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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Aos 54, São Caetano arranca empate com o Monte Azul no ABC

Texto e fotos: Fernando Martinez


Uma das coisas que sempre gostei foi acompanhar jogo do último contra penúltimo de qualquer torneio. No sábado fui até o Estádio Anacleto Campanella para um desses duelos: São Caetano, o 15º colocado do Campeonato Paulista da Série A2, contra o Monte Azul, lanterna. Um daqueles confrontos que prometia bastante (ou não).

Tive a companhia do Milton na jornada, animadíssimo com a possibilidade de ver de perto os dois piores times da A2 até a sexta rodada. O Azulão do ABC vinha de vitória contra o Juventus no meio da semana, a primeira em 2023, e queria emendar o segundo resultado positivo. Já o Monte Azul tinha só três pontos conquistados em dois empates e ainda não tinha vencido.

Ir até São Caetano do Sul não é a pior coisa do mundo desde que a CPTM levou a Linha 10-Turquesa até a Estação da Luz. Encontrei o amigo decano ali, seguimos pelos trilhos da antiga SPR até SCS e de lá pegamos o bom e velho Jardim Boavista rumo à tradicional praça de esportes da cidade, O galho foi o calor, e após das fotos oficiais eu me espremi em um canto com uma rara sombra para me proteger do astro-rei.


AD São Caetano - São Caetano do Sul/SP


A Monte Azul - Monte Azul Paulista/SP


Aquela foto que só o Jogos Perdidos mostra com o quarteto de arbitragem e os capitães. O jogo teve o comando do árbitro Guilherme Francisco Rosário, dos assistentes Alex Alexandrino e Róbson Ferreira Oliveira e do quarto árbitro Robson Ferreira Oliveira

Diferente da expectativa, a partida foi muito boa, bem acima da média. Foi a primeira que realmente gostei nas divisões de acesso do Paulistão em 2023. O São Caetano começou com tudo, encurralando o Monte Azul e criando boas chances. Nem bem a peleja tinha começado e Régis quase fez o gol do São Caetano. Aos oito, foi a vez de Dogão assustar André Zuba e três minutos depois Álamo desperdiçar. A pressão local era total.

Após quinze minutos os visitantes passaram a se aventurar no campo de ataque com tiro de Luiz Felipe aos 16 e chutaço de Gadelha aos 20. Seguindo nessa toada, o Monte Azul saiu na frente aos 33. Em disputa pelo alto, o árbitro ano toque de mão de Dias. Pênalti. Gadelha bateu com extrema categoria e colocou no ângulo. O São Caetano sentiu o golpe e levou bola na trave aos 35 com Luís Felipe. Aos 42, Dener recebeu belíssimo passe de Gadelha e tocou no canto de João Lucas, fazendo 2 a 0. Os donos da casa deram sorte e, aos 44, conseguiram diminuir com um voleio lindo de Coutinho.




O Azulão do ABC começou melhor e levou muito perigo para a meta do Monte Azul


O time do interior se encontrou e abriu o placar em bela cobrança de pênalti de Gadelha



Lances no campo de ataque dos donos da casa

O fato de ter marcado no apagar das luzes animou o Azulão da Grande São Paulo. Na volta do intervalo, o panorama da etapa final foi um São Caetano atacando em busca do empate e um Monte Azul com o caminho livre nos contra-ataques. Apesar de ter ficado mais tempo com a pelota nos pés e criado bons lances, foi o escrete interiorano quem levou mais perigo. Foram pelo menos três momentos claros - com Luís Felipe, duas vezes e Dener Rodrigues - em que o terceiro tento ficou próximo de acontecer.

Em virtude das paralisações, o árbitro deu nove minutos de acréscimo. A pressão era total, e aos 52 Dener Rodrigues teve nos pés a oportunidade de consolidar o triunfo visitante em lance que ficou cara-a-cara com João Lucas. A finalização foi em cima do arqueiro do ABC. Aí entrou a vez do velho esquema "quem não faz, toma". O cronômetro chegou a 54 minutos e os locais tiveram a última chance. Lobato recebeu na direita e cruzou. A bola pegou um efeito enorme e encobriu André Zuba. Foi o gol de empate do São Caetano. Enorme festa por parte dos atletas e comissão técnica dos donos da casa.






