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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Bom jogo e triunfo do ECUS contra o Atlético Mogi

Texto e fotos: Fernando Martinez


Após os jogos do sub-15/sub-17 sábado cedo, saí correndo da Fazendinha pois o cronograma reservava uma partida legal do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Depois de oito anos, voltei a ver uma apresentação da ECUS, tal como a fênix, contra o Atlético Mogi em duelo válido pela abertura do returno do Grupo 5. O palco foi o ajeitado Estádio Francisco Marques Figueira, cancha que eu não visitava desde 2019.

A última participação do glorioso Esporte Clube União Suzano na Segundona tinha sido em 2015 e a despedida foi terrível, um 14x2 sofrido contra o Mauaense. Desde então, o que se escutava pelos lados de Suzano era que não tinham a menor chance de voltar a disputar um certame profissional. Foram tantos anos com essa certeza que, ao aparecerem na lista de participantes, muitos tomaram um susto.

O clube atuou por 18 temporadas seguidas entre 1998 e 2015, conquistando o título da Série B2 em 2002 e o acesso para a A3 em 2004 com o terceiro lugar na B1. A história na terceirona durou apenas um ano e foram rebaixados de cara. Tirando 2007, nunca mais fizeram uma campanha de destaque. O panorama ali mudou quando a prefeitura deixou de ajudar o time. Por tudo isso, o retorno é bem-vindo.


Quem não tem cão, caça com gato: o amigo Nilton no muro para tentar ver um pedaço da peleja. Pena que minutos depois da imagem ele acabou tomando um belo enquadro da PM

Do outro lado estava o Atlético Mogi, dono de um retrospecto absolutamente assombroso nos últimos quatro anos. Desde que derrotaram o Real Cubatense em 17 de junho de 2017, enfileiraram 42 jogos com dois empates e impressionantes 40 derrotas, 23 delas consecutivas. Em 2021 mantém a escrita e provavelmente não conquistarão nenhum ponto. Estão caminhando a passos largos para baterem o recorde de maior sequência sem vitórias do Corinthians de Casa Branca no começo dos anos 80 - 49 partidas - e de 34 derrotas seguidas do União Suzano entre 2000 e 2006.

Meu roteiro funcionou perfeitamente e cheguei no estádio super cedo. Fui de Uber até o Tatuapé, de trem até Suzano e então peguei outro Uber até o "Suzanão". Corridas curtas com valores baixos e nenhuma preocupação. Estava com saudade dali e logo fui até as cabines garantir um espaço para acompanhar a peleja. Minha última vez com o ECUS em casa tinha sido uma derrota por 4x0 contra a Matonense em 2013. Já um triunfo eu não via desde 2004 (!), um sofrido 1x0 em cima da Ferroviária pela B1 em tempos que o JP nem existia.


ECUS e Atlético Mogi antes do Hino Nacional Brasileiro



O ECUS posado com seu belo uniforme, um time que achei que nunca mais veria ao vivo e a foto oficial dos capitães com o quarteto de arbitragem

Por ser um confronto de agremiações mal colocadas na chave, a partida foi melhor do que eu esperava. O ECUS fez uma atuação segura e, por incrível que pareça, o Atlético Mogi também teve os seus momentos. Aos 19 minutos os locais quase abriram a contagem, mas a zaga salvou em cima da linha. Cinco minutos depois, por pouco o onze visitante não fez em chute que passou perto da trave. Aos 33 a bola foi lançada com precisão até Breno. Ele entrou na área, tocou na saída do goleiro e anotou.




Três lances do bom primeiro tempo entre ECUS e Atlético Mogi


Detalhe da genial horta que tem ao lado da arquibancada oposta no estádio de Suzano. Você nunca verá isso na Arena Corinthians ou no Allianz Parque


Detalhe do gol de Breno aos 34 minutos

Nem bem a segunda etapa tinha começado e o mesmo Breno ampliou a vantagem. O Atlético colocou as manguinhas de fora e, após criar grande chance aos 27 em lance que Deivão fez ótima defesa, diminuiu aos 33 com um golaço de Kaick em jogada individual. Os visitantes sonharam com o empate, porém foi o ECUS quem enfileirou rápidos contra-ataques. De tanto insistirem, fizeram o terceiro aos 42 com Gabriel, um dos bons nomes da tarde, e fecharam a fatura.




O segundo tempo foi tão bom quanto o primeiro, porém teve mais momentos de perigo dos dois lados


Detalhe do goleiro suzanense atuando como zagueiro no fim da partida


Gabriel Moysés, um dos bons nomes do ECUS, insistiu bastante mas só conseguiu marcar o seu aos 42 do tempo final

O ECUS 3-1 Atlético Mogi não ganharia prêmios na FIFA, mas foi uma diversão bem agradável para quem assistiu os 90 minutos. Como duvido que o escrete suzanense irá lutar pela classificação. O que vale de verdade é terminarem sua volta aos gramados da forma mais digna possível, e estão conseguindo. Já os atleticanos seguem sua via-crucis rumo aos recordes negativos da história do futebol paulista.

Foram quase doze horas na rua com três coberturas na sequência, então retornei à capital cansado e com aquele sempre maroto sentimento de dever cumprido. No dia seguinte peguei o caminho do Alto Tietê novamente pois tinha outro confronto Suzano vs. Mogi das Cruzes na pauta.

Até lá!

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Ficha Técnica: ECUS 3x1 Atlético Mogi

Local: Estádio Francisco Marques Figueira (Suzano); Árbitro: Daniel Carlos Fernandes; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Talisca, Gustavo, Matheus, Lucas Oliveira; Gols: Breno 34 do 1º, Breno 1, Kaick 33 e Gabriel Moysés 42 do 2º.
ECUS: Deivão; Patrick (Denis), Gustavo, Cauê e Breno; Negão (Gabriel Silva), Guga (Canhotinho), Talisca e Zetão (Matheus); Gabriel Moysés e Bulhões (Everton). Técnico: Jaques Carvalho.
Atlético Mogi: Gabriel Filipe; João (Kris), Vítor Macedo, Silas e Guilherme Silva; Gabriel Souza (Lucas Oliveira), Lucas Gardinalli (Kelvin), Guilherme Nascimento (Paulo) e Thiago; Vítor Silva (Vanderlei) e Kaick. Técnico: Anderson Silva.
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