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terça-feira, 5 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 11): Goleada da Fúria contra o Tadjiquistão

Texto e fotos: Fernando Martinez


O último dia do mês de outubro reservou o final da imensa e histórica cobertura do Jogos Perdidos na primeira fase da Copa do Mundo sub-17. No magnífico Estádio Kléber Andrade, o Grupo E pediu passagem com o insólito duelo entre a Espanha, atual vice-campeã, e a genial seleção do Tadjiquistão, responsável direta pelo aumento significativo dos nossos seguidores no Twitter. É, na era das redes sociais, qualquer ajuda é sempre válida.

Os tadjiques chegaram cedo no Brasil e seis dias antes da estreia no Mundial fizeram um sensacional amistoso internacional com o elenco sub-20 do Audax na cidade de Osasco. A minha presença era obrigatória, e tudo que falei sobre a partida no Twitter gerou um engajamento enorme nas redes. O número de perfis que seguem o JP praticamente dobrou. O 2x2 foi o pano de fundo de uma noite genial que será lembrada por muito tempo.

O Tadjiquistão disputa o torneio apenas pela segunda vez em todos os tempos. Na primeira, em 2007, chegou nas oitavas e foi eliminado pelo Peru nos pênaltis. A viagem ao Brasil foi confirmada durante o campeonato sub-16 da AFC. As quartas de final reuniram quatro times que eu já tinha visto versus quatro inéditos. O único triunfo de uma equipe nova foi do Tadjiquistão, que eliminou a Coreia do Norte nos pênaltis. As minhas demais torcidas - Omã, Indonésia e Índia - lamentavelmente foram eliminadas. Lembrando que vi os norte-coreanos em 2015 na cidade de Concepción no Chile em compromisso contra a Rússia na Copa do Mundo.

A Espanha estava na minha Lista desde o glorioso 10x0 que aplicou conta o Taiti na Copa das Confederações de 2013. Confesso que apesar de ter raízes no país ibérico, eu não sou o maior fã da Fúria. Eles carimbaram o passaporte para a Copa eliminando a Hungria (que depois conquistou uma vaga na repescagem) nas quartas do europeu sub-17. Essa é a décima participação no Mundial e por quatro vezes, inclusive na Índia em 2017, chegaram na decisão e foram derrotados. Os espanhóis estavam em quinto lugar no histórico dos 82 participantes desde 1985 e possuem a honra de terem aplicado a maior goleada do certame: 13x0 em cima da Nova Zelândia em 1997.



Dois detalhes da bela fachada do Estádio Kléber Andrade, um dos mais sensacionais que já visitei


Enquanto puder, vou encher de foto do Kléber Andrade pois é um estádio maravilhoso. Essa cobertura é simplesmente genial


Outro detalhe, agora de dia, de um detalhe da arquitetura genial do estádio capixaba

Descansei pouco durante a madrugada pois fiquei na ativa até às sete da matina. Acordei cedo e fui com a dupla de amigos Bruno e Caio dar uma voltinha em Vitória, cidade que não conhecia. Na volta pegamos um trânsito animal e por pouco não perdemos a hora. Antes de me dirigir à entrada da imprensa passei pelo portão principal do belíssimo complexo. Não canso de dizer que me impressionei bastante com a beleza do lugar. Entra no meu Top 5 pessoal dos estádios mais legais que já visitei.

O público era diminuto quando pisei no gramado, algo natural levando em conta que a peleja começaria às cinco da tarde de uma quinta-feira. Na rodada inicial, a Espanha empatou em 0x0 com a Argentina e o Tadjiquistão venceu Camarões. O país da Ásia Central era o líder da chave, mas eu não esperava que eles surpreendessem atuando contra a Fúria. Decidi logicamente acompanhar o ataque ibérico e não me arrependi nem um pouco.