Detalhes do segundo tempo de São Caetano x Monte Azul


André Zuba pulou e não conseguiu defender o cruzamento/chute de Lobato. O empate do São Caetano saiu aos 54 do tempo final

O São Caetano 2-2 Monte Azul teve gosto de vitória para os donos da casa. O grande problema é que, no fim, foi um resultado ruim pata ambos. O clube do ABC chegou ao quarto duelo sem derrota, porém está na preocupante 14ª colocação com seis pontos. Já o Atlético segue na lanterna com três. Ambos precisam melhorar MUITO se não quiserem jogar a Série A3 em 2024.

Saímos do estádio e antes de pegar o ônibus a caminho da estação da CPTM passei na padaria que fica na frente do Lauro Gomes passar raiva com os preços altíssimos. No domingo retornei aos campos com jogo em sessão noturna no Canindé. Sempre animador passear pelas ruas do bairro de noite com a rapaziada zumbi que vive na região... só que não.

Até lá!

Ficha Técnica: São Caetano 2-2 Monte Azul

Local: Estádio Anacleto Campanella (São Caetano do Sul); Árbitro: Guilherme Francisco Rosário; Público: 468 pagantes; Renda: R$ 5.730,00; Cartões amarelos: Alamo, Paulo Henrique, Régis, Ramonzinho, Cleiton Kekéu, Henrique Rocha, Bruno Dip, Márcio Ribeiro, Andrews Caldas (AT do Monte Azul); Cartões vermelhos: Dogão e Andrews Caldas 54 do 2º; Gols: Gadelha (pênalti) 33, Dener Rodrigues 42 e Coutinho 44 do 1º, Lobato 54 do 2º.
São Caetano: João Lucas; Alamo, Gui Tavares, Dogão (Lucão) e Paulo Henrique; Dias (Coutinho), Lucas Silva e Celsinho (Lobato); Régis, Anderson Magrão e Wallace (Ramonzinho). Técnico: Márcio Ribeiro.
Monte Azul: André Zuba; Cleiton Kekéu (Caio Ruan), Junior Henrique, Henrique Gigante e Bruno Dip; Vacaria (Nathan), Wesley (Udson), Henrique Rocha e Luís Felipe (Felipe Carvalho); Gadelha (Guthierres) e Dener Rodrigues. Técnico: Andrews Deco (interino).

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Oeste derrota o Monte Azul na abertura da Série A2 2022

Texto e fotos: Fernando Martinez


Menos de 24 após passar um perrengue monstro na semi da Copinha entre São Paulo e Palmeiras, retornei à Arena Barueri para um jogo com clima bem diferente. Abrindo a edição 2022 do Campeonato Paulista da Série A2, o Oeste recebeu o Monte Azul em duelo antecipado da nona rodada.

Eu quase desisti da jornada por causa do calor, sério. Estava quente demais e acabei pensando no aspecto histórico da coisa. Não me arrependi. Tirando o fotógrafo do Oeste, só eu estava credenciado. Na final vai ter aspone, fotógrafo mal-educado, pessoal da FPF que só sabe criar polêmica em rede social e dirigentes em profusão, algo normal, mas na abertura só eu marquei presença. No fim das contas, é sempre assim.




Não sei como, mas o Oeste resolveu posar para a foto na estreia na A2. Abaixo tem os onze do Monte Azul além da imagem com os capitães, o árbitro Pablo Rodrigo de Oliveira, os assistentes Osvaldo Apipe de Medeiros Filho e Denis Matheus Ferreira e o quarto árbitro Lucas Bovi Baptistella

O rubro-negro de Barueri teve um 2021 esquizofrênico. Na A2 não subiu em virtude do regulamento horroroso. Perdeu nos pênaltis para um São Bernardo FC que tinha 14 (!) pontos a menos e viu o acesso escapar. No segundo semestre, fez uma campanha tenebrosa na Série C e foi rebaixado com louvor. Em 2022 contratou o técnico Fernando Marchiori, ex-Portuguesa, e trouxe vários atletas que trabalharam com o treinador no clube paulistano.

A partida foi disputada com um estádio quase vazio. A torcida organizada do time abriu mão e desistiu de comparecer. Apesar de atuar fora de casa, o primeiro momento de perigo foi do Monte Azul em chute de João Barbosa aos 11 minutos. Só que foi o Oeste que abriu o marcador aos 18. Léo Ceará recebeu sozinho na direita e cruzou na cabeça de Bruno Lopes, que no meio da área não perdoou e fez 1 a 0.

