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quinta-feira, 30 de junho de 2016

JP na Argentina 17 (9/9): A despedida com Ferro x Villa Dálmine

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na gélida noite do último dia 19 de abril, a minha 12º longe do Brasil, encerrei com chave de ouro a minha Magical Mystery Tour de 2016 com meu décimo jogo, nono estádio e o 14º time novo na Lista. A despedida não foi numa cancha inédita, mas só o fato de ter ido outra vez no Estadio Arquitecto Ricardo Etcheverri para uma apresentação do sensacional Club Ferro Carril Oeste já valeu a pena. O adversário dos Verdolagas foi o Club Villa Dálmine com sua belíssima camisa lilás. A peleja foi válida pela 12ª rodada do Campeonato de Primera B Nacional.

Como foi meu último dia inteiro em Buenos Aires fiz algumas coisas que ainda não tinha feito, como visitar alguns sebos na Avenida Corrientes. Estava garoando e fazia bastante frio, logo, foi delicioso andar pelas ruas do centro. Dai fui pelo Subte - o metrô deles - até a região do Caballito garantir meu ingresso com antecedência, mesmo sabendo que o público não seria alto. Aproveitei e visitei a genial lojinha do Ferro e, como a camisa oficial era caríssima, comprei um moletom com o primeiro escudo da história da agremiação. Já é vestimenta obrigatória em dias de frio.


Ingresso da minha última partida na Magical Mystery Tour de 2016. Foram dez jogos em dois países e muita história pra contar

Ainda consegui fazer um bate-volta no hotel e deixei minhas coisas lá antes do cotejo. Cheguei cedo e fui dar uma volta no clube, algo que não consegui fazer em 2009 nas duas vezes em que estive na praça de esportes (Ferro 1-2 Belgrano de Córdoba e Chacarita Juniors 4-2 Unión Santa Fé). Muitos sócios estavam passeando pelas alamedas e também aproveitando as várias quadras do local, além do belo ginásio. Falando do estádio em si, ele é majestoso e foi construído no terreno que tinha o campo do Flores Rugby Club. A inauguração oficial aconteceu em 1905, fazendo com que seja a mais antiga cancha do país e a segunda das américas, perdendo o primeiro lugar para o Parque Central em Montevidéu (estive lá também nessa viagem no duelo Nacional e Rosario Central pela Libertadores), que foi inaugurado em 1900.

O adversário do Ferro foi o genial Villa Dálmine. Em 1957 a fábrica Dálmine SAFTA, sediada em Campana, resolveu fundar um time para a prática do esporte entre seus funcionários. Em 1961 eles se filiaram à AFA e fizeram uma campanha avassaladora na Primera D, conquistando o título. Desde então, mais de 50 participações entre a Primera B, Primera B Metropolitana e Primera C. Podemos dizer que é uma agremiação vitoriosa, pois também tem na sua sala de troféus as conquistas da Primera C em 1963, 1975, 1982 e 2011/2012, além da Primera B em 1988/1989. O Villa ocupava a 19ª posição antes desse encontro.

O retrospecto meia bomba em 2016 não indicava que o Ferro tinha chances de voltar à elite. Desde que caiu da principal divisão do nacional na temporada 1999/2000, o alviverde nunca retornou. Eles ocupam minhas memórias de infância muito pelo nome, que é espetacular, e também pela participação na Libertadores de 1985. A maior preocupação dos hinchas na noite, além da campanha claudicante, era o estado do gramado. No sábado anterior rolou um grande show ali e a multidão que lotou o evento deixou o relvado num estado deplorável.

Cerca de 3,500 torcedores pagaram ingresso e assistiram, na opinião dos especialistas, a pior performance do onze mandante em toda a competição. Num confronto que foi transmitido ao vivo pela TV, o limitado Villa Dálmine mostrou serviço e foi superior aos donos da casa. Todo mundo sabe da animação constante das torcidas portenhas, porém nessa partida específica eles trocaram a cantoria pelos apupos, vaias e xingamentos direcionados a atletas e dirigentes.


