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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 4): Festa haitiana em triunfo sul-coreano

Texto e fotos: Fernando Martinez


A segunda sessão futebolística realizada no Estádio Hailé Pinheiro no domingo, 27 de outubro, fechou a rodada inicial do Grupo C da Copa do Mundo sub-17. Depois do triunfo francês em cima dos chilenos, tivemos a chance de acompanhar de perto o genial duelo entre Coreia do Sul e Haiti no gramado da Serrinha. Sendo fã de um belo jogo perdido posso afirmar que esse é o tipo de confronto que dá mais graça a um mundial.

Apesar de ser figurinha carimbada nas Copas do Mundo, tendo participado das últimas nove edições do maior torneio do planeta, a Coreia do Sul está somente na sua sexta participação no sub-17. Após ficarem de fora em 2017, retornaram ao campeonato ao alcançarem a semifinal do sub-16 da AFC. O cotejo decisivo foi contra a Índia e o triunfo foi pela contagem mínima. Não fiquei tão feliz não, já que a rapaziada da terra do k-pop já estava na minha Lista desde 2014. Além disso, também os vi na Olimpíada e num amistoso genial pré-Jogos no Pacaembu contra a Suécia. Seria bem mais interessante se os indianos tivessem vindo ao Brasil.

Já o Haiti... bom, eles fazem parte da Lista desde o ano 2000. Em janeiro daquele ano vi eles serem derrotados pelo Avaí no Morumbi (!) por 3x2. Poder voltar a vê-los em ação quase 20 anos depois foi muito legal. Jogando o certame sub-17 da CONCACAF eles ficaram em primeiro num grupo com El Salvador, Honduras e Guiana, eliminaram a República Dominicana nas oitavas e definiram a vaga em novo desafio contra os hondurenhos nas quartas. O 1x1 levou a decisão aos pênaltis e então venceram heroicamente por 4x3. Apenas pela terceira vez na história a primeira nação independente da América Latina se classificou para um campeonato da FIFA. A primeira tinha sido na Copa de 1974 e a segunda no mundial sub-17 de 2007.

Falando no Haiti, o maior destaque ficou por conta da enorme presença de torcedores centro-americanos no campo do Goiás. Durante o segundo tempo da preliminar eles começaram a tomar conta do estádio e boa parte deles acabou se postando no gol à direita da TV. A animação da rapaziada foi sensacional, dando ao encontro um clima de decisão mesmo sendo a estreia. Nem com a atuação limitada e nada surpreendente dos meninos da Pérola das Antilhas eles deixaram de cantar.



As seleções sub-17 de Coreia do Sul e Haiti antes da estreia de ambas na Copa do Mundo

Se eu passei um calor monstro por ter ficado debaixo do sol na preliminar, nesta peleja não teria erro, já que a noite tinha chegado em Goiânia. Se não tinha tanto vento como no sábado, pelo menos o astro-rei tinha ido embora. Ainda não tinha entendido direito os comandos da câmera que levei na viagem - fui aprender apenas no dia seguinte - e só consegui captar fotos mais ou menos. Escolhi acompanhar o ataque sul-coreano por crer que eles se sairiam melhores. Bingo.

A rapaziada foi bem, principalmente durante o primeiro tempo. Aos 17 minutos Eom Ji-Sung, camisa 16, chutou de longe e Stephner Paul fez boa defesa. Aos 21, a primeira e única chance haitiana quando Maudwindo Germain cabeceou bem na pequena área e Songhoon fez brilhante defesa. Aos 26 o marcador foi inaugurado com uma lambança do goleiro centro-americano. Jisung cobrou falta da direita e a bola foi em caminho ao gol. O arqueiro estava adiantado, tentou voltar e, atrasado, viu a pelota o encobrir. O camisa 1 ainda tocou na gorduchinha de leve, porém não teve como impedir o tento que tirou o zero do placar.