Depois do gol o Rubrão passou a dominar as ações. Aos 23, em jogada ensaiada, Vançam finalizou perto da trave. O Monte Azul voltou a assustar apenas aos 44, quando Lucas Douglas quase fez contra. Com essa chance, o primeiro tempo se encerrou.






Detalhes do primeiro tempo de Oeste x Monte Azul, disputado sob forte calor em Barueri

Na etapa final, que assisti das cabines, o Oeste retornou ao gramado novamente criando os melhores momentos. Aos 10 minutos Léo Ceará deixou Lucas Douglas sozinho na área, mas o goleiro Caio fez grande defesa. No lance seguinte, saiu o segundo gol: Bruno Lopes surgiu sozinho, invadiu a área e bateu na saída do arqueiro: 2 a 0.





No segundo tempo, o Oeste confirmou sua primeira vitória na A2 de 2022

O Azulão acordou e foi para cima da zaga local na tentativa de diminuir p prejuízo. O clube do interior teve algumas oportunidades, porém pecou no último passe. No fim, as equipes cansaram e o placar permaneceu inalterado: Oeste 2x0 Monte Azul e uma ótima estreia do Rubrão.

Saindo do estádio encontrei os amiguinhos que ficaram na arquibancada. O quarteto Luigi, Milton, Raul e Sérgio escutou com atenção o terror que passei no sábado e ficaram com inveja. Se tiver máquina do tempo, eles certamente farão questão de prestigiar o choque-rei da faca.

Falando em Copinha, na terça-feira de manhã fui ao Allianz Parque conferir a decisão. Quase fiquei de fora e só fui pois contei com a preciosa ajuda dos amigos. Conto logo, logo.

Até lá!

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Ficha Técnica: Oeste 2x0 Monte Azul

Em breve
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

JP na bela Votuporanga depois de 11 anos

Texto e fotos: Fernando Martinez


O sétimo dia seguido de coberturas do Jogos Perdidos na fase inicial da Copa São Paulo de Futebol Júnior foi histórico, afinal não é toda hora que conseguimos ver um joguinho de futebol na distante Votuporanga. Sede do Grupo 1, a Arena Plínio Marin abriu sua última rodada com o duelo entre o novato Atlético Matogrossense e o Monte Azul.

Desde 2012 a Copinha tem como primeiro grupo a sede mais distante da capital. Aos poucos acompanhar o Grupo A/Grupo 1 foi se tornando um sonho cada vez maior. Sete cidades receberam essa chave, de São José do Rio Preto (440 km de São Paulo) a Andradina (627 km). Em 2020 cheguei perto e vi o Grupo 2 em Marilia. Em 2022 a programação foi feita com precisão milimétrica e tudo deu certo.


Placa na entrada da cidade de Votuporanga, o lugar do estado mais distante da capital que já vi um jogo


Fachada da Arena Plínio Marin

Encerramos a rodada de domingo em Araraquara e dali fomos dormir em São José do Rio Preto. Foi uma noite de sono curta e mal descansei, mas na manhã de segunda estava firme e forte a postos para continuar a jornada. Felizmente um dos meus maiores medos nem chegou perto de Votuporanga: o insuportável calor que faz no Noroeste Paulista no ano todo. A partida foi disputada sob a agradabilíssima temperatura de 23 graus. Um verdadeiro milagre.

A história de coberturas do Jogos Perdidos na Cidade das Brisas Suaves contava com apenas uma visita. Quando o sumidaço Orlando viajava pelo interior praticamente todas as semanas, ele esteve em um triunfo do CA Votuporanguense por 2x1 em cima do Assisense no Plínio Marin, a casa original da AA Votuporanguense e do CAV, em 2011. Ele deixou de ser utilizado na mesma temporada, foi vendido na sequência e acabou demolido em 2015. No ano seguinte foi inaugurada a Arena Plínio Marin em outro local. Desde então, passou a ser a principal casa do futebol na cidade.

A capacidade do estádio é de pouco mais de 8 mil pessoas e ele é muito bem ajeitado. Tem um espaço confortável para a torcida, boas cabines de imprensa e vestiários de responsa. Outro detalhe genial foi estar ali em plena segunda-feira, 11 da matina, um horário um tanto quanto raro. Mesmo assim um público de cerca de 300 pessoas esteve acompanhando o duelo preliminar.




