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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Rodada "retrô" na Rua Javari na disputa da Taça Oberdan Cattani

Fala, pessoal!

Após o WO da sexta-feira posso dizer que lavei a alma no sábado. Teve futebol de verdade em seis (!) pelejas para todos os gostos. A jornada que foi das nove da matina até as nove da noite começou com o genial Torneio Retrô organizado pelo Palmeiras no Estádio Conde Rodolfo Crespi.

Como se fosse o reveillón de 1941, Palestra Itália, Paulistano, Germânia e Juventus jogaram a mini-competição criada para as comemorações do centenário alviverde. Depois de Corinthians e Santos não fazerem absolutamente nada nesse sentido quando completaram um século de vida, a iniciativa alviverde merece ser aplaudida de pé.



Palestra Itália e Juventus posando no gramado do Conde Rodolfo Crespi. Fotos: Fernando Martinez.

Cheguei na casa juventina e, sem perder tempo, logo fui ao gramado encontrando pelo caminho muitas pessoas vestidas como se estivessem nos anos 40. Tomado por 134 repórteres e 84 câmeras, foi difícil arranjar um espacinho para captar as imagens para o JP no pré-jogo, ainda mais contando com a falta de educação da maioria dos 517 fotógrafos presentes. Independente disso, o clima era muito legal.


No clima do torneio, muitas pessoas estavam caracterizadas como antigamente na Rua Javari. Foto: Fernando Martinez.

Todos sabem que não sou palmeirense, mas como adoro a história do futebol foi gratificante ver tantos craques do passado reunidos para o evento. O torcedor alviverde se deleitou vendo jogadores como Edu Bala, Evair e Ademir da Guia, todos representando um tempo em que jogar contra o Palmeiras era muito complicado.


O camisa 10 mais importante da história do Palmeiras entrando em campo. Foto: Fernando Martinez.

Mas para mim o destaque mesmo foi ver Paulistano e Germânia desfilando com suas camisas no gramado da Javari. As tradicionalíssimas equipes fizeram parte do primeiro Campeonato Paulista em 1902 e desapareceram do cenário estadual respectivamente em 1929 e 1932. Até hoje o CAP é o quinto maior campeão do estado com seus 11 títulos, enquanto o atual EC Pinheiros venceu os paulistas de 1906 e 1915.



Paulistano e Germânia posados na Javari: uma verdadeira viagem no tempo. Fotos: Fernando Martinez.

Depois da execução do Hino Nacional e do hino da Sociedade Esportiva Palmeiras, o torneio finalmente começou. A primeira peleja foi entre Germânia e Juventus valendo uma vaga na final e também a Taça Cláudio Mortari, grande jogador e técnico de basquete.

Na história do estadual, as equipes chegaram a fazer quatro jogos, todas com vitórias do onze grená. Pena que esse acabou sendo o jogo mais fraco da manhã, e com o 0x0, a vaga na final acabou sendo do Germânia por contra do número de escanteios a favor: 1x0.


Disputa de bola entre atletas do Juventus e do Germânia. Foto: Fernando Martinez.


Mais um lance da peleja. Ao fundo, votos de "Feliz 1942". Foto: Fernando Martinez.

O segundo confronto foi entre Palestra Itália e Paulistano, times que faziam parte do "Trio de Ferro" original junto com o Corinthians. Esse duelo foi bastante comum entre 1915 e 1924, sempre com absoluto equilíbrio. Nesse jogo estava em jogo também a Taça Heitor Marcelino.


Primeiro gol palestrino marcado por Jorginho, revelação do Marília no fim dos anos 70. Foto: Fernando Martinez.

Quem estava na Javari acabou vendo um jogaço, o melhor da manhã, relembrando a rivalidade extinta há quase 90 anos. O Palestra abriu o marcador, tomou a virada mas conseguiu virar novamente no tempo final e venceu a peleja por 3x2, garantindo a vaga na decisão.


Saída de bola do Paulistano. Foto: Fernando Martinez.


Ataque aéreo alviverde. Foto: Fernando Martinez.

