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terça-feira, 9 de junho de 2026

Entre filas e festa, uma noite histórica da seleção feminina em Itaquera

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último sábado a minha programação ficou toda bagunçada em virtude do aniversário de um ano do meu sobrinho. Não tinha como não ir e, como a celebração foi na hora do almoço, não tive como ver nada nem de manhã, nem à tarde. Por sorte, teve um jogo perto de onde foi a festa. Só que não foi um jogo qualquer, e sim um duelo entre Brasil e Estados Unidos pelas seleções femininas na Neo Química Arena.

Sempre quis ver a seleção norte-americana em campo, não por afinidade, e sim por ser a maior campeã mundial da categoria. O maior problema seria ir como torcedor, já que não daria para ir como imprensa. Há muito tempo não marcava presença na casa corintiana nas arquibancadas e confesso que estou descostumado com isso. O torcedor não é tratado com respeito e me cansa ver tanta bagunça em situações que não deveriam ser assim.

Tive que dar uma volta imensa até chegar ao meu portão e várias filas enormes eram a realidade antes de passar pela catraca. Tudo era permeado por muita desinformação e pessoas incapazes de responder até mesmo à pergunta mais fácil. Paciência. Foi uma correria, mas cheguei ao meu lugar a tempo de ver as duas seleções entrando em campo.

Esse foi o meu 15º jogo da seleção feminina. Desde o 10 a 0 sobre o Equador no Pan de 2007 até o triunfo por 3 a 1 no amistoso contra o Japão no ano passado, foram 14 apresentações da equipe na minha lista. Os Estados Unidos eu não tinha visto nem nas categorias de base. E poderia ser uma tarde histórica, já que, com um triunfo, seria a primeira vez que as brasileiras venceriam o rival da América do Norte em duas oportunidades consecutivas na história com seus elencos principais.

A torcida entendeu a mensagem e foi em peso a Itaquera. Diferentemente do que os machistinhas de redes sociais acham, muita gente gosta de futebol feminino e mais de 30 mil pessoas foram ao estádio acompanhar o confronto. Antes do apito inicial, muita animação de todos os presentes. Com menos de um minuto, a alegria deu lugar a um pequeno susto quando Sophia Wilson abriu o marcador. Mas o susto se transformou em muita festa pouco mais de dez minutos depois, com os gols da dupla palmeirense Tainá Maranhão e Bia Zaneratto. Era a virada do Brasil.

Na sequência do primeiro tempo houve bastante equilíbrio. Nos minutos finais, Tainá Maranhão quase fez o terceiro e depois Lelê salvou a pátria brasileira com duas defesas sensacionais em finalizações de Sophia Wilson. No intervalo fui dar uma volta nas dependências da Arena e uma coisa precisa ser dita: se a entrada é ruim, muito por conta de quem está lá para auxiliar as pessoas, a infraestrutura é de longe a melhor para quem vai ao estádio. Não tem nem comparação.

Depois de comprar minha pipoquinha retornei ao meu assento e vi uma etapa final muito boa. Chances para as duas seleções, com Bia Zaneratto tendo duas boas oportunidades e Claire Hutton mandando uma na trave. Com o passar do tempo, os Estados Unidos foram chegando com mais perigo, enquanto o Brasil se defendia com maestria. Aos 45 minutos, Gio Garbelini teve a chance mais clara das brasileiras, mas a tentativa de cavadinha deu errado e Mandy McGlynn fez a defesa.






