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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

São Paulo empata e está nas quartas da Copa de Seleções sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Para fechar e coroar minha presença na disputa do Grupo 1 da Copa de Seleções Estaduais sub-20, fui pela terceira vez em cinco dias até o Estádio Laudo Natel em Cotia ver a decisão da chave entre a seleção maranhense e a seleção paulista. Os donos da casa jogavam pelo empate, enquanto os nordestinos precisavam vencer.

O caminho de ida, só pra variar, foi de boa e cheguei no CT do São Paulo super cedo, antes mesmo dos times se aquecerem. Quando os paulistas foram a campo, notei que a meia deles era amarela. Achei estranho, já que a seleção nunca teve nenhum detalhe dessa cor na sua história. "Talvez seja algum tipo de uniforme de treino e eles troquem na hora do jogo", pensei.

É, eu estava enganado. Na hora em que vi o pessoal indo em definitivo pro gramado fiquei chocado. Uma horrenda camisa amarela, calção preto e a já vista meia amarela. Uma combinação que nada tem a ver com a bandeira do estado e que (provavelmente) nunca foi utilizada na história. Milton Haddad, do alto de seus 60 aninhos de futebol, quase foi embora do Laudo Natel, ofendido com tal afronta.

Podem me chamar de purista, o que for, mas já que é pra jogar, que façam direito. Uma seleção que carrega tanta história não pode jogar com uma combinação de cores que não tem nada a ver com a realidade. Como o estrago já estava feito, não me restava outra opção a não ser desencanar disso e curtir os 90 minutos.


Seleção Maranhão (sub-20)


Seleção São Paulo (sub-20) com a horrível combinação de cores do uniforme


Capitães das seleções e quarteto de arbitragem paulista composto pelo árbitro Márcio Henrique de Gois, assistentes Fabrício Porfírio de Moura e Marcela de Almeida Silva e a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro

Como disse lá no alto, Maranhão precisava derrotar os paulistas para figurarem entre os oito melhores da competição. Apesar do favoritismo natural, São Paulo teve enormes dificuldades de se impor e foi superior apenas em alguns momentos da partida. Vimos certo equilíbrio e poucas emoções de fato.

Os locais tiveram mais posse de bola e chegaram perto da meta maranhense algumas vezes. Aos 21 minutos São Paulo ficou com um atleta a menos com a expulsão do camisa 8. Quando pensamos que Maranhão poderia surpreender, foi a vez deles ficarem com dez em campo aos 33 minutos. No lance seguinte, a melhor oportunidade do tempo inicial em cobrança de falta local e boa defesa do goleiro Taboca.

O primeiro tempo terminou com o 0x0 no placar e no segundo o panorama não foi muito diferente. Maranhão sabia que precisava se acertar no ataque e São Paulo não estava numa tarde muito inspirada. A peleja foi seguindo assim e somente melhorou nos minutos finais.

Os locais tiveram uma bola na trave num belo chute pela esquerda e, vendo a vaga ir embora, os maranhenses partiram com tudo no crepúsculo do jogo. Aos 43 o goleiro da casa mandou um golpe de vista horroroso e viu a bola bater na trave num chute de fora da área. Nos acréscimos, os visitantes tiveram uma oportunidade absurda num lance onde a pelota ficou dançando na pequena área e ninguém apareceu para completar.


Detalhe da pelota se escondendo do camisa 9 bandeirante




São Paulo atacou mais, quase sempre pelo lado esquerdo do campo, como dá para se perceber nessas imagens


Grande chance local em cobrança de falta no tempo final


Dupla marcação maranhense dando resultado

O resultado final de Maranhão 0-0 São Paulo classificou a seleção paulista, no sufoco, pra segunda fase. O adversário do onze bandeirante será a seleção goiana em confronto que acontece no próximo final de semana. Mesmo desclassificada, a seleção maranhense mostrou bastante qualidade e merece os parabéns pelas duas apresentações.

Foi isso. Se o cronograma, as finanças e o ânimo permitirem a ideia é se fazer presente para ver Goiás, o time 666, entrar na Lista. Bora fazer aquela velha corrente pra frente...