As seleções sub-17 de Espanha e Tadjiquistão no gramado do Kléber Andrade em Cariacica. Também a foto dos capitães com o quarteto de arbitragem composto pelo árbitro Ivan Barton e o primeiro assistente David Santos de El Salvador (por curiosidade os mesmos da outra foto de trio que fiz, no França x Chile de Goiânia), o segundo assistente Zachari Zeegelaar do Suriname e o quarto árbitro Ivo Mendez da Bolívia

Nem bem a ação tinha começado e a Espanha abriu o marcador. No terceiro minuto, Navarro mandou até Germán Valera na esquerda. O camisa 10 entrou na área e tocou na saída do goleiro. Aí começou um show à parte na tarde: os atletas indo comemorar direto para as lentes do blog. O atleta do Atlético de Madrid fez sua festa de forma exclusiva e os atletas restantes de linha vieram no embalo. Fotos desse naipe a gente não tira toda hora.


German Valera (10) encarando a marcação de Isroil Kholov (21) no começo do jogo



Uma coisa genial nessa partida foi que fui o único fotógrafo do meu setor. Com isso, em três dos gols, os atletas espanhóis vieram comemorar do meu lado. German Valera, autor do primeiro gol, primeiro comemorou sozinho e depois todos os jogadores quiseram aparecer

Com o time todo dentro do campo de defesa adversária, o segundo tento pintou aos 19 quando Robert Navarro completou com facilidade um cruzamento da esquerda de Valera. Pablo Moreno aos 34 recebeu belo passe em profundidade e finalizou de bico, sem chances para Shohrukh Qirghizboev. A Espanha estava tão ligada que dois minutos depois Alvaro Carrillo deu uma força ao Tadjiquistão. O zagueiro recuou a pelota até Ivan Martinez - outro parente meu perdido pela Europa - e não viu que o arqueiro estava fora do gol. Um gol contra de almanaque.


Disputa no meio-campo com Pablo Moreno (19), Shohrukh Sangov (11), German Valera (10) e Moriba Ilaix (14)


Muhammadrasul Litfullaev (4) acompanhando de perto o camisa 10 espanhol German Valera


Roberto Navarro chutando para fazer o segundo tento da Espanha

Aos 46, tudo voltou ao normal quando Moreno entrou na área, driblou um defensor e cruzou para Larrubia, jogador do Málaga. O camisa 17 chutou meio sem jeito e mesmo assim ampliou a vantagem, praticamente resolvendo a fatura em definitivo. Na sequência outra vez fui agraciado com uma comemoração particular para as lentes do JP. Foi com esse lance que a etapa inicial terminou.


Pedri Gonzalez (18) pela esquerda do ataque da Fúria



David Larrubia (17) chutando para fazer o quarto gol da Espanha e depois ele vindo comemorar de forma exclusiva

No tempo final os europeus diminuíram o ritmo e seguraram a vantagem pois sabiam que a vitória estava no papo. Os bons momentos, porém, continuaram surgindo. Moreno levou perigo logo no primeiro minuto em finalização que foi desviada pela zaga. Os tadjiques por pouco não marcaram o segundo quando Rahmatov arriscou do meio de campo ao ver Martínez adiantado. Foi por pouco que o goleiro fez a defesa.

Aos 17, Javi Lopez fez boa jogada pela lateral e cruzou por baixo. Roberto Navarro, avante do Real Sociedad, encheu o pé, a bola resvalou na zaga e morreu no fundo da rede. O camisa 20 comemorou como? Claro, perto do que vos escreve. A foto não estará no Marca, no Mundo Deportivo ou no As, somente no Jogos Perdidos. Não tem como saber se serão jogadores de ponta, independentemente disso já estão devidamente registrados nas nossas páginas. Voltando ao jogo, a última chance saiu aos 30 quando Pedri Gonzalez acertou o travessão em chegada pela direita.


