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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 5 de 13): Uma história (quase) centenária na última divisão


Depois de quatro pelejas, fechei o primeiro e único final de semana completo da minha turnê pelo Chile com chave de ouro num jogo absolutamente sensacional, o meu segundo na 20ª rodada do Campeonato Nacional de Fútbol – Cuarta División Sub-23 (ou simplesmente Tercera División B) em seu Grupo Norte.

O cronograma original marcava um compromisso da Primera B, mas quando descobri essa partida da última divisão nacional a troca foi imediata. Afinal, não é toda hora que temos a chance de ver o genial Club Deportivo Ferroviarios de Chile em ação. O adversário do Ferrito foi o Club Deportivo Quintero Unido Fútbol Club, Social y Cultural e o palco desse duelo foi o simpaticíssimo Estadio Población Los Nogales, situado no bairro Estación Central.



Ferroviarios de Santiago e Quintero Unido posados antes do confronto válido pela 20ª rodada da Tercera B. A faixa com os atletas aurinegros homenageia "Checho", jogador que se machucou durante a competição. Fotos: Fernando Martinez.

A trajetória da quase centenária agremiação através dos tempos é tão peculiar que merece ser contada aqui. O clube foi fundado em 14 de julho de 1916 representando, como o próprio nome já diz, os funcionários dos "ferrocarriles" da capital chilena. A equipe passou a disputar os certames da Asociación de Football de Santiago em 1927 e em 1933, ainda amador, viu a Liga Profesional de Football de Santiago ser fundada e o primeiro campeonato nacional profissional ser realizado.

No ano seguinte a AFS (amadora) se uniu à LPF (profissional) e essa união fez com que a segunda edição do campeonato nacional tivesse a presença de doze equipes. Essa acabou sendo a primeira e única vez que o aurinegro disputou o principal certame do país com sua denominação original. Ao final daquele torneio, os seis clubes amadores "recém-promovidos" foram mandados para a Divisão de Honra da LPF, uma espécie de segunda divisão, mas sem promoção.

A equipe seguiu com suas atividades e se sagrou cinco vezes campeã de torneios menores. Em 1947 o "Locomotora" foi uma das quinze agremiações que formaram a División de Ascenso e nos três primeiros anos - 1947/1948/1949 - emplacou um tri-campeonato. O acesso viria somente com o terceiro título, porém não foi bem assim que a história seguiu. Corta a cena.

O Club de Deportes Badminton jogava a primeira divisão desde seu início, só que depois de 17 temporadas foi rebaixado em 1949. Alegando que havia sido um dos "fundadores" da principal competição chilena, o time entrou justiça pleiteando permanecer na mesma divisão. A Asociación Central de Fútbol cancelou o descenso e consequentemente também cancelou o acesso do Ferroviários. Para não dar briga, a saída adotada foi a fusão das duas agremiações, nascendo então o Club Deportivo Ferrobádminton, com dirigentes dos dois clubes originais.

O Ferrobádminton ficou 16 temporadas na primeira divisão e após duas presenças na segundona, 1967 e 1968, deixou de existir em 1969. Os dirigentes do antigo Badminton desfizeram a fusão e se mandaram para Curicó (só para constar, a nova velha equipe jogou até 1973, quando deu seu lugar para o Curicó Unido, time que existe até hoje).

O escrete aurinegro voltou a desfilar pelos gramados do país e chegou muito perto se conquistar o acesso para a principal divisão em duas oportunidades. A primeira em 1972, quando foi vice-campeão três pontos atrás do Palestino (subia somente o primeiro colocado), e a segunda em 1974 quando ficou em terceiro, dois pontos atrás do campeão Santiago Morning e do vice Everton (subiam os dois primeiros).



O espetacular Ferrobadminton de 1963 e o time do Ferroviarios de 1972, ano em que foi vice-campeão da segunda divisão, ficando a dois pontos da elite. Reprodução: Flickr oficial do Ferroviarios.

