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domingo, 14 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Brasil Campeão!

Fala pessoal!

Após acompanhar e mostrar aqui a maioria dos jogos do Sul-Americano Feminino sub-17, finalmente a hora da grande Final chegou e lá estava eu no histórico gramado do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, para a cobertura sempre presente do JOGOS PERDIDOS desde as primeiras rodadas do torneio. Para a festa da boa torcida presente no estádio, a seleção do Brasil era franca favorita jogando essa decisão contra a boa seleção do Chile.

Depois da festa venezuelana na preliminar, fui para a lateral do gramado fazer as fotos das duas seleções finalistas. E elas vem praticamente em primeira mão, pois mais fotógrafos tiraram as fotos, mas não as vi publicadas em nenhum lugar:


Seleção Feminina do Brasil (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina do Chile (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

Tendo feito um campeonato perfeito, com cinco vitórias em cinco jogos e 34 gols marcados até então, a seleção brasileira queria a todo custo vencer essa competição para apagar a frustração de 2008, quando foi vice-campeã no saldo de gols perdendo o caneco para a Colômbia. Com ótimas jogadoras e um esquema de jogo altamente ofensivo o Brasil não tinha nenhum medo do Chile. No final das contas, nesse campeonato não tinha time que atrapalhasse o sonho das brasileiras.

Foi o jogo começar para perceber que o dia era mesmo brasileiro e que a nossa seleção não estava afim de surpresas. Com jogadoras altamente habilidosas em todos os setores do campo, o time amarelo pintou e bordou dentro da área adversária. A seleção chilena entrou em campo tentando somente se defender. O time não conseguiu armar nenhuma jogada no seu ataque, inclusive com a goleira Dani não fazendo nenhuma defesa durante o tempo inicial.


Cruzamento da jogadora Jucinara pela esquerda. Ela foi um dos destaques do Brasil no torneio. Foto: Fernando Martinez.

Sem sofrer pressão no setor defensivo, não demorou muito para que a vocação ofensiva das brasileiras aparecesse. Logo aos 12 minutos saiu o primeiro gol da final, em boa jogada da camisa 10 Beatriz, que aproveitou bola espirrada da zaga e chutou forte da entrada da área. Aos 23 uma pintura de gol em cobrança de falta perfeita da jogadora Jucinara. Mesmo perdendo muitas chances, o terceiro veio ainda antes do apito final da primeira etapa.

A mesma Jucinara bateu escanteio pela direita aos 41 minutos e contou com a colaboração da arqueira Maria Troncoso para levar o jogo em 3x0 para o intervalo. Na saída de campo vi um clone do iraquiano Sayid, da série de TV Lost, trabalhando no time do Brasil. Não sei se ele está com a mente de 1977 ou 2004, mas com certeza ele estava feliz pela apresentação da seleção.


Detalhe do chute que originou o primeiro gol brasileiro na final contra o Chile. Foto: Fernando Martinez.


Segundo gol brasileiro em cobrança de falta primorosa da camisa 6 Jucinara. Foto: Fernando Martinez.


A bola estufando as redes no terceiro gol do Brasil, em mais uma bola parada da jogadora Jucinara. Foto: Fernando Martinez.

Com o título praticamente definido, o intervalo serviu para que o pessoal que estava dentro de campo apostasse qual seria o placar final da peleja. Até o técnico chileno Ronnie Radonich sentiu o cheiro de uma possível goleada histórica para as brasileiras e armou uma retranca-monstro para sua equipe não sofrer mais gols durante a segunda etapa.


A capitã Thaís dominando a bola dentro da área chilena no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

A retranca forte deu resultado, e o Brasil não conseguiu mais entrar na defesa chilena, pois todas as jogadoras estavam dentro da sua própria área. Mas de tanto insistir, as brasileiras finalmente conseguiram furar o bloqueio chileno aos 29 minutos, com um golaço de falta da jogadora Beatriz.


Quarto gol brasileiro, novamente em bela cobrança de falta, agora da camisa 10 Beatriz. Foto: Fernando Martinez.

