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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

JP in Rio (1 de 4): Pó de arroz, casa cheia e uma vitória inédita no Maracanã

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de quase um ano sem pisar fora do estado de São Paulo, no sábado passado comecei uma viagem ao Rio de Janeiro. Não teve apenas futebol na pauta, mas a programação esportiva foi bem legal, apesar de não ter times pequenos envolvidos. O começo foi com um jogo do nada perdido pelo Campeonato Brasileiro. No Maracanã, acompanhei o interessante duelo entre Fluminense e Remo.

A ida até o Rio foi corrida e o cronograma deu uma atrasada. A ideia era chegar meia hora antes do apito inicial no ex-maior do mundo, porém só entrei no estádio com a bola rolando. Quando cheguei, notei algo parecido com areia ou uma espécie de pó em quantidade industrial pelas arquibancadas e, sem conhecer nada do pré-jogo do Tricolor das Laranjeiras, não sabia que nada mais era do que pó de arroz lançado pela torcida quando a equipe entra em campo.

O que mais tinha ali era gente com pó de arroz espalhado pelo cabelo, pela pele e pelas roupas, tudo branquinho, branquinho. Isso sem contar as cadeiras e o chão. No fim, acabou sendo uma enorme sorte não estar lá na hora do lançamento e ser brindado com o pó branco incrustado até a alma, praticamente até o fim dos dias. Super apoio as tradições, mas, se rolar uma próxima vez, a ideia é ficar em um setor sem tanta poeira. Além disso, era o setor das organizadas e tudo estava um aperto só. Má escolha.


Não é o mesmo estádio da Copa de 1950, mas é sempre legal ter a chance de ver um jogo no Maracanã


Visão geral do ex-maior do mundo para o duelo entre cariocas e paraenses

Quando entrei, fui subindo, subindo, subindo até encontrar um lugar menos apinhado. A classificação do Flu na Libertadores e a boa fase na Série A animaram a rapaziada, e o setor atrás do gol estava entupido. Foram mais de 30 mil pagantes. Vale registrar que foi a primeira vez que fiquei ali na arquibancada desde a decisão da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 e a primeira vez que vi um duelo de dois clubes brasileiros no estádio.

O confronto foi entre o 4º e o 18º colocados no Brasileiro, com 23 rodadas disputadas. É, mas o Flu teve trabalho para derrotar o clube paraense. No primeiro jogo entre eles pelo nacional no Maracanã desde 1978 (!), a torcida sofreu com as finalizações ruins dos locais. O escrete carioca ocupou o campo de defesa remista durante a maior parte do tempo, porém foram justamente os visitantes que ficaram em vantagem com o gol de Jajá aos 31.

A pressão do Flu foi ainda maior na segunda etapa. Espremido entre a massa dos torcedores, acompanhei o onze local criar um sem número de oportunidades. O Remo suportou a pressão até os 21, quando Hulk acertou boa cabeçada, a bola tocou na trave, quicou na pequena área e, com um baita efeito, foi morrer no fundo do gol. A pressão estava absurda e Kevin Serna virou o marcador de cabeça aos 37. Resultado merecido.




Detalhes de Fluminense x Remo, lá do alto, pela Série A


De longe, Hulk comemora o gol de empate



No fim, o Flu conseguiu a virada


Como em São Paulo não tem bandeira há décadas, é legal demais vê-las em ação quando saímos de casa

O 2 a 1 manteve o Flu na quarta colocação, com 41 pontos, e o Remo em 18º, com 23. Faltam agora 14 jogos para cada um. Torço pela permanência do clube paraense na primeira divisão em 2027. Ah, vale registrar que essa foi a primeira vez que vi o time profissional do Fluminense vencer uma partida. Eram cinco empates e quatro derrotas até então.

O duelo do Maracanã chegou ao fim, mas a rodada não. A sessão noturna do sábado serviu para colocar na Lista um estádio que queria visitar há muito, muito tempo. Finalmente pude assistir a uma partida na linda casa do Vasco da Gama.

Até lá!