O Haiti sentiu o golpe e aos 40 minutos sofreu o segundo. Num roubo de bola na intermediária, Jaehyeok foi lançado e cruzou para Minseo no meio da área. O camisa 9 tocou sem marcação e colocou no canto esquerdo num daqueles gols que vemos no video game. Dois fotógrafos da Coreia do Sul que estavam do meu lado estavam animadíssimos, sorrindo à toa. Aliás, encontrar pessoal da imprensa de tudo que é canto do mundo foi um dos destaques durante a viagem. Pena que, como sempre, os profissionais locais deram pouca importância ao certame.

Agora, não há como negar que o momento mais genial da peleja foi off-futebol. Por volta dos 30 minutos um emocionado torcedor haitiano resolveu cruzar o campo com uma bandeira do seu país. O maluco engatou a quinta marcha e não teve como os fiscais da FIFA notarem o intruso. A velocidade foi tão grande que eu só consegui perceber a presença do intrépido moço quando ele estava já quase do outro lado. Por sorte, consegui captar a criança pulando a mureta que separa o campo da arquibancada. Aliás, ele foi devidamente detido pouco depois, quando já estava com uma camisa diferente entre os torcedores tentando confundir os injuriados engravatados.


Eom Jisung (16) e Stanley Guirand (5) em lance no ataque sul-coreano


Maudwindo Germain (13) observando a escapada de Eom Jisung (16) pela direita


Stephner Paul, goleiro do Haiti, e a caçada de borboleta monstro que resultou no primeiro gol da Coreia do Sul


A feliz comemoração dos asiáticos no primeiro tento na Serrinha


Kurowskybob Pierre (4) afastando o perigo que rondava a meta haitiana


O intrépido torcedor do Haiti que passeou pelo gramado da Serrinha. Ele foi tão rápido que só consegui tirar a foto dele saindo do campo


Choi Minseo (9) chutando para fazer o segundo gol da Coreia do Sul. Kurowskybob Pierre (4) se jogou mas não evitou o tento

Voltando para a vaca fria, quando a segunda etapa começou lá estava eu vendo de perto o ataque sul-coreanos novamente. Os asiáticos chegaram com perigo várias vezes, bem mais do que nos primeiros 45 minutos. Mas assim como o Equador diante da Austrália no sábado, os avantes meteram um salto alto monstro e desperdiçaram chances tão claras que até eu na minha forma física atual faria. Eles pensaram certamente que ampliariam a vantagem na hora que quisessem.

É, só que o terceiro gol não saiu e a cada momento perdido o Haiti ficava com um pouquinho mais de esperança. Esperança que cresceu aos 34 minutos quando Lee Taeseok tomou o segundo amarelo e foi expulso. Os centro-americanos então ocuparam o setor defensivo adversário e diminuíram aos 43. Herard cruzou da direita, a zaga afastou mal e Carl Sainte acertou um belo chute de fora da área, fazendo o primeiro. Os minutos finais foram emocionantes. A Coreia quase fez o terceiro aos 46 num contra-ataque que terminou com o chute de Jeong Sang-Bin. Aos 46 e 47, duas grandes oportunidades haitianas que não foram convertidas.


Zaga sul-coreana neutralizando chegada do Haiti no começo do tempo final


Escanteio dentro da área centro-americana e corte de Kervens Jolicoeur (9)


Carl Sainte (18) e bom ataque do Haiti


Yoon Sukju (6) e a marcação de Carl Sainte (18)


Samuel Jeanty (3) protegendo a pelota de atacante Moon Junho (18), conhecido como Lua Junho no Brasil

No fim, o placar de Coreia do Sul 2-1 Haiti acabou sendo justo por conta da seleção que teve melhor aproveitamento ofensivo. Boa estreia coreana na busca de pelo menos igualarem as melhores campanhas na história da competição, as quartas de 1987 e 2009. Já os centro-americanos seguem sem triunfos na história do mundial. O único ponto conquistado foi, incrível, um empate com a França na solitária participação em 2007. Eles são os mais fracos do grupo e dificilmente conseguirão forças para passar de fase.

Essa foi a minha despedida pessoal da cidade de Goiânia na Copa do Mundo sub-17. Por conta disso, saí junto com os três amigos presentes em busca de um lugar para encerrarmos a primeira fase da viagem com chave de ouro. Já era tarde e conseguimos no laço achar uma pizzaria ótima não tão longe dali. Enchemos o bucho comemorando o sucesso da empreitada e que o primeiro terço da programação foi finalizado de forma perfeita.

