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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Um reencontro estranho com a Rua Javari

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de muito disse-não disse, no sábado tive a chance de visitar pela primeira vez o Estádio Conde Rodolfo Crespi desde que sua polêmica obra começou. Não sei qual foi a alma que liberou o local para a prática do futebol, mas, como não tenho nada com isso, fui lá acompanhar o duelo entre Juventus e Jabaquara pela última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista sub-20 - Série A.

A última partida ali tinha sido o Juventus 0-0 Ferroviária na primeira decisão da A2 deste ano. A partir dali, o que se viu foi uma série de absurdos cometidos pela SAF grená, com a já conhecida subserviência do Conpresp em várias decisões, para dizer o mínimo, bizarras pela cidade. Os atuais donos do Juventus decidiram desfigurar boa parte do local sem que o órgão paulistano fosse acionado.


Não temos mais a Rua Javari, e sim a ARENA Javari: um tapa na cara de tantos que se orgulhavam do estádio ser uma espécie de resistência contra o tal "futebol moderno"


Essa será a visão de quem vai para a parte coberta da ARENA Javari

O que eu tinha visto apenas por vídeos e imagens perdidas pela internet se tornou real quando entrei pelo velho portão da Javari. O que temos ali é um gigantesco canteiro de obras, e muitas intervenções deixam um gosto amargo na boca de quem frequenta o estádio há décadas. Os bancos de reservas foram para o espaço, assim como todo o alambrado (que era tombado), o antigo vestiário da arbitragem, o ginásio com piso de madeira ao lado da entrada, a sala de som e, pasmem, o antigo placar. Isso sem contar que a cabine de rádio do lado oposto da numerada virou algo parecido com um quarto de hospital, e os bancos, agora tomando o lugar da arquibancada debaixo da cabine, ficaram estranhos.


Os novos bancos de reservas estão debaixo da antiga cabine de rádio e nova cabine de imprensa.


Não tem mais alambrado na casa juventina. Agora a torcida ficará praticamente dentro de campo. Na imagem, o horroroso paredão que fizeram atrás do famoso "gol da creche"



Isso aqui foi triste: a SAF fez o favor de destruir a casinha com o antigo placar da Javari. Não custava nada terem deixado lá como lembrança. Nota 0 para quem tomou essa decisão absurda

Mesmo quem foi uma vez só na Javari sabe que o complexo precisava de reformas, ninguém nega isso. Os antigos bancos de reservas eram um perigo, os acessos eram ruins e muita coisa tinha que ser melhorada. Só que, a meu ver, simplesmente desfigurar tudo em nome do "progresso", iniciando as obras sem autorização do Conpresp, é absurdo, além de ser um lance radical demais com a história da cidade e do futebol paulista. Pior é ver parte do pessoal que frequenta o estádio dando carta branca para a SAF sem o menor questionamento. Se derrubassem a parte coberta, certamente ia ter gente aplaudindo. Isso que nem citei o tal ROOFTOP anunciado com pompa pela SAF, que deve ficar pronto mais para frente, e a mudança de nome para ARENA Javari, um tapa na cara de muitos que ainda hoje gritam contra o tal "futebol moderno". Com certeza o saudoso Sérgio Manjuillo não estaria feliz (a verdade é que, para mim, a Rua Javari começou a morrer com a partida dele).

Apesar da sensação estranha de estar ali, a minha presença era obrigatória. Afinal de contas, o Jogos Perdidos é certamente o veículo de imprensa com o maior número de coberturas no estádio nos últimos 20 anos. Não tinha como ficar de fora. Apesar de toda a bagunça e de praticamente ninguém saber o que fazer, não demorou para me credenciar e entrar em campo. De tudo que mudou, o mais estranho para mim é não ter mais alambrado. Na teoria, a ideia é boa, pois deixará a torcida praticamente no meio da ação. Só que, na prática, deve ser algo bem longe do esperado. Vale lembrar que a Javari tinha um alambrado duplo por obrigação da FPF depois de um sem-número de problemas por ali. Sair disso para o acesso total dos presentes me parece ir da água para o vinho. A ver.




Juventus, Jabaquara, quarteto de arbitragem e capitães dos dois times antes da partida

Voltando ao que acontece dentro das quatro linhas, ambas as equipes já estavam classificadas para a segunda fase antes do confronto, então o que estava em jogo era apenas a chance de melhorar na classificação geral. Juventus e Jabaquara é um confronto com gostinho de anos 40/50, pois os dois estão entre os onze "fundadores" da FPF. Por ser na Mooca, e mesmo com tanta obra rolando, o gostinho era diferente.

