Procure no nosso arquivo

terça-feira, 27 de maio de 2025

Floresta profissional na Lista e jogo horroroso para fechar a Caravana

Texto e fotos: Fernando Martinez


A segunda Caravana da Coragem de 2025 terminou não muito longe de casa, com o Campeonato Brasileiro da Série C na pauta do JP. Depois de quase três anos, voltei ao Estádio Novelli Júnior para um jogo do Ituano. O Galo rubro-negro recebeu o Floresta, um dos meus alvos no torneio, pela sexta rodada da primeira fase.

O trajeto entre Ribeirão Preto, palco da rodada matutina pelos Paulistas Sub-13 e Sub-14, e Itu tinha exatos 271 quilômetros. Restavam três horas para chegar, e sei de muitos que não conseguiriam entrar no estádio antes do apito inicial. Mas o amigo Caio ignorou qualquer dificuldade e percorremos tudo em absurdas duas horas (!). Deu tempo até de bater aquela xepa antes de entrar no Majestoso da Vila Nova.


A bela fachada do Estádio Novelli Júnior, em Itu

Quando a Série C começou, tracei como meta “tirar o J” de três clubes e colocar outro na Lista. O Floresta eu tinha visto apenas uma vez, na Copinha de 2017, quando perdeu por 5 a 1 para o Rio Branco/AC na Arena Barueri. Não esperava, mas foi ótimo já ter liberado o onze cearense. Agora faltam Itabaiana, Retrô e, se tudo der certo, matar o Anápolis no fim de junho.


O Ituano não se dignou a posar. Não mereciam, mas coloco a foto do time perfilado só por causa da bela camisa


Floresta Esporte Clube - Fortaleza/CE


Capitães dos times junto com o trio alagoano José Jaini Bispo, Fernanda Felix da Silva e Aldrin Freire Matias e o quarto árbitro paulista Leonardo Delfino Lima

O Ituano chegou a esta partida na sétima posição, com 10 pontos, enquanto o Floresta, com oito, aparecia em 11º. Dois detalhes chamaram a atenção antes do apito inicial: a simpatia do goleiro Jefferson Paulino comigo. Eu acompanhei o início da carreira dele no São Bernardo em 2011, quando foi campeão da Segunda Divisão do Paulista sub-20, e depois no profissional. Legal vê-lo novamente. De ruim, o registro que os donos da casa simplesmente não posaram para a foto oficial, situação que sempre incomoda.

Minha expectativa era boa até, porém, quando a bola rolou… o horror! A viagem vinha com uma boa média de gols e tudo desandou na despedida. O jogo foi muito ruim, tenebroso mesmo. No primeiro tempo permaneci no gramado acompanhando o ataque cearense, e nada aconteceu. Me manter acordado nos 45 iniciais foi uma vitória pessoal.

Com tamanha ruindade, desisti de ficar em campo e subi para ver o segundo tempo com Bruno e Victor, debaixo do placar. Munido de uma bela raspadinha de groselha, um clássico das idas ao Novelli, vi o cenário permanecer o mesmo: nada aconteceu. Zero. Niente. O ponto alto foi saborear a raspadinha e bater papo com os amigos.









Detalhes de Ituano x Floresta em Itu


O 0 a 0 foi a nota da peleja, certamente uma das piores de 2025 até aqui

O 0 a 0 era inevitável e foi, de longe, um dos piores jogos de 2025 até agora. O assustador Oeste 0-0 Rio Claro, pela A2 em fevereiro, ainda detém o título de pior partida da temporada. O Ituano chegou a 11 pontos e subiu para sexto lugar. O Floresta caiu uma posição e agora é 12º, com nove.

A segunda Caravana da Coragem fechou com nove jogos, 27 gols, um time novo, cinco estádios e três cidades adicionadas à Lista. Uma viagem sensacional que terminou com uma volta para a capital por uma estrada vicinal bizarra, nos levando a dar uma volta monstra pela zona rural de Itu e região. Quando o amigo Caio nos deixou na Estação São Paulo-Morumbi da Linha Amarela, a certeza era que tudo valeu demais a pena novamente.

Na terça, voltei à programação normal, com decisão pela Paulista Cup e mais um time novo na Lista.

Até lá!

