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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Juventus perde a primeira partida em casa pela Série A3

Fala pessoal!

Dando um tempinho no futebol das meninas sub-17 sul-americanas, na última quarta-feira fui acompanhar o meu primeiro jogo no Campeonato Paulista Série A3 em 2010. E como quase sempre assisto os jogos dos Atomic Grapes na Mooca, não poderia mesmo faltar na estréia do Juventus em casa jogando contra o recém-promovido da Segundona Red Bull no Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari.

No caminho do estádio consegui falar com o seu Natal e me encontrei com ele no metrô Bresser para seguir até a casa juventina. Problemas no trânsito da região quase me fizeram perder as fotos das equipes e do trio de arbitragem. Mas no final tudo deu certo, e agora elas seguem aqui no JP:


CA Juventus - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


Red Bul FEL - Campinas/SP. Foto: Fernando Martinez.


O árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araujo, os auxiliares William Rogério dos Santos Turola e Paulo de Souza Amaral, o quarto árbitro Kleber Canto dos Santos e os capitães Alex Alves (Juventus) e Carlinhos (Red Bull) posando de forma exclusiva para as lentes do JP. Foto: Fernando Martinez.

Graças ao trágico ano de 2009, o Juventus foi "premiado" com o rebaixamento para o terceiro escalão paulista, algo inédito na história do futebol profissional em São Paulo. E para completar o cenário de ineditismo, o adversário é uma das equipes mais novas em atividade. O time da fábrica de energéticos foi fundado apenas em novembro de 2007 e disputa sua terceira temporada profissional. A equipe foi a Campeã da Segundona em 2009 e vem forte em busca de uma vaga na A2 de 2011.

Juventus e Red Bull estrearam na Série A3 vencendo suas partidas no final de semana, contra Lemense e Comercial respectivamente, e entraram em campo em busca da manutenção dos 100% de aproveitamento. Para acompanhar o jogo, além do seu Natal, o David também se fez presente por lá. E figurinhas carimbadas também deram as caras, como o amigo Rodrigo Colucci e os inseparáveis Sérgio Manjuillo e Alfredo "Mancebo".

O jogo finalmente começou com os dois times se estudando bastante, e conforme o tempo foi passando o Red Bull passou a levar mais perigo nas suas investidas. O Juventus não conseguia tramar um bom ataque e a equipe visitante foi dona do jogo. O primeiro gol da equipe campineira quase veio aos 17 minutos numa tentativa de bicicleta que por muito pouco não deu certo.


Cruzamento dentro da área do Red Bull no começo de partida. Foto: Fernando Martinez.

Mas para tristeza da grande torcida que estava presente na Javari em plena quarta à tarde, o Red Bull chegou ao primeiro gol aos 30 minutos. Depois de cobrança de falta de Oliveira, o goleiro Gustavo deu rebote nos pés do jogador Cinézio, que tocou forte e deixou o time visitante na frente do marcador. O mesmo Cinézio teve uma oportunidade de ouro para fazer o segundo, recebendo ótimo passe e ficando cara-a-cara com o goleiro dentro da área. Mas ele tentou fazer graça e tocou meio sem jeito por cobertura, para fácil defesa de Gustavo.



O primeiro gol do Red Bull em dois momentos: a cobrança de falta de Oliveira e o chute de Cinézio aproveitando o rebote do goleiro Gustavo. Fotos: Fernando Martinez.

Os grenás tentaram o empate em dois fortes chutes de longe, aonde o goleiro Luiz Fernando fez belíssimas intervenções, e o jogo foi para o intervalo com a vantagem mínima do time da empresa de energéticos. Nesse intervalo, após a tradicional conversa na porta dos vestiários, decidi acompanhar um pouco do ataque juventino antes que a chuva chegasse.


Marcação forte do Red Bull em ataque juventino pela direita. Foto: Fernando Martinez.

Só que acompanhar o ataque do Juventus não foi uma boa idéia, pois o Red Bull continuou bem melhor no gramado. Aos 18 segundos do segundo tempo os visitantes perderam um gol feito em bom chute de Cinézio que encontrou a trave. O segundo gol veio aos 8 com o atacante Henan, fazendo miséria com a defesa do Moleque Travesso. O time da casa não conseguia ainda encaixar nenhum ataque e todas as tentativas eram neutralizadas pela defesa do Red Bull, comandada pelo veterano Carlinhos.


Ataque juventino agora pela esquerda, já com o tempo fechando na Javari. Foto: Fernando Martinez.

Por volta dos 20 minutos começou um dos momentos mais bizarros que passei num campo de futebol. O céu ficou preto e alguns grossos pingos d'água começaram a cair no bairro da Móoca. Ainda consegui sair do campo e me abrigar nas cabines de imprensa da Javari para logo em seguida o maior dilúvio que vi em toda a minha vida começar. A partida estava com 26 minutos dessa segunda etapa jogados, e acabou sendo paralisada por motivos óbvios.