O clube ensaiou mais algumas fusões nos anos seguintes - uma com o Norte Unido de Arica e outra numa mudança para a cidade de Talagante - e permaneceu na segundona até 1982, ano em que disputou seu último campeonato profissional. Desde então o escrete preto e amarelo perambula entre a terceira e a quarta divisões, tendo conquistado o título da "Cuarta División de Chile" em 2003.

Por conta de dívidas da Empresa de Ferrocarriles, a equipe perdeu sua famosa casa no final de 2012. Inaugurado em 1941, o Estadio Ferroviario Hugo Arqueros Rodríguez foi demolido e hoje a equipe manda suas partidas no Estadio Población Los Nogales, campo acanhando (e genial) no bairro de Estación Central que foi inaugurado há três anos.

Depois de conhecer um pouco mais dessa história é impossível não fazer um paralelo com vários clubes históricos do Brasil que foram praticamente desaparecendo do cenário. Dá para perceber que não é exclusividade verde e amarela ver clubes tão significativos em determinadas épocas sumindo. Mesmo com todas as dificuldades, os aurinegros estão animados com a chegada do centenário em 2016 e prometem várias ações para celebrarem a data. A marca é tão superlativa que basta dizer que os três principais times do país - Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Catolica - são mais novos do que o Ferrito. Definitivamente não é pouca coisa.

Embora seja bem mais novo, o adversário dos Tiznados também tem relativa tradição nas divisões de acesso. O Club Deportivo Quintero Unido Fútbol Club, Social y Cultural foi fundado em 10 de junho de 1962 e permaneceu disputando as ligas amadoras da região de Valparaíso até 1980. Em 1981 o clube foi um dos que entrou na primeira edição da terceira divisão da história. Logo no segundo ano a equipe conquistou o acesso e passou cinco temporadas na segundona.

Após o rebaixamento de 1987 o Quintero permaneceu na terceira até 1999 (com uma breve passagem na quarta em 1998), quando abandonou o futebol. Depois de muitos anos longe dos gramados, a diretoria resolveu recolocar o time em campo no segundo semestre de 2013. A campanha na temporada de retorno foi bastante fraca, porém no ano passado a performance foi muito melhor e o clube alcançou a segunda fase.

Nas disputas da Tercera B desse ano os dois clubes já estavam sem chance de classificação para a fase decisiva quando se enfrentaram em 18 de outubro (no turno, a vitória foi do time azul pela contagem mínima). O Grupo Norte teve a presença de doze equipes e a chave teve o Deportes Recoleta e o Colina se destacando desde o início, tanto que os dois garantiram as duas vagas no quadrangular final.


O genial ingresso dos jogos do Ferrito. Foto: Fernando Martinez.


Para variar, a Cordilheira também foi destaque no cenário geral dessa partida. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times e trio de arbitragem designado para a partida. Foto: Fernando Martinez.


Bandeira do onze aurinegro tremulando na arquibancada do Los Nogales. Foto: Fernando Martinez.


Torcida animadíssima do Quintero Unido marcando presença. Foto: Fernando Martinez.

Dito tudo isso, mais uma vez preciso citar o ótimo site terceradivision.cl pela cobertura que fazem desse campeonato. Por conta dele fiquei sabendo a exata localização dos jogos de sábado e domingo. O estádio de Los Nogales fica próximo ao centro de Santiago, e chegar ali, como aconteceu em todas minhas partidas na capital, foi muito fácil usando o metrô.

Saindo de La Moneda andei seis estações até chegar na San Alberto Hurtado, ambas na Linha 1. Dali segui a pé pela Toro Mazote, 5 de Abril e pela Padre Vicente Irarrázabal, em quase dois quilômetros de andanças. O bairro é repleto de casas mais humildes, com muitas construções antigas e ainda bem conservadas. O detalhe surreal foi parar para pedir informação para uma senhora e descobrir que ela é mãe de um dos músicos da OSESP e que atualmente ele mora próximo do Parque da Luz, ou seja, do lado da minha casa (!). O mundo realmente é um lugar pequeno demais.