Times posados em plena segunda-feira de manhã e os capitães com o quarteto de arbitragem

O Monte Azul tinha perdido seus dois primeiros compromissos, enquanto o Atlético somava um ponto. Com um triunfo em cima do lanterna, o escrete do Mato Grosso, que faz a sua estreia na Copinha em 2022, dependia de derrota do Bahia na sequência. Fundado em 2020, a equipe conquistou a vaga no torneio ao eliminar o Cuiabá na semi do estadual sub-19. Na decisão, o título ficou com o Mixto, que caiu na sede de Jaú e contou com cobertura do JP no empate contra o XV de Jaú.

Existe um erro que está sendo perpetuado na grande rede dizendo que este Clube Atlético Matogrossense é o que foi fundado em 1948 e conquistou cinco vezes o estadual do Mato Grosso. Não é. A agremiação original sumiu nos anos 90 e desapareceu no limbo. Essa de agora tem apenas o mesmo nome, apesar do que os dirigentes dizem. Vale o registro que o antigo disputou duas edições da Copinha, em 1974 e 1975, as primeiras do estado na história.

Felizmente eu vi uma das partidas mais legais de todo o cronograma da fase inicial, com dois times mostrando um futebol aberto e cheio de oportunidades. Precisando vencer, o Atlético fez 1x0 logo aos 13 minutos. Gabriel lançou Léo em profundidade, o camisa 9 deu um belo drible no goleiro e conferiu.





Lances do primeiro tempo em Votuporanga

No restante da etapa inicial, vários ataques perigosos do clube do Centro-Oeste, porém o placar foi ampliado apenas aos oito do tempo final em uma linda cobrança de falta de Gabriel. Com o 2x0, o onze atleticano diminuiu o ritmo e o Monte Azul resolveu aprontar. Quando o relógio marcava 30 minutos, Afonso recebeu na entrada da área, dominou, ajeitou e bateu rasteiro. E foi o mesmo Afonso que deixou tudo igual aos 41 em belíssimo chute no ângulo.


Voo do goleiro do Monte Azul em tiro de longe


Disputa pelo alto no campo de defesa do Atlético Matogrossense


Visão da parte coberta da bela Arena Plínio Marin


O goleiro do Monte Azul trabalhou bastante no tempo final


Atleta do Mato Grosso ganhando na corrida da defesa


Bola estufando a rede paulista no terceiro gol atleticano


O Monte Azul tentou, mas não foi capaz de arrancar um pontinho

Os paulistas ainda comemoravam quando Lucas, aos 43, estragou a festa a recolocou a equipe do Mato Grosso na frente em tiro cruzado. Foi um banho de água fria no Azulão, que terminou a Copinha sem somar nenhum ponto. Por outro lado, o resultado de Atlético Matogrossense 3-2 Monte Azul manteve o sonho de classificação para os vencedores. É, só que o empate entre CAV e Bahia no jogo de fundo colocou estes na segunda fase e eliminou o novato. O que vale é que fizeram uma boa campanha.

Não ficamos para a peleja principal pois tínhamos rodada dupla em local perto de Votuporanga nunca visitado pelo que vos escreve. Um antigo sonho de criança. Um daqueles estádios que estava na lista de prioridades desde sempre.

Até lá!

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Ficha Técnica: Atlético Matogrossense 3x2 Monte Azul

Em breve
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Carnaval Futebolístico do JP (2/5): Massacre do líder Monte Azul em cima do Atibaia

Texto e fotos: Fernando Martinez


O segundo dia do Carnaval Futebolístico do JP foi sensacional, com direito a uma rodada dupla em canchas nunca antes visitadas pelo que vos escreve. Dormimos num hotel super confortável em Bebedouro e, apesar da noite não tão bem dormida, por volta do almoço já estávamos - eu e a dupla Caio/Mário - a postos para iniciar os trabalhos. Deu tempo de conhecer os dois campos da cidade e fazer uma boquinha antes da primeira peleja do dia. A caça provavelmente será tema de um post da sumida série "Estádios pelo Brasil".