Na decisão do terceiro lugar, um jogo inédito na história do campeonato estadual: Juventus x Paulistano. Quando o time da Mooca começou a disputar a primeira divisão o CAP já havia abandonado o futebol. Em campo vinte minutos de massacre grená que terminou com vitória por 5x0. O Juventus ficou com a Taça Joelmir Beting e o time do Jardim América com a Taça Imparato.


Raudinei chutando para o gol. O camisa 9 fez três na goleada grená. Foto: Fernando Martinez.


Ataque lateral do CAP. Foto: Fernando Martinez.

Na grande final o Palestra Itália enfrentou o Germânia. Na história dos confrontos entre os dois, amplo domínio para o alviverde. Vimos um jogo muito bom e bastante disputado. As duas agremiações criaram chances para abrir o marcador, mas a peleja foi chegando ao seu fim ainda no 0x0.


Evair recebendo a pelota dentro da área. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do belíssimo uniforme do Germânia, o mais bonito da manhã. Foto: Fernando Martinez.

Faltando três minutos para o apito final, o alviverde teve um pênalti a seu favor. Evair foi para a cobrança e fez o gol do título. No fim, o Palestra Itália 1-0 Germânia deu a Taça Oberdan Cattani para a equipe do Parque Antarctica, deixando a torcida que foi ao estádio satisfeita.


O camisa 9 Evair rodeado por seis (!) jogadores do Germânia. Foto: Fernando Martinez.


Cobrança de pênalti que deu a Taça Oberdan Cattani ao Palestra Itália/Palmeiras. Foto: Fernando Martinez.

Nem ficamos para ver a comemoração, pois o relógio já mostrava que era hora de ir embora. Eu e o amigo Renato fizemos uma boquinha rápida ali perto antes de encontrar Estevan Mazzuia com seu possante. Dali seguimos até a cidade de Itu para continuar a saga do sábado revivendo as famosas caravanas JP.

Até lá!

Fernando!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Uma genuína volta ao passado com o clássico Paulistano x Sírio no JP

Fala, pessoal!

Seguindo com a nossa "saga" de ir atrás de jogos insólitos, ainda mais nesse árido mês de dezembro, o domingo passado me proporcionou um momento histórico. Na minha programação original, estava na ordem do dia ir ao Pacaembu ver o torneio internacional feminino. Mas uma mensagem na madrugada de sexta para sábado fez com que eu alterasse por completo os meus planos.

O amigo Álvaro Souza, torcedor da Portuguesa e que sempre aparece no Nacional, me avisou que no domingo de tarde aconteceria a final do Módulo Amarelo da V Copa Paulistana, torneio que reúne clubes sociais da capital paulista. No módulo principal, temos algumas associações que já disputaram campeonatos paulistas no tempo da onça. E aí que pairava o maior interesse no jogo, pois o verdadeiro "plus" da notícia é que a decisão seria entre os fantásticos e históricos Club Athletico Paulistano e o Esporte Clube Sírio.


Escudinhos do Paulistano e do Sírio, tradicionalíssimos no futebol paulista. Fotos: Fernando Martinez.

Isso mesmo, o quinto maior campeão paulista da história e a maior equipe brasileira no começo do século XX tem equipe de futebol que joga regularmente essa competição. Do outro lado, uma equipe que disputou paulistas da primeira divisão de 1921 até 1934, e que era dona do Parque São Jorge, antes de se fixar na Zona Sul da capital bandeirante. Esse confronto é tão histórico que a história do paulistão mostra oito duelos entre os dois, de 1921 até 1925.

O palco dessa verdadeira "volta ao passado" foi o Estádio Distrital da Vila Guarani. Cheguei lá pouco antes do horário marcado, e tive que aguardar pacientemente o final de uma animada peleja com times amadores. Depois de 40 minutos, finalmente as histórias agremiações entraram no gramado sintético do local. Só aí que percebi que tinha feito uma burrada, pois não carreguei a bateria da minha máquina digital. Em virtude desse lamentável lapso, teremos poucas fotos da decisão.


CA Paulistano (amador) - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


EC Sírio (amador) - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


Taças para o campeão e o vice da V Copa Paulista. Foto: Fernando Martinez.