O nome oficial do Caballito pintado nas cabines de imprensa


Os lugares mais caros do estádio são identificados por esse azulejo com o escudo e o nome do Ferro Carril Oeste, um dos times mais legais da Argentina


Ferro Carril e Villa Dálmine em campo na minha despedida futebolística de Buenos Aires


Ataque aéreo do Villa Dálmine

Uma coisa é fato: os atletas do Ferro tiveram uma atuação super homogênea. Todos foram mal, sem exceção. A defesa falhou direto, o meio-campo não fez nada e o ataque deixou a desejar quase todas as vezes em que foi acionado. O escrete lilás foi tranquilo e não sofreu sustos para consolidar uma importante vitória. Renso Pérez se tornou o dono da noite com dois gols. O primeiro aos 12 minutos num chutaço de longe. O segundo aos 42 num toque de classe que encobriu o goleiro Limousin.

Eu estava de boa na tribuna do Caballito, já que a temperatura era sensacional e porquê em menos de 24 horas estaria de volta ao Brasil. A ideia era curtir tudo da melhor forma possível. No intervalo fui fazer aquela boquinha com os panchos na pequena e concorrida lanchonete e voltei bem alimentado ao meu assento. No tempo final o Ferro tentou emplacar alguma reação, só que os visitantes estavam bem postado.

A insistência deu resultado aos 30 minutos quando o camisa 7 Díaz finalmente conseguiu vencer o goleiro Carlos Kletnicki e diminuiu. O tento animou momentaneamente os hinchas em busca do até então improvável empate. Foram três minutos de pressão até que os presentes tomaram um grande banho de água fria. A zaga da casa falhou e a finalização visitante tinha endereço certo. Teria se o zagueiro Frontini não tivesse feito uma defesa incrível como se fosse um goleiro. O árbitro expulsou o jogador e marcou pênalti. O camisa 4 Alvarez cobrou com categoria e fez o terceiro, matando a esperança da Locomotora del Oeste.


A equipe da casa atacando pela esquerda


Chance muito perigosa do Ferro depois de escanteio na área


A visão que temos da parte coberta do Caballito é essa. A região em que fica o estádio é bastante interessante


O time visitante fez uma bela partida e conquistou um triunfo importante fora de casa

O placar final de Ferro Carril 1-3 Villa Dálmine derrubou El Expreso de Caballito para a 15º posição com os mesmos 15 pontos ganhos enquanto os Campaneros subiram ao 17º posto com 13 pontos. Apesar de terem xingado seus atletas durante os 90 minutos, quando eles saíram de campo foram aplaudidos por todos os presentes. Como foi a minha despedida futebolística, fiquei ali até os simpáticos integrantes da PFA informarem, com toda a educação do mundo, que precisava ir embora.

Passei a última noite em Buenos Aires indo pela terceira vez comer um maravilhoso bife de chorizo num ótimo restaurante da Corrientes e depois passear pela 9 de Julio e sentir o incrível clima de outono. No dia seguinte acordei cedo e, antes de voltar pra casa, fui numa loja e comprei quatro camisas para a coleção. Além delas, na bagagem eu trouxe muitas guloseimas, dez jogos em dois países diferentes, 14 times novos, nove estádios inéditos visitados, alguns perrengues, muita chuva, um tornado no Uruguai e muita história. Não sei quando terei condições de repetir a dose, mas é fato que a segunda Magical Mystery Tour na América do Sul foi especial demais.

¡ Hasta la próxima !

© 2019

quarta-feira, 8 de junho de 2016

JP na Argentina 10 (2/9): Triunfo dos Mil Rayitas no Islas Malvinas

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de curtir a primeira noite em Buenos Aires com direito a um passeio genial pelo maravilhoso centro da capital, o domingo começou não tão cedo e logo o cronograma futebolístico pediu passagem. Pela 11ª rodada do Campeonato de Primera B Nacional, fui ao genial Estadio Islas Malvinas para o sensacional confronto entre All Boys e Los Andes. O primeiro com 103 e o segundo com 99 anos de vida. Ou seja, pouca tradição em campo.