Chegamos no hotel com tempo de arrumar as coisas antes de emplacar uma noite de sono boa, porém curta. Na segunda-feira de manhã já estava de pé para, junto com o amigo Bruno, pegar a estrada e percorrer os 200 quilômetros até a capital federal de ônibus. É, tinha chegado a hora de voltar a ver futebol em Brasília após cinco anos de ausência.

Até lá!

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Ficha Técnica: Coreia do Sul 2x1 Haiti

Local: Estádio Hailé Pinheiro (Goiânia/GO); Árbitro: Victor Gomes (AFS); Público: 1.433 pagantes; Cartões amarelos: Lee Taeseok, Kim Ryunseong, Moon Junho, Stanley Guirand; Cartão vermelho: Lee Taeseok 34 do 2º; Gols: Eom Jisung 26 e Choi Minseo 41 do 1º, Carl Sainte 43 do 2º.
Coreia do Sul: Shin Songhoon; Lee Taeseok, Son Hojun, Lee Hanbeom, Hong Sungwook e Kim Ryunseong (Moon Junho); Yoon Sukju, Oh Jaehyeok e Paik Sanghoon (Kim Yonghak); Choi Minseo e Eom Jisung (Jeong Sangbin). Técnico: Kim Jung Soo.
Haiti: Stephner Paul; Jean Geffrard, Samuel Jeanty, Kurowskybob Pierre (Woodbens Ceneus) e Stanley Guirand; Corlens Etienne, Maudwindo Germain (Frantzety Herard) e Carl Sainte; Olsen Aluc (Kervens Jolicoeur), Dany Jean e Fredler Christophe. Técnico: Miguel Perdomo. 
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 4): A imperdível chance de ver Ilhas Fiji

Texto e fotos: Fernando Martinez


Assim como aconteceu nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, acompanhei com bastante atenção os torneios pré-olímpicos continentais para saber quem viria ao país disputar o torneio de futebol do Rio-2016. No geral não tive muito sucesso e apenas seis das dezesseis seleções classificadas não estavam na minha Lista: quatro europeias, uma asiática e uma da Oceania. De todas elas, foi justamente essa última a que representou o sonho máximo para quem gosta de raridade.

A Nova Zelândia era favorita absoluta a conquistar a vaga destinada ao continente através dos Jogos do Pacífico de 2015, mas os All Whites atuaram a semi-final daquela competição com um atleta irregular, perdendo os pontos para Vanuatu, que consequentemente foi para a decisão. A grande final foi disputada contra a genial seleção de Ilhas Fiji. Nos pênaltis, os fijianos venceram e se tornaram a 85ª seleção a fazer parte da história olímpica e a 637ª a entrar na minha Lista.

A partir dessa classificação era óbvio que ia ver um jogo de Fiji. Fato. O problema foi que, diferente do que aconteceu no Mundial de 2014, não havia uma "tabela básica" definida com jogos e sedes. Fui obrigado então a me cercar e comprar ingressos para três rodadas em três estádios diferentes, apostando que a seleção do outro lado do mundo estivesse entre as doze que iria assistir.

Meu plano deu certo, e com 75% do certame "coberto" o sorteio colocou os oceânicos na rodada inicial do Grupo C na Arena Fonte Nova, atuando contra os medalhistas de bronze de Londres-12, a Coreia do Sul. Assim como você já viu no post de México x Alemanha, a preliminar do dia, não teve outra alternativa a não ser armar aquele bate-volta maroto até Salvador para ver de perto esse surreal confronto.


Seleções entrando em campo na Arena Fonte Nova


Bandeira de Ilhas Fiji. Provavelmente a primeira e única vez que a verei num evento esportivo

Qualquer um sabia que o onze asiático - que disputa sua oitava Olimpíada consecutiva, um recorde - era franco e total favorito na peleja. Na semana anterior os coreanos venceram bem a Suécia num amistoso realizado no Pacaembu e era questão apenas de saber o placar do massacre.