No segundo tempo o ímpeto espanhol diminuiu e Shohrukh Qirghizboev (16) não teve tanto trabalho


Shahrom Nazarov (5) tentando se desvencilhar da marcação de Moriba Ilaix (14, abaixado na imagem)


Roberto Navarro (20) e a comemoração pelo quinto gol espanhol


Zaga do Tadjiquistão neutralizando ofensiva da Espanha


Placar final da partida que abriu a segunda rodada do Grupo E

No fim, o Espanha 5-1 Tadjiquistão foi uma vitória maiúscula, justa e que deixou os europeus próximos das oitavas de final. A Fúria somava quatro pontos contra três dos asiáticos e na jornada final atuaria contra a seleção de Camarões. Os tadjiques duelariam com a Argentina, uma missão altamente complicada. Uma coisa é fato: de tudo que acompanhei na competição, a atuação ibérica nos primeiros 45 minutos foi o que mais me impressionou, positivamente falando.

Com uma hora faltando para a última partida com cobertura do blog na fase inicial da Copa do Mundo sub-17 eu já estava com saudade. A despedida foi em grande estilo com um confronto repleto de memória afetiva.

Até lá!

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Ficha Técnica: Espanha 5x1 Tadjiquistão

Local: Estádio Kléber Andrade (Cariacica/ES); Árbitro: Ivan Barton (ELS); Público: 1.589 pagantes; Cartões amarelos: Alvaro Carrillo, Amadoni Kamolov; Gols: German Valera 4, Roberto Navarro 20, Pablo Moreno 35, Alvaro Carrillo (contra) 37 e David Larrubia 46 do 1º, Roberto Navarro 19 do 2º.
Espanha: Ivan Martínez; Alejandro Frances, Javi López (Adrian Gómez) e José Martínez; Benat Turrientes (Alejandro Blesa), Moriba Ilaix e Roberto Navarro; Alvaro Carrillo, German Valera (David Larrubia), Pedri González e Pablo Moreno. Técnico: David Gordo.
Tadjiquistão: Shohrukh Qirghizboev; Jonibek Sharipov, Muhammadrasul Litfullaev (Ozodbek Panzhiev), Shahrom Nazarov, Shohrukh Sangov e Isroil Kholov; Nidoyor Zabirov, Amadoni Kamolov e Sharifbek Rahmatov (Emomali Ahmadkhon); Rustam Soirov (Sunatullo Ismoilov) e Islom Zairov. Técnico: Zainidin Rahimov.
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© 2021

domingo, 30 de junho de 2013

JP na Copa das Confederações (parte 8 de 8): A Batalha de Fortaleza

Salve amigos!

Após duas semanas viajando pelo país em busca das pelejas da Copa das Confederações, e outras coisas mais, desfrutando sabores típicos, deliciando-me com os mais variados costumes e sotaques, e fazendo algumas amizades, chego ao capítulo final de minha saga nada perdida.


Ônibus da seleção espanhola flagrado pelo JP na Avenida Beira-mar de Fortaleza. Foto: Estevan Mazzuia.


Cartão postal de Fortaleza, a escultura de Iracema (personagem de José de Alencar), na praia de mesmo nome. Foto: Estevan Mazzuia.

Minha estada em Fortaleza culminou com a disputa da segunda semifinal do torneio, um clássico espanhol que dispensa maiores apresentações: Espanha e Itália, revivendo a última decisão de Eurocopa.


Vista externa do Castelão. Foto: Estevan Mazzuia.


Vista interna do Castelão, por ocasião da grande semifinal. Foto: Estevan Mazzuia.

No aeroporto de Fortaleza já a primeira decepção: no “stand” da Copa das Confederações, interrompi uma animada reunião entre os voluntários (?), mas nenhum deles soube me passar alguma informação sobre transporte ao Estádio Castelão.


Entrada das seleções. Foto: Estevan Mazzuia.

