Existe uma velha máxima que diz que "nada é tão ruim que não possa piorar". Duvido que haja outra expressão que defina melhor a atual participação do Grêmio Barueri no cenário futebolístico do estado. A cada ano que passa, a situação da ex-sensação do futebol paulista se torna cada vez mais lamentável, mais triste, mais absurda e momentos inacreditáveis são cada vez mais vistos pelos lados da Arena Barueri.
O Campeonato Paulista da Série A3 nem começou direito e já há motivos de sobra para acreditarmos que esse pode ser o canto do cisne do time que conseguiu emplacar cinco acessos seguidos no estadual e que também chegou em 11º lugar no Brasileirão de 2009. A bonita historia vivida até 2011 (deixando de fora a absurda mudança para Presidente Prudente) deu lugar a um extenso rol de vexames e bizarrices vividas desde 2012.
O novo capítulo da surreal novela que tem como tema a provável temporada de despedida do clube aconteceu no sábado passado, quando o GRB recebeu o Noroeste pela terceira rodada do Campeonato Paulista da Série A3. Foi o primeiro jogo no belo e abandonado estádio, já que a peleja contra o Primavera, a primeira oficial no ano, acabou sendo cancelada dois dias antes por que o Barueri não tinha jogadores suficientes para entrar em campo (!). No meio da semana a estreia foi desastrosa: goleada de 4x0 a favor do São José atuando no Martins Pereira.
Cheguei na Arena faltando cerca de meia hora para o apito inicial e quando fui pegar as escalações, uma surpresa: os locais não tinham técnico definido. Isso mesmo, faltando 30 minutos para o jogo começar, ainda não sabiam quem estaria no banco de reservas comandando a rapaziada. Wladimir Pereira, técnico na derrota para a Águia, simplesmente não apareceu. O auxiliar Paulo Mattos acabou assumindo o rabo de foguete.
Grêmio R Barueri - Barueri/SP. Foto: Fernando Martinez.
EC Noroeste - Bauru/SP. Foto: Fernando Martinez.
Capitães dos times junto com o trio de arbitragem da partida, composto pelo árbitro Mauricio Antonio Fioretti e os assistentes Renato de Assis Miranda e Danilo Nogueira da Silva. Foto: Fernando Martinez.
Detalhe da escalação oficial do Barueri sem o nome do técnico, já que ele simplesmente não apareceu. Foto: Fernando Martinez.
Outra peculiaridade foi que o time foi para a partida com apenas treze atletas. Resumo disso tudo? O Noroeste só não venceria pela primeira vez na A3 se fosse muito incompetente. Bom, e apesar da enorme pressão que exerceu em todo o tempo inicial, a equipe bauruense não teve competência para abrir o marcador. A Locomotiva teve três oportunidades ótimas, a melhor delas numa boa defesa de Eduardo Alves em chute de Marcão e rebote com tiro de Cassiano na trave, mas ficou no zero.
Zaga local cortando bola alçada na área. Foto: Fernando Martinez.
Dois ataques noroestinos no tempo inicial. Em ambos, nada aconteceu. Foto: Fernando Martinez.
Detalhe do goleiro Victor entrando em campo com a camisa 14 para ser improvisado no meio-campo depois da contusão de Carlos. Foto: Fernando Martinez.
No melhor esquema "desgraça pouca é bobagem", o GRB ainda foi obrigado a colocar seus dois únicos reservas em campo ainda no tempo inicial. Primeiro foi Dênis entrando no lugar de Dnílton aos 14 minutos e depois a entrada do goleiro Victor, só que como um improvisado jogador de linha, no lugar do contundido camisa 2 Carlos. Os locais ficaram sem ninguém no banco desde os 40 minutos do primeiro tempo.
No tempo final o Noroeste continuou longe de fazer uma partida brilhante, mas pelo menos marcou duas vezes, aos 13 e aos 22 minutos, ambos gols de cabeça do camisa 9 Marcão. Se o alvirrubro estivesse um pouquinho mais inspirado, a peleja poderia ter terminado em cinco ou seis a zero. O destaque maior ficou por conta da atuação do arqueiro barueriense Eduardo Alves, responsável por três defesas sensacionais.
Detalhe do primeiro gol do alvirrubro, marcado por Marcão aos 13 do segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.
Zagueiro do Barueri tentando se livrar da pelota. Foto: Fernando Martinez.
Grande chance do Noroeste no final da peleja. Foto: Fernando Martinez.
O placar final de Grêmio Barueri 0-2 Noroeste apenas confirmou que o escrete da Grande São Paulo é candidatíssimo a ser o lanterna da competição, isso se chegar a terminar o campeonato. Mesmo assim, deixo os parabéns aos jogadores do clube, pois só eles tem a exata noção do sofrimento que estão passando. Os verdadeiros responsáveis pela atual situação do GRB são os vários dirigentes que levaram a equipe quase à sua extinção por, entre outros fatores, pura vaidade política. Acompanho a agremiação desde seu início, e é triste demais vê-la agonizar em praça pública. Caso ninguém resolva tomar conta direito do time, a equipe fatalmente irá desaparecer em breve.
Após 180 minutos de futebol a pedida foi pegar todo o caminho de volta até a capital paulista para um Carnaval regado a muito filme, música e morgação. Afinal de contas, há uma forma melhor de se passar os quatro dias da folia? Para mim a resposta é uma só.
Até a próxima!
Fernando