Ficha Técnica: Ituano 0-0 Floresta

Local: Estádio Novelli Júnior (Itu); Árbitro: José Jaini Bispo/AL; Público: 933 pagantes; Renda: R$ 11.050,00; Cartões amarelos: Matheus Mancini, Léo Passos, Thiaguinho, Ícaro, Thomas Kayck e Diogo Mourão.
Ituano: Jefferson Paulino; Thassio, Luiz Gustavo, Matheus Mancini e Dal Pian; Bruno Silva, Walterson (Osman), Thiago Moraes (Grigor) e Léo Passos (Gabriel Razera); Vinícius Popó (Fernando Canesin) e Gustavo Silva (Neto Berola). Técnico: Mazola Júnior.
Floresta: Dalton; Mateus Ludke, Ícaro, Vitão e Furlan (Diego Matos); Thomas Kayck, Pablo, Guilherme (Diogo Mourão) e Ruan (Marco Antônio); Thiaguinho (Martineli) e Jeam (Rubens). Técnico: Leaston Júnior.

I9 vence os dois jogos contra o Barretos pelo sub-13/sub-14 no seu CT

Texto e fotos: Fernando Martinez


A Caravana da Coragem já acumulava seis jogos em dois dias e, no domingo, encerramos a programação com mais três partidas. O plano original previa apenas uma peleja, mas acabou virando uma maratona tripla. A rodada da manhã e do início da tarde não foi das mais empolgantes, porém serviu para colocar o CT do I9 na Lista, com os duelos entre I9 e Barretos pelos Campeonatos Paulistas sub-13 e sub-14.

O CT do I9 ocupa o espaço do antigo centro de treinamento do Olé Brasil, time de Ribeirão Preto de vida curtíssima, que disputou apenas quatro edições do profissionalismo, de 2009 a 2011 e 2015. Após sua extinção, tudo ficou parado até que o novo clube da cidade, fundado em 2019, assumisse as instalações. Ah, o nome oficial do local é Centro de Treinamento Santa Iria.


Parece uma picada, mas é a entrada do CT do I9 em Ribeirão Preto

Passamos a noite em um hotel com custo-benefício excelente no centro de Ribeirão Preto. Junto com a dupla Bruno e Victor, aproveitei um café da manhã sensacional e, após encontrar o Caio, seguimos rumo ao CT, cerca de dez quilômetros distante. Por motivos óbvios, acreditávamos que o lugar estaria deserto, mas, assim que chegamos, nos deparamos com uma verdadeira multidão na estrada que leva ao centro de treinamento.

Era claro que aquela galera com roupas de balada — muitos pra lá de Bagdá, outros em outra dimensão e vários parecendo zumbis do espaço — não estava ali para assistir a I9 x Barretos. Ficamos curiosos para saber o motivo daquela fauna reunida. Bastou pegar a trilha até o portão principal para descobrir que havia rolado uma festa gigantesca durante toda a madrugada e que estava prestes a acabar.

Chegar ao estacionamento foi uma verdadeira loucura. Um mar de gente tentando sair e nós tentando entrar. Na marra e levando bem mais tempo do que o esperado, finalmente conseguimos parar o carro no ponto certo. Corri para o gramado e consegui, no limite, captar as imagens oficiais das duas equipes.


I9 International Academy / Organização Exploração de Atividades (sub-13) - Ribeirão Preto/SP


Barretos Esporte Clube (sub-13) - Barretos/SP

Essa foi a segunda rodada da primeira fase das duas competições. Na estreia, o I9 goleou a Francana fora de casa por 4 a 0, enquanto o Barretos superou o Monte Azul por 2 a 0. Além destes, Meia Noite, Olímpia, Catanduva e Comercial-RP também integram o Grupo 2.

Até hoje eu tinha visto apenas três jogos na “Califórnia Brasileira”, um número irrisório. Foram duas partidas em 2009: uma vitória do Bafo sobre o Taquaritinga pela Série A2 e o triunfo do saudoso Jaboticabal contra o Olé Brasil por 3 a 2. A terceira foi em 2015, outro 3 a 2, dessa vez do Botafogo sobre o Ríver/PI na primeira final da Série D do Brasileiro.

O clima não estava com aquele calor insano típico de Ribeirão no verão, mas o sol brilhava forte. Por sorte, uma abençoada árvore proporcionou uma sombra providencial que me acompanhou nos dois jogos. Vale dizer que é uma delícia ver futebol ali, mesmo não sendo um estádio propriamente dito.