Quatro dias na cidade, e a não ser por alguns italianos e espanhóis na cidade, e pelo ônibus da seleção espanhola, nada me lembrava que eu estava em uma sede do evento. Como resultado, não arrisquei, fui de táxi mesmo. Detalhe: o Castelão é bastante periférico, muito longe do centro de Fortaleza.


Detalhe da primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

Como o bloqueio da FIFA estava a cerca de três quilômetros do palco, e o sol muito forte, apelei para algo que certamente será muito bem vindo aos estrangeiros em 2014. Uma agradável carona na garupa da bicicleta de um morador local. Padrão FIFA de transporte!!


Visão de meu assento, com pouca utilização do zoom. Foto: Estevan Mazzuia. Foto: Estevan Mazzuia.


As lentes JP flagram Pirlo e Xavi observando Piqué com a bola. Antológico. Foto: Estevan Mazzuia.

O entorno do estádio, em que pese a importância da partida, foi, a meu ver, o mais abandonado, de longe, em termos de presença de voluntários e pessoal operacional. Vi poucas pessoas orientando o público. Padrão FIFA novamente.


Candreva tanta evitar que Sérgio Ramos passe a bola para o craque Iniesta. Foto: Estevan Mazzuia.

Meu lugar, dessa vez, era pertinho do gramado: fileira D, ou seja, quarta fila, o mais perto que eu cheguei do palco principal, pelo menos oficialmente. Meu momento Andy Warhol ocorreu durante a execução do hino italiano, quando fui capturado pelas lentes de uma desavisada câmera a procura de um ítalo legítimo. Naquela fração de segundos pude ver-me no telão, eternizado no padrão FIFA de transmissões futebolísticas.


Ficou tremida, mas gostei mesmo assim! Foto: Estevan Mazzuia.


Casillas fechou o gol espanhol na primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

De positivo nesse torneio, o bom nível técnico das partidas. Espero que na Copa do Mundo possamos continuar testemunhando embates do quilate desse Espanha x Itália, um 0 a 0 em que os gols nem fizeram falta, tamanha a emoção da partida.


Buffon, Fernando Torres e Bonucci, que seria decisivo na partida, observam disputa no meio de campo. Foto: Estevan Mazzuia.

Sem seu astro principal, Mario Balotelli, lesionado, a Itália entrou em campo como franco-atiradora, diante da toda poderosa Fúria. Mas a Azzurra foi uma das seleções que saiu do torneio bem avaliada, mostrando um futebol que poucas vezes se viu no selecionado da Bota.


Cruzamento de Xavi, já na segunda etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

Durante a primeira etapa, a Itália não só conseguiu anular o toque de bola espanhol, como levou bastante perigo à meta defendida por Casillas. A Espanha conseguiu mostrar suas garras na segunda etapa, mas a rede insistiu em não balançar.


Reunião de craques nada perdidos sob as lentes JP. Foto: Estevan Mazzuia.


Ataque italiano na segunda etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

A princípio, eu tinha uma passagem de ônibus para Campina Grande marcada para às 19h30. A ideia era sair correndo do Castelão pra pegar o busão a tempo de curtir uma sexta-feira na cidade do Maior São João do Mundo (ué, Caruaru também não se intitula assim?).


Mais bola na área espanhola. Foto: Estevan Mazzuia.

Providencialmente, prevendo o empate, alterei a data da passagem um dia antes, e pude acompanhar a eletrizante prorrogação, com direito a uma bola na trave pra cada lado. Mas a verdade é que, a despeito da alta categoria das equipes, e dos lampejos individuais de seus talentosos jogadores, há muito os atletas se arrastavam sob o calor senegalês decorrente de uma “frente fria” que havia chegado do Piauí.


Fernando Torres faz a proteção na tentativa de cruzamento. Foto: Estevan Mazzuia.

Sentadinho atrás de uma das metas, e já sentindo o prenúncio de um desarranjo intestinal que me perturbou por quatro tenebrosos dias (presença marcante de Camarões na minha Copa das Confederações), torci, em vão, para que a disputa ocorresse em minha frente. Ela ocorreu, mas cem metros à frente, e não vinte como eu esperava. Faltou clareza em minhas orações.


