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domingo, 23 de março de 2025

Em segundo tempo eletrizante, Azulão empata com a Inter de Bebedouro

Texto e fotos: Fernando Martinez


Última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista da Série A4, e o JP não poderia deixar de acompanhar de perto. Fomos até o Estádio Anacleto Campanella ver o raro duelo entre São Caetano e Inter de Bebedouro: um classificado e outro buscando uma improvável vaga nas quartas de final da competição.

Não lembrava de um confronto recente entre os dois, então recorri aos meus alfarrábios. O histórico registrava apenas quatro encontros entre 1996 e 1998, com três vitórias do clube do ABC e uma do alvirrubro. No Anacleto, o último embate tinha sido em 23 de março de 1997, quase 28 anos atrás. Desde que o Azulão chegou aos principais certames do país e da América do Sul, nunca mais tinham ficado frente a frente.

Diferente do quórum altíssimo do sábado anterior no Nacional 0-3 VOCEM, fui só com o Milton nesta jornada. Antes de entrar no estádio, passei na padaria em frente ao portão principal para comprar algo para comer e, para minha total surpresa, achei um refrigerante GINI. Produto consumido em profusão dos anos 60 aos 80, ele depois sumiu das prateleiras. Para quem estudou em uma escola que só vendia Gini, Crush e Grapette na cantina, encontrar essa raridade foi sensacional. Vale registrar que o gosto continua o mesmo. Ganhou fácil o Selo JP de Qualidade.

Já nas dependências do Anacleto, vi que a peleja teria um bom público. Longe do padrão dos tempos de glória, mas um número interessante. Apesar de já classificado, o vice-campeão da Libertadores de 2002 vinha de três jogos sem vencer. Já a Inter precisava de um resultado melhor do que o Colorado, seu concorrente direto pela última vaga no mata-mata. Se vencesse, o time de Caieiras teria que empatar. Se empatasse, o Audax precisaria vencer o Colorado. Missão difícil.


São Caetano Futebol Ltda. - São Caetano do Sul/SP


Associação Atlética Internacional - Bebedouro/SP


O árbitro Clayton de Oliveira Dutra, os assistentes Douglas Marcel Borges e Elias Cedraz Carneiro, o quarto árbitro Alceu Lopes Junior e os capitães dos times

Aos três minutos, a Inter mostrou seu cartão de visitas e mandou uma na trave em chute de Portuga. Mas foi só. O São Caetano assumiu o controle da partida, e Fábio Azevedo, sempre ele, abriu o marcador aos 14, de cabeça, após cobrança de falta da direita. Gabriel Oliveira quase ampliou, também pelo alto, aos 22. A partir de então, nada aconteceu, e eu quase dormi acompanhando o ataque local.

No segundo tempo, ao invés de permanecer no campo, fui para a arquibancada. Foi um erro. Não pelo fato de ter encontrado a dupla Victor e Eduardo com suas respectivas caras-metades, mas porque estava um inferno. Tinha um pessoal tão sem noção ao nosso redor que fomos obrigados a ir para o canto, perto da torcida visitante.

Dali vimos um segundo tempo simplesmente espetacular. Já vi alguns períodos específicos muito bons neste ano, mas esse talvez tenha sido o melhor. São Caetano e Inter de Bebedouro jogaram como se fosse uma final, enfileirando chances de gol, ótimos lances e tentos belíssimos.

O glorioso Gênesis – resta saber se ele prefere a formação da banda inglesa com Peter Gabriel ou a fase com Phil Collins nos vocais – deixou tudo igual com uma conclusão da pequena área. Aos 15, grande defesa de Bruno em chute de Nicão. Aos 23, a virada da Inter, em um belo gol olímpico de Mateus Goiano. Passei muitos anos sem ver gols assim na lista. De 2023 para cá, já foram quatro ou cinco in loco. Tipo de lance que sempre é legal presenciar de perto.

O São Caetano foi atrás do empate e conseguiu em finalização de Vinícius Spaniol, que acertou o canto direito do arqueiro visitante. Na sequência, uma série de boas chances, grandes defesas dos dois goleiros e uma bola na trave do Azulão. O 2 a 2 foi pouco pelo número de oportunidades criadas. Um 4 a 4 teria sido mais justo.