Ficha Técnica: Fluminense 2-1 Remo

Local: Maracanã (Rio de Janeiro/RJ); Árbitro: João Vítor Gobi/SP; Público: 30.215 pagantes; Renda: R$ 1.525.343,50; Cartões amarelos: Hércules e Yago Pikachu; Gols: Jajá 31 do 1º, Hulk 21 e Kevin Serna 37 do 2º
Fluminense: Fábio; Samuel Xavier (Júlio Fidelis), Ignácio, Thiago Silva e Renê; Martinelli e Hércules (Nonato); Canobbio (Kevin Serna), PH Ganso e Soteldo (Riquelme); Hulk (Germán Cano). Treinador: Marcão.
Remo: Marcelo Rangel; Yago Pikachu, Marllon (Patrick), Tchamba e Marlon; Zé Welison e Zé Ricardo (Leonel Picco); Marcelinho (Galeano), Vitor Bueno (David Braga) e Jajá (Alef Manga); Taliari. Treinador: Léo Condé.

sábado, 25 de julho de 2026

Corinthians domina o Remo e fecha o turno com vitória em Itaquera

Texto e fotos: Fernando Martinez


O Campeonato Brasileiro, apesar de não ser o foco original do Jogos Perdidos, voltou com o fim da Copa do Mundo e decidi acompanhar de perto um jogo que não acontecia havia muito, muito tempo. Na noite de quinta-feira fui até a Neo Química Arena cobrir um belo duelo entre Corinthians e Remo, encerrando o primeiro turno do torneio.

Quando a equipe de Belém subiu para a Série A no ano passado, coloquei como meta acompanhar os três duelos da gloriosa agremiação na cidade de São Paulo. A primeira vinda do onze paraense foi contra o alvinegro do Parque São Jorge e, felizmente, deu certo marcar presença. Os dois não se enfrentavam pelo Campeonato Brasileiro desde 1980 e, na capital paulista, desde setembro de 1976 (!), quando o alvinegro venceu por 3 a 0 no Pacaembu.



O Remo fez o favor e não quis posar para a foto, então segue a foto oficial do Corinthians e dos capitães com o árbitro Lucas Casagrande (PR), os assistentes Guilherme Dias Camilo (MG) e Rafael Trombeta (PR) e o quarto árbitro Alisson Sidnei Furtado (TO)

Jogo em Itaquera às 19h30, em dia de semana, é sempre uma loucura. Para evitar pegar o trem no horário de maior movimento, saí mais cedo e fui fazer uma boquinha no shopping que fica ao lado do metrô. Sem pressa, sem correria, sem loucura. Fui para as dependências da casa corintiana com tempo de sobra para esperar o apito inicial. Vale registrar que 2026 se tornou o ano em que mais vi o escrete mosqueteiro no seu campo: cinco partidas no total. Desde 2006 não via tantas vezes o clube com seu elenco principal em ação.

Falar sobre o jogo é a maior moleza. O Corinthians tinha derrotado o Grêmio no último duelo antes da Copa e queria manter a toada contra o Remo. No primeiro tempo, sob o olhar atento de quase 44 mil torcedores, vimos um baile dos donos da casa. Yuri Alberto fez dois gols e Kaio César marcou o terceiro. O tranquilo 3 a 0 já definiu o triunfo corintiano com antecedência.



O primeiro tempo foi todo do Corinthians em Itaquera



Detalhe do primeiro gol da noite, marcado por Yuri Alberto



O Remo pouco fez durante a etapa inicial




Kaio César fez o segundo tento alvinegro e comemorou levantando a bandeirinha de escanteio






Mesmo com a queda de produção na etapa final o Corinthians não sofreu sustos e confirmou mais três pontos na Série A

Na etapa final, pouco se viu em campo. O elenco claramente se poupou e foram poucas as oportunidades claras. O Remo, que luta contra o rebaixamento, nem chegou perto da área do seu adversário. No fim, o marcador dos primeiros 45 minutos se confirmou. Com o triunfo, o alvinegro subiu para a sétima colocação ao término do primeiro turno do Brasileirão.

Retomando o cenário de jogos perdidos, na sexta foi hora de ver de perto o sub-20 do Nacional pela primeira vez na Série B do estadual.

Até lá!

