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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 5): Ilhas Salomão na Lista!

Texto: Fernando Martinez. Fotos: Fernando Martinez (exceto a indicada)


Depois de curtirmos as duas primeiras rodadas da Copa do Mundo sub-17 em Goiânia, na manhã do dia 28 coloquei o pé na estrada com destino a Brasília. Na capital federal o cronograma reservava mais quatro partidas e quatro seleções novas, começando com o insólito e genial encontro entre Ilhas Salomão - uma daquelas equipes que provavelmente verei apenas uma vez na vida - e Itália na abertura do Grupo F do certame. 

Percorri os 200 quilômetros que separam a capital de Goiás do Distrito Federal em cerca de três horas. No caminho, tive o prazer de passar em frente ao Jonas Duarte, em Anápolis, e também do Serejão, em Taguatinga (esse devidamente incluído na lista com um Brasiliense x Sobradinho em 2012). Por volta das 14 horas cheguei, junto com o amigo Bruno, ao destino final. Dali, já com a presença de Caio Buchala, o terceiro integrante da Magical Mystery Tour, nos dirigimos ao glorioso Hotel Nacional, sede dos dois dias seguintes.


O terceiro dia de coberturas da Copa do Mundo sub-17 começou cedo. O percurso de Goiânia a Brasília foi percorrido nesse ônibus

Inaugurado nos anos 60, o local recebeu nomes ilustres na sua história, inclusive a Rainha Elizabeth quando a sua majestade visitou a cidade em 1968. Fiquei rico de repente para poder pagar um hotel desse quilate? Longe disso. Eu apenas aproveitei um descontaço monstro na estadia e paguei menos do que a diária de um Íbis qualquer na capital paulista. Apesar de antigo e um pouco abandonado, o lugar ainda respira o glamour do passado. Minha dupla com o Bruno foi marcante, uma espécie de Dean Martin e Frank Sinatra do Século XXI.

Não tivemos muito tempo de descansar, já que partimos para a terceira rodada da viagem às três da tarde. O destino era o Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, casa da Sociedade Esportiva do Gama. Essa foi a minha primeira vez na cancha e o meu glorioso retorno à capital do país após cinco anos. Meu último jogo na cidade tinha sido a lamentável decisão de terceiro lugar da Copa do Mundo de 2014, o horrendo Brasil 0x3 Holanda. Foi minha última partida em Copas do Mundo, pelo menos até agora.

Pouco antes das quatro da tarde chegamos próximos ao magistral estádio e descobrimos um fast-food providencial na região. Além da refeição ser boa, conseguimos estacionar o possante a 300 metros do portão principal. Chegando próximo da entrada pude notar com propriedade a grandiosidade da construção e fiquei bem impressionado. Inaugurado em 1977, o campo passou por reforma no meio dos anos 2000 e foi reinaugurado com o famoso Brasil 6x2 Portugal em novembro de 2008. A capacidade atual é de cerca de 20 mil pessoas.


Detalhe da belíssima fachada do Bezerrão, na cidade-satélite do Gama

Logo me dirigi ao setor de imprensa e, por ser o principal palco do mundial, o espaço reservado era bem maior. Embora fosse a segunda rodada disputada no local (a abertura oficial foi realizada no sábado) alguns voluntários da FIFA estavam bem perdidos e não sabiam dar informações, fora que alguns ganharam nota baixa no quesito simpatia, o que me fez sentir falta do staff de Goiânia. Já no gramado vi que o local é realmente incrível. A parte coberta é um show à parte.

Foi somente durante os 90 minutos que entendi os comandos da máquina fotográfica - antes tarde do que nunca - e também que o árbitro não sorteava lado na moeda, somente definia quem começava jogando. O mandante sempre atacaria à direita das câmeras de televisão na primeira etapa. Com isso, já sabia que ficando do lado esquerdo eu acompanharia os avantes italianos em ação. Tudo claro, tudo cristalino.