Confesso que estava ansioso, pois o local estava na lista de desejos há vários anos. Percorremos pouco mais de 20 quilômetros até chegar na pequena e simpática Monte Azul Paulista. Não foi difícil encontrar o genial Estádio Otacília Patrícia Arroyo, palco do duelo entre Monte Azul e Atibaia, válido pela 8ª rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A2.

Desde que perambulava pelas últimas divisões do estado em décadas passadas eu já curtia o Monte Azul, muito por conta de estarem sediados numa cidade tão pequena, com cerca de 19 mil habitantes. Aos poucos eles foram dando passos maiores e atingiram o ápice em 2010, quando disputaram o Paulistão. Eles foram promovidos como campeões da A2 de 2009, final em que o JP marcou presença pela única vez na cancha monteazulense, na época conhecida apenas por "Estádio do AMA". Somente depois da conquista ele foi batizado em homenagem à matriarca da família Arroyo, falecida em 2005 no alto dos seus 100 anos.


A genial fachada do Estádio Otacília Patrícia Arroyo, em Monte Azul Paulista

Pena que a campanha na Série A1 não tenha sido satisfatória e, com a mesma rapidez que subiram, desceram para nunca mais voltar. Desde a queda jogaram a A2 de 2011 a 2016 e a A3 de 2017 até o ano passado, quando conquistaram o acesso após o vice contra o Audax. Também estivemos presentes na primeira partida da decisão, o empate por 2x2 na Grande São Paulo. Nada melhor do que rever o time pouco menos de um ano depois dentro de casa. Casa que, a propósito, pode receber 13 mil pessoas, a maior parte da população local.

Hoje a cancha é bem diferente do que era em 2009. A parte das tribunas foi ampliada e ganhou um aspecto mais colossal. As cabines de imprensa cresceram em número e espaço. Já as arquibancadas permaneceram as mesmas... ainda bem. O ambiente leva a gente de volta a um tempo que praticamente foi sepultado da memória. Assistir um jogo ali é como acompanhar o futebol nos anos 70/80. O clima é totalmente nostálgico e foi absolutamente espetacular ter a chance de curtir 90 minutos de futebol num espaço tão singular.


Atlético Monte Azul - Monte Azul Paulista/SP


Sport Club Atibaia - Atibaia/SP (mas mandando seus jogos em Americana)


Capitães das equipes com o árbitro José de Araujo Ribeiro Junior, os assistentes Eduardo Vequi Marciano e Gabriel Alexandre Fleming e o quarto árbitro Diego Augusto Fagundes


Visão da arquibancada coberta e cabines de imprensa, algo que não existia quando visitamos o estádio há 11 anos atrás

Na rodada anterior o Azulão foi derrotado pela Portuguesa no Canindé e perdeu a invencibilidade. Ainda assim permaneceu na liderança por ter um saldo de gols melhor do que Portuguesa Santista e São Bernardo FC, ambos também com 14 pontos. Atuando contra um Atibaia que fazia apenas uma campanha regular, a ideia era voltar a vencer pois assim passariam o carnaval na boa na ponta da tabela.

Os torcedores chegaram confiantes, mas apesar deles apostarem num bom resultado, duvido que alguém pudesse crer que estavam prestes a acompanhar uma sonora goleada e uma atuação de gala do escrete azul e branco. Os donos da casa foram amplamente superiores e tiveram tremendo sucesso nas finalizações. Também contaram com a performance impecável do camisa 9 Marcos Paulo, o grande artilheiro da tarde.

O atacante começou a mostrar serviço aos sete minutos. Num cruzamento da esquerda, ele surgiu sozinho dentro da área, dominou bem e chutou forte, abrindo a contagem. O onze laranja até foi capaz de deixar a peleja equilibrada por certo período, só que as conclusões ou eram neutralizadas pela zaga adversária ou então tiveram como destino a linha de fundo. Enquanto a bola rolava, fui obrigado a usar o guarda-chuva para me proteger do sol que chegou sem aviso e deixou o clima bem abafado.

O jogo seguiu com os locais atuando melhor, porém o placar só foi ampliado aos 37 minutos. Num escanteio curto (!) pela esquerda, um verdadeiro milagre, pintou lançamento na área, a zaga tirou mal e a sobra ficou no segundo pau com Jô. O camisa 5 acertou um sem pulo e fez um golaço. Na sequência o Falcão teve sua melhor chance numa finalização na trave em tiro de longe. Foi o último bom momento laranja em toda a partida.