Ficha Técnica: Corinthians 3-0 Remo

Local: Neo Química Arena (São Paulo); Árbitro: Lucas Casagrande/PR; Público: 43.623 pagantes (43.970 presentes); Renda: R$ 3.104.834,37; Cartões amarelos: Gabriel Paulista e Marllon; Gols: Yuri Alberto 26, 46 e Kaio César 39 do 1º.
Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu (Angileri); Allan, André (Matheus Pereira) e Breno Bidon (Dieguinho); Labyad (Lingard), Kaio César (Carrillo) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz.
Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Zé Ivaldo e Mayk; Zé Welison, Patrick (Leonel Picco) e Vitor Bueno (Zé Ricardo); Jajá (Tico), Yago Pikachu (Matheus Alexandre) e Alef Manga (Taliari). Técnico: Léo Condé.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Fortaleza despacha o Remo e está nas oitavas de final

Texto e fotos: Fernando Martinez


A FPF encheu o domingo de jogo legal e não restou alternativa a não ser jogar tudo para o alto e sortear a pedida igual aos antigos programas de auditório sorteando cartinhas dos espectadores. A escolha ficou com um genial Remo x Fortaleza no Estádio Nicolau Alayon com direito a muito calor e 35 graus de sensação térmica. A entidade, obviamente, seguiu com a máxima que a Copa São Paulo de Futebol Júnior é feita pensando somente na televisão e que se dane o torcedor.

A Comendador Souza recebeu um público enorme e entre a rapaziada que marcou presença, um bom quórum de amigos que contou com o roqueiro Bruno, Raul, Pucci, seu Natal, Luigi e o casal coqueluche de Mauá Luiz, que não via há bastante tempo, e Simone. Todo mundo espremido na parte coberta do Alayon naquele que foi o meu 400º jogo de Copinha em todos os tempos. É o segundo torneio que mais vi, só perdendo para a atual Segundona Paulista.


Clube do Remo (sub-20) - Belém/PA


Fortaleza EC (sub-20) - Fortaleza/CE


Capitães com o árbitro Gabriel Furlan, os assistentes Wellington Bragantim Caetano e Bruno Henrique Mascarenhas Moura e o quarto árbitro Camilo Morais Zarpelão

Fiz as fotos oficiais e esses foram os únicos minutos em que estive em campo. Não estava na pegada de cozinhar e acompanhei o que rolou dentro das quatro linhas lá do alto. Remo e Fortaleza estavam no Grupo 31 na primeira fase, e os paraenses venceram o duelo realizado na Rua Javari por 1 a 0. Depois o alviazul eliminou o Nacional, enquanto o tricolor despachou o XV de Piracicaba.

A partida começou com o Remo melhor e aos três minutos Henrique Vigia criou bom momento. Aos 18, nova oportunidade com Nuna finalizando de longe. Kanu levou perigo aos 27. Só dava o Clube do Remo, e o Fortaleza só chegou aos 35 em tiro de longe de Júlio Henrique. Na última chance da etapa inicial, Kanu não abriu o placar a favor dos paraenses por milagre.

Enquanto a bola rolava, eu derretia mesmo estando na sombra. Aliás, vale registrar outra invencionice da FPF na atual edição da Copinha, o tenebroso horário de 12h45. Fazer isso por causa da TV eu até entendo, o problema é encher de confrontos nesse péssimo horário sem transmissão (a não ser pela internet, claro). Crueldade sem tamanho com os atletas. Só comprova outra vez que as decisões são tomadas por pessoas que não entendem nada de futebol.






O calor foi implacável durante todo o Remo x Fortaleza

Bom, na etapa final tudo mudou. Logo aos quatro minutos Riquelme abriu o marcador a favor do Fortaleza em belíssima cobrança de falta. O Remo sentiu o golpe e sofreu o segundo aos 19 em cabeçada de Wendel. Com 2 a 0, o onze cearense passou a administrar a vantagem. Os remistas quase descontaram com Pedro Victor aos 29, sem sucesso. Ramires, camisa 19, entrou em campo com o transistor defeituoso e levou dois cartões amarelos em um espaço de menos de 10 minutos, sendo expulso.


Detalhe do belíssimo gol de falta de Riquelme, que abriu o caminho para o triunfo cearense




O Remo até tentou, mas não conseguiu fazer seu gol


Placar final com classificação do Fortaleza no Alayon

No fim, o Remo 0-2 Fortaleza poderia ter sido diferente caso os paraenses tivessem aproveitado as chances nos 45 minutos iniciais. Como não conseguiram, o tricolor está nas oitavas de final e agora vai enfrentar o Ibrachina. Ao Leão Azul fica a melhor participação na história da Copinha com o 26º lugar, superando a 27ª posição de 2010. Bela campanha dos azulinos.

Com essa cobertura fechei a terceira fase da Copa São Paulo. Na segunda-feira começaram os trabalhos na quarta fase, já contando com apenas 16 times em busca do caneco.

Até lá!