É, só que o primeiro tempo foi bastante abaixo do esperado, parte pela pouca inspiração do ataque coreano e parte pela grande atuação do goleiro fijiano Tamanisau. O arqueiro fez quatro milagres e impediu que o onze asiático abrisse boa margem no marcador já nos primeiros 45 minutos.

O primeiro gol saiu apenas aos 32 minutos com o camisa 10 Seunghyun Ryu. Após cruzamento pela direita, ele matou a bola de forma meio estranha e chutou de bico para inaugurar o placar. Aos 38, Changjin Moon teve a chance de fazer o segundo num pênalti, mas ele chutou na trave. Foi com a vantagem mínima para a Coreia que o tempo inicial terminou.


Zaga fijiana afastando o perigo de dentro da área


Sangmin Sim encarando a marcação de Setareki Hughes


Hughes agora atacando pela direita. De londe, o camisa 6 Hyunsoo Jang só observa


Outra investida sul-coreana no tempo inicial

Boa parte dos torcedores que tinham permanecido na Arena Fonte Nova se mandou no intervalo, talvez por conta da pouca empolgação coreana. No tempo final o jogo continuou com Tamanisau salvando a pátria de Fiji mais duas vezes. A partir dos quinze minutos porém, o favoritismo finalmente entrou em campo.

Entre os 16:02 e os 17:46 - um espaço exato de um minuto e 44 segundos - a Coreia marcou três vezes, abrindo a porteira em definitivo. Changhoon Kwon fez o segundo e o terceiro e Ryu marcou o quarto. A partir daí foi um massacre. Aos 27 saiu o quinto em nova cobrança de pênalti, agora de Heungmin Son. Aos 30 ele mesmo quase fez um gol de placa chutando do meio de campo. A pelota caprichosamente tirou tinta da trave.

No minuto seguinte Hyunjun Suk fez o sexto. Após outras chances desperdiçadas, o placar voltou a ser alterado apenas aos 44 minutos com outro gol de Hyunjun Suk. Para fechar o gigantesco triunfo, Seunghyun Ryu fez seu quarto gol e o oitavo da noite.


Tamanislau subindo para fazer o corte


Sexto gol do selecionado asiático marcado por Hyunjun Suk


Um raro ataque de Ilhas Fiji, sem sucesso, no tempo final


Visão geral da Fonte Nova quase vazia no final do surreal confronto olímpico

O placar final de Ilhas Fiji 0-8 Coreia do Sul foi pouco tamanha a diferença técnica entre as duas seleções. Se os asiáticos tivessem tido mais capricho nas finalizações e mais vontade no tempo inicial, a vitória poderia ter sido ainda mais absurda. De qualquer forma, essa marcou o maior triunfo sul-coreano na história da Olimpíada, superando os 5-3 contra o México em 1948 e os 2-0 contra o Japão em 2012.

Cinco horas e doze gols depois da minha chegada no estádio, voltei ao hotel com tempo apenas de tomar um banho rápido e fazer uma janta improvisada antes de partir para o aeroporto. Na sexta-feira saí oficialmente de férias e a Olimpíada teve sua cerimônia de abertura. A minha programação no evento foi cansativa, porém absolutamente sensacional.

Até lá!

domingo, 31 de julho de 2016

O genial amistoso entre Coreia do Sul e Suécia no Pacaembu

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na noite da última sexta-feira rolou no Estádio Paulo Machado de Carvalho aquele que foi provavelmente o jogo mais perdido de 2016 por essas bandas. Sim, não é exagero falar assim mesmo estando em julho, afinal, ter a chance de ver um amistoso internacional entre as seleções olímpicas da Suécia e da Coreia do Sul pertinho de casa é um momento único e absolutamente histórico.

Essa partida caiu do céu, ainda mais se levarmos em conta a dificuldade que é rolar um amistoso por aqui, vide o que rolou antes da última Copa do Mundo. Mesmo com várias seleções se preparando pertinho da capital, ninguém foi capaz que marcar um joguinho sequer. O mérito total desse surreal encontro ter acontecido vai para a comunidade coreana da capital, os responsáveis diretos pela realização e organização da peleja.