O grande problema da jornada aconteceu na hora em que as seleções foram ao gramado. Por causa de uma lambança sem tamanho dos engravatados e dos voluntários da FIFA, eu perdi a foto posada da Squadra Azzurra. Foi a única que faltou no meu álbum pessoal dos 24 participantes. Fui obrigado a rogar uma leve praga até a sexta geração dos familiares dos envolvidos.



As duas seleções posadas antes do apito inicial. Por conta de uma bagunça feita pela organização, a foto da Itália é do site da FIFA, pois como eles só quiseram atrapalhar ao invés de ajudar, tive que escolher uma das duas

Falando nos rapazes da terra da pizza, apenas pela oitava vez eles garantiram o direito de disputar a competição. O retrospecto é tímido e tem como melhor participação o quarto lugar no longínquo mundial do Canadá em 1987. Na Euro sub-17 eles superaram Alemanha e Áustria na primeira fase e decidiram a vaga com Portugal. O 1x0 os garantiu aqui no Brasil. Depois derrotaram a França na semi e perderam o título que não conquistam desde 1982 no revés diante da Holanda.

Agora, é fato que uma das seleções que mais queria ver na Copa era Ilhas Salomão. Mesmo que não tivesse conseguido emplacar a viagem monstra, eu teria dado um jeito de ver os oceânicos, independente da cidade em que eles fossem atuar. A nação, independente desde 1978, tem cerca de 600 mil habitantes e como o próprio nome já diz, é composta por várias ilhas. Um detalhe diferente sobre eles é que 10% da população tem cabelos loiros. Jogos Perdidos também é cultura.

A vinda do sensacional selecionado se consolidou na disputa do Campeonato sub-17 da OFC, realizado no ano passado. Na primeira fase, venceram Nova Zelândia, Papua Nova Guiné e Vanuatu. Na semi-final, derrotaram Ilhas Fiji (devidamente incluída na Lista desde 2016) e conquistaram uma vaga para um torneio de campo da FIFA pela primeira vez na história (já tinham conseguido disputar torneio de Beach Soccer e Futsal anteriormente). Na final, foram derrotados pelos neozelandeses nos penais.

É, só que depois do torneio, a OFC tirou todos os pontos ganhos por Ilhas Salomão e com isso perderam a vaga. Tudo porque chegaram à conclusão que o atleta Chris Salu foi utilizado de forma irregular deliberadamente durante todo o certame. A confederação local apelou da decisão e, em 3 de maio de 2019, os pontos foram restabelecidos e o lugar no mundial foi confirmado. Uma enorme alegria pessoal, já que provavelmente seria o Taiti, seleção que vi duas vezes na Copa das Confederações, que viria no lugar deles. Ufa!

Dito isso tudo, chegou a hora da pelota rolar. Desde o primeiro trilar do apito do árbitro, e confirmando 100% das expectativas, a Itália foi senhora absoluta da peleja. Wles criaram várias chances se aproveitando do futebol ingênuo e pouco combativo dos salomonenses, mas ao mesmo tempo mostraram um empáfia que deu raiva. A molecada meteu aquele salto alto safado e deu para perceber de longe que estavam jogando praticamente por osmose.

Tanto foi assim que o primeiro grande lance, para mim o maior erro de arbitragem da rodada inicial, foi de Ilhas Salomão aos 11 minutos. O goleiro Marco Molla cortou mal um cruzamento da esquerda e Philip Ropa abriu o marcador. O juizão marroquino Redouane Jiyed acabou enxergando uma falta no arqueiro italiano, a meu ver de forma incorreta. Revi o lance depois e fiquei com a mesma impressão. O susto foi sentido pelos italianos e aos 16 quase saiu o primeiro da Azzurra em cabeçada de Simone Panada.

A pressão seguinte foi intensa e um novo bom momento surgiu aos 20 com Degnand Gnonto, atacante de origem marfinense. O camisa 7 acabou abrindo o placar três minutos depois com chute cruzado na direita. Na comemoração, ele veio direto na lente do que vos escreve, numa foto digna de primeira página do Corriere della Sera. Aos 29 saiu o segundo em boa jogada de Gnonto que terminou com o gol de Nicolo Cudrig. Aos 33, Brentan tocou de calcanhar para o camisa 7 e ele, após driblar dois zagueiros, chutou firme e fez o terceiro tento europeu.


