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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Timão abre vantagem no clássico e encaminha vaga na decisão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Foi exatamente uma semana longe dos estádios. Voltei à programação na manhã de domingo com o início da fase semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino. Em mais uma sessão de futebol no Estádio Paulo Machado de Carvalho (aqui não falamos o bisonho nome atual), o São Paulo recebeu o Corinthians tentando manter a boa fase nos duelos anteriores da temporada.

As equipes se enfrentaram três vezes em 2025 e o time do Morumbi não perdeu. Na final da Supercopa, o Tricolor foi campeão nos pênaltis. Na primeira fase do nacional empataram por 1 a 1 e no Paulista veio outro triunfo são-paulino por 2 a 1, com uma virada épica e gols aos 49 e 50 do segundo tempo. Justamente por isso, as alvinegras estavam com o São Paulo engasgado. E não havia melhor hora para quebrar essa escrita.

Dormi pouco e acordei amassado no domingo cedo. Sem ânimo para ir a pé até o Pacaembu, optei por um Uber, que me deixou na entrada de imprensa, no glorioso portão 23. Bom, a entrada de imprensa para todos, menos para quem manda no São Paulo. Algum ser nefasto decidiu que aquele não seria o portão, mesmo sendo o caminho natural para o gramado. Com muita falta de educação, um funcionário do clube disse que eu precisaria ir até o portão 16, do outro lado. Decisão absurda, para dizer o mínimo.

Dei a volta e fui até o local indicado. Depois da reforma, só tinha passado ali na eliminação lusitana contra o Botafogo/PB pela Copa do Brasil e bateu de novo a saudade de como era antes, nos tempos de estádio municipal. Sigo achando que a reforma matou boa parte do charme do velho campo paulistano. Desci toda a escadaria e só na beira do gramado consegui me credenciar. Isso já com o sol brilhando forte, contrariando a previsão de máximas de 20 graus e céu nublado.


São Paulo Futebol Clube (feminino) - São Paulo/SP


Sport Club Corinthians Paulista (feminino) - São Paulo/SP


A árbitra Daiane Muniz, as assistentes Daniella Coutinho Pinto e Leandra Aires Cossette, a quarta árbitra Marianna Nanni Batalha e Maria Eduarda Silva Pires e as duas capitãs

Enfim, fiz as imagens posadas e fui escolher um lugar. Ia ficar no ataque local, mas os gandulas foram orientados a permanecer na frente das placas de publicidade. Com isso, atrapalhariam as fotos. Questionei e disseram que não poderiam sair dali. Ótimo, só que não. Mais um tijolinho no muro de absurdos do protocolo definido pelo São Paulo. Fui então para a lateral esquerda do ataque corintiano e, apesar de outro gandula ficar na frente dos fotógrafos torcendo como se estivesse na arquibancada, gritando e xingando, a escolha acabou sendo boa.

O Corinthians começou com tudo e logo aos três minutos abriu o marcador. A zaga local afastou mal a bola, que parou nos pés de Gi Fernandes. A camisa 23 cruzou com perfeição e Jaqueline, livre de marcação, cabeceou no canto direito. As alvinegras seguiram melhores e Johnson quase ampliou aos 25 minutos, em lance que Kaká salvou a pátria do Tricolor.

O São Paulo tentou assustar em contra-ataques, mas não teve sucesso. A melhor chance foi em chute de longe de Maressa que Nicole mandou pela linha de fundo. No mais, o Corinthians se segurou com propriedade e no intervalo o placar mostrava a vantagem parcial do escrete visitante.


O Corinthians começou o jogo com tudo


Logo aos três minutos, as visitantes abriram o marcador com Jaqueline





Mais lances da etapa inicial no Pacaembu

Mudei de lado na etapa final e fui, de novo, seguir o ataque corintiano. Os gandulas pendurados nas placas, atrapalhando quem quisesse ficar ali, se tocaram e ficaram atrás de onde eu estava, menos mal. Dali vi o São Paulo voltar melhor do que o adversário.

O Tricolor teve ótimas chances para empatar, mas pecou no último toque. Aline Milene teve o primeiro grande momento, porém finalizou fraco. Isa Guimarães teve duas oportunidades, ambas tirando tinta do travessão. A pressão era local, mas quem marcou foi o Corinthians. Com o relógio marcando 31 minutos, Jaque Ribeiro cruzou da direita. Vic Albuquerque tentou um chute cheio de estilo e errou gloriosamente. Só que a bola bateu nela e encontrou Dayana Rodriguez livre. Ela pegou de primeira em um voleio sensacional e colocou no canto de Carlinha. Um golaço.