Dá para deduzir que o número de amigos e conhecidos na velha casa paulistana foi enorme. Ninguém queria perder a chance de ver a primeira apresentação da Suécia em São Paulo em 66 anos. O selecionado escandinavo não atuava por aqui desde o longínquo 16 de julho de 1950, dia do fatídico Maracanazo. Enquanto o Uruguai sagrava-se bi-campeão do mundo no Rio, os suecos venciam a Espanha e terminavam a Copa de 1950 na terceira posição.

Para mim, o jogo teve um sabor ainda maior, já que de acordo com minha programação na Olimpíada, ficaria sem ver os conterrâneos do Abba. Das seis seleções "novas" no torneio de futebol masculino, assistirei quatro in loco, e Suécia e Dinamarca ficariam de fora. Ganhei um time a mais na base da sorte.


Ingresso da genial partida realizada no Pacaembu. Um jogo histórico, sem sombra de dúvida


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais

As duas seleções já haviam se enfrentado cinco vezes na história, contando elencos principais e olímpicos. Os times "adultos" jogaram três vezes, com uma vitória europeia e dois empates. Já na história da Olimpíada, foram dois confrontos: o primeiro num sonoro 12x0 em Londres-48, ano em que o time azul e amarelo conquistou a medalha de ouro, e um empate por 1x1 em Barcelona-92. Em 2016, os europeus estão no Grupo B junto com Colômbia, Nigéria e Japão, enquanto os asiáticos fazem parte da chave C junto com Alemanha, México e Ilhas Fiji (!).

Falando da partida em si, a impressão que os sul-coreanos deixaram foi super positiva. Os mais de sete mil presentes, a maior parte orientais, viram uma grande atuação do seu selecionado e a apresentação deu bastante esperança de uma campanha positiva na Olimpíada. No começo, um susto. Ken Sema emendou um perfeito contra-ataque pela direita e abriu o marcador para os escandinavos.


Pacaembu recebendo um belo público para o encontro olímpico entre Suécia e Coreia do Sul


Comemoração escandinava no primeiro gol marcado por Ken Sema


Defesa sueca em lance pela esquerda do ataque sul-coreano


Boa troca de passes no rápido setor ofensivo asiático

Minutos depois a Coreia do Sul teve pênalti marcado a seu favor. O arqueiro sueco defendeu a cobrança, mas o rebote caiu nos pés de Changjin Moon, que chutou forte e deixou tudo igual. O mesmo camisa 16 virou o placar com um golaço. Ele recebeu bom passe dentro da área e chutou no ângulo direito do camisa 1, sem nenhuma chance de defesa.

No começo do tempo final Seungwoo Ryu acertou um chute colocado no canto esquerdo e ampliou a vantagem asiática. Só que a Suécia não se entregou e seis minutos depois fez o segundo com o camisa 13 Jacob Une-Larsson. O restante da peleja teve bom futebol, principalmente por parte dos sul-coreanos, porém o marcador não foi mais alterado.


A Suécia tentou pelo menos o empate, mas a boa atuação da zaga adversária impediu


Bola espirrada dentro da área europeia


Escanteio a favor da Coreia do Sul


Investida pela direita sob a forte marcação sueca

Ao final dos 90 minutos, o placar ficou em Coreia do Sul 3-2 Suécia. Pelo futebol apresentado, ficou claro que o time vermelho e azul pode dar trabalho na Olimpíada mesmo numa chave que conta com a atual campeã mundial e o atual campeão olímpico, enquanto os suecos não devem ir muito longe. Estaremos de olho!

Até a próxima!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 17): Pálido triunfo belga na Arena Corinthians

Opa!

Após inúmeras idas e vindas por quatro regiões do país durante as primeiras duas semanas da Copa do Mundo, encerrei os trabalhos na primeira fase do certame assistindo meu terceiro jogo na Arena Corinthians. Fechando o Grupo H, a esperançosa Coreia do Sul enfrentou a já classificada Bélgica.