Até a próxima!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Palmeiras Campeão Paulista do sub-20 da 1ª Divisão 2017

Texto e fotos: Fernando Martinez


No sábado passado, no segundo e último post da série "eu mereço um troféu", fui ao Estádio Paulo Machado de Carvalho para a grande decisão do Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão. De um lado, o favorito Palmeiras e do outro a zebra Ponte Preta. Três dias depois de ver o alviverde ganhar a Copa do Brasil sub-17 em cima do Corinthians no mesmo local, tive nova chance de ver de perto a torcida palestrina gritar "é campeão". É, tudo pelo social.

Os verdes chegaram à final ostentando uma invejável série de 15 pelejas sem perder (a última derrota foi em 12 de agosto, 1x0 contra o time de Parque São Jorge). O empate no confronto de ida credenciou a equipe a atuar por uma nova igualdade para conquistar o quinto título desde a reorganização de 1980 (Em tempo, a equipe levou o caneco em 1992, 1998, 2002 e 2009). Vale lembrar que muitos cometem um erro absurdo de considerarem o título de 2004, mas o campeão daquela temporada foi o Palmeiras B.

Achei que por ser num sábado à tarde, a coletividade verde compareceria em peso no velho Pacaembu para empurrar a molecada. Ledo engano. Pouco mais de 8 mil pagantes - que não é uma presença ruim, porém poderia ser muito melhor - marcaram presença na partida que teve início às 16h30. Aí vale registrar uma das maiores comidas de bola que dei em toda a minha carreira no Jogos Perdidos.

Cheguei no estádio às 15h30, com tempo de sobra para o apito inicial. Fui ao gramado, captei algumas imagens do local ainda vazio, das placas de publicidade e tudo mais. Aí voltei para o túnel de imprensa. Ali fiquei trocando ideia com os fiscais, com os seguranças, só na boa. Passado um bom tempo, voltei pro gramado pensando que faltava meia hora ainda. Porém, para a minha surpresa, quando pisei no relvado vi o árbitro apitando pela primeira vez e os times iniciando o cotejo. O animal aqui se confundiu com o horário e achou que o início seria às 17h00, o que me fez perder as fotos oficiais. Tudo bem que a cabeça está bem bagunçada por conta da minha dura realidade, mas um vacilo assim é imperdoável.

Ainda entorpecido pela burrada resolvi por motivos óbvios acompanhar o ataque do escrete local. Confirmando a expectativa, o primeiro tempo foi de um domínio assombroso do Palmeiras. O goleiro Ivan foi responsável por pelo menos seis ótimas defesas, mas ele não impediu o gol de José Aldo, de pênalti, aos 36 minutos. A Ponte não conseguia passar do meio de campo e o título estava cada vez mais longe.


Finalização palmeirense que tirou tinta da trave da Ponte Preta


Disputa de bola dentro da área campineira



O pênalti muito bem batido por José Aldo e a comemoração dos atletas alviverdes

Aos três do tempo final a Macaca teve o seu camisa 3 Handerson expulso, porém até que ficou mais tempo com a pelota nos pés e tentando pelo menos empatar o jogo a partir de então. O arqueiro palestrino Daniel Fuzato trabalhou de forma segura e impediu a igualdade. Nos contra-ataques os locais chegaram perto do segundo com finalizações de Yan e Fernando, só que o placar não foi mais alterado... mas nem precisou.

O resultado de Palmeiras 1-0 Ponte Preta deu o quinto título do estadual sub-20 ao time de Parque Antarctica desde 1980 numa conquista mais do que merecida. Independente do vice, a Macaca também merece os parabéns por ter chegado na decisão, algo que não acontecia há bastante tempo (mais precisamente desde o bi de 1982/1983). Da minha parte, ao ver toda a festa alviverde ao meu redor, fica a certeza de que eu também merecia uma medalha pelo que passei nas duas últimas coberturas.


