Texto e fotos: Fernando Martinez
Quando a quarta-feira, 23 de fevereiro, nasceu, a ficha de que eu estava longe demais de casa caiu de vez. Com duas horas a menos, tinha uma programação cheia de futebol na cidade de Rio Branco, na minha primeira vez na Região Norte e, claro, minha estreia no Acre. Tudo para ver um genial Humaitá x Brasiliense pela Copa do Brasil.
Mas, antes de acompanhar o principal jogo da curta história do Tricolor de Porto Acre, eu tinha algumas horas sem nada programado com a equipe de reportagem da Globo, afinal, o motivo da viagem foi mostrar a minha pessoa cobrindo o “jogo mais perdido da primeira fase da Copa”. Mesmo com um calor insano, resolvi visitar alguns estádios da capital.
Falarei das visitas em momento oportuno, mas visitei a sede do Rio Branco Football Club e o seu campo, o Estádio José de Melo, e o campo do Atlético Acreano, um descampado e só. Na internet ainda encontrei o endereço do que seria o estádio do Atlético Clube Juventus, mas, quando cheguei ao local, não encontrei absolutamente nada. Paciência.
Voltei ao hotel cozido e derretendo, mas sem muito tempo para descanso, já que estava na hora de partir para a labuta. Saí junto com a equipe de reportagem com destino a outro hotel, onde se encontrava a delegação do Humaitá. A ideia era gravar a saída da delegação em direção ao belo Estádio Antônio Aquino Lopes, mais conhecido como “O” Florestão (com destaque para o artigo masculino no apelido).
Fachada do estádio "O Florestão" e o nome do mesmo pintado no pequeno prédio que fica na entrada do campo de jogo
Visão da arquibancada principal do estádio
Localizado no bairro da Floresta, o estádio foi inaugurado em 2011 e tem como dono a própria Federação de Futebol do Acre, a FFAC. Muita gente confunde o “O Florestão” com a Arena da Floresta, mas são dois estádios diferentes. A Arena é do governo do estado e foi inaugurada em 2006, mas não vem sendo utilizada, pois “está largada”, palavra de todo mundo com quem conversei. Tanto está que os jogos do estadual estão sendo realizados no campo da federação.
Chegamos no Florestão mais de duas horas antes do apito inicial, junto com o pessoal do Humaitá. Devidamente credenciado, logo estava com meu colete no gramado. Apesar de o sol já ter sumido, o calor era absurdo e a temperatura passava dos 28 graus. Já passei muito calor no interior de São Paulo e em outros estados, mas, na Amazônia, a história é bem diferente. É algo opressor, que toma conta da alma. Por tudo que estava vivendo ali, esse era apenas um detalhe.
Times entrando em campo e ambos perfilados para a execução do Hino Nacional Brasileiro
Humaitá, um time que nunca imaginei assistir ao vivo, e Brasiliense posados antes do confronto
Capitães dos times junto com o árbitro Douglas Marques das Flores (SP), os assistentes amigos de longa data Daniel Luís Marques (SP) e Daniel Paulo Ziolli (SP) e o quarto árbitro Jackson Rodrigues da Silva (AC)
Fizemos algumas imagens no portão de entrada, nas cabines e depois nas arquibancadas do estádio. Dei uma bela volta por todas as dependências do local e o Estádio Antônio Aquino Lopes é bastante ajeitado, realmente. O placar, imenso, merece destaque, assim como as janelas de salas da FFAC que são viradas para o campo de jogo. Não demorou para os dois times irem se aquecer.
A partida foi histórica para o Sport Club Humaitá, pois marcou a estreia do clube em competições nacionais. O Tricolor é de 2003 e se profissionalizou apenas em 2015. Em 2016, foi campeão da segundona e conquistou o acesso. No ano passado, chegou à decisão do estadual e ficou bem perto de conquistar o caneco na elite, porém perdeu para o Rio Branco na disputa de pênaltis. A agremiação já jogou a Copa Verde, mas em torneio nacional era a primeira vez. Todos ali sabiam que a missão contra o Brasiliense, vice da Copa do Brasil de 2002 e que já disputou a elite nacional, seria dificílima. A certeza é que lutariam até o último segundo.