Após vinte e tantos minutos de caminhada cheguei numa das várias canchas da capital. Já vi um monte de partidas grandes, inclusive da Copa do Mundo, mas confesso que chegar num lugar tão "ermo" futebolisticamente falando foi simplesmente sensacional. O Los Nogales também é um estádio "drive-in" pois quem está na rua consegue assistir a peleja sem pagar ingresso. Eu, claro, fiz questão de comprar meu "boleto" por 1.500 pesos chilenos e logo estava na atual casa do Ferrito.

Com total boa vontade imagino que o local tenha capacidade para 100 pessoas, algo que não impede a prática do futebol. São duas arquibancadas de madeira dispostas atrás de um dos gols e uma feita de trilhos de trem (!) do lado oposto dos bancos de reservas. O complexo é uma espécie de centro comunitário do bairro de Estación Central. Agora, legal mesmo foi ver torcedores do Ferroviários e do Quintero Unido, esses animadíssimos e sem parar de cantar por um minuto sequer.


Chute da entrada da área na primeira boa chance do time visitante. Foto: Fernando Martinez.


Zagueiro local prestes a mandar a bola pra longe. Foto: Fernando Martinez.


Jogada no meio de campo. Foto: Fernando Martinez.


Marcação firme de atleta do Ferrito. Foto: Fernando Martinez.


Um dos poucos ataques perigosos do time da casa no tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.

E foi justamente a torcida do time visitante quem teve mais motivos para comemorar. O onze local não fez uma boa apresentação e seu adversário, como quem não quer nada, se aproveitou disso com golpes certeiros. No tempo inicial o Ferrito ainda tentou emplacar uma pressão, sem sucesso. Jogando na base dos contra-ataques, os azuis foram fatais. Na primeira grande investida o time avançou pela direita e, depois de chute cruzado, abriu o placar no meio do tempo inicial.

A partida foi para o intervalo no 0x1, e no segundo o time de Santiago teve mais posse de bola, porém se afobou demais, pecando sempre no último toque. Jogando na boa, a equipe azul levou enorme perigo em ataques pelas laterais. Por volta da metade do tempo final aconteceu o golpe de misericórdia. Um dos atacantes visitantes atacou pela esquerda e cruzou a bola. Livre de marcação, outro avante apareceu livre na pequena área e tocou de leve para o fundo das redes.


Ataque do Quintero Unido pela direita. Ao fundo, transeuntes dando uma olhadinha na peleja. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída do goleiro visitante. Foto: Fernando Martinez.


Lance ríspido no meio de campo. A entrada machucou o jogador do Ferroviarios. Foto: Fernando Martinez.



Mais dois lances do confronto válido pela Tercera B chilena. Em ambas, dá pra ver torcedores do lado de fora do estádio acompanhando a partida Fotos: Fernando Martinez.

No fim, o fator casa não deu resultado e a peleja ficou em Ferroviarios 0-2 Quintero Unido. Ao final das 22 rodadas o time preto e amarelo ficou na quinta posição do Grupo Norte da Tercera B com 37 pontos, exatamente dez atrás da zona de classificação. Uma campanha razoável para a quase centenária equipe e que deixa esperançosa sua torcida para o aguardado ano do centenário.

O Quintero teve um início claudicante e um final de campeonato magistral. A equipe perdeu quatro vezes nas seis primeiras rodadas, mas nas dez últimas ficou invicta e conseguiu emplacar uma série de oito triunfos seguidos nos oito últimos jogos, terminando em terceiro lugar e ficando quatro pontos atrás do Colina, segundo time classificado. Detalhe: na sequência de oito vitórias, a equipe chegou a fazer um 9x0 e um 9x1, respectivamente contra o Luis Matte Larraín e o El Olam, ambos fora de casa.