No Sub-13, o I9 dominou sem sustos. Logo aos sete minutos do primeiro tempo, Luiz Fabiano abriu o placar para os locais. O Barretos até tentou reagir, mas não teve forças para criar boas chances. Na etapa final, senhor absoluto da peleja, o time de Ribeirão fez o segundo, novamente com Luiz Fabiano. Nos pênaltis (lembrando que no Sub-13 e Sub-14 existe a disputa por um ponto extra após os jogos) o I9 venceu por 5 a 4.







Momentos de I9 x Barretos pelo Paulista sub-13



O pênalti perdido pelo Barretos e o convertido pelo I9 que valeu o ponto extra

Encerrado o duelo do Sub-13, foi a vez da categoria Sub-14. Na estreia, o I9 havia derrotado a Francana por 2 a 1, enquanto o Barretos perdera em casa para o Monte Azul por 3 a 1. O favoritismo era todo dos mandantes. Enquanto a bola rolava, o destaque ficou para o pessoal que ainda deixava a tal festa e passava pelo lado de fora do alambrado. Em certo momento, os gandulas largaram o jogo para admirar moças com trajes pra lá de sumários. O futebol ficou definitivamente de lado.


I9 International Academy / Organização Exploração de Atividades (sub-14) - Ribeirão Preto/SP


Barretos Esporte Clube (sub-14) - Barretos/SP

Dentro de campo, e comigo ainda sob a gloriosa sombra próxima ao gol da entrada, o I9 foi amplamente superior. A parada ficou resolvida no primeiro tempo, com gols de Gustavo, Maxwell e João Gabriel. O 3 a 0 saiu barato. No segundo tempo, o placar poderia ter sido maior, mas a molecada da casa não se dedicou como antes. Nos pênaltis, repeteco do marcador depois que o I9 converteu suas três cobranças e o Barretos desperdiçou todas. Uma rodada perfeita para os ribeirão-pretanos: duas vitórias, dois pontos extras e nenhum gol sofrido.







Lances do jogo do sub-14 entre I9 e Barretos

Sob um sol forte, deixamos o CT Santa Iria já completamente vazio, um contraste com a muvuca encontrada pela manhã. O relógio marcava 13 horas e restavam “apenas” 271 quilômetros até a sessão vespertina. Para muitos, seria impossível chegar a tempo. Para o amigo Caio, foi só mais um domingo qualquer.

Até lá!

Ficha Técnica: I9 2-0 Barretos (5-4)

Local: CT I9 International Academy (Ribeirão Preto); Árbitro: João Victor Queiroz; Público e Renda: Portões abertos; Gols: Luiz Fabiano 7 do 1º e 19 do 2º.
I9: João Gabriel; Eduardo, Felipe, Vinícius e Léo; Lucca, Mumu, Gabriel Aguiar e Arthur; Luiz Fabiano e Bill (titulares). Davi; Caíque, Alysson, Henzo, Kaike, Benício, Caio, Hector Gabriel, Victor, Luiz e Pedro (reservas). Técnico: Jhonatan Pena.
Barretos: Lucas; Pedro Otávio, Lucas Gadia, Henrique e João Vítor; David João, João Vítor, Henry e Alerrandro; Luiz Otávio e Gabriel Rebor (titulares); Davi; João, Henrique, Victor Leonel, Luís Fernando, Gabriel Andrade, Carlos, Wilbner, Lorenzo e Lucas Bernardes (reservas). Técnico: William Melo.

Obs¹: Nos jogos do Campeonato Paulista sub-13/sub-14 todos os atletas relacionados entram em campo por, no mínimo, 15 minutos. No primeiro tempo, até a parada técnica obrigatória, os técnicos não podem promover substituições, exceto por questões médicas. Após a parada, os reservas obrigatoriamente substituem os titulares. Os que entrarem também não podem ser substituídos. Os atletas educandos que não forem substituídos na primeira parada técnica, devem obrigatoriamente iniciar o segundo tempo jogando e somente poderão ser substituídos na segunda parada técnica, exceto por questões médicas. Após a participação de todos os atletas educandos na partida, será livre o número de substituições. Os jogos são disputados em dois tempos de 30 minutos e, independentemente do resultado, todas tem decisão por pênaltis. O vencedor fica com um ponto extra.

Obs²: No I9, Caíque entrou no lugar de Arthur no primeiro tempo e Kaike substituiu Caíque aos 32 do segundo. Aos 32 do segundo tempo, Caíque e Luiz Otávio foram substituídos disciplinarmente por terem trocado socos.