Lances do começo de jogo no Anacleto Campanella



Fábio Azevedo, de cabeça, fez seu 12º gol na Série A4 e ainda jogou uma camisa para a torcida




Mais lances da etapa inicial no ABC




O segundo tempo foi simplesmente sensacional, talvez os melhores 45 minutos que vi em 2025 até agora. O 2 a 2 foi pouco levando em conta o tanto de oportunidades criadas

O empate eliminou o alvirrubro e colocou o Azulão em terceiro lugar. Agora, enfrentarão o Nacional nas quartas. De todos os possíveis confrontos do time da Barra Funda, esse era o que eu menos queria. Os outros duelos serão União Barbarense x Colorado, Taquaritinga x Araçatuba e Joseense x Paulista. A sorte do mata-mata está lançada.

Depois da partida, ainda fiz uma boquinha com o Milton na mesma padaria. Ficamos ali um bom tempo antes de pegarmos o caminho de volta. Em um março super mega devagar, ainda não sei quando será a próxima cobertura. Quarta? Quinta? Fim de semana que vem? Não faço ideia.

Até a próxima!

Ficha Técnica: São Caetano 2-2 Inter de Bebedouro

Local: Estádio Anacleto Campanella (São Caetano do Sul); Árbitro: Clayton de Oliveira Dutra; Público: 668 pagantes; Renda: R$ 3.025,00; Cartões amarelos: Fábio Azevedo, Nicão, Portuga, Fernando e Robert; Gols: Fábio Azevedo 15 do 1º, Genesis 7, Vinícius Pequeno 24 e Vinícius Spaniol 32 do 2º.
São Caetano: Vinícius Ferrari; Kauan Sales, Rafael Lendeker, Amaral e Leandro Gonçalves; Gabriel Oliveira (Caio Felipe), Fábio Azevedo, Luiz Henrique e Walber Corrêa (Robert Taylor); Vinícius Spaniol e Phelipe Salioni (Nicão). Técnico: Carlinhos Alves.
Inter de Bebedouro: Bruno; Vini Sousa (Ramos), Fernando, Lucas Kevin e Anthony (Portela); Roger, Kiko, Portuga (Marcinho) e Mateus Goiano (Vinícius Pequeno); Genesis (Maçola) e Robert. Técnico: Édson Vieira.

domingo, 29 de setembro de 2019

Lobo sai na frente do USAC nas oitavas do sub-20 da 2ª

Texto e fotos: Fernando Martinez


O último final de semana teve um recorde de partidas realizadas na Grande São Paulo em 2019: nada menos do que 22 espalhadas pela região por vários torneios diferentes. Foi difícil escolher em qual estaria presente. No sábado, resolvi em cima da pinta fazer uma rodada dupla - a primeira em canchas diferentes desde a Copa América - iniciando com o genial duelo entre União Suzano e Inter de Bebedouro na ida das oitavas de final do Campeonato Paulista sub-20 da Segunda Divisão, o glorioso jogo #2994 da minha lista.

Se na Segundona a Inter foi eliminada na primeira fase, no sub-20 ela está voando. O alvirrubro terminou o Grupo 2 na liderança e invicto com sete vitórias e um empate, tendo feito 22 gols e sofrido apenas um. O regulamento em 2019 mudou e agora não temos confrontos regionalizados nas oitavas. O Lobo Vermelho, dono da melhor campanha, se credenciou então para pegar o 16º colocado entre todos os classificados, no caso o USAC. O onze suzanense ficou na terceira posição do Grupo 5 com dez pontos, tendo somado mais derrotas do que triunfos: quatro contra três.

Fui até o Estádio Francisco Marques Figueira na companhia do mesmo line up da viagem até Sorocaba na semana passada: o amigo-abelha Renato Rocha e o casal Caio e Roberta. Chegamos na praça de esportes em cima da pinta, porém com tempo de sobra de fazer as fotos oficiais. Aliás, vale o registro da belíssima camisa da Internacional. Vejo a equipe desde o começo do século e nunca tinha os visto com uma vestimenta tão sensacional. Deixo os parabéns a quem escolheu o modelo com faixa transversal.


União Suzano Atlético Clube (sub-20) - Suzano/SP


Associação Atlético Internacional (sub-20) - Bebedouro/SP


Capitães dos times e trio de arbitragem da peleja

Os meteorologistas já tinham dado a deixa que sábado seria o último dia com baixa temperatura na semana. Graças a esse abençoado detalhe, foi absolutamente genial sentir o vento gelado fazendo a curva no Suzanão. Só não foi o dia que passei mais frio ali pois o ECUS x Matonense que acompanhei numa quarta-feira de agosto de 2013 é insuperável.... mas que estava muito frio, estava.