Lorenzo Pirola (6) e Christian Dalle Mura (5) subindo alto para tentar cabecear a pelota após escanteio


O goleiro Davidson Malam sofrendo um dos vários sustos no primeiro tempo, aqui em uma bola que bateu na trave


Aqui Matteo Ruggeri (3) também tentando de cabeça



Degnand Gnonto (7) inaugurando o placar aos 24 do primeiro em chute cruzado na direita e depois mandando aquele coração maroto para as lentes do JP



Degnand Gnonto (7) infernizou durante todo o primeiro tempo o setor defensivo de Ilhas Salomão. Na segunda foto, a marcação é de Simone Panada (4)


O bonito entardecer no Bezerrão durante Ilhas Salomão x Itália

O primeira etapa ficou em 3x0. Se eles apertassem um pouquinho só a defesa adversária, era evidente que poderiam chegar a um triunfo maiúsculo. Só que ao invés de uma injeção de ânimo nos vestiários, eles retornaram ao relvado com uma má vontade ainda maior. Foi irritante ver a displicência italiana. Por isso tudo torci demais para que Raphael Leai marcasse o gol de honra de Ilhas Salomão aos 17 quando ele acertou um belo tiro de longe. Pena que Molla fez boa defesa.

Nos minutos finais a resistência da defesa oceânica arriou de vez e o modorrento setor ofensivo da terra da bota conseguiu a proeza de marcar outras duas vezes. Primeiro foi Franco Tongya que fez o quarto aos 30 minutos quando entrou livre na área e tocou na saída de Davidson Malam. Aos 36, Andrea Capone recebeu bom passe da esquerda, deu um bonito drible no defensor e chutou no canto. O mesmo Capone fez o sexto na sequência, porém o gol foi anulado por impedimento.


Simone Panada (4) dando aquela bicuda e mandando a bola longe


No segundo tempo o ritmo italiano diminuiu, mas ainda assim a seleção europeia criou bons momentos


Nicolo Cudrig (11) em lance pela esquerda. Na cola, Simone Panada (4)


Franco Tongya (10) finalizando e marcando o quarto gol da Itália


Andrea Capone (19) fechando a goleada italiana aos 36 do segundo tempo


Zaga de Ilhas Salomão cortando cruzamento na área


Placar final da preguiçosa estreia italiana no Mundial sub-17

O placar final de Ilhas Salomão 0-5 Itália foi merecido pela superioridade técnica do onze europeu e só. Eles precisam jogar sério caso queiram ir longe na Copa do Mundo sub-17. Quanto aos salomônicos, eles vão perder os dois jogos seguintes, não há nenhuma dúvida disso, mas o grande título deles é estar disputando um mundial da FIFA. O verdadeiro troféu da rapaziada do outro lado do mundo já foi conquistado quando pegaram o avião para o Brasil.

Se eu reclamei bastante da falta de vontade italiana na preliminar, no duelo de fundo o cenário conseguiu piorar. Não foi fácil acompanhar duas seleções maltratando tanto a bola durante 90 minutos. Deu dó.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ilhas Salomão 0x5 Itália

Local: Estádio Walmir Campelo Bezerra (Brasília/DF); Árbitro: Redouane Jiyed (Mar); Público: 859 pagantes; Cartão amarelo: Christian Dalle Mura; Gols: Degnand Gnonto 24, Nicolo Cudrig 29 e Degnand Gnonto 34 do 1º, Franco Tongya 30 e Andrea Capone 36 do 2º.
Ilhas Salomão: Davidson Malam; Derrick Taebo (Stanford Fakasori), Leon Kofana, Javin Alick (Zani Sale) e Pateson Tongaka; Richie Kwaimamani e Philip Ropa; Bradley Irosaea (Densly Geseni), Charles Mani, Raphael Leai e Alford Kanahanimae. Técnico: Stanley Waita.
Itália: Marco Molla; Francesco Lamanna, Matteo Ruggeri, Christian Dalle Mura, Lorenzo Pirola e Iyenoma Udogie (Samuel Giovane); Simone Panada, Michael Brentan e Franco Tongya; Degnand Gnonto (Andrea Capone) e Nicolo Cudrig (Riccardo Boscolo). Técnico: Carmine Nunziata.
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domingo, 30 de junho de 2013

JP na Copa das Confederações (parte 8 de 8): A Batalha de Fortaleza

Salve amigos!