Momentos da grande vitória brasileira contra os Estados Unidos


O 2 a 1 foi a segunda vitória seguida da seleção verde e amarela contra a maior campeã mundial

Apesar do sufoco nos acréscimos, a seleção conseguiu segurar a pressão e conquistou uma baita vitória, apenas a quinta em 36 jogos realizados contra os Estados Unidos. Não acho que o Brasil seja um dos favoritos ao título na Copa do Mundo do ano que vem, mas, por jogar em casa e contar com o bom trabalho de Arthur Elias, acredito que possa ir longe.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Brasil 2-1 Estados Unidos

Local: Neo Química Arena (São Paulo); Árbitra: María Eugenia Gilsoriano/ESP; Público: 30.851 pagantes (31.336 presentes); Renda: R$ 1.689.402,50; Cartões Amarelos: Tainá Maranhão, Gio Garbelini, Lorena, Arthur Elias e Trinity Rodman; Gols: Sophia Wilson 1, Tainá Maranhão 10 e Bia Zaneratto 13 do 1º.
Brasil: Letícia (Lorena); Isabela, Isa Haas, Mariza e Thaís Ferreira (Rafaelle); Kerolin (Aline Gomes), Angelina (Yaya) e Duda Sampaio; Tainá Maranhão (Ludmila), Dudinha (Amanda Gutierres) e Bia Zaneratto (Gio Garbelini). Técnico: Arthur Elias.
Estados Unidos: Mandy McGlynn, Emily Fox, Emily Sonnett, Tierna Davidson e Gisele Thompson (Avery Patterson); Claire Hutton (Jaedyn Shaw), Lily Yohannes (Rose Lavelle) e Lindsey Heaps; Trinity Rodman (Emma Sears), Sophia Wilson (Ally Sentnor) e Alyssa Thompson (Michelle Cooper). Técnica: Emma Hayes.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 14): Brasil tetracampeão do mundo!

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nós do Jogos Perdidos completamos 15 anos de vida no começo do mês com cerca de 3.500 coberturas, boa parte delas exclusivas. Fizemos matérias em verdadeiros fins de mundo, passamos por roubadas insanas, sofremos com sol, chuva e frio e marcamos presença em dezenas de campeonatos diferentes. Eis que no último domingo nós fizemos, sem dúvida, nossa cobertura mais importante por uma série de motivos: a final da Copa do Mundo sub-17 entre México e Brasil no Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão.

Se pensarmos em partidas grandes, eu estive na abertura da Copa de 2014 entre Brasil e Croácia e na grande decisão do ouro no futebol masculino na Rio-2016. A emoção que senti nesses dois dias foi indescritível. O que fez a final de domingo ser diferente foi o fato de acompanhar tudo de perto, na beira do gramado. Como fui devidamente credenciado pela FIFA, pude ter esse enorme privilégio. Dos meus três mil jogos, foi o meu maior momento jornalisticamente falando.


Bezerrão começando a receber o público da final da Copa do Mundo sub-17

Cheguei na capital federal no sábado e no domingo teve cobertura de manhã. Do CT do CRESSPOM fui ao Gama e após a França derrotar a Holanda e ficar com o terceiro lugar da Copa, eu tinha merecidas duas horas de descanso. Fui ao centro de imprensa me esbaldar no forte ar-condicionado e no potente wi-fi disponibilizado no recinto. O mundo inteiro também estava lá, boa parte fazendo a estreia na decisão, claro. Duvido que a maioria estivesse ali se o Brasil tivesse ficado no meio do caminho.

Quando retornei ao gramado, aí caiu a ficha do que eu estava prestes a vivenciar de vez. Acostumado a ver dirigentes do Barcelona Capela, comissão técnica do Mauaense e torcedores do União de Mogi no dia a dia, foi bastante diferente esbarrar com Gianni Infantino, presidente da FIFA, e com Cafu e Ronaldo, convidados para respectivamente representarem o saudoso Itaquaquecetuba AC e o São Cristóvão do Rio. Fiquei ali observando tudo e a sensação era de surrealismo puro.



Gianni Infantino, presidente da FIFA, e Ronaldo. Duas pessoas que dificilmente voltarão a aparecer no JP algum dia


Cafu e Ronaldo, vigorosos representantes do Itaquaquecetuba AC e do São Cristovão, com a taça destinada ao campeão da Copa do Mundo sub-17 2019

O relógio correu rapidinho e, junto com uma penca de fotógrafos de todos os cantos, acompanhei as seleções irem a campo pois a hora da bola rolar tinha chegado. Essa foi uma espécie de "revanche" da decisão de 2005 quando, no Mundial do Peru, os norte-americanos derrotaram os brasileiros por 3x0 e foram campeões. Na história o Brasil tinha vencido o adversário do domingo apenas uma vez: 2x0 em 1985 na China, época em que o certame ainda era sub-16. Depois, além do revés de 2005, triunfo mexicano pela contagem mínima em 2009 e eliminação verde e amarela nos pênaltis nas quartas de 2013.