Na segunda etapa, os dois times tiveram bons momentos



Dois detalhes do segundo tento corintiano. Vic Albuquerque deu uma espirrada de taco monumental e a bola ficou limpa para Dayana Rodríguez. Ela emendou um voleio sensacional e ampliou a vantagem




A vitória por 2 a 0 deixou o Corinthians com a mão na vaga para a final do Brasileiro Feminino

O São Paulo sentiu o golpe e, apesar de tentar reduzir o prejuízo, não conseguiu chegar às redes. O Corinthians esperou o tempo passar e, ao final dos 90 minutos, confirmou uma vitória gigantesca. O 2 a 0 faz com que as comandadas de Lucas Piccinato possam perder por um gol de diferença e ainda assim estarão na nona final de Brasileiro Feminino seguida. O Tricolor precisa vencer por três. Se ganhar por dois, a decisão vai aos pênaltis.

Missão nada fácil, ainda mais considerando que as alvinegras perderam apenas dois jogos em 2025, ambos com gols sofridos depois dos 49 do segundo tempo. A partida decisiva será no Estádio do Canindé, domingo, 10h30. Se tudo der certo, pretendo estar lá. Certamente será uma peleja com ótimo público.

Foi isso. Vamos tentar animar durante a semana para que as coberturas sejam mais frequentes. O grande lance é que estamos já na contagem regressiva para uma viagem que promete ser antológica. Vai ter muito time novo e locais nunca antes visitados. Mas falarei disso mais para frente.

Até a próxima!

Ficha Técnica: São Paulo 0-2 Corinthians

Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitra: Daiane Muniz/SP; Público: 3.246 pagantes; Renda: R$ 41.553,30; Cartões amarelos: Maressa, Aline Milene, Jaqueline, Andressa Alves, Jhonson e Nicole; Gols: Jaqueline 3 do 1º e Dayana Rodríguez 31 do 2º.
São Paulo: Carlinha; Bruna Calderan, Kaká, Anny (Carol Gil) e Bia Menezes; Maressa, Robinha (Serrana) e Camilinha (Karla Alves); Isa, Aline Milene (Vitorinha) e Giovanna Crivelari (Nathane). Técnico: Thiago Viana
Corinthians: Nicole; Gi Fernandes, Thaís Ferreira, Mariza e Tamires; Dayana Rodríguez, Duda Sampaio (Gabi Zanotti) e Vic Albuquerque (Letícia Monteiro); Andressa Alves (Yaya), Jaqueline (Eudimilla) e Jhonson (Gisela Robledo). Técnico: Lucas Piccinato.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Figueirense surpreende e aplica 3 a 0 no Tigre pela Série C

Texto e fotos: Fernando Martinez


No domingo teve sessão única de futebol no Jogos Perdidos. Saí da capital com 31 graus e muito sol e cheguei no ABC Paulista com 19, nublado e frio. Me ferrei, mas faz parte. A pedida foi novamente o Campeonato Brasileiro da Série C, desta vez com São Bernardo FC x Figueirense. Foi a primeira vez que acompanhei os catarinenses do gramado e fiz a imagem oficial.

Há quatro jogos sem vencer, o Figueira precisava de um triunfo para sair da zona de rebaixamento. O time ocupava a 17ª posição, a primeira dentro do Z-4, com 17 pontos. Só que a parada seria complicada, pois o Tigre do ABC estava há oito jogos sem perder. A última derrota tinha sido contra o CSA no dia 2 de junho. Demorou, mas o clube paulista engrenou na terceirona nacional.


São Bernardo Futebol Clube Ltda. - São Bernardo do Campo/SP


Figueirense Futebol Clube - Florianópolis/SC


O árbitro piauiense Antônio Dib de Sousa, os assistentes, também do Piauí, Márcio Iglesias Silva e Alisson Lima Damasceno, o quarto árbitro do Mato Grosso Eleniel Benedito da Silva e os capitães

Chegando ao Estádio Primeiro de Maio, encontrei novamente o amigo Anderson Romão, os fiscais da FPF e, claro, fiz as fotos posadas antes de acompanhar o ataque da casa. Só que a coisa não foi nada boa. Provavelmente o São Bernardo FC fez sua pior apresentação na Série C de 2025 e tudo deu errado. O ataque não funcionou e a defesa não conseguiu segurar os catarinenses.