Primeira prorrogação da Copa das Confederações 2013. Foto: Estevan Mazzuia.


Ataque espanhol no segundo tempo da prorrogação. Foto: Estevan Mazzuia.

Sem forças pra levantar e caminhar, assisti dali mesmo Bonucci mandar um recado pra Roma, e Jesus Navas fazer a alegria da menininha que tietava a meu lado, em favor dos alvi-rubros.


Equipes no centro do gramado, preparadas para as cobranças de pênaltis. Foto: Estevan Mazzuia.

Fim de jogo, Espanha 0-0 Itália, com 7-6 nos pênaltis, Fúria na decisão, Itália na sempre perdidíssima disputa pelo terceiro lugar. Particularmente, meu saldo foi muito positivo. Tudo correu dentro (ou muito quase) do esperado. Vi todas as seleções, exceto a brasileira (que eu nem fiz questão mesmo), confirmando o México e “matando” as outras seis (obrigado Fúria, por ter confirmado seu favoritismo com o primeiro lugar de seu grupo).

Mas se o evento-teste for levado a sério, a conclusão é só uma: não há a menor condição de o Brasil sediar uma Copa do Mundo. E se ela vier mesmo a ocorrer, o único legado que ficará a nosso povo será uma imensa dívida e uma meia dúzia de estádios sem nenhuma utilidade. Na saída do Castelão, diga-se de passagem, não havia ninguém informando sobre as linhas de transporte público disponíveis para a zona hoteleira, na principal praia da cidade. Por via das dúvidas, peguei um moto-táxi.


O Castelão à noite. Foto: Estevan Mazzuia.

Muito triste o desperdício de uma grande oportunidade para o investimento, principalmente, de melhorias no transporte público das cidades-sede. Tudo vai funcionar, durante um mês, em caráter provisório. E a um custo muito maior do que o necessário para obras de transformações definitivas.

“No país da bola
Só deita e rola
No país da bola
Quem vem com dólar...”
(Portela, 1986)

Foi isso!

Abraços

Estevan

sábado, 29 de junho de 2013

JP na Copa das Confederações (parte 5 de 8): Recorde histórico no insólito duelo entre Espanha e Taiti

Fala, pessoal!

Após o final da primeira parte das viagens agendadas para os jogos da Copa das Confederações tive pouco tempo para descansar. Cheguei na capital paulista na manhã da terça-feira, 18 de junho, e menos de 48 depois já estava iniciando a segunda parte da jornada (que se tornaria a mais caótica de todas). Tudo para o surreal confronto entre a Espanha, atual campeã mundial e bi-campeã europeia, e o sensacional Taiti no (novo) Maracanã. Vale registrar que essa foi a volta da Fúria ao estádio depois do clássico 6x1 sofrido para o Brasil na Copa de 1950.

Dessa vez a caravana da coragem teve a apenas a minha presença junto com o Emerson, ausente das pautas do JP mas vendo como obrigação acompanhar um joguinho de seus "conterrâneos" após sua nova condição de cidadão espanhol. Como o amigo ainda estava sem o ingresso da peleja em mãos, saímos da capital paulista no começo da madrugada para evitar percalços.

O percurso até o Rio de Janeiro foi feito sem problemas e com uma trilha sonora de primeiíssima linha. Como estávamos com tempo de sobra, ainda deu tempo de fazer uma preciosa soneca de duas horas logo depois de entrarmos no estado vizinho. Alcançamos nosso destino final por volta das oito da manhã e, enfrentando um trânsito pesadíssimo, chegamos na Avenida Presidente Vargas às 10, horário que a distribuição dos bilhetes estava marcada para começar. Diferente do que passei no sábado anterior, o Emerson fez a retirada em poucos minutos.