Com a sessão esportiva encerrada era hora de voltar para o meu QG no centro da cidade e passar a última noite em Santiago na primeira escala da turnê. O relógio já marcava mais de oito da noite e o sol ainda resistia no céu, iluminando de forma incrível a Cordilheira dos Andes. Fiz o caminho de volta sem pressa, parando em pontos estratégicos, primeiro para jantar e depois para garantir minha passagem para a viagem da segunda-feira. Após três dias na capital, a agenda marcava uma semana repleta de viagens e muitos quilômetros percorridos dentro do país.

Até lá!

Fernando

domingo, 1 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 1 de 13): Grande estreia com Incas del Sur x Pudahuel pela quinta divisão


Desde que fui para Buenos Aires em abril de 2009 - minha primeira viagem internacional "de verdade" que trouxe cinco jogos de várias divisões do Campeonato Argentino para as páginas do JP - eu tinha a enorme vontade de emplacar outra jornada pela América do Sul, de preferência em outro país. A ideia era viajar de novo até 2011, porém vários problemas acabaram me fazendo adiar o projeto por período indeterminado.

Desde que a Copa do Mundo terminou coloquei na cabeça que 2015 seria o ano para cumprir essa missão. Sabia que não seria nada fácil, mas topei encarar o desafio de emplacar minha segunda viagem ao exterior, a primeira exclusivamente dedicada ao futebol. O destino? A bela República do Chile.

Não escolhi a terra de Pablo Neruda por acaso. Defini esse como sendo "o" local pois o país venceu a disputa para ser a sede da Copa do Mundo Sub-17. Como passei a vida vendo o certame ser disputado em países periféricos futebolisticamente falando não podia perder a oportunidade de acompanhar a competição "do lado" de casa. Além, claro, de tentar ver algum jogo do certame nacional.

Montei todo o esquema no papel e desde o começo do ano passei a me armar para permanecer alguns dias em Santiago e outros percorrendo algumas sedes do Mundial. Aos poucos as coisas foram se ajeitando e no comecinho de outubro tudo estava definido. Saí de São Paulo na tarde do dia 17 de outubro e por volta das oito da noite desembarquei na capital chilena. Entrei no avião com 36 graus na moleira e saí com 11, uma bênção!

Como minhas primeiras partidas estavam programadas apenas para o final da tarde/noite de sábado tive a sexta-feira livre para bater perna pela cidade. Pude conhecer alguns locais que sempre vi em imagens de televisão e fotos, como o histórico Palácio de La Moneda, sede do governo e famoso por ter sido bombardeado no golpe militar de 11 de setembro de 1973, e o mausoléu de Bernardo O'Higgins, heroi da independência. Detalhe: as ruas são limpas, não há nada pichado e os monumentos estão todos muito bem conservados. Algo que está cada vez mais longe de acontecer aqui em São Paulo.




Em várias partes de Santiago temos essa visão simplesmente sensacional da Cordilheira dos Andes. Essa era a vista da janela do meu quarto. Abaixo, o magnífico Palácio de La Moneda, casa do governo chileno. A última foto mostra algo que já não existe mais em São Paulo: centro da cidade bem cuidado, fonte funcionando e muita limpeza. Fotos: Fernando Martinez.

Fiquei zanzando pela cidade por várias horas até voltar para o meu hotel, uma grata surpresa que encontrei no coração de Santiago e localizado bem em frente da Estação La Moneda do metrô. Enquanto escutava pelo rádio o confronto entre São Caetano e Botafogo pela Série D, passei a analisar a tabela da quinta divisão local, que tem o nome oficial de Campeonato Nacional de Fútbol – Cuarta División Sub-23 ou Tercera División B, para ver se conseguia assistir algo desse campeonato sensacional num horário "livre" da minha agenda. Vale dizer que a competição é amadora e organizada pela Asociación Nacional de Fútbol Amateur do Chile (lá somente as três primeiras divisões são profissionais).