Momento em que Handerson, camisa 3 da Ponte, foi expulso de campo


Defensor ponte-pretano cortando cruzamento dentro da área


Marcador da Macaca correndo atrás de atleta do Palmeiras


Zagueiro campineiro tirando a pelota de perto da sua área


Atletas da Ponte Preta recebendo o troféu pelo vice-campeonato


Festa dos jogadores palestrinos com a quinta conquista do clube no sub-20 desde 1980

No domingo voltei à ativa com a Copa de Seleções Estaduais com a decisão da vaga do Grupo 1 no CT de Cotia. Depois de duas rodadas, São Paulo e Maranhão voltaram a campo para definir a seleção que estaria classificada para as quartas-de-final. Não dava pra ficar de fora, né?

Até lá!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Empate emocionante entre Sergipe e Maranhão no sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


A segunda rodada da segunda fase da Copa de Seleções Estaduais sub-20 foi responsável por um dos jogos mais perdidos da década. Nem se estivesse num lindo sonho delirante me imaginaria acompanhando in loco um duelo entre a seleção sergipana e a seleção maranhense no Estádio Laudo Natel em Cotia. Como isso se tornou realidade não tinha como ficar de fora.

Depois de ser derrotado pelos paulistas, Sergipe precisava de uma vitória para manter vivo o sonho da classificação. Já o Maranhão fazia sua estreia e queria vencer e definir a vaga do Grupo 1 contra os donos da casa no domingo. Os dois selecionados foram a campo com uma disposição sensacional e fizeram a melhor partida em que estive presente em 2017.


Seleção Sergipe (sub-20)


Seleção Maranhão (sub-20)


Os capitães dos times junto com o trio de arbitragem paulista composto pelo árbitro Rodrigo Gomes Domingues e pelas assistentes Renata Ruel de Brito e Leandra Aires Cossette

A peleja começou equilibrada porém aos poucos os maranhenses foram se soltando e chegando mais perto do gol sergipano. Quando já eram melhores, o time verde e amarelo abriu o marcador. Decorridos 23 minutos, o camisa 2 Marcelinho cobrou pênalti com classe e fez o primeiro de Sergipe. Maranhão não desanimou e aos 31 deixou tudo igual com um belo gol de André Luís, camisa 9.

Nem deu tempo dos maranhenses comemorarem, pois a seleção sergipana passou novamente à frente do placar com o gol de Victor aproveitando passe de cabeça de Renato. O relógio marcava 36 minutos de uma ótima partida. Foi com o placar parcial de 2x1 a favor de Sergipe que o primeiro tempo terminou.

Subi até as cabines ainda em construção do Laudo Natel para captar algumas imagens de um novo ângulo no segundo tempo. O jogo recomeçou de forma ainda mais intensa e logo no primeiro lance Sergipe perdeu um dos seus zagueiros, expulso por ter tomado o segundo cartão amarelo. Foi o que bastou para Maranhão ocupar o campo de defesa adversário durante maior parte dos 45 minutos finais.


Wesley, camisa 6 do Maranhão, enfrentando a marcação sergipana


Início de ataque da seleção sergipana


Marcelinho abrindo o placar no Laudo Natel


Jogada de ataque verde e amarelo pela direita

Só que teve um problema: a seleção maranhense deixou um espaço monstro na sua defesa, e isso fez com que os sergipanos criassem boas oportunidades nos contra-ataques. Foi assim que o tempo final seguiu: grandes oportunidades dos dois lados num ritmo absolutamente genial. Mesmo com dez em campo, Sergipe conseguiu suportar a pressão.

Aos 40 minutos não teve jeito. De tanto insistir, Maranhão fez o segundo gol numa cobrança de falta pela esquerda. Com um a mais, imaginei que esse seria o estímulo máximo pro time tentar a virada e também pensei que Sergipe sentiria o gol. Isso não aconteceu, e aos 43 o onze verde e amarelo fez o terceiro gol com Netinho.