Comitiva do JP passeando pelas ruas do Rio de Janeiro. Detalhes da Igreja da Candelária e da Presidente Vargas. Fotos: Fernando Martinez.

Só que praticamente esses foram os últimos momentos "tranquilos" até a chegada em São Paulo, muitas horas depois. Pra começar, em virtude da FIFA ter fechado TODAS as ruas próximas ao estádio ficamos impedidos de estacionar o possante amarelo na casa do amigo Cláudio Burger. Não adiantou ele comprovar que morava numa das várias ruas interditadas e também não adiantou ele argumentar com 115 policiais e 77 fiscais da empresa que cuida do trânsito na cidade... O bom senso passou longe dali, no melhor esquema "NÃO PODE" e pronto.

Meio a contra-gosto acabamos deixando o veículo numa rua residencial na Tijuca e saímos dali para bater uma xepa. A tarefa foi árdua e acabamos parando meio sem querer numa padaria tosca do bairro. Imagino que a temperatura do estabelecimento ultrapassava os 40 graus centígrados e para melhorar ainda mais o cenário surrealista, todos os pedidos que fizemos vieram errados. Como a prestatividade dos atendentes era nula, nem tinha como reclamar pois com certeza não seríamos atendidos...


A única coisa que sobrou do antigo Maracanã: a fachada revitalizada indicando o falecido Estádio Mário Filho. Foto: Fernando Martinez.

Após esse "belíssimo" almoço finalmente pegamos o caminho do (novo) Maracanã. Independente dos percalços e dos perrengues, a expectativa para a tarde quente no Rio de Janeiro era de goleada. Tudo bem que a Espanha já havia adiantado que entraria em campo com um time reserva, mas como o selecionado taitiano não assustaria nem a Matonense na disputa da segundona paulista, não esperava nada menos do que um placar de dois dígitos.


Bandeiras de Espanha e Taiti no (novo) Maracanã. Foto: Fernando Martinez.

E antes mesmo do apito inicial um recorde histórico já havia sido quebrado: Espanha e Taiti foram os adversários com maior distância no ranking da FIFA a se enfrentarem num jogo oficial. Enquanto a Fúria se segura na liderança desde a conquista do Mundial três anos atrás, o selecionado oceânico ocupava apenas a 135ª posição na edição de junho do ranking. Essa diferença de 134 posições superou com folga o recorde anterior, ocorrido na estreia brasileira na Copa do Mundo de 2010. Naquela partida a diferença entre o onze canarinho e a Coreia do Norte era de 104 posições (Brasil líder e norte-coreanos na 105ª posição).

Bom, na hora de entrar no (novo) Maracanã, descobri que estava exatamente no lado oposto do Emerson, mas lá do alto, quase na última fileira de cadeiras, fato bem diferente do México x Itália no domingo anterior. Menos mal que os amigos Luciano Claudino e Renato "Super Taiti" Rocha estavam em setores próximos ao meu. Deu tempo de colocar o papo em dia, discutir com um voluntário indiano (!) muito do mal educado antes das seleções entrarem em campo.


Rampa que leva ao último anel de arquibancadas do estádio. Foto: Fernando Martinez.


Equipes perfiladas no gramado do (novo) Maracanã. Foto: Fernando Martinez.

Imagino o que deve ter sido para os atletas amadores taitianos ter enfrentado a atual campeã mundial no (novo) Maracanã. Com certeza esse foi (e será por muito tempo) o maior momento esportivo do maior arquipélago da Polinésia Francesa. Os mais de 71 mil torcedores presentes "adotaram" o time alvirrubro e vibraram a cada vez que um jogador da equipe tocava na bola.


Jogador espanhol evitando que a bola saísse de campo. Foto: Fernando Martinez.

Só que mesmo com o time de reservas espanhóis morrendo de sono, nenhuma surpresa aconteceu. Os números da peleja mostram um pouco a abismal distância entre as duas equipes: Foram 28 chutes da seleção europeia - 19 direto para o gol defendido por Roche - contra um único chute do Taiti. O tempo inicial terminou com o placar parcial de 4x0, dois gols de Fernando Torres um de David Villa e outro de David Silva.