A partir daí os gols vieram todos em sequência. Aos 31 veio o quinto, em cabeçada certeira da atacante Paula. O sexto aconteceu aos 35, com a camisa 8 Andressa chutando de longe e contando novamente com a ajuda da goleira adversária. E para fechar o massacre, a camisa 19 Gláucia - uma das artilheiras da competição junto com a camisa 9 Paula, com 7 gols - apareceu livre cara-a-cara com a goleira Trancoso e chutou para marcar o último gol do Sul-Americano.


E para fechar o massacre, a artilheira do torneio Gláucia marcou chutando na saída da goleira chilena. Foto: Fernando Martinez.


O placar final do massacre brasileiro na decisão do título e ao lado um clone do iraquiano Sayid Jarrah, atualmente membro da comissão técnica brasileira, passeando no gramado do Pacaembu. Em qual realidade alternativa da série Lost ele está? Fica a dúvida... Fotos: Fernando Martinez.

Final de partida: Brasil 7-0 Chile. Com esse resultado, a seleção brasileira sagrou-se campeã do II Sul-Americano Feminino sub-17, e se classifica - junto com as chilenas e as venezuelanas - de forma incontestável para o Mundial da categoria, que terá sua segunda edição em Trinidad & Tobago, entre os dias 5 a 25 de setembro.

A idéia fixa da comissão técnica e das jogadoras é fazer uma campanha bem melhor do que a que aconteceu no Mundial 2008, que foi realizado na Nova Zelândia. Naquele torneio, o Brasil perdeu seus jogos contra Inglaterra e Coréia do Sul e empatou com a Nigéria. Ficamos com apenas a 14ª colocação num torneio de 16 equipes. Aliás, as três seleções sul-americanas - além das brasileiras, Colômbia e Paraguai jogaram o torneio - fizeram campanhas péssimas. Em nove jogos disputados, três empates e seis derrotas deixaram uma má impressão para as meninas do continente. Esperamos que o futebol da região tenha melhor sorte nesse ano.

Após o apito final, não demorou muito para a festa da premiação começar. A jogadora Thaís recebeu o troféu de fair play para a seleção brasileira, em seguida as seleções da Venezuela e do Chile receberam respectivamente as medalhas de bronze e prata e depois de tudo isso foi a vez do Brasil fazer a festa no pódio. Por lá estavam o presidente da Conmebol Nicolás Leoz e o presidente da FPF Marco Polo del Nero.


Seleções da Venezuela e do Chile recebendo as medalhas de bronze e prata das mãos do presidente da Conmebol Nicolás Leoz e do presidente da FPF Marco Polo del Nero. Fotos: Fernando Martinez.


A capitã do time brasileiro Thaís recebendo o troféu de Fair Play para a seleção das mãos do presidente da Conmebol. Foto: Fernando Martinez.


Jogadoras brasileiras recebendo as medalhas de ouro pelo título. Foto: Fernando Martinez.


Agora o troféu de campeão da competição, também recebido pela capitã Thaís. Foto: Fernando Martinez.


Festa no pódio com as jogadoras e a comissão técnica brasileira. Foto: Fernando Martinez.

Depois da entrega do troféu e das medalhas pela conquista do título, as jogadoras foram dar a volta olímpica e fizeram a festa junto da torcida que estava espremida no alambrado do estádio. Foi bonito ver a presença dos torcedores, mesmo sem que a grande mídia falasse da competição (para ser justo ficam os parabéns à RedeTV! pela transmissao da Final e da Semifinal). Quem sabe em alguns anos não veremos o futebol feminino - do qual eu sou fã - disputando espaço nas páginas de jornais? Acho que a mentalidade da nossa mídia está longe de ser mudada... mas fica a esperança.


Volta olímpica das jogadoras brasileiras perto da torcida que esteve presente na final. Foto: Fernando Martinez.


E agora no gramado do Pacaembu, mais uma vez as brasileiras posando com as taças de campeãs da competição e de seleção fair play. Foto: Fernando Martinez.

Após muita festa no gramado, peguei o rumo de casa com o sentimento de dever cumprido mais uma vez no ar. Fazendo o dito trabalho de "formiguinha" que estamos acostumados, mais uma vez o JP levou para as páginas virtuais um torneio que foi praticamente ignorado pela grande imprensa. E nesse caso pior ainda, pois estamos falando de uma competição sul-americana na maior capital do país. Uma pena, mas isso acabou deixando que o JOGOS PERDIDOS fizesse um trabalho marcante e histórico para nós.