Maranhão também não sentiu o golpe e deixou tudo igual novamente aos 45 com um gol de cabeça de Yanin, se aproveitando de rebote de bola na trave. Nos acréscimos os dois times ainda foram capazes de criar mais chances (agora com as duas seleções com dez em campo depois da expulsão de um atleta maranhense). Apesar dos esforços, o marcador não foi mais alterado.


A Seleção do Sergipe se defendeu muito bem no tempo final e deu trabalho pro ataque maranhense


Bola levantada na área de Sergipe


Yanin aparece livre na pequena área e perde chance preciosa para Maranhão. O goleiro Ismael voou bonito no lance


Detalhe do terceiro gol sergipano, marcado por Netinho aos 43 do segundo tempo

O resultado final de Sergipe 3-3 Maranhão deixou uma ótima impressão aos poucos presentes no CT do São Paulo. Os sergipanos foram eliminados com o empate e os maranhenses agora dependiam de um triunfo contra a seleção paulista no domingo para figurarem entre os oito melhores da competição. Será que era possível uma zebra passear por Cotia?

Até lá!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Palmeiras campeão da Copa do Brasil sub-17 2017

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de quinta-feira teve final da pauta livre do Jogos Perdidos. Fui até o Estádio Paulo Machado de Carvalho acompanhar o dérbi decisivo entre Corinthians e Palmeiras valendo o caneco da Copa do Brasil sub-17. Para os mosqueteiros, a chance do bi, para o alviverde, a oportunidade de uma conquista inédita.

No jogo de ida, realizado no dia 22 na Arena Corinthians, o verde venceu pela contagem mínima. Logo, um empate no Pacaembu garantiria o caneco. O Corinthians precisava vencer por dois gols de diferença e caso repetisse o placar a decisão seria na marca de cal. Um bom público composto só de palmeirenses foi à velha cancha para acompanhar as emoções do dérbi. Da minha parte, posso dizer que foi a primeira parte da série "eu mereço um troféu", mas falaremos disso mais tarde.


Sociedade Esportiva Palmeiras (sub-17) - São Paulo/SP


Sport Club Corinthians Paulista (sub-17) - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o quarteto de arbitragem designado para a decisão. Em campo, o árbitro Rodrigo Guarizo do Amaral, os assistentes Fabricio Porfirio de Moura e Vitor Carmona Metestaine e o quarto árbitro Rodrigo Gomes Domingues

No primeiro tempo o Palmeiras foi melhor e não deixou o Corinthians jogar. Alanzinho, camisa 10 local, foi o responsável pelas melhores jogadas, porém pouco de ofensivo aconteceu. Os dois goleiros pouco trabalharam e o intervalo chegou com o marcador em branco. A única chance de verdade foi alvinegra, aos 28 minutos, quando um dos atacantes conseguiu a proeza de chutar pela linha de fundo com o gol aberto.

Já no tempo final, aí sim tivemos jogo de verdade. O Corinthians sabia que precisava se animar e voltou mais disposto, muito mais inspirado. O setor ofensivo ficou em cima da zaga palmeirense e aos 25 minutos o camisa 20 Rafael Mascarenhas, que tinha entrado segundos antes, aproveitou cruzamento rasteiro da esquerda de Vitinho e igualou a decisão. O Palmeiras sentiu, se defendeu ainda mais e o os corintianos quase fizeram o gol que daria o título no tempo normal.


Disputa de bola dentro da área palmeirense


Ataque mosqueteiro pela esquerda


Chute de longe a favor do Corinthians



Início da jogada do gol alvinegro no Pacaembu e a comemoração de Rafael Mascarenhas


Camisa 25 do Timão dando um carrinho maroto em atleta alviverde

Aos 46, o técnico palestrino tirou o goleiro Marcão e colocou em seu lugar Lucas Bergantin, terceiro reserva e especialistas em penais. Ele acabou se tornando o grande heroi da tarde. Ronald iniciou a disputa de pênaltis a favor dos visitantes e o arqueiro verde defendeu. Alan fez 1x0 para o Palmeiras, Vitinho empatou, Patrick fez 2x1, Mascarenhas marcou 2x2, Luan 3x2 e Lucas defendeu a segunda cobrança, agora de Piracicaba. Anibal perdeu a chance do caneco na sequência com o corintiano Matos fazendo boa defesa, Giovanny empatou em 3x3 e Esteves, no derradeiro chute, fez o quarto do alviverde e impediu o sonho do bi corintiano.