A partida aconteceu no dia 26 de junho, uma quinta-feira, e voltei em definitivo para a capital paulista após a sensacional (e cansativa) rodada dupla BH/Salvador por volta das 10 da matina. O fato do jogo ser às 17 horas me deu a abençoada chance de dormir um pouco antes de seguir para a casa corintiana no Expresso da Copa na Estação da Luz.

Por ser uma peleja de "menor importância" para os torcedores mais chatos, muitos amigos, mas muito mesmo, conseguiram marcar presença na nova casa alvinegra. Impossível citar todos por aqui, mas vale destacar a presença dos outros 2/3 da bancada atual do FATV. O amigo Sérgio superou a rapaziada ao marcar presença na sua segunda Copa e o veterano Mílton estreou com estilo. Ele merecia.


Copa do Mundo ou apenas um dia comum no Bom Retiro? Registro da presença do veterano Mílton no Mundial. Foto: Fernando Martinez.

O entorno do estádio estava mais uma vez naquele clima indescritível e tomado por pessoas de varias nacionalidades, claro que com coreanos e belgas em maior número. Os asiáticos mais comedidos e os europeus com a etílica e contagiante vibração. Difícil encontrar uma torcida mais animada do que a dos Diabos Vermelhos.


Times perfilados. Foto: Fernando Martinez.

Bom, depois de ver a Bósnia no dia anterior, não tinha mais times novos programados para colocar na Lista nos três jogos restantes do Mundial - desisti de ir em Rússia x Argélia, e ver pela primeira vez os russos, mesmo com ingresso comprado por conta da facilidade de ver um jogo perto de casa - mas esse Coreia x Bélgica valeu demais por conta do lugar escolhido pela FIFA.


Visão geral da Arena Corinthians em Coreia do Sul x Bélgica. Foto: Fernando Martinez.


Van Buyten se preparando para cobrança de falta. Foto: Fernando Martinez.


Fellaini sob a marcação de Sungyueng Ki. Foto: Fernando Martinez.

Fiquei logo atrás do gol "da esquerda" na terceira fileira (!), quase dentro de campo. Se já achava que minha posição em Honduras x Equador tinha sido genial, essa foi tão legal que nem dá para traduzir em palavras. Poder ver um jogo de tamanha importância de tão perto foi um privilégio.


Ataque da Bélgica num momento "ginástica" de zagueiro sul-coreano. Foto: Fernando Martinez.


Jogador belga pede falta. Foto: Fernando Martinez.

O "ruim" - se é que existe algo ruim numa Copa - é que o jogo não foi aquela maravilha. A seleção da Bélgica, que veio ao país como exemplo de "futebol bonito", mais uma vez apresentou um futebol bem burocrático e sem inspiração. Os coreanos tiveram mais vontade, mas o baixo nível técnico do time impediu melhor sorte.


Adnan Januzaj armando jogada na lateral. Foto: Fernando Martinez.


Disputa aérea dentro da área europeia. Foto: Fernando Martinez.


Heungmin Son fazendo cruzamento com a marcação de Vertonghen, autor do gol da Bélgica. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro tempo foi fraco e no segundo, com a expulsão de Seteven Defour, a Coreia do Sul passou a atacar mais. Precisando da vitória de qualquer jeito, o time sofreu com a parca criatividade. Jogando na boa, a Bélgica passou a mostrar perigo em contra-ataques. Num deles o capitão Jan Vertonghen aproveitou rebote defensivo e fez o solitário gol da partida aos 33 minutos.


A torcida da Bélgica foi a mais animada que vi nessa Copa do Mundo. Aqui, os embriagados torcedores comemoram o gol da sua seleção. Foto: Fernando Martinez.


Corte da zaga da Bélgica. Foto: Fernando Martinez.


Keunho Lee e Vanden Borre sendo driblados pela bola. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o jogo ficou em Coreia do Sul 0-1 Bélgica. Os coreanos foram eliminados com apenas um ponto conquistado enquanto os belgas terminaram a fase inicial com 100% de aproveitamento junto com Holanda, Colômbia e Argentina. Na segunda fase, os Diabos Vermelhos eliminaram os EUA. O segundo classificado do Grupo H foi a Argélia, que lutou demais mas acabou eliminada nas oitavas pela futura campeã Alemanha.