Jogadores se dirigindo aos vestiários após a paralisação do jogo aos 26 minutos do segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

Acabou não adiantando nada estar nas tribunas da Javari, pois a tempestade vinha de todos os lados graças ao fortíssimo vento e muitos raios também assustavam os presentes. Todos os amigos citados conseguiram se abrigar por lá, mas a situação estava feia demais. Nunca tinha visto uma chuva assim, menos ainda em um campo de futebol. E esperando ela passar, alguns torcedores juventinos entraram no gramado e começaram um animadíssimo bate-bola mesmo com o dilúvio. Engraçadíssimo ver a torcida se espremendo nas numeradas e ainda assim torcendo em cada gol do pessoal.


O animado futebol disputado pelos torcedores juventinos enquanto o dilúvio caía na Javari. E ao lado o estado do gramado no pior momento da chuva. Fotos: Fernando Martinez.

O tempo foi passando sem que ninguém soubesse se o jogo iria prosseguir ou não. O mais doido disso tudo é que em nenhum momento a chuva diminuiu seu forte ritmo nem deu sinais que poderia parar em breve. Muitos até queriam ir embora achando que o jogo não continuaria, mas quem conseguia sair da parte coberta do estádio? A única coisa a se fazer naquele momento era esperar.

E cerca de 45 minutos depois, tivemos um sinal que o jogo poderia continuar quando a arbitragem da partida voltou ao gramado encharcado da Javari para ver as condições do campo. Por alguns minutos eles andaram por toda a extensão do gramado, e com uma conversa com o capitão do Red Bull resolveram continuar a partida. Não acho que o campo tinha condições, mas deve ter sido algo relacionado à dificuldade de se continuar a partida no dia seguinte.


Árbitro andando pelo molhado gramado da Javari junto com um dos seus auxiliares. Ao lado, os dois conversando com o capitão do Red Bull, foi aí que decidiram pelo reinício da partida. Fotos: Fernando Martinez.

Exatamente 59 minutos após o jogo ter sido interrompido, e ainda debaixo da forte chuva que não parava de cair, Juventus e Red Bull recomeçaram o jogo. E esses pouco mais de 20 minutos restantes foram altamente bizarros, muito em virtude da participação fora do comum do goleiro juventino Gustavo. Logo com 28 minutos desse segundo tempo, ele já se mandou ao ataque e ficou dentro da área campineira para tentar cabecear a pelota.


Na volta do jogo o Juventus foi muito mais time, mesmo com o gramado sem muitas condições. Foto: Fernando Martinez.

Mas o mais doido disso tudo é que quando as jogadas não saíam conforme o esperado, ele não voltava para sua área. Isso mesmo, ele deixou várias vezes o gol grená desguarnecido e ficava assistindo o lance do meio-campo. Dá para imaginar a doideira só por dizer que ele quase foi pego em impedimento após lançamento do Moleque Travesso dentro da área... algo que com certeza foi visto poucas vezes na história do futebol.


Lance de ataque juventino, com o goleiro Gustavo sendo o principal atacante (!) do time durante o final da segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

Além desses momentos surreais, o jogo também foi digno de partidas de polo aquático. Os jogadores não conseguiam permanecer em pé e as poças d'água foram campeãs nos desarmes. E o Juventus, que não tinha jogado nada no campo seco, acabou superando as dificuldades e passou o tempo todo dentro do campo de defesa do Red Bull. O time chutava de longe e também cruzava a bola na área em busca do seu gol. Gol que acabou vindo aos 41 minutos, numa cobrança de pênalti de Wesley.


Detalhe da cobrança de pênalti que originou o primeiro (e único) gol juventino na partida. Foto: Fernando Martinez.

Mas a equipe grená não conseguiu transformar esse domínio no gol de empate e o jogo acabou mesmo em Juventus 1-2 Red Bull. Jogo doido, dilúvio e muita confusão, mas o que fica é que os Atomic Grapes precisam melhorar o futebol caso queiram voltar à Série A2 em 2011. Já do lado do Red Bull fica a certeza que a equipe é forte candidata ao acesso, mesmo sendo estreante nesse torneio.

A chuva ainda não tinha parado quando o jogo acabou, e levamos muito tempo esperando ela parar de vez. Até o sol voltou a aparecer enquanto a chuva ainda caía. Após isso, levei cerca de quatro horas, num trajeto que normalmente faço em 40 minutos, para chegar em casa pois o metrô estava completamente parado por causa da chuva que caiu em toda a Zona Leste. Cansado e com muita fome, cheguei mais de 10 da noite em casa já pensando na rodada dupla feminina da quinta-feira.

Até lá!

Fernando

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