Após duas semanas viajando pelo país em busca das pelejas da Copa das Confederações, e outras coisas mais, desfrutando sabores típicos, deliciando-me com os mais variados costumes e sotaques, e fazendo algumas amizades, chego ao capítulo final de minha saga nada perdida.


Ônibus da seleção espanhola flagrado pelo JP na Avenida Beira-mar de Fortaleza. Foto: Estevan Mazzuia.


Cartão postal de Fortaleza, a escultura de Iracema (personagem de José de Alencar), na praia de mesmo nome. Foto: Estevan Mazzuia.

Minha estada em Fortaleza culminou com a disputa da segunda semifinal do torneio, um clássico espanhol que dispensa maiores apresentações: Espanha e Itália, revivendo a última decisão de Eurocopa.


Vista externa do Castelão. Foto: Estevan Mazzuia.


Vista interna do Castelão, por ocasião da grande semifinal. Foto: Estevan Mazzuia.

No aeroporto de Fortaleza já a primeira decepção: no “stand” da Copa das Confederações, interrompi uma animada reunião entre os voluntários (?), mas nenhum deles soube me passar alguma informação sobre transporte ao Estádio Castelão.


Entrada das seleções. Foto: Estevan Mazzuia.

Quatro dias na cidade, e a não ser por alguns italianos e espanhóis na cidade, e pelo ônibus da seleção espanhola, nada me lembrava que eu estava em uma sede do evento. Como resultado, não arrisquei, fui de táxi mesmo. Detalhe: o Castelão é bastante periférico, muito longe do centro de Fortaleza.


Detalhe da primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

Como o bloqueio da FIFA estava a cerca de três quilômetros do palco, e o sol muito forte, apelei para algo que certamente será muito bem vindo aos estrangeiros em 2014. Uma agradável carona na garupa da bicicleta de um morador local. Padrão FIFA de transporte!!


Visão de meu assento, com pouca utilização do zoom. Foto: Estevan Mazzuia. Foto: Estevan Mazzuia.


As lentes JP flagram Pirlo e Xavi observando Piqué com a bola. Antológico. Foto: Estevan Mazzuia.

O entorno do estádio, em que pese a importância da partida, foi, a meu ver, o mais abandonado, de longe, em termos de presença de voluntários e pessoal operacional. Vi poucas pessoas orientando o público. Padrão FIFA novamente.


Candreva tanta evitar que Sérgio Ramos passe a bola para o craque Iniesta. Foto: Estevan Mazzuia.

Meu lugar, dessa vez, era pertinho do gramado: fileira D, ou seja, quarta fila, o mais perto que eu cheguei do palco principal, pelo menos oficialmente. Meu momento Andy Warhol ocorreu durante a execução do hino italiano, quando fui capturado pelas lentes de uma desavisada câmera a procura de um ítalo legítimo. Naquela fração de segundos pude ver-me no telão, eternizado no padrão FIFA de transmissões futebolísticas.


Ficou tremida, mas gostei mesmo assim! Foto: Estevan Mazzuia.


Casillas fechou o gol espanhol na primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

De positivo nesse torneio, o bom nível técnico das partidas. Espero que na Copa do Mundo possamos continuar testemunhando embates do quilate desse Espanha x Itália, um 0 a 0 em que os gols nem fizeram falta, tamanha a emoção da partida.


Buffon, Fernando Torres e Bonucci, que seria decisivo na partida, observam disputa no meio de campo. Foto: Estevan Mazzuia.