Ficha Técnica: I9 3-0 Barretos (3-0)

Local: CT I9 International Academy (Ribeirão Preto); Árbitro: André Antônio de Biaggi; Público e Renda: Portões abertos; Gols: Gustavo 9, Maxwell 12 e João Gabriel 27 do 1º.
I9: Apolo; Levy, Davi Luís, Arthur e José Eduardo; Enzo Pietro, Gustavo, João Nélson e Aryel Vítor; Maxwell e Enzo Rossi (titulares). José Augusto; Kaio Matos, Gustavo Monteverde, Luiz Gustavo, Luiz, Cainã, Ismael, João Gabriel, Cauã Lima, Richard e Luiz Roxo (reservas). Técnico: José Luiz Ribeiro.
Barretos: Jairo; Léo, Isaque, Pedro, Marcelo, Laerty, Gabi Gol, Guilherme, Enzo e Riquelmy (titulares). Arthur; Felipe Saud, Vítor Fiumaro, Ollavo,Arthur, Wallace, João Victor, Arthur Righeti, João Pedro Matos, Victor e João Pedro Correa (reservas). Técnico: Vinícius Torres.

Obs¹: No I9, Gustavo deu lugar a João Gabriel aos 15 do segundo tempo.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Uberaba vira sobre a Caldense e reacende esperança no Módulo II

Texto e fotos: Fernando Martinez


A segunda Caravana da Coragem de 2025 encerrou a programação do sábado com uma visita a um local que, sinceramente, eu não esperava conhecer algum dia. Saímos de Igarapava por volta das 16h30 com destino a Uberaba, no Triângulo Mineiro. Na pauta, uma partida no belo Estádio Engenheiro João Guido, válida pelo Campeonato Mineiro do Módulo II. Em campo, muita tradição no duelo entre Uberaba e Caldense.

O Uberaba sempre foi um dos times que eu achava legal ver os gols pela TV quando era criança, principalmente por ter sido fundado em 15 de julho — meu aniversário, por coincidência. Eu os tinha visto ao vivo apenas uma vez, em 2007, em um empate contra o Extrema. Já a Caldense, acompanhei em quatro oportunidades: 2005, 2007 e 2015 jogando em casa, e em 2016 atuando contra o Audax pela Série D do Brasileiro, no Rochdale. Já estava na hora de vê-los em ação novamente.

Houve um tempo em que fazíamos viagens frequentes para ver jogos em Minas Gerais. Era realmente uma época boa, com os hoje sumidos Rio Branco de Andradas, Santarritense, Poços de Caldas, Lavras FC, Tricordiano e o mais legal de todos, o Extrema FC. De 2003 a 2009, íamos direto ao estado vizinho para acompanhar jogos das três divisões locais. Mas isso acabou. Desde então, fui apenas duas vezes ver clubes mineiros: em 2012, Santarritense 0-1 União Luziense, e em 2015, Caldense 0-0 Aparecidense, este pela Série D. Falando do Módulo II, o hiato era ainda maior. Eu não via uma partida do torneio desde, pasmem, o longínquo ano de 2008, um Poços de Caldas 1-0 Itaúna.


Taí um estádio que achei que nunca visitaria, o glorioso João Guido de Uberaba


Visão geral do majestoso estádio do triângulo mineiro

Para este retorno tão esperado, deixamos Igarapava e percorremos rapidamente os 44 quilômetros entre os dois estádios. Fizemos um lanche rápido — saudável e bem nutritivo, claro — e seguimos para o Uberabão. O local foi inaugurado em 1972 e tem como recorde de público um Uberaba 2-4 Cruzeiro em 1976. Hoje, a capacidade é de 15 mil pessoas. O legal é que a área onde o estádio foi construído é enorme. Entramos pela parte alta, de onde é possível ter uma bela visão do campo e das arquibancadas.

Dei uma boa volta pela parte superior antes de ir ao gramado. Diferente de São Paulo, em Minas Gerais não há necessidade de colete ou credenciamento especial. Simplesmente chegamos e vamos ao campo. Fiquei ali por um tempo conversando com os fotógrafos presentes, e percebi que o clima não estava tão tranquilo.


Uberaba Sport Club - Uberaba/SP


Associação Atlética Caldense - Poços de Caldas/MG


O árbitro Daniel da Cunha Filho, os assistentes Felipe Alan de Oliveira e Magno Arantes Lira, o quarto árbitro Jonas Alves Henrique e os dois capitães

Recém-promovido da Segunda Divisão, o Uberaba começou o Módulo II da pior forma possível. Em quatro rodadas, conquistou apenas dois pontos e estava em quinto lugar no grupo, à frente apenas do Varginha. A Caldense também não vivia grande fase: era quarta colocada, com quatro pontos. Um novo tropeço poderia agravar ainda mais a crise.