Troca de passes no ataque europeu. Foto: Fernando Martinez.


Rara chance para o Taiti. Foto: Fernando Martinez.

Embora duvidando, muito por causa da má vontade dos seus atletas, que a Espanha pudesse chegar ao menos no décimo gol, o segundo tempo começou com a Fúria mais disposta em campo. O jogo estava moleza e com 21 minutos o placar já apontava 8x0, gols de David Villa aos 4, Torres aos 12, Villa de novo aos 19 e Juan Mata aos 21. Só que depois disso o marasmo voltou a tomar conta da bi-campeã continental.


Visão geral de um estádio recebendo um sensacional público. Foto: Fernando Martinez.


Taiti saindo para o ataque no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto a torcida já nem via mais o jogo e se preocupava mais com conversas paralelas e cantos sem sentido, eu queria mesmo era presenciar a maior goleada num torneio adulto da FIFA em todos os tempos. Para minha aflição, o camisa 9 Fernando Torres parecia não estar afim de me ajudar e chutou um pênalti na trave aos 32 minutos.


Zaga taitiana afastando o perigo. Foto: Fernando Martinez.


Mais uma visão aberta do (novo) Maracanã. Foto: Fernando Martinez.

Ainda bem que no lance seguinte ele resolveu ouvir meus apelos e marcou o nono gol. Com 11 minutos para o fim da partida, a Espanha precisava marcar apenas um golzinho para entrar de vez na história. Quando a esperança já tinha desaparecido, David Silva recebeu passe dentro da área, fez o giro e chutou no canto direito do goleiro taitiano. Decorridos 44 do segundo tempo, finalmente saía o décimo gol.


O antigo Maracanã morreu, é fato... mas apesar dos pesares o novo está muito bonito. Foto: Fernando Martinez.

O placar de Espanha 10-0 Taiti fez cair uma série de marcas: Foi a maior goleada da história da Copa das Confederações; Foi a maior goleada em todos os tempos contando torneios adultos da FIFA, superando o famoso Hungria 10-1 El Salvador da Copa de 1982; E foi a primeira vez que uma partida teve diferença de 10 tentos nessas mesmas competições, ultrapassando o jogo citado de 82 e o Hungria 9-0 Coreia do Sul em 1954 e o Iugoslávia 9-0 Zaire em 1974. O mais legal disso tudo é poder dizer que "eu estava lá"...


É demais acompanhar a história sendo escrita: Placar final do jogo com a maior goleada em todos os tempos de uma competição adulta da FIFA. Foto: Fernando Martinez.

Como de praxe, demoramos para sair do (novo) Maracanã e quando finalmente deixamos as dependências do estádio sentimos um clima de guerra no ar. Manifestantes já estavam bem próximos ao local e eu e o Emerson tivemos que sair correndo dali. Percorremos caminhos impensáveis para chegar na Avenida Brasil e depois a via Dutra. A estrada estava livre e parecia que chegaríamos na boa em São Paulo.

Só que não sabíamos que vários trechos da Dutra estavam interditados por mais manifestantes. Pelo menos em cinco cidades o tráfego estava completamente interrompido, tanto no sentido SP, quanto no sentido Rio. Nos restou parar num posto de gasolina em Resende e ali aguardar a boa vontade do pessoal para liberar a pista. Para completar o "ótimo" astral, ainda tive que ver o Miami heat conquistar o bi da NBA... Lamentável.

Com tudo isso nossa chegada em casa demorou muito, mas muito mais do que o previsto, estragando tudo que tinha planejado para a sexta-feira. E sem tempo de descansar, na sexta mesmo encarei mais estrada para a terceira e última parte da minha jornada na Copa das Confederações.

Até lá!

Fernando