Diferente do que fiz na minha primeira viagem à Buenos Aires em 2009, dessa vez fui a alguns cotejos de táxi. Isso pois são bem baratos e o custo benefício vale muito a pena. Também escolhi isso porquê, como a agenda estava cheia, deu mais tempo para fazer coisas típicas de turistas comuns. Saí do meu QG na Avenida 9 de Julio e percorri pouco mais de 12 quilômetros até o bonito bairro de Monte Castro, local aonde se situa a cancha blanquinera.

O estádio, inaugurado em 1963 num duelo contra o Deportivo Riestra, fica no meio de uma simpática vizinhança repleta de bonitas casas de classe média. Por ser totalmente residencial, não havia nenhuma movimentação além da rapaziada chegando para o cotejo. A capacidade atual dali é de 21.500 pessoas, obtida na última reforma em 2007. Em 2008 o local ganhou torres de iluminação, permitindo a realização de jogos noturnos. Não que seja uma arena super moderna com instalações de primeira linha, longe disso, mas ele segura bem as pontas.

Uma das coisas mais peculiares da cancha é que quem fica no nível do gramado não consegue ver a arquibancada superior do lado oposto. O teto é tão baixo que fecha completamente o campo de visão. Vale também dizer que a proximidade do gramado é genial. Como fiquei ali no primeiro tempo, vi o ataque da casa muito de perto. Fazia sol e a temperatura era deliciosa, cerca de 18 graus. Um verdadeiro presente dos deuses do futebol.


Fachada do Estadio Islas Malvinas com todos os escudos da história do All Boys


Placa dando boas vindas aos torcedores


Visão do estádio vazio. Uma bela cancha, sem sombra de dúvida

Quem acompanha o futebol argentino sabe que a AFA, diferente do que temos aqui, só divulga a tabela desmembrada da rodada dois dias antes da realização da mesma. Se isso é ruim para quem mora lá imagina pra quem é de fora e quer se programar de alguma forma. Dessa vez dei sorte, pois calhou de ver times que sempre estiveram na lista de metas a serem alcançadas. O All Boys, fundado em 15 de março de 1913 como All Boys Athletic Club, era um deles.

O alvinegro nunca ficou de fora do certame nacional, e já passeou pelos cinco níveis do certame portenho. A grande parte das participações foi na segunda divisão, competição que venceu em 1972. Eles também conquistaram a terceirona em 1946, 1950, 1992-93 e 2007-08. Foi legal colocar essa agremiação na Lista, porém é fato que assistir uma apresentação do genial Club Atlético Los Andes, fundado em 1917 e dono de um dos mais belos uniformes do futebol portenho, foi ainda mais sensacional.

Conheci o CALA ainda moleque numa Placar dos anos 70 e desde então sempre me interessei pelos rumos do clube. A equipe de Lomas de Zamora é apelidada de "Mil Rayitas" por conta da sensacional camisa cheia de listras verticais vermelhas e brancas. São tantas que de longe parece que a vestimenta é cor de rosa. Já tinha ouvido falar sobre e ao vivo a impressão é exatamente essa. Fiquei um bom tempo acreditando que a camisa era rosa mesmo.

Campeões da Primera C em 1938 e 1957 e da Primera B em 1960, nunca mais levantaram um caneco de um torneio oficial. Por seis vezes disputaram a primeirona e foram recém-promovidos à Primera B Nacional depois de vencerem a Zona B do Campeonato de Primera B 2014. O onze visitante chegou a esse duelo ocupando a ótima sexta posição entre os 22 participantes, enquanto o All Boys era o 15º. O favoritismo, apesar de atuar longe de casa, era do El Grande del Sur.


