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quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

A História pré-JP, volume 11: Magical Mystery Tour no Sul 2004 (parte 1 de 6)

Fala povo,

Como já disse o Emerson, finalmente conseguimos uma brecha na agenda para postar histórias inéditas do Clube dos Doentes. Histórias que ficamos devendo por todo o ano de 2005, devido ao absurdo número de jogos que estivemos presentes. Começo aqui com mais alguns posts da esquecida, porém fantástica, série CONTOS DO FUTEBOL. Volto ao ano de 2004, mais precisamente nos meses de maio e junho, quando fui ver alguns Jogos Perdidos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No total, seis jogos fantásticos e doze times novos na Lista e fotos históricas e exclusivas.

A primeira parte fala do primeiro jogo que vi na cidade de Porto Alegre, numa quarta-feira à tarde, mais precisamente no dia 12 de maio de 2004. Lembro que foi um dia chuvoso e propício para ficar em casa, ou melhor, ficar na casa do Eduardo, amigo que nos hospedou por lá. Mas como estava lá para ver jogos toscos, me preparei e fui de ônibus até o centro da cidade para pegar outro ônibus que ia, com inúmeras paradas, até o bairro do Lami Velho. Lá, sem ter a menor noção de aonde isso ficava, fui assistir o jogo entre Lami de Porto Alegre e Sapiranga, da cidade do mesmo nome.

Detalhe que esse ônibus demorou mais ou menos uma hora e meia para chegar até esse local, ermo e perdido na periferia de PoA. Conforme o tempo passava, mais desesperado eu ficava, já que a hora do jogo ia chegando. Quando o cobrador avisou que eu tinha que descer no meio do nada, aí eu fiquei totalmente desesperado, pois o lugar era bem do naipe de "esquecido do mundo".


Uma infindável estrada que me levou ao grande "estádio" (!) do Lami. O melhor foi na volta, quando tive que correr por esse trecho para não perder o último ônibus para o centro de Porto Alegre. Foto: Fernando Martinez.

Como dá para perceber na foto acima, tive que andar toda a sequência dessa estrada para chegar no estádio do Lami. Isso depois de errar o caminho umas três vezes, já que ninguém perto dali sabia do que eu estava falando. Quando achei o local, me deparei com uma das fachadas mais legais que já vi em algum estádio na vida.


Entrada do Lami Park, que fica do lado do Estádio do Lami e faz parte do grande "complexo esportivo" do local. Foto: Fernando Martinez.

Isso mesmo, o local é um grande parque, mas no entando parecia bem abandonado, já que entrei lá para tentar achar a entrada do campo do Lami e não achei ninguém para me passar alguma informação. Só depois de andar muito lá dentro, ouvi alguns gritos e barulho de apito e descobri que teria que dar mais uma volta por lá até entrar definitivamente no Estádio.

Como o estado do Rio Grande do Sul parece possuir leis próprias e não saber o que rola no resto do Brasil, lá eles não vendiam meia-entrada na bilheteria e nem deixavam a gente com o recibo do ingresso, totalmente fora do Estatuto do Torcedor. Por estar longe de casa, nem me preocupei em brigar por isso, mas que foi chato, isso foi sim.


Mesmo de longe, graças à minha antiga máquina fotográfica com filme, esse é o detalhe de um escanteio para o Lami na segunda etapa da partida. Foto: Fernando Martinez.

E qual foi a minha surpresa quando eu entrei no estádio e vi as dependências do local? Lógico que achando o máximo tudo aquilo, constatei que o Campo do Vigor, que fica do lado da minha casa (para quem conhece e é de SP, ele fica na Marginal Tietê, do lado da ponte da Vila Guilherme), tinha mais estrutura. A arquibancada era minúscula, o alambrado podia ser puxado até nossos pés e o banco de reservas era um banco de praça. Posso dizer que mais legal do que isso impossível, foi o limite máximo que já vi em algum estádio por aí. E foi um sonho ver um jogo desse naipe.

Ah, e vale registrar que o que vale mesmo é que o time estava jogando um torneio profissional, no caso a Segundona Gaúcha, coisa que muitos times com estrutura melhor não tem a capacidade de fazer. Bom, sobre o jogo, cheguei com ele já começado e já mostrava um a zero para o time do Sapiranga. Com o time do interior jogando beeem melhor, não demorou muito para que eles chegassem a uma vantagem de quatro a zero e que o jogo fosse dessa forma para o intervalo.


Escanteio no segundo tempo do jogo. Essa foto foi tirada do ponto mais alto da arquibancada do Lami. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo o Lami foi para o tudo-ou-nada e depois de muita pressão, ainda marcou dois gols, diminuindo a vantagem do Sapiranga. Mas juro que estava meio desnorteado, já que dificilmente teria a chance de ver alguma partida lá outra vez. Isso que faz a diferença do povo aqui do JOGOS PERDIDOS, justamente o prazer por estar num lugar totalmente "inexplorado" e inédito. Um dia ainda espero voltar lá, e quem sabe com mais algum membro do Clube.


Detalhe da parte esquerda do estádio. Notem a grade na parte de baixo da foto, que eu poderia facilmente ter dobrado. Notem também o banco de reservas do time do Sapiranga no meio da foto. Melhor impossível. Foto: Fernando Martinez.

No final, a partida ficou mesmo Lami 2-4 Sapiranga e a alegria de ter visto algo totalmente incomum, e ainda por cima ter ganhado dois trunfos. Trunfos esses que dificilmente serão batidos por alguém do Clube, a não ser que alguém faça a mesma insanidade que eu fiz.

Depois ainda tive que correr por toda aquela estrada da primeira foto, para não perder o último ônibus com destino ao centro de Porto Alegre. Na hora que cheguei no ponto ele passou... só imagino o que teria acontecido se eu o tivesse perdido. Chegando no centro, depois de muuuuuuito tempo, ainda arranjei forças para ir matar o Estádio Olímpico, e ver a partida entre Grêmio e Flamengo, pela Copa do Brasil.

Acabamos ficando na arquibancada e presenciamos cenas incríveis: venda de whisky para todos direto da garrafa de vidro, quebra-pau entre gremistas e muita insanidade dos "argentinos" do Grêmio... mas valeu demais. No final, Grêmio 0-1 Flamengo/RJ, e o Fla ainda chegaria na final contra o Santo André, e perderia o título.


Detalhe do jogo entre Grêmio e Flamengo, no Estádio Olímpico, valendo pela Copa do Brasil de 2004. Foto: Fernando Martinez.

Depois foi só voltar para a casa do nosso amigo e recuperar as forças para a epopéia do sábado seguinte, que aparecerá na Parte 2. Fiquem ligados!

Fernando

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