As seleções sub-17 do Brasil e do México posando para a foto oficial antes da decisão


O estádio do Gama recebeu 13.843 torcedores para a decisão

Em 2019 a campanha tupiniquim até o último compromisso foi perfeita: seis apresentações e seis vitórias. Na fase inicial venceram Canadá, Nova Zelândia - um 3x0 que contou com minha presença - e Angola. Nas oitavas eliminaram o Chile e nas quartas a Itália. Na semi fizeram a "final antecipada" com a França e perdiam por 2x0 até metade da etapa final. Depois disso, virada antológica com direito a gol de Lázaro no último minuto. Sendo da geração traumatizada com a França por 1984 e 1986, fiquei bem feliz.

O México sofreu um “pouco” mais até chegar na decisão. Estrearam com um horroroso empate sem gols contra o Paraguai e foram derrotados pela Itália. A classificação foi conquistada em goleada contra Ilhas Salomão. Nas oitavas e quartas superaram adversários asiáticos, respectivamente Japão e Coreia do Sul. Na semifinal tomaram sufoco da Holanda, seguraram um empate por 1x1 e bateram os europeus nos pênaltis. Contra o Brasil, buscariam o tri (além de 2005, levaram a taça em 2011).

O Bezerrão estava cheio e os presentes apostavam em uma atuação como a do segundo tempo contra os franceses. Os locais fizeram dez minutos burocráticos, porém quando se animaram, chegaram bem perto de marcar em vários momentos. Gabriel Veron quase fez aos 13 e aos 22. Já Peglow mandou na trave aos 17 e finalizou bem aos 18. O México assustou pela primeira vez aos 24 em falta de Álvarez que passou perto da meta. Veron assustou novamente aos 28 e Garcia defendeu. Kaio Jorge e Veron aos 44 assustaram a zaga visitante.


Daniel Cabral (5) em lance da direita do ataque brasileiro


O atacante Kaio Jorge (9) não conseguiu receber o cruzamento que partiu da direita


Henri (3) subindo no terceiro andar para cortar lançamento mexicano


Daniel Cabral (5) em lance pelo meio


Victor Guzman (3) ganhando de cabeça de Kaio Jorge (9)


Grande defesa de Eduardo Garcia em finalização de longe do ataque brasileiro

Se a gente sabe que desperdiçar um monte de oportunidade normalmente já é complicado, em final fica pior. O Brasil estava bem, só que o 0x0 no intervalo deu uma preocupada. O México já tinha mostrado qualidade e qualquer vacilo poderia ser fatal. Quando começou a segunda etapa, o selecionado verde e amarelo manteve o ímpeto ofensivo, o que mudou foi que os norte-americanos também passaram, mesmo que timidamente, a arriscar a sorte no setor ofensivo.

Antes dos vinte minutos, Peglow, por duas vezes, e Patryck fizeram o goleiro Garcia trabalhar. O gol parecia questão de tempo... e realmente era, mas quem marcou foram os mexicanos. Pizzuto cruzou da esquerda, Bryan González subiu entre dois zagueiros e testou para baixo, colocando a pelota no canto direito de Matheus Donelli. Decorridos 21 minutos, foi um enorme banho de água fria que deixou todo mundo dentro e fora de campo fora de combate por alguns minutos.

Eu deixei de me importar com a seleção na Copa do Mundo de 1998 e foram poucos os momentos que realmente torci com afinco. Dessa vez não consegui ficar indiferente. Sinceramente eu queria o quarto título e esperei que a virada acontecesse. Acontece que não foi nada fácil e a peleja teve todos os ingredientes de uma decisão de gente grande: sofrimento, sufoco, emoção e redenção.