Por motivos óbvios resolvi acompanhar o ataque visitante durante a etapa inicial e não me arrependi. A Inter criou os melhores e mais perigosos momentos, não há dúvida. Agora, vale falar sobre a magnífica atuação do União Suzano. Inferiores tecnicamente, os garotos se superaram e deram o sangue, transformando o que poderia ser uma goleada a favor dos visitantes num duelo bem complicado.

Aos dez minutos o escrete bebedourense chegou perto de inaugurar o placar quando Gustavo foi lançado na direita, ganhou na corrida do defensor e cruzou. Cristiano tentou dar aquele pique maroto, pena que chegou tarde e por milímetros não tocou na pelota. Aos 19 aconteceu a única boa chance local quando Guilherme Gouveia cobrou falta e, depois de passar por todo mundo, ela bateu na trave superior.

Nos minutos finais, a Inter intensificou a pressão e ameaçou principalmente em bolas paradas. A melhor das oportunidades saiu aos 41 em falta de Ovelha pela esquerda e ótima defesa de Falcão. Contrariando as expectativas, o primeira etapa terminou sem a abertura do marcador. Da minha parte, desisti de pegar frio no gramado e fui até as tribunas junto com os amigos que lá estavam.


Ataque do Lobo no começo da partida


Uma das grandes chances perdidas pela Inter no primeiro tempo, mas Cristiano chegou atrasado


Escanteio da Inter e Falcão mandando pela linha de fundo, evitando o gol olímpico


Lance no campo de defesa visitante

O tempo final começou com ainda mais vento, garoa e com a Inter passando sérias dificuldades ofensivas. O camisa 7 Cristiano teve os melhores lances, mas desperdiçou todos. Aos 31, Gaúcho bateu falta e o goleiro mandou bem pela linha de fundo. Aos 35, Guirão recebeu, matou no peito, virou e chutou, tirando tinta da trave esquerda. Com essa finalização, parecia que a peleja estava fadada a terminar sem gols.

O União Suzano foi heroico ao segurar o dono da melhor campanha do certame durante os 90 minutos, só que aos 47 deu um vacilo que se mostrou mortal. A bola foi espirrada pro campo de defesa em direção ao camisa 5 Gustavo. Ele avançou pela esquerda e, mesmo com a pressão do defensor, chutou cruzado, colocando no canto de Falcão. A comemoração misturou alegria com uma enorme sensação de alívio.


Zaga alvirrubra chutando a bola para longe do campo de defesa


Gaúcho cobrando falta pela direita


Belo colorido das camisas no gramado do Francisco Marques Figueira


Visão geral de um belo (e frio) sábado de setembro

O resultado de União Suzano 0-1 Inter de Bebedouro foi uma ducha de água fria para o onze local, porém foi justo. O Lobo conseguiu seu tento na marra e leva uma enorme vantagem ao Sócrates Stamato, podendo perder por um gol que ainda assim estará nas quartas. O USAC tem que vencer por dois de diferença, sem dúvida uma tarefa bastante complicada. De qualquer forma, merecem já os parabéns pelo futebol digno apresentado.

Sem tempo a perder, saímos rapidinho do estádio pois tinha sessão futebolística às 19 horas a quase 80 quilômetros de distância. Na pauta, outra rodada da Série B com jogo de clube que não via no profissional há absurdos 15 anos.

Até lá!

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Ficha Técnica: União Suzano 1-1 Inter Bebedouro

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Segunda Divisão; Local: Estádio Francisco Marques Figueira (Suzano); Árbitro: Paulo Nogueira Junior; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Yuri, Klayve (Uni), Gustavo (Int); Gol: Gustavo 46 do 2º.
União Suzano: Falcão; Pety, Gabriel, Nathan (Alemão) e Guilherme Gouveia; Yuri (Paolo), Nicolas (Pablo), Klayve e Adriano; Guilherme Nunes (Maik) e Thiago (Kauan). Técnico: Felipe de Freitas.
Inter Bebedouro: David; Cleitinho, Vinicius, João Vitor e Etto; Gustavo (Bica), Cristiano, Ovelha e Allan (Marcos); Guirão e Gaúcho. Técnico: João Polezzi.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Tudo igual entre Bernô e Inter de Bebedouro no Baetão


Na noite da última sexta-feira o Blog do Fernando Jogos Perdidos iniciou a cobertura da decisiva fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão em outra jornada noturna no Baetão. Em campo, os dois vencedores da primeira rodada do Grupo 4 buscando a liderança isolada: São Bernardo x Internacional de Bebedouro.