Atletas se cumprimentando antes do apito inicial


De longe até parece que a camisa do Los Andes é rosa. Cortesia das inúmeras listras em branco e vermelho, o que deixa a camisa mais genial 


Goleiro do All Boys se esticando todo para fazer belíssima defesa no primeiro tempo


Escanteio a favor do time da casa

Esse favoritismo entrou em campo e desde o início os visitantes tomaram a inciativa. Aos oito minutos, em boa jogada do volante Marcelo Scatolaro, a bola foi tocada para Emanuel Moreno. O camisa 10 definiu de voleio e o goleiro Gastón Losa fez boa defesa. O mesmo Moreno quase abriu o placar aos 25 em outro belo chute e mais uma boa defesa de Losa. O onze mandante não conseguia fazer nada e aos 34 o CALA finalmente abriu o marcador com Rodrigo Salinas acertando um chutaço de canhota que entrou no ângulo.

O All Boys se viu na obrigação de sair mais pro jogo depois de sofrer o tento. Os locais criaram dois momentos, um deles com Vazquez cara-a-cara e outro com uma cabeçada firme de Germán Lessman que bateu na trave de Maximiliano Gagliardo. O tempo inicial chegou ao fim com a vantagem visitante e eu fui fazer aquela boquinha esperta com deliciosas hamburguesas vendidas na pequena (e concorrida) lanchonete. Mesmo com os preços não sendo tão baratos quanto em 2009, deu para matar a fome de forma satisfatória.


Cobrança de falta no ataque alvirrubro


Ataque do All Boys pela esquerda sob o atento olhar dos defensores do Los Andes


Camisa 11 do "Mil Rayitas" com a marcação adversária

No tempo final fui até a parte alta da arquibancada e a visão dali é mais ampla do que a do anel de baixo. O All Boys voltou com mudanças no time e isso fez com que a equipe melhorasse. Aos quatro minutos uma alteração já deu resultado quando Facundo Nassif derrubou Mauro Milano dentro da área e cometeu pênalti. Germán Lessman, artilheiro do certame e apelidado de "Rooney da Floresta", bateu bem e deixou tudo igual.

Com o empate, os blanquineros se animaram em busca da virada. Facundo Nasif, que tinha tomado o amarelo no lance do pênalti, recebeu o segundo e foi expulso de campo aos 21 minutos. O Los Andes se retraiu e viu os donos da casa partirem com tudo na tentativa de virar o marcador. Apesar da insistência, o domínio não se traduziu em gols.

Aos 35, o CALA se aproveitou de um grande vacilo da zaga mandante. Francisco Martinez, mais um primo perdido pelas Américas, avançou e foi derrubado fora da área. O árbitro, totalmente fora do lance, marcou pênalti. Eu estava na linha da falta e posso dizer que ela foi MUITO fora. A reclamação local não adiantou e Walter García bateu bem a penalidade, fazendo o segundo dos visitantes. O tento foi um duro golpe nas pretensões blanquineras, e quando o jogo terminou não teve choro nem vela, revoltando a hinchada.


Visão geral da arquibancada principal do Islas Malvinas com os hinchas locais


Camisa 2 se preparando para tentar o gol mesmo de longe


Detalhe do gol do All Boys, marcado em cobrança de pênalti


Num lance polêmico, o Los Andes passou de novo à frente do marcador em novo pênalti


Placar final da peleja e derrota do onze local

O resultado de All Boys 1-2 Los Andes colocou o "Mil Rayitas" na terceira posição com 19 pontos, seis atrás do líder Talleres, da Primera B Nacional após onze rodadas realizadas. A equipe da Floresta caiu para a 16ª posição com 12 pontos, se complicando ainda mais. Da minha parte, ficou a alegria de ter incluído dois times absolutamente geniais na Lista. Ainda teria mais na noite do domingo com a divisão principal, mas acabei desistindo por conta da logística.