Ataque perigoso do camisa 11 sul-coreano com a firme marcação de Van Buyten. Foto: Fernando Martinez.


Seleção da Coreia do Sul, que se despediu do Mundial com a derrota, saudando seus torcedores. Foto: Fernando Martinez.

Sempre que a primeira fase da Copa do Mundo acaba já ficamos com aquela sensação ruim de "tudo está acabando", por isso o pós jogo foi um dos mais demorados. Deixamos as dependências da Arena Corinthians cerca de duas horas após o apito final para uma boquinha mais do que merecida no Shopping Itaquera.

O cenário ali era genial com muitos dos torcedores que estavam no jogo zanzando pelos corredores, num cenário que nunca mais veremos acontecer novamente. Com aquele sentimento de dever cumprido, voltei para casa para começar minhas férias de verdade, agora acompanhando grande parte do que restava da Copa pela televisão.

Voltei ao batente cinco dias depois com outra partida em Itaquera, agora com prorrogação e sofrimento portenho.

Até lá!

Fernando

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

JP na Copa (parte 11): Alegria e goleada argelina em Porto Alegre

Opa,

Após curtir Honduras x Equador na noite do dia 20 de junho na Arena da Baixada, a madrugada de sexta pra sábado foi curta por conta de uma maratona Curitiba-São Paulo/São Paulo-Porto Alegre, tudo com apenas seis horas de diferença. No apertado cronograma de viagens da Copa do Mundo, essa era a única opção possível. Tudo para ver o genial jogo entre Coreia do Sul e Argélia no domingo no Beira-Rio.

A programação foi feita direitinho: como o voo de Curitiba para a capital paulista partiria seis e meia da matina, a ideia era pegar um busão executivo no Shopping Estação, que fica no centro da cidade, no máximo até cinco horas e em meia hora estaríamos no aeroporto. Simples, rápido e sem problemas, certo?

Então, no papel estava tudo bem, mas no frigir dos ovos o ônibus simplesmente não passou, deixando várias pessoas na mão. A cada virada do relógio o desespero aumentava, pois não podíamos nem em sonho perder a viagem para casa. Por sorte conhecemos dois paulistanos na fila e na base da camaradagem rachamos um táxi, que surgiu como um milagre, com destino ao Afonso Pena.

O percurso foi feito na base do "Need for Speed" com o motorista roletando farol vermelho, passando por cima de calçada e desrespeitando umas 174 leis de trânsito. Chegamos no aeroporto às 5h50, quarenta minutos antes do horário de decolagem. Só que a fila para o embarque era ENORME e só na base da cara-de-pau e do xaveco furado nós conseguimos entrar no avião no último minuto da prorrogação.

Durante os quarenta minutos de viagem o único sentimento presente foi um enorme alívio. Se não tivéssemos pego o voo estaríamos completamente ferrados. Chegamos em São Paulo pouco antes das sete e meia e logo fomos para casa. Deu tempo apenas de tomar um banho, um café e arrumar as coisas para a continuação da jornada.

Voltamos então para o aeroporto de Cumbica para pegar outro voo agora com destino ao Salgado Filho, na segunda vez que fomos para o Rio Grande do Sul num período de quatro dias. Essa estadia em Porto Alegre marcou a única vez em todo o Mundial que fiquei num hotel com direito a dormir, dormir e dormir para colocar o atrasadíssimo sono em dia.


Belíssimo entardecer em Porto Alegre. Foto: Fernando Martinez.

De sábado para domingo tive a primeira noite realmente bem dormida desde o início do certame e acordei muito bem disposto. Depois do ótimo café da manhã dois amigos apareceram no hotel para tornar a jornada mais genial: a dupla Estevan, vindo de Belo Horizonte, e Emerson Ortunho, marcando presença na sua única partida na Copa do Mundo.

Seguimos no possante do amigo jabaquarense e conseguimos milagrosamente estacionar do lado do Shopping Praia de Belas. Dali fomos a pé até o belíssímo Beira-Rio pela longa avenida que leva até a casa colorada. Quando chegamos vimos que as filas estavam dentro do limite do suportável e não demorou muito para passarmos pelas catracas.