Até a próxima!

Fernando

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Venezuela conquista o 3º lugar e garante vaga no Mundial!

Fala pessoal!

Na última quinta-feira tivemos a última rodada dupla do segundo Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17. Por motivos técnicos perdi as duas semifinais da terça, mas não poderia faltar nesses jogos finais pois o JOGOS PERDIDOS foi o veículo de mídia (juntando mídia escrita, falada e virtual) que mais deu espaço à essa competição. E não estamos falando de um campeonato amador de algum bairro qualquer, e sim um torneio oficial da Conmebol, com aval da CBF e FPF e juntando todas as seleções sul-americanas. Mais uma prova que o JP se importa mesmo com o futebol que é deixado de lado pela "grande mídia".

Para a primeira partida do dia no histórico Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, tivemos a realização da disputa de 3º e 4º lugares do torneio, e além da medalhe de bronze, as seleções da Venezuela e do Paraguai jogariam para saber quem conquistaria a última vaga da América do Sul no Mundial Feminino sub-17, que será realizado ainda nesse ano em Trinidad & Tobago. E se eu fosse apostar minhas fichas, elas seriam para a seleção grená.

Mas as duas equipes chegaram nessa decisão com campanhas quase idênticas: cinco jogos disputados, duas vitórias, duas derrotas e um empate para casa uma, 10 gols sofridos e a única diferença era nos gols marcados... nove para as venezuelanas e dez para as paraguaias. O equilíbrio dos números acabou sendo refletido durante toda a primeira etapa da partida. (em tempo... não consegui as fotos posadas por questões logísticas)

As duas seleções criaram boas chances, mas as atacantes desperdiçaram todas as investidas. As goleiras também mostraram serviço quando solicitadas, e nesse panorama o primeiro tempo acabou sem a abertura do marcador. No intervalo conversei bastante com os amigos fiscais e muitas histórias do arco da velha sobre bastidores foram citadas. Bom saber o que acontece de verdade nos campos por aí.


Falta para a Venezuela com as jogadoras do Paraguai quase brincando de "sombra mágica". Foto: Fernando Martinez.


Cruzamento venezuelano pela direita do seu ataque. Foto: Fernando Martinez.

O segundo tempo então veio com a partida mais aberta e muito mais chances de gol. Aos 14 minutos a seleção "vinotinto" abriu o marcador num golaço da atacante Joemar Guarecuco, que tinha acabado de entrar em campo. Ela chutou forte quase da intermediária e encobriu a goleira Liz Peña. Muita festa das jogadoras e do banco de reservas venezuelano. Atrás no marcador e perdendo a vaga no mundial, o Paraguai foi com tudo em busca do empate, mas deixando espaços perigosos na sua defesa.


A goleira Liz Peña desolada deitada no gramado do Pacaembu após sofrer o gol venezuelano. Foto: Fernando Martinez.


Visão da numerada do estádio com um bom público para a decisão de 3º e 4º lugar da competição. Foto: Fernando Martinez.

A partida ficou com chances para os dois lados, mas a mais clara delas foi para a seleção paraguaia. Depois de um cruzamento da direita, uma das suas atacantes colocou a bola dentro do gol adversário, mas a árbitra uruguaia Claudia Umpierrez e a auxiliar Maria Eliza Barbosa anularam o gol. O time do Paraguai ficou indignado com a marcação, e pressionou bastante a arbitragem. O nervosismo acabou atrapalhando o time até o final da peleja.


Boa chegada da jogadora camisa 10 da seleção grená. Foto: Fernando Martinez.

E sem nada a ver com o nervosismo paraguaio, a seleção grená levou o jogo na boa até o apito final. Com o placar de Paraguai 0-1 Venezuela, a equipe da terra de Hugo Chavez se classificou pela primeira vez para um Mundial Feminino na história, juntando todas as categorias. A festa foi digna de final de Copa do Mundo no gramado do Pacaembu. Mas a seleção derrotada não levou a derrota na esportiva, e uma de suas jogadoras agrediu a árbitra do jogo. Depois ainda teve mais confusão na entrada dos vestiários, com mais agressões por parte das paraguaias e até a PM teve que entrar para apaziguar os ânimos.