Ficha Técnica: Remo 0-2 Fortaleza

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Gabriel Furlan; Público e Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Guty, Kanu, Ramires, Jonílson, Ryan Guilherme, Riquelme; Cartões vermelhos: Ramires 41 e Felipinho 48 do 2º; Gols: Riquelme 4 e Wendel 19 do 2º.
Remo: Ruan Lucas; Rodriguinho, Jonílson, Davi e Ely; Nuna (Felipinho), Renan Tiago (Kakaroto), Henrique Vigia e Guty (Ramires); Kanu (Pedro Victor) e Grecco (Tico). Técnico: Eivaldo Júnior.
Fortaleza: Bruno Guimarães; Júlio Henrique (João Henrique), Kauã, Patrick e Matheus; Fubá (Breno Ricardo), Ryan Guilherme (Geílson), Riquelme (Paulo Roberto) e Amorim (Wendel); Riquelmo (Gustavo) e Carlos Daniel. Técnico: Leandro Zago.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Portuguesa vai bem, derrota o Remo e se classifica

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na sexta-feira, poucas horas depois de ter acompanhado a Copa Rubro-Verde, voltei ao Estádio Osvaldo Teixeira Duarte para outra rodada dupla, agora pela Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na abertura da segunda rodada do Grupo 32, a Portuguesa recebeu o Remo pensando em emplacar o segundo triunfo na competição (derrotou os baianos do Teixeira de Freitas na estreia).

Foi muito legal ter a chance de voltar a ver jogo da Copinha no Canindé depois de 16 anos. A última partida realizada ali havia sido a final de 2002 entre Portuguesa e Cruzeiro (debaixo um temporal monstro que teve o onze rubro-verde bi-campeão). Aliás, esse foi o único realizado no estádio nesse século pelo torneio. Já rodadas da fase inicial não aconteciam lá desde 1998.


Associação Portuguesa de Desportos (sub-20) - São Paulo/SP


Clube do Remo (sub-20) - Belém/PA


Trio de arbitragem e capitães dos times

Apesar do título de 2002, vale dizer que desde então os paulistanos fizeram poucas campanhas de destaque na Copinha. Além de terminarem sem nenhuma vitória nos últimos dois anos, não passaram de fase em cinco das últimas seis edições. Desempenho terrível de um dos participantes mais assíduos do torneio (em 2018 participa pela 47ª vez).

Já o Remo está na sua sétima participação e nas seis anteriores passou de fase apenas uma vez, em 2010 (ano em que vi o confronto dos paraenses contra o genial Al-Hilal da Arábia Saudita na cidade de Paulínia). Derrotados na estreia pelo América Mineiro, tinham a árdua tarefa de vencer os donos da casa e ainda terem chance de classificação.

É, só que quando a bola rolou não teve jeito pro Leão Azul. A Portuguesa foi senhora absoluta da peleja e viu o calor ser o adversário mais perigoso na tarde. O goleiro Matheus quase não trabalhou. Os locais insistiram bastante e abriram o placar aos 32 minutos com um chute cruzado de César.

Antes do tempo inicial terminar o zagueiro Mateus Brunetti - detalhe: a Portuguesa tem nada menos do que seis (!) jogadores com o nome "Mateus" inscritos na Copinha - ampliou o marcador, levando a partida pro intervalo com a vitória parcial de 2x0. Durante o descanso dos jogadores, dei uma olhada na minha lista e vi que esse foi o quinto (!) Portuguesa x Remo que acompanhei na vida, isso de um total de oito jogos do time do Norte do país. Uma marca um tanto quanto surreal.


Ataque lusitano pela direita no começo do jogo


Atleta do Remo com o olhar fixo na pelota


O goleiro remista Jheymmyson (!) fazendo boa defesa em chute de longe


A Portuguesa não sofreu sustos e permaneceu a maior parte do tempo dentro do campo de defesa adversário


Rara chegada do Remo dentro da área rubro-verde


Defensor local protegendo a pelota de atacante paraense

Já no tempo final o bafo apertou e não teve como os times apresentarem um futebol digno. Mesmo nas cabines do estádio também sofri com o fortíssimo calor. No fim, não houve nenhuma alteração no placar e o árbitro encerrou o jogo com Portuguesa 2-0 Remo. A vitória classificou a Lusa para a segunda fase depois de quatro anos. O onze paraense foi eliminado com o revés.