Antes de qualquer coisa vale dizer que essa foi uma partida histórica. Há 22 anos o alvinegro não atuava como mandante numa fase direta de acesso no estadual. A última vez que a equipe participou de uma etapa assim havia sido em 1993 no quadrangular decisivo da terceira divisão daquele ano, junto com o campeão Jabaquara, o falecido Estrela de Porto Feliz, e por coincidência, a gloriosa Internacional alvirrubra.

Voltando a 2015, Bernô e Lobo terminaram a primeira fase com a segunda colocação das suas chaves e venceram na estreia da etapa decisiva da última divisão estadual. O time do ABC foi até Bauru e derrotou o Noroeste pela contagem mínima e o onze alvirrubro - jogando para quase três mil pagantes - fez 3x2 no Fernandópolis.


EC São Bernardo - São Bernardo do Campo/SP. Foto: Fernando Martinez.


AA Internacional - Bebedouro/SP. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times junto com o quarteto de arbitragem formado por Norberto Luciano da Silveira, Vitor Carmona Metestaine, Patricia Carla de Oliveira e Rodrigo Santos. Foto: Fernando Martinez.

O Data Fernando informa que essa peleja foi a sétima entre bernardenses e bebedourenses em todos os tempos. O retrospecto mostra um completo equilíbrio, com dois triunfos para cada lado e dois empates. Um desses confrontos teve cobertura do JP: 1x1 em 9 de agosto de 2014 também em São Bernardo do Campo.

Falando em Baetão, vale registrar que o estádio está cada vez mais parecido com uma boate por conta da péssima iluminação. Dos 72 refletores presentes nos seis postes, apenas 35 estão funcionando, menos da metade. Tudo bem que a prefeitura local só tem olhos para o Tigre, mas a rapaziada podia fazer valer o gordo salário que recebem para resolverem isso, né? A situação atrapalha atletas, imprensa e torcedores e é fato que demorou demais para ser solucionada.

Em meio ao breu o jogo começou recheado de expectativa. E foi o São Bernardo quem correspondeu jogando o fino a bola durante todo o primeiro tempo. O time não deu espaços ao onze visitante e foi bastante superior ao seu adversário. Reestreando no Bernô depois de três anos, o camisa 10 Chuck foi bem e armou a maior parte das jogadas de ataque.

Assim como aconteceu em Bauru, foi o atacante Washington quem abriu o marcador para o São Bernardo. Depois de bate-rebate na área visitante, a pelota sobrou para o camisa 9 na esquerda. Ele acertou um tirambaço de primeira, não dando a menor chance para o goleiro Vinícius. Eram decorridos 23 minutos de peleja.

No restante da etapa inicial o time da casa continuou ocupando o campo defensivo alvirrubro e perdeu boas chances para ampliar a vantagem. Por sorte, a Internacional conseguiu ir para os vestiários perdendo apenas pela contagem mínima.


Chute de longe a favor do Bernô. Foto: Fernando Martinez.


Jogada no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Vinícius sai do gol para cortar cruzamento. Foto: Fernando Martinez.


Ataque do Bernô pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Boa trama do ataque local no fim do primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Pinho, o vitorioso técnico do time visitante, arrepiou seus jogadores no intervalo e a Inter voltou outra para o tempo final. Tudo bem, o time quase sofreu o segundo nos primeiros minutos depois de um vacilo incrível de Vinícius, mas essa foi a única chance local durante um bom tempo.

Aos nove minutos, na primeira real oportunidade do Lobo no jogo, Róbson recebeu ótimo lançamento e surgiu livre na entrada da área. Brenno defendeu o primeiro chute, mas o rebote caiu novamente nos pés do camisa 11, que tocou tranquilamente para dentro do gol vazio.

O Bernô sentiu demais o golpe e então foi a vez da Internacional tomar conta do jogo, criando um sem número de boas oportunidades. A equipe atacou em peso e obrigou Brenno a trabalhar incansavelmente. O time do ABC não tinha mais forças para chegar ao ataque e viu o time visitante chegar muito perto da virada.

Somente nos últimos minutos da peleja o onze local voltou a se aventurar no campo de ataque, muito por conta do natural recuo alvirrubro pensando em segurar a igualdade. Aos 45 minutos o árbitro não marcou um pênalti a favor do Bernô e no último lance Washington teve nós pés a maior chance de vitória para os donos da casa, mas o camisa 9 não conseguiu concluir.