Uma das coisas que achei legal foi a boa organização do certame. O responsável por isso, José Carlos, disse que faz tudo na base da raça. Ele merece todos os elogios, já que organizar um campeonato por conta própria não é algo muito fácil não. No ano que vem, a Copa Paulistana vai continuar e pode contar com a participação de mais equipes.

E diferente do que muitos poderiam esperar, o nível de organização do Paulistano e do Sírio é bastante grande. Quando falamos de uma competição "amadora", logo pensamos árbitros barrigudos, jogadores veteraníssimos e muita improvisação. Mas nada disso acontece com os clubes que chegaram na final. Os atletas tem muito mais cara de jogador de futebol do que vários times profissionais que vimos na segundona desse ano (vide Palestra e Nacional, dois exemplos próximos do JP). Diretores das duas agremiações também se fizeram presentes, mostrando um grande interesse na final. Tudo isso deu uma cara mais "profissional" ao confronto.

Quando a bola rolou, confirmamos a expectativa positiva, pois vimos um grande jogo de futebol. O Sírio começou melhor e, apoiado pela torcida presente na Vila Guarani, criou algumas chances de gol, mas que não foram convertidas. O Paulistano se defendia bem, e na primeira chance que teve, marcou o primeiro do duelo. A equipe teve um pênalti marcado a seu favor aos 31 minutos. Na cobrança, o camisa 10 Guilherme Zaidan bateu e deixou a equipe do Jardim América com a vantagem no placar.


Jogadores dentro da área do Paulistano no começo da partida. Foto: Fernando Martinez.

Cinco minutos depois veio o segundo, agora com finalização do camisa 7 Zé Rodolfo. O Sírio sentiu demais esses gols do Paulistano e não conseguiu mais chegar na área adversária nos minutos finais do tempo inicial. No intervalo o placar apontava 2x0 para a equipe do CAP. O time da Avenida Indianópolis tentou juntar os cacos para ainda ter chances de conquistar a taça no segundo tempo.


Falta perigosa para o Paulistano no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

E o Sírio começou o tempo final jogando muito bem, e finalmente diminuiu o placar aos 12 minutos. Quem marcou foi o camisa 9 Michel, aproveitando rebote do goleiro do Paulistano. A equipe vermelha perdeu inúmeras oportunidades de chegar a igualdade nos minutos seguintes, deixando a torcida com o coração nas mãos.

O Paulistano só esperava conseguir armar um contra-ataque preciso para fazer a festa. E contando com a enorme categoria de Guilherme Zaidan, o CAP marcou o terceiro aos 33 minutos. Ele recebeu bom passe em profundidade, driblou o zagueiro, o goleiro e tocou para o fundo das redes. Impossível não se emocionar ao ver um lance genial de uma camisa 10 que pertenceu ao maior craque brasileiro antes de Pelé, Friedenreich.


Lance do jogo entre Paulistano e Sírio, pela final do Módulo Amarelo da V Copa Paulistana. Foto: Fernando Martinez.

A equipe vermelha se entregou e viu o CAP criar chance atrás de chance nos minutos seguinte. Aos 36, Guilherme chutou na trave, e aos 38 veio o quarto gol, novamente com Zé Rodolfo. O Sírio ainda marcou o segundo gol aos 42 minutos, num chutaço de Daniel no canto esquerdo. Mas já era tarde para a equipe.

Final de jogo: Paulistano 4-2 Sírio. Esse placar deu o título da V Copa Paulistana no seu Módulo Amarelo para a agremiação do Jardim América. Aliás, o bi-campeonato, pois o time foi campeão também em 2010. Mas o JP parabeniza as duas equipes pelo espetáculo e pela chance de poder acompanhar esse duelo tão antigo e tradicional do futebol paulista. Ano que vem estaremos de olho nessa competição, que rola durante o ano todo. Ah, vale registrar o título do Corinthians no Módulo Verde do certame.

Após toda a festa, pegamos nosso DeLorean voador e voltamos à 2011, já pensando no cronograma do restante desse ano. Mas o foco mesmo é a Copinha, torneio que aparecerá bastante aqui no JP no começo de 2012.

Até a próxima!

Fernando