A pedida era ir a pé até o Estadio Autocrédito Diego Armando Maradona, casa do Argentinos Juniors para o confronto do "Semillero del Mundo" contra o Newell's Old Boys. Pena que a partida começaria às 17h45, e eu teria apenas quinze minutos para percorrer os quase três quilômetros. Chegar um pouco atrasado tudo bem, só que nesse caso perderia boa parte do cotejo, ainda mais tendo que comprar ingresso. Deixei a oportunidade de matar o Newell's para o futuro.

Voltei para o centro da cidade com aquele ânimo sempre sensacional quando estou em Buenos Aires. Fui pela primeira vez numa churrascaria maravilhosa na Avenida Corrientes para comer um dos melhores bifes que já tive o prazer de degustar nos meus quase 40 anos de vida. Na segunda-feira o futebol voltou ao esquema com uma peleja pela Primera B Metropolitana e mais dois clubes na Lista.

Até lá!

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sábado, 18 de abril de 2009

JP na Argentina 7 (4/5): Ao lado da "hinchada" do Chacarita Juniors

Olá, pessoal!

A viagem até a Argentina se encerrou hoje, mas ainda tenho dois relatos na manga para fazer aqui no JP. Só não os fiz antes pois a logística estava complicada, além de que a capital portenha é algo maravilhoso, e com certeza estava conhecendo algum lugar lindo ao invés de escrever aqui. Mas seguindo a minha leva de posts, na segunda-feira fui conferir um jogo num local já visitado antes, o Estadio Caballito, propriedade do Ferro Carril. Mas o jogo era de outro time de infância, o Club Atletico Chacarita Juniors. E os "funebreros" jogaram uma partida pela Primeira B Nacional contra o não menos legal Unión de Santa Fé.

Como disse antes, chegar no Caballito é fácil. Fica mais tranqüilo ir até a Estação Primeira Junta, da Linha A do "Subte" de Buenos Aires. Dali, pegar um táxi é a melhor opção, e cerca de 7 pesos depois estamos na porta do estádio do glorioso Ferro Carril. Mas o cenário era bem diferente do que vi no sábado, pois os "funebreros" tomavam conta de cada espaço disponível para eles no estádio.

O fato da "hinchada" ser uma das fanáticas de Buenos Aires ajuda bastante, mas o principal é que o time vem fazendo uma campanha impecável na Segundona Argentina, e seguindo nessa todada, voltará com louvor para a Primeira A. O time está longe da elite desde 2004, e os "hinchas" não vêem a hora da equipe voltar a jogar contra os melhores times do país. E logo quando entrei já vi que seria um jogo especial, pois muito tempo antes da partida começar, a cantoria já era grande.


Times alinhados para o começo da partida entre Chacarita Jrs. x Unión. Foto: Fernando Martinez.

Como já tinha ficado na parte ao lado dos "hinchas" no sábado, dessa vez fui garantir meu lugar na "plateia", a parte coberta do Caballito. E de qualquer ponto em que a gente esteja por lá a visão é espetacular. E dali pude ver o líder da Primeira B Nacional destruiur o time do Unión, que já não busca muita coisa nessa competição. E o dia era do artilheiro da Primeira B até aqui, o jogador Toledo.


Jogadores observando atentamente a bola na lateral de campo. Foto: Fernando Martinez.


O Unión tentou, mas a zaga do Chacarita estava num ótimo dia. Foto: Fernando Martinez.

Sem maiores sustos, e mesmo com o Unión tentando assustar no começo do jogo, o Chacarita chegou ao primeiro gol aos 18 minutos num pênalti maroto que só o árbitro viu. Na cobrança, o atacante Toledo fez o primeiro da noite e começava a garantir a nota 10 que recebeu do diário Olé pela sua atuação na partida. É, lá a imprensa esportiva dá a devida importância aos campeonatos de acesso nacionais com matérias, fotos e muito destaque para as divisões inferiores. Bem diferente da nossa "imprensa" esportiva nacional ridícula e que só serve para ser engraçadinha, babar ovo para times grandes ou criar falsas polêmicas.