Resultado final da partida estampado no placar do Pacaembu. Venezuela no Mundial 2010! Foto: Fernando Martinez.

Mas não adiantou nada, já que a Venezuela é a legítima classificada para o Mundial Feminino sub-17 2010 junto com Brasil e Chile, que fizeram a final logo em seguida...

Até lá!

Fernando

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Brasil fecha a primeira fase com a melhor campanha!

Fala povo!

Fechando a primeira fase do campeonato Sul-Americano Feminino sub-17 tivemos mais uma partida no Estádio Conde Rodolfo Crespi no último sábado. O jogo foi válido pelo Grupo A, praticamente num quase-amistoso, pois as definições das vagas para as semifinais e os cruzamentos para as duas partidas do dia 9 de fevereiro aconteceram na primeira partida do dia. As seleções de Brasil e Peru entraram em campo para finalizar os jogos do torneio na Rua Javari.

E para fechar com 100% as fotos dos times posados nessa primeira fase aqui no JP, seguem agora as brasileiras e peruanas:


Seleção Feminina do Peru (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina do Brasil (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

A única perspectiva peruana na partida era tentar não levar uma sonora goleada das brasileiras, já que o 15x0 das meninas tupiniquins contra o Equador ainda ecoava nos cantos da Javari. Para o Brasil, que já era o primeiro colocado do grupo, a chance de colocar suas reservas em campo para que elas pudessem mostrar serviço. Mais uma vez acompanhei a partida lá das sociais, pois não estava no pique de ficar torrando dentro do gramado.


Ataque brasileiro sendo iniciado pelo lado esquerdo. Foto: Fernando Martinez.

Mas dessa vez não tivemos uma grande apresentação das brasileiras. Talvez sem o entrosamento necessário ou com excesso de confiança, o time jogou de uma forma bem morna contra o fraco time do Peru. A equipe também perdeu gols demais em chances claríssimas cara-a-cara com a goleira peruana. Mesmo assim, o primeiro tempo terminou com a vantagem de 3x0 para o Brasil.


Chance absurda perdida pelo time brasileiro. Foto: Fernando Martinez.


Goleira peruana afastando a bola de perto da sua meta. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro gol veio aos 9 minutos em belo chute cruzado de Beatriz pela esquerda. O segundo, aos 24 minutos, foi em cobrança de pênalti de Andressa. E o terceiro foi o mais bonito, com a atacante Paula acertando um belo chute de voleio aos 30 minutos. O Peru não passou da linha do meio-campo, deixando a goleira Letícia somente assistindo a partida.


A bola estufando as redes no primeiro gol brasileiro da partida. Foto: Fernando Martinez.


Segundo gol brasileiro, em cobrança de pênalti de Andressa. Foto: Fernando Martinez.

Antes mesmo do intervalo começar a chuva voltou a cair na Javari. E ela veio muito forte, espantando muitos bolivianos que ainda estavam nas dependências do templo grená e alguns figurões que viam o jogo das tribunas. Para o segundo tempo o Brasil continuou dominando, mesmo debaixo de uma chuva absurda.


Já com o dilúvio na Javari, as peruanas tentaram se lançar ao ataque no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

Aos 8 minutos a boa atacante Jullia marcou o quarto da equipe brasileira, depois de enorme confusão dentro da área peruana. E o quinto veio aos 11 minutos, no segundo gol da atacante Beatriz na partida. A facilidade era absurda, e muitos gols poderiam ter saído. Poderiam, pois a árbitra Maria Carvajal resolveu interromper o jogo aos 20 minutos desse tempo final graças à chuva que não parava de cair. Como a partida já não valia mais nada, prevaleceu o bom senso.


Visão geral do jogo entre Brasil e Peru, momentos antes da partida ser interrompida. Foto: Fernando Martinez.