Uma das coisas mais geniais da viagem foi que a Dona Sorte sorriu para mim em vários fatores, um deles a respeito da definição dos horários dos jogos válidos pelos certames nacionais. Acessando o ótimo www.terceradivision.cl, site genial que tem várias informações úteis sobre esse campeonato, descobri que ao meio-dia do sábado um Jogo Perdidaço estava marcado para o Estadio Municipal Las Rejas, situado no bairro Estación Central. A peleja, válida pela 20ª rodada do torneio, era uma daquelas em que nunca cogitei assistir nem nos meus mais profundos delírios: Incas del Sur x Pudahuel Barrancas.

Aposto um sorvete de casquinha que 99% dos amigos do JP nunca ouviram falar dessas gloriosas agremiações, então vale a pena situá-los por aqui. O Club Social Y Deportivo Incas del Sur foi fundado em 2013 para representar o grande número de peruanos que vivem por ali, seguindo o exemplo de times como Audax Italiano, Unión Española e Palestino. A equipe tem sede na comuna (bairro) de Independencia. Só pelo nome já vemos que o time é sensacional.

Do outro lado, o Club Deportivo Pudahuel Barrancas é um pouco mais antigo e foi fundado em 2007. O time começou sua trajetória nessa divisão, foi promovido logo da temporada de estreia e participou da quarta divisão em 2013 e 2014, ano em que foi rebaixado sem vencer nenhum compromisso. A equipe, também de Santiago, atua como mandante no Estadio Modelo de Pudahuel, local visitado pelo desaparecido Victor Minhoto em 2006, na primeira incursão do JP na terra de Ivan Zamorano.




Os geniais Incas del Sur e Pudahuel Barrancas devidamente posados provavelmente pela primeira vez numa publicação brasileira. Não é sempre que temos que times desse naipe por aqui. E claro, não podia faltar a foto dos capitães com o trio de arbitragem. Fotos: Fernando Martinez.

Falando um pouquinho do campeonato em si, a Tercera División B é dividida nas zonas Norte e Sul, a primeira com 12 times e a segunda com 11. Todos jogam em turno e returno dentro dos grupos e ao final da primeira fase os dois melhores de cada zona se classificam para o quadrangular final. Novamente jogando em turno e returno, o campeão e o vice sobem para a Tercera División A. O último colocado de cada chave é rebaixado para sua respectiva Asociación de Origen, uma espécie de "sexta divisão" e disputado por equipes de todas as regiões do país.

Tanto os Incas quanto o Pudahuel estavam apenas cumprindo tabela, já que Deportes Recoleta e AC Colina se garantiram no quadrangular com algumas rodadas de antecedência. Chegar ali foi super fácil. Peguei a Linha 1 do metrô de Santiago com destino a Estação San Pablo e desci na Estação Las Rejas. Segui via Avenida Las Rejas Sur e virei à direita na Calle (Rua) Los Maitenes. Cerca de 400 metros depois já conseguia ver a acanhada cancha.

O estádio em si é sensacional. Ali existem somente dois lances de arquibancadas, ambos de madeira, que devem ter a capacidade para uns 200 torcedores no total. Há uma grade por toda a extensão da linha de fundo no gol da entrada, grade que deixa todos que estão passando na rua com visão completa do local. Isso mesmo, para ver a partida você não precisa pagar o ingresso de 1000 pesos chilenos (cerca de seis reais)... basta ficar na rua.


O genial ingresso para a peleja da Tercera División B do Chile, uma peça rara para a coleção. Foto: Fernando Martinez.


A grade atrás do gol "da entrada" e que tem vista para a rua, ou vice-versa. Foto: Fernando Martinez.


Uma das arquibancadas do local, toda de madeira. Não seria liberado nem para Sub-11 aqui em São Paulo. Foto: Fernando Martinez.


Ricardo Berríos Leiva, um aficcionado pelo futebol "perdido" do Chile. Foto: Fernando Martinez.