Primeiro gol do Chacarita, marcado pelo atacante Toledo. Foto: Fernando Martinez.

Bom, polêmicas à parte, o Unión se lançou ao ataque depois de sofrer o primeiro tento e conseguiu o sonhado empate aos 22 minutos, num chutaço de Pérez de fora da área, que o goleiro Tauber aceitou. Mas mesmo com o gol sofrido, o Chacarita não esmoreceu e mereceu fazer o segundo gol antes do primeiro tempo terminar. Mas ao final dos primeiros 45 minutos, o 1 a 1 estava estampado no marcador.

Para o intervalo, a chegada de uma ventania absurda foi um motivo a mais para eu tentar me abrigar em algum canto do estádio. E fui então buscar o delicioso hamburguer argentino vendido nas cantinas dali. Debaixo da paltéia também um vendedor de tudo o que vocês podem imaginar sobre os "funebreros" fazia a festa ali. Mas por falta de Pesos extras no bolso naquela hora, deixei minhas compras pra depois.

 

Dois detalhes do Estadio Caballito que não tinha mostrado no post do jogo do Ferro: uma placa indicando os dois títulos nacionais da equipe, bastante comemorados até hoje e escudinho do time na lateral do gramado. Fotos: Fernando Martinez.

Sem conseguir suportar o frio que caiu por lá, fui sentar perto dos torcida do Chacarita e ficar também perto da "hinchada" que não parava de cantar. E com a presença da "La Famosa Banda De San Martin", foi um espetáculo à parte ver a torcida cantar nos 45 minutos finais. E ainda por cima o time correspondeu tamanho apoio com sobras em campo. Aos 9 minutos, a equipe passou de novo à frente do marcador através do jogador Toledo. E ele mesmo cobrou pênalti aos 13 para fazer o terceiro dele e o terceiro do Chacarita.


Bandeira gigante que a "hinchada" do Chacarita estende durante as partidas. Uma das torcidas mais animadas da Argentina, com toda a certeza. Foto: Fernando Martinez.


Agora lá do alto a visão do jogo válido pela Primeira B Nacional. Foto: Fernando Martinez.

A festa era enorme, e diferente do que vemos pelo Brasil, a turma da numerada fazia coro com o pessoal da arquibancada, e o canto do Chacarita ecoava por todo o Estadio Caballito. Filmei algumas partes dessa cantoria e vendo hoje ainda arrepia do mesmo jeito que arrepiou na hora da partida. E mesmo congelado de frio, me senti privilegiado de estar ali. E nesse clima festivo, o Chacarita marcou mais um aos 24 minutos, através do jogador Alustiza.


Terceiro gol dos mandantes e terceiro gol do atacante Toledo, artilheiro da Primeira B até aqui. Foto: Fernando Martinez.


O Unión chegou ao gol nesse lance, mas o mesmo foi anulado por impedimento. Foto: Fernando Martinez.

O jogo já estava decidido, mas talvez inspirado em tanta cantoria, o jogador Pereyra, do Unión, acabou marcando um golaço aos 31 minutos. Foi o gol de bicicleta mais perfeito que já vi em estádio, e até a torcida local aplaudiu a beleza do tento. Não foi daquelas bicicletas tortas não, e sim uma das perfeitas. Tanto que o gol foi repetido demais nas TVs que mostram esporte na Argentina na terça-feira.


Segundos depois desse lance, a bola estaria no fundo das redes do Chacarita, numa pintura de gol do jogador Pereyra. Foto: Fernando Martinez.

Bom, a partida seguiu sem mais mudanças no placar e com um final extremamente feliz para os "funebreros": Chacarita Juniors 4-2 Unión. Com essa vitória, o time vermelho e preto abre seis pontos de vantagem sobre os segundos colocados da Primeira B Nacional: Atletico Tucumán e Aldosivi. O Unión fica no seu 12ºlugar sem mais nada a fazer. O resultado deixa o time do Chacarita mais perto da voltar à elite argentina no segundo semestre desse ano. E nem preciso dizer que eles tem toda minha torcida, né?