Um público de pouco menos de 150 torcedores marcou presença e viu outra boa apresentação do clube local. O Juventus foi melhor do que o Leão da Caneleira e, apesar de toda a pressão na etapa inicial, marcou somente uma vez, com Henrique. No segundo tempo, eu subi para a parte coberta e de lá vi a peleja melhorar bastante. Pedro Inácio deixou tudo igual no começo, e o Jabuca ainda teve duas boas oportunidades de virar o marcador.



O fundo das fotos de jogos na Javari agora será bem diferente do que antigamente


Bola na rede do Jabaquara no primeiro gol dos donos da casa






Mas momentos do tempo inicial na ARENA Javari



O chute de Japa que originou o gol de Pedro Inácio e a comemoração do camisa 4 jabaquarense



Dois bons lances a favor do Leão da Caneleira


Victor recolocando o Juventus em vantagem



Mais duas fotos com o fundo totalmente diferente. Não tem mais o placar antigo, o alambrado e a parte abaixo das numeradas ganhou cadeiras


Eduardo comemorando o terceiro gol grená para as lentes do Jogos Perdidos


Primeiro jogo em décadas que não tem o tradicional (e saudoso) placar antigo do Conde Rodolfo Crespi

O Juventus levou uns 15 minutos para se encontrar e, quando o fez, voltou a ficar em vantagem com o gol de Victor. A partir daí, só deu os donos da casa. Foram vários os momentos de perigo, todos desperdiçados. A rede só voltou a balançar nos minutos finais com o bonito gol de Eduardo. O 3 a 1 deixou o Moleque Travesso com a terceira colocação do Grupo 1, com 28 pontos, quatro abaixo de Santos e Corinthians, os líderes. O Jabuca ficou com a décima posição, com 13 pontos. Na segunda fase, o escrete grená pega o Grêmio Prudente, e o Leão faz o clássico santista com o Peixe.

Foi isso. No domingo também teve cobertura na ZL paulistana, mesmo com chuva.

Até lá!

Ficha Técnica: Juventus 3-1 Jabaquara

Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Henrique Otto Cruz Hengstmam; Público e Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Lucas Gabriel, Pedro Júlio, Clayton e Cristiano; Gols: Henrique 11 do 1º, Pedro Inácio 3, Victor 19 e Eduardo 45 do 2º.
Juventus: Arthur Rodrigues; Rafael Cardoso (Ian), Vitor Lima, Nathan Borges e Felipe (Guilherme); Riquelme (Eduardo), Arthur Guilherme (Ronaldo Ferreira), Lucas Gabriel (Pedro Evangelista) e Henrique; Pedro Júlio (Antônio) e Gabriel Jonas (Victor). Técnico: Marcelo Pap.
Jabaquara: José Guilherme; Cristiano (Sami Hadi), Murilo Silva, Pedro Inácio e Wallace (Leonardo); Thawam, Pipi (Guilherme Rodrigues), Rafinha e Japa (Murilo Martins); Clayton (Ricardo) e Victor Prezenca (Isac Souza). Técnico: Maicon Santos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Jabaquara reage, mas Corinthians garante triunfo no sufoco pelo sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Se na segunda-feira eu desisti de cobrir o que estava previsto, na terça-feira tudo correu bem, e foi dia de uma bela rodada dupla na capital. Iniciei os trabalhos no Estádio Alfredo Schurig com a última rodada da primeira fase da Série A do Campeonato Paulista sub-20. No gramado histórico, um confronto repleto de tradição no futebol do estado: Corinthians x Jabaquara.

Foi um antigo duelo de colônia espanhola, com clima de Paulistão dos anos 1940. Para o alvinegro, não valia muita coisa, apenas aguardar qual seria o adversário no mata-mata. Para o Leão da Caneleira, uma vitória praticamente colocaria o time na segunda fase. Só que o título jabaquarense já tinha sido conquistado: a permanência na Série A em 2026. O time santista ficou com a última vaga na elite este ano e, na temporada que vem, seguirá entre os maiores. Se a classificação viesse, seria um bônus muito bem-vindo.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Jabaquara Atlético Clube (sub-20) - Santos/SP


Capitães e quarteto de arbitragem na Fazendinha

O Corinthians vem fazendo uma temporada no sub-20 muito abaixo da média. Os grandes destaques da categoria ou subiram para o profissional ou foram negociados. Sobrou uma molecada que pode dar liga, mas que ainda é muito nova. No Brasileiro, luta contra o rebaixamento até o fim. No estadual, tem dificuldade contra clubes menores e perde para os melhores. Desse jeito não dá para esperar muito do escrete mosqueteiro.