Da minha parte, voltei ao gramado pra segunda peleja do dia que reuniu outro antigo campeão e outro time novo na Lista. Não tem jeito, primeira fase de Copinha é sempre uma das coisas mais legais do ano.

Até lá!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Remo vence o Al Hilal e se classifica para a Segunda Fase da Copa São Paulo

Opa,

Após a eliminação do Paulínia FC da 41ª Copa São Paulo de Futebol Júnior no Estádio Luís Perissinoto, era a vez da segunda partida do dia válida pelo Grupo U. E era um dos jogos mais esperados pelo que vos escreve pois reuniu uma equipe de fora do país, o Al Hilal Au-Saudi Club da Arábia Saudita, algo que não acontecia na Copinha desde o longínquo 1997. O adversário dos sauditas foi o Clube do Remo, buscando sua classificação.

Mesmo sendo jogo que seria transmitido ao vivo pela TV, tivemos bastante facilidade para as fotos oficiais. E não dava para perder mesmo, já que acredito que não verei mais o Al Hilal ao vivo algum dia.




Al Hilal Au-Saudi Club (sub-18) - Riad/Arábia Saudita. Foto: Fernando Martinez.


Clube do Remo (sub-18) - Belém/PA. Foto: Fernando Martinez.

Como disse antes, não tinha como perder a chance de ver um time estragneiro jogando a Copinha. Os sauditas foram a 12ª equipe do exterior a disputar o torneio na história. De 1980 até 1997, quando a Seleção da China e o Cerro Porteño jogaram e foram mal ao final do torneio daquele ano - e que tive a oportunidade de ver partidas das duas equipes jogando no Canindé - os estrangeiros da Copa São Paulo disputaram 39 partidas, vencendo um total de apenas 6 jogos, empatando 7 e perdendo 26. Os 11 times somados marcaram 38 gols e sofreram juntos 97. Dá para perceber que nunca tivemos uma campanha boa de algum time de fora por aqui.

Foi muito legal a iniciativa da FPF em voltar com os estrangeiros no torneio. Pena que dos três anunciados que participariam só o Al Hilal jogou (em tempo, Portsmouth/ING e o representante da África do Sul desistiram da competição). Conversei com o pessoal da Federação e eles ficaram bastante decepcionados com a pequena procura de inscrições dessas equipes do exterior. Pode ser que no ano que vem o torneio seja disputado só por times brasileiros. Uma pena, mas torcemos que eles continuem com essa idéia de convidar equipe do mundo todo.

E essa foi a segunda equipe saudita que incluo na minha Lista. A primeira que vi foi o Al Nasr, que jogou o Mundial da FIFA disputado no Brasil há 10 anos atrás, em janeiro de 2000. Podemos mesmo dizer que não é muito fácil ver uma equipe da Arábia Saudita jogando em terras tupiniquins.

Se despedindo do torneio, já que já estavam eliminados antes da rodada começar, o Al Hilal jogou contra um Remo que dependia apenas de uma vitória simples para conseguir ser campeão do grupo e se classificar para a Segunda Fase da Copinha pela primeira vez. Vale registrar que essa é a terceira participação dos paraenses no torneio e desde 2005 não jogavam o importante campeonato.


Cobrança de falta para o Remo no começo de partida. Foto: Fernando Martinez.


Tentativa de ataque dos paraenses debaixo do forte calor em Paulínia. Foto: Fernando Martinez.

Na arquibancada montada atrás do gol do estacionamento do Luís Perissinoto, todos os jogadores e comissão técnica do Atlético/PR estavam torcendo ferozmente para oa árabes, já que se o Remo não vencesse a classificação seria dos paranaenses. E os simpáticos paraenses começaram o jogo buscando o gol, mas muito nervosos nas conclusões das jogadas. Os atletas estavam afobados demais, talvez sentindo a pressão e orbigação de ter que ganhar a peleja.


Jogador do Remo mandando a bola para dentro da área dos árabes. Foto: Fernando Martinez.

O Al Hilal, sem mais compromisso nenhum com a Copinha, foi aos poucos botando as manguinhas de fora e passou a levar bastante perigo com seu rápido ataque. Aos 15 minutos, para desespero da torcida do Remo presente em Paulínia, o time árabe teve um pênalti marcado a seu favor. Mas na cobrança o camisa 10 da equipe telegrafou o canto e o goleiro Lino fez a boa defesa, mandando para escanteio.


Pênalti perdido pelo Al Hilal aos 15 do primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.