Saindo do estádio, fiz o caminho de volta até a Estação Primeira Junta. Lá, tive o enorme prazer de pegar um vagão do metrô que me fez sentir em 1918. Todo de madeira, tem detalhes antiquíssimos e quando o trem para na estação, nós mesmos temos que abrir a porta para sair. Mais uma atração à parte na belíssima capital argentina.

 

O trem chegando na Estação Primeira Junta, do "Subte" argentino. E dentro do mesmo tudo de madeira, inclusive com tiozinhos que andam desde 1936 nesse mesmo vagão, sem pagar passagem. Fotos: Fernando Martinez.

Chegando no hotel, ainda vi parte da reprise da partida (sim, lá tem TVs que dão muito valor aos campeonatos de acesso argentinos, inclusive com vários jogos ao vivo para o país todo) para depois curtir um pouco mais da noite da capital federal da Argentina. E tudo para acordar cedo na terça, pois minha última partida em Buenos Aires me aguardava.

Até lá

Fernando

segunda-feira, 13 de abril de 2009

JP na Argentina 5 (2/5): Um sonho realizado num jogo do Ferro Carril Oeste

¡Hola!

Seguindo com a minha jornada em terras portenhas, logo após o jogo Atlanta x Flandria, eu tive a chance de matar um time sensacional e que estava na minha lista de desejos desde os anos 80. Sem querer perder tempo, peguei um dos baratos táxis de Buenos Aires rumo ao bairro de Caballito, aonde um dos times mais legais da Argentina tem sua sede. E lá cheguei eu a tempo de ver um jogao pela Primeira B Nacional, a segunda divisao daqui. A partida em questao foi entre o genial Ferro Carril Oeste e o Belgrano de Córdoba.

Desde a Libertadores de 1985, aonde o campeao e vice brasileiros de 1984 - Fluminense e Vasco - jogaram contra os argentinos Argentinos Juniors e o Ferro, tive a vontade de um dia ver o time do Estádio Caballito em açao. Já tinha programado algumas viagens para a capital federal argentina que nunca deram certo. E todas elas tinham um jogo do ferro na programaçao. E dessa vez finalmente deu certo, e a emoçao de entrar no estádio do Ferro foi única.

O estádio é grandioso, mas grande parte das suas arquibancadas estao interditadas. E fiz questao de ver essa partida no meio dos "hinchas" do Ferro. Pena que o time nao esteja fazendo uma ótima campanha e esteja perambulando pelas posiçoes intermediárias, pouco para um time que já foi campeao por duas vezes, em 1982 e 1984. Mas a torcida se fez presente para o jogo contra o time de Córdoba, que estava no quarto lugar na tábua de classificaçao.


Tentativa de ataque do Ferro no começo do jogo. Foto: Fernando Martinez.


Visao geral do Estádio Caballito durante o jogo. Foto: Fernando Martinez.

E o jogo foi bastante disputado na primeira etapa, com o Ferro jogando em cima do Belgrano, em busca de um bom resultado em casa. Vale registrar o enorme número de crianças presentes por lá, mostrando que as coisas por aqui sao bem diferentes do que no Brasil. E mesmo com o pau quebrando no meio dos "hinchas", nada abalou a animaçao da torcida. Mas o time pecava sempre no toque final, deixando o Belgrano gostar o jogo. E quem acabou marcando primeiro foi justamente o time de Córdoba aos 31 minutos. O jogador Pablo Chavarría recebeu cruzamento da esquerda e sozinho abriu o placar.


Mais um ataque do Ferro, tentando dar uma alegria à sua torcida. Foto: Fernando Martinez.