Assim como no duelo contra o Referência, os locais começaram bem a peleja e, em pouco mais de meia hora, já venciam por 3 a 0. Os dois primeiros gols foram marcados por Léo Agostinho, o segundo deles em um frangaço clássico do goleiro Yuri, e o terceiro por Gabriel Caipira, de cabeça, pela direita. Estava tudo indo muito bem, até Yago estragar tudo e conseguir a proeza de ser expulso aos 35 minutos por dar um tapa em um adversário na frente do juiz.

O Jabuca se encontrou no intervalo e voltou com tudo para a etapa final. Jogando com um a mais, fez o primeiro com Arthur aos oito e anotou outro com Alector aos 16. O fácil 3 a 0 virou um sofrido 3 a 2, com um atleta a menos. O Corinthians sofreu pressão do time santista e passou maus bocados até o apito final. Com outro atleta expulso antes do término, o Timão venceu no sufoco com dois a menos, um script que causa calafrios pensando no futuro.



Assim como em outros jogos, o Corinthians começou melhor o duelo contra o Jabaquara




Sequência do primeiro gol corintiano, marcado por Léo Agostinho


O chute de Léo Agostinho que originou o segundo gol local, em enorme falha do goleiro jabaquarense



Cruzamento da esquerda e bola dentro da meta do Jabuca no terceiro tento na tarde, anotado por Gabriel Caipira



Mais lances da etapa inicial no Parque




O Corinthians deu muito espaço ao Jabaquara no tempo final e a vitória correu sérios riscos


No sufoco, mais uma apresentação defensiva a desejar em triunfo alvinegro no Paulista sub-20

O alvinegro terminou em quinto no Grupo 2 com 29 pontos e apenas o 13º melhor desempenho entre os 32 classificados. Na próxima fase, enfrentará o XV de Piracicaba em duelos de ida e volta, que acontecerão em setembro. O Jabuca terminou em 13º na chave, mas, como disse antes, fez um campeonato digno e seguirá na primeirona ano que vem. Está ótimo.

Saí correndo da Fazendinha porque tinha jogo do Paulista Feminino em um palco cada vez mais raro de ver com bola rolando: o Pacaembu, o antigo estádio municipal construído para o futebol e que hoje serve mais para eventos do que para o esporte.

Até lá!

Ficha Técnica: Corinthians 3-2 Jabaquara

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: Vinicius Pinto Tonollo; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Fernando, Léo Agostinho, Amaral, Danilo, Medeiros e Fábio Brito (AT-Jab); Cartões vermelhos: Yago 35 do 1º, Jonathan 43, Fábio Brito (AT-Jab) 46 do 2º, Jonathan e Inácio no pós-jogo; Gols: Léo Agostinho 19, 29 e Gabriel Caipira 34 do 1º, Arthur 8 e Alector 16 do 2º.
Corinthians: Matheus Corrêa; Gabriel Caipira, Fernando (Lorenzo), Caraguá e Gustavo Baiano (Drude); Thomas Lisboa (Luiz Eduardo), Yago e Robert Lopes (Tiaguinho); Luiz Fernando (Jonathan), Léo Agostinho (Caraguá) e Araújo (Luiz Fábio). Técnico: William Batista.
Jabaquara: Yuri; Wilson (Pará), Medeiros, Gustavo e Hatz (Hick); Amaral (Arthur), Thiaguinho (Luan) (Isac), Danilo e Alector; Girotto (Vitinho) e Inácio. Técnico: Adriano Piemonte.

domingo, 4 de maio de 2025

Portuguesa vence duelo de fundadores no Canindé pelo sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


A sessão da tarde da última sexta-feira foi simplesmente genial. Abrindo as coberturas do Jogos Perdidos na Série A do Campeonato Paulista sub-20 de 2025, tivemos um duelo entre Portuguesa e Jabaquara, dois fundadores da FPF, no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte. Jogo assim não tinha como ficar de fora. Confronto tão legal que até o Milton, ainda se recuperando de dias difíceis, esteve presente.

Foi a primeira vez que vi a camisa do Jabaquara no campo rubro-verde em 23 anos. A última tinha sido a ida da decisão da extinta Série B3 de 2002, um 4 a 0 em cima da saudosa Portuguesa B. Após aquela peleja, o Leão da Caneleira nunca mais pisou no Oswaldo Teixeira Duarte.


