machuquei, e saí apenas com um corte no lábio. Agora imaginem se esse cidadão tivesse jogado uma garrafa de vidro? Ou se fosse o Orlando por ali, sempre usando óculos? Com certeza teria sido uma situação complicadíssima e com consequências desastrosas.


Mais um momento da confusão, sempre com um monte de pessoas de azul na imagem. Foto: Fernando Martinez.

No mesmo grupo em que se encontrava esse cidadão que atirou a garrafa, outro figura jogou uma pá dentro do gramado, daquelas com cabo de madeira e pá de metal. Por sorte, ela não acertou ninguém. Ainda demorou muito tempo para que toda a confusão se dissipasse. Agora se alguém pensa que a GCM de São Bernardo do Campo teve participação efetiva para que a briga acabasse pode mudar de ideia agora mesmo.

A atitude da GCM da cidade durante todo o episódio foi absolutamente vergonhosa. Em nenhum momento os policiais presentes no Baetão se mexeram um milímetro para tentar acabar com a confusão. Eles ficaram de braços cruzados dentro de campo, simplesmente vendo de longe o circo pegar fogo. No auge da briga, foi solicitado reforço, que prontamente chegou ao estádio. Três viaturas estacionaram na porta do estádio, mas os policiais ficaram estáticos em pé ao lado das mesmas, sem que nenhuma atitude fosse tomada.

Isso faz com que caia por terra a necessidade de policiamento nas partidas de futebol por lá, afinal de contas, se eles não se dignaram a prestar um serviço decente no meio de uma das maiores brigas que vi em estádio na minha vida, quando será que irão interferir em alguma coisa? Para ficarem de braços cruzados assistindo o pau quebrar, melhor nem aparecerem. Imaginem se alguém tivesse sido espancado ou sofrido algum golpe mais sério no meio do que rolou... Ficaria por isso mesmo?


Para se perceber a disparidade de forças, a proporção pessoal do Grêmio/pessoal local fica evidente nessa imagem do meio da confusão. Foto: Fernando Martinez.

Resumo da ópera: Vimos na fria noite de sábado uma série de erros sucessivos que por muita sorte não se transformaram em algo muito pior. Conheço o trabalho do pessoal do Grêmio e sei a índole boa que todos ali tem, incluído o técnico da equipe, mas não se pode levar para o lado pessoal coisas que acontecem em todos os jogos fora de casa. Senão, todas as partidas terminariam com os profissionais indo tirar satisfação com os torcedores. Viraria uma carnificina, inclusive em jogos de times grandes em torneios de ponta (é só, por exemplo, lembrar do que acontece em todo jogo de Libertadores, aonde as torcidas são muito mais chatas do que a meia dúzia do Baetão). Espero que para o sucesso da carreira de todos os profissionais envolvidos que esse tipo de situação não aconteça mais.

Bom, com os ânimos relativamente apaziguados, resolvi ir embora ainda meio zonzo e estupefato com tudo que rolou. Tirando o "sururu colossal" que uma vez rolou num jogo em Monte Sião/MG, quando o JP esteve por lá para uma cobertura de um torneio amistoso (a matéria já consta aqui no nosso novo endereço), essa foi a maior confusão que vi num estádio de futebol, isso no meu 1901º jogo e na 100ª peleja vista nesse ano de 2011.

Até a próxima!

Fernando

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