Momento em que Marcos Paulo preparava o chute para abrir o placar e a comemoração dos atletas do Monte Azul


Ataque do escrete azul e branco pela esquerda


A zaga atibaiense trabalhou demais durante boa parte da partida, aqui tirando bola levantada na área


Zagueiro mandando a pelota pela linha de fundo


No meio da imagem, o camisa 5 Jô saindo para comemorar seu belíssimo gol, o segundo, para a tristeza do goleiro do Atibaia

Junto com o atibaiense Mário fui conhecer as cabines no intervalo e curtir o segundo tempo dali. O domínio dos donos da casa se tornou avassalador e o Atibaia tomou um vareio. Antes do ponteiro do relógio completar a primeira volta saiu o terceiro gol. Numa chegada pela direita a pelota foi cruzada, a zaga não cortou e Marcos Paulo só completou.

Aos dez, num lance rápido e com participação de mais da metade da equipe, o Monte Azul fez o quarto. Marcos Paulo, agora aproveitando um chute desviado, tocou de cabeça no canto esquerdo de Gustavo. Em meio a gritos de olé e muita alegria dos torcedores, o Azulão fez o quinto aos 20, de novo com o camisa 9, de novo de cabeça completando cruzamento da direita. O escrete atibaiense estava completamente entregue.

Foi legal permanecer nas cabines e ter uma visão do alto da cancha do Monte Azul. O detalhe mais genial é o "buraco" que tem no meio da arquibancada do lado oposto. Eu tentei saber o motivo de ser dessa forma mas não consegui. Se alguém souber, por favor mandar uma cartinha para a redação. Pouco antes do apito final retornei ao gramado e consegui ver de perto o sexto gol, aos 40 minutos, em oportunidade que o ataque local fez o que quis com a zaga laranja. A conclusão foi do camisa 17 Guthierres. Foi a maior goleada do time desde abril de 2006, quando fizeram 8x0 na Matonense pela Série A3.


Times alinhados para o início do tempo final. No centro do campo, o "buraco" no meio da arquibancada oposta


Aquela boa e velha disputa de bola pelo alto


Bola no fundo das redes do Falcão: cena que se repetiu quatro vezes na segunda etapa


Foram poucas as vez que o onze laranja conseguiu chegar dentro da área do Monte Azul


Até o último minuto os avantes locais infernizaram a zaga adversária


Placar final do massacre atleticano em cima do Atibaia

O resultado final de Monte Azul 6-0 Atibaia manteve o clube interiorano na liderança da Série A2 após oito rodadas disputadas. Os atleticanos somam 17 pontos como a Portuguesa Santista, mas com vantagem no saldo de gols (12 contra 6). Levando em conta o nível técnico do certame, não duvido que disputarão o acesso. Já o Falcão saiu do G8 e agora está na 11ª colocação com os mesmos 10 pontos.

Ficamos alguns minutos depois do apito final curtindo os últimos momentos numa localidade que não tenho a menor ideia de quando visitarei novamente. Posso dizer que a experiência foi incrível. Logo colocamos o pé na estrada outra vez pois tínhamos cerca de 110 quilômetros a percorrer em busca do terceiro capítulo do Carnaval Futebolístico do JP. Teve sonho de criança sendo realizado.

Até lá!

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Ficha Técnica: Monte Azul 6-0 Olímpia

Local: Estádio Otacília Patrícia Arroyo (Monte Azul Paulista); Árbitro: José de Araújo Ribeiro Junior; Público: 582 pagantes; Renda: R$ 8.850,00; Cartões amarelos: Jô, Juca, Cezane, Wesley; Gols: Marcos Paulo 7 e Jô 37 do 1º, Marcos Paulo 1, 10, 20 e Guthierres 40 do 2º.
Monte Azul: Caio; Ferrugem, Cezane, Augustine (João Victor) e Almir; Jô (Juca), Gabriel Souza (Guthierres), Keven e Gilsinho; Marcos Paulo e Jhonatan. Técnico: Luciano Dias.
Atibaia: Gustavo; Vinicius, Everton, Wesley e Willian; Thiago, Judson (Patrick), Djalma (Pachú) e Gian; Ronaldo e Daniel (Guilherme). Técnico: Weslei Silva.
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