Associação Portuguesa de Desportos (sub-20) - São Paulo/SP


Jabaquara Atlético Clube (sub-20) - Santos/SP


Quarteto de arbitragem e capitães dos times

Em meio a tantas competições feitas no piloto automático e a uma série de erros repetidos ano após ano, a Federação Paulista de Futebol finalmente acertou uma. A reorganização do estadual sub-20 ficou muito boa. Depois de cinco anos, voltamos a ter duas divisões. Na primeira, a Série A, 48 clubes foram selecionados por um ranking montado pela entidade. Os dez melhores de cada um dos três grupos, além dos dois melhores décimos primeiros colocados, se classificam.

Além disso, o que torna o campeonato especial também é o fato de que os dois piores de cada chave serão rebaixados para a Série B em 2026. O sumido Orlando Lacanna, o Cary Grant do século 21, daria seu precioso aval por conta do "mecanismo de acesso". Apenas dois times subirão e isso ocorrerá até chegarmos a 32 clubes na Série A em 2029. Para fechar, outro ponto legal é que os grupos não são regionalizados, e teremos confrontos entre agremiações de todas as regiões do estado. Sem exagero: hoje o sub-20 é anos-luz mais legal do que a Segundona.

Para minha estreia nos Juniores em 2025, foi infernal chegar ao Canindé. Um trânsito de maluco no Pari atrasou todo o esquema. Por sorte, eu tinha comprado dois sandubas na porta do Centro Esportivo de Pirituba e consegui almoçar na sala de imprensa do estádio paulistano. O ruim foi que eles deixaram a desejar, bem diferente da simpatia da moça que me atendeu. Faz parte.

Seguindo no quesito ruindade, a partida foi bem fraca. No primeiro tempo, o Jabuca foi melhor, porém nada assim uma Brastemp. Chegou umas duas ou três vezes dentro da área e mais nada. A Portuguesa fez menos e, a rigor, teve só um bom momento. Eu, morrendo de sono na lateral esquerda do ataque visitante, tive a dura missão de não dormir. Cumpri no limite.




Lances do fraco primeiro tempo no Canindé


O meu 448º jogo no estádio na contagem regressiva para o fim das atividades do Canindé

Na etapa final, a Portuguesa voltou melhor e, aos sete minutos, abriu a contagem. A bola foi cruzada da direita, passou por toda a área e encontrou Keven Coloni na esquerda. O jogador tocou de leve, venceu o arqueiro jabaquarense e fez a festa. Um belo gol de oportunismo do camisa 11. No restante do tempo, a Lusa teve chances de ampliar, mas não o fez, enquanto os visitantes raramente se aventuraram no ataque.





A sequência do gol lusitano e a comemoração de Keven Coloni







As fotos ficaram melhores do que o jogo em si. Quando é assim, vamos com várias imagens


Placar final da segunda vitória rubro-verde no Paulista sub-20 Série A

É, a partida nota 4 terminou com o placar de Portuguesa 1-0 Jabaquara. Foram apenas duas rodadas, e nelas os rubro-verdes seguem com 100% de aproveitamento, junto com Red Bull Bragantino, Palmeiras, Ituano e Corinthians no Grupo 2. O Jabuca é o 11º, sem nenhum ponto conquistado. Ainda tem muita água para passar debaixo da ponte. A primeira fase acaba apenas em 12 de agosto.

Para fechar, o trânsito absurdo no Pari e adjacências se manteve terrível e levamos 50 minutos num trajeto que não chega a dez até a Estação Tietê. No sábado fiquei em casa, de boa. Já no domingo fiz minha estreia na Segundona de 2025, um dos campeonatos mais sem graça dos últimos tempos.

Até lá!

Ficha Técnica: Portuguesa 1-0 Jabaquara

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Vinícius Pinto Tonollo; Público: 121 presentes; Renda: portões abertos; Cartões amarelos: Wellington, Murilo, Keven Coloni, Alex, Jotta, Peterson e Hick; Cartão vermelho: Jotta no pós-jogo; Gol: Keven Coloni 7 do 2.
Portuguesa: Eduardo; Firmo (Jotta), Wellington, Ernest (JP) e Alano (Vicente); Rômulo, Magdalena (Rian), Davi (Nenê) e Murilo; Freire (Pedro Testa) e Keven Coloni (Alex). Técnico: Alexandre Lemos.
Jabaquara: Yuri; Luizinho (Guilherme), Wilson, Gustavo e Hatz (Vidal); Danilo (Lipe), Arthur (Vitinho), Thiaguinho e Vini (Guilherme Inácio); Peterson (Carlinhos) e Alector (Hick). Técnico: Adriano Piemonte.