O pênalti que Lucas defendeu do jogador Piracicaba, do Corinthians


Esteves fez o quarto gol e deu o título ao Palmeiras


Festa palestrina pela inédita conquista da Copa do Brasil sub-17

O placar final de Palmeiras 0 (4) - 1 (3) Corinthians marcou a inédita conquista para a equipe da Zona Oeste. A campanha teve um total de nove jogos, com sete vitórias, um empate e apenas o revés na final. Não foi fácil estar em meio à coletividade alviverde na festa do título, só que como aqui é tudo pelo social, respiramos fundo e vamos em frente. De qualquer forma, eu também merecia um troféu pelo contexto da coisa. Mal sabia que dois dias depois passaria por isso novamente...

Foi isso. No dia seguinte voltei com a cobertura na Copa de Seleções Estaduais sub-20 com direito e um jogo insólito, genial e absolutamente perdido no CT de Cotia e com mais um time novo na Lista.

Até lá!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

JP na gloriosa volta das seleções estaduais (pelo menos no sub-20)

Texto e fotos: Fernando Martinez


Olha só... e não é que o Jogos Perdidos ainda existe? Não iria aparecer mais por aqui a curto/médio prazo, mas a CBF resolveu organizar um campeonato genial, talvez o mais legal dos últimos tempos, e meu retorno se fez obrigatório. Não dava para a Copa de Seleções Estaduais sub-20 acontecer e não aparecer aqui no blog.

Em 2015 a entidade reuniu as seleções de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina num quadrangular (com dias e horários péssimos) nas cidades de Itu e São José dos Campos. A seleção paulista foi campeã, e para 2016 foi prometida uma versão recheada com as demais seleções estaduais. Como chegou o final de 2016 e ficamos de mãos abanando, achei que a competição estava sepultada.

Pra nossa alegria, no final de outubro apareceu no site da CBF a tabela da edição 2017 da Copa com a presença de 26 seleções (só o Distrito Federal ficou de fora). As quatro dos estados com o pior ranking jogaram a primeira fase e duas se classificaram, se juntando às 22 melhores. Os 24 times foram divididos em oito chaves com três agremiações cada e o campeão de cada grupo se garante nas quartas-de-final.

O mais legal disso tudo é que cada grupo tem sede no estado melhor ranqueado. Isso significa que São Paulo joga até a decisão (isso se se classificar, lógico) em casa. Pode não ser o mais justo, mas é o mais funcional, sem sombra de dúvida. A seleção paulista caiu no Grupo 1 junto com a seleção sergipana e a seleção maranhense.

Agora, vale registrar que poucos veículos de imprensa falaram sobre esse sensacional torneio, e os que falaram citaram de forma errada a origem da competição. A Copa de Seleções Estaduais sub-20 não tem nada a ver com o antigo Campeonato Brasileiro de Seleções, já que essa era uma disputa entre profissionais. A origem real está no Campeonato Brasileiro de Seleções Juvenis (depois Juniores), realizado de 1978 até 1984. Poucos sabem da existência desse certame que foi muito importante na época.

Enfim, voltando aos tempos atuais, demorou até sabermos qual estádio paulista sediaria a chave. Quando finalmente a CBF divulgou, bateu uma certa tristeza. O Estádio Laudo Natel, o CT de base do São Paulo em Cotia, foi o escolhido. Até então, ali era um local "inacessível" e pensei que minha presença estava comprometida.

Como ninguém demonstrou interesse em me fazer companhia nas duas primeiras rodadas fui atrás de uma forma barata para ir lá de transporte público. Descobri que há um ônibus intermunicipal próximo ao metrô Faria Lima que segue direto até o Terminal Metropolitano de Cotia, e que dali o CT está relativamente próximo. Infelizmente o caminho, que nem é tão longo, é impossível de se percorrer a pé, a não ser que a gente pense em ser atropelado numa estrada sem acostamento e sem nenhuma sinalização. Resta ir de táxi mesmo.