Final de jogo: Peru 0-5 Brasil. Num jogo sem muita emoção, o Brasil mostra que tem o melhor futebol do torneio e que somente uma zebra ou um salto alto muito grande vai tirar o título da nossa seleção nessa competição. O time agora pega a Venezuela na segunda partida - a primeira é entre Paraguai e Chile - semifinal no Pacaembu nesse 9 de fevereiro. Os vencedores jogam a grande Final na próxima quinta-feira às seis da tarde.

Com o jogo finalizado, restou ficarmos aguardando o dilúvio passar para irmos embora. Na meia hora que fiquei ao lado do David das tribunas ele reclamou da Net, da chuva, da cidade, da vida, do jeito de ser, do futebol... ou seja, de tudo! Com certeza o Oscar de Melhor Animação não irá para nosso amigo cinéfilo nesse ano de 2010.

Reclamações à parte, a chuva finalmente passou depois de uma hora e, depois de mais uma vez jantar na boa pizzaria do lado no estádio, voltei para casa para dois dias de descanso... 11 jogos em 6 dias seguidos foi um recorde!

Até a próxima!

Fernando

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: No sufoco, o Paraguai vai para a semifinal

Fala pessoal!

Ufa! Depois de seis dias seguidos com rodadas diárias aqui para o JP, o sábado passado me reservou a última jornada dupla da primeira fase do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17. E para a despedida do Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari, da competição, Paraguai e Bolívia disputaram a primeira peleja do dia em busca da segunda vaga do Grupo A para as semifinais, já que o Brasil estava classificado desde a rodada anterior.

Cheguei na Rua Javari bem antes do horário marcado para o início da partida, e nas redondezas percebi uma grande movimentação de pessoas chegando no templo grená. Mas só entrando no estádio vi que não eram brasileiros aguardando o jogo de fundo, e sim muitos bolivianos oriundos dos bairros do Brás e do Pari - local do meu antigo e saudoso QG - esperando ansiosamente o jogo da seleção do seu país.

A Polícia Militar estimou que o público presente na Javari era mais de 3 mil pessoas para o primeiro jogo do dia. A animação dos bolivianos era total, e bem antes do apito inicial trilar por lá a parte coberta do estádio já estava lotada. Muito barulho, gritaria e a esperança que a Bolívia conseguisse a vaga nas semifinais do Sul-Americano. E fazendo um rali entre os muitos torcedores, consegui entrar no campo de jogo para as fotos oficiais:


Seleção Feminina do Paraguai (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina da Bolívia (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

Em busca da vaga nas semifinais, o Paraguai jogava pelo empate contra uma Bolívia que precisava desesperadamente da vitória. Pelos jogos anteriores que acompanhei, achava que as paraguaias se classificariam com um pé nas costas, mas com certeza a animação da grande torcida boliviana presente no estádio empurraria o time da terra de Evo Morales em busca dessa heróica e inesperada classificação.

Voltando para as sociais da Javari, encontrei o David e fomos para as tribunas, já que não tinha a menor condição de acompanhar o jogo junto com a muvuca instaurada no estádio. E passando o pior calor dos últimos dias, vimos uma partida muito movimentada, digna de decisões de vaga. A Bolívia jogava empurrada pela sua torcida, mas o Paraguai era mais time, e aos 12 minutos marcou o primeiro gol do dia através da jogadora Liz Peña com a providencial ajuda da arqueira Maria Lazaro.


Saída rápida da Bolívia para o seu campo de ataque. Foto: Fernando Martinez.

Atrás do marcador, a seleção boliviana acordou no jogo e passou a dominar a partida. O Paraguai não era nem sombra do time das duas primeiras partidas e se mostrou assustado com a pressão dentro e fora de campo. A torcida empurrava a Bolívia, que chegava cada vez mais perto do gol de empate.


Jogadoras observando atentamente a bola. Foto: Fernando Martinez.

E a igualdade no marcador finalmente veio aos 36 minutos, com um gol contra da goleira do Paraguai, que colocou a bola dentro das próprias redes depois de bom cruzamento da esquerda de Margarita Zabala. Fazia tempo que não via uma comemoração de gol tão efusiva de torcida na Javari, nem em gols do Moleque Travesso dentro dos seus domínios. O jogo continuou melhor para as bolivianas, e o Paraguai agradeceu muito quando a árbitra Claudia Umpierrez encerrou a primeira etapa.