Quando a bola começou a rolar, bastou o Uberaba errar o primeiro passe e desperdiçar a primeira chance para a torcida perder a paciência de uma vez. A etapa inicial foi disputada nesse clima tenso. Mas, de uma coisa, ninguém pôde reclamar: os donos da casa lutaram muito, o que pegou foi a falta de qualidade. E a situação piorou quando Marcílio abriu o placar para a Caldense aos 29 minutos.













Detalhes do primeiro tempo de Uberaba x Caldense. Muito legal poder pisar nesse gramado e cobrir um jogo do Colorado

A coisa ficou tão complicada que, no intervalo, o conselho que recebi de um fotógrafo do Uberaba foi: "Se eu fosse você, iria para a arquibancada. Se perdermos, a galera vai invadir". Entendi o recado e fui para o lugar mais distante possível: debaixo do placar, perto do portão principal. Lá encontrei o trio Caio, Bruno e Victor. Antes, porém, não perdi a chance de comprar uma faixa do Colorado e alguns chaveiros para a coleção na lojinha perto das cabines.

De lá, acompanhei um segundo tempo que seguiu exatamente o mesmo roteiro do primeiro. A cada erro, a torcida se revoltava ainda mais. Era grito de raiva, xingamentos, músicas contra a diretoria... uma loucura. Em campo, o time tentava, mas não conseguia furar o bloqueio defensivo da Veterana.

O cenário era desolador... mas, do nada, tudo mudou. Aos 34, Mateusinho cobrou falta na área e Nathan Índio, de cabeça, empatou. Era o combustível que o Uberaba precisava. Quando o relógio marcava 41 minutos, Guilherme Macedo avançou pela direita e cruzou. Marcus Vinícius, que fazia sua estreia, completou e colocou os mandantes em vantagem. Todo o ódio da arquibancada virou festa. Aos 51, Netinho fez grande jogada individual e anotou o terceiro. A comemoração parecia de título de Copa do Mundo. Todos esqueceram que durante 80 minutos o cenário tinha sido tenebroso.




Momentos da etapa final. Na segunda foto, o gol de empate aos 34 minutos. Na última, a comemoração alucinada da torcida, que até então xingava demais, com a virada uberabense


Placar final da ótima vitória do Uberaba no Módulo II. O Zebu fez três pontos a um

O 3 a 1 afastou o Colorado da lanterna e deu um respiro na tabela. Agora com cinco pontos, mesma pontuação da Caldense, o time está quatro à frente do Varginha. O Mamoré lidera com 11, seguido por URT (9) e Patrocinense (8). Da minha parte, missão cumprida, estádio novo na Lista e a esperança de que não demore mais 17 anos para eu assistir novamente a um jogo do Módulo II.

Ficamos um bom tempo acompanhando a festa uberabense antes de pegar a estrada com destino a Ribeirão Preto. A viagem foi tranquila e encontramos um ótimo hotel na “Califórnia Brasileira”. No domingo, tinha mais uma rodada tripla, com direito a estádio novo e muitos quilômetros pela frente.

Até lá!

Ficha Técnica: Uberaba 3-1 Caldense

Local: Estádio Engenheiro João Guido (Uberaba); Árbitro: Daniel da Cunha Filho; Público: 722 pagantes; Renda: R$ 10.470,00; Cartões amarelos: Douglas Dias, Lucas Lotto, Guilherme Macedo, Tiaguinho, Júlio César, William Menezes e Marcílio; Gols: Marcílio 29 do 1º, Nathan Índio 34, Marcus Vinícius 41 e Netinho 50 do 2º.
Uberaba: Giovani; Douglas Dias (Mateusinho), Jadson Sergipano, Felipe Moreira e Gustavo; Nathan Índio, Marcos Kayck (Netinho), Du Santos e Esquerdinha (Luan) (Marcus Vinícius); Tiaguinho e Lucas Lotto (Guilherme Macedo). Técnico: Wallace Lemos.
Caldense: Samuel Pires (William Menezes); Fábio Sá (Cesinha), Léo Cruz, Arthur Pierino e Marcílio; Guilherme Martins, Ítalo (Marcos Ramos), Júlio César (Eicley) e Nestor Mansur; Gleisinho e Igor Lemos (Willian Mococa). Técnico: Souza.