Sem seu astro principal, Mario Balotelli, lesionado, a Itália entrou em campo como franco-atiradora, diante da toda poderosa Fúria. Mas a Azzurra foi uma das seleções que saiu do torneio bem avaliada, mostrando um futebol que poucas vezes se viu no selecionado da Bota.


Cruzamento de Xavi, já na segunda etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

Durante a primeira etapa, a Itália não só conseguiu anular o toque de bola espanhol, como levou bastante perigo à meta defendida por Casillas. A Espanha conseguiu mostrar suas garras na segunda etapa, mas a rede insistiu em não balançar.


Reunião de craques nada perdidos sob as lentes JP. Foto: Estevan Mazzuia.


Ataque italiano na segunda etapa. Foto: Estevan Mazzuia.

A princípio, eu tinha uma passagem de ônibus para Campina Grande marcada para às 19h30. A ideia era sair correndo do Castelão pra pegar o busão a tempo de curtir uma sexta-feira na cidade do Maior São João do Mundo (ué, Caruaru também não se intitula assim?).


Mais bola na área espanhola. Foto: Estevan Mazzuia.

Providencialmente, prevendo o empate, alterei a data da passagem um dia antes, e pude acompanhar a eletrizante prorrogação, com direito a uma bola na trave pra cada lado. Mas a verdade é que, a despeito da alta categoria das equipes, e dos lampejos individuais de seus talentosos jogadores, há muito os atletas se arrastavam sob o calor senegalês decorrente de uma “frente fria” que havia chegado do Piauí.


Fernando Torres faz a proteção na tentativa de cruzamento. Foto: Estevan Mazzuia.

Sentadinho atrás de uma das metas, e já sentindo o prenúncio de um desarranjo intestinal que me perturbou por quatro tenebrosos dias (presença marcante de Camarões na minha Copa das Confederações), torci, em vão, para que a disputa ocorresse em minha frente. Ela ocorreu, mas cem metros à frente, e não vinte como eu esperava. Faltou clareza em minhas orações.


Primeira prorrogação da Copa das Confederações 2013. Foto: Estevan Mazzuia.


Ataque espanhol no segundo tempo da prorrogação. Foto: Estevan Mazzuia.

Sem forças pra levantar e caminhar, assisti dali mesmo Bonucci mandar um recado pra Roma, e Jesus Navas fazer a alegria da menininha que tietava a meu lado, em favor dos alvi-rubros.


Equipes no centro do gramado, preparadas para as cobranças de pênaltis. Foto: Estevan Mazzuia.

Fim de jogo, Espanha 0-0 Itália, com 7-6 nos pênaltis, Fúria na decisão, Itália na sempre perdidíssima disputa pelo terceiro lugar. Particularmente, meu saldo foi muito positivo. Tudo correu dentro (ou muito quase) do esperado. Vi todas as seleções, exceto a brasileira (que eu nem fiz questão mesmo), confirmando o México e “matando” as outras seis (obrigado Fúria, por ter confirmado seu favoritismo com o primeiro lugar de seu grupo).

Mas se o evento-teste for levado a sério, a conclusão é só uma: não há a menor condição de o Brasil sediar uma Copa do Mundo. E se ela vier mesmo a ocorrer, o único legado que ficará a nosso povo será uma imensa dívida e uma meia dúzia de estádios sem nenhuma utilidade. Na saída do Castelão, diga-se de passagem, não havia ninguém informando sobre as linhas de transporte público disponíveis para a zona hoteleira, na principal praia da cidade. Por via das dúvidas, peguei um moto-táxi.


O Castelão à noite. Foto: Estevan Mazzuia.

Muito triste o desperdício de uma grande oportunidade para o investimento, principalmente, de melhorias no transporte público das cidades-sede. Tudo vai funcionar, durante um mês, em caráter provisório. E a um custo muito maior do que o necessário para obras de transformações definitivas.

“No país da bola
Só deita e rola
No país da bola
Quem vem com dólar...”
(Portela, 1986)

Foi isso!

Abraços

Estevan

sexta-feira, 28 de junho de 2013

JP na Copa das Confederações (parte 3 de 8): Azzura vence nipônicos em partida eletrizante

Salve, amigos!