Ótima chance paraguaia no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo, com o David suando absurdamente, fui buscar água e refrigerante para tentar amenizar o calor que estava fazendo mesmo na parte coberta do estádio. No caminho da lanchonete, percebi que estávamos colocados perto do ex-árbitro e atual inspetor de árbitros da Conmebol Armando Marques. Um dos juízes mais conhecidos/controversos da história do futebol nacional, responsável pela final do Paulista 73, aonde errou a contagem das penalidades que definiram o campeonato daquele ano, no último título relevante da Portuguesa. Não é toda hora que estamos perto de figura tão lendária do futebol.


Visão geral das sociais do Juventus e de parte da arquibancada mostrando o bom público no jogo Paraguai x Bolívia. Foto: Fernando Martinez.

Bom, já de volta à tribuna era a hora do segundo tempo começar. A torcida continuava empurrando a seleção boliviana, e o panorama do jogo não mudou muito. A Bolívia voltou muito melhor, mais acordada em campo e dominando as ações. As paraguaias tentavam, mas não conseguiam mesmo voltar a mostrar algo de bom dentro das quatro linhas. A diferença principal para que o placar não fosse alterado era a qualidade ofensiva das atacantes do time verde. A camisa 9 Sdenka mostrou deficiências já vistas em jogos anteriores e desperdiçou boas investidas.


Ataque boliviano sob o olhar atento de quase metade do time paraguaio. Foto: Fernando Martinez.

Mesmo assim a torcida não desanimava, e a Bolívia já estava merecendo virar o marcador. O relógio era implacável com o time verde, e os minutos pareciam que estavam virando cada vez mais rápidos. Porém, de tanto insistir, as bolivianas ganharam uma chance de ouro para marcar o segundo gol numa penalidade máxima marcada aos 37 minutos. A melhor jogadora do time, a camisa 10 Diana Zenteno, foi para a cobrança. Mas ela sentiu o peso da responsabilidade e bateu mal demais o penal, praticamente recuando a bola para a goleira Paola Buttner, se redimindo do gol sofrido.


Detalhe do pênalti perdido por Diana Zenteno, que jogou a chance da classificação boliviana no lixo. Foto: Fernando Martinez.


Bola disputada no meio de campo. Foto: Fernando Martinez.

A Bolívia sentiu demais o pênalti perdido e não conseguiu mais chegar e nem criar chances de fazer o gol da classificação. O Paraguai continuou na defesa e levou os minutos finais em banho-maria para garantir a sua vaga no sufoco.

Final de jogo: Paraguai 1-1 Bolívia. O suado empate classificou o time paraguaio para as semifinais, aonde enfrentará o ótimo time do Chile buscando a vaga na grande final. Pelo que vi até aqui, apostaria nas chilenas para a classificação. Para a Bolívia, ficou a boa impressão que o time deixou no campeonato, só sendo derrotadas pelo Brasil e lutando até o último minuto pela classificação. A torcida da seleção soube reconhecer o esforço e aplaudiu bastante as jogadoras após o apito final.

E a grande torcida presente na Javari continuou por lá para ver o jogo de fundo... um amistoso, mas que foi do melhor time do campeonato até aqui e que merecia ser conferido.

Até lá!

Fernando

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Venezuela confirma sua vaga para a semifinal

Fala pessoal!

Depois da classificação chilena para as semifinais do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17, o Estádio Nicolau Alayon foi palco da definição da segunda vaga do Grupo B para a próxima fase do torneio. As seleções da Venezuela e da Argentina entraram no gramado sagrado do Nacional Atlético Clube dispostas a fazerem um grande jogo em busca da classificação. Ah, e mais uma vez seguem agora as fotos oficiais da partida:


Seleção Feminina da Venezuela (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina da Argentina (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

Com 7 pontos na tábua de classificação, a seleção grená tinha uma enorme vantagem contra as argentinas para a definição da vaga. O time portenho tinha 4 pontos, e só uma vitória por quatro gols de diferença contra as venezuelanas daria a vaga ao time da terra do Maradona. E pelo que tinha visto nas rodadas anteriores, a chance disso acontecer era mínima, já que o time argentino deixou bastante a desejar.