Quatro minutos após sofrer o gol, o técnico Guilherme Dalla Dea colocou Lázaro em campo, o heroi da semifinal. Logo na primeira participação, ele recebeu bom passe de Gabriel Veron e bateu sobre o gol. O México estava encurralado e aos 35 o empate quase saiu em chute de longe de Daniel Cabral que bateu na trave. O detalhe é que, no começo do lance, Gabriel Veron foi derrubado dentro da área por Alejandro Gómez. Ninguém viu a penalidade, apenas o VAR. O árbitro da Letônia foi chamado na cabine e marcou. Kaio Jorge cobrou no canto direito e Eduardo Garcia quase defendeu. Com 39 minutos jogados, 1x1 no marcador.

Aos 40, Yan cruzou, a defesa cortou mal, Kaio Jorge dividiu com o goleiro e Alejandro Gómez, se redimindo do pênalti, afastou o perigo. A atmosfera no Bezerrão era eletrizante e todos acreditavam que o segundo gol sairia, muito lembrando do que tinha acontecido ali três dias antes. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar e Lázaro provou que essa velha máxima não existe. O relógio apontava 48 minutos jogados quando Yan atacou pela direita e cruzou na área. A bola percorreu uma curva perfeita e encontrou o pé direito do camisa 20. O atleta do Flamengo bateu de chapa e venceu o arqueiro mexicano. Atletas, comissão técnica e torcida foram à loucura.

Acontece que o jogo não tinha chegado ao seu fim e aos 50 minutos o México teve uma falta pela direita. Foram segundos profundamente tensos até que Josue Martínez cobrou a infração. Enquanto a pelota voava até a grande área, nenhum barulho foi ouvido na cancha pois todos os presentes estavam sem respirar. Bryan González arranjou uma enorme brecha entre os defensores adversários e cabeceou livre. Para azar dos norte-americanos e sorte do onze verde e amarelo ele mandou pela linha de fundo e perdeu a chance de uma nova igualdade.


Peglow (10) em ofensiva verde e amarela pela esquerda


Escanteio a favor do Brasil com a zaga mexicana aliviando


Marcação norte-americana acompanhando em cima o ataque local


Gabriel Veron (7) tentando pelo alto


Bola na rede do arqueiro do México no empate brasileiro aos 39 do tempo final. Quem marcou foi Kaio Jorge em cobrança de pênalti



O chute e a comemoração do talismã Lázaro. O camisa 20 do Brasil entrou no segundo tempo para fazer história mais uma vez


Nos acréscimos o México quase chegou ao empate nesse lance de cabeça... mas a festa foi brasileira

Matheus Donelli cobrou o tiro de meta e o árbitro Andris Treimanis trilou seu apito pela última vez na noite. O placar eletrônico mostrava o resultado de México 1-2 Brasil. Foi o reinício de uma festa imensa com quase todos os presentes envolvidos. Após 16 anos, o Brasil voltava a ser campeão mundial. Somos penta no profissional e no sub-20 e agora tetra no sub-17. Foi apenas a segunda vez que os donos da casa conquistaram o torneio em 18 edições (a primeira foi com o próprio México em 2011). A péssima campanha no sul-americano do começo do ano com a eliminação na fase inicial foi definitivamente deixada de lado. Uma redenção magnífica.





A alucinada festa dos atletas brasileiros na conquista do tetra da Copa do Mundo sub-17

Eu estive em muitas partidas emocionantes na minha vida. Tanto na época em que era torcedor ferrenho como em tempos mais recentes. Presenciei viradas antológicas, disputas ferrenhas e consigo fazer uma boa lista de jogos que me marcaram. Dito isso, estar tão próximo de uma final assim realmente foi especial. Cresci acompanhando os mundiais de base, tanto que tenho lembranças dos títulos no Egito em 1997, Nova Zelândia em 1999 e Finlândia em 2003. O que eu não tinha ideia era que quando o tetra chegasse eu estaria presente dentro de campo. Garanto que a sensação é espetacular. Ainda mais levando em conta todos os perrengues que passei entre 2016 e 2017. Também tive a minha redenção pessoal.