Lançamento do Remo para o campo de defesa dos sauditas. Foto: Fernando Martinez.

Mas o restante do primeiro tempo não teve muito mais emoções, pois o Remo não acertava o pé e o time do Al Hilal também parou de incomodar a defesa azulina. Nesse meio tempo voltei ao buffet, pois saco vazio não para em pé. Na meia hora restante acredito que limpei duas garrafas de suco de laranja e mais uma de Coca-Cola. Junto com a bandeja dos mini-kibes, que limpei mais do que a metade dela.

Só desci de lá no intervalo da partida para conversar com a amiga Graziele Crizol, auxiliar número 2 da primeira partida do dia. Bom poder colocar a conversa em dia com pessoas que valem a pena. O segundo tempo então começou e eu ainda estava conversando ao lado das cabines de imprensa. Pouco depois subi para o local aonde ficam as câmeras de TV, pois não estava mesmo afim de encarar o sol forte.


Ótima chance do remo no começo da segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

A segunda etapa foi um pouco melhor do que a primeira, mas o Al Hilal voltou melhor e teve algumas chances de abrir o marcador contra os paraenses. A torcida do time - também ajudada por torcedores do rival Paysandu - ainda tentava empurrar a equipe, mas a situação não estava fácil. E a cada chance perdida a favor ou contra o Remo, os jogadores do Atlético/PR torciam muito atrás do gol defendido pelo arqueiro do Lino.


O Al Hilal foi melhor no segundo tempo, aqui em lance pela esquerda do seu ataque. Foto: Fernando Martinez.

A partida foi seguindo com o cheiro de 0x0 no ar, e com o time saudita melhor postado no gramado. O time mereceu fazer seu gol, e o herói mesmo foi o já citado goleiro Lino com três defesas à queima-roupa. E quando achávamos que nada mais aconteceria e eu veria meu primeiro jogo sem gols em 2010, tudo mudou. Aos 44 minutos, depois de uma bola cruzada da direita, o jogador Peterson cabeceou e contou com a falha do arqueiro árabe, que deixou a bola escapar das suas mãos e viu ela entrar calmanente no canto direito.


Mais uma perigosa investida do Al Hilal em cima da defesa do Remo. Foto: Fernando Martinez.

Na hora os zagueiros do Al Hilal levantaram o braço pedindo impedimento. Imediatamente olhei o bandeirinha demorando uma fração de segundo a mais para correr para o centro de campo. O árbitro também acabou confirmando o gol, o que deixou todo mundo da comissão técnica saudita inconformada. Na hora percebi o técnico querendo tirar o time de campo, algo bastante comum por aqui nos anos 30 e 40 do século passado.

Mas acalmado por alguns membros mais sensatos da sua comissão ele desistiu da idéia, e mesmo assim entrou no campo para dar uma acossada no juiz. Em virtude de ter reclamado bastante também o goleiro saudita foi expulso e seu reserva entrou no lugar. Os acréscimos ainda serviram para o camisa 9 do Al Hilal, Al Johani, ser expulso por ter dado um pontapé no seu adversário.

Final de jogo: Al Hilal 0-1 Remo. Vitória suada para o time do Norte do país que deixou a equipe com a primeira colocação do grupo U e classificada para a segunda fase, aonde jogará contra o Desportivo Brasil na próxima quarta-feira. Para os árabes fica como maior momento na Copinha a oportunidade de ter disputado um torneio bastante importante no país cinco vezes campeão do mundo.

Após o jogo ainda tentei muito, mas muito mesmo, conseguir uma camisa oficial da equipe para a minha humilde coleção. Eu e o seu Natal entramos no vestiário, arranhei inglês com Deus e o mundo e até participei da reza do pessoal do time - todos virados para Meca - mas nada feito. Pior que 124 pessoas que não tinham nada a ver com a partida foram presenteadas com uma camisa do clube e eu fiquei com uma pedra, no melhor estilo Halloween do Snoopy.

Meia hora depois pegamos o possante 558 para voltarmos à capital paulista. Mas a viagem não foi boa não, já que cheguei por aqui com um mal-estar tremendo e descobri depois que tive uma insolação não muito agradável debaixo de tanto calor. Acabei abortando a programação da rodada do domingo para ficar de repouso em casa, acompanhando a definição dos jogos da Segunda Fase da Copinha pela internet.

E na semana ainda tem mais aqui no JP!

Abraços

Fernando