Jogadoras disputando a bola em ataque venezuelano. Foto: Fernando Martinez.

Fui para o ataque da seleção "vinotinto" durante os primeiros 45 minutos de jogo. A seleção argentina começou a partida tentando surpreender a defesa da Venezuela e tentava marcar um gol logo no começo. Mas não demorou muito para que o time venezuelano tomasse conta do jogo e mostrasse sua maior qualidade técnica.


Zaga da Argentina chutando a bola para longe da sua área. Foto: Fernando Martinez.

A defesa argentina não conseguia segurar os rápidos ataques da equipe grená, principalmente com a camisa 10 Ysaura Viso, chamada de "Rudd Gullit cover" por alguns torcedores no Nacional. E mesmo sendo a melhor jogadora do time, ela perdeu gols demais e foi egoísta em alguns momentos, prejudicando muito sua equipe. Na melhor chance dela, a bola foi parar na trave superior da arqueira Laurina Oliveros.


Ataque perigoso da Venezuela, com a camisa 10 Ysaura Viso colocando a bola na trave argentina. Foto: Fernando Martinez.


Mais uma chegada venezuelana pela direita do ataque. Foto: Fernando Martinez.

Sem nenhuma modificação no ritmo da partida, a partida chegou ao intervalo com o 0x0 estampado no placar nacionalino. E para variar um pouco a chuva estava chegando no estádio e voltei às tribunas do Nicolau Alayon. E foi só pisar lá que o temporal começou com tudo e o segundo tempo inteiro foi debaixo d'água.


A zaga da Argentina teve trabalho com o bom ataque da Venezuela no primeiro tempo, aqui em mais um ataque pela direita. Foto: Fernando Martinez.

Para essa segunda etapa, a Venezuela voltou com uma atleta a menos - a jogadora Natasha Rosas foi expulsa no final do tempo inicial - e resolveu cadenciar o jogo, chamando a Argentina para o seu campo. Só que achei essa uma tática um pouco suicida, pois caso o time venezuelano ganhasse o jogo, ficaria em primeiro lugar do grupo B e escaparia do forte Brasil na semifinal. O empate não era bom resultado mesmo com a classificação assegurada. Mas o time abdicou mesmo de qualquer ataque, mesmo sabendo da inferioridade técnica da Argentina.


Gol feito perdido pelo ataque da Argentina no começo da segunda etapa. Foto: Fernando Martinez.

Por sua vez, as argentinas não tinham nada com isso e conseguiram ocupar todo o campo de defesa venezuelano. Mas a qualidade técnica inferior falou mais alto, o time não conseguia traduzir o domínio em gols. Já tinha descido das tribunas para ir embora, e enquanto falava com os amigos maqueiros/fiscais, as meninas da Argentina puderam comemorar a vitória. E foi na base da raça, com o gol salvador saindo aos 49 minutos. A atacante Florencia Bonsegundo completou cruzamento certeiro da direita e comemorou demais.


Zaga portenha saindo com a bola dominada. Foto: Fernando Martinez.

Final de partida: Venezuela 0-1 Argentina. Apesar da derrota, as venezuelanas garantiram vaga na semifinal pois ainda ficaram com maior saldo de gols do que as argentinas. Mas a derrota deixou a seleção grená no caminho das brasileiras na segunda partida semifinal da terça-feira, 9 de fevereiro. Com certeza a Venezuela terá enormes dificuldades para tentar chegar na final. Mas futebol é futebol, e tudo pode acontecer.

Após esse jogo, voltei mais uma vez para o centro de São Paulo e lá fui jantar num belíssimo restaurante da região. Ainda conseguimos encontrar lugares preciosos mesmo com o estado atual bem ruim do querido centro velho paulistano. Quem sabe ainda não vejo o centro daqui pelo menos igual ao de Buenos Aires? Um dia... um dia...

Satisfeito voltei para casa já pensando na rodada final da primeira fase do Sul-Americano no sábado, mas isso fica para depois!

Até lá

Fernando