Na sequência da comemoração Gianni Infantino retornou ao relvado junto com vários aspones para a cerimônia de premiação. Gabriel Veron ganhou a Bola de Ouro por ter sido o melhor atleta do certame. O holandês Sontje Hansen ganhou a Chuteira de Ouro pela artilharia e Matheus Donelli recebeu a Luva de Ouro como melhor goleiro. Foram entregues as medalhas pelo terceiro lugar, pelo vice e pelo título. Ficamos ali pertinho captando as imagens, mesmo com os voluntários mais atrapalhando do que ajudando.


Os três maiores artilheiros do certame: o francês Nathanaël Mbuku com a chuteira de prata, o holandês Sontje Hansen com a chuteira e ouro e Kaio Jorge com a de bronze


Os três melhores jogadores do torneio: bronze para o mexicano Eugenio Pizzuto, ouro para Gabriel Veron e prata para o francês Adil Aouchiche



França e México, respectivamente vice-campeão e terceiro colocado da Copa do Mundo sub-17





Já com troféu e medalhas, o palco do Bezerrão ficou ainda mais festivo com a conquista do Brasil

Com a coroação do Brasil da edição 2019 da Copa do Brasil sub-20, encerrei a gloriosa cobertura do JP no mundial. Você viu aqui todas as 24 seleções, todas as sedes e todos os estádios. Não há dúvida que foi a melhor forma de chegarmos aos 16 anos. Agradeço o auxílio do amigo Luciano Claudino e a companhia dos amigos Caio, Bruno, Raul e Renato Rocha nas catorze partidas que acompanhei ao vivo.

Encerrei os trabalhos junto com a dupla Caio e Raul com um ótimo jantar numa belíssima pizzaria de Brasília. Entre um pedaço e outro, já começamos a organizar a próxima grande viagem. Deve rolar já em janeiro durante a Copa São Paulo. A ideia é visitar o maior número de sedes possível.

Dormi o sono dos justos na noite de domingo e segunda-feira de manhã retornei à capital bandeirante. 2019 ainda não acabou e apesar de ter poucas coberturas restando na agenda, teremos boas finais no cronograma.

Até lá!

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Ficha Técnica: México 1x2 Brasil

Local: Estádio Walmir Campelo Bezerra (Brasília/DF); Árbitro: Andris Treimanis (Let); Público: 13.843 presentes; Renda: R$ 189.760,00; Cartões amarelos: Ali Ávila, Alejandro Gómez, Joel Gómez, Daniel Cabral; Gols: Bryan González 21, Kaio Jorge (pênalti) 39 e Lázaro 48 do 2º.
México: Eduardo Garcia; Emilio Lara, Alejandro Gómez e Rafael Martínez; Victor Guzmán, Eugenio Pizzuto, Josue Martínez e Bryan González; Santiago Muñoz (Joel Gómez), Israel Luna (Bruce El-Mesmari) e Efrain Álvarez (Ali Ávila). Técnico: Marco Ruiz.
Brasil: Matheus Donelli; Yan Couto (Garcia), Henri, Luan Patrick e Patryck; Daniel Cabral, Diego e Pedro Lucas (Matheus Araújo); Gabriel Veron, Kaio Jorge e Peglow (Lázaro). Técnico: Guilherme Dalla Dea.
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sábado, 2 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 8): Brasil faz o básico e está nas oitavas

Texto e fotos: Fernando Martinez


Encerrado o eletrizante encontro entre Angola e Canadá, o glorioso Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, foi palco do duelo entre o Brasil e a genial Nova Zelândia, fechando a segunda rodada do Grupo A da Copa do Mundo sub-17. Jogo em que a favoritismo estava todo do lado tupiniquim e ninguém imaginava que a seleção oceânica pudesse surpreender. O terceiro encontro entre essas duas seleções em todos os tempos. Nos dois anteriores, duas vitórias brasileiras.