Dando continuidade a minhas merecidas férias, depois de acompanhar, ao lado do Fernando, duas partidas pela primeira rodada da Copa das Confederações 2013, segui viagem para Recife, a fim de acompanhar o duelo entre Itália e Japão, na genial Arena Pernambuco, em partida pela segunda rodada do Grupo A.

Bom, como o jogo não foi nada perdido, aproveito pra falar bastante sobre as impressões gerais que tive até agora. A partida entre Espanha e Uruguai, no último domingo, denunciou a fragilidade no esquema do transporte para o local, distante 19 km do centro da cidade. Na verdade, o estádio está na área do município vizinho de São Lourenço da Mata, e o único meio de chegar ao local utilizando-se do transporte público é o metrô, cujos trens passam a intervalos de 5 a 8 minutos.



Parte do trajeto entre o metrô e o estádio é feito de ônibus, mas uma boa caminhada é necessária até chegar à Arena. Fotos: Estevan Mazzuia.

Assim, eu e os demais 40 mil espectadores, tomamos o metrô com destino à estação de Cosme e Damião, aonde diversos ônibus faziam o transporte até uma parada, ainda um tanto distante do estádio. Foram necessários mais alguns minutos de peregrinação até que eu pudesse avistar o local da peleja. Ao todo, levei cerca de duas horas para chegar ao estádio, mas confesso que pelas notícias que eu havia lido, esperava por algo bem pior.



Impressionante por fora e por dentro também. Fotos: Estevan Mazzuia.

Enfim, o estádio, construído para o evento, é de uma arquitetura ímpar que, combinada com a atmosfera do torneio, com torcedores estrangeiros e sua disposição maluca para se enturmar com os festivos brasileiros, rapidamente nos transporta para um lugar mágico.


Há momentos e cenários que nos fazem crer estarmos em outro país. Foto: Estevan Mazzuia.

Aproveitei a antecedência de quase duas horas para o início do confronto para passear pelas belas dependências da Arena, bem como acompanhar, pelo telão, a vitória do Brasil sobre o México, no outro duelo do grupo. Pelo menos isso, como estímulo para que as pessoas se distribuíssem melhor pelo menos no horário de chegada: quem quisesse chegar bem cedo, poderia assistir a seleção brasileira no telão, tendo distração garantida até uma hora antes do jogo local.


Detalhe da área interna da Arena. Fotos: Estevan Mazzuia.

Essa viagem está sendo bem interessante, pois me proporciona observar os contrastes culturais de nosso país, diferentes sotaques, comidas e tradições. Se no Rio de Janeiro podemos degustar os famosos biscoitos de polvilho, em Belo Horizonte não se pode ignorar o saboroso e não menos famoso tropeiro. No Recife, a guloseima da vez era o bolo de rolo. Os preços bastante salgados, porém: 12 pilas por uma breja, e 8 contos por um pão com salsicha, seco que só.


Equipes posicionadas para a execução dos hinos. Foto: Estevan Mazzuia.


Bola na área italiana: a tônica dos primeiros 30 minutos. Foto: Estevan Mazzuia.

Bom, devidamente acomodado, pude apreciar o duelo que se revelaria o melhor do torneio até aqui, contribuindo não só para manter a alta média de gols, como elevá-la ainda mais. Como já era de se esperar, a torcida nipônica era bem maior, composta não só por brasileiros, como por muitos orientais. Vi pouquíssimos italianos.

Com a vitória brasileira, a Itália sabia que a vitória lhe daria a classificação, mas precisaria de uma margem de quatro gols para jogar por um empate com a seleção brasileira para ficar com o primeiro posto do grupo. Os japoneses, por sua vez, sabiam que uma vitória os deixaria com boas chances de classificação, e ainda manteria acesas as esperanças mexicanas.


Maggio se livra de Kagawa, o astro japonês. Foto: Estevan Mazzuia.