Zaga do Belgrano aliviando o perigo e jogando a bola pra escanteio. Foto: Fernando Martinez.

Isso nao desanimou a torcida, muito pelo contrário. Os "hinchas" continuaram cantando sem parar dando força para o time. Enquanto isso crianças brincavam perto do alambrado, maes davam de mamar a bebês de colo e muitos senhores curtiam o jogo sossegado, um cenário que acredito que nunca verei num estádio brasileiro. E comigo ainda maravilhado pelo cenário que estava vivendo, o primeiro tempo acabou com a vitória parcial dos visitantes por 1 a 0.

 

Detalhes da torcida do Ferro: primeiro o "Balcón Verde", que é justamente de uma sacada do prédio que fica ao lado do estádio. E do lado, a faixa "Martinez, F.C.O.", provavelmente uma homenagem à minha presença do Estádio Caballito. Fotos: Fernando Martinez.


Agora toda a "hincha" do Ferro, e olha que parece muito o Anacleto Campanella, LÓGICO que guardadas as devidas proporçoes. Foto: Fernando Martinez.

Também aproveitei o intervalo para saborear um delicioso "pancho" vendido nos bares do Ferro. Bom, o "pancho" nada mais é do que o nosso velho cachorro-quente. Mas olha, muito mais saboroso do que aqueles com salsichas de plástico vendidos na porta dos estádios brasileiros. Mas aqui as coisas estao um pouco mais caras do que de costume, e um pancho estava custando cinco pesos, o equivalente a três reais. E dois "panchos" depois, fui acompanhar a segunda etapa de partida.


Agora com a noite chegando, mais uma visao geral do Estádio Caballito. Foto: Fernando Martinez.


Lance do segundo gol do Belgrano. Quem acabou marcando de cabeça foi o camisa 9, embaixo da foto. Foto: Fernando Martinez.

O segundo tempo veio com o Belgrano buscando segurar sua vitória parcial e com o Ferro Carril buscando a virada. Mas a equipe verde nao estava nos seus melhores dias, e nao conseguia penetrar na defesa do time azul. E o jogo foi seguindo nessa toada, comigo de um olho no jogo e de outro na incansável torcida do Ferro. E entao o Belgrano chegou ao segundo gol aos 32 minutos, em bobeada coletiva da zaga do Ferro. Ela deixou o jogador Andrés Soriano livre na pequena área para cabecear para o fundo das redes.

Logo após esse gol, o Ferro teve a chance de diminuir aos 34 minutos numa cobrança de pênalti. O jogador Gonzalo Castellani bareu com estilo e fez o primeiro dos donos da casa. O time tentou, tentou e tentou a reaçao até o fim do jogo, mas já era tarde.


Agora o primeiro gol do Ferro, em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.



A belíssima parte coberta do Estádio Caballito ao final do jogo entre Ferro Carril x Belgrano. Foto: Fernando Martinez.

Final de partida: Ferro Carril 1-2 Belgrano. Com a vitória, o time de Córdoba fica na quarta posiçao, ainda na luta por uma vaga na Primeira Divisao em 2010. O Ferro permanece na 12ªposiçao sem mais nada a fazer no campeonato, a nao ser terminar numa posiçao digna. Mas o melhor do dia foi a oportunidade de ver um time que sempre sonhei ver ao vivo, jogando uma partida no seu próprio estádio. Emoçao dessas nao tem preço que pague, e é bom demais poder viver esse tipo de situaçao.

Após o jogo, com o horário apertado para ir a um belo restaurante em Porto Madero, peguei um táxi para chegar ao hotel em que estou hospedado. Com o trânsito nervoso, sem faixas e muito menos preferenciais, os vinte minutos de emoçao foram momentos interessantes. E o sábado à noite foi bom demais, com um passeio demais pelas ruas largas e tranquilas no centro de BA.

E no domingo teve mais jogo, agora num estádio que sempre fez parte das minhas memórias televisivas.

!Hasta luego¡

Fernando