Eis que chegou o dia da primeira rodada e do genial confronto entre a seleção paulista e a seleção sergipana. O ônibus não demorou e o caminho entre o ponto inicial e o ponto final foi percorrido exatamente em uma hora e dez minutos. Depois desse tempo são mais seis ou sete minutos de táxi e voilá, faltando uma hora pro apito inicial já me encontrava no belíssimo CT tricolor. Não foi fácil conseguir a liberação para permanecer no gramado, porém no fim deu tudo certo.


Seleção Paulista (sub-20)


Seleção Sergipana (sub-20)


Quarteto de arbitragem paulista com o árbitro Leonardo Ferreira Lima, as assistentes Fabrini Bevilaqua Costa e Patricia Carla de Oliveira e a quarta árbitra Katiucia da Mota Lima

Tinha visto a gloriosa seleção paulista apenas uma vez in loco, só que num jogo de veteranos e sem o uniforme oficial. Mesmo com algumas falhas - a meia clássica é vermelha e há listras também nas mangas - foi genial finalmente ver o belo uniforme em campo. Destaque também para a bela camisa dos sergipanos.

Acho que era natural pensar que os paulistas eram favoritos ao triunfo, então fui acompanhar o ataque local durante os 90 minutos. Os visitantes, contando com mais da metade dos atletas do CS Sergipe, não mostraram um futebol vistoso, mas pelo menos se seguraram bem na defesa. Não foi fácil pro selecionado bandeirante furar o bloqueio defensivo.

Nos primeiros 20 minutos o goleiro Ismael foi bem quando acionado e evitou o gol paulista com duas grandes defesas. Somente aos 31 minutos o time da casa chegou ao seu gol. Rodrigo Farofa, atacante do Novorizontino, recebeu bom passe em profundidade, entrou na área e tocou na saída do camisa 1.


Lance de ataque paulista na intermediária sergipana


Chegada de São Paulo pelo alto


Bom ataque local pela direita em chute que levou perigo à meta do goleiro Ismael


Rodrigo Farofa se prepara para chutar e abrir o marcador no Laudo Natel

Já no segundo tempo o Sergipe voltou mais disposto, mais arrumado e botou as manguinhas de fora. Os nordestinos equilibraram as ações e passaram a incomodar o setor defensivo do onze local. São Paulo mostrou bastante falta de entrosamento, algo natural com tão pouco tempo de preparação, e muitos erros de passes.

Foi Ismael, o goleiro que tinha salvado a pátria verde e amarela no primeiro tempo, quem deu uma forcinha aos paulistas. Aos 25 minutos a bola foi cruzada da esquerda e ele saiu errado do gol. Marlon Ribas, atleta do Desportivo Brasil, se aproveitou e tocou de cabeça, ampliando a vantagem local.

Esse segundo tento matou qualquer chance de sucesso visitante e nos minutos restantes a seleção paulista perdeu um rol de oportunidades de todos os tipos e cores, a maior parte delas com o autor do segundo gol. Por sorte, quando o árbitro encerrou a peleja elas não fizeram falta.



Início do ataque que originou o segundo gol paulista e a cabeçada de Marlon Ribas que deu números finais à partida


Marlon Ribas, ele de novo, com a chance do terceiro gol local

O placar final de São Paulo 2-0 Sergipe colocou a seleção bandeirante na liderança do Grupo 1 com três pontos ganhos e obrigou a seleção sergipana a vencer o jogo de sexta-feira, contra a seleção maranhense, para se manter viva no certame. Aliás, como não poderia ser diferente o duelo nordestino foi o ponto alto da primeira fase dessa chave.

Fiz o caminho de volta para a capital paulista no mesmo esquema táxi-ônibus ainda mais rápido do que a ida. Definitivamente a história de que "o CT de Cotia é difícil de chegar" virou coisa do passado.

Até a próxima!