Ainda meio fora do ar por estar num lugar tão magnífico fui para o campo ver como iria fazer para conseguir as fotos oficiais. Acabei conhecendo o Ricardo Berríos Leiva, um aficcionado pelas divisões menores e que faz um trabalho relativamente parecido com o que faço aqui no JP. Ele é criador da "Tercera Divisón Chile Recuerdos", página no Facebook que fala exclusivamente do futebol "perdido" de lá. Vale demais a visita.

Com a ajuda do novo amigo, captei os instantâneos raríssimos do Incas del Sur e do Pudahuel Barrancas, oficialmente os times 599 e 600 da minha Lista e que tenho quase certeza que aparecem numa publicação brasileira pela primeira vez em todos os tempos. O sol estava forte e então fui me abrigar numa das únicas sombras presentes no Las Rejas. Acompanhando o ataque alvirrubro na primeira etapa vi uma peleja bastante movimentada. Me surpreendi positivamente com a qualidade do futebol mostrado.




Três momentos do primeiro tempo de Incas del Sur x Pudahuel Barrancas. Fotos: Fernando Martinez.


Torcida peruana marcando presença no estádio. Foto: Fernando Martinez.

Os primeiros 45 minutos tiveram amplo domínio do time local. Os Incas del Sur ocuparam o campo defensivo do onze visitante, só que apesar das várias oportunidades criadas marcaram apenas uma vez num chute na pequena área à queima-roupa em que o arqueiro "Chino" nada pôde fazer. Foi com o 1x0 que o tempo inicial chegou ao seu final.

No intervalo fui para uma das geniais arquibancadas de madeira e lá conversei bastante com o Ricardo. Pude entender um pouquinho mais o trabalho que ele faz e vi que ele é realmente nossa versão por lá, já que como eu, ele faz esse tipo de divulgação na base da paixão, sem nenhum reconhecimento comercial. Como já dizia o desaparecido e "ex-amigo" Jurandyr, o futebol tem linguagem universal.


Zaga do Pudahuel protegendo a pelota. O genial é que dá pra ver o uniforme completo do time na imagem. Foto: Fernando Martinez.


Goleiro "Chino" saindo do gol e subindo no segundo andar para fazer a defesa. Foto: Fernando Martinez.


Raro ataque do Incas no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do Estadio Municipal Las Rejas, acanhado mas muito simpático. Foto: Fernando Martinez.

O papo ainda estava rolando quando o segundo tempo começou, e logo nos primeiros movimentos ficou claro que o panorama seria outro. O Pudahuel Barrancas voltou muito melhor e não deu o menor espaço para o time alvirrubro. Não demorou muito para o jogador Nelson Hermosilla deixar tudo igual completando na pequena área um cruzamento da esquerda.

Os Incas até tentaram relembrar o bom futebol do tempo inicial, porém não tiveram sucesso. O "Puda" se mostrava tranquilo na defesa e objetivo no ataque. Numa ofensiva fulminante por volta dos trinta minutos Nelson Hermosilla, o artilheiro da tarde, recebeu pela esquerda e chutou forte para virar o placar. A meia dúzia de torcedores do time comemorou bastante.

No fim, o placar ficou em Incas del Sur 1-2 Pudahuel Barrancas. Jogo bom, os dois times marcaram, muitas chances de gol... não poderia ser melhor minha estreia em terras chilenas. Posso dizer que o nível técnico foi similar a muitas partidas que assisti na Segundona nessa temporada. A diferença técnica é inegável, mas dentro de campo tudo é muito parecido.


Nelson Hermosilla comemorando o gol de empate do Puda. Foto: Fernando Martinez.



Mais dois lances nos minutos finais da partida. Foto: Fernando Martinez.

Não demorei muito para sair do estádio e pegar o caminho de volta até a Estação Las Rejas e depois para meu hotel. Afinal de contas, não queria perder nenhum segundo da rodada inaugural da Copa do Mundo Sub-17. Teve palco histórico do futebol mundial aparecendo pela primeira vez nas nossas páginas.

Até lá!

Fernando