Aos 18 minutos, o Figueirense abriu a contagem com uma pintura. Felipe Augusto chutou da intermediária e colocou a bola no ângulo direito de Júnior Oliveira. Golaço. O Tigre correu em busca do empate, porém desperdiçou todas as boas chances que criou. A torcida, que novamente se fez presente em número reduzido, apoiou o time incondicionalmente.








Detalhes do primeiro tempo no Primeiro de Maio, com destaque para a belíssima camisa do Figueirense


A comemoração dos atletas visitantes no belíssimo gol de Felipe Augusto

Na etapa final, o Figueirense se defendeu bem e os locais seguiram pressionando sem sucesso. O Figueira, no entanto, tinha o contra-ataque à disposição e em dois deles saiu o segundo... mas a arbitragem anulou ambos. O Tigre seguia sem transformar pressão em gol. Até que, aos 43, Marlyson acertou a trave e, no rebote, sofreu pênalti. O camisa 9 cobrou no canto esquerdo e ampliou. Maia quase fez o terceiro aos 48 em chute na trave e, no minuto seguinte, Lucas Dias arriscou. A bola desviou na zaga e morreu no fundo do gol.






O Tigre tentou, mas não conseguiu empatar a peleja no segundo tempo


O segundo gol do Figueira, em cobrança de pênalti de Marlyson


O ótimo triunfo na Grande São Paulo tirou o onze catarinense da zona de rebaixamento

A vitória por 3 a 0 tirou os catarinenses da zona de rebaixamento. Agora o clube ocupa a 15ª colocação com 20 pontos e, nas rodadas finais, recebe o Floresta e visita o Ypiranga de Erechim. Apesar do péssimo resultado e da queda para o quinto lugar, o Tigre confirmou vaga na segunda fase. Pelo terceiro ano seguido, vai lutar pelo acesso à Série B. O problema é que o time não parece tão forte quanto nas duas últimas temporadas.

Foi isso. Voltei para a capital de boa, pensando que a semana provavelmente será a mais tranquila dos últimos tempos. Futebol de novo só deve rolar no próximo fim de semana.

Até a próxima!

Ficha Técnica: São Bernardo FC 0-3 Figueirense

Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitro: Antônio Dib Moraes de Sousa/PI; Público: 733 pagantes; Renda: R$ 14.300,00; Cartões amarelos: Pedro Felipe, Hélder, Lucas Dias, Jhony Douglas, Hyuri, Matheus Mascarenhas e Ramon Vinícius; Cartões vermelhos: Rafael Forster 40 e Hélder 44 do 2º; Gols: Felipe Augusto 18 do 1º, Marlyson (pênalti) 45 e Lucas Dias 49 do 2º.
São Bernardo FC: Júnior Oliveira; Hugo Sanches, Hélder, Rafael Forster e Pará; Romisson, Dudu Miraíma (Lucas Buchecha) e João Paulo (Lucas Reis); Pedro Felipe (Echaporã), Rodolfo (Felipe Garcia) e Felipe Azevedo (Victor Andrade). Técnico: Ricardo Catalá.
Figueirense: Igo Gabriel; Iury (Léo Maia), Lucas Dias, Ligger e Matheus Mascarenhas (Wesley Costa); Rafinha Potiguar, Jhony Douglas e Ramon Vinícius (Gabriel Santiago); Felipe Augusto (Renan), Marlyson e Hyuri (Douglas Bacelar). Técnico: Élio Sizenando.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Ponte garante vaga e Itabaiana sofre com risco de queda na Série C

Texto e fotos: Fernando Martinez


No sábado não rolou rodada dupla matutina, pois decidi me poupar para a sessão vespertina. Depois de 27 anos, enfim consegui ver o time profissional do glorioso Itabaiana em campo. O duelo dos sergipanos contra a Ponte Preta, válido pela 17ª rodada da fase inicial do Campeonato Brasileiro da Série C, aconteceu no Estádio Moisés Lucarelli.

Minha última peleja na casa ponte-pretana havia sido na vitória dos mandantes contra o Afogados pela Copa do Brasil de 2020, três dias antes do mundo inteiro parar por causa da pandemia. Vendo a minha lista, um detalhe me surpreendeu: nunca tinha visto a Macaca jogar com a luz do dia por lá, apenas à noite. Boa hora para fazer essa estreia.


A bela fachada do Estádio Moises Lucarelli merece sempre aparecer aqui quando fazemos alguma cobertura por lá

O Itabaiana já estava na Lista, pois só tinha visto o Tremendão da Serra na Copa São Paulo. Foram duas oportunidades, em 2005 e 2014, ambas em Taubaté. Cheguei a ter a chance de vê-los ao vivo com seu elenco principal no quadrangular final da Série C de 1998, contra o São Caetano, mas desperdicei. Aliás, em 2025 consegui ver os dois times que perdi naquela fase final. O outro era o Anápolis, devidamente incluído na Lista na derrota para o São Bernardo FC, também pela terceirona.