Zaga do time do ABC roubando a bola do ataque do Lobo. Foto: Fernando Martinez.


Bola alçada na área visitante. Foto: Fernando Martinez.


Brenno mostrando serviço em investida da Inter. Foto: Fernando Martinez.


São Bernardo se mandando para o ataque no fim do jogo. Foto: Fernando Martinez.


Lance do pênalti não marcado a favor do time da casa. Foto: Fernando Martinez.

No final, ninguém foi dono de ninguém e o São Bernardo 1-1 Inter de Bebedouro deixou as duas equipes ainda ocupando o G2 do Grupo 4 da Segundona Paulista com quatro pontos cada. O Fernandópolis tem três, o Manthiqueira dois e Noroeste e Lemense apenas um. Na próxima rodada o alvinegro visita o time de Leme e o Lobo recebe o Norusca, lembrando que ainda faltam oito partidas para a definição de quem serão os promovidos para a A3 em 2016.

Tirei o sábado para uma sessão preguiça bastante importante, e o futebol voltou na escaldante tarde de domingo com a primeira decisão do Paulista Feminino.

Até lá!

Fernando

quarta-feira, 22 de abril de 2015

JP no aguardadíssimo retorno do Barcelona Esportivo Capela

Fala pessoal!

Não tinha como ninguém questionar, o crème de la crème da primeira rodada do Campeonato Paulista da Segunda Divisão aconteceu na manhã de domingo no Estádio Nicolau Alayon. Seis anos depois de interromper as atividades no profissionalismo, o genial Barcelona Esportivo Capela voltou aos gramados num confronto inédito contra a Internacional de Bebedouro.

Desde sua primeira participação na Série B2 de 2004 até a última, a Segundona de 2009, o Barcelona foi uma das equipes que sempre fiz questão de acompanhar de perto, muito pela sua enorme alternatividade e também por ser uma equipe da capital, algo raríssimo saindo do sexteto tradicional. O JP não havia nascido quando o time jogou no Estádio Capelão no seu ano de estreia, mas em compensação nos anos seguintes fizemos a festa.

Cobrimos 22 das 52 partidas que o time realizou de 2005 até o seu último ano no profissionalismo. Sem sombra de dúvida dá para garantir que ninguém esteve em mais jogos do Barcelona do que nós. Desde a sua última peleja, um 5x1 sofrido para o Palestra em 9 de julho de 2009, sempre esperamos ansiosamente a volta da agremiação aos gramados.

O clube chegou a jogar campeonato das categorias de base da FPF e da APF nesse período de afastamento. Após muitas tentativas frustradas, em 2015 finalmente o sonho do retorno se concretizou. Dois fatores foram primordiais para que a equipe voltasse aos gramados.

O primeiro foi o quesito estádio. Sem casa própria desde que jogou no genial Estádio Capelão em 2004, o time sempre passou dificuldade para achar um lugar para jogar. Com a mudança do Audax para Osasco, o Estádio Nicolau Alayon voltou a ter a disponibilidade para ser a "casa" de alguma outra equipe, ja que a FPF autoriza somente dois times usarem um mesmo estádio em jogos oficiais.

O segundo, e talvez mais importante, foi a entrada providencial de 300 mil reais nos cofres da agremiação graças a uma transação realizada muito longe de terras paulistanas. Surgido no clube em 2005, o atacante brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa foi vendido do Atlético de Madri para o Chelsea em maio do ano passado. Por ser o primeiro time profissional do jogador, o Barça abocanhou um pedaço pequeno, mas de fundamental importância, do valor total da transação. Se não foi o motivo principal para esse retorno, com certeza ajudou demais.


Barcelona ECL - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


AA Internacional - Bebedouro/SP. Foto: Fernando Martinez.


Alex Junior de Jesus, Alessandro da Mata Lemos e Fernando Luis Raveli junto com os capitães dos times. Foto: Fernando Martinez.

Após a divulgação da tabela em fevereiro, esparávamos ansiosamente pela manhã de 19 de abril, a data da estreia do sétimo time profissional da capital bandeirante (um número ridículo, mas essa é outra história). Para evitar maiores atrasos saí de casa super cedo e fui de ônibus até a região da Estação Água Branca. Morar perto de tudo tem essa vantagem, já que pego o coletivo exatamente na porta de onde moro.

