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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Naviraiense surpreende na Copa do Brasil em noite de terror no Canindé

Opa,

No meio da semana os amantes do futebol "perdido" puderam se deleitar com três pelejas sensacionais na Grande São Paulo. Graças à Copa do Brasil, torneio que tem na sua primeira fase algo sempre muito esperado pelo pessoal do JP, vimos confrontos inéditos e insólitos. O primeiro rolou na terça-feira e colocou frente a frente as equipes da Portuguesa e do Naviraiense duelando no Estádio Osvaldo Teixeira Duarte.

Vindo de um empate sem gols no jogo de ida, aonde de forma absurda entrou em campo com um time reserva (!), a Lusa precisava vencer para garantir sua vaga na próxima vaga do certame. O time sul-matogrossense precisava de um empate com gols para se garantir e enfrentar o Paysandu na segunda fase.

Mas além de jogar contra os paulistanos, o Naviraiense jogava contra o fraquíssimo histórico de atuações dos times de seu estado na história do campeonato. Tirando a boa campanha do Comercial em 1994 (quando alcançou as quartas-de-final), o que se viu desde que o Operário foi eliminado na primeira fase de 1989 pelo Blumenau foi uma série de fracassos retumbantes.

Doze equipes do estado já participaram da competição. Elas estiveram presentes em 44 "mata-matas", e em apenas seis deles (!) a agremiação sul-matogrossense saiu-se vitoriosa. A última delas em 2009, quando o Misto de Três Lagoas eliminou o Campinense. Contra paulistas, foram oito duelos com sete derrotas (entre elas o famoso 10x0 do Santos contra o Naviraiense em 2010) e uma isolada classificação do CENE contra o União Barbarense em 2004.

Apesar de tudo isso, a esperança de uma histórica classificação contra uma equipe da primeira divisão nacional existia, pois a Portuguesa ainda estava juntando os cacos do massacre sofrido apenas três dias antes na Série A2 Paulista. O 7x0 sofrido para o Comercial, a quinta maior goleada recebida pelo rubro-verde na sua existência, deixou enormes sequelas pelos lados do Canindé. O técnico Péricles Chamusca foi mandado embora, e a torcida não estava disposta a dar trégua aos atletas.

Quando as equipes entraram em campo ficou claro que a sova de Ribeirão Preto ainda ecoava forte nas alamedas do clube, já que a Portuguesa fez uma apresentação simplesmente lamentável. O time não jogou nada, os jogadores estavam perdidos em campo e nada deu certo. Para piorar a situação local, o time de Naviraí fazia um jogo digno.


A Lusa fez um jogo pífio contra o Naviraiense, mostrando baixíssima qualidade ofensiva. Foto: Fernando Martinez.

O resultado desse ambiente surreal é que a peleja foi muito, mas muito fraca, com certeza um dos piores jogos que acompanhei até aqui no ano. O intervalo terminou sem a abertura do marcador e nada indicava que o placar pudesse ser alterado também no tempo final. Na arquibancada, os amigos Mílton, Paulo "Shrek", Sérgio e o ressurgido das cinzas Estevan já se preocupavam com a chance de disputa de pênaltis, fato que faria todo mundo perder o metrô (o jogo foi marcado para o nojento horário das 21h50).


Mais uma chegada infrutífera do time paulistano. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto batíamos aquele papo sempre genial, a peleja voltou a se arrastar no tempo final. A Portuguesa conseguia cometer uma das piores partidas dos últimos tempos, deixando seus torcedores fora de si. Assim como quem não quer nada, o Naviraiense viu que o bicho não era tão feio e passou a tentar a sorte no campo ofensivo.


O melhor lance do jogo: a torcida batendo uma bola nas arquibancadas com muito mais qualidade do que os jogadores da Portuguesa. Foto: Fernando Martinez.

Aos 26, para a felicidade da sua animada torcida que marcou presença no Canindé, Paulo Sérgio avançou pela esquerda e chutou rasteiro. O chute foi fraco, mas o goleiro Glédson demorou 74 minutos para cair e viu a bola morrer calmamente no fundo do gol. Se a situação já estava ruim, depois de estar atrás no placar tudo piorou de vez.


Bola alçada na área do time sul-matogrossense no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

O gol de empate marcado por Flecha Arraya aos 31 não foi capaz de aplacar a fúria da torcida lusitana. Jogando com o freio de mão puxado, a Lusa não foi capaz de virar o jogo e levar a vaga. No final, o placar de Portuguesa 1-1 Naviraiense marcou uma histórica classificação para o Jacaré do Cone Sul e também para o estado. Junto com as eliminações para o Icasa e para o Bangu, respectivamente em 2009 e 2011, essa precoce despedida rubro-verde fecha uma trilogia de fracassos surreais em apenas cinco anos de disputa.


Festa dos jogadores do Naviraiense com sua torcida pela histórica classificação no Canindé. Foto: Fernando Martinez.

A festa foi enorme entre os jogadores, comissão técnica e torcida do time visitante. Ainda nos vestiários, dirigentes renovaram o contrato de todos os atletas num justo reconhecimento pelo que aconteceu nos 180 minutos da primeira fase. E pensar que tem gente "entendida" do ramo infestando importantes veículos de comunicação e defendendo com unhas e dentes uma elitização do futebol tupiniquim, imaginando que somente as equipes "grandes" são importantes. Ridículo, para dizer o mínimo.

E enquanto a festa comia solta nos vestiários sul-matogrossenses, a coisa fora do estádio estava tensa. Torcedores protestaram com veemência e arranjaram confusão com o monte de policiais militares que faziam a segurança da peleja. Ficamos ali um bom tempo acompanhando o circo pegar fogo antes de voltarmos para casa.

A noite foi bem dormida, já que a quarta-feira prometia com uma sensacional rodada dupla no ABC também pela Copa do Brasil.

Até lá!

Fernando

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