Essa foi a primeira vez que vi um ótimo público na competição. Exatamente 14.158 pessoas pagaram ingresso e acompanharam o segundo capítulo da tentativa de o escrete canarinho conquistar seu quarto título (os anteriores foram em 1997, 1999 e 2003). Na história do mundial o Brasil é a seleção que tem mais partidas disputadas, mais vitórias e a que marcou o maior número de gols. Apesar das estatísticas a favor, a grande campeã da categoria é a Nigéria com seus cinco títulos.

A Nova Zelândia está na Copa do Mundo sub-17 pela oitava vez. Cinco vezes foi eliminada ainda na fase inicial e três nas oitavas. No campeonato sub-16 da OFC do ano passado conquistaram o título em cima do glorioso selecionado de Ilhas Salomão, que vocês viram aqui no JP na derrota contra a Itália também no Distrito Federal. Na estreia se deram mal contra os angolanos e a esperança de classificação passava por um improvável triunfo contra o time local.



Brasil e Nova Zelândia antes do segundo duelo de ambos no Bezerrão

O Brasil aplicou um inapelável 4x1 contra o Canadá na jornada anterior e ninguém em sã consciência acreditava que saíssem de campo sem os três pontos. Por motivos óbvios o número de fotógrafos foi acima do que tinha visto nos compromissos anteriores e eu novamente dei um azar enorme. Escolhi a esmo um dos lados e, obviamente, na etapa inicial os comandados de Guilherme Dalla Dea atacaram do outro. Acabou que vi pouco da ação e acompanhei de longe a maior parte dos lances dignos de registro.

Agora, preciso registrar que foi sensacional estar dentro de campo nessa apresentação do Brasil. A seleção sempre é protagonista em todos os torneios, adultos ou de base, há décadas, então apesar de não torcer desde a Copa de 1998, ver o uniforme verde e amarelo de dentro do gramado deu uma sensação diferente, totalmente inédita. Confesso que nunca imaginei que teria essa oportunidade na vida.

Depois que o árbitro da Guatemala trilou seu apito e iniciou os trabalhos demorou para que os brasileiros engrenassem. Talvez eu esteja sendo crítico demais, o fato é que foram quinze minutos com um aproveitamento ofensivo menor do que na estreia e isso preocupou os presentes. Nada que o tempo não resolvesse, pois aos 18 o marcador foi inaugurado com Kaio Jorge completando cruzamento de Gabriel Veron.

Os neozelandeses responderam à altura aos 26 minutos. Randall encheu o pé e Matheus Donelli, goleiro do Corinthians, espalmou evitando o empate. A peleja seguiu em banho-maria até os 41 minutos, quando Yan fez o favor e tomou o cartão vermelho após dar uma pisada desleal em Garbett. Ter dez contra onze não era uma situação de assustar contra os All Whites, porém o alerta amarelo foi ligado. Qualquer vacilo poderia se tornar fatal.


Adam Hillis (5) roubando a bola de Talles Magno (11)


Patryck (6) em lance na esquerda do ataque brasileiro


Jesse Randall (9) sob a forte marcação dos defensores brasileiros


Kris Naicker (3) se mandando ao ataque ganhando de Gabriel Veron (7) na corrida


Boa defesa de Matheus Donelli, arqueiro do Brasil, em tiro de longe da Nova Zelândia


Matthew Garbett (11) dominando no campo de defesa neozelandês


Luan Patrick (4) dominando com estilo no final do primeiro tempo

Por motivos óbvios me mantive na posição que estava e acompanhei o ataque mandante na etapa final. Acontece que o jogo seguiu apertado e com um sofrimento além do esperado. Os oceânicos de novo chegaram próximos do empate aos nove minutos. Stameic lançou Strong na esquerda e ele cruzou na direção de Van Hattum. O camisa 14 tocou de chapa e a pelota passou perto do gol de Matheus Donelli. O domínio, por incrível que pareça, era da Nova Zelândia.