Cheguei na casa nacionalina faltando meia hora para o apito inicial e ali vários amigos já marcavam presença. Aliás, o público pagante total do jogo surpreendeu de forma positiva. Nada menos do que 207 pessoas pagaram ingresso - inclusive vários torcedores do Lobo - para um confronto da última divisão estadual. Um número ótimo em se tratando de um jogo fantasma.

Antes do começo do jogo vale destacar a presença de Paulo Moura, presidente do time da capital, e do Roderlei Pachani, que foi técnico do time na sua primeira temporada, no estádio. O papo com os dois foi bastante agradável e bem esclarecedor. Fiquei sabendo por exemplo que eles estão tentando recuperar o Capelão, já que o local hoje está abandonado e dominado por usuários de drogas. Aproveito e deixo um abraço para a dupla.

Já dentro de campo vi a peleja acompanhado do amigo Luciano Claudino, que fez sua estreia no Nicolau Alayon justamente nessa peleja. Diferente do que aconteceu no sábado, no murcho 0x0 entre Guarulhos e USAC, o duelo entre Barcelona e Inter foi muito bom, principalmente no primeiro tempo.

Logo aos três minutos a zaga local deu uma bobeira monstro e o Lobo marcou pela primeira vez. O zagueiro deixou pro goleiro e o goleiro deixou pro zagueiro, no meio disso tudo o camisa 3 André, mais ligado do que todos, tocou por cima do camisa 1 paulistano e abriu o marcador.

O Barcelona não desanimou e empatou a partida cinco minutos depois. Matheus recebeu bom passe em profundiidade e tocou firme na saída do goleiro. Se o ataque do time da casa ia bem, não dá pra falar o mesmo do setor defensivo. Em outro vacilo gigante aos 13, a Inter de Bebedouro voltar a ficar na frente do placar. O autor do gol foi Júlio César, camisa 2 do alvirrubro.

A partida continuou num ritmo muito bom e bastante movimentada. O Lobo mostrava um futeobl mais coeso e aos 38 minutos Leandro Fonseca fez o terceiro. A partida foi para o intervalo com o placar parcial de 3x1 para os visitantes.


Atacante do Barcelona sofrendo forte pressão da marcação do Lobo. Foto: Fernando Martinez.


Camisa 4 do time paulistano levitando dentro da área da Inter. Foto: Fernando Martinez.


Matheus chutando para empatar o jogo no Nicolau Alayon. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração pelo empate. Foto: Fernando Martinez.


Escanteio para os donos da casa. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final a Inter ampliou a vantagem antes mesmo do primeiro minuto. Róbson fez o quarto gol, outra vez se aproveitando de falha da zaga local, e praticamente fechou a fatura. A partida caiu bastante de ritmo depois desse tento. A diferença no marcador ajudou, mas isso claramente foi resultado dos jogadores quererem se poupar por conta do banco de reservas quase vazio de ambos. O Barcelona tinha apenas um suplente, enquanto a Inter tinha dois, um deles, o atacante Samuel, com dengue (!).

Essa surreal situação aconteceu com várias equipes nessa primeira rodada da Segundona. Cortesia da bizarra decisão de limitar o número de atletas em cada equipe a 28. Na A1 até dá para tentar entender, mas fazer isso na última divisão? Uma decisão burra e sem sentido, e pior ainda, aprovada pelas próprias agremiações. Depois todos ficam reclamando da FPF, mas na real todos precisam ficar quietos, já que assinam o regulamento sem ressalvas.


Disputa de bola pelo alto. Foto: Fernando Martinez.


Ataque da Inter de Bebedouro pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Mesmo tomando 4x1, a marcação do time da casa não afrouxou. Foto: Fernando Martinez.


Camisa 10 do Lobo tentando proteger a pelota. Foto: Fernando Martinez.


Placar final da partida no campo do Nacional. Foto: Fernando Martinez.

Sem maiores emoções até o último trilar do apito, a partida terminou em Barcelona 1-4 Internacional de Bebedouro. O escrete da capital precisa juntar os cacos depois dessa estreia ruim e pensar em recuperação jogando contra o São Carlos em Matão. O Lobo começou bem em busca de uma vaga na A3, sonho de consumo do centenário clube.

E foi isso. Logo na rodada inicial da Segundona estive em três pelejas para o JP. Apesar de ainda estar em meio ao Projeto 40, a última divisão terá participação de destaque por essas bandas. Ainda mais pensando que a fase inicial só acaba em agosto. Teremos muita coisa boa por aqui nas próximas 17 rodadas.

Até a próxima!

Fernando