Como há muito não se via, a Itália mostrou um bom futebol contra o México e finalmente convencia mais com os pés do que com o peso da camisa. Com Balotelli e Pirlo jogando bem, o Japão de Honda e Kagawa parecia ser uma presa fácil.


Detalhe da primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia.


Balotelli e De Sciglio observam arrancada do veloz Honda. Foto: Estevan Mazzuia.

Porém, nos primeiros 35 minutos, o que se viu foi um Japão altamente veloz, envolvendo a Itália com seu toque de bola. O onze latino, mal passou do meio de campo, e nessa toada viu os nipônicos abrirem 2 a 0 no placar, fácil, fácil. O primeiro gol após uma cobrança de pênalti controvertido por Honda, o segundo pra sacramentar a superioridade, marcado pelo ídolo Kagawa.


Pênalti convertido no primeiro gol japonês. Foto: Estevan Mazzuia.

A essa altura, tudo indicava uma goleada japonesa, arrasando os pobres italianos. Mas a Itália não se deixou abater e conseguiu diminuir o placar após equilibrar um pouco a partida, por meio de De Rossi. O placar de 2 a 1 ficou excelente para a Itália.


A Itália tentava se encontrar nas cobranças de falta sempre perigosas de Pirlo. Foto: Estevan Mazzuia.


Kawashima se esticou mas não conseguiu evitar o gol italiano. Foto: Estevan Mazzuia.

Tanto que no início da segunda etapa, em sete minutos a equipe conseguiu a virada que parecia impossível. Primeiro gol a ajuda de Uchida, depois em um penal convertido por Balotelli. Mas o time japonês não se entregou, voltou a dominar a partida, com boas chances, e chegou ao empate, em gol de Okazaki.


De pênalti, Balotelli deixou sua marca. Foto: Estevan Mazzuia.

A partida seguiu indefinida, mas foi a Itália quem conseguiu marcar o quarto gol primeiro, depois de um lance incrível em que os japoneses conseguiram duas bolas na trave na mesma jogada, sendo que Buffon já estava batido no segundo lance. Giovinco foi o marcador.


Tentativa de Montolivo. Foto: Estevan Mazzuia.

O Japão chegou ainda ao empate, mas o gol foi anulado pela correta marcação de uma posição irregular. Fim de jogo, Itália 4x3 Japão. Não dá pra desmerecer a vitória italiana, mas é muito triste ver uma equipe valente como a japonesa ser eliminada jogando o que jogou.


Detalhe do terceiro gol japonês. Foto: Estevan Mazzuia.


Substituição na seleção japonesa. Foto: Estevan Mazzuia.

Finalizada a partida, a questão era o retorno pra casa. Agora, as 40 mil pessoas não se distribuíram como na chegada. Felizmente, não choveu após a partida, mas levei uma hora pra sair do estádio, numa fila descomunal que ia sendo rapidamente consumida por diversos ônibus que devolviam a rapaziada ao metrô. A apresentação de uma simpática quadrilha contribuiu pra alegria dos espectadores na saída do estádio.


Itália atacava de um lado... Foto: Estevan Mazzuia.


...e o Japão prontamente respondia. Foto: Estevan Mazzuia.

No metrô, mais dificuldades, por acessos estreitos, e grandes intervalos entre os trens. Mas não houve nenhuma confusão, tudo seguiu no maior clima de integração, inclusive entre os torcedores das três grandes equipes do estádio, que cantavam alimentando uma sadia rivalidade durante todo o percurso.


Visão noturna da Arena Pernambuco. Foto: Estevan Mazzuia.


A simpática quadrilha. Foto: Estevan Mazzuia.

Duas horas após o fim da partida, eu já estava de volta a meu QG no local, feliz não só pelo espetáculo que assisti, mas por não ter passado o sufoco que o povo local relatou ter passado no domingo. Talvez eu esteja acostumado a ser tratado como gado pela desorganização desses eventos no sul do país. Resta saber o que os estrangeiros vão achar disso tudo, em 2014.


A multidão ocupando os corredores da Estação Cosme e Damião. Foto: Estevan Mazzuia.

Foi isso!

Abraços

Estevan