Estive nessa com o amigo atômico Nilton e fomos de ônibus numa relax, numa tranquila e numa boa até Campinas. Chegamos faltando cerca de uma hora para o meu credenciamento. Fazia muito tempo que não pisava no gramado do Moisés. Encontrei o amigo Anderson Romão, um dos fotógrafos mais legais do pedaço, e após as fotos oficiais fui acompanhar o ataque alvinegro. Antes, vale destacar a beleza da camisa 3 da Ponte, feita em comemoração aos 125 anos. Uma daquelas que dá vontade de colocar na coleção, mesmo com o preço salgado.


Associação Atlética Ponte Preta - Campinas/SP


Associação Olímpica de Itabaiana - Itabaiana/SE


O trio carioca Pierry Dias dos Santos, Carlos Henrique de Souza e Danilo Oliveira da Silva, o quarto árbitro amazonense Halbert Luís Baia e os capitães dos times

Falando do jogo, ele não foi dos melhores. A Ponte Preta teve dificuldade para entrar na área adversária e criou poucas chances relevantes. A primeira delas veio num chute colocado de Jeh que o goleiro Léo Santos defendeu com estilo. Depois, aos 45, os mandantes ficaram em vantagem. Jeh chutou da esquerda, Léo Santos deu rebote e Jonas Toró aproveitou a sobra, encheu o pé e colocou a Macaca na frente.


Léo Souza em boa defesa em chute de Jeh




Momentos do ataque ponte-pretano na etapa inicial





Toda a sequência do gol da Ponte Preta: Jeh tirando do zagueiro, cruzando, Jonas Toró armando o chute e a rede estufando

Na etapa final, a partida caiu de produção. A Ponte pouco fez, e o Itabaiana, precisando somar pontos na luta contra o rebaixamento, tentou reagir, mas sem muita qualidade. A rigor, criou apenas duas boas chances: uma aos 36, em cabeçada de Betão que tirou tinta da trave, e outra aos 46, em chute de Gustavo que desviou na zaga e bateu no travessão. Do lado do ataque ponte-pretano, o lance mais curioso foi quando o carrinho da maca quebrou e os atletas sergipanos tiveram que empurrá-lo para fora do campo.








Detalhes da etapa final de Ponte Preta x Itabaiana, jogo com cara de Taça de Ouro 1981


O carrinho da maca quebrou na reta final da peleja e os atletas sergipanos foram obrigados a empurrá-lo para que saísse do gramado


O busto de Moisés Lucarelli na entrada do estádio alvinegro

No fim, o triunfo local pela contagem mínima colocou o escrete campineiro na segunda fase da Série C. Agora a Ponte ocupa a terceira colocação, com 30 pontos, faltando duas rodadas para o fim da primeira fase. O Itabaiana entrou na zona de rebaixamento com os mesmos 18 pontos, um abaixo do Anápolis. O Tremendão ainda recebe o Maringá FC e visita o ABC para tentar permanecer na terceirona em 2025.

Terminada a partida, a ideia era pegar o ônibus das oito da noite, mas os amigos Eduardo e Victor também estavam lá e ganhamos uma carona providencial até a capital. Cheguei cedo e no domingo teve outra cobertura da Série C na pauta livre do JP.

Até lá!

Ficha Técnica: Ponte Preta 1-0 Itabaiana

Local: Estádio Moisés Lucarelli (Campinas); Árbitro: Pierry Dias dos Santos/RJ; Público: 4.560 pagantes; Renda: R$ 68.800,00; Cartões amarelos: Emerson Santos, Dudu, Jeh, Élvis, Kauã, Gabriel Marques e Fabrício Oya; Gol: Jonas Toró 45 do 1º.
Ponte Preta: Diogo Silva; Pacheco, Wanderson, Emerson Santos (Sergio Raphael) e Artur; Rodrigo Souza, Dudu (Gustavo Telles) e Élvis; Jonas Toró, Jeh (Serginho) e Bruno Lopes (Diego Tavares). Técnico: Marcelo Fernandes.
Itabaiana: Léo Souza; Lucas Marques, Fredson, Betão, Gabriel Marques (João Vitor) e Kauã (Fabrício Oya); Gustavo Crecci (João Maranhão), Coppetti e Karl; Leílson (David) e Robinho (Elimar). Técnico: Gilson Kleina.