A primeira chance real de gol tupiniquim aconteceu somente aos 32 em tiro de longe de Daniel Cabral que Paulsen desviou. Dois minutos depois, mesmo sem merecer, o Brasil fez 2x0 num grande vacilo defensivo do adversário. A bola foi recuada até Paulsen, o arqueiro comeu mosca e perdeu o domínio. Talles Magno agradeceu o presente e ampliou a vantagem. Em outro vacilo dos defensores, agora aos 45, saiu o terceiro. Um dos zagueiros deu um bisonho passe que chegou nos pés de Diego Rosa. Ele avançou sozinho por todo o campo de defesa, entrou na área e tocou na saída do goleiro.


Daniel Cabral (5) em ótima ofensiva pela direita. Jesse Randall (9) assiste de longe


Mesmo com um a menos, o Brasil foi melhor do que a Nova Zelândia em todo o tempo final


Talles Magno (11), um dos destaques da seleção, em investida pelo meio


Bola zanzando perigosamente dentro da área da seleção oceânica


O chute de Diego (17) no terceiro gol brasileiro, o último do segundo triunfo na Copa do Mundo sub-17


Com a vitória, o Brasil se classificou de forma antecipada às oitavas junto com Angola

O Brasil 3-0 Nova Zelândia foi muito mais complicado do que o placar mostra. Sorte que a classificação veio de forma antecipada e que tem espaço de sobra para o futebol melhorar até o mata mata. Ninguém quer perder a chance do tetra atuando em casa. Na última jornada do Grupo A o duelo será contra Angola, também garantida nas oitavas, em busca da liderança da chave. Neozelandeses e canadenses jogam por uma possível terceira vaga.

Antes de me mandar do Bezerrão fiquei um tempinho apreciando o visual do lugar, já me imaginando ali no dia 17 de novembro, data da grande final. Dei uma passadinha na concorrida sala de imprensa antes de encontrar a dupla Bruno e Caio do lado de fora. Fizemos uma parada rápida numa padaria próxima do portão principal comprar meu jantar já que não daria tempo de fazer uma refeição decente em virtude dos compromissos profissionais da madrugada. Me virei com pacotes de cheetos falseta e um refrigerante de abacaxi.


Última visão do Distrito Federal (por enquanto), antes de seguirmos até Vitória para a terceira a última sequência de coberturas na primeira fase da Copa do Mundo sub-17

Dormi pouco e não rolou tomar café da manhã. No implacável andar do relógio consegui apenas arrumar a mala. Deixei o glorioso Hotel Nacional, já com saudade do período em que me senti em 1971, e me mandei até o aeroporto. Dali atravessei parte do espaço aéreo brasileiro com destino a um local que nunca tinha visitado: o Espírito Santo. Era a hora da terceira e última escala da gloriosa cobertura do Jogos Perdidos na Copa do Mundo sub-17. Tinha estádio novo e duas seleções novas na pauta. O que eu não sabia é que a agenda teria uma inesperada brecha para uma peleja fora do Mundial em Vitória.

Até lá!

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Ficha Técnica: Brasil 3x0 Nova Zelândia

Local: Estádio Walmir Campelo Bezerra (Brasília/DF); Árbitro: Mario Escobar (Gua); Público: 14.158 pagantes; Cartões amarelos: Daniel Cabral, Diego, Luan Patrick, Henry Hamilton, Jackson Simpkin; Gols: Kaio Jorge 20 do 1º, Talles Magno 36 e Diego 46 do 2º.
Brasil: Matheus Donelli; Yan Couto, Henri, Luan Patrick e Patryck; Daniel Cabral, Talles Costa (Garcia), Peglow (Sandry) e Talles Magno; Gabriel Veron e Kaio Jorge (Diego). Técnico: Guilherme Dalla Dea.
Nova Zelândia: Alex Paulsen; Kris Naicker, Jackson Simpkin, Adam Hillis (Brad Wilson), Campbell Strong e Harry Bark (Nathan Lobo); Henry Hamilton (Keegan Jelacic) e Marko Stamenic; Jesse Randall, Matthew Garbett e Oskar Van Hattum. Técnico: Jose Figueira.
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