Não tem como não citar a presença do técnico Tite na fila antes de entrar no Beira-Rio. Humilde, o campeão do mundo de 2012, tirou foto com quase todo mundo por ali. Foto: Fernando Martinez.

Ouvi muitas pessoas falarem que esse jogo era "sem graça" e "um dos piores da Copa". Um absurdo, já que pra mim é inconcebível que alguém ache realmente que exista um "jogo ruim" num torneio como a Copa do Mundo. Falar que um jogo foi fraco depois dele ter acontecido tudo bem, mas antes não tem o menor cabimento. Tenho certeza que a maior parte dos 42.732 torcedores que pagaram ingresso para essa partida compartilham da minha opinião.


Beira-Rio com um ótimo público para mais um jogo da Copa do Mundo. Foto: Fernando Martinez.


Times perfilados para os respectivos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.

Para deixar a tarde ainda mais legal acabamos vendo uma partida sensacional. A Coreia do Sul havia empatado com a Rússia na primeira peleja do Grupo H e contava com uma vitória em cima dos africanos para encaminhar a vaga nas oitavas. Derrotada na estreia pela Bélgica, a Argélia entrava como franco atiradora.


Ataque argelino no começo do jogo. Foto: Fernando Martinez.


A zaga coreana bateu cabeça durante todo o primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Mas foi a equipe comandada pelo técnico Vahid Halilhozic que mostrou um futebol avassalador durante o tempo inicial. A equipe não deu espaços para o escrete coreano e praticamente definiu a peleja num espaço de 12 minutos com gols de Slimani aos 26, Halliche aos 28 e Djabou aos 38.


Uma rara chegada asiática no tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração argelina. Foto: Fernando Martinez.


Início da jogada do terceiro gol do time africano. Foto: Fernando Martinez.

Como já havia visto em Belo Horizonte na rodada anterior, a torcida argelina deu um show nas arquibancadas do Beira-Rio, contagiando os "indecisos" que não sabiam para quem torcer. No tempo final a Coreia do Sul começou apostando no milagre e diminuiu com o camisa 9 Heungmin aos cinco.


Defensor argelino protegendo a pelota. Foto: Fernando Martinez.


Bom corte da zaga da Argélia. Foto: Fernando Martinez.

O time asiático jogava melhor e levava bastante perigo para a zaga da Argélia. Mas numa bobeira do seu setor defensivo Brahimi fez o quarto gol africano aos 17 minutos. Foi a primeira vez que uma seleção do continente marcou quatro vezes num jogo de Copa do Mundo. Histórico.


Disputa de bola na lateral. Foto: Fernando Martinez.


A Coreia tentou, tentou, tentou, mas não conseguiu fazer o terceiro. Foto: Fernando Martinez.


Já de noite, mais uma visão geral do Beira Rio. Foto: Fernando Martinez.

O time azul e vermelho ainda marcou o segundo gol aos 27 com Jacheol Koo, mas não teve forças para fazer mais. No fim, o placar de Coreia do Sul 2-4 Argélia complicou demais a situação da seleção sede da Copa 2002. Já a Argélia encaminhou sua até então inédita vaga para as oitavas, confirmada dias depois no empate contra a Rússia.


Fachada iluminada do Beira-Rio após Coreia do Sul x Bélgica. Foto: Fernando Martinez.


Fernando, Renato, Emerson e Estevan na frente da casa colorada. Foto: Angélica Quissi.

O pós jogo teve a presença do "Super Coreia" Renato Rocha e da corrida desenfreada do Estevan até o aeroporto para não perder seu voo para Fortaleza. Depois de um bom jantar no shopping o Emerson voltou para seu QG no interior gaúcho.

Eu e a Van permanecemos em Porto Alegre até as primeiras horas da manhã de segunda-feira. Sem tempo suficiente para descansar, claro, pois a próxima parada no Mundial estava marcada para as 13 horas da segunda-feira na Arena Corinthians. Mais correria à vista!

Até lá!

Fernando!