Apesar de todas as dificuldades, o Humaitá fez um jogo muito, mas muito digno. Logo aos três minutos, Aldair fez a festa dos donos da casa ao abrir o marcador após completar cobrança de falta de Felipe Xavão. O Brasiliense demorou para ver a cor da bola. O cenário mudou aos 34 minutos, quando o mesmo Felipe Xavão levou o segundo amarelo ao tocar na bola com a mão dentro da área. Marcão cobrou o pênalti no meio do gol e, com um a mais, igualou o placar, resultado que dava a vaga na próxima fase ao onze candango.
O Humaitá sentiu o golpe e, durante o restante do primeiro tempo e no início do segundo, não se encontrou. O Brasiliense ficou na boa e, aos 21 minutos, virou o marcador com o gol de Badhuga, aproveitando sobra na área. Aos 34, Luiz Fernando devolveu as esperanças ao Humaitá. Nos minutos finais, blitz total do time acreano, que ocupou a área adversária. Foram vários os momentos de perigo, o principal deles aos 45, em saída ruim de Matheus Brandão que, por muito pouco, não resultou em nova virada.
Imagens do início de Humaitá x Brasiliense, valendo vaga na segunda fase da Copa do Brasil
Marcão deixou tudo igual de pênalti ainda no primeiro tempo. A comemoração foi exclusiva para as lentes do Jogos Perdidos
O segundo tempo foi muito bom e com muita luta do Humaitá, mas o empate classificou o clube do Distrito Federal
Placar final da peleja mais legal que vi nos últimos tempos
Confusão após o apito final e atleta do Humaitá sendo entrevistado para falar sobre a eliminação da Copa do Brasil
No fim, o Humaitá 2-2 Brasiliense foi heroico, mas eliminou o clube verde e vermelho da Copa do Brasil. A torcida reconheceu a valentia dos seus jogadores e aplaudiu a atuação da equipe. Foi por pouco que a humilde equipe não se garantiu na próxima fase. O clube de Brasília agora espera o vencedor de Globo e Internacional para saber quem enfrentará na segunda fase.
Ainda ficamos um bom tempo no estádio antes de pegarmos o caminho do hotel. Antes, fizemos um pit stop sensacional em uma lanchonete que parecia cenário do filme Bye Bye Brasil. Comi provavelmente um dos melhores sanduíches da minha vida, com todos os ingredientes possíveis, enquanto assistia ao início da Guerra da Ucrânia em uma TV de tubo que estava com defeito. Juro, me senti em 1977.
Visão do genial estabelecimento onde acompanhei o início da Guerra da Ucrânia comendo um dos sanduíches mais inacreditáveis da minha vida
A equipe da Globo que estava comigo prolongou o término da noite em boates da cidade, enquanto eu, cansado e grudando, preferi ficar no hotel. Foram poucas horas de descanso, pois o voo de volta para a capital paulista partiria na hora do almoço. Cheguei no final da tarde e, caindo de sono e cansaço, fui olhar as fotos da viagem. Sem sombra de dúvida, foi uma das grandes viagens da minha vida, por todo o contexto envolvido. É o tipo de história para se contar até o fim dos dias.
Uma coisa não dá para deixar de falar: não é todo mundo que pode falar que viajou com a Globo bancando tudo, né? Genial demais saber que eu posso.
Até a próxima!
Ficha Técnica: Humaitá 2-2 Brasiliense
Local: Estádio Antônio Aquino Lopes (Rio Branco/AC); Árbitro: Douglas Marques das Flores/SP; Público: 370 pagantes; Renda: R$ 8.220,00; Cartões amarelos: Aldair, Felipe Xavão, Larusso, Ronaldo, Andrezinho, Ferrugem, Gabriel Teixeira (AT-Bra), Radamés, Paulo Costa e Marcão; Cartões vermelhos: Felipe Xavão 33 do 1º, Fábio Henrique e Gabriel Teixeira (AT-Bra) no pós-jogo; Gols: Aldair 4 e Marcão (pênalti) 34 do 1º, Badhuga 21 e Luiz Fernando 34 do 2º.
Humaitá: Marcão; Felipe Xavão, Luiz Fernando, Naldo e Wallace; Larusso (Mamude), Ronaldo e Daniego (Gilberto); Douglas Amaral (Caíque), Fábio Henrique (Bernardo) e Aldair (Wagnão Balotelli). Técnico: Emanoel Sacramento.
Brasiliense: Matheus Brandão; Andrezinho, Badhuga, Paulo Costa (Railon) e Goduxo; Aldo, Luquinhas (Bernardo), Radamés (Ferrugem) e Zotti (Aloísio); Marcão e Matheus Barboza (Kesley). Técnico: Celso Teixeira.
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